Questões de Concurso
Comentadas sobre gêneros textuais em português
Foram encontradas 2.036 questões
TEXTO I
OAB cria comissão para pressionar reforma do Judiciário.
Davi Vittorazzi
O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) criou uma comissão para promover a reforma do Poder Judiciário. A iniciativa ocorre em meio às discussões de mudanças na estrutura da Justiça, que deve também estar em pauta nas eleições deste ano. Segundo a portaria que instaura o grupo, a finalidade é articular propostas já aprovadas pela OAB sobre o tema. O documento foi publicado em 14 de abril.
A instituição justifica que, nos últimos anos, vem “amadurecendo reflexões institucionais relevantes sobre o aperfeiçoamento da estrutura, do funcionamento e dos mecanismos de controle do Poder Judiciário, em temas que dizem respeito à própria conformação do Estado Democrático de Direito”.
O colegiado será responsável por coordenar a atuação institucional da OAB, mobilizar a advocacia e consolidar contribuições das seccionais para o encaminhamento das medidas. Para o presidente nacional da instituição, Beto Simonetti, a atuação da entidade busca dar sequência às deliberações já consolidadas internamente.
“A OAB já aprovou em plenário seu apoio a itens fundamentais da reforma do Judiciário, como a adoção de mandatos fixos para ministros do STF, limitação das decisões monocráticas e estabelecimento de regras para a atuação de parentes de juízes na advocacia”, afirmou o presidente da entidade. “Uma comissão sobre o tema foi formalmente constituída pelo Conselho Federal da OAB. Qualquer discussão sobre reforma do Judiciário só será legítima, no entanto, se envolver a advocacia.”
A comissão de reforma do Judiciário
A secretária-geral da OAB Nacional, Rose Morais, vai presidir a comissão. Também integram o grupo os conselheiros federais Breno Augusto Pinto de Miranda (MT), Marilena Indira Winter (PR) e Silvia Virginia Silva de Souza (SP), além dos presidentes das seccionais Daniela Borges (BA), Márcio Nogueira (RO) e Rafael Lara Martins (GO).
A portaria também prevê a participação das seccionais e conselhos federais, que terão prazo de 15 dias para encaminhar sugestões ao colegiado, com apoio técnico da assessoria jurídica do Conselho Federal. As seccionais de São Paulo e Rio Grande do Sul já apresentaram contribuições. Os documentos serão analisados em conjunto com as demais propostas.
Fonte: VITTORAZZI, Davi. OAB cria comissão para pressionar reforma do Judiciário. https://revistaoeste.com/politica/oab-cria-comissao-parapressionar-reforma-do-judiciario
Assinale a alternativa correta.
A saga do print: quando a conversa vira prova
O primeiro print nasce inocente. Ele aparece como quem diz: "Só vou registrar, por garantia." O segundo print já nasce com intenção. O terceiro é praticamente um documento. E, quando você vê, a conversa virou processo.
Tudo começou com uma mensagem no grupo do setor, num fim de tarde que já cheirava a cansaço:
— Pode enviar hoje?
Três palavras. Nenhum complemento. Pode enviar o quê? Para quem? Hoje, que horas? Mas a mensagem tinha um detalhe perigoso: o ponto de interrogação. Ponto de interrogação, em ambiente de trabalho, não pergunta só. Ele cobra.
Eu respondi:
— Consigo até 18h. Aí veio outra mensagem:
— Ok.
Sem emoji, sem ponto, sem nada. Um "ok" que podia significar concordância, alívio ou julgamento. O "ok" é o camaleão do escritório.
Às 18h02, eu enviei o arquivo e escrevi:
— Enviado.
Cinco minutos depois, uma colega me chamou no privado:
— Você viu o que ele mandou no grupo?
Abri o grupo e vi um print. Um print meu. Um recorte da conversa, com o meu "Consigo até 18h" e o "ok" dele. Só que, no print, não aparecia o envio do arquivo. Nem aparecia a hora. Nem aparecia a pergunta anterior. O print era perfeito do jeito que uma meia-verdade sabe ser: pequeno, limpo e convincente.
A legenda do print dizia: "Mais uma vez prometeu e não entregou."
Eu li e senti meu estômago virar arquivo compactado.
O problema do print é que ele parece prova absoluta. Ele não grita, não xinga, não se contradiz. Ele só mostra. E mostrar, sem contexto, é um tipo de poder.
Eu fiz o que todo assistente administrativo aprende cedo: fui atrás do histórico. Apontei data, hora e sequência. Peguei meu próprio print, agora completo, com a pergunta anterior, o meu compromisso, o envio do arquivo e o "Enviado". Coloquei tudo numa linha do tempo mental, porque o escritório ama linhas do tempo.
Enviei para a colega:
— Olha a sequência completa.
Ela respondeu:
— Entendi. Mas já espalharam.
Espalhar. A palavra que transforma um mal-entendido em reputação.
No dia seguinte, na reunião, o coordenador abriu com aquela frase que tenta parecer neutra:
— Precisamos falar sobre alinhamento de entregas.
