Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

Questões Discursivas

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Q2440173 Português
[Questão inédita] Empreende-se um programa de investimentos em infraestrutura para oferecer as condições materiais necessárias ao processo de transformação do território nacional em um espaço da economia global. Nessa configuração territorial, destacam-se hoje pontos de concentração de tecnologias de ponta. E o caso da chamada agricultura de precisão. Nos pomares paulistas, começou a ser utilizada uma máquina, de origem norte-americana, capaz de colher cem pés de laranja por hora, sob o controle de computadores.

SANTOS, M.; SILVEIRA, M. L. O Brasil: território e sociedade no início do séc. XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001.



Qual a consequência socioambiental, no Brasil, da implementação da tecnologia exemplificada no texto? 
Alternativas
Q2440161 Português
[Questão inédita] Os Yanomami constituem uma sociedade indígena do norte da Amazônia e formam um amplo conjunto linguístico e cultural. Para os Yanomami, urihi, a “terra-floresta”, não é um mero cenário inerte, objeto de exploração econômica, e sim uma entidade viva, animada por uma dinâmica de trocas entre os diversos seres que a povoam. A floresta possui um sopro vital, wixia, que é muito longo. Se não a desmatarmos, ela não morrerá. Ela não se decompõe, isto é, não se desfaz. É graças ao seu sopro úmido que as plantas crescem. A floresta não está morta, pois, se fosse assim, as florestas não teriam folhas. Tampouco se veria água. Segundo os Yanomami, se os brancos os fizerem desaparecer para desmatá-la e morar no seu lugar, ficarão pobres e acabarão tendo fome e sede.

ALBERT, B. Yanomami, o espírito da floresta. Almanaque Brasil Socioambiental. São Paulo: ISA, 2007 (Adaptação).


De acordo com o texto, os Yanomami acreditam que:
Alternativas
Q2440130 Português
        O IBGE, sigla para Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é um instituto público, federal, criado por meio de um decreto na década de 1930 e atualmente vinculado ao Ministério da Economia do Brasil. A criação do instituto teve como principal objetivo a centralização do levantamento, análise e fornecimento de dados a respeito do território brasileiro e da população do país."

       O IBGE tem como função a produção, análise e divulgação de informações sobre o território brasileiro em todas as suas escalas (nacional, regional, estadual e municipal) e também sobre a população que nele vive. Essas informações possuem diversas naturezas: estatística, socioeconômica, geodésica, geográfica, cartográfica e ambiental, conforme explica o próprio IBGE.

     Quanto às funções específicas desse órgão, elas compreendem a produção e análise de informações estatísticas, geográficas e ambientais; coordenação e consolidação das informações estatísticas e geográficas; implementação e estruturação de um sistema de informações ambientais; coordenação de sistemas estatísticos e cartográficos de escala nacional; documentação e divulgação dessas informações.

     O IBGE é responsável por uma série de levantamentos de dados populacionais, sociais, econômicos e ambientais. O principal deles é o Censo Demográfico, que acontece com uma frequência de dez anos e mapeia de forma integral o território nacional, sendo responsável por dimensionar e caracterizar a população brasileira.  Além do Censo Demográfico, destaca-se a realização da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua, mais conhecida como Pnad Contínua. Feita a cada três meses, essa pesquisa tem como objetivo acompanhar a evolução de indicadores do mercado de trabalho e também socioeconômicos. A Pnad Contínua existe desde 2011 e, por cinco anos, coexistiu com a Pnad.

A Pnad foi realizada anualmente entre 1967 e 2015, tendo sido definitivamente substituída pela Pnad Contínua em 2016. Pode-se dizer que a Pnad era um levantamento complementar ao Censo Demográfico e utilizada em comparação a ele, uma vez que coletava dados atualizados e em um intervalo de tempo muito menor de uma amostra da população brasileira. Entre esses dados estavam características gerais, trabalho, renda média, escolaridade e outros aspectos socioeconômicos."

    O IBGE realiza o levantamento de informações que nos permitem caracterizar o país e a população brasileira, o que é fundamental para o planejamento e para a gestão pública dos municípios, estados, regiões e do território nacional como um todo.

Assim, o IBGE é importante porque é o órgão que centraliza, analisa e torna públicos esses dados, disponibilizando-os para gestores, pesquisadores, estudantes, empresários e todos os demais membros da sociedade civil interessados em conhecer com detalhes o país em que vivemos.

         O banco de dados criado pelo IBGE viabiliza a realização de pesquisas e estudos científicos de diversas áreas do conhecimento e fornece uma base cartográfica ampla e detalhada importante no meio acadêmico-científico e na gestão em todas as suas escalas territoriais. Além da sociedade civil, esse banco de dados alimenta órgãos e instituições públicas e entes privados, como as empresas e investidores em potencial.

         Indicadores como o IPCA e o INPC, pelos quais o IBGE é responsável, são importantes para o cálculo da inflação. Já outros indicadores socioeconômicos são essenciais para a governança do território nacional, utilizados para a elaboração e no direcionamento de políticas públicas e estratégias de desenvolvimento para determinadas localidades ou parcelas específicas da população brasileira, cuja necessidade é identificada, justamente, por meio das informações levantadas pelo IBGE.


https://brasilescola.uol.com.br/geografia
[Questão inédita] Marque a alternativa que apresenta expressão do texto de sentido figurado:
Alternativas
Q2440121 Português
        O IBGE, sigla para Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é um instituto público, federal, criado por meio de um decreto na década de 1930 e atualmente vinculado ao Ministério da Economia do Brasil. A criação do instituto teve como principal objetivo a centralização do levantamento, análise e fornecimento de dados a respeito do território brasileiro e da população do país."

       O IBGE tem como função a produção, análise e divulgação de informações sobre o território brasileiro em todas as suas escalas (nacional, regional, estadual e municipal) e também sobre a população que nele vive. Essas informações possuem diversas naturezas: estatística, socioeconômica, geodésica, geográfica, cartográfica e ambiental, conforme explica o próprio IBGE.

     Quanto às funções específicas desse órgão, elas compreendem a produção e análise de informações estatísticas, geográficas e ambientais; coordenação e consolidação das informações estatísticas e geográficas; implementação e estruturação de um sistema de informações ambientais; coordenação de sistemas estatísticos e cartográficos de escala nacional; documentação e divulgação dessas informações.

     O IBGE é responsável por uma série de levantamentos de dados populacionais, sociais, econômicos e ambientais. O principal deles é o Censo Demográfico, que acontece com uma frequência de dez anos e mapeia de forma integral o território nacional, sendo responsável por dimensionar e caracterizar a população brasileira.  Além do Censo Demográfico, destaca-se a realização da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua, mais conhecida como Pnad Contínua. Feita a cada três meses, essa pesquisa tem como objetivo acompanhar a evolução de indicadores do mercado de trabalho e também socioeconômicos. A Pnad Contínua existe desde 2011 e, por cinco anos, coexistiu com a Pnad.

A Pnad foi realizada anualmente entre 1967 e 2015, tendo sido definitivamente substituída pela Pnad Contínua em 2016. Pode-se dizer que a Pnad era um levantamento complementar ao Censo Demográfico e utilizada em comparação a ele, uma vez que coletava dados atualizados e em um intervalo de tempo muito menor de uma amostra da população brasileira. Entre esses dados estavam características gerais, trabalho, renda média, escolaridade e outros aspectos socioeconômicos."

    O IBGE realiza o levantamento de informações que nos permitem caracterizar o país e a população brasileira, o que é fundamental para o planejamento e para a gestão pública dos municípios, estados, regiões e do território nacional como um todo.

Assim, o IBGE é importante porque é o órgão que centraliza, analisa e torna públicos esses dados, disponibilizando-os para gestores, pesquisadores, estudantes, empresários e todos os demais membros da sociedade civil interessados em conhecer com detalhes o país em que vivemos.

         O banco de dados criado pelo IBGE viabiliza a realização de pesquisas e estudos científicos de diversas áreas do conhecimento e fornece uma base cartográfica ampla e detalhada importante no meio acadêmico-científico e na gestão em todas as suas escalas territoriais. Além da sociedade civil, esse banco de dados alimenta órgãos e instituições públicas e entes privados, como as empresas e investidores em potencial.

         Indicadores como o IPCA e o INPC, pelos quais o IBGE é responsável, são importantes para o cálculo da inflação. Já outros indicadores socioeconômicos são essenciais para a governança do território nacional, utilizados para a elaboração e no direcionamento de políticas públicas e estratégias de desenvolvimento para determinadas localidades ou parcelas específicas da população brasileira, cuja necessidade é identificada, justamente, por meio das informações levantadas pelo IBGE.


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[Questão inédita] No contexto do texto, o termo "demográfico" relaciona-se ao estudo de:
Alternativas
Q2440119 Português
        O IBGE, sigla para Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é um instituto público, federal, criado por meio de um decreto na década de 1930 e atualmente vinculado ao Ministério da Economia do Brasil. A criação do instituto teve como principal objetivo a centralização do levantamento, análise e fornecimento de dados a respeito do território brasileiro e da população do país."

       O IBGE tem como função a produção, análise e divulgação de informações sobre o território brasileiro em todas as suas escalas (nacional, regional, estadual e municipal) e também sobre a população que nele vive. Essas informações possuem diversas naturezas: estatística, socioeconômica, geodésica, geográfica, cartográfica e ambiental, conforme explica o próprio IBGE.

     Quanto às funções específicas desse órgão, elas compreendem a produção e análise de informações estatísticas, geográficas e ambientais; coordenação e consolidação das informações estatísticas e geográficas; implementação e estruturação de um sistema de informações ambientais; coordenação de sistemas estatísticos e cartográficos de escala nacional; documentação e divulgação dessas informações.

     O IBGE é responsável por uma série de levantamentos de dados populacionais, sociais, econômicos e ambientais. O principal deles é o Censo Demográfico, que acontece com uma frequência de dez anos e mapeia de forma integral o território nacional, sendo responsável por dimensionar e caracterizar a população brasileira.  Além do Censo Demográfico, destaca-se a realização da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua, mais conhecida como Pnad Contínua. Feita a cada três meses, essa pesquisa tem como objetivo acompanhar a evolução de indicadores do mercado de trabalho e também socioeconômicos. A Pnad Contínua existe desde 2011 e, por cinco anos, coexistiu com a Pnad.

