Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

Questões Discursivas

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Q3640159 Português
Leia o miniconto a seguir.


Meu pai não me ama


“Pai, você não me ama!”

“Como assim, meu filho! Falta-lhe comida?”

“Não.”

“Falta-lhe vestes para cobri-lo?”

“Não.” “E você me diz que não o amo? Explique-me o porquê?”

“Meu estômago está alimentado, no entanto meu coração está faminto por falta de afeto. Meu corpo está coberto pelas vestes, porém falta-me abraço, para que eu me aqueça e não sinta o frio da solidão.”


Antônio e Caio – Alunos do Ensino Médio de uma escola pública.
De acordo com o que você leu, pode-se afirmar que a compreensão a respeito de amor, para o pai, difere da do filho, pois se manifesta: 
Alternativas
Q3640156 Português
Leia o aforismo a seguir.


“O verdadeiro heroísmo consiste em persistir por mais um momento, quando tudo parece perdido.”


W.F. Grenfel
Para o autor, a palavra que define heroísmo é: 
Alternativas
Q3640148 Português
Leia o texto a seguir.


ESTIMAÇÃO


    O apartamento era minúsculo.

    − Mal cabe a nossa família − dizia a mãe. − Além disso, anda infestado de insetos, que não sei de onde vieram.

    Guardando sua barata na caixinha, o menino resmunga: “Quem manda ela não me deixar ter um cachorro”...


Sandra 
O texto é um miniconto. Nesse tipo de texto há alguns aspectos relacionados aos elementos da narrativa. Mesmo sendo um texto breve, ele possui início, meio e desfecho. Analisando os travessões utilizados no segundo parágrafo, pode-se afirmar que: 
Alternativas
Q3639896 Português

Considere o texto a seguir para responder à próxima questão.



“Segunda-feira. Amanheço com uma pontinha de febre. Nada grave, mas o homem, desde que sinta uma pontinha de febre, deveria ter direito a ficar na cama e não fazer absolutamente nada que não fosse viver a sua febre. O ideal seria recolher-se a uma Casa de Saúde, cercado de enfermeiras, de batas alvíssimas, que lhe fizessem perguntas carinhosas. Quando se está doente, mesmo que tudo não passe de uma pontinha de febre, é preciso proceder como doente. Vestir um pijama claro, tomar banho e comer (torradas, maçãs descascadas, sucos de fruta), na cama. As pessoas da família devem estar por perto e, de vez em quando, a mulher, se o doente for casado, deve pôr-lhe a mão na testa e dizer coisas que o envaideçam – por exemplo: ‘Eu gosto tanto quando você está doente. A gente fica mais junto um do outro’. Então, o doente abre os olhos (o bom doente é aquele que mantém os olhos fechados), sorri e, tomando a mão da esposa, aperta-a docemente. Tudo isto é ridículo, mas necessário ao doente. Todos os doentes, quanto menos grave for a doença, mais precisam de carinhos formais; exatamente, os ridículos. Cá estou, com uma pontinha de febre, que ninguém levou a sério. Nem eu. Mas gostaria de ser tratado como doente. À tarde, terei que sair para fazer uma entrevista. Vestir paletó e gravata – duas peças que nenhum doente, mesmo que seja um resfriado, deveria vestir. Depois de vestido, suarei na testa. Tomarei o automóvel... E ninguém perguntará se estou melhorzinho. A ciência médica progrediu e já não se tomam tantos cuidados com quem tem doença ‘micha’. Para se ser bem tratado é preciso que se tenha uma lesão cardíaca, um acidente de circulação ou uma leucemia. Com uma pontinha de febre não adianta fazer fita porque ninguém liga”.


(A consolação da doença, por Antônio Maria, com adaptações). 

Na expressão “pontinha de febre”, pode-se identificar a figura de linguagem denominada:
Alternativas
Q3639893 Português

Considere o texto a seguir para responder à próxima questão.



