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Questões de Concurso Comentadas sobre funções morfossintáticas da palavra que em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 1.652 questões

Q3551401 Português
Débora Ferraz - Ogivas

Por Alexandre Kovacs

        A ambiguidade no título desta mais recente antologia de contos de Débora Ferraz desperta a curiosidade do leitor. Afinal, trata-se de referência às estruturas formadas por dois arcos que se cortam em ângulo, chamadas também de arcos ogivais, tão comuns na arquitetura gótica que revolucionou a história da arte ou trata-se de referência às temidas ogivas nucleares, presentes nos mísseis de longo alcance? Depois de ler as narrativas curtas e afiadas da autora, não me resta dúvida de que a intenção aqui é de que a arte, na forma leve de construção literária dos contos, possa ser também uma arma demolidora contra o preconceito e a violência cotidiana.

        E Débora Ferraz, que já foi vencedora dos Prêmios Sesc e São Paulo de Literatura, prepara as suas bombas como uma "exímia terrorista literária" na ótima definição do escritor Bruno Ribeiro na orelha do livro. No curto espaço de manobra dos contos, utilizando uma estrutura narrativa que tem muito de visual, Débora coloca o leitor no centro da ação desde o início, fazendo com que os detonadores sejam acionados quando menos se espera.

        Em "Você", uma estrutura narrativa em segunda pessoa trabalha de forma bem-humorada com os delírios de um ex-fumante que luta contra o vício (ler trecho abaixo), colocando em dúvida a própria condição mental do protagonista (você/eu). Por sinal, o humor está presente na maioria dos contos, com exceção de alguns como: "Pedra, papel e tesoura" que lida com a tragédia das balas perdidas que destroem futuros nas periferias dos grandes centros urbanos, "Dois perdidos em um dia branco", no qual um casal de amigos perdedores compartilha o alcoolismo e a falta de esperança na vida, assim como o sensível "Quatro de julho" que encerra o livro com o resumo de uma relação entre pai e filho por meio do futebol e das decisões de algumas copas do mundo disputadas pelo Brasil.

        "Foi desde a última quinta que o desejo de fumar veio com tudo. Bastou o avião pousar no aeroporto Santos Dumont e suas grandes habilidades começaram a pulular. Bastou caminhar pelo saguão com todas aquelas lojas oferecendo cigarros, descaradamente. Uma coisa que descobri faz pouco tempo é que todo fumante sempre sabe onde o cigarro está. É uma espécie de sexto sentido. Mas os fumantes em recuperação são ainda piores. Eles sabem até dos lugares em que podem consegui-los na unidade (ah, unidades são os queridinhos dos fumantes em recuperação otimistas). Um fumante em recuperação, tal como um agente secreto ou um paranóico, ele está o tempo inteiro, enquanto finge falar com você, enquanto anda pelo saguão, enquanto preenche o cadastro, ele está o tempo inteiro esquadrinhando sua área em busca do inimigo. Conhece todas as rotas que o levam ao cigarro. Você envelhece nesse tempo inteiro. E foi assim que ontem você saiu de bermuda até o bar da esquina. Estava fechado. Menos mal, você pensou. Você disse a si mesmo que não, que de jeito nenhum. Isso não teve a menor intenção de saber a que horas aquele bar fechava. Então voltou para casa, fez polichinelos, flexões, marinheiro, agachamentos... Hoje está praticamente aleijado de dor muscular. E ainda assim querendo um cigarro." (p. 114-5) - Trecho do conto “Você” 

        No assustador e real "Notas sobre a travessia", novamente uma opção da autora pela transição da narrativa em primeira para segunda pessoa, também não há espaço para o humor quando a protagonista declara na abertura: "Tem uma bomba-relógio presa em meu corpo" e apresenta em retrospecto os primeiros dias da pandemia em 2020, o medo de um vírus então muito pouco conhecido e que ela carregava em seu próprio organismo ao retornar para o Brasil: "Mas, neste momento, parada de pé no meio do aeroporto de Guarulhos, você é uma personagem. Você decide ali mesmo pela paranoia. No fundo, sentir medo sempre foi sua especialidade."

        E assim, com suas ogivas literárias, o livro de Débora Ferraz atinge o objetivo ao nos fazer refletir sobre as dificuldades de preservar o nosso resto de humanidade ainda possível em um mundo que mantém a sua rota de autodestruição ou, até mesmo, de enfrentar as nossas crises pessoais. Exemplo disso está em "O filhote do terremoto" (ler trecho abaixo), um conto que demonstra com muito lirismo a chegada da terceira idade, mesmo sendo uma condição ainda distante para a jovem autora, o texto é muito convincente. Uma obra recomendada e que se destaca na literatura contemporânea pela coragem na escolha dos temas.

        "Aí depois foi bem no cantinho do olho. Começou a tremer também. Sabe quando dizem que é vista cansada? É isso... é isso. Cansaço. Eu abstraía a sensação nos meus movimentos repetidos. Descascar cebola, me encolher nos dias, olhar o menino brincando, derramar chá. Então, já era o dedinho e o canto do olho. O terremoto que me abalava os dias. Parte de mim trabalhava, inconscientemente, apenas para observar que os outros, minguados e distantes, mal perceberam o fato de que meu olho começava a rachar. Dava pra ver, se olhasse de perto, os vincos formando. São sinais tão claros, meu Deus... Eu conseguia ouvir o barulho, até. Era dentro de mim. E só de sentir, sozinha, eu sabia que eu ainda ia rachar inteira. O terremoto desfazia minhas bases. Definitivo. Fadado. Dava uma agonia medonha. Mas deixa que passa. Essas coisas são assim mesmo, não são? Dá e passa." (p. 174) - Trecho do conto “O filhote de terremoto”

Disponível em https://www.mundodek.com/2022/04/debora-ferraz-ogivas.html. Adaptado. Acessado em 06.maio.2024.
*Sobre a autora: Débora Laís Ferraz dos Santos é uma escritora brasileira contemporânea. Nasceu no sertão de Pernambuco, mudou-se ainda em 2001 para João Pessoa, onde formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba, em 2009. Escreveu seu primeiro livro, Os anjos, em 2003.

Em “Era dentro de mim. E só de sentir, sozinha, eu sabia que eu ainda ia rachar inteira.”, a partícula “que” em destaque exerce função de conjunção integrante. Assinale a alternativa correta em que a partícula “que” também exerce a função de conjunção integrante.
Alternativas
Q3551400 Português
Débora Ferraz - Ogivas

Por Alexandre Kovacs

        A ambiguidade no título desta mais recente antologia de contos de Débora Ferraz desperta a curiosidade do leitor. Afinal, trata-se de referência às estruturas formadas por dois arcos que se cortam em ângulo, chamadas também de arcos ogivais, tão comuns na arquitetura gótica que revolucionou a história da arte ou trata-se de referência às temidas ogivas nucleares, presentes nos mísseis de longo alcance? Depois de ler as narrativas curtas e afiadas da autora, não me resta dúvida de que a intenção aqui é de que a arte, na forma leve de construção literária dos contos, possa ser também uma arma demolidora contra o preconceito e a violência cotidiana.