A Pnad foi realizada anualmente entre 1967 e 2015, tendo sido definitivamente substituída pela Pnad Contínua em 2016. Pode-se dizer que a Pnad era um levantamento complementar ao Censo Demográfico e utilizada em comparação a ele, uma vez que coletava dados atualizados e em um intervalo de tempo muito menor de uma amostra da população brasileira. Entre esses dados estavam características gerais, trabalho, renda média, escolaridade e outros aspectos socioeconômicos."

    O IBGE realiza o levantamento de informações que nos permitem caracterizar o país e a população brasileira, o que é fundamental para o planejamento e para a gestão pública dos municípios, estados, regiões e do território nacional como um todo.

Assim, o IBGE é importante porque é o órgão que centraliza, analisa e torna públicos esses dados, disponibilizando-os para gestores, pesquisadores, estudantes, empresários e todos os demais membros da sociedade civil interessados em conhecer com detalhes o país em que vivemos.

         O banco de dados criado pelo IBGE viabiliza a realização de pesquisas e estudos científicos de diversas áreas do conhecimento e fornece uma base cartográfica ampla e detalhada importante no meio acadêmico-científico e na gestão em todas as suas escalas territoriais. Além da sociedade civil, esse banco de dados alimenta órgãos e instituições públicas e entes privados, como as empresas e investidores em potencial.

         Indicadores como o IPCA e o INPC, pelos quais o IBGE é responsável, são importantes para o cálculo da inflação. Já outros indicadores socioeconômicos são essenciais para a governança do território nacional, utilizados para a elaboração e no direcionamento de políticas públicas e estratégias de desenvolvimento para determinadas localidades ou parcelas específicas da população brasileira, cuja necessidade é identificada, justamente, por meio das informações levantadas pelo IBGE.


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[Questão inédita] Segundo o texto, o banco de dados do IBGE é importante porque: 
Alternativas
Q2440117 Português
        O IBGE, sigla para Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é um instituto público, federal, criado por meio de um decreto na década de 1930 e atualmente vinculado ao Ministério da Economia do Brasil. A criação do instituto teve como principal objetivo a centralização do levantamento, análise e fornecimento de dados a respeito do território brasileiro e da população do país."

       O IBGE tem como função a produção, análise e divulgação de informações sobre o território brasileiro em todas as suas escalas (nacional, regional, estadual e municipal) e também sobre a população que nele vive. Essas informações possuem diversas naturezas: estatística, socioeconômica, geodésica, geográfica, cartográfica e ambiental, conforme explica o próprio IBGE.

     Quanto às funções específicas desse órgão, elas compreendem a produção e análise de informações estatísticas, geográficas e ambientais; coordenação e consolidação das informações estatísticas e geográficas; implementação e estruturação de um sistema de informações ambientais; coordenação de sistemas estatísticos e cartográficos de escala nacional; documentação e divulgação dessas informações.

     O IBGE é responsável por uma série de levantamentos de dados populacionais, sociais, econômicos e ambientais. O principal deles é o Censo Demográfico, que acontece com uma frequência de dez anos e mapeia de forma integral o território nacional, sendo responsável por dimensionar e caracterizar a população brasileira.  Além do Censo Demográfico, destaca-se a realização da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua, mais conhecida como Pnad Contínua. Feita a cada três meses, essa pesquisa tem como objetivo acompanhar a evolução de indicadores do mercado de trabalho e também socioeconômicos. A Pnad Contínua existe desde 2011 e, por cinco anos, coexistiu com a Pnad.

A Pnad foi realizada anualmente entre 1967 e 2015, tendo sido definitivamente substituída pela Pnad Contínua em 2016. Pode-se dizer que a Pnad era um levantamento complementar ao Censo Demográfico e utilizada em comparação a ele, uma vez que coletava dados atualizados e em um intervalo de tempo muito menor de uma amostra da população brasileira. Entre esses dados estavam características gerais, trabalho, renda média, escolaridade e outros aspectos socioeconômicos."

    O IBGE realiza o levantamento de informações que nos permitem caracterizar o país e a população brasileira, o que é fundamental para o planejamento e para a gestão pública dos municípios, estados, regiões e do território nacional como um todo.

Assim, o IBGE é importante porque é o órgão que centraliza, analisa e torna públicos esses dados, disponibilizando-os para gestores, pesquisadores, estudantes, empresários e todos os demais membros da sociedade civil interessados em conhecer com detalhes o país em que vivemos.

         O banco de dados criado pelo IBGE viabiliza a realização de pesquisas e estudos científicos de diversas áreas do conhecimento e fornece uma base cartográfica ampla e detalhada importante no meio acadêmico-científico e na gestão em todas as suas escalas territoriais. Além da sociedade civil, esse banco de dados alimenta órgãos e instituições públicas e entes privados, como as empresas e investidores em potencial.

         Indicadores como o IPCA e o INPC, pelos quais o IBGE é responsável, são importantes para o cálculo da inflação. Já outros indicadores socioeconômicos são essenciais para a governança do território nacional, utilizados para a elaboração e no direcionamento de políticas públicas e estratégias de desenvolvimento para determinadas localidades ou parcelas específicas da população brasileira, cuja necessidade é identificada, justamente, por meio das informações levantadas pelo IBGE.


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[Questão inédita] A Pnad Contínua difere da Pnad por ser uma pesquisa:
Alternativas
Q2439849 Português
UMA REFLEXÃO SOBRE A DEMOCRACIA



                Ano de 1947, Inglaterra, Câmara dos Comuns. Winston Churchill teria dito uma frase assim: a democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as demais formas que têm sido experimentadas ao longo da história.

                  Deixando de lado, por um instante, o caráter frasista de Churchill, "como aferir a democracia?" é a pergunta que não quer calar. A experiência grega, que nos legou a palavra “democracia”, gerou efeitos no debate. Resta, então, tentar refleti-la estatisticamente, assunto levado para o campo da quantificação, uma espécie de linha que separa países “democráticos” de “não democráticos”.

                O cientista político Luís Felipe Miguel, da Universidade de Brasília (UnB), tratou logo de nos esclarecer a respeito do assunto. É que “um índice é um construto”. E, no caso da democracia, trata-se de uma instituição dificílima de demarcar. Por quê? Porque a produção de um índice, nessa seara, “visa apreender uma realidade complexa”, o que “exige uma série de decisões”, sendo a primeira delas, a preocupação de transformar a liberdade de expressão em números. Daí as consideráveis dificuldades: o direito de voto e liberdade de expressão têm o mesmo impacto na produção de uma democracia? Qual vale o dobro?

                  Feita essa rápida introdução, a fim de verificar que avaliar a democracia não é como colocar um termômetro e medir a temperatura, convém perquirir um índice de democracia que circulou amplamente pelos principais jornais ao longo do corrente ano. É que democracias do mundo, nos últimos dez anos, vivenciaram considerável queda de qualidade, sendo que a parcela de insatisfeitos atingiu o pico em 2020, divisa extrema da “recessão democrática”.

              O relatório de satisfação global com a democracia 2020, elaborado pelo Instituto Bennett de Políticas Públicas da Universidade de Cambridge, apontou quais foram os países que mais caíram no índice de democracia.

O levantamento revelou que 92 países atualmente têm regimes autoritários, contra 87 democráticos, sendo que os cinco mais autoritários foram Eritreia, Coreia do Norte, Arábia Saudita, Iêmen e Síria. Os que apareceram como mais democráticos foram Dinamarca, Estônia, Suécia, Suíça e Noruega. E o Brasil? Bem, o Brasil foi o quinto país que mais caiu no ranking na última década. (Fonte: Democracy Report 2020 e Folha S.Paulo)

                 Mas quais os critérios desse relatório de satisfação com a democracia? De maneira geral, os eixos levantados foram a liberdade de expressão e de imprensa, que representam uma das faces do tema. Alguém poderá perguntar: mas a eleição, não é parte essencial da democracia? Sim, mas na interpretação da cientista política alemã Anna Lührmann, em entrevista para o jornal Folha de S. Paulo, acabar com as eleições instantaneamente é um movimento que gera resistência, então “os governos primeiro atacam a mídia”, de modo a enfraquecer a resistência. Essa é a “rota mais comum que os governos têm tomado em direção ao autoritarismo”, diz a pesquisadora.

                E, coincidentemente ou não, quatro meses após a conclusão da mencionada pesquisa da Universidade de Cambridge, um relatório da ONG “Repórteres sem Fronteiras”, apontou que o Brasil teve a segunda queda seguida em ranking de liberdade de imprensa, ocupando a posição 107 da lista de 180 Estados.

             É evidente que há grande esforço para demarcar o assunto, tanto da equipe ligada à Universidade de Cambridge, quanto da equipe ligada à ONG “Repórteres sem Fronteiras”. As informações dos grupos de trabalho são muito interessantes e mais ajudam no debate do que o contrário.

           Diante de tais angulações, alguns comentários adicionais: é evidente que não é nada simples comentar sobre as singularidades da democracia em curto espaço. Até porque, o assunto requer a compreensão de alguns contextos, sendo impossível dar um salto do ideal de liberdade da Grécia antiga, com o “povo” tomando decisões, passando por parâmetros de realidade sócio-política exibidos no clássico A Democracia na América, de Alexis de Tocqueville.

              Assim, dentro do que é possível sintetizar, vê-se que a democracia é um regime de instituições. E isto nega um regime de pessoas isoladas. Ora, apostar num discurso de salvação da pátria, com lastro na figura pessoal de um presidente da República, como muitos imaginam, trata-se de reduzir consideravelmente a riqueza do debate.

            Isso já evidencia que outros tantos componentes de um índice podem ser apresentados para reflexão dentro desse campo temático, que separa países “democráticos” de “não democráticos”, a exemplo de que nas democracias a maioria tem que se preocupar com as minorias ou que, apesar do voto carregar uma mensagem, a democracia não se esgota apenas na operação da eleição.