“Segunda-feira. Amanheço com uma pontinha de febre. Nada grave, mas o homem, desde que sinta uma pontinha de febre, deveria ter direito a ficar na cama e não fazer absolutamente nada que não fosse viver a sua febre. O ideal seria recolher-se a uma Casa de Saúde, cercado de enfermeiras, de batas alvíssimas, que lhe fizessem perguntas carinhosas. Quando se está doente, mesmo que tudo não passe de uma pontinha de febre, é preciso proceder como doente. Vestir um pijama claro, tomar banho e comer (torradas, maçãs descascadas, sucos de fruta), na cama. As pessoas da família devem estar por perto e, de vez em quando, a mulher, se o doente for casado, deve pôr-lhe a mão na testa e dizer coisas que o envaideçam – por exemplo: ‘Eu gosto tanto quando você está doente. A gente fica mais junto um do outro’. Então, o doente abre os olhos (o bom doente é aquele que mantém os olhos fechados), sorri e, tomando a mão da esposa, aperta-a docemente. Tudo isto é ridículo, mas necessário ao doente. Todos os doentes, quanto menos grave for a doença, mais precisam de carinhos formais; exatamente, os ridículos. Cá estou, com uma pontinha de febre, que ninguém levou a sério. Nem eu. Mas gostaria de ser tratado como doente. À tarde, terei que sair para fazer uma entrevista. Vestir paletó e gravata – duas peças que nenhum doente, mesmo que seja um resfriado, deveria vestir. Depois de vestido, suarei na testa. Tomarei o automóvel... E ninguém perguntará se estou melhorzinho. A ciência médica progrediu e já não se tomam tantos cuidados com quem tem doença ‘micha’. Para se ser bem tratado é preciso que se tenha uma lesão cardíaca, um acidente de circulação ou uma leucemia. Com uma pontinha de febre não adianta fazer fita porque ninguém liga”.


(A consolação da doença, por Antônio Maria, com adaptações). 

Com base na interpretação do texto, pode-se afirmar que o seu autor estava: 
Alternativas
Q3639880 Português
Muitos dos grandes problemas ambientais que enfrentamos podem ser relacionados, direta ou indiretamente, com a apropriação e uso de bens, produtos e serviços, suportes da vida e das atividades de uma sociedade historicamente construída sobre uma perversa lógica de mercado. Afinal, desde que alguns dos primeiros economistas afirmaram que produção tem como finalidade o consumo, a economia estabeleceu como objetivo aumentá-lo, e o consumo, transmutado em consumismo, passou a ser entendido como sinônimo de bem-estar e de felicidade. A questão é que vemos esse consumo se tornar também o causador de uma série de problemas sociais, ambientais e até psicológicos.
Fonte: Soraia Silva de Mello, Rachel Trajber. Vamos cuidar do Brasil: conceitos e práticas em educação ambiental na escola. Brasília: Ministério da Educação, Coordenação Geral de Educação Ambiental: Ministério do Meio Ambiente, Departamento de Educação Ambiental: UNESCO, 2007. 
Qual das alternativas a seguir vai de encontro ao exposto no texto, ou seja, apresenta uma ideia contrária ao mesmo? Marque a opção correspondente.
Alternativas
Q3639847 Português

Considere atentamente a crônica a seguir, escrita por Rachel de Queiroz e publicada na década de 1950, para responder à próxima questão.



