Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 98.890 questões

Q2268074 Português
O povo é como uma cera mole, tudo depende de mão que o modele.

Nessa frase, o povo é visto como
Alternativas
Q2268072 Português
“Observei as coisas no laboratório do cientista: alguns objetos estranhos enchiam os armários; as mesas estavam cobertas de anotações misteriosas e havia anotações matemáticas no quadro-negro”.

Nesse caso, a descrição feita mostra o seguinte problema do observador: 
Alternativas
Q2268071 Português
“Como turista, ao perguntar ao guarda sobre que caminho devia seguir naquela cidade desconhecida, ele me disse: – Só não vá pela direita, pois é local perigoso!”

Nesse caso, o argumento do guarda se apoia
Alternativas
Q2268070 Português
Observe o texto a seguir, retirado de um dicionário de curiosidades sobre o Rio de Janeiro:

“ABERTURA DOS PORTOS – Monumento erigido na Praia do Russel, em comemoração ao Decreto de D. João VI, em 28/01/1808, determinando a abertura dos portos, medida que acarretou a integração do Brasil no comércio exterior. Este monumento, de bronze, é constituído por duas imagens de mulher, simbolizando o “Comércio” e a “Navegação”. O referido monumento foi obra de Eugène Benet, escultor francês”.

Trata-se de um texto informativo, que adotou o modo de organização discursiva
Alternativas
Q2268065 Português
Observe com atenção o texto 1 e a forma de melhorá-lo, no texto 2:

Texto 1 – Tradicionalmente, a comarca se dedicava à agricultura. Ao ser durante séculos terra de passagem, os cultivos não ocupavam mais que uma reduzida parte da superfície cultivável.
Texto 2 – A comarca se dedicava tradicionalmente à agricultura, ainda que, ao ser terra de passagem durante séculos, os cultivos não ocupassem mais que uma reduzida parte da superfície cultivável.

Pelas modificações propostas no texto 2, vê-se que o principal problema do texto 1 é 
Alternativas
Q2268063 Português
Leia o texto a seguir.

“O Rio de Janeiro, de hoje, cidade abastecida de todos os gêneros alimentícios, teve, na sua origem, o peixe como principal elemento de abastecimento, devido à sua própria situação geográfica. O único local que abastecia a cidade estava situado nas imediações do Mercado Velho, onde além do peixe, eram vendidos frutas, sal, mariscos, farinha e diversos outros alimentos. Posteriormente, com o aparecimento do primeiro empório comercial da cidade, na Rua da Quitanda, que deve seu nome a esse fato, o abastecimento da cidade passou a ter novas fontes”.

Assinale o segmento desse texto exemplifica a função metalinguística da linguagem.
Alternativas
Q2267878 Português



Internet: : <www.cft.org.br> (com adaptações).
Em relação à estrutura linguística do texto, julgue o item.


O trecho “Entre as atribuições dessa modalidade, há o planejamento, o controle e a execução das dez atividades de manutenção preventiva, preditiva e corretiva em componentes de vagões, locomotivas e máquinas metroferroviárias” (linhas de 14 a 18) poderia ser reescrito, mantendo‑se a correção gramatical, da seguinte forma: Entre as atribuições da modalidade citada, existem o planejamento, o controle e a execução das dez atividades de manutenção preventiva, preditiva e corretiva, em componentes de vagões, locomotivas e máquinas metroferroviárias.
Alternativas
Q2267868 Português



Internet: : <www.cft.org.br> (com adaptações).
Considerando as ideias do texto, julgue o item. 

O texto apresenta natureza predominantemente informativa.
Alternativas
Q2267483 Português

Leia os textos apresentados a seguir.



TEXTO I 

Imagem associada para resolução da questão



COALA, Fábio. Mentirinhas #1966. 15 de março de 2023. Disponível em: https://mentirinhas.com.br/mentirinhas-1966/. Acesso em: 24 mar. 2023.


