Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3894168 Português
Yuval Harari: “bilionários, construam bunkers nas suas mentes”


    “Bilionários e grandes empresários da tecnologia em lugares como o Vale do Silício têm medo de que, em parte por causa de suas próprias ações, o mundo logo viverá um apocalipse, uma terceira guerra mundial, um desastre ecológico, uma catástrofe artificial”, disse o historiador israelense e autor de best-sellers como “Sapiens”, Yuval Harari, durante o evento HSM+, em São Paulo. “Para sobreviver, eles estão construindo bunkers onde podem se esconder, mas ainda não sabem onde construir. Esse é um dos temas mais comentados em conversas privadas.” 

    O historiador provoca: “Então, deixe-me dizer onde construir seu ‘bunker do juízo final’: construa-o na sua mente.”

    Segundo o autor de “Homo Deus”, “21 Lições para o Século 21” e “Nexus”, as ameaças enfrentadas pela humanidade hoje se movimentam na velocidade da luz e atacam nossas mentes antes mesmo de chegar aos nossos corpos. “O que todos precisamos é fortalecer a mente, e isso é especialmente importante para líderes, porque as decisões que você faz dentro do bunker, dentro da sua mente, mudam a vida de milhares e até milhões de pessoas.”

    Para isso, é preciso investir tempo – o maior luxo da atualidade. “Essa é uma tarefa que você não pode delegar a um assistente e não pode resolver com dinheiro. Você não pode mandar a sua mente para a lavanderia; tem que limpá-la sozinho. Seja com terapia, meditação ou fazendo uma trilha na floresta, sempre leva tempo.”

    Enquanto os algoritmos ditam as conversas e a inteligência artificial assume cada vez mais funções, os humanos têm tentado acompanhar o ritmo das máquinas. “Como todos os animais e plantas, nós vivemos por ciclos: dia e noite, verão e inverno, atividade e descanso. Se você mantiver um organismo ocupado o tempo todo, sem descanso, ele eventualmente vai colapsar e morrer”, disse o historiador. “Os algoritmos, por outro lado, não são orgânicos. Eles não funcionam por ciclos, eles não precisam de tempo para descansar, não têm famílias, não tiram férias.” 

    Nesse novo mundo em que os algoritmos tomam conta – desde os bancos até a política –, nós, humanos, também não desligamos. “Se você tenta descansar, parece que está ficando para trás.”

    Isso vale especialmente para as lideranças. Depois de conhecer grandes líderes empresariais e políticos, Harari encontrou muitas diferenças entre eles, mas um ponto em comum: “Quase todos não têm permissão para descansar. Eles não têm tempo. E isso faz deles muito pobres.”

    Na sua visão, algumas das pessoas mais ricas e poderosas do mundo são extremamente pobres. “Eles não conseguem descansar, meditar, ler um livro ou caminhar. Eles não têm tempo para cuidar de suas mentes”, disse. “Isso não é bom para eles, e certamente não é bom para a sociedade humana ser liderada por pessoas com mentes perturbadas e sem tempo para relaxar.”

    Harari fechou sua palestra com um chamado para os líderes: “Não somente pelo seu próprio bem, mas também pelo da sociedade, encontrem tempo para cuidar das suas mentes.”


(Por Fernanda Almeida. Disponível em: https://forbes.com.br/carreira/. Acesso em: dezembro de 2025.)
Quanto à estrutura linguística escolhida para dar título ao texto, pode-se afirmar que apresenta em sua composição:
Alternativas
Q3894167 Português
Yuval Harari: “bilionários, construam bunkers nas suas mentes”


    “Bilionários e grandes empresários da tecnologia em lugares como o Vale do Silício têm medo de que, em parte por causa de suas próprias ações, o mundo logo viverá um apocalipse, uma terceira guerra mundial, um desastre ecológico, uma catástrofe artificial”, disse o historiador israelense e autor de best-sellers como “Sapiens”, Yuval Harari, durante o evento HSM+, em São Paulo. “Para sobreviver, eles estão construindo bunkers onde podem se esconder, mas ainda não sabem onde construir. Esse é um dos temas mais comentados em conversas privadas.” 

    O historiador provoca: “Então, deixe-me dizer onde construir seu ‘bunker do juízo final’: construa-o na sua mente.”

    Segundo o autor de “Homo Deus”, “21 Lições para o Século 21” e “Nexus”, as ameaças enfrentadas pela humanidade hoje se movimentam na velocidade da luz e atacam nossas mentes antes mesmo de chegar aos nossos corpos. “O que todos precisamos é fortalecer a mente, e isso é especialmente importante para líderes, porque as decisões que você faz dentro do bunker, dentro da sua mente, mudam a vida de milhares e até milhões de pessoas.”

    Para isso, é preciso investir tempo – o maior luxo da atualidade. “Essa é uma tarefa que você não pode delegar a um assistente e não pode resolver com dinheiro. Você não pode mandar a sua mente para a lavanderia; tem que limpá-la sozinho. Seja com terapia, meditação ou fazendo uma trilha na floresta, sempre leva tempo.”

    Enquanto os algoritmos ditam as conversas e a inteligência artificial assume cada vez mais funções, os humanos têm tentado acompanhar o ritmo das máquinas. “Como todos os animais e plantas, nós vivemos por ciclos: dia e noite, verão e inverno, atividade e descanso. Se você mantiver um organismo ocupado o tempo todo, sem descanso, ele eventualmente vai colapsar e morrer”, disse o historiador. “Os algoritmos, por outro lado, não são orgânicos. Eles não funcionam por ciclos, eles não precisam de tempo para descansar, não têm famílias, não tiram férias.” 

    Nesse novo mundo em que os algoritmos tomam conta – desde os bancos até a política –, nós, humanos, também não desligamos. “Se você tenta descansar, parece que está ficando para trás.”

    Isso vale especialmente para as lideranças. Depois de conhecer grandes líderes empresariais e políticos, Harari encontrou muitas diferenças entre eles, mas um ponto em comum: “Quase todos não têm permissão para descansar. Eles não têm tempo. E isso faz deles muito pobres.”

    Na sua visão, algumas das pessoas mais ricas e poderosas do mundo são extremamente pobres. “Eles não conseguem descansar, meditar, ler um livro ou caminhar. Eles não têm tempo para cuidar de suas mentes”, disse. “Isso não é bom para eles, e certamente não é bom para a sociedade humana ser liderada por pessoas com mentes perturbadas e sem tempo para relaxar.”

    Harari fechou sua palestra com um chamado para os líderes: “Não somente pelo seu próprio bem, mas também pelo da sociedade, encontrem tempo para cuidar das suas mentes.”


(Por Fernanda Almeida. Disponível em: https://forbes.com.br/carreira/. Acesso em: dezembro de 2025.)
Considerando as informações e ideias do texto apresentado, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3892902 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Os alimentos que enganam seu cérebro e fazem você achar que não comeu tanto


Nuggets de frango, salgadinhos de pacote, refrigerantes, sorvetes, pão integral fatiado. Você já parou para pensar por que esses produtos, tão criticados por profissionais de saúde, estão cada vez mais presentes nas prateleiras?


Segundo o epidemiologista brasileiro Carlos Monteiro, esses alimentos, conhecidos como ultraprocessados, são feitos a partir de ingredientes isolados — como gordura, açúcar, amido e proteínas — e contam com uma série de aditivos cosméticos — flavorizantes, corantes, emulsificantes, entre outros — que dão sabor, aroma e outros atributos desejáveis.


Eles não são apenas pouco saudáveis — são parte de uma indústria bilionária que incentiva o consumo excessivo e contribui para doenças como a obesidade.


"A dieta ultraprocessada tem uma alta densidade de energia. Ela tem pouca água, pouca fibra, e muita gordura e açúcar. Tudo isso junto faz ela ter uma densidade de energia, de calorias por volume, muito grande", explica Monteiro, líder do grupo de estudos que cunhou o termo alimentos ultraprocessados.


"Outro ponto é a hiperpalatabilidade. Esses ultraprocessados são artificialmente palatáveis. Eles são formulados para serem consumidos em excesso, porque a pessoa não consegue parar de comer graças à textura, ao aroma."


O epidemiologista destaca ainda que os ultraprocessados fazem com que as pessoas comam em pouco tempo uma grande quantidade de calorias. Isso faz com que o cérebro não tenha tempo para identificar que a pessoa já comeu o suficiente.


"Quando ele identifica o que foi comido, já passou a hora e você comeu demais."


Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cp37kg2exw4o. adaptado.

Os alimentos ultraprocessados são descritos como produtos de alta densidade energética, formulados para estimular o consumo excessivo, em razão de suas características sensoriais e de sua composição, o que interfere na percepção de saciedade e no funcionamento do cérebro.

Assinale a alternativa correta quanto às estratégias de leitura e à compreensão do texto.
Alternativas
Q3892777 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O Universo está ficando sem novas estrelas?


Observações feitas nas últimas décadas indicam que o Universo pode ter ultrapassado seu período de maior atividade. Um dos sinais desse processo é a diminuição gradual na formação de novas estrelas, ainda que o número total de astros continue extremamente elevado, estimado em até um septilhão.


Segundo o consenso científico, o Universo tem cerca de 13,8 bilhões de anos, e as primeiras estrelas surgiram logo após o Big Bang. Muitas delas, inclusive na Via Láctea, têm idade superior a 13 bilhões de anos, o que mostra que a formação estelar começou muito cedo na história cósmica.