        E Débora Ferraz, que já foi vencedora dos Prêmios Sesc e São Paulo de Literatura, prepara as suas bombas como uma "exímia terrorista literária" na ótima definição do escritor Bruno Ribeiro na orelha do livro. No curto espaço de manobra dos contos, utilizando uma estrutura narrativa que tem muito de visual, Débora coloca o leitor no centro da ação desde o início, fazendo com que os detonadores sejam acionados quando menos se espera.

        Em "Você", uma estrutura narrativa em segunda pessoa trabalha de forma bem-humorada com os delírios de um ex-fumante que luta contra o vício (ler trecho abaixo), colocando em dúvida a própria condição mental do protagonista (você/eu). Por sinal, o humor está presente na maioria dos contos, com exceção de alguns como: "Pedra, papel e tesoura" que lida com a tragédia das balas perdidas que destroem futuros nas periferias dos grandes centros urbanos, "Dois perdidos em um dia branco", no qual um casal de amigos perdedores compartilha o alcoolismo e a falta de esperança na vida, assim como o sensível "Quatro de julho" que encerra o livro com o resumo de uma relação entre pai e filho por meio do futebol e das decisões de algumas copas do mundo disputadas pelo Brasil.

        "Foi desde a última quinta que o desejo de fumar veio com tudo. Bastou o avião pousar no aeroporto Santos Dumont e suas grandes habilidades começaram a pulular. Bastou caminhar pelo saguão com todas aquelas lojas oferecendo cigarros, descaradamente. Uma coisa que descobri faz pouco tempo é que todo fumante sempre sabe onde o cigarro está. É uma espécie de sexto sentido. Mas os fumantes em recuperação são ainda piores. Eles sabem até dos lugares em que podem consegui-los na unidade (ah, unidades são os queridinhos dos fumantes em recuperação otimistas). Um fumante em recuperação, tal como um agente secreto ou um paranóico, ele está o tempo inteiro, enquanto finge falar com você, enquanto anda pelo saguão, enquanto preenche o cadastro, ele está o tempo inteiro esquadrinhando sua área em busca do inimigo. Conhece todas as rotas que o levam ao cigarro. Você envelhece nesse tempo inteiro. E foi assim que ontem você saiu de bermuda até o bar da esquina. Estava fechado. Menos mal, você pensou. Você disse a si mesmo que não, que de jeito nenhum. Isso não teve a menor intenção de saber a que horas aquele bar fechava. Então voltou para casa, fez polichinelos, flexões, marinheiro, agachamentos... Hoje está praticamente aleijado de dor muscular. E ainda assim querendo um cigarro." (p. 114-5) - Trecho do conto “Você” 

        No assustador e real "Notas sobre a travessia", novamente uma opção da autora pela transição da narrativa em primeira para segunda pessoa, também não há espaço para o humor quando a protagonista declara na abertura: "Tem uma bomba-relógio presa em meu corpo" e apresenta em retrospecto os primeiros dias da pandemia em 2020, o medo de um vírus então muito pouco conhecido e que ela carregava em seu próprio organismo ao retornar para o Brasil: "Mas, neste momento, parada de pé no meio do aeroporto de Guarulhos, você é uma personagem. Você decide ali mesmo pela paranoia. No fundo, sentir medo sempre foi sua especialidade."

        E assim, com suas ogivas literárias, o livro de Débora Ferraz atinge o objetivo ao nos fazer refletir sobre as dificuldades de preservar o nosso resto de humanidade ainda possível em um mundo que mantém a sua rota de autodestruição ou, até mesmo, de enfrentar as nossas crises pessoais. Exemplo disso está em "O filhote do terremoto" (ler trecho abaixo), um conto que demonstra com muito lirismo a chegada da terceira idade, mesmo sendo uma condição ainda distante para a jovem autora, o texto é muito convincente. Uma obra recomendada e que se destaca na literatura contemporânea pela coragem na escolha dos temas.

        "Aí depois foi bem no cantinho do olho. Começou a tremer também. Sabe quando dizem que é vista cansada? É isso... é isso. Cansaço. Eu abstraía a sensação nos meus movimentos repetidos. Descascar cebola, me encolher nos dias, olhar o menino brincando, derramar chá. Então, já era o dedinho e o canto do olho. O terremoto que me abalava os dias. Parte de mim trabalhava, inconscientemente, apenas para observar que os outros, minguados e distantes, mal perceberam o fato de que meu olho começava a rachar. Dava pra ver, se olhasse de perto, os vincos formando. São sinais tão claros, meu Deus... Eu conseguia ouvir o barulho, até. Era dentro de mim. E só de sentir, sozinha, eu sabia que eu ainda ia rachar inteira. O terremoto desfazia minhas bases. Definitivo. Fadado. Dava uma agonia medonha. Mas deixa que passa. Essas coisas são assim mesmo, não são? Dá e passa." (p. 174) - Trecho do conto “O filhote de terremoto”

Disponível em https://www.mundodek.com/2022/04/debora-ferraz-ogivas.html. Adaptado. Acessado em 06.maio.2024.
*Sobre a autora: Débora Laís Ferraz dos Santos é uma escritora brasileira contemporânea. Nasceu no sertão de Pernambuco, mudou-se ainda em 2001 para João Pessoa, onde formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba, em 2009. Escreveu seu primeiro livro, Os anjos, em 2003.

‘Pedra, papel e tesoura’ que lida com a tragédia das balas perdidas que destroem futuros nas periferias dos grandes centros urbanos...”. O pronome relativo faz a retomada de um substantivo anteriormente mencionado em uma frase. No trecho em destaque, extraído do Texto, a partícula “que” funciona morfologicamente como pronome relativo que está exercendo função sintática de
Alternativas
Q3545760 Português

LEIA ATENTAMENTE O TEXTO A SEGUIR E RESPONDA À QUESTÃO


PROPOSTAS EM LÍNGUA PORTUGUESA DA BNCC FOCAM NA GRAMÁTICA E NOS GÊNEROS DIGITAIS


Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o foco da disciplina é formar para os diversos usos da linguagem e para a participação na sociedade de forma crítica e criativa.