            Para além disso é necessário ainda refletir a democracia pelo cumprimento de direitos fundamentais, o que passa pela defesa das garantias processuais e pelas “liberdades cívicas” (liberdade de expressão, de Página 4 de 9 consciência, de reunião, entre outros). É que, como diz Lenio Streck, se há um ataque aos direitos e garantias fundamentais, “o Direito é a primeira vítima, a segunda é a democracia”.

          Mais: a democracia requer responsabilidade, o que pressupõe que um presidente da República, mesmo que eleito pelo voto do povo, não pode tudo. E daí caberia mais desdobramentos, a exemplo de que a cidadania é o sustentáculo da democracia, porque se trata de um sistema exercível por todos.

            Vê-se que não é tarefa fácil falar sobre democracia. Trata-se de um tema que requer cuidado redobrado, especialmente quando há argumentos do tipo “as instituições estão funcionando”, porque o maior perigo de uma democracia é achar que não há perigo. Tal significa dizer que é preciso ligar um alerta com as chamadas “armadilhas da confiança”, como nos lembra o professor David Runciman, da Universidade de Cambridge.

              Há, de fato, um ponto de autenticidade na frase do político britânico Churchill, de que a democracia é o único regime aceitável ou o melhor dos piores regimes de governo. Ele faz, como resta claro, o elogio da democracia. O que nos preocupa é saber se as atuais democracias podem ser chamadas de democracias.



(Autor: André Del Negri. Publicado em 13/06/2020. Site Consultor Jurídico. Disponível em https://www.conjur.com.br/2020-jun-13/diario-classe-reflexao-democracia/).
É que “um índice é um construto”. Pela leitura do texto, a palavra destaca teria a melhor definição descrita em qual das alternativas abaixo:
Alternativas
Q2439848 Português
UMA REFLEXÃO SOBRE A DEMOCRACIA



                Ano de 1947, Inglaterra, Câmara dos Comuns. Winston Churchill teria dito uma frase assim: a democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as demais formas que têm sido experimentadas ao longo da história.

                  Deixando de lado, por um instante, o caráter frasista de Churchill, "como aferir a democracia?" é a pergunta que não quer calar. A experiência grega, que nos legou a palavra “democracia”, gerou efeitos no debate. Resta, então, tentar refleti-la estatisticamente, assunto levado para o campo da quantificação, uma espécie de linha que separa países “democráticos” de “não democráticos”.

                O cientista político Luís Felipe Miguel, da Universidade de Brasília (UnB), tratou logo de nos esclarecer a respeito do assunto. É que “um índice é um construto”. E, no caso da democracia, trata-se de uma instituição dificílima de demarcar. Por quê? Porque a produção de um índice, nessa seara, “visa apreender uma realidade complexa”, o que “exige uma série de decisões”, sendo a primeira delas, a preocupação de transformar a liberdade de expressão em números. Daí as consideráveis dificuldades: o direito de voto e liberdade de expressão têm o mesmo impacto na produção de uma democracia? Qual vale o dobro?

                  Feita essa rápida introdução, a fim de verificar que avaliar a democracia não é como colocar um termômetro e medir a temperatura, convém perquirir um índice de democracia que circulou amplamente pelos principais jornais ao longo do corrente ano. É que democracias do mundo, nos últimos dez anos, vivenciaram considerável queda de qualidade, sendo que a parcela de insatisfeitos atingiu o pico em 2020, divisa extrema da “recessão democrática”.

              O relatório de satisfação global com a democracia 2020, elaborado pelo Instituto Bennett de Políticas Públicas da Universidade de Cambridge, apontou quais foram os países que mais caíram no índice de democracia.

O levantamento revelou que 92 países atualmente têm regimes autoritários, contra 87 democráticos, sendo que os cinco mais autoritários foram Eritreia, Coreia do Norte, Arábia Saudita, Iêmen e Síria. Os que apareceram como mais democráticos foram Dinamarca, Estônia, Suécia, Suíça e Noruega. E o Brasil? Bem, o Brasil foi o quinto país que mais caiu no ranking na última década. (Fonte: Democracy Report 2020 e Folha S.Paulo)

                 Mas quais os critérios desse relatório de satisfação com a democracia? De maneira geral, os eixos levantados foram a liberdade de expressão e de imprensa, que representam uma das faces do tema. Alguém poderá perguntar: mas a eleição, não é parte essencial da democracia? Sim, mas na interpretação da cientista política alemã Anna Lührmann, em entrevista para o jornal Folha de S. Paulo, acabar com as eleições instantaneamente é um movimento que gera resistência, então “os governos primeiro atacam a mídia”, de modo a enfraquecer a resistência. Essa é a “rota mais comum que os governos têm tomado em direção ao autoritarismo”, diz a pesquisadora.

                E, coincidentemente ou não, quatro meses após a conclusão da mencionada pesquisa da Universidade de Cambridge, um relatório da ONG “Repórteres sem Fronteiras”, apontou que o Brasil teve a segunda queda seguida em ranking de liberdade de imprensa, ocupando a posição 107 da lista de 180 Estados.

             É evidente que há grande esforço para demarcar o assunto, tanto da equipe ligada à Universidade de Cambridge, quanto da equipe ligada à ONG “Repórteres sem Fronteiras”. As informações dos grupos de trabalho são muito interessantes e mais ajudam no debate do que o contrário.

           Diante de tais angulações, alguns comentários adicionais: é evidente que não é nada simples comentar sobre as singularidades da democracia em curto espaço. Até porque, o assunto requer a compreensão de alguns contextos, sendo impossível dar um salto do ideal de liberdade da Grécia antiga, com o “povo” tomando decisões, passando por parâmetros de realidade sócio-política exibidos no clássico A Democracia na América, de Alexis de Tocqueville.

              Assim, dentro do que é possível sintetizar, vê-se que a democracia é um regime de instituições. E isto nega um regime de pessoas isoladas. Ora, apostar num discurso de salvação da pátria, com lastro na figura pessoal de um presidente da República, como muitos imaginam, trata-se de reduzir consideravelmente a riqueza do debate.

            Isso já evidencia que outros tantos componentes de um índice podem ser apresentados para reflexão dentro desse campo temático, que separa países “democráticos” de “não democráticos”, a exemplo de que nas democracias a maioria tem que se preocupar com as minorias ou que, apesar do voto carregar uma mensagem, a democracia não se esgota apenas na operação da eleição.

            Para além disso é necessário ainda refletir a democracia pelo cumprimento de direitos fundamentais, o que passa pela defesa das garantias processuais e pelas “liberdades cívicas” (liberdade de expressão, de Página 4 de 9 consciência, de reunião, entre outros). É que, como diz Lenio Streck, se há um ataque aos direitos e garantias fundamentais, “o Direito é a primeira vítima, a segunda é a democracia”.

          Mais: a democracia requer responsabilidade, o que pressupõe que um presidente da República, mesmo que eleito pelo voto do povo, não pode tudo. E daí caberia mais desdobramentos, a exemplo de que a cidadania é o sustentáculo da democracia, porque se trata de um sistema exercível por todos.

            Vê-se que não é tarefa fácil falar sobre democracia. Trata-se de um tema que requer cuidado redobrado, especialmente quando há argumentos do tipo “as instituições estão funcionando”, porque o maior perigo de uma democracia é achar que não há perigo. Tal significa dizer que é preciso ligar um alerta com as chamadas “armadilhas da confiança”, como nos lembra o professor David Runciman, da Universidade de Cambridge.

              Há, de fato, um ponto de autenticidade na frase do político britânico Churchill, de que a democracia é o único regime aceitável ou o melhor dos piores regimes de governo. Ele faz, como resta claro, o elogio da democracia. O que nos preocupa é saber se as atuais democracias podem ser chamadas de democracias.



(Autor: André Del Negri. Publicado em 13/06/2020. Site Consultor Jurídico. Disponível em https://www.conjur.com.br/2020-jun-13/diario-classe-reflexao-democracia/).
Nas ideias defendidas no texto, podemos dizer corretamente que as eleições:
Alternativas
Q2439847 Português
UMA REFLEXÃO SOBRE A DEMOCRACIA



                Ano de 1947, Inglaterra, Câmara dos Comuns. Winston Churchill teria dito uma frase assim: a democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as demais formas que têm sido experimentadas ao longo da história.

                  Deixando de lado, por um instante, o caráter frasista de Churchill, "como aferir a democracia?" é a pergunta que não quer calar. A experiência grega, que nos legou a palavra “democracia”, gerou efeitos no debate. Resta, então, tentar refleti-la estatisticamente, assunto levado para o campo da quantificação, uma espécie de linha que separa países “democráticos” de “não democráticos”.

                O cientista político Luís Felipe Miguel, da Universidade de Brasília (UnB), tratou logo de nos esclarecer a respeito do assunto. É que “um índice é um construto”. E, no caso da democracia, trata-se de uma instituição dificílima de demarcar. Por quê? Porque a produção de um índice, nessa seara, “visa apreender uma realidade complexa”, o que “exige uma série de decisões”, sendo a primeira delas, a preocupação de transformar a liberdade de expressão em números. Daí as consideráveis dificuldades: o direito de voto e liberdade de expressão têm o mesmo impacto na produção de uma democracia? Qual vale o dobro?

                  Feita essa rápida introdução, a fim de verificar que avaliar a democracia não é como colocar um termômetro e medir a temperatura, convém perquirir um índice de democracia que circulou amplamente pelos principais jornais ao longo do corrente ano. É que democracias do mundo, nos últimos dez anos, vivenciaram considerável queda de qualidade, sendo que a parcela de insatisfeitos atingiu o pico em 2020, divisa extrema da “recessão democrática”.

              O relatório de satisfação global com a democracia 2020, elaborado pelo Instituto Bennett de Políticas Públicas da Universidade de Cambridge, apontou quais foram os países que mais caíram no índice de democracia.

