Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q2377066 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir, fragmento de um artigo de opinião, para responder à questão.



Saúde mental nas organizações: mais do que estratégia, investimento!



A saúde mental é um aspecto crucial do bem-estar global de um indivíduo e desempenha um papel fundamental em sua capacidade de realizar seu trabalho de forma eficaz. Existe atualmente uma grande quantidade de doenças conectadas à saúde mental da população. A ansiedade, por exemplo, atinge cerca de 18,5 milhões de brasileiros, e é responsável por mais de um terço do número total de incapacidades nas Américas.


Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde publicado em junho de 2022, quase 1 bilhão de pessoas viviam com transtorno mental em 2019 no mundo. O relatório também aponta que pessoas com condições severas de saúde mental morrem, em média, de 10 a 20 anos mais cedo do que a população em geral, principalmente devido a doenças físicas evitáveis.


KINJO, Alessandra Pinatti. Saúde mental nas organizações:
mais do que estratégia, investimento! Hoje em Dia, 23
set. 2023. Disponível em: https://www.hojeemdia.com.br/
opiniao/opiniao/saude-mental-nas-organizac-es-mais-do-que-
estrategia-investimento-1.980450.
Acesso em: 23 set. 2023. [Fragmento]
De acordo com o texto, pode-se concluir que
Alternativas
Q2377041 Português
INSTRUÇÃO: Leia o fragmento do texto para responder à questão.



Educação precisa desenvolver qualidades humanas nos estudantes



A educação do século XXI representa um compromisso com o futuro, uma crença no poder transformador do conhecimento. Em um mundo marcado por constantes mudanças sociais, econômicas e ambientais, ela desempenha um papel fundamental na preparação das gerações futuras para os desafios de nutrir uma sociedade com equilíbrio e desenvolvimento, usufruindo dos recursos de inovação e tecnologia disponíveis no presente.


Um aspecto crucial dessa evolução é a integração das novas tecnologias no processo educacional. Elas não são apenas ferramentas no dia a dia, mas também recursos poderosos para o desenvolvimento pleno do educando, seguindo o artigo 2° da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Um exemplo mais recente é a inteligência artificial em suas diversas manifestações, que desempenha um papel cada vez mais importante e indispensável na sociedade. Ainda que seja um debate recente, é evidente que ela não substitui ou substituirá o papel do educador, mas enriquece a experiência de aprendizado, personalizando abordagens e oferecendo insights valiosos sobre o progresso do aluno.



NEVES, Mozart; BELDI, Thais. Educação precisa desenvolver qualidades humanas nos estudantes. Gazeta do Povo, 2023. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/educacao-precisa-desenvolver-qualidades-humanas-nos-estudantes/. Acesso em: 27 set. 2023. [Fragmento]
De acordo com o texto, a tecnologia é considerada pelos autores como
Alternativas
Q2377038 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir, fragmento de um artigo de opinião, para responder à questão.



Fatos e relatos



Dizem que, em relação a um fato, há a minha versão, a sua versão e a verdade. E faz sentido, afinal, a despeito dos interesses — sempre! — envolvidos e da tentativa — genuína, muitas vezes! — de ser imparcial, cada um faz a leitura a partir do seu ponto de vista, ou da sua vista do ponto. Essas divergências fazem-se ainda mais evidentes quando os narradores assumem, sabidamente, papéis diferentes. Por exemplo, o historiador e o artista.


E, vale dizer, não se trata de trabalhos concorrentes, mas sim complementares, ainda que com objetivos próprios. É de uma riqueza imensurável submeter um mesmo cenário às lentes da Arte e da História. Nesta, destacar-se-á, de maneira utilitária, objetiva e unissignificativa (dentro do possível!), a realidade dos fatos; naquela, sob a luz da estética, de maneira subjetiva e, intencionalmente, plurissignificativa, a leitura feita pelo artista.


Mesmo que se questione a viabilidade da total imparcialidade [...], o historiador tem compromisso com a fidedignidade aos fatos.



LOPES, Daniela M. A.; FONTES, Ênio C. M. Fatos e relatos. Hoje em Dia, 25 set. 2023. Disponível em: https://www. hojeemdia.com.br/opiniao/opiniao/fatos-e-relatos-1.980452. Acesso em: 25 set. 2023. [Fragmento] 
Pela leitura do texto e análise dos procedimentos argumentativos empregados, pode-se inferir que os autores
Alternativas
Q2377037 Português
INSTRUÇÃO: Leia o fragmento a seguir para responder à questão.