As estrelas se originam em nebulosas, grandes nuvens de gás e poeira que, sob ação da gravidade, dão origem às protoestrelas. Quando o núcleo atinge altas temperaturas, inicia-se a fusão nuclear, que transforma hidrogênio em hélio, liberando energia e marcando a entrada da estrela na fase estável conhecida como sequência principal.


Cerca de 90% das estrelas do Universo pertencem a essa fase, incluindo o Sol. Elas variam bastante em massa e, ao longo do tempo, consomem seu combustível. Estrelas menores envelhecem lentamente, enquanto as mais massivas têm fins violentos, explodindo em supernovas.


Estudos indicam que o pico da formação estelar ocorreu há aproximadamente 10 bilhões de anos, no período chamado de Meio-dia Cósmico. Desde então, as galáxias vêm formando estrelas em um ritmo cada vez menor. Análises recentes de milhões de galáxias mostram uma queda gradual em suas temperaturas, o que reforça a redução da atividade de nascimento estelar.


Uma das teorias sobre o destino final do Universo é a morte térmica, ou Grande Congelamento, segundo a qual a expansão contínua levará à dispersão da energia, ao esgotamento do combustível estelar e ao fim da formação de novas estrelas. Apesar disso, estimativas apontam que o nascimento de estrelas continuará por dezenas de trilhões de anos, restando ainda um longo período para observar o céu estrelado.


Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn98n731qqwo.adaptado.

O texto apresenta uma reflexão científica sobre a evolução do Universo, articulando dados temporais, explicações físicas e projeções futuras para explicar a diminuição gradual da formação de novas estrelas.

Assinale a alternativa correta quanto às estratégias de leitura e à compreensão textual.
Alternativas
Q3892087 Português

Leia o texto para responder à questão.

 

Um país de escolas inseguras não tem futuro



Quem reconhece que a educação é a base de tudo, na certeza de que tal premissa vai muito além de um mantra superficial sem amparo na realidade, sabe que a instituição escolar, se boa e bem estruturada, é a garantia mínima de acesso a chances reais para cada indivíduo e, em consequência, para o Brasil. A escola é o locus da formação intelectual e social de crianças e adolescentes, imprescindível para formar uma nação desenvolvida, digna e sustentável. Sendo assim, imagine-se o que significa para o Brasil quando grande parte dos jovens estudantes enxerga a escola não como um ambiente de aprendizado, convívio, respeito, valorização e crescimento pessoal, e sim um lugar de incerteza e insegurança. É uma tragédia silenciosa e inconcebível.

Pois sabe-se agora, graças a uma pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC), que quase metade dos alunos do 8º e do 9º ano do ensino fundamental da rede pública diz não encontrar um ambiente seguro na escola. Conforme avança a idade dos estudantes, reduz-se a percepção de que a escola é um espaço de aprendizado, acolhimento, socialização e participação.

Há duas frentes centrais de preocupação inspiradas pelos números dessa pesquisa: primeiro, a ideia de uma escola segura stricto sensu, visão em grande medida maculada por contextos de violência (doméstica ou na comunidade escolar), bullying, discriminação, gravidez precoce, falta de vagas, problemas de transporte e questões de saúde; segundo, o tipo de escola pública, por vezes desinteressante, que estamos oferecendo aos nossos adolescentes.

O Brasil universalizou o ensino fundamental só nos anos 1990, desde então continua a expandir lentamente a educação na pré-escola e no ensino médio, e não só patina no freio à evasão escolar como ainda está a anos-luz do que seria o ideal para ofertar uma escola atraente para a formação de um adolescente. Isso passa por currículos atualizados, estrutura adequada, qualidade dos serviços prestados e cumprimento mais pleno dos objetivos de desenvolvimento e aprendizado. Convém sublinhar que a necessidade de adequar melhor a escola aos novos contextos de vida dos jovens estudantes não significa fazer concessões a modismos pedagógicos e políticas demagógicas, e sim ajustar currículos e práticas escolares e tornar os gastos no setor mais produtivos, mediante aprimoramento da formação de professores.

A pesquisa ilustra outros caminhos, como convivência, inovação e participação dos alunos. É eloquente, por exemplo, o reconhecimento do papel das disciplinas tradicionais para ajudá-los no desenvolvimento para a vida. Mas, antes de tudo, é um convite à ação, num país onde um a cada cinco jovens não conclui a educação básica, para que cuidemos melhor desse momento tão difícil de transição da infância para a adolescência.

 

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.09.2025. Adaptado)

Considere as passagens:



•  … na certeza de que tal premissa vai muito além de um mantra superficial sem amparo na realidade… (1º parágrafo)


•  A escola é o locus da formação intelectual e social de crianças e adolescentes, imprescindível para formar uma nação desenvolvida, decente e sustentável. (1º parágrafo)


•  … para que cuidemos melhor desse momento tão difícil de transição da infância para a adolescência. (5º parágrafo)



Os termos destacados significam, correta e respectivamente:

Alternativas
Q3892086 Português

Leia o texto para responder à questão.

 

Um país de escolas inseguras não tem futuro



Quem reconhece que a educação é a base de tudo, na certeza de que tal premissa vai muito além de um mantra superficial sem amparo na realidade, sabe que a instituição escolar, se boa e bem estruturada, é a garantia mínima de acesso a chances reais para cada indivíduo e, em consequência, para o Brasil. A escola é o locus da formação intelectual e social de crianças e adolescentes, imprescindível para formar uma nação desenvolvida, digna e sustentável. Sendo assim, imagine-se o que significa para o Brasil quando grande parte dos jovens estudantes enxerga a escola não como um ambiente de aprendizado, convívio, respeito, valorização e crescimento pessoal, e sim um lugar de incerteza e insegurança. É uma tragédia silenciosa e inconcebível.

Pois sabe-se agora, graças a uma pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC), que quase metade dos alunos do 8º e do 9º ano do ensino fundamental da rede pública diz não encontrar um ambiente seguro na escola. Conforme avança a idade dos estudantes, reduz-se a percepção de que a escola é um espaço de aprendizado, acolhimento, socialização e participação.

Há duas frentes centrais de preocupação inspiradas pelos números dessa pesquisa: primeiro, a ideia de uma escola segura stricto sensu, visão em grande medida maculada por contextos de violência (doméstica ou na comunidade escolar), bullying, discriminação, gravidez precoce, falta de vagas, problemas de transporte e questões de saúde; segundo, o tipo de escola pública, por vezes desinteressante, que estamos oferecendo aos nossos adolescentes.

O Brasil universalizou o ensino fundamental só nos anos 1990, desde então continua a expandir lentamente a educação na pré-escola e no ensino médio, e não só patina no freio à evasão escolar como ainda está a anos-luz do que seria o ideal para ofertar uma escola atraente para a formação de um adolescente. Isso passa por currículos atualizados, estrutura adequada, qualidade dos serviços prestados e cumprimento mais pleno dos objetivos de desenvolvimento e aprendizado. Convém sublinhar que a necessidade de adequar melhor a escola aos novos contextos de vida dos jovens estudantes não significa fazer concessões a modismos pedagógicos e políticas demagógicas, e sim ajustar currículos e práticas escolares e tornar os gastos no setor mais produtivos, mediante aprimoramento da formação de professores.

A pesquisa ilustra outros caminhos, como convivência, inovação e participação dos alunos. É eloquente, por exemplo, o reconhecimento do papel das disciplinas tradicionais para ajudá-los no desenvolvimento para a vida. Mas, antes de tudo, é um convite à ação, num país onde um a cada cinco jovens não conclui a educação básica, para que cuidemos melhor desse momento tão difícil de transição da infância para a adolescência.

 

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.09.2025. Adaptado)

Na passagem do 4º parágrafo “… não só patina no freio à evasão escolar como ainda está a anos-luz…”, as expressões destacadas estão empregadas em sentido
Alternativas
Q3892085 Português

Leia o texto para responder à questão.

 

Um país de escolas inseguras não tem futuro



Quem reconhece que a educação é a base de tudo, na certeza de que tal premissa vai muito além de um mantra superficial sem amparo na realidade, sabe que a instituição escolar, se boa e bem estruturada, é a garantia mínima de acesso a chances reais para cada indivíduo e, em consequência, para o Brasil. A escola é o locus da formação intelectual e social de crianças e adolescentes, imprescindível para formar uma nação desenvolvida, digna e sustentável. Sendo assim, imagine-se o que significa para o Brasil quando grande parte dos jovens estudantes enxerga a escola não como um ambiente de aprendizado, convívio, respeito, valorização e crescimento pessoal, e sim um lugar de incerteza e insegurança. É uma tragédia silenciosa e inconcebível.

Pois sabe-se agora, graças a uma pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC), que quase metade dos alunos do 8º e do 9º ano do ensino fundamental da rede pública diz não encontrar um ambiente seguro na escola. Conforme avança a idade dos estudantes, reduz-se a percepção de que a escola é um espaço de aprendizado, acolhimento, socialização e participação.

Há duas frentes centrais de preocupação inspiradas pelos números dessa pesquisa: primeiro, a ideia de uma escola segura stricto sensu, visão em grande medida maculada por contextos de violência (doméstica ou na comunidade escolar), bullying, discriminação, gravidez precoce, falta de vagas, problemas de transporte e questões de saúde; segundo, o tipo de escola pública, por vezes desinteressante, que estamos oferecendo aos nossos adolescentes.