Boa notícia para os professores de Português do Fundamental 1 e 2: a BNCC mantém muitos dos princípios adotados nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Um deles é a centralidade do texto e dos gêneros textuais. Isso quer dizer que o ensino de português precisa continuar contextualizado, articulado ao uso social da língua. No entanto, entre as duas décadas que separam os dois documentos, os estudos de linguagens evoluíram bastante. Da mesma forma, a sociedade também passou por profundas alterações, sobretudo por conta da ampliação do uso da tecnologia. A BNCC reflete esse avanço, que se manifesta, principalmente, em dois aspectos: a presença de textos multimodais – popularizados pela democratização das tecnologias digitais – e as questões de multiculturalismo – uma demanda política da contemporaneidade. Confira a seguir as principais mudanças. 


As práticas de linguagem se mantêm, mas é inserida a semiótica

Nos PCNs, a disciplina se organizava em três grandes blocos de conteúdo: Língua Oral, Língua Escrita e Análise e Reflexão sobre a língua. A estrutura proposta pela BNCC se assemelha a essa organização. No novo documento, as habilidades estão agrupadas em quatro diferentes práticas de linguagem: Leitura, Produção de Textos, Oralidade e Análise Linguística/Semiótica. A diferença central refere-se à inserção da análise semiótica. Essa área se refere ao estudo de textos em múltiplas linguagens, incluindo as digitais: como os memes, os gifs, as produções de youtubers etc. Outra mudança é que, para cada um dos eixos, a BNCC propõe um quadro que explicita como se relacionam as práticas de uso e de reflexão. Ou seja: o documento avança na descrição de como podemos refletir sobre a língua, a fim de nos empoderarmos em seu próprio uso.


Os campos de atuação ganham destaque


Uma das maiores mudanças da BNCC para o componente, os Campos de Atuação têm, praticamente, a mesma importância dos eixos temáticos na organização dos objetivos e habilidades que devem ser desenvolvidos durante todo o Ensino Fundamental. De forma geral, sua principal contribuição ao documento é demandar protagonismo dos alunos, mesmo os de anos iniciais, deixando bem clara a necessidade de contextualizar as práticas de linguagem. Para isso, a base leva em conta os campos: 1) da vida cotidiana; 2) da vida pública; 3) das práticas de estudo e pesquisa e 4) artístico/literário.


Os campos de atuação são as áreas de uso da linguagem, na vida cotidiana. Por exemplo: no campo de atuação artístico-literário, temos o uso da língua voltado à produção e à leitura de contos, romances, peças de teatro, poemas. Nesse caso, trata-se de gêneros textuais e usos da linguagem com predominância da atuação artístico-literária. No campo de atuação jornalístico/midiático, encontramos os textos com outra tônica: a da transmissão de informações, da comunicação, da intenção de “vender” um produto/ideia etc.


As diferentes práticas aparecem mais conectadas

Outro avanço do novo documento é a articulação entre as práticas, a partir do entendimento de que a língua mobiliza os diferentes saberes. Assim, as habilidades de escrita constantemente aparecem integradas com práticas linguísticas como as de leitura e as de análise linguística/semiótica. Veja como exemplo a habilidade abaixo:

(EF01LP17) Planejar e produzir, em colaboração com os colegas e com a ajuda do professor, listas, agendas, calendários, avisos, convites, receitas, instruções de montagem e legendas para álbuns, fotos ou ilustrações (digitais ou impressos), dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana, considerando a situação comunicativa e o tema/assunto/finalidade do texto.

A formulação se refere a duas atividades articuladas entre si: planejar e produzir a escrita. Os gêneros são indicados (listas, agendas, calendários etc.), assim como é explicitado o campo de atividade, a situação comunicativa, o tema e a finalidade da produção. Mas, para que o aluno desenvolva a habilidade proposta, o professor terá que planejar práticas de leitura/escrita e outras atividades didáticas em que esses fatores estejam envolvidos. E nas quais o aluno seja levado a reconhecê-los na leitura e a considerá-los na produção. Exemplo: que lista será produzida? Por que vamos produzi-la? Para que ela vai servir? Como ela pode facilitar nossa ação? Quem vai usá-la? Que linguagem devemos usar para que ela atinja seus objetivos? Vale destacar que, para esse trabalho, só o texto não basta, será preciso contextualizar o conhecimento escolar, a partir de situações sociais significativas para os estudantes.

(FONTE: PROPOSTAS EM LÍNGUA PORTUGUESA DA BNCC FOCAM NA GRAMÁTICA E NOS GÊNEROS DIGITAIS. [S. l.: s. n.], 2024. Disponível em: https://novaescola.org.br/bncc/conteudo/22/propostas-em-lingua-portuguesa-da-bncc-focam-na-gramatica-e-nos-generos-digitais. Acesso em: 1 jun. 2024.)

Considere o período composto abaixo e analise a construção dos sentidos. “A BNCC reflete esse avanço, que se manifesta, principalmente, em dois aspectos: a presença de textos multimodais e as questões de multiculturalismo.” Qual das alternativas apresenta corretamente a relação sintática entre as oraçõese a função do pronome relativo “que”?  
Alternativas
Q3545729 Português

Por que e como utilizar narrativas indigenas na alfabetização?


Abordagem diversifica os tipos de textos trabalhados, permite resgatar as contribuições dos povos originários e amplia o repertório e a visão de mundo das crianças  


Qual língua se fala no Brasil? Se “português” é a única resposta que vem à sua mente é porque o processo de colonização e o decorrente apagamento histórico dos povos originários silenciaram, durante séculos, as centenas de línguas indígenas faladas no país. Elas são 274, segundo dados de 2010 do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 


Foi somente com a Constituição Federal de 1988 que os povos indígenas tiveram assegurado o direito às suas línguas, inclusive no âmbito escolar. E esperariam ainda mais dez anos para, em 1998, o Ministério da Educação (MEC) aprovar o Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas (RCNEI). Esse documento estabeleceu as diretrizes para o ensino e a aprendizagem da Educação indigena de forma a preservar e valorizar sua diversidade cultural e linguística. 


O referencial assegurou a chamada alfabetização intercultural, isto é, o direito das pessoas indígenas de se alfabetizarem tanto em sua língua materna como em língua portuguesa em seu processo de escolarização. O objetivo é o de fortalecer as préticas socioculturais de cada comunidade, recuperar suas memorias histéricas e reafirmar suas identidades. 


“A lingua indígena escrita não deixa de ser fruto de um processo colonial porque a gente sabe que a transmissão de conhecimento dos povos indígenas sempre foi oral”, aponta Cristine Takud, da etnia Maxacali, professora da Aldeia Guarani Rio Silveira, em Boraceia (SP). “A escrita das línguas indígenas veio com a catequização, com os jesuitas e salesianos, que foram os primeiros a levar a escola para dentro das comunidades indígenas.”  