“Sim, é a velha história da árvore da ciência: melhor não provar do fruto e não saber. Viva a gente, leitor, como você e eu, que só temos uma ideia vaga daquilo que nos ocorre nas entranhas e, enquanto a febre não sobe aos quarenta, a dor não pede gritos e a tontura não vira vertigem, achamos que tudo vai bem. Já os tristes doutores, que fizeram o seu reino no mundo das tripas, o seu ofício é o saber, e no saber está a tragédia. Mas é melhor contar um caso que exemplifique a tese… Não há nada como um apólogo para fazer entendida uma teoria. Era um doutor, nosso conhecido. Solteiro, ou antes solteirão, pois já fizera os 52. Boa figura, boa prosa, bem tratado – era pessoa que cuidava de si. Tinha as suas amigas, levava-as às boates. Era abastado e bem nascido – o que lhe favorecia ainda mais os êxitos profissionais e sociais. Pois um belo dia o nosso homem, ao descer do lotação, defronte do hospital, sentiu uma leve tontura. Foi coisa rápida, e com pouco já estava de uniforme, batia um papo, tomava café, iniciava a visita na enfermaria. E eis que o primeiro doente (que o detestava), antes de dizer se melhorara da falta de ar, olhou-o bem e comentou: ‘O senhor hoje está com a cara ruim, hem, doutor?’ E a enfermeira, também com ódio, ajudou: ‘Eu já tinha reparado’. Impressionado com aquela unanimidade que se seguira à tontura, o doutor, terminada a visita foi à sala dos médicos e chamou um colega mais íntimo: ‘Fulano, vem cá, me tira a pressão’. Fulano zombou, perguntou o que ele estaria planejando para a noite, mas o outro insistiu, tiraram. O paciente logo notou no amigo aquela expressão característica que os médicos pretendem ser de impenetrabilidade e não passa de uma cara muitíssimo agourenta, capaz de assustar o mais bravo. E Fulano falou, grave: ‘Meu caro, a gente vai ver de brincadeira e sempre acha qualquer coisa. Talvez seja a emoção do exame – por outro lado você já não é nenhuma criança – mas a pressão está a dezesseis’. Nada mais precisou ser dito. Nosso doutor era suficientemente médico para saber o que significava aquela pressão a dezesseis. E já que entrara a deslizar na ladeira das suspeitas, fez como certos maridos – quis saber tudo. Dosagem de ureia – e o papelinho do laboratório lhe aumentou o frio do estômago: 0,55. Colesterol? Aumentado. Densidade de urina – um pouco baixa. Sim, um pouco. Só um pouco. Tudo passava um pouco do normal, não era ainda a moléstia, a morte – mas era um aviso. E estava instilado o veneno. O doutor começou a ler – e de autor em autor foi aumentando as suspeitas. Quem sabe não seria uma nefrosclerose maligna? Renunciou ao uísque, renunciou aos prazeres de gourmet, renunciou às boates. Com o passar dos meses, e um ano, e outro, de renúncia em renúncia, o solteirão chibante e bom partido já não é mais que um velho – e cauteloso, e escravo da dieta e dos remédios, escravo das artérias e dos rins. E se passaram dez anos nessa agonia, em que o nosso amigo praticamente não viveu. No mês passado morreu, afinal; de um câncer de pulmão que em dois meses o levou. – Sim, um câncer, que não tinha nada com a história.”


(A árvore da ciência, por Rachel de Queiroz, com adaptações) 

Ao descrever o comportamento do personagem da sua narrativa, a autora utiliza a expressão “deslizar na ladeira das suspeitas”. Nesse caso, pode-se afirmar que a autora faz uso de uma: 
Alternativas
Q3639845 Português

Considere atentamente a crônica a seguir, escrita por Rachel de Queiroz e publicada na década de 1950, para responder à próxima questão.



“Sim, é a velha história da árvore da ciência: melhor não provar do fruto e não saber. Viva a gente, leitor, como você e eu, que só temos uma ideia vaga daquilo que nos ocorre nas entranhas e, enquanto a febre não sobe aos quarenta, a dor não pede gritos e a tontura não vira vertigem, achamos que tudo vai bem. Já os tristes doutores, que fizeram o seu reino no mundo das tripas, o seu ofício é o saber, e no saber está a tragédia. Mas é melhor contar um caso que exemplifique a tese… Não há nada como um apólogo para fazer entendida uma teoria. Era um doutor, nosso conhecido. Solteiro, ou antes solteirão, pois já fizera os 52. Boa figura, boa prosa, bem tratado – era pessoa que cuidava de si. Tinha as suas amigas, levava-as às boates. Era abastado e bem nascido – o que lhe favorecia ainda mais os êxitos profissionais e sociais. Pois um belo dia o nosso homem, ao descer do lotação, defronte do hospital, sentiu uma leve tontura. Foi coisa rápida, e com pouco já estava de uniforme, batia um papo, tomava café, iniciava a visita na enfermaria. E eis que o primeiro doente (que o detestava), antes de dizer se melhorara da falta de ar, olhou-o bem e comentou: ‘O senhor hoje está com a cara ruim, hem, doutor?’ E a enfermeira, também com ódio, ajudou: ‘Eu já tinha reparado’. Impressionado com aquela unanimidade que se seguira à tontura, o doutor, terminada a visita foi à sala dos médicos e chamou um colega mais íntimo: ‘Fulano, vem cá, me tira a pressão’. Fulano zombou, perguntou o que ele estaria planejando para a noite, mas o outro insistiu, tiraram. O paciente logo notou no amigo aquela expressão característica que os médicos pretendem ser de impenetrabilidade e não passa de uma cara muitíssimo agourenta, capaz de assustar o mais bravo. E Fulano falou, grave: ‘Meu caro, a gente vai ver de brincadeira e sempre acha qualquer coisa. Talvez seja a emoção do exame – por outro lado você já não é nenhuma criança – mas a pressão está a dezesseis’. Nada mais precisou ser dito. Nosso doutor era suficientemente médico para saber o que significava aquela pressão a dezesseis. E já que entrara a deslizar na ladeira das suspeitas, fez como certos maridos – quis saber tudo. Dosagem de ureia – e o papelinho do laboratório lhe aumentou o frio do estômago: 0,55. Colesterol? Aumentado. Densidade de urina – um pouco baixa. Sim, um pouco. Só um pouco. Tudo passava um pouco do normal, não era ainda a moléstia, a morte – mas era um aviso. E estava instilado o veneno. O doutor começou a ler – e de autor em autor foi aumentando as suspeitas. Quem sabe não seria uma nefrosclerose maligna? Renunciou ao uísque, renunciou aos prazeres de gourmet, renunciou às boates. Com o passar dos meses, e um ano, e outro, de renúncia em renúncia, o solteirão chibante e bom partido já não é mais que um velho – e cauteloso, e escravo da dieta e dos remédios, escravo das artérias e dos rins. E se passaram dez anos nessa agonia, em que o nosso amigo praticamente não viveu. No mês passado morreu, afinal; de um câncer de pulmão que em dois meses o levou. – Sim, um câncer, que não tinha nada com a história.”