 

TEXTO II

“Bruce Wayne é um bilionário americano, magnata de negócios, filantropo e dono da corporação Wayne Enterprises. Sua história teve início após testemunhar o assassinato de seus pais ainda quando criança, o que o fez jurar vingança contra os criminosos e treinar todos os dias sozinho, além de criar um personagem baseado em um morcego para combater o crime. Foi aí que surgiu Batman, o super-herói da cidade de Gotham.”


BRUCE Wayne. Canaltech, s/d. Celebridade. Disponível em: https://canaltech.com.br/celebridade/bruce-wayne/. Acesso em: 20 mar. 2023.


Observando-se o texto I, percebe-se que ele faz referência a um personagem do imaginário popular de super-heróis da contemporaneidade. Em termos de texto, esse tipo de referência é chamado de

Alternativas
Q2267481 Português
Leia o excerto a seguir.


Imagem associada para resolução da questão


QUEIROZ, Christina. A importância da primeira infância. Pesquisa Fapesp, março de 2023. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/a-importancia-daprimeira-infancia/. Acesso em: 22 mar. 2023.

A partir desse excerto, analise as proposições a seguir.
I. Há crianças e adolescentes que não são pobres no Brasil. II. Existem diferentes dimensões de pobreza. III. Já existem políticas públicas relacionadas à pobreza que envolvem as famílias das crianças e dos adolescentes no Brasil. IV. Há dados não oficiais sobre a pobreza de crianças e de adolescentes no Brasil.
São pressupostos instaurados pelo excerto as proposições 
Alternativas
Q2267479 Português

Leia a tirinha a seguir.



Imagem associada para resolução da questão



VIDA DE SUPORTE. Substituição de programadores. 27 de fevereiro de 2023. Disponível em: https://vidadesuporte.com.br/suporte-a-serie/substituicao-deprogramadores/. Acesso em: 24 mar. 2023.



Com base no humor dessa tirinha, infere-se que

Alternativas
Q2267478 Português
Em qual das afirmações a seguir, pode-se observar o predomínio da função fática da linguagem? 
Alternativas
Q2267475 Português
Leia o excerto a seguir.
“A Walt Disney iniciou, nesta segunda-feira (27), 7 mil demissões anunciadas no início deste ano, buscando controlar custos e criar um negócio mais ‘simplificado’, de acordo com uma carta que o presidente-executivo Bob Iger enviou aos funcionários [...].”

DISNEY inicia demissão de 7 mil funcionários. Forbes Brasil, 27 de março de 2023. Forbes Money. Disponível em: https://forbes.com.br/forbes-money/2023/03/disney inicia-demissao-de-7-mil-funcionarios/. Acesso em: 27 mar. 2023.

Uma paráfrase adequada do excerto acima seria: 
Alternativas
Q2267474 Português
Leia o trecho aseguir.
“Eu tinha um alicate que só vendo, encabado de plástico amarelo, na escuridão fosforescia; de aço alemão legítimo; usei oito anos quase todo dia, foi meu companheiro em Ibitinga, Acaraí, Salto Osório, Ilha Solteira e Salto Capivara. Se juntasse um metro de cada fio que cortei naquele alicate, tinha cobre pro resto da vida. Daí, quando você perde uma ferramenta que já usou muito, é o mesmo que perder um dedo.”
PELLEGRINI, Domingos. A maior ponte do mundo. In: MORICONI, Italo. Os cem melhores contos brasileiros do século. São Paulo: Objetiva, 2009.

Qual é a figura de linguagem utilizada no trecho grifado?
Alternativas
Q2267471 Português
Amizades em risco