Panorama da alfabetização indígena 


Josélia Gomes Neves, uma das responsáveis pela criação do curso de Licenciatura em Educação Básica Intercultural da Universidade Federal de Rondônia (Unir), explica que, no estado, a maioria das comunidades faz uso das suas línguas maternas no convívio familiar e social e tem o primeiro contato com a língua portuguesa praticamente na escola. “Então, geralmente, no 1° ano, a maior parte das atividades acontece na língua materna e, a partir do 2° ano, entra o bilinguismo pedagógico”, diz ela, que também lidera o Grupo de Pesquisa em Educação na Amazônia (GPEA) da Unir.  


A professora detalha como acontece o processo de formação de professores na região onde atua, na Terra Indígena Rio Negro  Ocaia (RO). “O curso trabalha na perspectiva da pedagogia da alterndncia cultural. Os estudantes indígenas vão para a Unir e têm dois meses de aulas intensivas e, em outro período, é feito seu acompanhamento nas aldeias. Há uma aldeia polo que recebe esses alunos para estudos e desenvolvimento de atividades práticas.”


Desafios para preservar a língua materna 


Formado por esse curso, o professor Ihvkuhj Gavião, do povo Ikolen e residente do município de Ji-Paraná (RO), atua desde 2014 na alfabetização de crianças. Ele acredita que preservar a língua materna indígena está diretamente vinculado a preservar o universo cultural que ela nomeia. “Para manter nossa cultura, precisamos ensinar nossa língua a nossos alunos. E quando vamos ensiná-la, tentamos envolver a realidade deles, nossas tradições e costumes, dentro da concepção de Paulo Freire de ler o mundo que nos rodeia”, conta. 


Mas os desafios não são poucos, a começar pela própria escassez de profissionais. “Não há professores com a formação necessária em quantidade suficiente para atender as turmas dos Anos Finais do Ensino Fundamental, por exemplo. Então, nessa etapa, são basicamente professores não indígenas, falantes exclusivamente do português”, comenta Josélia.  


Outra questão são os livros didáticos escritos sob a lógica do modelo eurocéntrico. Apesar da Lei nº 11.645 de 2008, que tornou obrigatório o estudo da histéria e cultura indígena e afro-brasileira nas escolas do país, os conteúdos ainda trazem estereótipos de uma concepção única do que é ser indígena ou adaptações incoerentes. “Um dos materiais que os professores recebem do MEC é uma coleção que foi pensada para a Educação no campo. Ela é totalmente em língua portuguesa e, embora tenha alguma preocupação com o campo, não é na perspectiva da floresta ou dos indígenas”, relata Josélia. 


© Adaptado. Thais Paiva, Revista Nova Escola, 29/04/2024. ihttps://novaescola.org.br/conteudo/21860/narrativas-povosindigenas-alfabetizacaog, 

No periodo a palavra “A escrita das línguas indígenas veio com a catequização, com os jesuitas e salesianos, que foram os primeiros a levar a escola para dentro das comunidades indígenas.”, é correto afirmar sobre a palavra “que”:  
Alternativas
Q3545524 Português
As cidades que nos abrigam

Historicamente, se registra que a humanidade preferiu construir cidades litorâneas, do que resulta inúmeros centros urbanos próximo aos oceanos, mares e em estuários de rios importantes, muitos com portos movimentados, importantes. Por vezes, as cidades eram fortificadas para conter possíveis ataques por mar. Isso não evitou grandes batalhas entre povos inimigos, e o vencedor poderia se dar ao desfrute de paz durante anos. Mas como os romanos criaram o mote, "si vis pacem para bellum", ou "se quer a paz, prepara-te para a guerra", com isso, a humanidade viveu tranquilamente por anos e séculos.

Atualmente, há conflitos locais e uma preocupação enorme de que essas contendas possam se ampliar regionalmente, ou pior, que sejam usadas armas nucleares, conforme noticia a mídia televisada e escrita. O risco de guerra deixa de ser local ou regional e passa a ser mundial pela amplitude dos danos que poderiam ocasionar. Há temor quanto a essa possibilidade, o que restringe os donos dos botões vermelhos para conter essa insânia desumana incomparável de uso de armamento nuclear.

Afastado o perigo de hecatombe — que pouco tem a ver com o meio urbano, objeto deste escrito, e, sim, com políticas nacionais ou continentais —, as cidades em geral estão em seu cotidiano com seus habitantes e o meio urbano sentindo-se à vontade em suas atividades diárias. Com isso, entende-se que se alargam os territórios das cidades ou adensam seu espaço urbanizado, sobretudo nas áreas centrais. No caso de Brasília, alguns argumentam que o Plano Piloto não pode ficar "engessado". Traduzindo, o mercado imobiliário deseja construir empregando outra tipologia de edifícios, mais altos. O que não se entende é ter edifícios fora do padrão vigente no Plano Piloto.

Todavia, há em Brasília favelas, como Pôr do Sol e Sol Nascente, em que não há infraestrutura, são carentes de atenção por parte dos governadores do DF e de Goiás. As favelas deveriam receber mais atenção das autoridades porque sua população está submetida à falta de infraestruturas básicas, não contam com água tratada e o esgoto está a céu aberto. Por isso, o favelamento deve acabar ou receber água tratada e esgotamento sanitário, com o que se findarão as epidemias em que as vítimas são crianças e idosos. Sem favelas, haveria cidades em que a população está se ocupando em seus afazeres, sobretudo se tiver onde trabalhar e linhas de ônibus para os deslocamentos para o trabalho ou buscar serviços em outros pontos da cidade.

No DF, é desejável que os agentes imobiliários procurem outros espaços para construir, que não destruam o que foi imaginado para o Plano Piloto e para o DF desde os primórdios. Uma cidade deve ser mostrada como um espaço em que não haja edificações fora dos padrões urbanísticos, como Águas Claras. Essa região administrativa (RA) serve de exemplo de espaço repleto de edificações com muitos andares e onde o setor imobiliário esteve intensamente presente. Águas Claras é o núcleo urbano que difere das demais RAs. Nestas, há restrições para edificações elevadas.

Nos anos de 1960, outros países se interessaram no que foi feito na capital federal, sobretudo no que diz respeito à urbanização. Alguns preciosistas podem levantar a preocupação de que, em seus 5.800 quilômetros quadrados, o DF se consolidou com uma espacialização alargada e pouco recomendável. Todavia, com o passar dos anos verificou-se que cada núcleo urbano (RA) se organizou internamente de forma a evitar que seus respectivos habitantes tivessem que percorrer grandes distâncias para obter bens e serviços. Todos esses núcleos organizaram-se de modo a contar com os necessários equipamentos e instituições para servir seus habitantes.

Os serviços do alto poder Judiciário, do Executivo e do Legislativo federais são encontrados apenas no Plano Piloto, e isso não haverá de se modificar porque foi assim que o núcleo histórico se estruturou e consolidou, devendo permanecer assim por décadas à frente. Nada impede, todavia, que os demais núcleos urbanos desenvolvam atividades e organizem serviços voltados para as pessoas próximas em termos de comércio e pequenas indústrias, não poluentes ambientais.

