Questões de Concurso
Comentadas sobre interpretação de textos em português
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Como contribuir com a formação de leitores nos Anos Finais do Fundamental?
É importante ouvir os interesses dos alunos, abrir espaço para debates e reflexões e colocar as obras em diálogo com a realidade dos estudantes
[...]
Michelli, atualmente com 36 anos, se formou em Letras e se especializou em Gestão de Bibliotecas Escolares pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Hoje, atua como docente de Língua Portuguesa dos Anos Finais do Ensino Fundamental na EBM Paulina Wagner, em Blumenau, e na EEF Clara Donner, em Timbó, ambas no interior de Santa Catarina. Em 2020, ela foi uma das 50 finalistas do Prêmio Educador Nota 10 com o projeto O podcast na sala de aula: oralidade, escrita e tecnologia.
Mas, mesmo apreciando muito os livros e suas histórias, Michelli tinha dificuldade de inserir o trabalho com a leitura literária nas suas aulas. “Eu incentivava [a leitura] e conversava com os alunos, mas era difícil trabalhar um livro inteiro, especialmente por serem textos mais longos e pela questão do acesso às obras. Por mais que a gente tivesse biblioteca, não contávamos ainda com o PNLD [Programa Nacional do Livro Didático] Literário, que garantiria obras a todos os alunos. Isso era um entrave”, diz.
Contextualização, discussões e reflexões
Essa realidade começou a mudar em 2019, quando ela fazia mestrado em Letras na UFSC e teve a ideia de desenvolver um projeto literário a partir do livro O menino do dedo verde, clássico infanto-juvenil do escritor francês Maurice Druon. “Em uma das disciplinas do mestrado, nós estudamos alguns critérios de qualidade de uma obra infantojuvenil. Achei esse livro uma ótima escolha por ter também capítulos curtos e algumas ilustrações, adequado para turmas de 6º ano, com as quais trabalhei”, explica. Com isso, a professora partiu para a prática em sala de aula: primeiro, fez a apresentação do autor, contextualizando a época em que a obra foi escrita. Depois, para motivar a leitura, relacionou o livro com outros textos que dialogam com a história. Como o enredo aborda a temática da guerra, Michelli decidiu mostrar o trailer do filme O menino do pijama listrado — inspirado no livro homônimo, de John Boyne — a fim de ampliar o olhar dos alunos para um dos assuntos tratados. Os primeiros capítulos foram lidos em sala, e depois a professora combinou prazos para que os estudantes lessem e pudessem discutir alguns temas em grupo.
Para ela, a prática de sempre contextualizar algum assunto que aparecia na história e recorrer a materiais complementares foi essencial para engajar a turma, que se envolveu com a trama. Em um trecho da obra, o garoto visita uma cadeia, e esse foi o gancho para falar com os alunos sobre o sistema prisional brasileiro. Com o auxílio de um infográfico, a conversa rendeu um bom debate sobre direitos humanos. Em outra parte da história, o menino conhece uma favela e usa o poder de seu dedo para florir o lugar. Com isso, Michelli propôs uma discussão que partiu de uma reportagem sobre artistas plásticos que fizeram diversas pinturas nas casas de uma comunidade no México, ação que colaborou para melhorar a segurança das pessoas.
“São discussões que acontecem a partir da
história, e não cobranças com questionários e fichas
de leitura. A proposta é sempre ter conversas sobre
algo que surgiu na narrativa, mas que vai mais a fundo em questões que nos fazem refletir, que é uma das
coisas que a literatura provoca na gente”, comenta.
Para encerrar o trabalho com O menino do dedo
verde, as crianças plantaram mudinhas de flores em
um vaso e o entregaram para alguém que estava
precisando de um gesto de gentileza. Depois,
escreveram um depoimento sobre esse momento.
[...]
(Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/21390/
como-contribuir-com-a-formacao-de-leitores-nos-anos-finaisdo-fundamental)
Assinale a alternativa que apresenta as anáforas que retomam direta ou indiretamente o referente destacado no trecho acima:
“Crianças surdas da Nicarágua mostraram uma habilidade inata quando inventaram uma língua de sinais rica e complexa”.
Assinale a alternativa que reescreve, sem prejuízo
semântico, o trecho acima destacado.
Assinale a alternativa que apresenta o fragmento que reescreve o trecho acima, retirando APENAS termos acessórios.
Que temas você aborda em seu livro A arma escarlate?
Em quem você se inspirou para criar Hugo?
Os leitores brasileiros estão aceitando melhor autores nacionais.
O enunciado acima contém um pressuposto cuja
formalização está presente no enunciado da
alternativa:
Que temas você aborda em seu livro A arma escarlate?
Em quem você se inspirou para criar Hugo?
“Aqui está um exemplo. Suponha que você esteja segurando uma maçã. Então você deixa a maçã cair. Você observa o resultado e diz: “A maçã cai”. Isso é uma descrição. Uma previsão poderia ter sido a afirmação “A maçã cairá se eu abrir minha mão”. Ambos são valiosos e ambos podem estar corretos. Mas uma explicação é algo mais: inclui não apenas descrições e previsões, mas também conjecturas contrafactuais como “Qualquer objeto parecido cairia”, além da cláusula adicional “por causa da força da gravidade” ou “por causa da curvatura do espaço-tempo”, ou coisa parecida. Essa é uma explicação causal. “A maçã não teria caído se não fosse pela força da gravidade”. Isso é raciocínio.”
Dentre as sentenças do texto II, destacadas a seguir, a que ilustra o conceito de “explicação”, presente nesse trecho do texto I, é:
I. A inteligência artificial não pode pensar
PORQUE
II. Falta-lhe a dimensão afetivo-analógica, a comoção, que não pode ser captada por dados e informações.
A respeito dessas assertivas, é correto afirma que
“A mente humana não é, como o ChatGPT e seus semelhantes, uma pesada máquina estatística para encontrar padrões semelhantes, devorando centenas de terabytes de dados e extrapolando a resposta mais provável numa conversa ou a resposta mais plausível para uma pergunta científica.”
Assinale a alternativa em que a reescrita apresenta equivalência semântica com esse trecho.