Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3593822 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão.


O desenvolvimento cerebral que permitirá a aprendizagem ao longo da vida tem especial relevância durante a Primeira Infância. Pesquisas da neurociência demonstraram que o cérebro humano alcança 80% do tamanho adulto durante os três primeiros anos de vida e que, nessa etapa, se formam 40% das habilidades mentais das pessoas adultas (Araújo e López-Boo, 2010). Áreas de desenvolvimento altamente importantes, como controle emocional, habilidades sociais, linguagem e aritmética, alcançam seu auge nos primeiros três anos de vida infantil. A importância de prestar serviços de qualidade para a Primeira Infância é sustentada por evidências dessa natureza. Isso mostra que as experiências específicas de uma criança nos seus primeiros anos de vida têm o profundo efeito de limitar ou expandir seu potencial social, físico e cognitivo.

(Texto retirado do manual PARÂMETROS NACIONAIS DE QUALIDADE DA EDUCAÇÃO INFANTIL, Secretaria de Educação Básica – SEB.) 
De acordo com as pesquisas da neurociência, podemos afirmar que? 
Alternativas
Q3592993 Português
Leia o texto e responda a questão.


Alice no país de Cora Coralina
O nome da Cora
Augusta Faro


Até que enfim conheci a cidade onde nasceu Cora Coralina! Aninha era seu nome verdadeiro, Cora Coralina é pseudônimo. Sabe o que é pseudônimo? O nome que os artistas inventam para assinar seus trabalhos, como quadros, esculturas, livros, artigos nos jornais etc. Depende de cada artista, se quer ou não ter um pseudônimo para si próprio. Aninha usou o pseudônimo de Cora Coralina por achar mais sonoro, bonito e artístico. O nome Cora Coralina quer dizer, mais ou menos, coração de coral, avermelhado. Lindo, não é? Só isso me lembra um poema.

Cora dizia que, quando nasceu, havia na cidade de Goiás muitas meninas chamadas Ana e logo em cada uma delas punham um apelido, como: Aninha, Anoca, Nonoca, Don’Ana, Nica, Nicota e outros. Sabe por que tantas Aninhas? O povo queria homenagear Santa Ana, que é a mãe de Maria, a mãe de Jesus. Sant’Ana, como se diz e escreve, é a padroeira da cidade. Prefiro Cora Coralina, e você? 
Os termos “sonoro”, “bonito” e “artístico” são usados para atribuir características:
Alternativas
Q3592991 Português
Leia o texto e responda a questão.


Alice no país de Cora Coralina
O nome da Cora
Augusta Faro


Até que enfim conheci a cidade onde nasceu Cora Coralina! Aninha era seu nome verdadeiro, Cora Coralina é pseudônimo. Sabe o que é pseudônimo? O nome que os artistas inventam para assinar seus trabalhos, como quadros, esculturas, livros, artigos nos jornais etc. Depende de cada artista, se quer ou não ter um pseudônimo para si próprio. Aninha usou o pseudônimo de Cora Coralina por achar mais sonoro, bonito e artístico. O nome Cora Coralina quer dizer, mais ou menos, coração de coral, avermelhado. Lindo, não é? Só isso me lembra um poema.

Cora dizia que, quando nasceu, havia na cidade de Goiás muitas meninas chamadas Ana e logo em cada uma delas punham um apelido, como: Aninha, Anoca, Nonoca, Don’Ana, Nica, Nicota e outros. Sabe por que tantas Aninhas? O povo queria homenagear Santa Ana, que é a mãe de Maria, a mãe de Jesus. Sant’Ana, como se diz e escreve, é a padroeira da cidade. Prefiro Cora Coralina, e você? 
A uso da interjeição “Até que enfim” exprime sentido de que:
Alternativas
Q3592990 Português
Leia o texto e responda a questão.


Alice no país de Cora Coralina
O nome da Cora
Augusta Faro


Até que enfim conheci a cidade onde nasceu Cora Coralina! Aninha era seu nome verdadeiro, Cora Coralina é pseudônimo. Sabe o que é pseudônimo? O nome que os artistas inventam para assinar seus trabalhos, como quadros, esculturas, livros, artigos nos jornais etc. Depende de cada artista, se quer ou não ter um pseudônimo para si próprio. Aninha usou o pseudônimo de Cora Coralina por achar mais sonoro, bonito e artístico. O nome Cora Coralina quer dizer, mais ou menos, coração de coral, avermelhado. Lindo, não é? Só isso me lembra um poema.