Publicado em 20/03/2023 | 15:36
Paulo Pestana
Crônica

    Mário Quintana disse que a amizade é o amor que nunca morre. É uma frase que serve para mostrar que até os poetas erram. Amizades estão sendo rompidas a todo momento por desrespeito a uma das regras basilares do sentimento, o respeito às diferenças.     Há pouco, amigos de décadas deixaram se se falar e de frequentar o mesmo boteco por discordâncias políticas; não é caso isolado, ao contrário.
     Mas a situação fica ainda mais grave quando também falha uma instituição brasileira: a turma do deixa-disso. Aproveitando a ausência dos dois beligerantes, a mesa começou a discutir, inicialmente em tom de lamento, o rompimento dos camaradas, mas logo alguém deu razão para um, enquanto outro justificava a ação do segundo.
    Antes que a discussão ficasse acalorada demais, um sensato falou mais alto:
    – Amigo meu não tem defeito – é o princípio de Blaise Pascal: “o amor é cego, a amizade fecha os olhos”.
    Os presentes entenderam o recado. Eu mesmo disse que não tinha mais idade nem para fazer amigos novos, nem para perder os velhos. É uma meia-verdade, até porque tenho feito bons amigos. Mas o fato é que amigo não é coisa de se perder, até porque nem a fé e os pulinhos para São Longuinho ajudam a reencontrar.
     O filme Os Banshees de Inisherin – que esteve na disputa do Oscar – mostra a dor e a irracionalidade do rompimento de uma amizade, usando a Guerra Civil Irlandesa como pano de fundo para a frustração de Colm, que decide deixar de falar com o velho amigo Pádraic.
    O filme, à parte o monumental trabalho dos atores, é cheio de defeitos, mas isso não vem ao caso. O que interessa é a relação entre os personagens.
    Músico, Pádriac culpa o amigo pela própria insignificância, chega a dizer que as horas de conversa fiada no pub local o impedem de evoluir intelectualmente e de cumprir o desejo de deixar uma marca no mundo por meio de suas canções.
    Por puro interesse pessoal, ele não quer mais perder tempo com uma companhia que não ajuda seu objetivo – e diz isso com todas as letras. Ainda que a custo da amizade.
     A radicalização, como na guerra que dividiu o país entre católicos e protestantes, deixando marcas que duram até hoje, chega às raias do absurdo, terminando com uma automutilação que, ao cabo, impede Colm de completar o desejo de fazer algo relevante na música e, consequentemente, na vida – e desta forma poder culpar definitivamente o ex-amigo pela frustração pessoal.
    Ainda não chegamos ao ponto de decepar os dedos, mas a guerra está entre nós com o fanatismo de religiosos radicais. As conversas continuam corrosivas, desafiadoras, ao ponto de determinados assuntos – política, principalmente – fiquem proibidos pelo bem de uma convivência mais harmônica, mas seguramente mais falsa.
    Aristóteles disse que a amizade pode existir entre as pessoas mais desiguais, porque as torna iguais. O problema é que ninguém mais quer ser igual a ninguém; há uma necessidade de buscar uma marca pessoal em tudo. Ainda que seja uma marca de estupidez e custe um bem tão precioso quanto a amizade.

PESTANA, Paulo. Amizades em risco. Correio Braziliense, 20 de março de 2023.
Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/ paulopestana/amizades-em-risco/. Acesso em: 25 mar. 2023. 
Ao evocar personalidades como Mário Quintana e Aristóteles em sua argumentação, o autor se valeu do seguinte tipo de argumento: 
Alternativas
Q2267470 Português
Amizades em risco