O Brasil universalizou o ensino fundamental só nos anos 1990, desde então continua a expandir lentamente a educação na pré-escola e no ensino médio, e não só patina no freio à evasão escolar como ainda está a anos-luz do que seria o ideal para ofertar uma escola atraente para a formação de um adolescente. Isso passa por currículos atualizados, estrutura adequada, qualidade dos serviços prestados e cumprimento mais pleno dos objetivos de desenvolvimento e aprendizado. Convém sublinhar que a necessidade de adequar melhor a escola aos novos contextos de vida dos jovens estudantes não significa fazer concessões a modismos pedagógicos e políticas demagógicas, e sim ajustar currículos e práticas escolares e tornar os gastos no setor mais produtivos, mediante aprimoramento da formação de professores.

A pesquisa ilustra outros caminhos, como convivência, inovação e participação dos alunos. É eloquente, por exemplo, o reconhecimento do papel das disciplinas tradicionais para ajudá-los no desenvolvimento para a vida. Mas, antes de tudo, é um convite à ação, num país onde um a cada cinco jovens não conclui a educação básica, para que cuidemos melhor desse momento tão difícil de transição da infância para a adolescência.

 

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.09.2025. Adaptado)

De acordo com o texto, “currículos atualizados, estrutura adequada, qualidade dos serviços prestados e cumprimento mais pleno dos objetivos de desenvolvimento e aprendizado” correspondem a
Alternativas
Q3892084 Português

Leia o texto para responder à questão.

 

Um país de escolas inseguras não tem futuro



Quem reconhece que a educação é a base de tudo, na certeza de que tal premissa vai muito além de um mantra superficial sem amparo na realidade, sabe que a instituição escolar, se boa e bem estruturada, é a garantia mínima de acesso a chances reais para cada indivíduo e, em consequência, para o Brasil. A escola é o locus da formação intelectual e social de crianças e adolescentes, imprescindível para formar uma nação desenvolvida, digna e sustentável. Sendo assim, imagine-se o que significa para o Brasil quando grande parte dos jovens estudantes enxerga a escola não como um ambiente de aprendizado, convívio, respeito, valorização e crescimento pessoal, e sim um lugar de incerteza e insegurança. É uma tragédia silenciosa e inconcebível.

Pois sabe-se agora, graças a uma pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC), que quase metade dos alunos do 8º e do 9º ano do ensino fundamental da rede pública diz não encontrar um ambiente seguro na escola. Conforme avança a idade dos estudantes, reduz-se a percepção de que a escola é um espaço de aprendizado, acolhimento, socialização e participação.

Há duas frentes centrais de preocupação inspiradas pelos números dessa pesquisa: primeiro, a ideia de uma escola segura stricto sensu, visão em grande medida maculada por contextos de violência (doméstica ou na comunidade escolar), bullying, discriminação, gravidez precoce, falta de vagas, problemas de transporte e questões de saúde; segundo, o tipo de escola pública, por vezes desinteressante, que estamos oferecendo aos nossos adolescentes.

O Brasil universalizou o ensino fundamental só nos anos 1990, desde então continua a expandir lentamente a educação na pré-escola e no ensino médio, e não só patina no freio à evasão escolar como ainda está a anos-luz do que seria o ideal para ofertar uma escola atraente para a formação de um adolescente. Isso passa por currículos atualizados, estrutura adequada, qualidade dos serviços prestados e cumprimento mais pleno dos objetivos de desenvolvimento e aprendizado. Convém sublinhar que a necessidade de adequar melhor a escola aos novos contextos de vida dos jovens estudantes não significa fazer concessões a modismos pedagógicos e políticas demagógicas, e sim ajustar currículos e práticas escolares e tornar os gastos no setor mais produtivos, mediante aprimoramento da formação de professores.

A pesquisa ilustra outros caminhos, como convivência, inovação e participação dos alunos. É eloquente, por exemplo, o reconhecimento do papel das disciplinas tradicionais para ajudá-los no desenvolvimento para a vida. Mas, antes de tudo, é um convite à ação, num país onde um a cada cinco jovens não conclui a educação básica, para que cuidemos melhor desse momento tão difícil de transição da infância para a adolescência.

 

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.09.2025. Adaptado)

Com base na pesquisa realizada pelo Ministério da Educação com estudantes brasileiros do ensino fundamental, o editorial argumenta que
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Q3892036 Português
Seja em um torneio ou campeonato, o regulamento é uma peça fundamental. A presença de um regulamento tem como objetivo principal garantir que as competições sejam organizadas e
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Q3891615 Português
Leia os textos a seguir:
Texto 1 (...) Em 1888, a princesa Isabel assina a Lei de Abolição da Escravatura, numa tentativa de retomar o controle político. É tarde demais. Em 15 de novembro de 1889, é proclamada a República. No dia 16, o marechal Deodoro da Fonseca, à frente do governo provisório, convida o imperador a se retirar do país. A família real embarca no dia seguinte para Portugal, onde d. Teresa Cristina morre semanas depois. Em 1890, d. Pedro muda-se para Paris, onde morre no final do ano seguinte.
Disponível em: https://www.obrabonifacio.com.br/az/ verbete/101/. Acesso em: 8 nov. 2025 (fragmento).
Texto 2
“13 de maio é o dia que marca a assinatura da Lei Áurea, pela Princesa Isabel, mas, para nós, não é uma assinatura que representa, de fato, o movimento negro ou a libertação. O movimento nasce e se fortalece, sobretudo, pela formação dos quilombos.

Disponível em: https://coletivonos.com.br/noticias/ vereadores-destacam-marco-da-luta-negra-por-cidadania e-pregam-o-fim-do-preconceito-racial/. Acesso em: 8 nov. 2025 (fragmento).

Considerando o emprego do presente do indicativo nos dois textos, é correto afirmar que o tempo verbal cumpre funções distintas, porque:

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Q3891613 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão:


EDITAL IFSP Nº 100, DE 05 DE MAIO DE 2025


1. DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES


1.1. O planejamento e a coordenação deste processo seletivo estão sob a responsabilidade do IFSP, por intermédio da Diretoria de Gestão Acadêmica e Processos Seletivos (DGAP).


1.2. É obrigatório ao candidato, ao seu responsável (pai, mãe, curador ou tutor) ou representante legal, tomar conhecimento de todas as normas e procedimentos indicados neste Edital e nas demais publicações pertinentes, sendo que a inscrição implicará a aceitação das normas definidas, sobre as quais não poderá alegar desconhecimento.


1.3. O Vestibular Enem, objeto deste edital, para ingresso no segundo semestre de 2025, nos Cursos Superiores de Graduação ofertados neste edital, utilizará para classificação dos candidatos, exclusivamente, as notas obtidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), edições de 2009 a 2024, tendo em vista que o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) adota, na elaboração das provas, a teoria de resposta ao item (TRI), baseada no conjunto de modelos matemáticos que permite que os exames tenham o mesmo grau de dificuldade.


1.4. Os Resultados das Edições do Enem estão disponíveis na Página do Participante, no endereço eletrônico: https://www.gov.br/inep/pt-br/areas--de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/ enem/resultados/boletins-individuais-de-resultado


1.5. Somente poderão concorrer ao Vestibular Enem IFSP 02/2025, os candidatos que tiveram sua participação confirmada em uma das edições do Enem consideradas no item 1.3., e que não tenham sido eliminados em alguma das provas ou obtido nota zero (0,00) na redação.


1.6. Não caberão recursos contra o IFSP no que se refere às provas do Enem, considerando que sua responsabilidade recai unicamente sobre o Ministério da Educação.



Disponível em: https://processoseletivo.ifsp.edu.br/ media/public/7/7qunqhbvvmq87xbumwwc6losy/c0/ c0uicsqudzokjbasw632jbs2i.pdf. Acesso em: 08 nov. 2025

A modalização presente nos trechos é deôntica, isto é, indica diferentes graus de imposição normativa. Essa característica linguística, típica do gênero edital, tem como principal efeito de sentido 
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Q3891611 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Nem impostoras, nem rainhas solitárias


      Mulheres negras que chegam ao cargos de liderança não são impostoras. Temos bagagem, entrega, preparo e, principalmente, as competências que o mundo do trabalho mais valoriza


        A mulher negra que chega à liderança carrega mais do que seu crachá. Ela traz consigo a força de uma ancestralidade que resistiu ao peso de uma estrutura que insiste em negá-la e, muitas vezes, uma dúvida que sussurra: “Será que eu mereço estar aqui?” Esse sussurro tem nome: síndrome da impostora. E, embora a psicologia a descreva como um sentimento de inadequação, entre nós, mulheres negras, ela ganha contornos ainda mais profundos porque a sociedade, de forma direta, individualizada, recorrente e sistêmica, vive a pro clamar que não somos nem fazemos o suficiente.


        Essa sensação de desencaixe tem um outro lado, quase que um lado oposto, no qual a mulher negra que “chegou lá” não se questiona, mas também não se incomoda de ser a única. Aparece, então, a síndrome da abelha rainha — aquela que chegou lá, senta sozinha no trono e, muitas vezes, reproduz a lógica excludente para manter sua posição. O isolamento no topo não é só emocional, é estrutural, e traz consequências. Quando a mulher negra que ascende não olha para o lado, não cria pontes nem redes, ela perde a chance de fazer o que nossas “mais velhas” sempre fizeram: cuidar, dividir e multiplicar. E é justamente por isso que estamos aqui.