Cora dizia que, quando nasceu, havia na cidade de Goiás muitas meninas chamadas Ana e logo em cada uma delas punham um apelido, como: Aninha, Anoca, Nonoca, Don’Ana, Nica, Nicota e outros. Sabe por que tantas Aninhas? O povo queria homenagear Santa Ana, que é a mãe de Maria, a mãe de Jesus. Sant’Ana, como se diz e escreve, é a padroeira da cidade. Prefiro Cora Coralina, e você? 
Por qual motivo Aninha optou por usar o pseudônimo Cora Coralina?
Alternativas
Q3592989 Português
Leia o texto e responda a questão.


Alice no país de Cora Coralina
O nome da Cora
Augusta Faro


Até que enfim conheci a cidade onde nasceu Cora Coralina! Aninha era seu nome verdadeiro, Cora Coralina é pseudônimo. Sabe o que é pseudônimo? O nome que os artistas inventam para assinar seus trabalhos, como quadros, esculturas, livros, artigos nos jornais etc. Depende de cada artista, se quer ou não ter um pseudônimo para si próprio. Aninha usou o pseudônimo de Cora Coralina por achar mais sonoro, bonito e artístico. O nome Cora Coralina quer dizer, mais ou menos, coração de coral, avermelhado. Lindo, não é? Só isso me lembra um poema.

Cora dizia que, quando nasceu, havia na cidade de Goiás muitas meninas chamadas Ana e logo em cada uma delas punham um apelido, como: Aninha, Anoca, Nonoca, Don’Ana, Nica, Nicota e outros. Sabe por que tantas Aninhas? O povo queria homenagear Santa Ana, que é a mãe de Maria, a mãe de Jesus. Sant’Ana, como se diz e escreve, é a padroeira da cidade. Prefiro Cora Coralina, e você? 
A autora afirma que Cora Coralina é o pseudônimo de Aninha. De acordo com o texto, o que é um pseudônimo? 
Alternativas
Q3592783 Português
Considerando que sinestesia é o mecanismo de construção textual que consiste em reunir, numa só unidade, elementos designativos de sensações relativas a diferentes órgãos dos sentidos, identifique em qual dos fragmentos a seguir há um claro exemplo da figura de linguagem sinestesia.
Alternativas
Q3592781 Português
Texto para a questão.

Respeita Januário
Quando eu voltei lá no sertão
Eu quis mangar de Januário
Com meu fole prateado
Só de baixo, cento e vinte, botão preto bem juntinho
Como nêgo empareado
Mas antes de fazer bonito de passagem por Granito
Foram logo me dizendo:
"De Taboca à Rancharia, de Salgueiro à Bodocó,
Januário é o maior!"
E foi aí que me falou meio zangado o véi Jacó:
Luiz, respeita Januário
Luiz, respeita Januário
Luiz, tu pode ser famoso, mas teu pai é mais tinhoso
E com ele ninguém vai, Luiz
Respeita os oito baixo do teu pai!
Respeita os oito baixo do teu pai!

(Gonzaguinha e Luiz Gonzaga)
Identifique a opção que NÃO é exemplo do uso de linguagem mais informal:
Alternativas
Q3592579 Português

Leia o poema e responda a questão.


Sobrou pra mim

Ruth Rocha


    Quando eu tinha uns 8 anos, mais ou menos, eu morava com minha avó e com a irmã dela, tia Emília. Nossa rua era sossegada, quase não passava carro nem caminhão.

      Eu ia à escola de manhã e de tarde eu fazia minhas lições e ia pra rua brincar com meus amigos.

      Às cinco e meia em ponto minha avó me chamava para tomar banho e rezar, minha avó e minha tia rezavam todas as tardes às seis horas.

      Depois do jantar ficávamos na sala, eu, lendo, minha avó e minha tia bordando ou costurando.

    Televisão a gente só via uma vez ou outra. Minha avó me deixava ver jogos de futebol ou basquete, mas tinha horror a novelas e a programas de auditório. Era chato de matar!

Nesse trecho do conto, a autora narra: 
Alternativas
Q3592499 Português

Texto para a questão.