Publicitário cria ONG para ajudar refugiados a recomeçar no Brasil



Tudo começou com um sonho — literalmente. Em outubro de 2018, Fernando Rangel, 35, sonhou com uma menina que não conhecia. Um dia, ele reconheceu aquela criança na foto de uma reportagem sobre a crise migratória venezuelana.


Nasceu, ali, uma vontade de ajudar que se tornou o propósito de vida do publicitário mineiro e o motivou a trocar um cargo de gerência em uma multinacional pelo terceiro setor.


Cinco anos depois, a ONG criada por ele, Refúgio 343, já realizou o sonho de 2.000 famílias que buscam no Brasil uma chance de recomeçar. São duas frentes de atuação: educação, com cursos de português e capacitação profissional para recém-chegados a Roraima, e integração socioeconômica em outros estados.


Inspirado pelo sonho, Fernando procurou uma organização humanitária e se ofereceu para patrocinar a viagem de uma família para São Paulo. “Eu tinha uma edícula em casa, pensei: ‘Vou até Boa Vista e volto com cinco pessoas no avião. Elas moram aqui até conseguirem emprego e depois alugo um lugar para eles.’”



MANTOVANI, Flávia. Publicitário cria ONG para ajudar refugiados a recomeçar no Brasil. Folha de S. Paulo, 2023. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/folha-social-mais/2023/09/publicitario-cria-ong-para-ajudar-venezuelanos-a-recomecar-no-brasil.shtml. Acesso em: 30 set. 2023. [Fragmento]

Conforme exposto no texto, o objetivo da ONG Refúgio 343 é
Alternativas
Q2377035 Português
INSTRUÇÃO: Leia o fragmento a seguir para responder à questão.



Publicitário cria ONG para ajudar refugiados a recomeçar no Brasil



Tudo começou com um sonho — literalmente. Em outubro de 2018, Fernando Rangel, 35, sonhou com uma menina que não conhecia. Um dia, ele reconheceu aquela criança na foto de uma reportagem sobre a crise migratória venezuelana.


Nasceu, ali, uma vontade de ajudar que se tornou o propósito de vida do publicitário mineiro e o motivou a trocar um cargo de gerência em uma multinacional pelo terceiro setor.


Cinco anos depois, a ONG criada por ele, Refúgio 343, já realizou o sonho de 2.000 famílias que buscam no Brasil uma chance de recomeçar. São duas frentes de atuação: educação, com cursos de português e capacitação profissional para recém-chegados a Roraima, e integração socioeconômica em outros estados.


Inspirado pelo sonho, Fernando procurou uma organização humanitária e se ofereceu para patrocinar a viagem de uma família para São Paulo. “Eu tinha uma edícula em casa, pensei: ‘Vou até Boa Vista e volto com cinco pessoas no avião. Elas moram aqui até conseguirem emprego e depois alugo um lugar para eles.’”



MANTOVANI, Flávia. Publicitário cria ONG para ajudar refugiados a recomeçar no Brasil. Folha de S. Paulo, 2023. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/folha-social-mais/2023/09/publicitario-cria-ong-para-ajudar-venezuelanos-a-recomecar-no-brasil.shtml. Acesso em: 30 set. 2023. [Fragmento]

Releia este trecho.


“Eu tinha uma edícula em casa, pensei: ‘Vou até Boa Vista e volto com cinco pessoas no avião. Elas moram aqui até conseguirem emprego e depois alugo um lugar para eles.’”


Considerando o contexto apresentado, o termo em destaque significa que o publicitário tinha uma
Alternativas
Q2375725 Português
A questão refere-se ao texto abaixo:



Brasileiro ou Brasiliano? Como você se define?



Há anos fui cativado pelo ótimo artigo “Brasiliana” (Revista O Globo – 29/03/15), da jornalista Leilane Neubarth, sobre o quanto a diferença de sufixo entre as palavras brasileiro e brasiliano ajuda a explicar a falta de noção do brasileiro sobre nação. Gostei tanto, principalmente pelo fato de corroborar minha opinião sobre visões opostas de cidadania fundamentadas pela diferença na motivação da colonização entre Brasil e Estados Unidos, que capturei a página e a guardei.