(A árvore da ciência, por Rachel de Queiroz, com adaptações) 

No trecho “Renunciou ao uísque, renunciou aos prazeres de gourmet, renunciou às boates”, ao repetir-se o verbo “renunciou”, identifica-se o recurso estilístico denominado: 
Alternativas
Q3639844 Português

Considere atentamente a crônica a seguir, escrita por Rachel de Queiroz e publicada na década de 1950, para responder à próxima questão.



“Sim, é a velha história da árvore da ciência: melhor não provar do fruto e não saber. Viva a gente, leitor, como você e eu, que só temos uma ideia vaga daquilo que nos ocorre nas entranhas e, enquanto a febre não sobe aos quarenta, a dor não pede gritos e a tontura não vira vertigem, achamos que tudo vai bem. Já os tristes doutores, que fizeram o seu reino no mundo das tripas, o seu ofício é o saber, e no saber está a tragédia. Mas é melhor contar um caso que exemplifique a tese… Não há nada como um apólogo para fazer entendida uma teoria. Era um doutor, nosso conhecido. Solteiro, ou antes solteirão, pois já fizera os 52. Boa figura, boa prosa, bem tratado – era pessoa que cuidava de si. Tinha as suas amigas, levava-as às boates. Era abastado e bem nascido – o que lhe favorecia ainda mais os êxitos profissionais e sociais. Pois um belo dia o nosso homem, ao descer do lotação, defronte do hospital, sentiu uma leve tontura. Foi coisa rápida, e com pouco já estava de uniforme, batia um papo, tomava café, iniciava a visita na enfermaria. E eis que o primeiro doente (que o detestava), antes de dizer se melhorara da falta de ar, olhou-o bem e comentou: ‘O senhor hoje está com a cara ruim, hem, doutor?’ E a enfermeira, também com ódio, ajudou: ‘Eu já tinha reparado’. Impressionado com aquela unanimidade que se seguira à tontura, o doutor, terminada a visita foi à sala dos médicos e chamou um colega mais íntimo: ‘Fulano, vem cá, me tira a pressão’. Fulano zombou, perguntou o que ele estaria planejando para a noite, mas o outro insistiu, tiraram. O paciente logo notou no amigo aquela expressão característica que os médicos pretendem ser de impenetrabilidade e não passa de uma cara muitíssimo agourenta, capaz de assustar o mais bravo. E Fulano falou, grave: ‘Meu caro, a gente vai ver de brincadeira e sempre acha qualquer coisa. Talvez seja a emoção do exame – por outro lado você já não é nenhuma criança – mas a pressão está a dezesseis’. Nada mais precisou ser dito. Nosso doutor era suficientemente médico para saber o que significava aquela pressão a dezesseis. E já que entrara a deslizar na ladeira das suspeitas, fez como certos maridos – quis saber tudo. Dosagem de ureia – e o papelinho do laboratório lhe aumentou o frio do estômago: 0,55. Colesterol? Aumentado. Densidade de urina – um pouco baixa. Sim, um pouco. Só um pouco. Tudo passava um pouco do normal, não era ainda a moléstia, a morte – mas era um aviso. E estava instilado o veneno. O doutor começou a ler – e de autor em autor foi aumentando as suspeitas. Quem sabe não seria uma nefrosclerose maligna? Renunciou ao uísque, renunciou aos prazeres de gourmet, renunciou às boates. Com o passar dos meses, e um ano, e outro, de renúncia em renúncia, o solteirão chibante e bom partido já não é mais que um velho – e cauteloso, e escravo da dieta e dos remédios, escravo das artérias e dos rins. E se passaram dez anos nessa agonia, em que o nosso amigo praticamente não viveu. No mês passado morreu, afinal; de um câncer de pulmão que em dois meses o levou. – Sim, um câncer, que não tinha nada com a história.”