        Esses fenômenos não nascem do nada. São efeitos de vieses inconscientes, presentes nos processos seletivos, nas promoções concorridas, nas reuniões em que falamos e não somos ouvi das. Estudos mostraram que, mesmo quando mulheres negras possuem as competências exigidas, elas são vistas como “potenciais em desenvolvi mento”, enquanto colegas brancos são tratados como “talentos promissores”. A régua nunca é a mesma.


        Mas aqui vai um lembrete importante: nós não somos impostoras. Temos bagagem, entrega, preparo e, principalmente, as competências que o mundo do trabalho mais valoriza hoje: empatia, escuta ativa, colaboração, resiliência. Muitas de nós aprendemos isso fora das salas de MBA, no chão de fábrica da vida, na gestão de famílias, de comunidades, de nós mesmas. Somos líderes porque desenvolvemos essas habilidades na prática, nos diversos processos sociais de que participamos — sem crachá, mas com muita potência.

(...)


Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/ opiniao/2025/11/7287978-nem-impostoras-nem-rainhas solitarias.html. Acesso em: 08 nov. 2025. (FRAGMENTO)



Ao apresentar as expressões “síndrome da impostora” e “síndrome da abelha rainha”, a autora constrói uma progressão argumentativa que culmina na afirmação “nós não somos impostoras”. Essa relação entre as partes do texto contribui, principal mente, para
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Q3891073 Português
Sumiram? Por que pássaros coloridos estão desaparecendo das cidades?


   Avistar pássaros coloridos nas cidades brasileiras tem se tornado cada vez mais raro. O fenômeno não é coincidência, mas resultado de uma série de fatores ecológicos e urbanos que dificultam a sobrevivência dessas espécies em ambiente urbano.

   "Espécies coloridas, como a saíra-sete-cores, a saíra-ferrugem e a saíra-militar, tendem a ser pequenas e a apresentar uma dieta especializada, baseada principalmente em frutos carnosos pequenos alimentos que dependem da presença de árvores específicas, cada vez mais escassas nas cidades", diz Lucas do Nascimento, biólogo e pesquisador do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da USP (Universidade de São Paulo), que produziu um estudo sobre o tema. 

    Em contrapartida, aves que ainda prosperam nas cidades, como pombos, são maiores e onívoras, com uma dieta mais flexível. "Elas conseguem explorar diferentes recursos, como insetos, grãos, restos de comida descartados por humanos, ração de animais domésticos e até alimentos encontrado em lixeiras", explica Nascimento.

     O tráfico ilegal de pássaros também é um fator preocupante. A beleza dessas aves, que deveria ser motivo de contemplação, acaba tornando-as alvo de exploração.

    Outro desafio é o abrigo. Aves coloridas costumam depender de áreas florestais densas para se protegerem. 

    "Elas se destacam mais em ambientes urbanos. Assim, aumentam o risco de predação e reduzem a chance de sucesso na alimentação", explica Gabriel de Paula, biólogo e pesquisador do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)."Já as aves de coloração neutra, como pardais e pombas, camuflam-se com mais facilidade em cenários dominados por concreto e asfalto", compara о pesquisador.

    A forma como as cidades são desenhadas também tem impacto direto no desaparecimento dos pássaros coloridos. Quando o planejamento urbano ignora a presença de árvores que produzem frutos carnosos, cria-se um ambiente hostil.

   "Cidades arborizadas, com praças, parques e presença de espécies nativas, oferecem alimento, abrigo e conectividade ecológica, o que permite maior diversidade de aves. incluindo as mais coloridas", diz Gabriel de Paula.

    O uso excessivo de vidro espelhados nas construções também representa uma ameaça. Ao não reconhecerem o vidro como barreira, as aves acabam se chocando contra fachadas espelhadas, muitas vezes com consequências fatais.

    Outro elemento urbano que afeta diretamente essas espécies são as ilhas de calor. Uma pesquisa chinesa publicada em 2023 mostrou que o fenômeno está relacionado ao aumento do estresse oxidativo, que impacta negativamente a saúde das aves.

    "Considerando que as espécies coloridas já são mais sensíveis por diversos fatores, é plausível supor que elas também sejam particularmente vulneráveis ao estresse causado pelo aumento da temperatura", aponta Lucas Nascimento.

    Por outro lado, um estudo recente de pesquisadores chilenos com pombos domésticos sugeriu que indivíduos com menor diversidade de cores tendem a ser mais resistentes ao estresse oxidativo causado pelas ilhas de calor.

    Reverter o desaparecimento dos pássaros coloridos exige mais do que boas intenções. Lucas aponta que é preciso uma transformação profunda na forma como as cidades são pensadas.

    "Hoje as cidades são planejadas quase exclusivamente para atender às necessidades da espécie humana e isso precisa mudar radicalmente se quisermos preservar também as demais formas de vida e, consequentemente, a nossa", afirma o pesquisador da USP.

    Um levantamento recente do IBGE mostra que 34% da população brasileira vive em vias sem nenhuma árvore. 

    "É essencial aumentar e qualificar as áreas verdes, com foco no plantio de espécies nativas que produzem frutos carnosos pequenos e flores com néctar", ressalta Nascimento.

    Adriana Sandre, professora da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design da Universidade de São Paulo) ressalta a importância da diversidade de vegetação no ambiente urbano. "É preciso compor sistemas com plantas que oferecem alimento, sombra, abrigo e locais de nidificação em diferentes escalas a diferentes espécies".

    Já Maria Fernanda Del Giovannino, graduanda em arquitetura e urbanismo que desenvolve uma pesquisa sobre as aves no ambiente urbano, junto com Sandre, destaca que diversos elementos arquitetônicos, como caixas de ninho, telhados verdes, fachadas verdes, corredores ecológicos e lagos urbanos, podem ajudar os pássaros coloridos a voltarem para as cidades.

    "Muitas vezes caímos na percepção de que, se uma iniciativa isolada não resolve o problema em larga escala, não vale a pena implementá-la. Mas pequenos elementos no ambiente urbano podem ter grande relevância ecológica", diz Giovannino. "Por exemplo, bebedouros, caixas-ninho ou mesmo uma única árvore podem oferecer recursos fundamentais para diversas espécies, seja fornecendo água, abrigo ou alimento", explica.

    No mundo, países têm avançado em aplicar a arquitetura 'birdfriendly' (em português, amiga dos pássaros). Em Nova lorque (EUA), uma lei de 2019, exige que todas as novas edificações acima de 23 metros de altura usem vidros espelhados mais seguros para aves - vidros que possuem marcadores visuais em toda a superfície para atenuar ou distorcer os reflexos dos elementos ao redor.

    No Brasil, o Projeto de Lei nº 228/2025 que tramita na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, determina que todos os municípios do estado, por meio de projetos e politicas públicas específicas, obriguem a aplicação de dispositivos que evitem a colisão de aves contra os vidros em edificações de qualquer tipo.


Disponível em:<https://www.uol.com.br/ecoa/ultimasnoticias/2025/09/11/sumiram-por-que-passaros-coloridos-estaodesaparecendo-das-cidades.htm>Acesso em: 14 de setembro de 2025.

O trecho "Em contrapartida, aves que ainda prosperam nas cidades, como pombos, são maiores e onívoras"-3°§- apresenta, em relação ao parágrafo anterior, valor semântico de:
Alternativas
Q3891072 Português
Sumiram? Por que pássaros coloridos estão desaparecendo das cidades?


   Avistar pássaros coloridos nas cidades brasileiras tem se tornado cada vez mais raro. O fenômeno não é coincidência, mas resultado de uma série de fatores ecológicos e urbanos que dificultam a sobrevivência dessas espécies em ambiente urbano.

   "Espécies coloridas, como a saíra-sete-cores, a saíra-ferrugem e a saíra-militar, tendem a ser pequenas e a apresentar uma dieta especializada, baseada principalmente em frutos carnosos pequenos alimentos que dependem da presença de árvores específicas, cada vez mais escassas nas cidades", diz Lucas do Nascimento, biólogo e pesquisador do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da USP (Universidade de São Paulo), que produziu um estudo sobre o tema. 

    Em contrapartida, aves que ainda prosperam nas cidades, como pombos, são maiores e onívoras, com uma dieta mais flexível. "Elas conseguem explorar diferentes recursos, como insetos, grãos, restos de comida descartados por humanos, ração de animais domésticos e até alimentos encontrado em lixeiras", explica Nascimento.

     O tráfico ilegal de pássaros também é um fator preocupante. A beleza dessas aves, que deveria ser motivo de contemplação, acaba tornando-as alvo de exploração.

    Outro desafio é o abrigo. Aves coloridas costumam depender de áreas florestais densas para se protegerem. 

    "Elas se destacam mais em ambientes urbanos. Assim, aumentam o risco de predação e reduzem a chance de sucesso na alimentação", explica Gabriel de Paula, biólogo e pesquisador do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)."Já as aves de coloração neutra, como pardais e pombas, camuflam-se com mais facilidade em cenários dominados por concreto e asfalto", compara о pesquisador.

    A forma como as cidades são desenhadas também tem impacto direto no desaparecimento dos pássaros coloridos. Quando o planejamento urbano ignora a presença de árvores que produzem frutos carnosos, cria-se um ambiente hostil.

   "Cidades arborizadas, com praças, parques e presença de espécies nativas, oferecem alimento, abrigo e conectividade ecológica, o que permite maior diversidade de aves. incluindo as mais coloridas", diz Gabriel de Paula.

    O uso excessivo de vidro espelhados nas construções também representa uma ameaça. Ao não reconhecerem o vidro como barreira, as aves acabam se chocando contra fachadas espelhadas, muitas vezes com consequências fatais.

