Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

Questões Discursivas

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Q3639337 Português

TEXTO I



    Lembro de todo mundo que conheci. Só não sei de onde. Nem faço ideia do nome. É grave. [...] Seria de pensar que me recordo de pessoas especiais. Não é uma memória seletiva. Esqueço velhos amigos do peito, amores ... e me lembro de alguém com quem falei uma ou duas vezes! Pior: chego a pensar que conheço pessoas totalmente estranhas. Já passei por cada situação!

    — Oi, tudo bem?

    O outro se espanta. Franze o cenho, acha que a gafe é dele.

    — É... E Como vai?

    — Vou indo... E você?

    Acabamos nos despedindo como velhos amigos, sem a menor ideia de quem seja quem!



(CARRASCO, Walcyr. Ah, que memória! Veja SP, p. 218. In: Veja, São Paulo: Abril, ano 38, n.47, 23 nov. 2005. Fragmento.)

Observe a mensagem repassada nesse texto e marque a alternativa que apresenta as funções de linguagem predominantes nele: 
Alternativas
Q3639250 Português
TEXTO I

A FÁBULA DOS FABULOSOS

    Era uma vez um homem que vivia à beira de uma estrada e que vendia cachorro-quente .Ele não ouvia bem, por isso não tinha rádio. Ele tinha problemas com os olhos, por isso não lia jornais. Mas ele vendia bons cachorros-quentes. Colocava cartazes pela estrada, fazendo propaganda da qualidade dos cachorros-quentes. Ele ficava à beira da estrada e oferecia o seu produto em voz alta, e o povo comprava. Lentamente foi aumentando as vendas, e também cada vez mais aumentava a compra de carne e pão. Também comprou um fogão maior para melhor atender os fregueses, e o negócio prosperava. Conseguiu dar boa escola ao filho. Finalmente, o filho já formado voltou para casa para ajudar o pai. Mas então uma coisa aconteceu. O filho falou para o pai: “Pai, então você não ouve rádio? Você não lê jornais? Há uma grande crise no mundo. A situação na Europa é terrível. A situação aqui no país é ainda pior. Tudo está indo para o “vinagre”! O pai pensou: “Bom, meu filho estudou, lê jornais, ouve rádio, e só pode estar com a razão”. O pai foi diminuindo as compras de carne e pão. Tirou os cartazes da propaganda. Já não mais forçava as vendas em voz alta, abatido pelas notícias de crises. As vendas foram caindo. O pai falou ao filho: “Você estava certo, meu filho, nós certamente estamos no meio de uma grande crise”.

(JORNAL AUTOPLAN. Janeiro de 1984. Curitiba, Paraná.)
Considere o trecho: “e o negócio prosperava”. O vocábulo prosperava pode ser substituído, sem prejuízo de sentido, por: 
Alternativas
Q3639249 Português
TEXTO I

A FÁBULA DOS FABULOSOS

    Era uma vez um homem que vivia à beira de uma estrada e que vendia cachorro-quente .Ele não ouvia bem, por isso não tinha rádio. Ele tinha problemas com os olhos, por isso não lia jornais. Mas ele vendia bons cachorros-quentes. Colocava cartazes pela estrada, fazendo propaganda da qualidade dos cachorros-quentes. Ele ficava à beira da estrada e oferecia o seu produto em voz alta, e o povo comprava. Lentamente foi aumentando as vendas, e também cada vez mais aumentava a compra de carne e pão. Também comprou um fogão maior para melhor atender os fregueses, e o negócio prosperava. Conseguiu dar boa escola ao filho. Finalmente, o filho já formado voltou para casa para ajudar o pai. Mas então uma coisa aconteceu. O filho falou para o pai: “Pai, então você não ouve rádio? Você não lê jornais? Há uma grande crise no mundo. A situação na Europa é terrível. A situação aqui no país é ainda pior. Tudo está indo para o “vinagre”! O pai pensou: “Bom, meu filho estudou, lê jornais, ouve rádio, e só pode estar com a razão”. O pai foi diminuindo as compras de carne e pão. Tirou os cartazes da propaganda. Já não mais forçava as vendas em voz alta, abatido pelas notícias de crises. As vendas foram caindo. O pai falou ao filho: “Você estava certo, meu filho, nós certamente estamos no meio de uma grande crise”.