Outros argumentarão que o território como está organizado exige deslocamentos diários dos trabalhadores que exercem atividades em outras localidades e dos que buscam serviços fora de seu local de moradia. Isso se acomodará, pois os ajustamentos urbanos realizados no DF nessas seis décadas podem se assemelhar aos de outras cidades brasileiras. Nelas, há intensos deslocamentos dos trabalhadores da periferia para o centro nas primeiras horas da manhã e, em sentido contrário, ao fim do dia. Essa mobilidade ininterrupta é uma das características das grandes cidades que nos acolhem. 

(Fonte: PAVIANI, Aldo. As cidades que nos abrigam. In: PAVIANI, Aldo. As cidades que nos abrigam. [S. l.], 11 abr. 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/04/6835502-artigo-as-cidades-que-nos-abrigam.html).
Assinale a alternativa em que a palavra destacada é mero conectivo, ou seja, não possui função sintática, nem apresenta valor semântico.
Alternativas
Q3544953 Português
A opção na qual o “que” desempenha a função de conjunção integrante está corretamente marcada na opção:
Alternativas
Q3544593 Português
Texto para responder à questão.


Muito calor


    Ontem, com aquele calor todo, apareceu um homem disposto a discutir comigo. Eu discuto muito mal, principalmente no verão. O homem defendia os agiotas. Isto é, não defendia. O que ele dizia era que, afinal de contas, os agiotas não sei o que têm, porque é preciso não esquecer que, de um certo ponto de vista, é preciso encarar a questão, aliás, não sei o quê... Era mais ou menos isso o que o homem dizia. Ele citou vários exemplos e de vez em quando me perguntava:

    — Você não acha que eu tenho razão?

    Eu não achava nem deixava de achar, de maneira que não dizia nada. Aí o homem insistia:

    — Vamos, diga, isso é ou não é um fato?

    — É...

    — Pois bem. Agora você precisa ver outra coisa. Aqui no Rio de Janeiro há não sei quantas casas de penhor. Muito bem. Pois então vamos fazer um cálculo...

    Aí o homem fazia um cálculo. Depois perguntava se eu não concordava com o cálculo, se não achava justo, se achava exagerado — aí teve uma hora que não sei o que foi que eu disse que o homem gritou:

    — Mas então é você que defende os usurários! Esse argumento seu...

    E ele me provou por a mais b que o meu argumento era uma grande arma na mão dos usurários. Aliás, reparando bem, uma arma de dois gumes. Eu, a bem dizer, não me lembrava mais qual era o meu argumento, nem mesmo sabia que tinha dado um argumento. O homem falou sobre taxas de juros, avaliação, leilão e monte de socorro, fiscalização, prazo e outras coisas desse gênero. Confesso que fiquei um pouco desorientado. O homem então se exaltou não sei por que e perguntou se eu queria que os usurários me emprestassem dinheiro a um por cento ao mês.

    — É isso que você quer, não é?

    — Eu, não…

    — Então o que é que você quer?

    Respondi que eu não queria nada. Ele disse que "não quero nada" era um modo de dizer. E perguntou outra vez, ameaçador:

    — Mas então o que é que você acha? Eu não compreendo você! Ora você diz uma coisa, ora outra. Vamos, me explique, o que é que você acha?

    Respondi com a máxima sinceridade:

    — Eu acho que está fazendo muito calor.

    O homem ficou um pouco zangado e disse que comigo não se podia discutir. Não valia a pena discutir. Para que ele não ficasse mais zangado, concordei:

    — Pois é isso o que eu sempre digo.

    O leitor me desculpe, mas não sei o que falamos mais nessa palestra tão interessante e instrutiva. O que sei é que estava fazendo muito calor, e que no momento em que escrevo continua fazendo muito calor.


BRAGA, R. O Conde e o passarinho e Morro do Isolamento. 5ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 1982.
Analise os excertos a seguir e assinale a alternativa em que a palavra ‘que’ ocorre de forma expletiva.
Alternativas
Q3543363 Português
Os nem-nem

        Sem estudo, sem trabalho. Nesse limbo ocioso encontram-se 19,8% dos brasileiros entre 15 e 29 anos, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) Educação de 2023.

        O poder público deve implementar políticas para lidar com o fenômeno, que impacta não apenas a renda de 9,6 milhões de pessoas como produz efeitos no longo prazo – quando se considera o envelhecimento da população brasileira e, consequentemente, o processo de perda do bônus demográfico.

        A principal causa do abandono escolar é a busca por emprego. O problema é que, com formação precária, os jovens enfrentam dificuldades para conseguir contratação. Assim, é necessário buscar meios de manter os alunos na rede de ensino e acelerar a transição entre estudo e trabalho.

        A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) preconiza o chamado VET (vocational education and training): programas de orientação vocacional aliados a parcerias entre escolas, empresas e indústria para treinamento e contratação de aprendizes. É fundamental, portanto, a integração do ensino técnico ao regular, e o Brasil peca nesse quesito.

        Em tramitação no Congresso, a nova versão da reforma do novo ensino médio incentiva a educação profissional. Não é panaceia, mas um passo necessário para mitigar o atraso do país nessa seara.

(Editorial. Folha de S.Paulo, 29.03.2024. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o termo destacado é uma conjunção integrante.
Alternativas
Q3542474 Português
CONVIVÊNCIA QUE APRISIONA: A JORNADA PARA ENFRENTAR BULLYING NAS ESCOLAS



        Pelos corredores e salas de aula, o bullying ainda aprisiona tensões, dúvidas, sofrimentos, traumas e uma infinidade de desafios nas escolas país afora. A cada dez diretores, praticamente quatro relatam casos de bullying em suas instituições de ensino, segundo revela o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023. As localidades com mais registros são Santa Catarina, Distrito Federal e São Paulo.

         O Anuário ainda destaca o risco que o bullying representa para a segurança pública como um todo. “Esse é um problema que agrava os riscos de ataques violentos às escolas e que não está exatamente correlacionado à incidência de outras violências nos territórios do entorno das instituições escolares”, destaca a publicação.

         A princípio, o tom pode soar alarmista, especialmente em um ano como 2023, que registrou sete massacres em escolas, mas o fato é que algumas linhas de pesquisa acadêmica apontam o bullying como um dos motivadores para que os autores desses ataques retornem às suas escolas de origem. “A maior parte volta em busca de reparação da honra”, comenta Catarina Gonçalves, professora do Centro de educação da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e pesquisadora do grupo de Estudos e Pesquisas em Formação Humana, Representações e Identidades.


(TEXTO DE LARA SILBIGER – EXTRAÍDO DA REVISTA EDUCATRIX)
Na frase: “O Anuário ainda destaca o risco que o bullying representa para a segurança pública como um todo.” a palavra em destaque exerce a função morfológica de:
Alternativas
Q3511633 Português

Instrução: Leia o texto e responda à questão.