    Outro elemento urbano que afeta diretamente essas espécies são as ilhas de calor. Uma pesquisa chinesa publicada em 2023 mostrou que o fenômeno está relacionado ao aumento do estresse oxidativo, que impacta negativamente a saúde das aves.

    "Considerando que as espécies coloridas já são mais sensíveis por diversos fatores, é plausível supor que elas também sejam particularmente vulneráveis ao estresse causado pelo aumento da temperatura", aponta Lucas Nascimento.

    Por outro lado, um estudo recente de pesquisadores chilenos com pombos domésticos sugeriu que indivíduos com menor diversidade de cores tendem a ser mais resistentes ao estresse oxidativo causado pelas ilhas de calor.

    Reverter o desaparecimento dos pássaros coloridos exige mais do que boas intenções. Lucas aponta que é preciso uma transformação profunda na forma como as cidades são pensadas.

    "Hoje as cidades são planejadas quase exclusivamente para atender às necessidades da espécie humana e isso precisa mudar radicalmente se quisermos preservar também as demais formas de vida e, consequentemente, a nossa", afirma o pesquisador da USP.

    Um levantamento recente do IBGE mostra que 34% da população brasileira vive em vias sem nenhuma árvore. 

    "É essencial aumentar e qualificar as áreas verdes, com foco no plantio de espécies nativas que produzem frutos carnosos pequenos e flores com néctar", ressalta Nascimento.

    Adriana Sandre, professora da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design da Universidade de São Paulo) ressalta a importância da diversidade de vegetação no ambiente urbano. "É preciso compor sistemas com plantas que oferecem alimento, sombra, abrigo e locais de nidificação em diferentes escalas a diferentes espécies".

    Já Maria Fernanda Del Giovannino, graduanda em arquitetura e urbanismo que desenvolve uma pesquisa sobre as aves no ambiente urbano, junto com Sandre, destaca que diversos elementos arquitetônicos, como caixas de ninho, telhados verdes, fachadas verdes, corredores ecológicos e lagos urbanos, podem ajudar os pássaros coloridos a voltarem para as cidades.

    "Muitas vezes caímos na percepção de que, se uma iniciativa isolada não resolve o problema em larga escala, não vale a pena implementá-la. Mas pequenos elementos no ambiente urbano podem ter grande relevância ecológica", diz Giovannino. "Por exemplo, bebedouros, caixas-ninho ou mesmo uma única árvore podem oferecer recursos fundamentais para diversas espécies, seja fornecendo água, abrigo ou alimento", explica.

    No mundo, países têm avançado em aplicar a arquitetura 'birdfriendly' (em português, amiga dos pássaros). Em Nova lorque (EUA), uma lei de 2019, exige que todas as novas edificações acima de 23 metros de altura usem vidros espelhados mais seguros para aves - vidros que possuem marcadores visuais em toda a superfície para atenuar ou distorcer os reflexos dos elementos ao redor.

    No Brasil, o Projeto de Lei nº 228/2025 que tramita na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, determina que todos os municípios do estado, por meio de projetos e politicas públicas específicas, obriguem a aplicação de dispositivos que evitem a colisão de aves contra os vidros em edificações de qualquer tipo.


Disponível em:<https://www.uol.com.br/ecoa/ultimasnoticias/2025/09/11/sumiram-por-que-passaros-coloridos-estaodesaparecendo-das-cidades.htm>Acesso em: 14 de setembro de 2025.

De acordo com o texto, a relação entre coloração das aves e sobrevivência em áreas urbanas está corretamente descrita em:
Alternativas
Q3891071 Português
Sumiram? Por que pássaros coloridos estão desaparecendo das cidades?


   Avistar pássaros coloridos nas cidades brasileiras tem se tornado cada vez mais raro. O fenômeno não é coincidência, mas resultado de uma série de fatores ecológicos e urbanos que dificultam a sobrevivência dessas espécies em ambiente urbano.

   "Espécies coloridas, como a saíra-sete-cores, a saíra-ferrugem e a saíra-militar, tendem a ser pequenas e a apresentar uma dieta especializada, baseada principalmente em frutos carnosos pequenos alimentos que dependem da presença de árvores específicas, cada vez mais escassas nas cidades", diz Lucas do Nascimento, biólogo e pesquisador do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da USP (Universidade de São Paulo), que produziu um estudo sobre o tema. 

    Em contrapartida, aves que ainda prosperam nas cidades, como pombos, são maiores e onívoras, com uma dieta mais flexível. "Elas conseguem explorar diferentes recursos, como insetos, grãos, restos de comida descartados por humanos, ração de animais domésticos e até alimentos encontrado em lixeiras", explica Nascimento.

     O tráfico ilegal de pássaros também é um fator preocupante. A beleza dessas aves, que deveria ser motivo de contemplação, acaba tornando-as alvo de exploração.

    Outro desafio é o abrigo. Aves coloridas costumam depender de áreas florestais densas para se protegerem. 

    "Elas se destacam mais em ambientes urbanos. Assim, aumentam o risco de predação e reduzem a chance de sucesso na alimentação", explica Gabriel de Paula, biólogo e pesquisador do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)."Já as aves de coloração neutra, como pardais e pombas, camuflam-se com mais facilidade em cenários dominados por concreto e asfalto", compara о pesquisador.

    A forma como as cidades são desenhadas também tem impacto direto no desaparecimento dos pássaros coloridos. Quando o planejamento urbano ignora a presença de árvores que produzem frutos carnosos, cria-se um ambiente hostil.

   "Cidades arborizadas, com praças, parques e presença de espécies nativas, oferecem alimento, abrigo e conectividade ecológica, o que permite maior diversidade de aves. incluindo as mais coloridas", diz Gabriel de Paula.

    O uso excessivo de vidro espelhados nas construções também representa uma ameaça. Ao não reconhecerem o vidro como barreira, as aves acabam se chocando contra fachadas espelhadas, muitas vezes com consequências fatais.

    Outro elemento urbano que afeta diretamente essas espécies são as ilhas de calor. Uma pesquisa chinesa publicada em 2023 mostrou que o fenômeno está relacionado ao aumento do estresse oxidativo, que impacta negativamente a saúde das aves.

    "Considerando que as espécies coloridas já são mais sensíveis por diversos fatores, é plausível supor que elas também sejam particularmente vulneráveis ao estresse causado pelo aumento da temperatura", aponta Lucas Nascimento.

    Por outro lado, um estudo recente de pesquisadores chilenos com pombos domésticos sugeriu que indivíduos com menor diversidade de cores tendem a ser mais resistentes ao estresse oxidativo causado pelas ilhas de calor.

    Reverter o desaparecimento dos pássaros coloridos exige mais do que boas intenções. Lucas aponta que é preciso uma transformação profunda na forma como as cidades são pensadas.

    "Hoje as cidades são planejadas quase exclusivamente para atender às necessidades da espécie humana e isso precisa mudar radicalmente se quisermos preservar também as demais formas de vida e, consequentemente, a nossa", afirma o pesquisador da USP.

    Um levantamento recente do IBGE mostra que 34% da população brasileira vive em vias sem nenhuma árvore. 

    "É essencial aumentar e qualificar as áreas verdes, com foco no plantio de espécies nativas que produzem frutos carnosos pequenos e flores com néctar", ressalta Nascimento.

    Adriana Sandre, professora da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design da Universidade de São Paulo) ressalta a importância da diversidade de vegetação no ambiente urbano. "É preciso compor sistemas com plantas que oferecem alimento, sombra, abrigo e locais de nidificação em diferentes escalas a diferentes espécies".

    Já Maria Fernanda Del Giovannino, graduanda em arquitetura e urbanismo que desenvolve uma pesquisa sobre as aves no ambiente urbano, junto com Sandre, destaca que diversos elementos arquitetônicos, como caixas de ninho, telhados verdes, fachadas verdes, corredores ecológicos e lagos urbanos, podem ajudar os pássaros coloridos a voltarem para as cidades.

    "Muitas vezes caímos na percepção de que, se uma iniciativa isolada não resolve o problema em larga escala, não vale a pena implementá-la. Mas pequenos elementos no ambiente urbano podem ter grande relevância ecológica", diz Giovannino. "Por exemplo, bebedouros, caixas-ninho ou mesmo uma única árvore podem oferecer recursos fundamentais para diversas espécies, seja fornecendo água, abrigo ou alimento", explica.

    No mundo, países têm avançado em aplicar a arquitetura 'birdfriendly' (em português, amiga dos pássaros). Em Nova lorque (EUA), uma lei de 2019, exige que todas as novas edificações acima de 23 metros de altura usem vidros espelhados mais seguros para aves - vidros que possuem marcadores visuais em toda a superfície para atenuar ou distorcer os reflexos dos elementos ao redor.

    No Brasil, o Projeto de Lei nº 228/2025 que tramita na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, determina que todos os municípios do estado, por meio de projetos e politicas públicas específicas, obriguem a aplicação de dispositivos que evitem a colisão de aves contra os vidros em edificações de qualquer tipo.


Disponível em:<https://www.uol.com.br/ecoa/ultimasnoticias/2025/09/11/sumiram-por-que-passaros-coloridos-estaodesaparecendo-das-cidades.htm>Acesso em: 14 de setembro de 2025.

Quanto ao impacto direto no desaparecimento dos pássaros coloridos, o 7°§ do texto 2 se refere especificamente:
Alternativas
Q3891069 Português
Sumiram? Por que pássaros coloridos estão desaparecendo das cidades?