Publicado em 20/03/2023 | 15:36
Paulo Pestana
Crônica

    Mário Quintana disse que a amizade é o amor que nunca morre. É uma frase que serve para mostrar que até os poetas erram. Amizades estão sendo rompidas a todo momento por desrespeito a uma das regras basilares do sentimento, o respeito às diferenças.     Há pouco, amigos de décadas deixaram se se falar e de frequentar o mesmo boteco por discordâncias políticas; não é caso isolado, ao contrário.
     Mas a situação fica ainda mais grave quando também falha uma instituição brasileira: a turma do deixa-disso. Aproveitando a ausência dos dois beligerantes, a mesa começou a discutir, inicialmente em tom de lamento, o rompimento dos camaradas, mas logo alguém deu razão para um, enquanto outro justificava a ação do segundo.
    Antes que a discussão ficasse acalorada demais, um sensato falou mais alto:
    – Amigo meu não tem defeito – é o princípio de Blaise Pascal: “o amor é cego, a amizade fecha os olhos”.
    Os presentes entenderam o recado. Eu mesmo disse que não tinha mais idade nem para fazer amigos novos, nem para perder os velhos. É uma meia-verdade, até porque tenho feito bons amigos. Mas o fato é que amigo não é coisa de se perder, até porque nem a fé e os pulinhos para São Longuinho ajudam a reencontrar.
     O filme Os Banshees de Inisherin – que esteve na disputa do Oscar – mostra a dor e a irracionalidade do rompimento de uma amizade, usando a Guerra Civil Irlandesa como pano de fundo para a frustração de Colm, que decide deixar de falar com o velho amigo Pádraic.
    O filme, à parte o monumental trabalho dos atores, é cheio de defeitos, mas isso não vem ao caso. O que interessa é a relação entre os personagens.
    Músico, Pádriac culpa o amigo pela própria insignificância, chega a dizer que as horas de conversa fiada no pub local o impedem de evoluir intelectualmente e de cumprir o desejo de deixar uma marca no mundo por meio de suas canções.
    Por puro interesse pessoal, ele não quer mais perder tempo com uma companhia que não ajuda seu objetivo – e diz isso com todas as letras. Ainda que a custo da amizade.
     A radicalização, como na guerra que dividiu o país entre católicos e protestantes, deixando marcas que duram até hoje, chega às raias do absurdo, terminando com uma automutilação que, ao cabo, impede Colm de completar o desejo de fazer algo relevante na música e, consequentemente, na vida – e desta forma poder culpar definitivamente o ex-amigo pela frustração pessoal.
    Ainda não chegamos ao ponto de decepar os dedos, mas a guerra está entre nós com o fanatismo de religiosos radicais. As conversas continuam corrosivas, desafiadoras, ao ponto de determinados assuntos – política, principalmente – fiquem proibidos pelo bem de uma convivência mais harmônica, mas seguramente mais falsa.
    Aristóteles disse que a amizade pode existir entre as pessoas mais desiguais, porque as torna iguais. O problema é que ninguém mais quer ser igual a ninguém; há uma necessidade de buscar uma marca pessoal em tudo. Ainda que seja uma marca de estupidez e custe um bem tão precioso quanto a amizade.

PESTANA, Paulo. Amizades em risco. Correio Braziliense, 20 de março de 2023.
Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/ paulopestana/amizades-em-risco/. Acesso em: 25 mar. 2023. 
Por “monumental trabalho dos atores” (8º parágrafo), o cronista quis dizer que os atores que compuseram o elenco de Os Banshees de Inisherin fizeram um trabalho 
Alternativas
Q2267469 Português
Amizades em risco

Publicado em 20/03/2023 | 15:36
Paulo Pestana
Crônica

    Mário Quintana disse que a amizade é o amor que nunca morre. É uma frase que serve para mostrar que até os poetas erram. Amizades estão sendo rompidas a todo momento por desrespeito a uma das regras basilares do sentimento, o respeito às diferenças.     Há pouco, amigos de décadas deixaram se se falar e de frequentar o mesmo boteco por discordâncias políticas; não é caso isolado, ao contrário.
     Mas a situação fica ainda mais grave quando também falha uma instituição brasileira: a turma do deixa-disso. Aproveitando a ausência dos dois beligerantes, a mesa começou a discutir, inicialmente em tom de lamento, o rompimento dos camaradas, mas logo alguém deu razão para um, enquanto outro justificava a ação do segundo.
    Antes que a discussão ficasse acalorada demais, um sensato falou mais alto:
    – Amigo meu não tem defeito – é o princípio de Blaise Pascal: “o amor é cego, a amizade fecha os olhos”.
    Os presentes entenderam o recado. Eu mesmo disse que não tinha mais idade nem para fazer amigos novos, nem para perder os velhos. É uma meia-verdade, até porque tenho feito bons amigos. Mas o fato é que amigo não é coisa de se perder, até porque nem a fé e os pulinhos para São Longuinho ajudam a reencontrar.
     O filme Os Banshees de Inisherin – que esteve na disputa do Oscar – mostra a dor e a irracionalidade do rompimento de uma amizade, usando a Guerra Civil Irlandesa como pano de fundo para a frustração de Colm, que decide deixar de falar com o velho amigo Pádraic.
    O filme, à parte o monumental trabalho dos atores, é cheio de defeitos, mas isso não vem ao caso. O que interessa é a relação entre os personagens.
    Músico, Pádriac culpa o amigo pela própria insignificância, chega a dizer que as horas de conversa fiada no pub local o impedem de evoluir intelectualmente e de cumprir o desejo de deixar uma marca no mundo por meio de suas canções.
    Por puro interesse pessoal, ele não quer mais perder tempo com uma companhia que não ajuda seu objetivo – e diz isso com todas as letras. Ainda que a custo da amizade.
     A radicalização, como na guerra que dividiu o país entre católicos e protestantes, deixando marcas que duram até hoje, chega às raias do absurdo, terminando com uma automutilação que, ao cabo, impede Colm de completar o desejo de fazer algo relevante na música e, consequentemente, na vida – e desta forma poder culpar definitivamente o ex-amigo pela frustração pessoal.
    Ainda não chegamos ao ponto de decepar os dedos, mas a guerra está entre nós com o fanatismo de religiosos radicais. As conversas continuam corrosivas, desafiadoras, ao ponto de determinados assuntos – política, principalmente – fiquem proibidos pelo bem de uma convivência mais harmônica, mas seguramente mais falsa.
    Aristóteles disse que a amizade pode existir entre as pessoas mais desiguais, porque as torna iguais. O problema é que ninguém mais quer ser igual a ninguém; há uma necessidade de buscar uma marca pessoal em tudo. Ainda que seja uma marca de estupidez e custe um bem tão precioso quanto a amizade.