Duplamente pobres são as mulheres que padecem situações de exclusão, maus-tratos e violência, porque frequentemente têm menores possibilidades de defender os seus direitos. Todavia, também entre elas, encontramos continuamente os mais admiráveis gestos de heroísmo na defesa e no cuidado da fragilidade das suas famílias.


(FRANCISCO. Evangelii Gaudium. São Paulo: Paulus Ed., 2013.)

Sobre elementos coesivos, responsáveis pelas ligações entre partes do texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) A palavra que, por ser conjunção, estabelece coesão sequencial à oração anterior.
( ) O pronome elas estabelece coesão anafórica, retomando o sentido da palavra mulheres.
( ) Coesivamente, os pronomes possessivos seus e suas relacionam o sentido de direitos e famílias, respectivamente, com mulheres.
( ) No trecho porque frequentemente têm menores possibilidades, a coesão se dá por reiteração.
Assinale a sequência correta.
Alternativas
Q3510958 Português

O texto a seguir é referência para a questão.


Destruição criativa 2.0


Hélio Schwartsman


    Não compro muito a ideia de que a inteligência artificial (IA) vai destruir o mundo. Digo-o não porque tenha conhecimento privilegiado do porvir – em tese, é perfeitamente possível que as IAs sejam nossa ruína –, mas porque sei que, diante do novo, nossa tendência é sempre a de exagerar os perigos. Quem quiser uma confirmação empírica disso pode pegar nas coleções de jornais os artigos catastrofistas dos anos 1970 e 1980 que comentavam o advento dos bebês de proveta, que hoje não despertam mais polêmica.

    Daí não decorre que devamos tratar as IAs com ligeireza. É uma mudança tecnológica de enorme potencial e que terá impactos, em especial sobre o emprego. Já vimos antes a chamada destruição criadora em ação. Mas, ao que tudo indica, desta vez, a aniquilação de postos de trabalho se dará em escala maior e atingirá também funções criativas ocupadas pelas elites intelectuais, que foram poupadas em viragens tecnológicas anteriores.

    O “big picture”, porém, talvez não seja dos piores. Tanto Marx como Keynes anteviram um mundo em que as mudanças tecnológicas avançariam tanto que resolveriam o problema econômico da humanidade, isto é, as máquinas produziriam sozinhas e de graça tudo o que necessitamos, de comida a bens industrializados, passando por vários tipos de serviço. A dificuldade é que, como isso não vai acontecer da noite para o dia, devemos esperar uma transição complicada. E complicada não apenas em termos econômicos e sociais mas também psicológicos.

    Quando conhecemos uma pessoa, uma das primeiras perguntas que lhe dirigimos é “o que você faz?”. Vivemos em sociedades em que os indivíduos se definem em larga medida por sua profissão. Tirar isso deles pode provocar um vazio existencial. É até possível que, com o problema econômico resolvido, passemos a extrair transcendência de outras atividades. Imagine um mundo de artistas. Mas isso vai exigir uma revolução anímica.



Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2023/09/destruicao-criativa-20.shtml.


anímica: que é próprio da alma

Releia a seguinte sentença:



Quem quiser uma confirmação empírica disso pode pegar nas coleções de jornais os artigos catastrofistas dos anos 1970 e 1980 que comentavam o advento dos bebês de proveta, que hoje não despertam mais polêmica.



O termo “que”, destacado, é relativo a:

Alternativas
Q3509362 Português
O texto a seguir é referência para a questão.

    Me lembro com clareza de todas as minhas professoras, mas me lembro de uma em particular. Ela se chamava Dona Ilka. Curioso: por que escrevi “Dona Ilka” e não Ilka? Talvez por medo de que ela se materializasse aqui ao meu lado e exigisse o “Dona”, _______ se viu tratar professora pelo primeiro nome, menino? No meu tempo ainda não se usava o “tia”. Elas podiam ser boas e até maternais, _______ decididamente não eram nossas tias. A Dona Ilka não era maternal. Era uma mulher pequena com um perfil de passarinho. Um pequeno passarinho loiro. E uma fera.
    Eu era aluno “bem-comportado”. Era um vagabundo, não aprendia nada, vivia distraído. Mas comportamento, 10. Por isto até hoje faço verdadeiras faxinas na memória, procurando embaixo de tudo e em todos os nichos a razão de ter sido, um dia, castigado pela Dona Ilka. Alguma eu devo ter feito, mas não consigo lembrar _______. O fato é que fui posto de castigo. Que consistia em ficar de pé num canto da sala de aula, com a cara virada para a parede. (Isto tudo, já dá pra ver, foi mais ou menos lá pela Idade Média.) Mas o que eu nunca esqueci foi a Dona Ilka ter me chamado de “santinho do pau oco”.
    Ser bem-comportado em aula não era uma decisão minha nem era nada de que me orgulhasse. Era só o meu temperamento. Mas a frase terrível da Dona Ilka sugeria que a minha boa conduta era uma simulação. Eu era um falso. Um santo falsificado! Depois disso, pelo resto da vida, não foram poucas as vezes ______ um passarinho imaginário com perfil de professora pousou no meu ombro e me chamou de fingido. Os santinhos do pau oco passam a vida se questionando.


Luis Fernando Verissimo. O nariz e outra crônicas. São Paulo: Ática, 1995. Adaptado. 
O termo “Que”, destacado no segundo parágrafo, é relativo a: 
Alternativas
Q3492829 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que o vocábulo “que” ocorre como conjunção causal. 
Alternativas
Q3487316 Português

Leia o texto para responder à questão.


Histórias de verão: O quinto túnel


Três homens num compartimento de um trem que atravessa uma região montanhosa. Eles não se conhecem. Estão em silêncio desde que o trem saiu da estação. Um lê um jornal, outro olha pela janela, e outro parece dormir. Quando o trem entra num túnel e tudo fica escuro, ouve-se uma voz que diz:


— Estou aqui para matá-lo.


O trem sai do túnel. Os três continuam como antes. Um olhando pela janela, o outro lendo um jornal, o terceiro de olho fechado. O trem entra em outro túnel. Ouve-se outra voz.


— Por quê?


Silêncio. Depois:


— Você sabe.


O trem sai do túnel. Os três não se mexeram. O trem entra em outro túnel.


— Quando?


— No quinto túnel.


— Este túnel qual é, o terceiro?


— Você devia ter contado.


O trem sai do túnel. Os três homens na mesma posição. O homem que lê o jornal vira uma página. O trem entra em outro túnel. Ouvese um estampido.


Quando o trem sai, o homem que olhava pela janela está com uma pistola fumegante na mão, o jornal está com um buraco no meio e o homem que lia o jornal está morto. E o homem que dormia está de olhos arregalados.