   Avistar pássaros coloridos nas cidades brasileiras tem se tornado cada vez mais raro. O fenômeno não é coincidência, mas resultado de uma série de fatores ecológicos e urbanos que dificultam a sobrevivência dessas espécies em ambiente urbano.

   "Espécies coloridas, como a saíra-sete-cores, a saíra-ferrugem e a saíra-militar, tendem a ser pequenas e a apresentar uma dieta especializada, baseada principalmente em frutos carnosos pequenos alimentos que dependem da presença de árvores específicas, cada vez mais escassas nas cidades", diz Lucas do Nascimento, biólogo e pesquisador do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da USP (Universidade de São Paulo), que produziu um estudo sobre o tema. 

    Em contrapartida, aves que ainda prosperam nas cidades, como pombos, são maiores e onívoras, com uma dieta mais flexível. "Elas conseguem explorar diferentes recursos, como insetos, grãos, restos de comida descartados por humanos, ração de animais domésticos e até alimentos encontrado em lixeiras", explica Nascimento.

     O tráfico ilegal de pássaros também é um fator preocupante. A beleza dessas aves, que deveria ser motivo de contemplação, acaba tornando-as alvo de exploração.

    Outro desafio é o abrigo. Aves coloridas costumam depender de áreas florestais densas para se protegerem. 

    "Elas se destacam mais em ambientes urbanos. Assim, aumentam o risco de predação e reduzem a chance de sucesso na alimentação", explica Gabriel de Paula, biólogo e pesquisador do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)."Já as aves de coloração neutra, como pardais e pombas, camuflam-se com mais facilidade em cenários dominados por concreto e asfalto", compara о pesquisador.

    A forma como as cidades são desenhadas também tem impacto direto no desaparecimento dos pássaros coloridos. Quando o planejamento urbano ignora a presença de árvores que produzem frutos carnosos, cria-se um ambiente hostil.

   "Cidades arborizadas, com praças, parques e presença de espécies nativas, oferecem alimento, abrigo e conectividade ecológica, o que permite maior diversidade de aves. incluindo as mais coloridas", diz Gabriel de Paula.

    O uso excessivo de vidro espelhados nas construções também representa uma ameaça. Ao não reconhecerem o vidro como barreira, as aves acabam se chocando contra fachadas espelhadas, muitas vezes com consequências fatais.

    Outro elemento urbano que afeta diretamente essas espécies são as ilhas de calor. Uma pesquisa chinesa publicada em 2023 mostrou que o fenômeno está relacionado ao aumento do estresse oxidativo, que impacta negativamente a saúde das aves.

    "Considerando que as espécies coloridas já são mais sensíveis por diversos fatores, é plausível supor que elas também sejam particularmente vulneráveis ao estresse causado pelo aumento da temperatura", aponta Lucas Nascimento.

    Por outro lado, um estudo recente de pesquisadores chilenos com pombos domésticos sugeriu que indivíduos com menor diversidade de cores tendem a ser mais resistentes ao estresse oxidativo causado pelas ilhas de calor.

    Reverter o desaparecimento dos pássaros coloridos exige mais do que boas intenções. Lucas aponta que é preciso uma transformação profunda na forma como as cidades são pensadas.

    "Hoje as cidades são planejadas quase exclusivamente para atender às necessidades da espécie humana e isso precisa mudar radicalmente se quisermos preservar também as demais formas de vida e, consequentemente, a nossa", afirma o pesquisador da USP.

    Um levantamento recente do IBGE mostra que 34% da população brasileira vive em vias sem nenhuma árvore. 

    "É essencial aumentar e qualificar as áreas verdes, com foco no plantio de espécies nativas que produzem frutos carnosos pequenos e flores com néctar", ressalta Nascimento.

    Adriana Sandre, professora da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design da Universidade de São Paulo) ressalta a importância da diversidade de vegetação no ambiente urbano. "É preciso compor sistemas com plantas que oferecem alimento, sombra, abrigo e locais de nidificação em diferentes escalas a diferentes espécies".

    Já Maria Fernanda Del Giovannino, graduanda em arquitetura e urbanismo que desenvolve uma pesquisa sobre as aves no ambiente urbano, junto com Sandre, destaca que diversos elementos arquitetônicos, como caixas de ninho, telhados verdes, fachadas verdes, corredores ecológicos e lagos urbanos, podem ajudar os pássaros coloridos a voltarem para as cidades.

    "Muitas vezes caímos na percepção de que, se uma iniciativa isolada não resolve o problema em larga escala, não vale a pena implementá-la. Mas pequenos elementos no ambiente urbano podem ter grande relevância ecológica", diz Giovannino. "Por exemplo, bebedouros, caixas-ninho ou mesmo uma única árvore podem oferecer recursos fundamentais para diversas espécies, seja fornecendo água, abrigo ou alimento", explica.

    No mundo, países têm avançado em aplicar a arquitetura 'birdfriendly' (em português, amiga dos pássaros). Em Nova lorque (EUA), uma lei de 2019, exige que todas as novas edificações acima de 23 metros de altura usem vidros espelhados mais seguros para aves - vidros que possuem marcadores visuais em toda a superfície para atenuar ou distorcer os reflexos dos elementos ao redor.

    No Brasil, o Projeto de Lei nº 228/2025 que tramita na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, determina que todos os municípios do estado, por meio de projetos e politicas públicas específicas, obriguem a aplicação de dispositivos que evitem a colisão de aves contra os vidros em edificações de qualquer tipo.


Disponível em:<https://www.uol.com.br/ecoa/ultimasnoticias/2025/09/11/sumiram-por-que-passaros-coloridos-estaodesaparecendo-das-cidades.htm>Acesso em: 14 de setembro de 2025.

Observe o fragmento: "Mas pequenos elementos no ambiente urbano podem ter grande relevância ecológica." 18° §.

Assinale a opção em que o vocábulo destacado acima foi substituido sem alteração de sentido.
Alternativas
Q3891063 Português
Sumiram? Por que pássaros coloridos estão desaparecendo das cidades?


   Avistar pássaros coloridos nas cidades brasileiras tem se tornado cada vez mais raro. O fenômeno não é coincidência, mas resultado de uma série de fatores ecológicos e urbanos que dificultam a sobrevivência dessas espécies em ambiente urbano.

   "Espécies coloridas, como a saíra-sete-cores, a saíra-ferrugem e a saíra-militar, tendem a ser pequenas e a apresentar uma dieta especializada, baseada principalmente em frutos carnosos pequenos alimentos que dependem da presença de árvores específicas, cada vez mais escassas nas cidades", diz Lucas do Nascimento, biólogo e pesquisador do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da USP (Universidade de São Paulo), que produziu um estudo sobre o tema. 

    Em contrapartida, aves que ainda prosperam nas cidades, como pombos, são maiores e onívoras, com uma dieta mais flexível. "Elas conseguem explorar diferentes recursos, como insetos, grãos, restos de comida descartados por humanos, ração de animais domésticos e até alimentos encontrado em lixeiras", explica Nascimento.

     O tráfico ilegal de pássaros também é um fator preocupante. A beleza dessas aves, que deveria ser motivo de contemplação, acaba tornando-as alvo de exploração.

    Outro desafio é o abrigo. Aves coloridas costumam depender de áreas florestais densas para se protegerem. 

    "Elas se destacam mais em ambientes urbanos. Assim, aumentam o risco de predação e reduzem a chance de sucesso na alimentação", explica Gabriel de Paula, biólogo e pesquisador do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)."Já as aves de coloração neutra, como pardais e pombas, camuflam-se com mais facilidade em cenários dominados por concreto e asfalto", compara о pesquisador.

    A forma como as cidades são desenhadas também tem impacto direto no desaparecimento dos pássaros coloridos. Quando o planejamento urbano ignora a presença de árvores que produzem frutos carnosos, cria-se um ambiente hostil.

   "Cidades arborizadas, com praças, parques e presença de espécies nativas, oferecem alimento, abrigo e conectividade ecológica, o que permite maior diversidade de aves. incluindo as mais coloridas", diz Gabriel de Paula.

    O uso excessivo de vidro espelhados nas construções também representa uma ameaça. Ao não reconhecerem o vidro como barreira, as aves acabam se chocando contra fachadas espelhadas, muitas vezes com consequências fatais.

    Outro elemento urbano que afeta diretamente essas espécies são as ilhas de calor. Uma pesquisa chinesa publicada em 2023 mostrou que o fenômeno está relacionado ao aumento do estresse oxidativo, que impacta negativamente a saúde das aves.

    "Considerando que as espécies coloridas já são mais sensíveis por diversos fatores, é plausível supor que elas também sejam particularmente vulneráveis ao estresse causado pelo aumento da temperatura", aponta Lucas Nascimento.

    Por outro lado, um estudo recente de pesquisadores chilenos com pombos domésticos sugeriu que indivíduos com menor diversidade de cores tendem a ser mais resistentes ao estresse oxidativo causado pelas ilhas de calor.

    Reverter o desaparecimento dos pássaros coloridos exige mais do que boas intenções. Lucas aponta que é preciso uma transformação profunda na forma como as cidades são pensadas.

    "Hoje as cidades são planejadas quase exclusivamente para atender às necessidades da espécie humana e isso precisa mudar radicalmente se quisermos preservar também as demais formas de vida e, consequentemente, a nossa", afirma o pesquisador da USP.

    Um levantamento recente do IBGE mostra que 34% da população brasileira vive em vias sem nenhuma árvore. 