(A árvore da ciência, por Rachel de Queiroz, com adaptações) 

No trecho “Foi coisa rápida, e com pouco já estava de uniforme”, a expressão “com pouco” poderia ser substituída, sem prejuízo ao sentido pretendido pela autora, por: 
Alternativas
Q3639843 Português

Considere atentamente a crônica a seguir, escrita por Rachel de Queiroz e publicada na década de 1950, para responder à próxima questão.



“Sim, é a velha história da árvore da ciência: melhor não provar do fruto e não saber. Viva a gente, leitor, como você e eu, que só temos uma ideia vaga daquilo que nos ocorre nas entranhas e, enquanto a febre não sobe aos quarenta, a dor não pede gritos e a tontura não vira vertigem, achamos que tudo vai bem. Já os tristes doutores, que fizeram o seu reino no mundo das tripas, o seu ofício é o saber, e no saber está a tragédia. Mas é melhor contar um caso que exemplifique a tese… Não há nada como um apólogo para fazer entendida uma teoria. Era um doutor, nosso conhecido. Solteiro, ou antes solteirão, pois já fizera os 52. Boa figura, boa prosa, bem tratado – era pessoa que cuidava de si. Tinha as suas amigas, levava-as às boates. Era abastado e bem nascido – o que lhe favorecia ainda mais os êxitos profissionais e sociais. Pois um belo dia o nosso homem, ao descer do lotação, defronte do hospital, sentiu uma leve tontura. Foi coisa rápida, e com pouco já estava de uniforme, batia um papo, tomava café, iniciava a visita na enfermaria. E eis que o primeiro doente (que o detestava), antes de dizer se melhorara da falta de ar, olhou-o bem e comentou: ‘O senhor hoje está com a cara ruim, hem, doutor?’ E a enfermeira, também com ódio, ajudou: ‘Eu já tinha reparado’. Impressionado com aquela unanimidade que se seguira à tontura, o doutor, terminada a visita foi à sala dos médicos e chamou um colega mais íntimo: ‘Fulano, vem cá, me tira a pressão’. Fulano zombou, perguntou o que ele estaria planejando para a noite, mas o outro insistiu, tiraram. O paciente logo notou no amigo aquela expressão característica que os médicos pretendem ser de impenetrabilidade e não passa de uma cara muitíssimo agourenta, capaz de assustar o mais bravo. E Fulano falou, grave: ‘Meu caro, a gente vai ver de brincadeira e sempre acha qualquer coisa. Talvez seja a emoção do exame – por outro lado você já não é nenhuma criança – mas a pressão está a dezesseis’. Nada mais precisou ser dito. Nosso doutor era suficientemente médico para saber o que significava aquela pressão a dezesseis. E já que entrara a deslizar na ladeira das suspeitas, fez como certos maridos – quis saber tudo. Dosagem de ureia – e o papelinho do laboratório lhe aumentou o frio do estômago: 0,55. Colesterol? Aumentado. Densidade de urina – um pouco baixa. Sim, um pouco. Só um pouco. Tudo passava um pouco do normal, não era ainda a moléstia, a morte – mas era um aviso. E estava instilado o veneno. O doutor começou a ler – e de autor em autor foi aumentando as suspeitas. Quem sabe não seria uma nefrosclerose maligna? Renunciou ao uísque, renunciou aos prazeres de gourmet, renunciou às boates. Com o passar dos meses, e um ano, e outro, de renúncia em renúncia, o solteirão chibante e bom partido já não é mais que um velho – e cauteloso, e escravo da dieta e dos remédios, escravo das artérias e dos rins. E se passaram dez anos nessa agonia, em que o nosso amigo praticamente não viveu. No mês passado morreu, afinal; de um câncer de pulmão que em dois meses o levou. – Sim, um câncer, que não tinha nada com a história.”