O levantamento revelou que 92 países atualmente têm regimes autoritários, contra 87 democráticos, sendo que os cinco mais autoritários foram Eritreia, Coreia do Norte, Arábia Saudita, Iêmen e Síria. Os que apareceram como mais democráticos foram Dinamarca, Estônia, Suécia, Suíça e Noruega. E o Brasil? Bem, o Brasil foi o quinto país que mais caiu no ranking na última década. (Fonte: Democracy Report 2020 e Folha S.Paulo)

                 Mas quais os critérios desse relatório de satisfação com a democracia? De maneira geral, os eixos levantados foram a liberdade de expressão e de imprensa, que representam uma das faces do tema. Alguém poderá perguntar: mas a eleição, não é parte essencial da democracia? Sim, mas na interpretação da cientista política alemã Anna Lührmann, em entrevista para o jornal Folha de S. Paulo, acabar com as eleições instantaneamente é um movimento que gera resistência, então “os governos primeiro atacam a mídia”, de modo a enfraquecer a resistência. Essa é a “rota mais comum que os governos têm tomado em direção ao autoritarismo”, diz a pesquisadora.

                E, coincidentemente ou não, quatro meses após a conclusão da mencionada pesquisa da Universidade de Cambridge, um relatório da ONG “Repórteres sem Fronteiras”, apontou que o Brasil teve a segunda queda seguida em ranking de liberdade de imprensa, ocupando a posição 107 da lista de 180 Estados.

             É evidente que há grande esforço para demarcar o assunto, tanto da equipe ligada à Universidade de Cambridge, quanto da equipe ligada à ONG “Repórteres sem Fronteiras”. As informações dos grupos de trabalho são muito interessantes e mais ajudam no debate do que o contrário.

           Diante de tais angulações, alguns comentários adicionais: é evidente que não é nada simples comentar sobre as singularidades da democracia em curto espaço. Até porque, o assunto requer a compreensão de alguns contextos, sendo impossível dar um salto do ideal de liberdade da Grécia antiga, com o “povo” tomando decisões, passando por parâmetros de realidade sócio-política exibidos no clássico A Democracia na América, de Alexis de Tocqueville.

              Assim, dentro do que é possível sintetizar, vê-se que a democracia é um regime de instituições. E isto nega um regime de pessoas isoladas. Ora, apostar num discurso de salvação da pátria, com lastro na figura pessoal de um presidente da República, como muitos imaginam, trata-se de reduzir consideravelmente a riqueza do debate.

            Isso já evidencia que outros tantos componentes de um índice podem ser apresentados para reflexão dentro desse campo temático, que separa países “democráticos” de “não democráticos”, a exemplo de que nas democracias a maioria tem que se preocupar com as minorias ou que, apesar do voto carregar uma mensagem, a democracia não se esgota apenas na operação da eleição.

            Para além disso é necessário ainda refletir a democracia pelo cumprimento de direitos fundamentais, o que passa pela defesa das garantias processuais e pelas “liberdades cívicas” (liberdade de expressão, de Página 4 de 9 consciência, de reunião, entre outros). É que, como diz Lenio Streck, se há um ataque aos direitos e garantias fundamentais, “o Direito é a primeira vítima, a segunda é a democracia”.

          Mais: a democracia requer responsabilidade, o que pressupõe que um presidente da República, mesmo que eleito pelo voto do povo, não pode tudo. E daí caberia mais desdobramentos, a exemplo de que a cidadania é o sustentáculo da democracia, porque se trata de um sistema exercível por todos.

            Vê-se que não é tarefa fácil falar sobre democracia. Trata-se de um tema que requer cuidado redobrado, especialmente quando há argumentos do tipo “as instituições estão funcionando”, porque o maior perigo de uma democracia é achar que não há perigo. Tal significa dizer que é preciso ligar um alerta com as chamadas “armadilhas da confiança”, como nos lembra o professor David Runciman, da Universidade de Cambridge.

              Há, de fato, um ponto de autenticidade na frase do político britânico Churchill, de que a democracia é o único regime aceitável ou o melhor dos piores regimes de governo. Ele faz, como resta claro, o elogio da democracia. O que nos preocupa é saber se as atuais democracias podem ser chamadas de democracias.



(Autor: André Del Negri. Publicado em 13/06/2020. Site Consultor Jurídico. Disponível em https://www.conjur.com.br/2020-jun-13/diario-classe-reflexao-democracia/).
Segundo o autor do texto, a frase de Winston Churchill acerca da democracia, é, em resumo:
Alternativas
Q2439846 Português
UMA REFLEXÃO SOBRE A DEMOCRACIA



                Ano de 1947, Inglaterra, Câmara dos Comuns. Winston Churchill teria dito uma frase assim: a democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as demais formas que têm sido experimentadas ao longo da história.

                  Deixando de lado, por um instante, o caráter frasista de Churchill, "como aferir a democracia?" é a pergunta que não quer calar. A experiência grega, que nos legou a palavra “democracia”, gerou efeitos no debate. Resta, então, tentar refleti-la estatisticamente, assunto levado para o campo da quantificação, uma espécie de linha que separa países “democráticos” de “não democráticos”.

                O cientista político Luís Felipe Miguel, da Universidade de Brasília (UnB), tratou logo de nos esclarecer a respeito do assunto. É que “um índice é um construto”. E, no caso da democracia, trata-se de uma instituição dificílima de demarcar. Por quê? Porque a produção de um índice, nessa seara, “visa apreender uma realidade complexa”, o que “exige uma série de decisões”, sendo a primeira delas, a preocupação de transformar a liberdade de expressão em números. Daí as consideráveis dificuldades: o direito de voto e liberdade de expressão têm o mesmo impacto na produção de uma democracia? Qual vale o dobro?

                  Feita essa rápida introdução, a fim de verificar que avaliar a democracia não é como colocar um termômetro e medir a temperatura, convém perquirir um índice de democracia que circulou amplamente pelos principais jornais ao longo do corrente ano. É que democracias do mundo, nos últimos dez anos, vivenciaram considerável queda de qualidade, sendo que a parcela de insatisfeitos atingiu o pico em 2020, divisa extrema da “recessão democrática”.

              O relatório de satisfação global com a democracia 2020, elaborado pelo Instituto Bennett de Políticas Públicas da Universidade de Cambridge, apontou quais foram os países que mais caíram no índice de democracia.

O levantamento revelou que 92 países atualmente têm regimes autoritários, contra 87 democráticos, sendo que os cinco mais autoritários foram Eritreia, Coreia do Norte, Arábia Saudita, Iêmen e Síria. Os que apareceram como mais democráticos foram Dinamarca, Estônia, Suécia, Suíça e Noruega. E o Brasil? Bem, o Brasil foi o quinto país que mais caiu no ranking na última década. (Fonte: Democracy Report 2020 e Folha S.Paulo)

                 Mas quais os critérios desse relatório de satisfação com a democracia? De maneira geral, os eixos levantados foram a liberdade de expressão e de imprensa, que representam uma das faces do tema. Alguém poderá perguntar: mas a eleição, não é parte essencial da democracia? Sim, mas na interpretação da cientista política alemã Anna Lührmann, em entrevista para o jornal Folha de S. Paulo, acabar com as eleições instantaneamente é um movimento que gera resistência, então “os governos primeiro atacam a mídia”, de modo a enfraquecer a resistência. Essa é a “rota mais comum que os governos têm tomado em direção ao autoritarismo”, diz a pesquisadora.

                E, coincidentemente ou não, quatro meses após a conclusão da mencionada pesquisa da Universidade de Cambridge, um relatório da ONG “Repórteres sem Fronteiras”, apontou que o Brasil teve a segunda queda seguida em ranking de liberdade de imprensa, ocupando a posição 107 da lista de 180 Estados.

             É evidente que há grande esforço para demarcar o assunto, tanto da equipe ligada à Universidade de Cambridge, quanto da equipe ligada à ONG “Repórteres sem Fronteiras”. As informações dos grupos de trabalho são muito interessantes e mais ajudam no debate do que o contrário.

           Diante de tais angulações, alguns comentários adicionais: é evidente que não é nada simples comentar sobre as singularidades da democracia em curto espaço. Até porque, o assunto requer a compreensão de alguns contextos, sendo impossível dar um salto do ideal de liberdade da Grécia antiga, com o “povo” tomando decisões, passando por parâmetros de realidade sócio-política exibidos no clássico A Democracia na América, de Alexis de Tocqueville.

              Assim, dentro do que é possível sintetizar, vê-se que a democracia é um regime de instituições. E isto nega um regime de pessoas isoladas. Ora, apostar num discurso de salvação da pátria, com lastro na figura pessoal de um presidente da República, como muitos imaginam, trata-se de reduzir consideravelmente a riqueza do debate.

            Isso já evidencia que outros tantos componentes de um índice podem ser apresentados para reflexão dentro desse campo temático, que separa países “democráticos” de “não democráticos”, a exemplo de que nas democracias a maioria tem que se preocupar com as minorias ou que, apesar do voto carregar uma mensagem, a democracia não se esgota apenas na operação da eleição.

            Para além disso é necessário ainda refletir a democracia pelo cumprimento de direitos fundamentais, o que passa pela defesa das garantias processuais e pelas “liberdades cívicas” (liberdade de expressão, de Página 4 de 9 consciência, de reunião, entre outros). É que, como diz Lenio Streck, se há um ataque aos direitos e garantias fundamentais, “o Direito é a primeira vítima, a segunda é a democracia”.

          Mais: a democracia requer responsabilidade, o que pressupõe que um presidente da República, mesmo que eleito pelo voto do povo, não pode tudo. E daí caberia mais desdobramentos, a exemplo de que a cidadania é o sustentáculo da democracia, porque se trata de um sistema exercível por todos.

            Vê-se que não é tarefa fácil falar sobre democracia. Trata-se de um tema que requer cuidado redobrado, especialmente quando há argumentos do tipo “as instituições estão funcionando”, porque o maior perigo de uma democracia é achar que não há perigo. Tal significa dizer que é preciso ligar um alerta com as chamadas “armadilhas da confiança”, como nos lembra o professor David Runciman, da Universidade de Cambridge.

              Há, de fato, um ponto de autenticidade na frase do político britânico Churchill, de que a democracia é o único regime aceitável ou o melhor dos piores regimes de governo. Ele faz, como resta claro, o elogio da democracia. O que nos preocupa é saber se as atuais democracias podem ser chamadas de democracias.