Cotidiano – Chico Buarque


Todo dia ela faz tudo sempre igual

Me sacode às seis horas da manhã

Me sorri um sorriso pontual

E me beija com a boca de hortelã


Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar

E essas coisas que diz toda mulher

Diz que está me esperando pro jantar

E me beija com a boca de café


Todo dia eu só penso em poder parar

Meio-dia eu só penso em dizer não

Depois penso na vida pra levar

E me calo com a boca de feijão


Seis da tarde como era de se esperar

Ela pega e me espera no portão

Diz que está muito louca pra beijar

E me beija com a boca de paixão


Toda noite ela diz pra eu não me afastar

Meia-noite ela jura eterno amor

E me aperta pra eu quase sufocar

E me morde com a boca de pavor


Disponível em: https://www.letras.mus.br/chico-buarque/82001/

A letra da música faz referência, mesmo que indiretamente, à algumas refeições do dia. A refeição que a música não cita ou faz referência é:
Alternativas
Q3592498 Português

Texto para a questão.


Cotidiano – Chico Buarque


Todo dia ela faz tudo sempre igual

Me sacode às seis horas da manhã

Me sorri um sorriso pontual

E me beija com a boca de hortelã


Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar

E essas coisas que diz toda mulher

Diz que está me esperando pro jantar

E me beija com a boca de café


Todo dia eu só penso em poder parar

Meio-dia eu só penso em dizer não

Depois penso na vida pra levar

E me calo com a boca de feijão


Seis da tarde como era de se esperar

Ela pega e me espera no portão

Diz que está muito louca pra beijar

E me beija com a boca de paixão


Toda noite ela diz pra eu não me afastar

Meia-noite ela jura eterno amor

E me aperta pra eu quase sufocar

E me morde com a boca de pavor


Disponível em: https://www.letras.mus.br/chico-buarque/82001/

O título da música de Chico Buarque: 
Alternativas
Q3592476 Português

Leia o texto e responda a questão.


Furto de flor

Carlos Drummond de Andrade


Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.


Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara, eu a via morrer. Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me: – Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim! 

No texto “Furto de flor”, o narrador conta a história de como furtou uma flor do jardim do prédio e tentou mantê-la viva dentro de casa. No entanto, ao final, ele percebe que:
Alternativas
Q3591683 Português
Artista completo

Chico Buarque é ovacionado em entrega do Prêmio Camões

Francisco Buarque de Hollanda nasceu no Rio de Janeiro e além de cantor e compositor, é dramaturgo e escritor. Considerado um dos nossos maiores nomes da MPB, Chico foi vencedor de três Prêmios Jabuti com seus livros "Estorvo" (1992), "Budapeste", (2004) e "Leite Derramado" (2010).
Em abril, Chico, que emprestou a voz para clássicos como "Iolanda", "meu caro Amigo", "Cálice" e "A Banda" entre outras preciosidades, foi agraciado com o prêmio Camões, em Portugal. A honraria é um prêmio literário instituído em 1988 pelos Governos de Brasil e Portugal, que tem como principal objetivo enriquecer o patrimônio e estreitar laços culturais dos países de Língua Portuguesa. Chico compartilhou um vídeo no qual é aplaudido de pé ao adentrar o palácio de Queluz, no país europeu.
Disponível em: https://gshow.globo.com/
Considerando as informações do texto e o contexto, assinale a alternativa com a mais coerente definição para o termo ovacionado. 
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Q3591680 Português
Ritalina não melhora performance de estudantes em provas, mostra estudo
Por Leo Caparroz 15 jun 2023, 17h01

No começo do ano, muitas farmácias passaram por uma escassez de remédios para Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), principalmente Ritalina. Em uma nota, a Novartis, empresa responsável pelo medicamento, culpou a alta demanda já no fim de 2022.
O período coincide com a época de grandes vestibulares do país. Isso significa que, impulsionados por tendências estrangeiras, estudantes podem ter contribuído para a falta do remédio. O uso de ritalina e outros comprimidos para TDAH se tornou popular em faculdades e escolas americanas, onde alunos sem essa condição compram as pílulas com a promessa de aprimorar a concentração e atenção em provas e durante o estudo – sendo até vendidos como “smart drugs”, “drogas inteligentes”.
Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/ritalina-nao-melhora-a-performance-de estudantes-em-provas-mostra-estudo/. Acesso em: 16 jun. 2023 
Segundo o texto, o que provocou, no início deste ano, a escassez do medicamento em muitas farmácias? 
Alternativas
Q3591679 Português
Ritalina não melhora performance de estudantes em provas, mostra estudo
Por Leo Caparroz 15 jun 2023, 17h01