(JORNAL AUTOPLAN. Janeiro de 1984. Curitiba, Paraná.)
Considerando a temática do texto, marque a alternativa correta quanto à atitude que o vendedor deveria ter tido após as informações passadas por seu filho:
Alternativas
Q3639248 Português
TEXTO I

A FÁBULA DOS FABULOSOS

    Era uma vez um homem que vivia à beira de uma estrada e que vendia cachorro-quente .Ele não ouvia bem, por isso não tinha rádio. Ele tinha problemas com os olhos, por isso não lia jornais. Mas ele vendia bons cachorros-quentes. Colocava cartazes pela estrada, fazendo propaganda da qualidade dos cachorros-quentes. Ele ficava à beira da estrada e oferecia o seu produto em voz alta, e o povo comprava. Lentamente foi aumentando as vendas, e também cada vez mais aumentava a compra de carne e pão. Também comprou um fogão maior para melhor atender os fregueses, e o negócio prosperava. Conseguiu dar boa escola ao filho. Finalmente, o filho já formado voltou para casa para ajudar o pai. Mas então uma coisa aconteceu. O filho falou para o pai: “Pai, então você não ouve rádio? Você não lê jornais? Há uma grande crise no mundo. A situação na Europa é terrível. A situação aqui no país é ainda pior. Tudo está indo para o “vinagre”! O pai pensou: “Bom, meu filho estudou, lê jornais, ouve rádio, e só pode estar com a razão”. O pai foi diminuindo as compras de carne e pão. Tirou os cartazes da propaganda. Já não mais forçava as vendas em voz alta, abatido pelas notícias de crises. As vendas foram caindo. O pai falou ao filho: “Você estava certo, meu filho, nós certamente estamos no meio de uma grande crise”.

(JORNAL AUTOPLAN. Janeiro de 1984. Curitiba, Paraná.)
Segundo o texto, as vendas foram aumentando e a condição de vida do vendedor melhorou. Esse fato se deu porque ele:
Alternativas
Q3639247 Português
TEXTO I

A FÁBULA DOS FABULOSOS

    Era uma vez um homem que vivia à beira de uma estrada e que vendia cachorro-quente .Ele não ouvia bem, por isso não tinha rádio. Ele tinha problemas com os olhos, por isso não lia jornais. Mas ele vendia bons cachorros-quentes. Colocava cartazes pela estrada, fazendo propaganda da qualidade dos cachorros-quentes. Ele ficava à beira da estrada e oferecia o seu produto em voz alta, e o povo comprava. Lentamente foi aumentando as vendas, e também cada vez mais aumentava a compra de carne e pão. Também comprou um fogão maior para melhor atender os fregueses, e o negócio prosperava. Conseguiu dar boa escola ao filho. Finalmente, o filho já formado voltou para casa para ajudar o pai. Mas então uma coisa aconteceu. O filho falou para o pai: “Pai, então você não ouve rádio? Você não lê jornais? Há uma grande crise no mundo. A situação na Europa é terrível. A situação aqui no país é ainda pior. Tudo está indo para o “vinagre”! O pai pensou: “Bom, meu filho estudou, lê jornais, ouve rádio, e só pode estar com a razão”. O pai foi diminuindo as compras de carne e pão. Tirou os cartazes da propaganda. Já não mais forçava as vendas em voz alta, abatido pelas notícias de crises. As vendas foram caindo. O pai falou ao filho: “Você estava certo, meu filho, nós certamente estamos no meio de uma grande crise”.

(JORNAL AUTOPLAN. Janeiro de 1984. Curitiba, Paraná.)
O fato de o vendedor colocar cartazes pela estrada, fazendo propaganda da qualidade dos cachorros-quentes revela que ele:  
Alternativas
Q3639234 Português
Numere as frases de acordo com a legenda.

(1) Afirmativa.
(2) Negativa.

( ) A tradição esportiva no município é forte.
( ) Divino das Laranjeiras não possui um clima frio.
( ) Divino das Laranjeiras possui cerca de 4.178 habitantes.
( ) O alto do Zuza é um local de prática de voo livre.
( ) O Morro do Cruzeiro é um local de religiosidade.
Alternativas
Q3639110 Português
Responda a questão de acordo com o texto abaixo:

Posso tomar banho após a refeição?