(Autor: André Del Negri. Publicado em 13/06/2020. Site Consultor Jurídico. Disponível em https://www.conjur.com.br/2020-jun-13/diario-classe-reflexao-democracia/).
Segundo o que dispõe o texto, podemos dizer que a democracia:
Alternativas
Q2439682 Português
“Assinou o divórcio sem titubear”. O termo em destaque poderia ser substituído sem prejuízo semântico pela palavra:
Alternativas
Q2439679 Português
O QUE É O EFEITO DUNNING-KRUGER ?



O psicanalista e professor Christian Dunker diz que esse fenômeno – definido a partir do estudos de dois psicólogos americanos, David Dunning e Justin Kruger – explica dois efeitos diferentes



Nos últimos anos, o mundo passou por um intenso período de descrenças na ciência e no conhecimento baseado em estudos e análises científicas. O movimento terraplanista, por exemplo, apresentou constante crescimento e é possível notar que os indivíduos que participam dele muitas vezes parecem acreditar firmemente que apresentam mais conhecimento que especialistas na área.


Cenas como essa não são difíceis de serem observadas e parecem fazer parte de diferentes fases do desenvolvimento humano. Apesar da estranheza causada por elas, nota-se que podem ser explicadas por um fenômeno conhecido como efeito Dunning-Kruger, definido em 1999 a partir dos estudos de dois psicólogos americanos, David Dunning e Justin Kruger.


Segundo o psicanalista e professor do Instituto de Psicologia da USP, Christian Dunker, o fenômeno explica dois efeitos diferentes. O primeiro diz respeito aos indivíduos que conhecem pouco uma atividade e a realizam mal ou pior que os outros, mas tendem a superestimar os seus conhecimentos. Enquanto o segundo apresenta o efeito oposto, sendo possível observar que sujeitos que apresentam vasto entendimento sobre algumas áreas tendem a acreditar que não conhecem tanto daquele assunto.


Entre as diferentes consequências negativas associadas ao efeito, Dunker destaca que a falta de conhecimento do indivíduo sobre sua própria ignorância é uma das mais importantes. “Aqueles que sofrem com o prejuízo dos ignorantes não conseguem regular e aprender com os próprios erros e com a apreciação dos erros dos outros”, comenta. Assim, nota-se que essas pessoas tendem a ficar ainda mais ignorantes com o passar do tempo.


Em contrapartida, aqueles que acreditam não conhecer o suficiente sobre algum assunto, apesar de apresentarem amplo conhecimento nele, conseguem se libertar do efeito com maior facilidade, uma vez que o estudo frequente pode auxiliar nesse processo.


É interessante notar que esse efeito apresenta diferentes consequências no desempenho e na vida social das pessoas. Dunker exemplifica o caso a partir de um estudo realizado com testes humorísticos, assim, aqueles que contavam piadas que não provocavam o riso do maior número de pessoas costumavam acreditar que eram os comediantes mais engraçados. “Isso pode causar muito constrangimento social, recriminação, decepção, insucesso e até o sentimento de injustiça, já que a pessoa acredita que possui dotes, aptidões e qualidades”, adiciona o especialista.


O psicanalista comenta, ainda, que os indivíduos que subestimam os seus conhecimentos podem estar ligados a um complexo de inferioridade que impossibilita, em muitos casos, o avanço de seu aprendizado. “Esse sentimento de que não pode ter sido eu a ter feito essa grande realização, um excesso de humildade ou constrangimento diante do reconhecimento”, discorre.


Existem diferentes hipóteses para explicar o funcionamento desse fenômeno, sendo um dos mais interessantes aquele que considera que está ligado a um processo que passa pela memória, pela linguagem, pela inteligência e pelo juízo. “Ele está sempre associado a uma metacognição, ou seja, a capacidade de aprender ao fazer, pensar sobre o pensamento, ter memórias sobre a memória, ter imaginações sobre a imaginação, entre outros.” Assim, os sujeitos que exploram a sua metacognição tendem a melhorar sua posição de apreciação dos próprios resultados.


A partir dos estudos realizados é possível notar que ter noção de sua própria ignorância parece ser um dos melhores caminhos para evitar que os indivíduos caiam constantemente nesse efeito. Dunker avalia que, quando a ignorância é reconhecida, é capaz que ela se transforme em desejo de saber, por isso, a busca por conhecimento parece ser essencial.


Por fim, observa-se que o efeito Dunning-Kruger consegue ser mais bem aplicado e identificado em atividades que apresentam uma alta dimensão prática, como o exercício de esportes, já que a possibilidade de comparação direta com outras pessoas é maior nesses cenários. “No fundo, esse feito não é apenas cognitivo, mas é também um efeito de como a gente interpreta a nossa própria diferença em relação aos outros e ao fato de que, muitas vezes, essa diferença traz uma hierarquia”, finaliza Dunker.


(Autora Julia Galvão. Publicado em 14/06/2023. Site do Jornal da USP. Disponível em https://jornal.usp.br/radio-usp/o-que-e-o-efeito-dunning-kruger
Segundo os estudos realizados, qual o papel da ignorância sobre a busca do conhecimento?
Alternativas
Q2439678 Português
O QUE É O EFEITO DUNNING-KRUGER ?



O psicanalista e professor Christian Dunker diz que esse fenômeno – definido a partir do estudos de dois psicólogos americanos, David Dunning e Justin Kruger – explica dois efeitos diferentes



Nos últimos anos, o mundo passou por um intenso período de descrenças na ciência e no conhecimento baseado em estudos e análises científicas. O movimento terraplanista, por exemplo, apresentou constante crescimento e é possível notar que os indivíduos que participam dele muitas vezes parecem acreditar firmemente que apresentam mais conhecimento que especialistas na área.


Cenas como essa não são difíceis de serem observadas e parecem fazer parte de diferentes fases do desenvolvimento humano. Apesar da estranheza causada por elas, nota-se que podem ser explicadas por um fenômeno conhecido como efeito Dunning-Kruger, definido em 1999 a partir dos estudos de dois psicólogos americanos, David Dunning e Justin Kruger.


Segundo o psicanalista e professor do Instituto de Psicologia da USP, Christian Dunker, o fenômeno explica dois efeitos diferentes. O primeiro diz respeito aos indivíduos que conhecem pouco uma atividade e a realizam mal ou pior que os outros, mas tendem a superestimar os seus conhecimentos. Enquanto o segundo apresenta o efeito oposto, sendo possível observar que sujeitos que apresentam vasto entendimento sobre algumas áreas tendem a acreditar que não conhecem tanto daquele assunto.


Entre as diferentes consequências negativas associadas ao efeito, Dunker destaca que a falta de conhecimento do indivíduo sobre sua própria ignorância é uma das mais importantes. “Aqueles que sofrem com o prejuízo dos ignorantes não conseguem regular e aprender com os próprios erros e com a apreciação dos erros dos outros”, comenta. Assim, nota-se que essas pessoas tendem a ficar ainda mais ignorantes com o passar do tempo.


Em contrapartida, aqueles que acreditam não conhecer o suficiente sobre algum assunto, apesar de apresentarem amplo conhecimento nele, conseguem se libertar do efeito com maior facilidade, uma vez que o estudo frequente pode auxiliar nesse processo.


É interessante notar que esse efeito apresenta diferentes consequências no desempenho e na vida social das pessoas. Dunker exemplifica o caso a partir de um estudo realizado com testes humorísticos, assim, aqueles que contavam piadas que não provocavam o riso do maior número de pessoas costumavam acreditar que eram os comediantes mais engraçados. “Isso pode causar muito constrangimento social, recriminação, decepção, insucesso e até o sentimento de injustiça, já que a pessoa acredita que possui dotes, aptidões e qualidades”, adiciona o especialista.


O psicanalista comenta, ainda, que os indivíduos que subestimam os seus conhecimentos podem estar ligados a um complexo de inferioridade que impossibilita, em muitos casos, o avanço de seu aprendizado. “Esse sentimento de que não pode ter sido eu a ter feito essa grande realização, um excesso de humildade ou constrangimento diante do reconhecimento”, discorre.


Existem diferentes hipóteses para explicar o funcionamento desse fenômeno, sendo um dos mais interessantes aquele que considera que está ligado a um processo que passa pela memória, pela linguagem, pela inteligência e pelo juízo. “Ele está sempre associado a uma metacognição, ou seja, a capacidade de aprender ao fazer, pensar sobre o pensamento, ter memórias sobre a memória, ter imaginações sobre a imaginação, entre outros.” Assim, os sujeitos que exploram a sua metacognição tendem a melhorar sua posição de apreciação dos próprios resultados.


A partir dos estudos realizados é possível notar que ter noção de sua própria ignorância parece ser um dos melhores caminhos para evitar que os indivíduos caiam constantemente nesse efeito. Dunker avalia que, quando a ignorância é reconhecida, é capaz que ela se transforme em desejo de saber, por isso, a busca por conhecimento parece ser essencial.


Por fim, observa-se que o efeito Dunning-Kruger consegue ser mais bem aplicado e identificado em atividades que apresentam uma alta dimensão prática, como o exercício de esportes, já que a possibilidade de comparação direta com outras pessoas é maior nesses cenários. “No fundo, esse feito não é apenas cognitivo, mas é também um efeito de como a gente interpreta a nossa própria diferença em relação aos outros e ao fato de que, muitas vezes, essa diferença traz uma hierarquia”, finaliza Dunker.


(Autora Julia Galvão. Publicado em 14/06/2023. Site do Jornal da USP. Disponível em https://jornal.usp.br/radio-usp/o-que-e-o-efeito-dunning-kruger
Após a leitura do texto, podemos inferir que o nível de ______________ é o que demonstraria um indivíduo afetado pelo Efeito Dunning-Kruger, em qualquer uma das manifestações descritas por Christian Dunker:
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Q2439677 Português
O QUE É O EFEITO DUNNING-KRUGER ?