Dois meses depois, ao ler a matéria “Orgulho de ser brasileiro” (Jornal O Globo – 30/05/15), do jornalista Renato Grandelle, que trata dos portugueses que voltavam ricos da antiga colônia e atuavam como filantropos na terra natal, fui compelido a escrever esse texto conectando as duas abordagens complementares sobre o tema.



Em seu artigo, Leilane nos conta sobre o encontro com o professor e dicionarista Antônio Houaiss, quando, após ouvir suas lamúrias sobre os escândalos de corrupção e sobre pessoas e polı́ticos que só pensam em seu próprio bem-estar, afirmou que o “problema está no sufixo”. Houaiss explicou: o sufixo de nação é “ano”, como em americano, australiano, italiano, mexicano, ou “ês”, como em francês, português, inglês ou japonês. Já o sufixo de profissão é “eiro”, como em padeiro, carpinteiro, jardineiro, relojoeiro, engenheiro e, lamentavelmente, em “brasileiro”.



Surpresa com a descoberta, Leilane desabafou com muita propriedade: “Eu fico imaginando quantas pessoas vieram para cá ser brasileiros. Ganhar dinheiro com nossas terras, pedras, rios e florestas… Milhões ao longo dos séculos usando o Brasil como profissão em vez de trabalhar para ele, por ele, pelo nosso povo, pela nossa nação.”



Eis então que o artigo de Renato Grandelle, que gira em torno de sua descoberta, em um Festival de História no norte de Portugal, de que, a partir de meados do século XIX, o português que voltava rico da antiga colônia (Brasil) era definido como um verdadeiro “brasileiro” por seus compatriotas, revalida o sufixo como parte da explicação de Houaiss para a herança portuguesa de falta de sentimento de nação (e cidadania) entre muitos de nós brasileiros.



Em função do sucesso em fazer dinheiro por aqui, e voltar para Portugal, havia dois tipos de personagens. Aqueles que regressavam ricos, os “brasileiros”, bancavam obras do governo, colecionavam tı́tulos de nobreza e atuavam como filantropos e mecenas na terra natal. Já aqueles que retornavam de bolsos vazios, pois conseguiram apenas o necessário para o próprio sustento, eram debochadamente denominados “abrasileirados”.



Arrasado por uma guerra civil e com a economia estagnada, Portugal tornou-se simples porta de saı́da para o outro lado do Atlântico e o sonho de milhares de portugueses, na maioria semianalfabetos, era ir para o Brasil fazer fortuna e voltar recompensados para ganhar o respeito, a admiração e a reputação que nunca teriam se não tivessem deixado as terras lusitanas. Os “brasileiros” retornavam para suas cidades portuguesas de origem, exibiam seu poder (novo rico) construindo palacetes, escolas, hospitais, estradas e igrejas, ou tornando-se sócios de bancos, seguradoras e outras empresas, e ganhavam reconhecimento do governo e da igreja com comendas e tı́tulos.



Desta forma, o exemplo dos regressos bem-sucedidos retroalimentava e ampliava a imigração dos candidatos a “brasileiros”. O Brasil passou a ser visto pelos portugueses como um paı́s do futuro (deles) e a vinda para cá tinha um objetivo muito claro e pragmático: trabalhar duro e acumular o máximo possıv́el de recursos que somente seriam gastos após o retorno à terrinha. Ou seja, como ainda hoje pensam e agem muitos “brasileiros”, o mais importante é o interesse pessoal e o Brasil que se dane.



Assim como a Leilane se definiu muito bem em seu artigo, eu também prefiro me considerar um BRASILIANO. E você?



(MARCELO SZPILMAN, disponıv́el no link grupocataratas.com/brasileiro-ou-brasiliano-como-voce-se-define/, publicado originalmente em 06/01/2021) 
De acordo com as ideias do texto, qual seria a ordem correta para chamarmos as seguintes pessoas abaixo:


I. Um vereador que desvia recursos municipais para enriquecer.
II. Uma mãe de família que luta pelo seu sustento.
III. Um colono português que regressava rico para Portugal.
IV. Um colono português que regressava de bolsos vazios para Portugal.


A ordem correta seria:
Alternativas
Q2375723 Português
A questão refere-se ao texto abaixo:



Brasileiro ou Brasiliano? Como você se define?