(A árvore da ciência, por Rachel de Queiroz, com adaptações) 

No trecho “Pois um belo dia o nosso homem, ao descer do lotação”, a expressão “um belo dia” serve no texto para indicar: 
Alternativas
Q3639780 Português
O comportamento moral e ético consiste em reconhecer o outro como sujeito de direitos iguais e, dessa forma, as obrigações que temos em relação ao outro correspondem, por sua vez, a direitos. Complementando, demonstra que todos os seres humanos, independentemente de suas peculiaridades e papéis específicos na sociedade, têm determinados direitos simplesmente enquanto seres humanos.

Sobre o trecho acima podemos afirmar:
Alternativas
Q3639779 Português
Leia com atenção:

I- Em seu sentido tradicional, a cidadania expressa um conjunto de direitos e de deveres que permite aos cidadãos e cidadãs o direito de participar da vida política e da vida pública, podendo votar e serem votados, participando ativamente na elaboração das leis e do exercício de funções públicas, por exemplo.

II- Hoje o significado da cidadania assume contornos mais amplos, que extrapolam o sentido de apenas atender às necessidades políticas e sociais, e assume como objetivo a busca por condições que garantam uma vida digna às pessoas.

III- Entender a cidadania a partir da redução do ser humano às suas relações sociais e políticas é coerente com a multidimensionalidade que nos caracteriza e com a complexidade das relações que cada um e todas as pessoas estabelecem com o mundo à sua volta.

Sobre os itens acima: 
Alternativas
Q3639511 Português
Leia o texto a seguir.


Amor proibido


    Fernanda, bela, carismática, filha de uma família muito rica.

   Ele, belo, sem nome, simples, de uma família pobre. Pobre não tem nome; tem apelido.

  Conheceram-se na praça. Apaixonaram-se na praça.     

    Começaram a escrever uma história de amor. Todavia, foram vistos pelo irmão dela e, este ao contar para os pais, aquela história foi dada como ponto final. Para os dois, fez-se em reticências............

   Reticências estas que denunciaram, em fuga, a continuação daquela história de amor.


Fabiana e Otávio – Alunos do Ensino Médio de uma escola pública
Ao omitir o nome do amado de Fernanda e afirmar que “Pobre não tem nome; tem apelido.” Os autores deixam subentendido, como um dos temas a serem inferidos:
Alternativas
Q3639465 Português
“O trabalho infantil acarreta prejuízos que interferem no crescimento e desenvolvimento físico, psíquico e cognitivo de crianças e adolescentes”.
Na frase acima, a palavra em destaque poderia ser substituída, sem prejuízo de sentido, por: 
Alternativas
Q3639464 Português
O cenário mudou rapidamente em poucos dias. Passouse de uma situação em que se observava como os casos na China pareciam ser contidos e como no resto do mundo as infecções eram muito escassas a outra com surtos descontrolados na Itália, na Coreia do Norte e no Irã. Ghebreyesus ressaltou que os surtos podem ser contidos e que o cenário continua sendo de epidemia, tanto pelo número de casos como de mortes fora da China. Ao mesmo tempo, no entanto, pediu que os países e comunidades se preparem para a propagação do coronavírus. “Não é uma questão de branco ou preto, de sim ou não. Cada país tem que elaborar seu próprio plano de contenção de riscos. As prioridades são a proteção dos profissionais de saúde, a mobilização das comunidades para ter um cuidado especial com os idosos e com as patologias [elas as quais houve mais de 80% das mortes até agora] e a proteção dos países mais vulneráveis, contendo a epidemia nos que podem fazê-lo”.

[“OMS pede ao mundo que se prepare para uma “potencial pandemia” por coronavírus”, no El País, 24/2/2020]
A palavra escassas é sinônimo de:
Alternativas
Q3639463 Português
O cenário mudou rapidamente em poucos dias. Passouse de uma situação em que se observava como os casos na China pareciam ser contidos e como no resto do mundo as infecções eram muito escassas a outra com surtos descontrolados na Itália, na Coreia do Norte e no Irã. Ghebreyesus ressaltou que os surtos podem ser contidos e que o cenário continua sendo de epidemia, tanto pelo número de casos como de mortes fora da China. Ao mesmo tempo, no entanto, pediu que os países e comunidades se preparem para a propagação do coronavírus. “Não é uma questão de branco ou preto, de sim ou não. Cada país tem que elaborar seu próprio plano de contenção de riscos. As prioridades são a proteção dos profissionais de saúde, a mobilização das comunidades para ter um cuidado especial com os idosos e com as patologias [elas as quais houve mais de 80% das mortes até agora] e a proteção dos países mais vulneráveis, contendo a epidemia nos que podem fazê-lo”.