— O que foi isso?


— Ele ia me matar. Eu o matei primeiro.


— Como você sabia que ele ia matá-lo?


— Ele disse, você não ouviu?


— Eu estava dormindo. Não ouvi nada. Acordei com o tiro.


— Ele ia me matar no próximo túnel, mas eu agi antes. Foi legítima defesa. Ele disse que ia me matar.


— Só se fosse com este charuto — diz o homem que dormia, depois de examinar os bolsos do morto. — É a única coisa remotamente letal que ele carregava.


— Ele podia me estrangular, sei lá. Mas eu o enganei e atirei um túnel antes. A vítima enganou o assassino.


— Ou pode ter sido o contrário. O assassino enganou a vítima?


— Como?


— Você disse que ia matá-lo no quinto túnel, mas matou no quarto, antes que ele tivesse tempo de reagir ou fugir.


O trem entra no quinto túnel e tudo fica escuro. Ouve-se uma voz.


— Como você sabia que o túnel anterior era o quarto e este é o quinto, se estava dormindo?


Silêncio. Depois ouve-se um estampido.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considere o seguinte excerto: “E o homem que dormia está de olhos arregalados.” Neste contexto, a palavra “que”, em destaque, atua gramaticalmente como: 
Alternativas
Q3486686 Português
Leia o texto para responder à questão.

Tardígrados brilham no escuro para sobreviver à radiação

Espécie recém-descoberta do animal, considerado o mais resistente do mundo, possui um “escudo” fluorescente capaz de proteger contra raios UV.

Ostardígrados – ou ursos d’água, para os íntimos – são provavelmente os organismos mais resistentes da Terra. Parentes dos artrópodes, esses seres microscópicos conseguem sobreviver a secas prolongadas, temperaturas congelantes ou muito quentes, falta de oxigênio, pressões altíssimas e outras condições extremas. Como se não bastasse tudo isso, cientistas descobriram uma nova espécie de tardígrado com um mecanismo de defesa inusitado: um escudo contra radiação ultravioleta que brilha no escuro.

A descoberta foi feita por acaso. Pesquisadores do Instituto Indiano de Ciência, em Bangalore, coletaram diversos tardígrados em musgos e ambientes aquáticos pelo campus, a fim de estudá-los. Uma das placas contendo as amostras foi deixada embaixo de uma lâmpada de ultravioleta usada para esterilização de materiais. Uma espécie de nematelminto chamada Caenorhabditis elegans, que estava na amostra, morreu em 15 minutos de exposição à radiação. Os tardígrados da espécie Hypsibius exemplaris também pereceram em até 24 horas. Mas, para a surpresa dos pesquisadores, alguns tardígrados com coloração avermelhada sobreviveram vários dias expostos aos raios mortais de ultravioleta. Mesmo quando a equipe aumentou a dose de radiação em quatro vezes, 60% desses tardígrados continuaram vivendo por até 30 dias.

Estudando mais de perto esses exemplares, os pesquisadores constataram que provavelmente se trata de uma espécie ainda não identificada do gênero Paramacrobiotus. O que mais chamou atenção na descoberta foi o fato de que, sob luz ultravioleta, os tardígrados até então avermelhados brilhavam em um forte tom de azul escuro. Segundo a pesquisa publicada na revista Biology Letters, trata-se de um curioso mecanismo de defesa dessa espécie: em seu corpo há pigmentos especiais capazes de transformar a radiação ultravioleta nociva em uma luz azulada que não causa danos, funcionando como um tipo de escudo antirradiação.

A equipe observou que os tardígrados que apresentavam menor quantidade desse pigmento morriam mais rapidamente do que os que brilhavam mais. Ao mesmo tempo, quando os cientistas extraíam a substância desses seres e cobriam outras espécies de tardígrados que não possuem o escudo, como a Hypsibius exemplaris, esses também aguentavam mais tempo sob os raios ultravioletas.

Os pesquisadores esperam entender melhor a nova espécie em pesquisas posteriores. É possível, especulam os cientistas, que aquela espécie desenvolveu o mecanismo em um processo de adaptação aos verões quentes e secos da Índia.

Revista Superinteressante. (Adaptado). Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/tardigradosbrilham-no-escuro-para-sobreviver-a-radiacao/

Considere o excerto: “A equipe observou que os tardígrados que apresentavam menor quantidade desse pigmento morriam mais rapidamente do que os que brilhavam mais.” Em relação às categorias gramaticais, as palavras em destaque no excerto apresentado são classificadas, respectivamente, em: 
Alternativas
Q3486682 Português

Considere o excerto a seguir para responder à questão:


Uma espécie de nematelminto chamada Caenorhabditis elegans, que estava na amostra, morreu em 15 minutos de exposição à radiação. Os tardígrados da espécie Hypsibius exemplaris também pereceram em até 24 horas. Mas, para a surpresa dos pesquisadores, alguns tardígrados com coloração avermelhada sobreviveram vários dias expostos aos raios mortais de ultravioleta.

O vocábulo “que”, que ocorre no excerto apresentado, classifica-se gramaticalmente como:
Alternativas
Q3485222 Português
Novas regras dificultam imigração para o Reino Unido 


A partir de março, entrarão em vigor novas regras de imigração no Reino Unido.


O governo britânico tem como meta reduzir a migração legal, após estatísticas oficiais terem mostrado que o saldo migratório — a diferença entre o número de imigrantes e emigrantes — atingiu 745.000 em 2022, um recorde. Ou seja, o país "ganhou" 745.000 estrangeiros no ano passado.

Isso acendeu o alerta vermelho no governo, que tem prometido, a cada eleição, reduzir a imigração — legal e irregular — para o país.

Em artigo ao tabloide inglês The Sun, o primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, escreveu "Se você não pode contribuir com o Reino Unido, você não virá para o Reino Unido".

O número de brasileiros que imigra legalmente para lá é baixo, em comparação a outras nacionalidades. Mas os brasileiros estão entre os afetados pelas novas regras. 

De janeiro a setembro deste ano, segundo dados do Ministério do Interior britânico, quatro mil vistos foram concedidos a cidadãos brasileiros. Esse número inclui todo o tipo de visto, como o de trabalho, de estudante e de família.

Brasileiros não necessitam de visto em viagens de turismo ou negócios para o Reino Unido em estadias de até cento e oitenta dias.

As regras também impactam aqueles que já vivem legalmente no país e pretendem, por exemplo, trazer cônjuges ou parentes para morar com eles.

Segundo o Itamaraty, duzentos e vinte mil brasileiros vivem no Reino Unido. 

A principal mudança é o aumento do salário mínimo exigido, tanto para conseguir um visto de trabalho quanto para trazer um dependente: 38.700 libras brutas por ano (ou cerca de R$ 240 mil, na cotação atual).