Há anos fui cativado pelo ótimo artigo “Brasiliana” (Revista O Globo – 29/03/15), da jornalista Leilane Neubarth, sobre o quanto a diferença de sufixo entre as palavras brasileiro e brasiliano ajuda a explicar a falta de noção do brasileiro sobre nação. Gostei tanto, principalmente pelo fato de corroborar minha opinião sobre visões opostas de cidadania fundamentadas pela diferença na motivação da colonização entre Brasil e Estados Unidos, que capturei a página e a guardei.



Dois meses depois, ao ler a matéria “Orgulho de ser brasileiro” (Jornal O Globo – 30/05/15), do jornalista Renato Grandelle, que trata dos portugueses que voltavam ricos da antiga colônia e atuavam como filantropos na terra natal, fui compelido a escrever esse texto conectando as duas abordagens complementares sobre o tema.



Em seu artigo, Leilane nos conta sobre o encontro com o professor e dicionarista Antônio Houaiss, quando, após ouvir suas lamúrias sobre os escândalos de corrupção e sobre pessoas e polı́ticos que só pensam em seu próprio bem-estar, afirmou que o “problema está no sufixo”. Houaiss explicou: o sufixo de nação é “ano”, como em americano, australiano, italiano, mexicano, ou “ês”, como em francês, português, inglês ou japonês. Já o sufixo de profissão é “eiro”, como em padeiro, carpinteiro, jardineiro, relojoeiro, engenheiro e, lamentavelmente, em “brasileiro”.



Surpresa com a descoberta, Leilane desabafou com muita propriedade: “Eu fico imaginando quantas pessoas vieram para cá ser brasileiros. Ganhar dinheiro com nossas terras, pedras, rios e florestas… Milhões ao longo dos séculos usando o Brasil como profissão em vez de trabalhar para ele, por ele, pelo nosso povo, pela nossa nação.”



Eis então que o artigo de Renato Grandelle, que gira em torno de sua descoberta, em um Festival de História no norte de Portugal, de que, a partir de meados do século XIX, o português que voltava rico da antiga colônia (Brasil) era definido como um verdadeiro “brasileiro” por seus compatriotas, revalida o sufixo como parte da explicação de Houaiss para a herança portuguesa de falta de sentimento de nação (e cidadania) entre muitos de nós brasileiros.



Em função do sucesso em fazer dinheiro por aqui, e voltar para Portugal, havia dois tipos de personagens. Aqueles que regressavam ricos, os “brasileiros”, bancavam obras do governo, colecionavam tı́tulos de nobreza e atuavam como filantropos e mecenas na terra natal. Já aqueles que retornavam de bolsos vazios, pois conseguiram apenas o necessário para o próprio sustento, eram debochadamente denominados “abrasileirados”.



Arrasado por uma guerra civil e com a economia estagnada, Portugal tornou-se simples porta de saı́da para o outro lado do Atlântico e o sonho de milhares de portugueses, na maioria semianalfabetos, era ir para o Brasil fazer fortuna e voltar recompensados para ganhar o respeito, a admiração e a reputação que nunca teriam se não tivessem deixado as terras lusitanas. Os “brasileiros” retornavam para suas cidades portuguesas de origem, exibiam seu poder (novo rico) construindo palacetes, escolas, hospitais, estradas e igrejas, ou tornando-se sócios de bancos, seguradoras e outras empresas, e ganhavam reconhecimento do governo e da igreja com comendas e tı́tulos.



Desta forma, o exemplo dos regressos bem-sucedidos retroalimentava e ampliava a imigração dos candidatos a “brasileiros”. O Brasil passou a ser visto pelos portugueses como um paı́s do futuro (deles) e a vinda para cá tinha um objetivo muito claro e pragmático: trabalhar duro e acumular o máximo possıv́el de recursos que somente seriam gastos após o retorno à terrinha. Ou seja, como ainda hoje pensam e agem muitos “brasileiros”, o mais importante é o interesse pessoal e o Brasil que se dane.



Assim como a Leilane se definiu muito bem em seu artigo, eu também prefiro me considerar um BRASILIANO. E você?



(MARCELO SZPILMAN, disponıv́el no link grupocataratas.com/brasileiro-ou-brasiliano-como-voce-se-define/, publicado originalmente em 06/01/2021) 
Analise o termo “brasileiro” nas duas frases a seguir:


I. Os “brasileiros” retornavam para suas cidades portuguesas de origem (...)
II. (... ) como ainda hoje pensam e agem muitos “brasileiros” (...)