Eu ouvi "alinhamento" e soube que alguém tinha promovido meu print a pauta.
Ele projetou o print na tela. O recorte. O pedaço. O meu "Consigo até 18h" preso no aquário do "ok".
— Isso aqui não pode acontecer.
Eu respirei e fiz o que ninguém gosta de fazer em reunião: pedi a palavra com calma.
— Posso mostrar a conversa completa?
Houve um silêncio pequeno. Não era silêncio de permissão. Era silêncio de resistência. Porque contexto dá trabalho. Recorte é mais rápido.
Projetei meu print completo. E a sala viu, pela primeira vez, o que o print recortado escondia: a pergunta anterior e o envio às 18h02.
O coordenador pigarreou e disse a frase mais humana do mundo corporativo:
— Ah. Certo.
O "Ah. Certo." é a forma elegante de pedir desculpa sem pedir desculpa.
A reunião seguiu. O assunto mudou. Mas eu fiquei pensando numa coisa: print não é mentira. Print é seleção. E seleção é poder.
No fim do dia, eu organizei minha pasta de trabalho e criei uma subpasta chamada "Evidências". Não por paranoia.
Por aprendizado. Porque, no escritório, às vezes você não precisa fazer mais. Você precisa registrar melhor. E, principalmente, precisa lembrar que comunicação não é só o que foi dito. É o que ficou fácil de provar.
Fonte: Banca Examinadora
A devolução impossível: a epopeia do “só mais um procedimento”
Eu entrei na loja com uma sacola e um sonho pequeno: devolver um produto. Nem queria briga, nem queria drama. Queria paz, estorno e vida seguindo. O produto, um fone “premium”, tinha decidido morrer no terceiro dia. Não foi uma morte trágica. Foi uma morte burocrática. Ele simplesmente parou, como quem bate ponto e some.
Na minha cabeça, a lógica era infantil e perfeita: comprei, não funcionou, devolvo. Na vida real, a lógica vem com rodapé.
A atendente sorriu com a energia de quem já recebeu cem “casos simples” antes do almoço.
— Boa tarde. Em que posso ajudar?
— Quero devolver. Está com defeito.
Ela pegou o fone como se fosse uma prova em tribunal e, sem olhar para mim, perguntou:
— Tem nota?
A nota, claro. O documento sagrado. Eu tirei do bolso com a reverência de quem apresenta identidade.
Ela leu, digitou, clicou e disse a frase que inaugura toda epopeia:
— Então... pela nossa política, a troca é com a assistência.
Eu ouvi “nossa política” e senti que havia entrado numa constituição paralela, com artigos invisíveis e sanções emocionais.
— Mas eu quero devolver.
— Devolver é só em até sete dias e desde que esteja sem uso.
— Eu usei três dias. Para descobrir que não funciona. Ela sorriu de novo. O sorriso tinha a delicadeza de um carimbo.
— Entendo. Mas o sistema entende diferente.
Quando alguém diz que o sistema entende, você percebe que está discutindo com uma entidade abstrata. E entidades abstratas não têm culpa, não têm rosto e não erram. No máximo, “apresentam instabilidade”.
Eu tentei ser razoável. Fiz a pergunta que sempre parece inocente até virar armadilha:
— E qual é o procedimento?
Ela apontou para um papel. O papel tinha um QR code e uma promessa: “Rápido e fácil”.
— Você abre um chamado.
— Eu abro agora?
— Você abre pelo site.
— E depois?
— Depois aguarda.
— Aguarda quanto?
Ela respirou como quem consulta uma norma não escrita.
— Até quinze dias úteis.
Quinze dias úteis. Tempo suficiente para o fone ressuscitar por remorso ou para eu me acostumar ao silêncio.
Eu tentei outra rota.
— Não dá para resolver aqui?
— Só com laudo.
Laudo. A palavra “laudo” é mágica: ela transforma um fone em paciente e eu em parte interessada. Em dois segundos, eu não era mais cliente. Eu era “demandante”.
— E se o laudo disser que é defeito?
— Se for defeito, a assistência avalia.
— E se não for defeito?
— Se não for defeito, pode haver cobrança.
Cobrança. Outra palavra mágica. Ela faz o problema parecer culpa sua, mesmo quando o fone morreu sozinho, quietinho, sem plateia.
Eu senti vontade de dizer “isso é um absurdo”. Mas percebi que o absurdo não funciona contra um procedimento. O procedimento sempre ganha por cansaço. Ele não precisa estar certo. Ele só precisa continuar existindo.
A atendente, vendo minha cara, tentou uma gentileza:
— Posso ajudar você a abrir o chamado no seu celular.
Eu abri o site. Ele pediu login. Eu não lembrava. Pediu e-mail. Pediu senha. Pediu confirmar no e-mail. O e-mail demorou. O Wi-Fi da loja era filosófico: existia, mas questionava a própria existência.
Quando finalmente consegui, o formulário perguntou:
“Descreva o defeito em até 200 caracteres.” Eu pensei em escrever: “O defeito é acreditar em slogans.” Mas escrevi algo técnico, porque a vida exige seriedade em momentos ridículos.