PESTANA, Paulo. Amizades em risco. Correio Braziliense, 20 de março de 2023.
Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/ paulopestana/amizades-em-risco/. Acesso em: 25 mar. 2023. 
 A respeito de fazer novas amizades, o autor afirma que ele
Alternativas
Q2267468 Português
Amizades em risco

Publicado em 20/03/2023 | 15:36
Paulo Pestana
Crônica

    Mário Quintana disse que a amizade é o amor que nunca morre. É uma frase que serve para mostrar que até os poetas erram. Amizades estão sendo rompidas a todo momento por desrespeito a uma das regras basilares do sentimento, o respeito às diferenças.     Há pouco, amigos de décadas deixaram se se falar e de frequentar o mesmo boteco por discordâncias políticas; não é caso isolado, ao contrário.
     Mas a situação fica ainda mais grave quando também falha uma instituição brasileira: a turma do deixa-disso. Aproveitando a ausência dos dois beligerantes, a mesa começou a discutir, inicialmente em tom de lamento, o rompimento dos camaradas, mas logo alguém deu razão para um, enquanto outro justificava a ação do segundo.
    Antes que a discussão ficasse acalorada demais, um sensato falou mais alto:
    – Amigo meu não tem defeito – é o princípio de Blaise Pascal: “o amor é cego, a amizade fecha os olhos”.
    Os presentes entenderam o recado. Eu mesmo disse que não tinha mais idade nem para fazer amigos novos, nem para perder os velhos. É uma meia-verdade, até porque tenho feito bons amigos. Mas o fato é que amigo não é coisa de se perder, até porque nem a fé e os pulinhos para São Longuinho ajudam a reencontrar.
     O filme Os Banshees de Inisherin – que esteve na disputa do Oscar – mostra a dor e a irracionalidade do rompimento de uma amizade, usando a Guerra Civil Irlandesa como pano de fundo para a frustração de Colm, que decide deixar de falar com o velho amigo Pádraic.
    O filme, à parte o monumental trabalho dos atores, é cheio de defeitos, mas isso não vem ao caso. O que interessa é a relação entre os personagens.
    Músico, Pádriac culpa o amigo pela própria insignificância, chega a dizer que as horas de conversa fiada no pub local o impedem de evoluir intelectualmente e de cumprir o desejo de deixar uma marca no mundo por meio de suas canções.
    Por puro interesse pessoal, ele não quer mais perder tempo com uma companhia que não ajuda seu objetivo – e diz isso com todas as letras. Ainda que a custo da amizade.
     A radicalização, como na guerra que dividiu o país entre católicos e protestantes, deixando marcas que duram até hoje, chega às raias do absurdo, terminando com uma automutilação que, ao cabo, impede Colm de completar o desejo de fazer algo relevante na música e, consequentemente, na vida – e desta forma poder culpar definitivamente o ex-amigo pela frustração pessoal.
    Ainda não chegamos ao ponto de decepar os dedos, mas a guerra está entre nós com o fanatismo de religiosos radicais. As conversas continuam corrosivas, desafiadoras, ao ponto de determinados assuntos – política, principalmente – fiquem proibidos pelo bem de uma convivência mais harmônica, mas seguramente mais falsa.
    Aristóteles disse que a amizade pode existir entre as pessoas mais desiguais, porque as torna iguais. O problema é que ninguém mais quer ser igual a ninguém; há uma necessidade de buscar uma marca pessoal em tudo. Ainda que seja uma marca de estupidez e custe um bem tão precioso quanto a amizade.