No contexto em que estão inseridas, podemos afirmar corretamente que:
Alternativas
Q2375722 Português
A questão refere-se ao texto abaixo:



Brasileiro ou Brasiliano? Como você se define?



Há anos fui cativado pelo ótimo artigo “Brasiliana” (Revista O Globo – 29/03/15), da jornalista Leilane Neubarth, sobre o quanto a diferença de sufixo entre as palavras brasileiro e brasiliano ajuda a explicar a falta de noção do brasileiro sobre nação. Gostei tanto, principalmente pelo fato de corroborar minha opinião sobre visões opostas de cidadania fundamentadas pela diferença na motivação da colonização entre Brasil e Estados Unidos, que capturei a página e a guardei.



Dois meses depois, ao ler a matéria “Orgulho de ser brasileiro” (Jornal O Globo – 30/05/15), do jornalista Renato Grandelle, que trata dos portugueses que voltavam ricos da antiga colônia e atuavam como filantropos na terra natal, fui compelido a escrever esse texto conectando as duas abordagens complementares sobre o tema.



Em seu artigo, Leilane nos conta sobre o encontro com o professor e dicionarista Antônio Houaiss, quando, após ouvir suas lamúrias sobre os escândalos de corrupção e sobre pessoas e polı́ticos que só pensam em seu próprio bem-estar, afirmou que o “problema está no sufixo”. Houaiss explicou: o sufixo de nação é “ano”, como em americano, australiano, italiano, mexicano, ou “ês”, como em francês, português, inglês ou japonês. Já o sufixo de profissão é “eiro”, como em padeiro, carpinteiro, jardineiro, relojoeiro, engenheiro e, lamentavelmente, em “brasileiro”.



Surpresa com a descoberta, Leilane desabafou com muita propriedade: “Eu fico imaginando quantas pessoas vieram para cá ser brasileiros. Ganhar dinheiro com nossas terras, pedras, rios e florestas… Milhões ao longo dos séculos usando o Brasil como profissão em vez de trabalhar para ele, por ele, pelo nosso povo, pela nossa nação.”



Eis então que o artigo de Renato Grandelle, que gira em torno de sua descoberta, em um Festival de História no norte de Portugal, de que, a partir de meados do século XIX, o português que voltava rico da antiga colônia (Brasil) era definido como um verdadeiro “brasileiro” por seus compatriotas, revalida o sufixo como parte da explicação de Houaiss para a herança portuguesa de falta de sentimento de nação (e cidadania) entre muitos de nós brasileiros.



Em função do sucesso em fazer dinheiro por aqui, e voltar para Portugal, havia dois tipos de personagens. Aqueles que regressavam ricos, os “brasileiros”, bancavam obras do governo, colecionavam tı́tulos de nobreza e atuavam como filantropos e mecenas na terra natal. Já aqueles que retornavam de bolsos vazios, pois conseguiram apenas o necessário para o próprio sustento, eram debochadamente denominados “abrasileirados”.



Arrasado por uma guerra civil e com a economia estagnada, Portugal tornou-se simples porta de saı́da para o outro lado do Atlântico e o sonho de milhares de portugueses, na maioria semianalfabetos, era ir para o Brasil fazer fortuna e voltar recompensados para ganhar o respeito, a admiração e a reputação que nunca teriam se não tivessem deixado as terras lusitanas. Os “brasileiros” retornavam para suas cidades portuguesas de origem, exibiam seu poder (novo rico) construindo palacetes, escolas, hospitais, estradas e igrejas, ou tornando-se sócios de bancos, seguradoras e outras empresas, e ganhavam reconhecimento do governo e da igreja com comendas e tı́tulos.



Desta forma, o exemplo dos regressos bem-sucedidos retroalimentava e ampliava a imigração dos candidatos a “brasileiros”. O Brasil passou a ser visto pelos portugueses como um paı́s do futuro (deles) e a vinda para cá tinha um objetivo muito claro e pragmático: trabalhar duro e acumular o máximo possıv́el de recursos que somente seriam gastos após o retorno à terrinha. Ou seja, como ainda hoje pensam e agem muitos “brasileiros”, o mais importante é o interesse pessoal e o Brasil que se dane.