O psicanalista e professor Christian Dunker diz que esse fenômeno – definido a partir do estudos de dois psicólogos americanos, David Dunning e Justin Kruger – explica dois efeitos diferentes



Nos últimos anos, o mundo passou por um intenso período de descrenças na ciência e no conhecimento baseado em estudos e análises científicas. O movimento terraplanista, por exemplo, apresentou constante crescimento e é possível notar que os indivíduos que participam dele muitas vezes parecem acreditar firmemente que apresentam mais conhecimento que especialistas na área.


Cenas como essa não são difíceis de serem observadas e parecem fazer parte de diferentes fases do desenvolvimento humano. Apesar da estranheza causada por elas, nota-se que podem ser explicadas por um fenômeno conhecido como efeito Dunning-Kruger, definido em 1999 a partir dos estudos de dois psicólogos americanos, David Dunning e Justin Kruger.


Segundo o psicanalista e professor do Instituto de Psicologia da USP, Christian Dunker, o fenômeno explica dois efeitos diferentes. O primeiro diz respeito aos indivíduos que conhecem pouco uma atividade e a realizam mal ou pior que os outros, mas tendem a superestimar os seus conhecimentos. Enquanto o segundo apresenta o efeito oposto, sendo possível observar que sujeitos que apresentam vasto entendimento sobre algumas áreas tendem a acreditar que não conhecem tanto daquele assunto.


Entre as diferentes consequências negativas associadas ao efeito, Dunker destaca que a falta de conhecimento do indivíduo sobre sua própria ignorância é uma das mais importantes. “Aqueles que sofrem com o prejuízo dos ignorantes não conseguem regular e aprender com os próprios erros e com a apreciação dos erros dos outros”, comenta. Assim, nota-se que essas pessoas tendem a ficar ainda mais ignorantes com o passar do tempo.


Em contrapartida, aqueles que acreditam não conhecer o suficiente sobre algum assunto, apesar de apresentarem amplo conhecimento nele, conseguem se libertar do efeito com maior facilidade, uma vez que o estudo frequente pode auxiliar nesse processo.


É interessante notar que esse efeito apresenta diferentes consequências no desempenho e na vida social das pessoas. Dunker exemplifica o caso a partir de um estudo realizado com testes humorísticos, assim, aqueles que contavam piadas que não provocavam o riso do maior número de pessoas costumavam acreditar que eram os comediantes mais engraçados. “Isso pode causar muito constrangimento social, recriminação, decepção, insucesso e até o sentimento de injustiça, já que a pessoa acredita que possui dotes, aptidões e qualidades”, adiciona o especialista.


O psicanalista comenta, ainda, que os indivíduos que subestimam os seus conhecimentos podem estar ligados a um complexo de inferioridade que impossibilita, em muitos casos, o avanço de seu aprendizado. “Esse sentimento de que não pode ter sido eu a ter feito essa grande realização, um excesso de humildade ou constrangimento diante do reconhecimento”, discorre.


Existem diferentes hipóteses para explicar o funcionamento desse fenômeno, sendo um dos mais interessantes aquele que considera que está ligado a um processo que passa pela memória, pela linguagem, pela inteligência e pelo juízo. “Ele está sempre associado a uma metacognição, ou seja, a capacidade de aprender ao fazer, pensar sobre o pensamento, ter memórias sobre a memória, ter imaginações sobre a imaginação, entre outros.” Assim, os sujeitos que exploram a sua metacognição tendem a melhorar sua posição de apreciação dos próprios resultados.


A partir dos estudos realizados é possível notar que ter noção de sua própria ignorância parece ser um dos melhores caminhos para evitar que os indivíduos caiam constantemente nesse efeito. Dunker avalia que, quando a ignorância é reconhecida, é capaz que ela se transforme em desejo de saber, por isso, a busca por conhecimento parece ser essencial.


Por fim, observa-se que o efeito Dunning-Kruger consegue ser mais bem aplicado e identificado em atividades que apresentam uma alta dimensão prática, como o exercício de esportes, já que a possibilidade de comparação direta com outras pessoas é maior nesses cenários. “No fundo, esse feito não é apenas cognitivo, mas é também um efeito de como a gente interpreta a nossa própria diferença em relação aos outros e ao fato de que, muitas vezes, essa diferença traz uma hierarquia”, finaliza Dunker.


(Autora Julia Galvão. Publicado em 14/06/2023. Site do Jornal da USP. Disponível em https://jornal.usp.br/radio-usp/o-que-e-o-efeito-dunning-kruger
Para o psicanalista Christian Dunker, o fenômeno tem dois efeitos diferentes. De forma que podemos dizer corretamente que:
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Q2439676 Português
O QUE É O EFEITO DUNNING-KRUGER ?



O psicanalista e professor Christian Dunker diz que esse fenômeno – definido a partir do estudos de dois psicólogos americanos, David Dunning e Justin Kruger – explica dois efeitos diferentes



Nos últimos anos, o mundo passou por um intenso período de descrenças na ciência e no conhecimento baseado em estudos e análises científicas. O movimento terraplanista, por exemplo, apresentou constante crescimento e é possível notar que os indivíduos que participam dele muitas vezes parecem acreditar firmemente que apresentam mais conhecimento que especialistas na área.


Cenas como essa não são difíceis de serem observadas e parecem fazer parte de diferentes fases do desenvolvimento humano. Apesar da estranheza causada por elas, nota-se que podem ser explicadas por um fenômeno conhecido como efeito Dunning-Kruger, definido em 1999 a partir dos estudos de dois psicólogos americanos, David Dunning e Justin Kruger.


Segundo o psicanalista e professor do Instituto de Psicologia da USP, Christian Dunker, o fenômeno explica dois efeitos diferentes. O primeiro diz respeito aos indivíduos que conhecem pouco uma atividade e a realizam mal ou pior que os outros, mas tendem a superestimar os seus conhecimentos. Enquanto o segundo apresenta o efeito oposto, sendo possível observar que sujeitos que apresentam vasto entendimento sobre algumas áreas tendem a acreditar que não conhecem tanto daquele assunto.


Entre as diferentes consequências negativas associadas ao efeito, Dunker destaca que a falta de conhecimento do indivíduo sobre sua própria ignorância é uma das mais importantes. “Aqueles que sofrem com o prejuízo dos ignorantes não conseguem regular e aprender com os próprios erros e com a apreciação dos erros dos outros”, comenta. Assim, nota-se que essas pessoas tendem a ficar ainda mais ignorantes com o passar do tempo.


Em contrapartida, aqueles que acreditam não conhecer o suficiente sobre algum assunto, apesar de apresentarem amplo conhecimento nele, conseguem se libertar do efeito com maior facilidade, uma vez que o estudo frequente pode auxiliar nesse processo.


É interessante notar que esse efeito apresenta diferentes consequências no desempenho e na vida social das pessoas. Dunker exemplifica o caso a partir de um estudo realizado com testes humorísticos, assim, aqueles que contavam piadas que não provocavam o riso do maior número de pessoas costumavam acreditar que eram os comediantes mais engraçados. “Isso pode causar muito constrangimento social, recriminação, decepção, insucesso e até o sentimento de injustiça, já que a pessoa acredita que possui dotes, aptidões e qualidades”, adiciona o especialista.


O psicanalista comenta, ainda, que os indivíduos que subestimam os seus conhecimentos podem estar ligados a um complexo de inferioridade que impossibilita, em muitos casos, o avanço de seu aprendizado. “Esse sentimento de que não pode ter sido eu a ter feito essa grande realização, um excesso de humildade ou constrangimento diante do reconhecimento”, discorre.


Existem diferentes hipóteses para explicar o funcionamento desse fenômeno, sendo um dos mais interessantes aquele que considera que está ligado a um processo que passa pela memória, pela linguagem, pela inteligência e pelo juízo. “Ele está sempre associado a uma metacognição, ou seja, a capacidade de aprender ao fazer, pensar sobre o pensamento, ter memórias sobre a memória, ter imaginações sobre a imaginação, entre outros.” Assim, os sujeitos que exploram a sua metacognição tendem a melhorar sua posição de apreciação dos próprios resultados.


A partir dos estudos realizados é possível notar que ter noção de sua própria ignorância parece ser um dos melhores caminhos para evitar que os indivíduos caiam constantemente nesse efeito. Dunker avalia que, quando a ignorância é reconhecida, é capaz que ela se transforme em desejo de saber, por isso, a busca por conhecimento parece ser essencial.


Por fim, observa-se que o efeito Dunning-Kruger consegue ser mais bem aplicado e identificado em atividades que apresentam uma alta dimensão prática, como o exercício de esportes, já que a possibilidade de comparação direta com outras pessoas é maior nesses cenários. “No fundo, esse feito não é apenas cognitivo, mas é também um efeito de como a gente interpreta a nossa própria diferença em relação aos outros e ao fato de que, muitas vezes, essa diferença traz uma hierarquia”, finaliza Dunker.


(Autora Julia Galvão. Publicado em 14/06/2023. Site do Jornal da USP. Disponível em https://jornal.usp.br/radio-usp/o-que-e-o-efeito-dunning-kruger
Quanto aquilo que é colocado no texto acerca do Efeito Dunning-Kruger, podemos afirmar corretamente que:
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Q2439628 Português
Leia o texto abaixo.

Diz a lenda que o brasileiro é um povo amável. Será que somos mesmo?


Sim, me ufano do meu país, sim. De toda pujança da biodiversidade e riqueza cultural nacionais. Mas, às vezes, eu “desufano”.


Reza a lenda que somos um povo festeiro, amoroso e acolhedor. Mas será que somos sempre assim? Ou só em ocasiões festivas? Porque, cá entre nós, no dia a dia mesmo, que é quando a vida se faz e se dá, estamos mais para o estilão “Jogos Vorazes”. “Ah, imagina, Fabi, brasileiro é um povo gente boa…” Se pá, com estrangeiros colonizadores. Mas, com os colonizados e com os seus, não sei se concordo muito com essa teoria. É complexo de viralatas que chama? Identificação com o opressor? Síndrome de Estocolmo?

Talvez exista um tipo de brasileiro que seja mesmo gentil e civilizado. Mas, nas metrópoles, as cenas mais frequentes são de gente querendo arrancar cabeças de outras gentes.