PESTANA, Paulo. Amizades em risco. Correio Braziliense, 20 de março de 2023.
Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/ paulopestana/amizades-em-risco/. Acesso em: 25 mar. 2023. 
A crônica apresentada possui um viés argumentativo. Assim sendo, a tese defendida pelo cronista é a de que 
Alternativas
Q2267421 Português
TEXTO 8


“O aspecto é [...] uma categoria verbal ligada ao 'TEMPO', pois antes de mais nada ele indica o espaço temporal ocupado pela situação em seu desenvolvimento, marcando a sua duração, isto é, o tempo gasto pela situação em sua realização”.


TRAVAGLIA, Luiz Carlos. O aspecto verbal no português [recurso eletrônico]: a categoria e sua expressão. 5. ed. Uberlândia: EDUFU, 2016, p. 41.
Como explica Travaglia acima, o aspecto revela graus de desenvolvimento, de realização do processo ou o modo de conceber o desenvolvimento do processo de ação verbal em uma oração ou texto. Com base nisso, assinale a alternativa CORRETA abaixo referente ao Texto 8
Alternativas
Q2267420 Português
TEXTO 7


“[…] não notaram, por acaso qual é a verdadeira questão? É tudo uma alegoria... uma metáfora ampliada! Os senhores me compreendem! Sapienti sat!”.

Mas muitos dos veneráveis senhores não ficaram tranquilos; a história do autômato criara raízes em suas almas e acabou por instilar uma execrável desconfiança em relação a figuras humanas. Muitos enamorados, para se convencer de que a amada não era uma boneca de pau, exigiam que ela cantasse e dançasse fora do compasso, que quando eles lessem em voz alta ela tricotasse, bordasse, brincasse com o cãozinho etc., e sobretudo que ela não só ouvisse, mas também às vezes falasse de tal modo que se subentendesse que por trás das palavras há pensamento e sensibilidade. O relacionamento amoroso de muitos, ficou mais forte e também mais harmonioso; outros, no entanto, se separaram discretamente. “De fato não vale a pena”, diziam alguns. Nos chás, bocejava-se muito mais e jamais se espirrava para não levantar suspeita. Spalanzani teve como se sabe, de fugir da investigação criminal devido ao autômato que introduziu na sociedade, trapaceiramente. Coppola também desapareceu.


Adaptado de HOFFMAN, E. T. A. O homem da areia. Trad. José Feres Sabino; Marcella Marino M. Silva. Posfácio Márcio Suzuki; ilustr. Eduardo Berliner. São Paulo: Ubu Editora, 2023, p. 89.
No texto 7, algumas frases não estão escritas obedecendo às regras de pontuação, especificamente às regras de uso da vírgula, seja no ambiente interfrasal, seja no ambiente intrafrasal. Deste modo, assinale abaixo a alternativa que denota uso CORRETO da vírgula: 
Alternativas
Respostas
38301: C
38302: A
38303: B
38304: B
38305: D
38306: E
38307: C
38308: C
38309: D
38310: A
38311: C
38312: E
38313: C
38314: B
38315: C
38316: D
38317: E
38318: B
38319: B
38320: A