Tomar banho frio ou entrar numa piscina depois de ter comido não oferece riscos. O que não se deve fazer é qualquer tipo de exercício físico intenso, como nadar ou surfar. Isso desvia o sangue do estômago para os músculos que estão trabalhando. Após as refeições, boa parte do seu sangue vai para o estômago e o intestino a fim de realizar uma digestão adequada. Ao praticar esportes depois de comer, a pessoa fica com dificuldades na digestão e acaba passando mal (enjôo, suor frio e tontura). Tomar banhos longos e quentes dilata os vasos sanguíneos da pele e também acaba desviando o sangue do estômago.


(Marcelo Duarte – O guia dos curiosos)
Pela leitura do texto, a resposta dada pelo autor se apoia em:
Alternativas
Q3639109 Português
Responda a questão de acordo com o texto abaixo:

Posso tomar banho após a refeição?

Tomar banho frio ou entrar numa piscina depois de ter comido não oferece riscos. O que não se deve fazer é qualquer tipo de exercício físico intenso, como nadar ou surfar. Isso desvia o sangue do estômago para os músculos que estão trabalhando. Após as refeições, boa parte do seu sangue vai para o estômago e o intestino a fim de realizar uma digestão adequada. Ao praticar esportes depois de comer, a pessoa fica com dificuldades na digestão e acaba passando mal (enjôo, suor frio e tontura). Tomar banhos longos e quentes dilata os vasos sanguíneos da pele e também acaba desviando o sangue do estômago.


(Marcelo Duarte – O guia dos curiosos)
Os atos de nadar e surfar são citados no texto como:
Alternativas
Q3639094 Português
Vá plantar batatas!

A origem desta frase é portuguesa. Antigamente em Portugal, país voltado a navegações e à pesca, a agricultura, conquanto fornecedora de alimentos básicos, era vítima de certo desdém. Algumas de suas culturas eram ainda mais depreciadas, como era o caso da batata, que demorou a entrar na culinária portuguesa e brasileira. Era tida como alimento vulgar, e quem se dedicasse a plantar batatas estava se sujeitando a uma atividade desqualificada. A expressão aparece registrada em O povo português, obra do famoso poeta, folclorista e político lusitano Teófilo Braga (1843-1924), comentando a decadência das pequenas indústrias, ocasião em que trabalhadores qualificados, de repente sem emprego, foram aconselhados a plantar batatas.

(Dionísio da Silva – De onde vêm as palavras)
Antigamente em Portugal, país voltado a navegações e à pesca, a agricultura, conquanto fornecedora de alimentos básicos, era vítima de certo desdém.” A palavra destacada tem como sinônimo, levando em consideração o contexto:
Alternativas
Q3639092 Português
Vá plantar batatas!

A origem desta frase é portuguesa. Antigamente em Portugal, país voltado a navegações e à pesca, a agricultura, conquanto fornecedora de alimentos básicos, era vítima de certo desdém. Algumas de suas culturas eram ainda mais depreciadas, como era o caso da batata, que demorou a entrar na culinária portuguesa e brasileira. Era tida como alimento vulgar, e quem se dedicasse a plantar batatas estava se sujeitando a uma atividade desqualificada. A expressão aparece registrada em O povo português, obra do famoso poeta, folclorista e político lusitano Teófilo Braga (1843-1924), comentando a decadência das pequenas indústrias, ocasião em que trabalhadores qualificados, de repente sem emprego, foram aconselhados a plantar batatas.

(Dionísio da Silva – De onde vêm as palavras)
Leia as afirmativas a seguir relacionadas ao texto.

I. De acordo com o texto, toda atividade agrícola em Portugal era tida como trabalho desqualificado.
II. As pessoas que se dedicassem ao plantio de batatas, estavam sujeitas a uma atividade desqualificada.
III. A expressão “plantar batatas” surgiu em uma obra de um poeta português.