Esse patamar é "irreal" na opinião da advogada de imigração brasileira Vitoria Nabas, que assessora empresas de pequeno e médio porte no processo de tramitação de vistos de trabalho.

"Estou estarrecida com tudo e extremamente frustrada como advogada atuante nesta área há mais de vinte anos. Não há dúvida de que o governo tenta fechar as portas cada vez mais para a imigração", diz ela.

Muitos especialistas concordam com Nabas e criticaram o anúncio do governo. Eles demonstraram preocupação sobretudo com o impacto na economia do Reino Unido, que deve crescer apenas 0,4% neste ano.

Para se ter uma ideia, segundo o Escritório de Estatísticas Nacionais (ONS, na sigla em inglês), o salário anual bruto médio para quem trabalha em tempo integral no Reino Unido era de 34.963 libras em abril deste ano.

No caso específico dos brasileiros, Nabas diz acreditar que os mais afetados serão aqueles que já vivem no Reino Unido e querem trazer cônjuges e outros membros da família para morar com eles.

"Imagine, por exemplo, um entregador de delivery que viva legalmente no Reino Unido e queira trazer a esposa e os filhos para viver com ele aqui. Ou o restante de sua família. A maioria deles não ganha um salário de 38,7 mil libras por ano", diz.

Nabas lembra, ainda, que muitos trabalhadores autônomos tampouco declaram o rendimento real ao fisco, o que é contra a lei, para evitar pagar mais imposto.

A especialista também destaca que, em sua visão, esse nível salarial é superior ao que a maioria das empresas a quem presta assessoria oferece.

Segundo ela, as ofertas de emprego que pagam salários na casa das quarenta mil libras por ano são raras, mesmo para trabalhadores qualificados. 


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cyj23y
Isso acendeu o alerta vermelho no governo, 'que' tem prometido, a cada eleição, reduzir a imigração — legal e irregular — para o país.

O termo destacado na frase trata-se de:
Alternativas
Q3484991 Português
O alerta de médicos após homem ter garganta perfurada ao tentar conter espirro


Uma equipe médica emitiu um alerta depois que um homem teve a garganta perfurada ao tentar conter um espirro.

O paciente, que tinha por volta de 30 anos, foi levado ao hospital na Inglaterra, com fortes dores após ter fechado o nariz e a boca para não espirrar.

Os exames revelaram que ele sofreu uma ruptura de dois milímetros na traqueia.

Médicos da Universidade de Dundee disseram que, se você fechar a boca e o nariz durante um espirro, a pressão nas vias aéreas superiores aumenta cerca de vinte vezes.

Isso causa lesões, como ruptura de tímpanos, aneurismas e até costelas quebradas. O caso foi documentado na revista médica BMJ Case Reports.

Um rompimento repentino na garganta, conhecido clinicamente como "ruptura traqueal espontânea", é raro e pode ser potencialmente fatal.

Apenas alguns casos foram relatados, incluindo um em 2018, quando um homem também na Inglaterra teve uma lesão ao tentar conter um espirro.

No novo caso relatado, médicos examinaram o paciente e ouviram um estalo ao tocar seu pescoço.

O homem, que não foi identificado, dirigia no momento do espirro e tinha histórico de alergias e irritação na garganta.

O paciente não necessitou de tratamento cirúrgico e foi mantido em observação no hospital.

Teve alta e recebeu medicação analgésica e anti-histamínica. Os médicos também aconselharam evitar atividades físicas extenuantes por duas semanas.

Cinco semanas depois, um exame mostrou que a lesão havia cicatrizado.

Rasads Misirovs, principal autor do relato do caso, disse à BBC que se deve permitir que espirros escapem porque são o mecanismo de defesa natural do corpo para expelir substâncias irritantes das passagens nasais.

"Devemos cobrir suavemente o rosto com a mão ou com a parte interna do cotovelo para evitar que agentes como vírus, junto com saliva e muco, cheguem às pessoas ao redor."

Ele acrescentou que existem alguns métodos que as pessoas podem usar para reprimir espirros sem fechar o nariz e a boca.

"Pessoalmente, utilizo outra técnica: pressiono o polegar no lábio superior, logo abaixo do nariz, sem bloquear as fossas nasais por alguns segundos; isso funciona para mim", disse ele.

"Ao deixar as narinas abertas, o espirro escapa se a pressão dos lábios não funcionar."

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4ny5xqe 1e7o. Adaptado.
Ele acrescentou 'que' existem alguns métodos 'que' as pessoas podem usar para reprimir espirros sem fechar o nariz e a boca.

Os vocábulos destacados são, respectivamente:
Alternativas
Q3483734 Português

Sabendo-se que o pronome relativo assume duplo papel no período em que se encontra, representando um termo antecedente e desempenhando alguma função sintática na oração por ele introduzida, leia os trechos a seguir e indique aquele em que a forma sublinhada é um pronome relativo. 

Alternativas
Q3468816 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Comparando as mutações genéticas dessas populações, os pesquisadores concluíram que a especialização em humanos ocorreu por volta de cinco mil anos atrás. Nessa época, terminava o "período úmido africano": por conta de mudanças cíclicas na órbita da Terra, o norte da África tem períodos alternados de umidade (caracterizado por alguma presença de lagos e florestas) e completamente desérticos. Estamos na fase mais seca, e conhecemos a região hoje como deserto do Saara.


Com a mudança de clima, as populações de mosquitos que viviam ali não encontravam mais animais para se alimentar e água para botar ovos. Daí se aproximaram das civilizações humanas, como as que viviam no rio Nilo. Não à toa, o nome Aedes aegypti faz referência ao Egito.


Por meio de registros históricos, sabemos que o espalhamento do mosquito pelo mundo só ocorreu no século 17 − em especial, com o tráfico de escravizados partindo da África para as Américas. O A. aegypti picava a tripulação e colocava os ovos nos barris de água dos navios.


A América do Sul e a Central proporcionaram o ambiente perfeito para o mosquito. A temperatura ideal para o desenvolvimento do Aedes aegypti é de 22ºC a 32ºC (4). Some isso à abundância de chuvas, e dá para dizer que os bichinhos encontraram um continente para chamar de seu.


(Super Interessante, março 2024)
"Com a mudança do clima, as populações de mosquitos que viviam ali não encontravam mais animais para se alimentar e água para botar ovos.". Complete os parênteses com V (Verdadeiro) e F (Falso) e assinale a alternativa com a sequência correta.

( ) "que" é sujeito da oração adjetiva.
( ) "ali" remete ao norte da África.
( ) "se" é conjunção condicional.
( ) "para" apresenta ideia de concessão.
Alternativas
Respostas
521: D
522: A
523: B
524: C
525: D
526: A
527: D
528: C
529: D
530: B
531: C
532: B
533: E
534: B
535: D
536: B
537: D
538: C
539: E
540: A