Assim como a Leilane se definiu muito bem em seu artigo, eu também prefiro me considerar um BRASILIANO. E você?



(MARCELO SZPILMAN, disponıv́el no link grupocataratas.com/brasileiro-ou-brasiliano-como-voce-se-define/, publicado originalmente em 06/01/2021) 
O texto passa, principalmente, que tipo de conotação para a palavra “brasileiro”?
Alternativas
Q2375721 Português
A questão refere-se ao texto abaixo:



Brasileiro ou Brasiliano? Como você se define?



Há anos fui cativado pelo ótimo artigo “Brasiliana” (Revista O Globo – 29/03/15), da jornalista Leilane Neubarth, sobre o quanto a diferença de sufixo entre as palavras brasileiro e brasiliano ajuda a explicar a falta de noção do brasileiro sobre nação. Gostei tanto, principalmente pelo fato de corroborar minha opinião sobre visões opostas de cidadania fundamentadas pela diferença na motivação da colonização entre Brasil e Estados Unidos, que capturei a página e a guardei.



Dois meses depois, ao ler a matéria “Orgulho de ser brasileiro” (Jornal O Globo – 30/05/15), do jornalista Renato Grandelle, que trata dos portugueses que voltavam ricos da antiga colônia e atuavam como filantropos na terra natal, fui compelido a escrever esse texto conectando as duas abordagens complementares sobre o tema.



Em seu artigo, Leilane nos conta sobre o encontro com o professor e dicionarista Antônio Houaiss, quando, após ouvir suas lamúrias sobre os escândalos de corrupção e sobre pessoas e polı́ticos que só pensam em seu próprio bem-estar, afirmou que o “problema está no sufixo”. Houaiss explicou: o sufixo de nação é “ano”, como em americano, australiano, italiano, mexicano, ou “ês”, como em francês, português, inglês ou japonês. Já o sufixo de profissão é “eiro”, como em padeiro, carpinteiro, jardineiro, relojoeiro, engenheiro e, lamentavelmente, em “brasileiro”.



Surpresa com a descoberta, Leilane desabafou com muita propriedade: “Eu fico imaginando quantas pessoas vieram para cá ser brasileiros. Ganhar dinheiro com nossas terras, pedras, rios e florestas… Milhões ao longo dos séculos usando o Brasil como profissão em vez de trabalhar para ele, por ele, pelo nosso povo, pela nossa nação.”



Eis então que o artigo de Renato Grandelle, que gira em torno de sua descoberta, em um Festival de História no norte de Portugal, de que, a partir de meados do século XIX, o português que voltava rico da antiga colônia (Brasil) era definido como um verdadeiro “brasileiro” por seus compatriotas, revalida o sufixo como parte da explicação de Houaiss para a herança portuguesa de falta de sentimento de nação (e cidadania) entre muitos de nós brasileiros.



Em função do sucesso em fazer dinheiro por aqui, e voltar para Portugal, havia dois tipos de personagens. Aqueles que regressavam ricos, os “brasileiros”, bancavam obras do governo, colecionavam tı́tulos de nobreza e atuavam como filantropos e mecenas na terra natal. Já aqueles que retornavam de bolsos vazios, pois conseguiram apenas o necessário para o próprio sustento, eram debochadamente denominados “abrasileirados”.



Arrasado por uma guerra civil e com a economia estagnada, Portugal tornou-se simples porta de saı́da para o outro lado do Atlântico e o sonho de milhares de portugueses, na maioria semianalfabetos, era ir para o Brasil fazer fortuna e voltar recompensados para ganhar o respeito, a admiração e a reputação que nunca teriam se não tivessem deixado as terras lusitanas. Os “brasileiros” retornavam para suas cidades portuguesas de origem, exibiam seu poder (novo rico) construindo palacetes, escolas, hospitais, estradas e igrejas, ou tornando-se sócios de bancos, seguradoras e outras empresas, e ganhavam reconhecimento do governo e da igreja com comendas e tı́tulos.



Desta forma, o exemplo dos regressos bem-sucedidos retroalimentava e ampliava a imigração dos candidatos a “brasileiros”. O Brasil passou a ser visto pelos portugueses como um paı́s do futuro (deles) e a vinda para cá tinha um objetivo muito claro e pragmático: trabalhar duro e acumular o máximo possıv́el de recursos que somente seriam gastos após o retorno à terrinha. Ou seja, como ainda hoje pensam e agem muitos “brasileiros”, o mais importante é o interesse pessoal e o Brasil que se dane.