NÃO condiz com o texto:
Alternativas
Q3638878 Português
Frase geralmente dita em agradecimento depois que alguém lhe faz um elogio no ambiente de trabalho:
Alternativas
Q3638037 Português
“Lorena, em 1925, teve uma nova tomada do progresso, com a chegada de famílias __________,transformando as velhas propriedades rurais em fazendas __________.” Preenche corretamente as lacunas, respectivamente: 
Alternativas
Q3638023 Português
Leia o trecho e responda a alternativa que interpreta incorretamente o texto:
O uso da bicicleta como meio de transporte alternativo vem crescendo entre moradores das grandes cidades, o que revela mudança favorável de postura do cidadão diante das alterações climáticas que ameaçam o planeta. Esse fenômeno vem ocorrendo devido a vários fatores, entre eles o aumento do nível de consciência sobre os efeitos da queima de combustíveis fósseis e a crescente dificuldade de utilização dos meios de transporte públicos. Porém, para que o hábito se consolide, será necessário que as prefeituras invistam mais em ciclovias e educação para o trânsito.  
Alternativas
Q3638022 Português
Leia este primeiro trecho do texto de Camões e encontre a alternativa que não está correta com relação ao assunto tratado nesse quarteto:

“Busque Amor novas artes, novo engenho,
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho”. 
Alternativas
Q3637956 Português

Considere atentamente a crônica a seguir, escrita por Rachel de Queiroz e publicada na década de 1950, para responder à próxima questão.



“Sim, é a velha história da árvore da ciência: melhor não provar do fruto e não saber. Viva a gente, leitor, como você e eu, que só temos uma ideia vaga daquilo que nos ocorre nas entranhas e, enquanto a febre não sobe aos quarenta, a dor não pede gritos e a tontura não vira vertigem, achamos que tudo vai bem. Já os tristes doutores, que fizeram o seu reino no mundo das tripas, o seu ofício é o saber, e no saber está a tragédia. Mas é melhor contar um caso que exemplifique a tese… Não há nada como um apólogo para fazer entendida uma teoria. Era um doutor, nosso conhecido. Solteiro, ou antes solteirão, pois já fizera os 52. Boa figura, boa prosa, bem tratado – era pessoa que cuidava de si. Tinha as suas amigas, levava-as às boates. Era abastado e bem nascido – o que lhe favorecia ainda mais os êxitos profissionais e sociais. Pois um belo dia o nosso homem, ao descer do lotação, defronte do hospital, sentiu uma leve tontura. Foi coisa rápida, e com pouco já estava de uniforme, batia um papo, tomava café, iniciava a visita na enfermaria. E eis que o primeiro doente (que o detestava), antes de dizer se melhorara da falta de ar, olhou-o bem e comentou: ‘O senhor hoje está com a cara ruim, hem, doutor?’ E a enfermeira, também com ódio, ajudou: ‘Eu já tinha reparado’. Impressionado com aquela unanimidade que se seguira à tontura, o doutor, terminada a visita foi à sala dos médicos e chamou um colega mais íntimo: ‘Fulano, vem cá, me tira a pressão’. Fulano zombou, perguntou o que ele estaria planejando para a noite, mas o outro insistiu, tiraram. O paciente logo notou no amigo aquela expressão característica que os médicos pretendem ser de impenetrabilidade e não passa de uma cara muitíssimo agourenta, capaz de assustar o mais bravo. E Fulano falou, grave: ‘Meu caro, a gente vai ver de brincadeira e sempre acha qualquer coisa. Talvez seja a emoção do exame – por outro lado você já não é nenhuma criança – mas a pressão está a dezesseis’. Nada mais precisou ser dito. Nosso doutor era suficientemente médico para saber o que significava aquela pressão a dezesseis. E já que entrara a deslizar na ladeira das suspeitas, fez como certos maridos – quis saber tudo. Dosagem de ureia – e o papelinho do laboratório lhe aumentou o frio do estômago: 0,55. Colesterol? Aumentado. Densidade de urina – um pouco baixa. Sim, um pouco. Só um pouco. Tudo passava um pouco do normal, não era ainda a moléstia, a morte – mas era um aviso. E estava instilado o veneno. O doutor começou a ler – e de autor em autor foi aumentando as suspeitas. Quem sabe não seria uma nefrosclerose maligna? Renunciou ao uísque, renunciou aos prazeres de gourmet, renunciou às boates. Com o passar dos meses, e um ano, e outro, de renúncia em renúncia, o solteirão chibante e bom partido já não é mais que um velho – e cauteloso, e escravo da dieta e dos remédios, escravo das artérias e dos rins. E se passaram dez anos nessa agonia, em que o nosso amigo praticamente não viveu. No mês passado morreu, afinal; de um câncer de pulmão que em dois meses o levou. – Sim, um câncer, que não tinha nada com a história.”  