    "É essencial aumentar e qualificar as áreas verdes, com foco no plantio de espécies nativas que produzem frutos carnosos pequenos e flores com néctar", ressalta Nascimento.

    Adriana Sandre, professora da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design da Universidade de São Paulo) ressalta a importância da diversidade de vegetação no ambiente urbano. "É preciso compor sistemas com plantas que oferecem alimento, sombra, abrigo e locais de nidificação em diferentes escalas a diferentes espécies".

    Já Maria Fernanda Del Giovannino, graduanda em arquitetura e urbanismo que desenvolve uma pesquisa sobre as aves no ambiente urbano, junto com Sandre, destaca que diversos elementos arquitetônicos, como caixas de ninho, telhados verdes, fachadas verdes, corredores ecológicos e lagos urbanos, podem ajudar os pássaros coloridos a voltarem para as cidades.

    "Muitas vezes caímos na percepção de que, se uma iniciativa isolada não resolve o problema em larga escala, não vale a pena implementá-la. Mas pequenos elementos no ambiente urbano podem ter grande relevância ecológica", diz Giovannino. "Por exemplo, bebedouros, caixas-ninho ou mesmo uma única árvore podem oferecer recursos fundamentais para diversas espécies, seja fornecendo água, abrigo ou alimento", explica.

    No mundo, países têm avançado em aplicar a arquitetura 'birdfriendly' (em português, amiga dos pássaros). Em Nova lorque (EUA), uma lei de 2019, exige que todas as novas edificações acima de 23 metros de altura usem vidros espelhados mais seguros para aves - vidros que possuem marcadores visuais em toda a superfície para atenuar ou distorcer os reflexos dos elementos ao redor.

    No Brasil, o Projeto de Lei nº 228/2025 que tramita na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, determina que todos os municípios do estado, por meio de projetos e politicas públicas específicas, obriguem a aplicação de dispositivos que evitem a colisão de aves contra os vidros em edificações de qualquer tipo.


Disponível em:<https://www.uol.com.br/ecoa/ultimasnoticias/2025/09/11/sumiram-por-que-passaros-coloridos-estaodesaparecendo-das-cidades.htm>Acesso em: 14 de setembro de 2025.

Observe o trecho: "...vidros que possuem marcadores visuais em toda a superfície para atenuar ou distorcer os reflexos dos elementos ao redor." 20°§.
Contextualmente, a palavra destacada no trecho acima tem como sinônimo:
Alternativas
Q3891062 Português
Sumiram? Por que pássaros coloridos estão desaparecendo das cidades?


   Avistar pássaros coloridos nas cidades brasileiras tem se tornado cada vez mais raro. O fenômeno não é coincidência, mas resultado de uma série de fatores ecológicos e urbanos que dificultam a sobrevivência dessas espécies em ambiente urbano.

   "Espécies coloridas, como a saíra-sete-cores, a saíra-ferrugem e a saíra-militar, tendem a ser pequenas e a apresentar uma dieta especializada, baseada principalmente em frutos carnosos pequenos alimentos que dependem da presença de árvores específicas, cada vez mais escassas nas cidades", diz Lucas do Nascimento, biólogo e pesquisador do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da USP (Universidade de São Paulo), que produziu um estudo sobre o tema. 

    Em contrapartida, aves que ainda prosperam nas cidades, como pombos, são maiores e onívoras, com uma dieta mais flexível. "Elas conseguem explorar diferentes recursos, como insetos, grãos, restos de comida descartados por humanos, ração de animais domésticos e até alimentos encontrado em lixeiras", explica Nascimento.

     O tráfico ilegal de pássaros também é um fator preocupante. A beleza dessas aves, que deveria ser motivo de contemplação, acaba tornando-as alvo de exploração.

    Outro desafio é o abrigo. Aves coloridas costumam depender de áreas florestais densas para se protegerem. 

    "Elas se destacam mais em ambientes urbanos. Assim, aumentam o risco de predação e reduzem a chance de sucesso na alimentação", explica Gabriel de Paula, biólogo e pesquisador do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)."Já as aves de coloração neutra, como pardais e pombas, camuflam-se com mais facilidade em cenários dominados por concreto e asfalto", compara о pesquisador.

    A forma como as cidades são desenhadas também tem impacto direto no desaparecimento dos pássaros coloridos. Quando o planejamento urbano ignora a presença de árvores que produzem frutos carnosos, cria-se um ambiente hostil.

   "Cidades arborizadas, com praças, parques e presença de espécies nativas, oferecem alimento, abrigo e conectividade ecológica, o que permite maior diversidade de aves. incluindo as mais coloridas", diz Gabriel de Paula.

    O uso excessivo de vidro espelhados nas construções também representa uma ameaça. Ao não reconhecerem o vidro como barreira, as aves acabam se chocando contra fachadas espelhadas, muitas vezes com consequências fatais.

    Outro elemento urbano que afeta diretamente essas espécies são as ilhas de calor. Uma pesquisa chinesa publicada em 2023 mostrou que o fenômeno está relacionado ao aumento do estresse oxidativo, que impacta negativamente a saúde das aves.

    "Considerando que as espécies coloridas já são mais sensíveis por diversos fatores, é plausível supor que elas também sejam particularmente vulneráveis ao estresse causado pelo aumento da temperatura", aponta Lucas Nascimento.

    Por outro lado, um estudo recente de pesquisadores chilenos com pombos domésticos sugeriu que indivíduos com menor diversidade de cores tendem a ser mais resistentes ao estresse oxidativo causado pelas ilhas de calor.

    Reverter o desaparecimento dos pássaros coloridos exige mais do que boas intenções. Lucas aponta que é preciso uma transformação profunda na forma como as cidades são pensadas.

    "Hoje as cidades são planejadas quase exclusivamente para atender às necessidades da espécie humana e isso precisa mudar radicalmente se quisermos preservar também as demais formas de vida e, consequentemente, a nossa", afirma o pesquisador da USP.

    Um levantamento recente do IBGE mostra que 34% da população brasileira vive em vias sem nenhuma árvore. 

    "É essencial aumentar e qualificar as áreas verdes, com foco no plantio de espécies nativas que produzem frutos carnosos pequenos e flores com néctar", ressalta Nascimento.

    Adriana Sandre, professora da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design da Universidade de São Paulo) ressalta a importância da diversidade de vegetação no ambiente urbano. "É preciso compor sistemas com plantas que oferecem alimento, sombra, abrigo e locais de nidificação em diferentes escalas a diferentes espécies".

    Já Maria Fernanda Del Giovannino, graduanda em arquitetura e urbanismo que desenvolve uma pesquisa sobre as aves no ambiente urbano, junto com Sandre, destaca que diversos elementos arquitetônicos, como caixas de ninho, telhados verdes, fachadas verdes, corredores ecológicos e lagos urbanos, podem ajudar os pássaros coloridos a voltarem para as cidades.

    "Muitas vezes caímos na percepção de que, se uma iniciativa isolada não resolve o problema em larga escala, não vale a pena implementá-la. Mas pequenos elementos no ambiente urbano podem ter grande relevância ecológica", diz Giovannino. "Por exemplo, bebedouros, caixas-ninho ou mesmo uma única árvore podem oferecer recursos fundamentais para diversas espécies, seja fornecendo água, abrigo ou alimento", explica.

    No mundo, países têm avançado em aplicar a arquitetura 'birdfriendly' (em português, amiga dos pássaros). Em Nova lorque (EUA), uma lei de 2019, exige que todas as novas edificações acima de 23 metros de altura usem vidros espelhados mais seguros para aves - vidros que possuem marcadores visuais em toda a superfície para atenuar ou distorcer os reflexos dos elementos ao redor.

    No Brasil, o Projeto de Lei nº 228/2025 que tramita na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, determina que todos os municípios do estado, por meio de projetos e politicas públicas específicas, obriguem a aplicação de dispositivos que evitem a colisão de aves contra os vidros em edificações de qualquer tipo.


Disponível em:<https://www.uol.com.br/ecoa/ultimasnoticias/2025/09/11/sumiram-por-que-passaros-coloridos-estaodesaparecendo-das-cidades.htm>Acesso em: 14 de setembro de 2025.

O texto sugere que o planejamento urbano deve:
Alternativas
Q3891061 Português
Sumiram? Por que pássaros coloridos estão desaparecendo das cidades?


   Avistar pássaros coloridos nas cidades brasileiras tem se tornado cada vez mais raro. O fenômeno não é coincidência, mas resultado de uma série de fatores ecológicos e urbanos que dificultam a sobrevivência dessas espécies em ambiente urbano.

   "Espécies coloridas, como a saíra-sete-cores, a saíra-ferrugem e a saíra-militar, tendem a ser pequenas e a apresentar uma dieta especializada, baseada principalmente em frutos carnosos pequenos alimentos que dependem da presença de árvores específicas, cada vez mais escassas nas cidades", diz Lucas do Nascimento, biólogo e pesquisador do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da USP (Universidade de São Paulo), que produziu um estudo sobre o tema. 

    Em contrapartida, aves que ainda prosperam nas cidades, como pombos, são maiores e onívoras, com uma dieta mais flexível. "Elas conseguem explorar diferentes recursos, como insetos, grãos, restos de comida descartados por humanos, ração de animais domésticos e até alimentos encontrado em lixeiras", explica Nascimento.

     O tráfico ilegal de pássaros também é um fator preocupante. A beleza dessas aves, que deveria ser motivo de contemplação, acaba tornando-as alvo de exploração.