Assim como a Leilane se definiu muito bem em seu artigo, eu também prefiro me considerar um BRASILIANO. E você?



(MARCELO SZPILMAN, disponıv́el no link grupocataratas.com/brasileiro-ou-brasiliano-como-voce-se-define/, publicado originalmente em 06/01/2021) 
A ideia pré-estabelecida do autor sobre visões opostas de cidadania fundamentadas pela diferença na motivação da colonização foi fortalecida a partir do seu contato com o trabalho de:
Alternativas
Q2375650 Português
Assinale a frase em que o termo sublinhado está retomado por um grupo nominal.
Alternativas
Q2375649 Português
As frases a seguir mostram vocábulos idênticos repetidos. Assinale a frase em que esses vocábulos mostram significados diferentes.
Alternativas
Q2375648 Português
Observe o seguinte texto de um escritor italiano:

“Existe uma classe de pessoas que dá provas e atribui-se o mérito de ser ilustre há muitas gerações, embora permaneça ociosa e inútil. Intitula-se nobreza; e, não menos do que a classe dos sacerdotes, deve ser considerada como um dos maiores obstáculos à vida livre e um dos mais ferozes e permanentes pilares da tirania.”

Sobre a estrutura e a significação dessa frase, assinale a afirmativa inadequada.
Alternativas
Q2375647 Português
Observe o seguinte texto de uma autora inglesa.

“A aristocracia numa república é como um frango cuja cabeça foi cortada: pode até correr com vivacidade de um lado para outro, mas na verdade está morto.”

Sobre a estrutura ou significação do texto acima, assinale a afirmativa incorreta.
Alternativas
Q2375646 Português
A coerência de um texto é construída também por meio de retomadas, de tipos variados, de outros elementos.

Assinale a opção em que a retomada do termo sublinhado é feita por meio de um elemento de classe gramatical diferente dos demais.
Alternativas
Q2375643 Português
Assinale a frase que mostra dois vocábulos em oposição semântica (antônimos).
Alternativas
Q2375641 Português
Um grande escritor francês disse certa vez que “Se cinquenta milhões de pessoas dizem uma grande besteira, continua sendo uma grande besteira”.

Essa frase contraria os argumentos presentes nos textos argumentativos, que se apoiam no(a)
Alternativas
Q2375592 Português
As frases abaixo mostram a presença do substantivo “coisa”; assinale a frase em que houve a substituição adequada desse substantivo por uma palavra de valor mais específico. 
Alternativas
Q2375587 Português
Assinale a frase que mostra uma estrutura de antíteses. 
Alternativas
Q2375583 Português
Há alguns verbos na língua portuguesa – ter, fazer, dar e pôr - que são empregados em lugar de outros de significado mais preciso.

Assinale a frase abaixo em que o verbo FAZER é substituído adequadamente por outro verbo de valor equivalente e mais específico. 
Alternativas
Q2375581 Português
Observe abaixo um parágrafo descritivo retirado da primeira página do romance O Primo Basílio, de Eça de Queiroz:
“A sala esteirada, alegrava, com o seu teto de madeira pintado a branco, o seu papel claro de ramagens verdes. Era em julho, um domingo, fazia um grande calor; as duas janelas estavam cerradas, mas sentia-se fora o sol faiscar nas vidraças, escaldar a pedra da varanda; havia o silêncio recolhido e sonolento de manhã de missa; uma vaga quebreira amolentava, trazia desejos de sestas ou de sombras fofas debaixo de arvoredos, no campo, ao pé da água; nas duas gaiolas, entre as bambinelas de cretone azulado, os canários dormiam; um zumbido monótono de moscas arrastava-se por cima da mesa, pousava no fundo das chávenas sobre o açúcar mal derretido, enchia toda a sala de um rumor dormente.”

Assinale a afirmativa correta sobre a estrutura e significado desse segmento. 
Alternativas
Respostas
26181: C
26182: C
26183: C
26184: C
26185: D
26186: C
26187: A
26188: B
26189: D
26190: E
26191: B
26192: D
26193: B
26194: E
26195: B
26196: E
26197: B
26198: E
26199: C
26200: B