(A árvore da ciência, por Rachel de Queiroz, com adaptações) 

Ao descrever o seu colega médico, a autora do texto afirmava ser “solteiro, ou antes solteirão”. Com isso, ao utilizar o aumentativo de “solteiro” para classificar o “doutor”, a autora pretendia enfatizar a sua:
Alternativas
Q3637955 Português

Considere atentamente a crônica a seguir, escrita por Rachel de Queiroz e publicada na década de 1950, para responder à próxima questão.



“Sim, é a velha história da árvore da ciência: melhor não provar do fruto e não saber. Viva a gente, leitor, como você e eu, que só temos uma ideia vaga daquilo que nos ocorre nas entranhas e, enquanto a febre não sobe aos quarenta, a dor não pede gritos e a tontura não vira vertigem, achamos que tudo vai bem. Já os tristes doutores, que fizeram o seu reino no mundo das tripas, o seu ofício é o saber, e no saber está a tragédia. Mas é melhor contar um caso que exemplifique a tese… Não há nada como um apólogo para fazer entendida uma teoria. Era um doutor, nosso conhecido. Solteiro, ou antes solteirão, pois já fizera os 52. Boa figura, boa prosa, bem tratado – era pessoa que cuidava de si. Tinha as suas amigas, levava-as às boates. Era abastado e bem nascido – o que lhe favorecia ainda mais os êxitos profissionais e sociais. Pois um belo dia o nosso homem, ao descer do lotação, defronte do hospital, sentiu uma leve tontura. Foi coisa rápida, e com pouco já estava de uniforme, batia um papo, tomava café, iniciava a visita na enfermaria. E eis que o primeiro doente (que o detestava), antes de dizer se melhorara da falta de ar, olhou-o bem e comentou: ‘O senhor hoje está com a cara ruim, hem, doutor?’ E a enfermeira, também com ódio, ajudou: ‘Eu já tinha reparado’. Impressionado com aquela unanimidade que se seguira à tontura, o doutor, terminada a visita foi à sala dos médicos e chamou um colega mais íntimo: ‘Fulano, vem cá, me tira a pressão’. Fulano zombou, perguntou o que ele estaria planejando para a noite, mas o outro insistiu, tiraram. O paciente logo notou no amigo aquela expressão característica que os médicos pretendem ser de impenetrabilidade e não passa de uma cara muitíssimo agourenta, capaz de assustar o mais bravo. E Fulano falou, grave: ‘Meu caro, a gente vai ver de brincadeira e sempre acha qualquer coisa. Talvez seja a emoção do exame – por outro lado você já não é nenhuma criança – mas a pressão está a dezesseis’. Nada mais precisou ser dito. Nosso doutor era suficientemente médico para saber o que significava aquela pressão a dezesseis. E já que entrara a deslizar na ladeira das suspeitas, fez como certos maridos – quis saber tudo. Dosagem de ureia – e o papelinho do laboratório lhe aumentou o frio do estômago: 0,55. Colesterol? Aumentado. Densidade de urina – um pouco baixa. Sim, um pouco. Só um pouco. Tudo passava um pouco do normal, não era ainda a moléstia, a morte – mas era um aviso. E estava instilado o veneno. O doutor começou a ler – e de autor em autor foi aumentando as suspeitas. Quem sabe não seria uma nefrosclerose maligna? Renunciou ao uísque, renunciou aos prazeres de gourmet, renunciou às boates. Com o passar dos meses, e um ano, e outro, de renúncia em renúncia, o solteirão chibante e bom partido já não é mais que um velho – e cauteloso, e escravo da dieta e dos remédios, escravo das artérias e dos rins. E se passaram dez anos nessa agonia, em que o nosso amigo praticamente não viveu. No mês passado morreu, afinal; de um câncer de pulmão que em dois meses o levou. – Sim, um câncer, que não tinha nada com a história.”  


(A árvore da ciência, por Rachel de Queiroz, com adaptações) 

Nas palavras da autora do texto, “não há nada como um apólogo para fazer entendida uma teoria”. Marque a alternativa que indica um possível significado para o termo “apólogo”. 
Alternativas
Q3637953 Português

Considere atentamente a crônica a seguir, escrita por Rachel de Queiroz e publicada na década de 1950, para responder à próxima questão.