    Outro desafio é o abrigo. Aves coloridas costumam depender de áreas florestais densas para se protegerem. 

    "Elas se destacam mais em ambientes urbanos. Assim, aumentam o risco de predação e reduzem a chance de sucesso na alimentação", explica Gabriel de Paula, biólogo e pesquisador do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)."Já as aves de coloração neutra, como pardais e pombas, camuflam-se com mais facilidade em cenários dominados por concreto e asfalto", compara о pesquisador.

    A forma como as cidades são desenhadas também tem impacto direto no desaparecimento dos pássaros coloridos. Quando o planejamento urbano ignora a presença de árvores que produzem frutos carnosos, cria-se um ambiente hostil.

   "Cidades arborizadas, com praças, parques e presença de espécies nativas, oferecem alimento, abrigo e conectividade ecológica, o que permite maior diversidade de aves. incluindo as mais coloridas", diz Gabriel de Paula.

    O uso excessivo de vidro espelhados nas construções também representa uma ameaça. Ao não reconhecerem o vidro como barreira, as aves acabam se chocando contra fachadas espelhadas, muitas vezes com consequências fatais.

    Outro elemento urbano que afeta diretamente essas espécies são as ilhas de calor. Uma pesquisa chinesa publicada em 2023 mostrou que o fenômeno está relacionado ao aumento do estresse oxidativo, que impacta negativamente a saúde das aves.

    "Considerando que as espécies coloridas já são mais sensíveis por diversos fatores, é plausível supor que elas também sejam particularmente vulneráveis ao estresse causado pelo aumento da temperatura", aponta Lucas Nascimento.

    Por outro lado, um estudo recente de pesquisadores chilenos com pombos domésticos sugeriu que indivíduos com menor diversidade de cores tendem a ser mais resistentes ao estresse oxidativo causado pelas ilhas de calor.

    Reverter o desaparecimento dos pássaros coloridos exige mais do que boas intenções. Lucas aponta que é preciso uma transformação profunda na forma como as cidades são pensadas.

    "Hoje as cidades são planejadas quase exclusivamente para atender às necessidades da espécie humana e isso precisa mudar radicalmente se quisermos preservar também as demais formas de vida e, consequentemente, a nossa", afirma o pesquisador da USP.

    Um levantamento recente do IBGE mostra que 34% da população brasileira vive em vias sem nenhuma árvore. 

    "É essencial aumentar e qualificar as áreas verdes, com foco no plantio de espécies nativas que produzem frutos carnosos pequenos e flores com néctar", ressalta Nascimento.

    Adriana Sandre, professora da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design da Universidade de São Paulo) ressalta a importância da diversidade de vegetação no ambiente urbano. "É preciso compor sistemas com plantas que oferecem alimento, sombra, abrigo e locais de nidificação em diferentes escalas a diferentes espécies".

    Já Maria Fernanda Del Giovannino, graduanda em arquitetura e urbanismo que desenvolve uma pesquisa sobre as aves no ambiente urbano, junto com Sandre, destaca que diversos elementos arquitetônicos, como caixas de ninho, telhados verdes, fachadas verdes, corredores ecológicos e lagos urbanos, podem ajudar os pássaros coloridos a voltarem para as cidades.

    "Muitas vezes caímos na percepção de que, se uma iniciativa isolada não resolve o problema em larga escala, não vale a pena implementá-la. Mas pequenos elementos no ambiente urbano podem ter grande relevância ecológica", diz Giovannino. "Por exemplo, bebedouros, caixas-ninho ou mesmo uma única árvore podem oferecer recursos fundamentais para diversas espécies, seja fornecendo água, abrigo ou alimento", explica.

    No mundo, países têm avançado em aplicar a arquitetura 'birdfriendly' (em português, amiga dos pássaros). Em Nova lorque (EUA), uma lei de 2019, exige que todas as novas edificações acima de 23 metros de altura usem vidros espelhados mais seguros para aves - vidros que possuem marcadores visuais em toda a superfície para atenuar ou distorcer os reflexos dos elementos ao redor.

    No Brasil, o Projeto de Lei nº 228/2025 que tramita na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, determina que todos os municípios do estado, por meio de projetos e politicas públicas específicas, obriguem a aplicação de dispositivos que evitem a colisão de aves contra os vidros em edificações de qualquer tipo.


Disponível em:<https://www.uol.com.br/ecoa/ultimasnoticias/2025/09/11/sumiram-por-que-passaros-coloridos-estaodesaparecendo-das-cidades.htm>Acesso em: 14 de setembro de 2025.

De acordo com o texto 2, o desaparecimento de aves coloridas nas cidades brasileiras está associado principalmente:
Alternativas
Q3891058 Português
Texto 1 (Para a Questão)


A visita da borboleta


   Discorram meus colegas sobre assuntos graúdos, nacionais e internacionais, que hoje eu fico com as borboletas. Pela manhã, uma delas, de espécie comum e pequena, entrou pela janela e veio tomar café comigo. Mais propriamente, visitar-me na hora do café. Não pousou na xícara nem nos biscoitos nem na margarina. Limitou-se a dar uns voleios em torno da mesa, e retirou-se, deixando a lembrança agradável de sua visita. Embora cordial, estava apressada. Todas as borboletas são apressadas por natureza. Vivem um momento breve e não podem perder tempo com um cronista fútil, se bem que parecesse dizer, com seus volteios: "Adoro a futilidade".

    Naturalmente, fiquei todo concho com a visita: não é qualquer cronista que recebe agrados dessa ordem. Satisfeito com a minha importância, pois até as borboletas me consideram, retomei o mau hábito de ler jornal tomando café. Então me deparei com a notícia de que ia realizar-se no bairro do Grajaú uma vigília ecológica em defesa das borboletas ameaçadas de extinção. Compreendi: a visita não fora gratuita, vinha chamar-me atenção para o fato. Mesmo assim, continuei apreciando a delicadeza. O lepidóptero (permitam-me chamá-lo pelo seu nome livresco) era meu leitor, imaginem.

    Ora, bem que pessoas ocupadas e lutando pela burra da vida no Rio de Janeiro se lembram de dedicar um sábado de repouso à tarefa de tomar conta das borboletas, indo até as ruínas da antiga fazenda de Vila Rica para dizer, exemplar, doutrinar: "Não cacem nem matem nem comercializem borboletas. Elas executam um serviço ponderável de polinização, além de deslumbrarem a vista da gente com suas ricas roupagens coloridas, em voo tonto".

    O pessoal do Grajaú está certo. Vejo representado nas borboletas um interesse global da vida, que se tece de infindáveis articulações entre elementos da natureza, ligando a existência do homem a um quadro onde tudo tem sua função e, portanto, sua explicação. O fato de a borboleta encerrar beleza já seria bastante para justificá-la a nossos olhos. Quem vê um preponamenander (a qualificação científica não é pedante, foi-me oferecida pelo livro onde a estampa acende um verde luminoso sobre o negro, e eu ignoro o nome vulgar), quem vê um ser desses bailando no espaço, há de sentir melhor a graça do dia e mais leve o peso da inflação. E já não falo na Urania leilus, uma senhora sofisticadíssima borboleta, de tons requintados. E em dezenas de outras, admiráveis.

   Com toda beleza, esta é contingente, e não adianta querer perenizá-la em forma estática, nos cruéis arranjos decorativos imaginados pelo homem visando a fins de lucro. Os objetos que utilizam asas de borboleta são horrendos, por mais que se pretenda convencer aos turistas do contrário.

    Já a atividade prefixada da borboleta em proveito do equilíbrio ecológico, esta é uma noção fácil de transmitir aos meninos, na escola de primeiro grau, em vez de tolerar que eles se transformem em pequenos e, amanhã, grandes caçadores, por prazer ou negócio.

     A vigília do Grajaú não tinha intenção de somente defender borboletas. Pensou também nas aves e vegetais de toda sorte, que, mesmo localizados no Parque Nacional da Tijuca, sofrem a ameaça geral contra a natureza, que é uma das características da vida de hoje. Mas a particularização em benefício das borboletas dá à gente a segurança de que a consciência ecológica vai-se acentuando e distribuindo entre nós de maneira confortadora. O tema pequeno alia-se ao grande. Por outra, não há temas pequenos, em se tratando do meio natural. Uma folha de erva rasteira resume o universo.

    Meu Deus, fiz uma frase de efeito, e não sou sequer vereador com direito de fazê-las. A borboleta que me visitou não gostaria disso. Caso falasse nossa linguagem, diria coisas simples, graciosas, sem afetação. aquela era tão simples, tão sem azuis, vermelhos e verdes para exibir. Certamente não lerá estas linhas mais certamente ainda não existirá mais, à hora em que o jornal estiver circulando. Faz mal não. Ela deu o seu recado, eu dei o meu. Borboleta, rosa e jornal vivem horas curtas, mas renascem e documentam permanência da vida. Outra frase? Bem, desculpem, e já vou eu, na próxima, borboleteando entre assuntos vários, neste oficio de juntar sílabas sobre o cotidiano, que é meu velho ofício. Amiga borboleta, obrigado pela visita. Volte, sem compromisso.


ANDRADE, Carlos Drummond de. O gato solteiro e outros bichos. Rio de Janeiro: Record, 2022.


 
Ao afirmar que "borboleta, rosa e jornal vivem horas curtas, mas renascem e documentam a permanência da vida", o narrador:
Alternativas
Respostas
3301: A
3302: B
3303: B
3304: D
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