Enviei.
A atendente olhou e disse:
— Pronto. Agora é só aguardar.
— E o que eu faço com o fone?
— Você guarda. Não pode usar.
Eu guardei o fone na sacola e tive uma iluminação amarga: a devolução impossível não é um evento. É um método. Uma forma elegante de adiar o óbvio até ele virar desistência.
Saí da loja com um número de protocolo e uma sensação estranha. Eu não tinha resolvido nada, mas tinha participado de um ritual. E, no mundo moderno, às vezes é isso que chamam de atendimento: você não sai com solução. Você sai com processo.
Fonte: Banca Examinadora
I. Narração, argumentação, exposição, descrição e injunção são tipos textuais. II. São exemplos de tipos textuais: romance, edital de concurso e instruções de uso. III. Bate-papo por computador, aula expositiva e telefonema são exemplos de gêneros textuais.
Quais estão corretas?
(1ª parte): No primeiro parágrafo, a locução conjuntiva Para tanto estabelece uma relação de oposição, contrapondo o rigor técnico exigido pelo desenvolvimento de software à liberdade criativa necessária para a produção de narrativas de fantasia e filosofia.
(2ª parte): O texto se classifica predominantemente coто dissertativo-expositivo, visto que sua intencionalidade discursiva reside em esclarecer, conceituar e analisar os contornos estruturais da indústria de jogos e suas metodologias de desenvolvimento.
(3ª parte): Infere-se do texto que a transição dos jogos digitais para manifestações artísticas e complexas gerou uma obsolescência metodológica nos modelos tradicionais de desenvolvimento de software.
Pode-se afirmar que:
VÍDEO: Estudante conta para a mãe que passou em medicina na UERJ e viraliza; sanduíches vendidos no Centro pagaram cursinho.
O vídeo que emocionou a web chegou a quase meio milhão de visualizações. Ana Beatriz Bezerra, de 23 anos, era bolsista em cursinho.
Um vídeo emocionante de uma estudante carioca viralizou nas redes sociais na última quarta-feira (15). Nas imagens, Ana Beatriz Bezerra, de 23 anos, conta para a mãe a novidade de ter passado no curso de medicina na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), classificação que foi obtida após muito esforço da família da jovem.
No registro que alcançou a marca de quase meio milhão de visualizações, a irmã filma o momento em que a mãe das jovens recebe a notícia.
Ana Beatriz contou ao G1 que a mãe, Eliene Bezerra, trabalha vendendo lanches no Centro do Rio há 10 anos e que foi este sustento que a permitiu fazer o curso pré-vestibular para medicina. A família pagava por cursos online, até ela ganhar uma bolsa de 100% de desconto em uma unidade estudantil.
A jovem, que trabalha e estuda, diz que tentou passar para o curso mais concorrido da universidade por 5 anos. Ela conta nas redes sociais que não tem um bom computador, e por isso estudou com caderno e tablet.
“Fiquei 5 anos tentando e bati na trave 2 anos seguidos, mas finalmente agora deu certo”, diz.
Depois das cinco tentativas, Ana Beatriz conquistou neste ano a 8ª colocação. Antes, ela havia cursado um semestre de enfermagem em uma faculdade particular com bolsa do Prouni em 2022. Em 2024, a jovem chegou a passar em Biologia na Unirio, mas decidiu continuar tentando medicina.
Fonte: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2025/01/17/video-estudante-conta-para-a-mae-que-passou-em-medicina-na-uerj-e-viraliza-sanduiches-vendidos-no-centro-pagaram-cursinho.ghtml
Texto Adaptado.
Avalie o trecho da matéria citada acima, veiculada pelo G1 sobre a estudante que conta à mãe que foi aprovada em Medicina na UERJ, destacando sua trajetória de vida e as condições materiais que possibilitaram sua aprovação. É correto afirmar que o tipo de entrevista predominante no conteúdo apresentado é:
Texto para responder à questão.
De acordo com a classificação Nova, alimentos ultraprocessados são definidos como formulações industriais resultantes de uma sequência de processos, incluindo fracionamento de alimentos inteiros em substâncias, modificação e/ou recombinação dessas substâncias, bem como uso de aditivos cosméticos e embalagens atrativas. Esses produtos são altamente duráveis, rentáveis por utilizarem ingredientes de baixo custo, prontos para o consumo, hiperpalatáveis e com potencial para substituir todos os outros grupos de alimentos. O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados tem sido associado a uma deterioração geral da qualidade nutricional das dietas, uma vez que está diretamente ligado ao consumo em excesso de energia e ao aumento do consumo de açúcares livres, gorduras totais e gorduras saturadas e diminução do do consumo de fibras, proteínas e vitaminas.
Disponível em: <https://rsp.fsp.usp.br/wp-content/uploads/articles_xml/1518-8787-rsp-59-00e5-TCsyf/1518-8787-rsp-59-00e5-TCsyf-pt.pdf>. Acesso em 17 mar. 2026.