“Sim, é a velha história da árvore da ciência: melhor não provar do fruto e não saber. Viva a gente, leitor, como você e eu, que só temos uma ideia vaga daquilo que nos ocorre nas entranhas e, enquanto a febre não sobe aos quarenta, a dor não pede gritos e a tontura não vira vertigem, achamos que tudo vai bem. Já os tristes doutores, que fizeram o seu reino no mundo das tripas, o seu ofício é o saber, e no saber está a tragédia. Mas é melhor contar um caso que exemplifique a tese… Não há nada como um apólogo para fazer entendida uma teoria. Era um doutor, nosso conhecido. Solteiro, ou antes solteirão, pois já fizera os 52. Boa figura, boa prosa, bem tratado – era pessoa que cuidava de si. Tinha as suas amigas, levava-as às boates. Era abastado e bem nascido – o que lhe favorecia ainda mais os êxitos profissionais e sociais. Pois um belo dia o nosso homem, ao descer do lotação, defronte do hospital, sentiu uma leve tontura. Foi coisa rápida, e com pouco já estava de uniforme, batia um papo, tomava café, iniciava a visita na enfermaria. E eis que o primeiro doente (que o detestava), antes de dizer se melhorara da falta de ar, olhou-o bem e comentou: ‘O senhor hoje está com a cara ruim, hem, doutor?’ E a enfermeira, também com ódio, ajudou: ‘Eu já tinha reparado’. Impressionado com aquela unanimidade que se seguira à tontura, o doutor, terminada a visita foi à sala dos médicos e chamou um colega mais íntimo: ‘Fulano, vem cá, me tira a pressão’. Fulano zombou, perguntou o que ele estaria planejando para a noite, mas o outro insistiu, tiraram. O paciente logo notou no amigo aquela expressão característica que os médicos pretendem ser de impenetrabilidade e não passa de uma cara muitíssimo agourenta, capaz de assustar o mais bravo. E Fulano falou, grave: ‘Meu caro, a gente vai ver de brincadeira e sempre acha qualquer coisa. Talvez seja a emoção do exame – por outro lado você já não é nenhuma criança – mas a pressão está a dezesseis’. Nada mais precisou ser dito. Nosso doutor era suficientemente médico para saber o que significava aquela pressão a dezesseis. E já que entrara a deslizar na ladeira das suspeitas, fez como certos maridos – quis saber tudo. Dosagem de ureia – e o papelinho do laboratório lhe aumentou o frio do estômago: 0,55. Colesterol? Aumentado. Densidade de urina – um pouco baixa. Sim, um pouco. Só um pouco. Tudo passava um pouco do normal, não era ainda a moléstia, a morte – mas era um aviso. E estava instilado o veneno. O doutor começou a ler – e de autor em autor foi aumentando as suspeitas. Quem sabe não seria uma nefrosclerose maligna? Renunciou ao uísque, renunciou aos prazeres de gourmet, renunciou às boates. Com o passar dos meses, e um ano, e outro, de renúncia em renúncia, o solteirão chibante e bom partido já não é mais que um velho – e cauteloso, e escravo da dieta e dos remédios, escravo das artérias e dos rins. E se passaram dez anos nessa agonia, em que o nosso amigo praticamente não viveu. No mês passado morreu, afinal; de um câncer de pulmão que em dois meses o levou. – Sim, um câncer, que não tinha nada com a história.”  


(A árvore da ciência, por Rachel de Queiroz, com adaptações) 

Logo no início do seu argumento, ao mencionar “a velha história da árvore da ciência”, a autora do texto faz uso da figura de linguagem denominada:
Alternativas
Q3637952 Português

Considere atentamente a crônica a seguir, escrita por Rachel de Queiroz e publicada na década de 1950, para responder à próxima questão.