[…]


Fonte: https://www.uol.com.br/universa/colunas/fabigomes/2021/12/03/diz-a-lenda-que-brasileiro-e-um-povoamavel-sera-que-somos-sempre-assim.htm (adaptado).


Assinale a alternativa correta sobre o tipo textual desse trecho.

Alternativas
Q2439626 Português
Assinale a alternativa que preenche as lacunas do texto a seguir com as palavras corretas.

_________ diz respeito ao uso correto de ferramentas gramaticais para tornar o texto mais fluido, enquanto a __________ está relacionada à conexão lógica entre os temas no texto. Há três aspectos que caracterizam a coerência textual: __________, ___________ e ____________. 
Alternativas
Q2439551 Português
Mulheres fortes estão em todo lugar


Ao mostrar a determinação, resiliência e adaptabilidade de mulheres de diferentes origens, provamos que as mulheres não apenas são capazes de prosperar em qualquer ambiente, mas também são agentes indispensáveis de mudança Iona Szkurnik | 29 de fevereiro de 2024


        Como mulher navegando pelas diversas adversidades e escolhas da vida, compreendi a profunda importância da determinação, da resiliência e da adaptabilidade. Essas qualidades não são apenas traços admiráveis; são ferramentas indispensáveis na trajetória pela liberdade e pelo empoderamento. Em um mundo repleto de preconceitos inconscientes e barreiras sistêmicas, é essencial para as mulheres utilizar essas habilidades para romper os tetos de vidro impostos sobre nós. As histórias de todas as mulheres fortes e lutadoras que eu conheço passam por essas características.

          A determinação, uma forma de perseverança inabalável para alcançar objetivos de longo prazo apesar dos contratempos, é um pilar do empoderamento. Ao longo da História, inúmeras mulheres exibiram uma garra extraordinária. Vemos algumas delas retratadas em livros e filmes, mas essas mulheres existem à nossa volta também.

      Pegue o exemplo de Maria Toledo, que deixou a carreira em Direito para empreender em Moda. Contra a corrente, ela abriu sua própria marca de sapatos aos 22 anos, foi agente crucial no desenvolvimento da cena da moda carioca nos anos 2000 e teve uma colaboração relevante com os primórdios da Reserva. Maria entendeu que quebrar barreiras significava sair do Rio e ir para São Paulo, onde os gigantes da indústria estão. Sua paixão por sapatos a levou a Schutz, uma das 20 marcas do maior grupo de moda do país.

        A fusão da Arezzo&Co e grupo Soma anunciada no início de fevereiro criou um gigante da moda com R$12 bilhões em faturamento, R$1,5 bi em EBITDA e R$750 milhões de lucro líquido. Não era assim quando Maria largou tudo para trás ao se mudar sozinha para São Paulo. Há 13 anos na capital paulista, ela vem traçando uma bela carreira, hoje à frente da marca Arezzo Brizza. Se esse spin-off aconteceu e ela é a “CEO da marca” é porque conquistou a confiança de Luciana Wodzik, CEO do grupo Arezzo&Co, uma das referências em gestão e liderança no mercado.

         Infelizmente, ainda é raro ter uma mulher apoiando e confiando na outra dentro do mesmo grupo. Exemplos como o da Maria Toledo e Luciana Wodzik devem ser ressaltados e compartilhados para inspirar e estimular mais mulheres a segurar a porta para a outra passar. Sua resiliência diante de desafios aquém do próprio controle, sua liderança centrada nas pessoas e seu senso de dono feroz fazem com que a adaptabilidade seja praticada e aprimorada a cada curva que a vida faz. Maria lidera com proximidade e transparência porque entende que a prioridade número um são pessoas – gestão, treinamento, ajustes, estratégia, tudo que faz é centrado em pessoas. E isso requer muita adaptabilidade sem perder a determinação.

         A resiliência, a capacidade de se recuperar de contratempos e desafios, é outra habilidade crítica para as mulheres que buscam o empoderamento. Roseane Vitória, uma jovem de 21 anos de Diamantina, Minas Gerais, é uma das finalistas no processo altamente seletivo da Universidade de Stanford. Roseane sonha em “ajudar as pessoas” e em “resolver problemas reais”. A sua capacidade de enfrentar todo e qualquer desafio sem perder de vista seu sonho ou a ternura nas palavras, me impactaram profundamente. Ao entrevistá-la essa semana como parte do meu voluntariado para selecionar brasileiros de alto potencial para ingressar na faculdade americana, Roseane comprovou que mulheres fortes estão em todo lugar.

       Ao completar o ensino médio no ano da pandemia, seus planos de ensino superior foram pelos ares. Com uma irmã debilitada e a mãe cuidadora de idosos, além de um irmão adotivo, Roseane prioriza sustentar a família com seus três empregos, sete dias por semana. Sua jornada serve como um testemunho do poder da resiliência para superar adversidades e perseguir o sucesso.

        Ela é um exemplo de como muitas de nós nos colocamos em segundo lugar e muitas vezes nos perdemos com as obrigações que tomamos para si. Deixamos nosso sonho “para depois” durante anos a fio. Roseane não quer deixar isso acontecer. Quebrar barreiras para ela é, aos 21 anos, estar aplicando para Stanford, se permitindo seguir seu rumo.

       Esses exemplos de força e determinação quebram preconceitos inconscientes que limitam o potencial das mulheres. Ao mostrar a determinação, a resiliência e a adaptabilidade de mulheres de diferentes origens, idades, talentos e crenças, desafiamos estereótipos e redefinimos normas sociais. Provamos que as mulheres não apenas são capazes de prosperar em qualquer ambiente, mas também são agentes indispensáveis de mudança.

         É chover no molhado dizer que a jornada ao empoderamento está longe de ser fácil. As mulheres continuam a enfrentar barreiras sistêmicas e preconceitos arraigados que impedem nosso progresso. É crucial para cada uma de nós cultivar e nutrir nossa determinação, resiliência e adaptabilidade enquanto navegamos por esse terreno desafiador. Parece piegas, mas precisamos acreditar que juntas podemos desmantelar as barreiras que nos seguram e criar um mundo em que cada mulher tenha a oportunidade de alcançar seu potencial.

         Estejamos no início, no meio, no ápice, ou desacelerando, o caminho para o empoderamento é pavimentado com determinação, resiliência e adaptabilidade. Ao abraçar essas habilidades e aprender com os exemplos de mulheres fortes, podemos romper preconceitos inconscientes e forjar um futuro mais equitativo para todos. Enquanto continuo minha jornada, sou inspirada pelo espírito indomável das mulheres que se recusam a ser limitadas pelas expectativas da sociedade. Com empatia e ternura, continuaremos a desafiar as expectativas e a traçar nossos próprios destinos.


SZKURNIK, Iona. Mulheres fortes estão em todo lugar. Forbes
Brasil, 29 de fevereiro de 2024. Disponível em:
https://forbes.com.br/forbes-mulher/2024/02/mulheres-fortesestao-em-todo-lugar/. Acesso em: 29 fev. 2024. Adaptado. 

Qual é o sentido veiculado pela palavra “Como” que inicia o parágrafo introdutório do texto?
Alternativas
Q2439550 Português
Mulheres fortes estão em todo lugar


Ao mostrar a determinação, resiliência e adaptabilidade de mulheres de diferentes origens, provamos que as mulheres não apenas são capazes de prosperar em qualquer ambiente, mas também são agentes indispensáveis de mudança Iona Szkurnik | 29 de fevereiro de 2024


        Como mulher navegando pelas diversas adversidades e escolhas da vida, compreendi a profunda importância da determinação, da resiliência e da adaptabilidade. Essas qualidades não são apenas traços admiráveis; são ferramentas indispensáveis na trajetória pela liberdade e pelo empoderamento. Em um mundo repleto de preconceitos inconscientes e barreiras sistêmicas, é essencial para as mulheres utilizar essas habilidades para romper os tetos de vidro impostos sobre nós. As histórias de todas as mulheres fortes e lutadoras que eu conheço passam por essas características.

          A determinação, uma forma de perseverança inabalável para alcançar objetivos de longo prazo apesar dos contratempos, é um pilar do empoderamento. Ao longo da História, inúmeras mulheres exibiram uma garra extraordinária. Vemos algumas delas retratadas em livros e filmes, mas essas mulheres existem à nossa volta também.

      Pegue o exemplo de Maria Toledo, que deixou a carreira em Direito para empreender em Moda. Contra a corrente, ela abriu sua própria marca de sapatos aos 22 anos, foi agente crucial no desenvolvimento da cena da moda carioca nos anos 2000 e teve uma colaboração relevante com os primórdios da Reserva. Maria entendeu que quebrar barreiras significava sair do Rio e ir para São Paulo, onde os gigantes da indústria estão. Sua paixão por sapatos a levou a Schutz, uma das 20 marcas do maior grupo de moda do país.

        A fusão da Arezzo&Co e grupo Soma anunciada no início de fevereiro criou um gigante da moda com R$12 bilhões em faturamento, R$1,5 bi em EBITDA e R$750 milhões de lucro líquido. Não era assim quando Maria largou tudo para trás ao se mudar sozinha para São Paulo. Há 13 anos na capital paulista, ela vem traçando uma bela carreira, hoje à frente da marca Arezzo Brizza. Se esse spin-off aconteceu e ela é a “CEO da marca” é porque conquistou a confiança de Luciana Wodzik, CEO do grupo Arezzo&Co, uma das referências em gestão e liderança no mercado.

         Infelizmente, ainda é raro ter uma mulher apoiando e confiando na outra dentro do mesmo grupo. Exemplos como o da Maria Toledo e Luciana Wodzik devem ser ressaltados e compartilhados para inspirar e estimular mais mulheres a segurar a porta para a outra passar. Sua resiliência diante de desafios aquém do próprio controle, sua liderança centrada nas pessoas e seu senso de dono feroz fazem com que a adaptabilidade seja praticada e aprimorada a cada curva que a vida faz. Maria lidera com proximidade e transparência porque entende que a prioridade número um são pessoas – gestão, treinamento, ajustes, estratégia, tudo que faz é centrado em pessoas. E isso requer muita adaptabilidade sem perder a determinação.