[“OMS pede ao mundo que se prepare para uma “potencial pandemia” por coronavírus”, no El País, 24/2/2020]
A partir da leitura do texto pode-se afirmar que:
Alternativas
Q3639422 Português
Qual palavra, se trocada pela palavra destacada, manteria o sentido da frase “você pensa que é moleza a vida que eu levo”?
Alternativas
Q3639346 Português

TEXTO I



    Lembro de todo mundo que conheci. Só não sei de onde. Nem faço ideia do nome. É grave. [...] Seria de pensar que me recordo de pessoas especiais. Não é uma memória seletiva. Esqueço velhos amigos do peito, amores ... e me lembro de alguém com quem falei uma ou duas vezes! Pior: chego a pensar que conheço pessoas totalmente estranhas. Já passei por cada situação!

    — Oi, tudo bem?

    O outro se espanta. Franze o cenho, acha que a gafe é dele.

    — É... E Como vai?

    — Vou indo... E você?

    Acabamos nos despedindo como velhos amigos, sem a menor ideia de quem seja quem!



(CARRASCO, Walcyr. Ah, que memória! Veja SP, p. 218. In: Veja, São Paulo: Abril, ano 38, n.47, 23 nov. 2005. Fragmento.)

Considere a expressão: “Já passei por cada situação!”. Nessa oração, o autor empregou como recurso estilístico na construção da mensagem as seguintes figuras de linguagem:
Alternativas
Q3639340 Português

TEXTO I



    Lembro de todo mundo que conheci. Só não sei de onde. Nem faço ideia do nome. É grave. [...] Seria de pensar que me recordo de pessoas especiais. Não é uma memória seletiva. Esqueço velhos amigos do peito, amores ... e me lembro de alguém com quem falei uma ou duas vezes! Pior: chego a pensar que conheço pessoas totalmente estranhas. Já passei por cada situação!

    — Oi, tudo bem?

    O outro se espanta. Franze o cenho, acha que a gafe é dele.

    — É... E Como vai?

    — Vou indo... E você?

    Acabamos nos despedindo como velhos amigos, sem a menor ideia de quem seja quem!



(CARRASCO, Walcyr. Ah, que memória! Veja SP, p. 218. In: Veja, São Paulo: Abril, ano 38, n.47, 23 nov. 2005. Fragmento.)

O texto em análise, do ponto de vista de gênero textual é um relato de memória. Marque a alternativa que apresenta as tipologias de base empregadas na construção desse texto:
Alternativas
Q3639338 Português

TEXTO I



    Lembro de todo mundo que conheci. Só não sei de onde. Nem faço ideia do nome. É grave. [...] Seria de pensar que me recordo de pessoas especiais. Não é uma memória seletiva. Esqueço velhos amigos do peito, amores ... e me lembro de alguém com quem falei uma ou duas vezes! Pior: chego a pensar que conheço pessoas totalmente estranhas. Já passei por cada situação!

    — Oi, tudo bem?

    O outro se espanta. Franze o cenho, acha que a gafe é dele.

    — É... E Como vai?

    — Vou indo... E você?

    Acabamos nos despedindo como velhos amigos, sem a menor ideia de quem seja quem!



(CARRASCO, Walcyr. Ah, que memória! Veja SP, p. 218. In: Veja, São Paulo: Abril, ano 38, n.47, 23 nov. 2005. Fragmento.)

Observe o fragmento: “Franze o cenho, acha que a gafe é dele”. Os vocábulos “cenho” e “gafe” podem ser substituídos, sem prejuízo de sentido pelas seguintes palavras:
Alternativas
Respostas
30541: B
30542: A
30543: A
30544: B
30545: B
30546: C
30547: C
30548: A
30549: A
30550: B
30551: C
30552: B
30553: C
30554: C
30555: C
30556: B
30557: B
30558: A
30559: C
30560: B