“Sim, é a velha história da árvore da ciência: melhor não provar do fruto e não saber. Viva a gente, leitor, como você e eu, que só temos uma ideia vaga daquilo que nos ocorre nas entranhas e, enquanto a febre não sobe aos quarenta, a dor não pede gritos e a tontura não vira vertigem, achamos que tudo vai bem. Já os tristes doutores, que fizeram o seu reino no mundo das tripas, o seu ofício é o saber, e no saber está a tragédia. Mas é melhor contar um caso que exemplifique a tese… Não há nada como um apólogo para fazer entendida uma teoria. Era um doutor, nosso conhecido. Solteiro, ou antes solteirão, pois já fizera os 52. Boa figura, boa prosa, bem tratado – era pessoa que cuidava de si. Tinha as suas amigas, levava-as às boates. Era abastado e bem nascido – o que lhe favorecia ainda mais os êxitos profissionais e sociais. Pois um belo dia o nosso homem, ao descer do lotação, defronte do hospital, sentiu uma leve tontura. Foi coisa rápida, e com pouco já estava de uniforme, batia um papo, tomava café, iniciava a visita na enfermaria. E eis que o primeiro doente (que o detestava), antes de dizer se melhorara da falta de ar, olhou-o bem e comentou: ‘O senhor hoje está com a cara ruim, hem, doutor?’ E a enfermeira, também com ódio, ajudou: ‘Eu já tinha reparado’. Impressionado com aquela unanimidade que se seguira à tontura, o doutor, terminada a visita foi à sala dos médicos e chamou um colega mais íntimo: ‘Fulano, vem cá, me tira a pressão’. Fulano zombou, perguntou o que ele estaria planejando para a noite, mas o outro insistiu, tiraram. O paciente logo notou no amigo aquela expressão característica que os médicos pretendem ser de impenetrabilidade e não passa de uma cara muitíssimo agourenta, capaz de assustar o mais bravo. E Fulano falou, grave: ‘Meu caro, a gente vai ver de brincadeira e sempre acha qualquer coisa. Talvez seja a emoção do exame – por outro lado você já não é nenhuma criança – mas a pressão está a dezesseis’. Nada mais precisou ser dito. Nosso doutor era suficientemente médico para saber o que significava aquela pressão a dezesseis. E já que entrara a deslizar na ladeira das suspeitas, fez como certos maridos – quis saber tudo. Dosagem de ureia – e o papelinho do laboratório lhe aumentou o frio do estômago: 0,55. Colesterol? Aumentado. Densidade de urina – um pouco baixa. Sim, um pouco. Só um pouco. Tudo passava um pouco do normal, não era ainda a moléstia, a morte – mas era um aviso. E estava instilado o veneno. O doutor começou a ler – e de autor em autor foi aumentando as suspeitas. Quem sabe não seria uma nefrosclerose maligna? Renunciou ao uísque, renunciou aos prazeres de gourmet, renunciou às boates. Com o passar dos meses, e um ano, e outro, de renúncia em renúncia, o solteirão chibante e bom partido já não é mais que um velho – e cauteloso, e escravo da dieta e dos remédios, escravo das artérias e dos rins. E se passaram dez anos nessa agonia, em que o nosso amigo praticamente não viveu. No mês passado morreu, afinal; de um câncer de pulmão que em dois meses o levou. – Sim, um câncer, que não tinha nada com a história.”  


(A árvore da ciência, por Rachel de Queiroz, com adaptações) 

Com base na interpretação do texto, pode-se inferir que a sua autora dirigia o seu discurso preferencialmente a:
Alternativas
Q3637875 Português
Qual é a figura de linguagem utilizada nesse excerto da canção "Meteoro" de Luan Santana.
“Você é raio de saudade,
Meteoro da paixão (...)”
Alternativas
Q3637868 Português
Leia o poema Infância de Carlos Drummond de Andrade e responda a questão:


Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.

Minha mãe ficava sentada cosendo.

Meu irmão pequeno dormia.

Eu sozinho menino entre mangueiras

lia a história de Robinson Crusoé,

comprida história que não acaba mais.


No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu

a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu

chamava para o café.

Café preto que nem a preta velha

café gostoso

café bom.


Minha mãe ficava sentada cosendo

olhando para mim:

- Psiu... Não acorde o menino.

Para o berço onde pousou um mosquito.

E dava um suspiro... que fundo!


Lá longe meu pai campeava

no mato sem fim da fazenda.


E eu não sabia que minha história

era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
No texto lê-se:

“Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.”

O termo “cosendo” significa que a mãe estava: 
Alternativas
Respostas
30561: A
30562: B
30563: C
30564: A
30565: A
30566: B
30567: B
30568: C
30569: D
30570: C
30571: C
30572: C
30573: D
30574: A
30575: B
30576: C
30577: A
30578: B
30579: D
30580: B