         A resiliência, a capacidade de se recuperar de contratempos e desafios, é outra habilidade crítica para as mulheres que buscam o empoderamento. Roseane Vitória, uma jovem de 21 anos de Diamantina, Minas Gerais, é uma das finalistas no processo altamente seletivo da Universidade de Stanford. Roseane sonha em “ajudar as pessoas” e em “resolver problemas reais”. A sua capacidade de enfrentar todo e qualquer desafio sem perder de vista seu sonho ou a ternura nas palavras, me impactaram profundamente. Ao entrevistá-la essa semana como parte do meu voluntariado para selecionar brasileiros de alto potencial para ingressar na faculdade americana, Roseane comprovou que mulheres fortes estão em todo lugar.

       Ao completar o ensino médio no ano da pandemia, seus planos de ensino superior foram pelos ares. Com uma irmã debilitada e a mãe cuidadora de idosos, além de um irmão adotivo, Roseane prioriza sustentar a família com seus três empregos, sete dias por semana. Sua jornada serve como um testemunho do poder da resiliência para superar adversidades e perseguir o sucesso.

        Ela é um exemplo de como muitas de nós nos colocamos em segundo lugar e muitas vezes nos perdemos com as obrigações que tomamos para si. Deixamos nosso sonho “para depois” durante anos a fio. Roseane não quer deixar isso acontecer. Quebrar barreiras para ela é, aos 21 anos, estar aplicando para Stanford, se permitindo seguir seu rumo.

       Esses exemplos de força e determinação quebram preconceitos inconscientes que limitam o potencial das mulheres. Ao mostrar a determinação, a resiliência e a adaptabilidade de mulheres de diferentes origens, idades, talentos e crenças, desafiamos estereótipos e redefinimos normas sociais. Provamos que as mulheres não apenas são capazes de prosperar em qualquer ambiente, mas também são agentes indispensáveis de mudança.

         É chover no molhado dizer que a jornada ao empoderamento está longe de ser fácil. As mulheres continuam a enfrentar barreiras sistêmicas e preconceitos arraigados que impedem nosso progresso. É crucial para cada uma de nós cultivar e nutrir nossa determinação, resiliência e adaptabilidade enquanto navegamos por esse terreno desafiador. Parece piegas, mas precisamos acreditar que juntas podemos desmantelar as barreiras que nos seguram e criar um mundo em que cada mulher tenha a oportunidade de alcançar seu potencial.

         Estejamos no início, no meio, no ápice, ou desacelerando, o caminho para o empoderamento é pavimentado com determinação, resiliência e adaptabilidade. Ao abraçar essas habilidades e aprender com os exemplos de mulheres fortes, podemos romper preconceitos inconscientes e forjar um futuro mais equitativo para todos. Enquanto continuo minha jornada, sou inspirada pelo espírito indomável das mulheres que se recusam a ser limitadas pelas expectativas da sociedade. Com empatia e ternura, continuaremos a desafiar as expectativas e a traçar nossos próprios destinos.


SZKURNIK, Iona. Mulheres fortes estão em todo lugar. Forbes
Brasil, 29 de fevereiro de 2024. Disponível em:
https://forbes.com.br/forbes-mulher/2024/02/mulheres-fortesestao-em-todo-lugar/. Acesso em: 29 fev. 2024. Adaptado. 

Em um dos excertos abaixo, NÃO se pode verificar a utilização deliberada de uma expressão conotativa. Identifique-o: 
Alternativas
Q2439549 Português
Mulheres fortes estão em todo lugar


Ao mostrar a determinação, resiliência e adaptabilidade de mulheres de diferentes origens, provamos que as mulheres não apenas são capazes de prosperar em qualquer ambiente, mas também são agentes indispensáveis de mudança Iona Szkurnik | 29 de fevereiro de 2024


        Como mulher navegando pelas diversas adversidades e escolhas da vida, compreendi a profunda importância da determinação, da resiliência e da adaptabilidade. Essas qualidades não são apenas traços admiráveis; são ferramentas indispensáveis na trajetória pela liberdade e pelo empoderamento. Em um mundo repleto de preconceitos inconscientes e barreiras sistêmicas, é essencial para as mulheres utilizar essas habilidades para romper os tetos de vidro impostos sobre nós. As histórias de todas as mulheres fortes e lutadoras que eu conheço passam por essas características.

          A determinação, uma forma de perseverança inabalável para alcançar objetivos de longo prazo apesar dos contratempos, é um pilar do empoderamento. Ao longo da História, inúmeras mulheres exibiram uma garra extraordinária. Vemos algumas delas retratadas em livros e filmes, mas essas mulheres existem à nossa volta também.

      Pegue o exemplo de Maria Toledo, que deixou a carreira em Direito para empreender em Moda. Contra a corrente, ela abriu sua própria marca de sapatos aos 22 anos, foi agente crucial no desenvolvimento da cena da moda carioca nos anos 2000 e teve uma colaboração relevante com os primórdios da Reserva. Maria entendeu que quebrar barreiras significava sair do Rio e ir para São Paulo, onde os gigantes da indústria estão. Sua paixão por sapatos a levou a Schutz, uma das 20 marcas do maior grupo de moda do país.

        A fusão da Arezzo&Co e grupo Soma anunciada no início de fevereiro criou um gigante da moda com R$12 bilhões em faturamento, R$1,5 bi em EBITDA e R$750 milhões de lucro líquido. Não era assim quando Maria largou tudo para trás ao se mudar sozinha para São Paulo. Há 13 anos na capital paulista, ela vem traçando uma bela carreira, hoje à frente da marca Arezzo Brizza. Se esse spin-off aconteceu e ela é a “CEO da marca” é porque conquistou a confiança de Luciana Wodzik, CEO do grupo Arezzo&Co, uma das referências em gestão e liderança no mercado.

         Infelizmente, ainda é raro ter uma mulher apoiando e confiando na outra dentro do mesmo grupo. Exemplos como o da Maria Toledo e Luciana Wodzik devem ser ressaltados e compartilhados para inspirar e estimular mais mulheres a segurar a porta para a outra passar. Sua resiliência diante de desafios aquém do próprio controle, sua liderança centrada nas pessoas e seu senso de dono feroz fazem com que a adaptabilidade seja praticada e aprimorada a cada curva que a vida faz. Maria lidera com proximidade e transparência porque entende que a prioridade número um são pessoas – gestão, treinamento, ajustes, estratégia, tudo que faz é centrado em pessoas. E isso requer muita adaptabilidade sem perder a determinação.

         A resiliência, a capacidade de se recuperar de contratempos e desafios, é outra habilidade crítica para as mulheres que buscam o empoderamento. Roseane Vitória, uma jovem de 21 anos de Diamantina, Minas Gerais, é uma das finalistas no processo altamente seletivo da Universidade de Stanford. Roseane sonha em “ajudar as pessoas” e em “resolver problemas reais”. A sua capacidade de enfrentar todo e qualquer desafio sem perder de vista seu sonho ou a ternura nas palavras, me impactaram profundamente. Ao entrevistá-la essa semana como parte do meu voluntariado para selecionar brasileiros de alto potencial para ingressar na faculdade americana, Roseane comprovou que mulheres fortes estão em todo lugar.

       Ao completar o ensino médio no ano da pandemia, seus planos de ensino superior foram pelos ares. Com uma irmã debilitada e a mãe cuidadora de idosos, além de um irmão adotivo, Roseane prioriza sustentar a família com seus três empregos, sete dias por semana. Sua jornada serve como um testemunho do poder da resiliência para superar adversidades e perseguir o sucesso.

        Ela é um exemplo de como muitas de nós nos colocamos em segundo lugar e muitas vezes nos perdemos com as obrigações que tomamos para si. Deixamos nosso sonho “para depois” durante anos a fio. Roseane não quer deixar isso acontecer. Quebrar barreiras para ela é, aos 21 anos, estar aplicando para Stanford, se permitindo seguir seu rumo.

       Esses exemplos de força e determinação quebram preconceitos inconscientes que limitam o potencial das mulheres. Ao mostrar a determinação, a resiliência e a adaptabilidade de mulheres de diferentes origens, idades, talentos e crenças, desafiamos estereótipos e redefinimos normas sociais. Provamos que as mulheres não apenas são capazes de prosperar em qualquer ambiente, mas também são agentes indispensáveis de mudança.

         É chover no molhado dizer que a jornada ao empoderamento está longe de ser fácil. As mulheres continuam a enfrentar barreiras sistêmicas e preconceitos arraigados que impedem nosso progresso. É crucial para cada uma de nós cultivar e nutrir nossa determinação, resiliência e adaptabilidade enquanto navegamos por esse terreno desafiador. Parece piegas, mas precisamos acreditar que juntas podemos desmantelar as barreiras que nos seguram e criar um mundo em que cada mulher tenha a oportunidade de alcançar seu potencial.

         Estejamos no início, no meio, no ápice, ou desacelerando, o caminho para o empoderamento é pavimentado com determinação, resiliência e adaptabilidade. Ao abraçar essas habilidades e aprender com os exemplos de mulheres fortes, podemos romper preconceitos inconscientes e forjar um futuro mais equitativo para todos. Enquanto continuo minha jornada, sou inspirada pelo espírito indomável das mulheres que se recusam a ser limitadas pelas expectativas da sociedade. Com empatia e ternura, continuaremos a desafiar as expectativas e a traçar nossos próprios destinos.


SZKURNIK, Iona. Mulheres fortes estão em todo lugar. Forbes
Brasil, 29 de fevereiro de 2024. Disponível em:
https://forbes.com.br/forbes-mulher/2024/02/mulheres-fortesestao-em-todo-lugar/. Acesso em: 29 fev. 2024. Adaptado. 

A expressão “chover no molhado”, utilizada no início do décimo parágrafo, veicula o sentido de que falar sobre as dificuldades da jornada rumo ao empoderamento feminino: 
Alternativas
Respostas
28261: D
28262: E
28263: A
28264: C
28265: D
28266: D
28267: A
28268: C
28269: B
28270: B
28271: B
28272: B
28273: D
28274: D
28275: C
28276: A
28277: A
28278: D
28279: E
28280: B