No começo do ano, muitas farmácias passaram por uma escassez de remédios para Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), principalmente Ritalina. Em uma nota, a Novartis, empresa responsável pelo medicamento, culpou a alta demanda já no fim de 2022.
O período coincide com a época de grandes vestibulares do país. Isso significa que, impulsionados por tendências estrangeiras, estudantes podem ter contribuído para a falta do remédio. O uso de ritalina e outros comprimidos para TDAH se tornou popular em faculdades e escolas americanas, onde alunos sem essa condição compram as pílulas com a promessa de aprimorar a concentração e atenção em provas e durante o estudo – sendo até vendidos como “smart drugs”, “drogas inteligentes”.
Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/ritalina-nao-melhora-a-performance-de estudantes-em-provas-mostra-estudo/. Acesso em: 16 jun. 2023 
Considerando a linguagem utilizada no texto, é correto afirmar o seguinte:
I. A função da linguagem predominante é a expressiva, pois o objetivo do autor é expressar a sua opinião com base em informações científicas.
II. Predomina a função referencial, uma vez que a linguagem é denotativa, prioriza o contexto, usa palavras precisas em função do caráter informativo da notícia.
III. Embora o texto seja uma notícia, nele predomina a função metalinguística, pois concentra-se no código, o que significa que a linguagem fala sobre si mesma.
Alternativas
Q3591677 Português
Leia o trecho da letra da canção Gota d'água, de Chico Buarque, para responder à questão.

Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água
Pode-se afirmar que há um claro exemplo de metáfora no seguinte verso da música: 
Alternativas
Q3591470 Português

Leia o poema e responda a questão.


Pessoas são diferentes


Ruth Rocha



São duas crianças lindas


Mas são muito diferentes!


Uma é toda desdentada,


A outra é cheia de dentes…



Uma anda descabelada,


A outra é cheia de pentes!



Uma delas usa óculos,


E a outra só usa lentes.



Uma gosta de gelados,


A outra gosta de quentes.



Uma tem cabelos longos,


A outra corta eles rentes.



Não queira que sejam iguais,


Aliás, nem mesmo tentes!


São duas crianças lindas,


Mas são muito diferentes!




De que modo a autora do poema aborda a diferença entre as pessoas?
Alternativas
Q3591440 Português
"Notem bem que eu não tenho culpa destas histórias enfadonhas de dedos e contra dedos, e palavras sem sentido, outras meio inclinadas, outras claras, obscuras, menos ainda dos planos e das promessas de outro. Eu, se pudesse, logo no segundo dia tinha pegado em ambos, ligava-lhes as mãos, e dizia-lhes, Casem-se. E passava a contar outras histórias menos monótonas. Mas as pessoas são estas: é preciso aceitá-las assim mesmo."

(Conto - Um sonho e outro sonho. In: ASSIS, Machado. Relíquias da Casa Velha. Editora Brasileira: São Paulo, 1959).
O fragmento textual apresenta várias características do Bruxo do Cosme Velho, exceto:
Alternativas
Q3591436 Português
Olhos d'água


Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma estranha pergunta explodiu de minha boca. De que cor eram os olhos de minha mãe?
..........
...........................................................................................
E foi então que, tomada pelo desespero por não me lembrar de que cor seriam os olhos de minha mãe, naquele momento resolvi deixar tudo e, no dia seguinte, voltar à cidade em que nasci. Eu precisava buscar o rosto de minha mãe, fixar o meu olhar no dela, para nunca mais esquecer a cor de seus olhos.
............
...........................................................................................
E quando, após longos dias de viagem para chegar à minha terra, pude contemplar extasiada os olhos de minha mãe, sabem o que vi? Sabem o que vi?
Vi só lágrimas e lágrimas. Entretanto, ela sorria feliz. Mas eram tantas lágrimas, que eu me perguntei se minha mãe tinha olhos ou rios caudalosos sobre a face. E só então compreendi. Minha mãe trazia, serenamente em si, águas correntezas. Por isso, prantos e prantos a enfeitar o seu rosto. A cor dos olhos da minha mãe era cor de olhos d'água. De Mamãe Oxum! Rios calmos, mas profundos e enganosos para quem contempla a vida apenas pela superfície. Sim, águas de Mamãe Oxum.
Abracei a mãe, encostei meu rosto no dela e pedi proteção. Senti as lágrimas delas se misturarem às minhas.
Hoje, quando já alcancei a cor dos olhos de minha mãe, tento descobrir a cor dos olhos de minha filha. Faço a brincadeira em que em que os olhos de uma se tornam o espelho para os olhos da outra. E um dia desses me surpreendi com um gesto de minha menina. Quando nós duas estávamos nesse doce jogo, ela tocou suavemente no meu rosto, me contemplando intensamente. E, enquanto jogava o olhar dela no meu, perguntou baixinho, mas tão baixinho, como se fosse uma pergunta para ela mesma, ou como se estivesse buscando e encontrando a revelação de um mistério ou de um grande segredo. Eu escutei quando, sussurrando, minha filha falou:

- Mãe, qual é a cor tão úmida de seus olhos?

(Conceição Evaristo)
EVARISTO, Conceição. Olhos d'água. Pallas Editora, 2016.
Analise as afirmativas e assinale a alternativa correta em relação ao excerto.

I. Ao voltar à cidade em que nasceu, a narradora busca a identidade perdida ou desconstruída.
II. Ao se perguntar: "se minha mãe tinha olhos ou rios caudalosos sobre a face", há intertextualidade à Mamãe Oxum, cujo elemento é a água.
III. A alusão ao espelho apresenta o tema da ancestralidade e da hereditariedade caro à autora.
IV. O choro das personagens metonimicamente suplicam um lugar de fala à mulher negra oprimida e submissa.
V. O questionamento da filha à narradora ratifica a continuação da opressão do qual a mulher preta nunca se livrará.
Alternativas
Q3591435 Português
Olhos d'água


Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma estranha pergunta explodiu de minha boca. De que cor eram os olhos de minha mãe?
..........
...........................................................................................
E foi então que, tomada pelo desespero por não me lembrar de que cor seriam os olhos de minha mãe, naquele momento resolvi deixar tudo e, no dia seguinte, voltar à cidade em que nasci. Eu precisava buscar o rosto de minha mãe, fixar o meu olhar no dela, para nunca mais esquecer a cor de seus olhos.
............
...........................................................................................
E quando, após longos dias de viagem para chegar à minha terra, pude contemplar extasiada os olhos de minha mãe, sabem o que vi? Sabem o que vi?
Vi só lágrimas e lágrimas. Entretanto, ela sorria feliz. Mas eram tantas lágrimas, que eu me perguntei se minha mãe tinha olhos ou rios caudalosos sobre a face. E só então compreendi. Minha mãe trazia, serenamente em si, águas correntezas. Por isso, prantos e prantos a enfeitar o seu rosto. A cor dos olhos da minha mãe era cor de olhos d'água. De Mamãe Oxum! Rios calmos, mas profundos e enganosos para quem contempla a vida apenas pela superfície. Sim, águas de Mamãe Oxum.
Abracei a mãe, encostei meu rosto no dela e pedi proteção. Senti as lágrimas delas se misturarem às minhas.
Hoje, quando já alcancei a cor dos olhos de minha mãe, tento descobrir a cor dos olhos de minha filha. Faço a brincadeira em que em que os olhos de uma se tornam o espelho para os olhos da outra. E um dia desses me surpreendi com um gesto de minha menina. Quando nós duas estávamos nesse doce jogo, ela tocou suavemente no meu rosto, me contemplando intensamente. E, enquanto jogava o olhar dela no meu, perguntou baixinho, mas tão baixinho, como se fosse uma pergunta para ela mesma, ou como se estivesse buscando e encontrando a revelação de um mistério ou de um grande segredo. Eu escutei quando, sussurrando, minha filha falou:

- Mãe, qual é a cor tão úmida de seus olhos?

(Conceição Evaristo)
EVARISTO, Conceição. Olhos d'água. Pallas Editora, 2016.
Houve falha na classificação dos tipos de coesão em:
Alternativas
Q3591050 Português
Assinale a alternativa que possui uma metáfora.
Alternativas
Respostas
28041: C
28042: C
28043: A
28044: D
28045: B
28046: A
28047: B
28048: C
28049: C
28050: C
28051: B
28052: A
28053: C
28054: B
28055: B
28056: D
28057: D
28058: A
28059: C
28060: A