Questões de Concurso Sobre flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro) em português

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Q4190213 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Maria às vezes fica pensando...


— A luz que entra pela janela ilumina todo o quarto. Quando acendo a luz à noite, tudo fica claro. Meu pai sempre acende o abajur para ler. Minha avó sempre chega perto da janela para enfiar a linha na agulha. Será que as coisas têm luz? Mas, se fosse assim, eu veria tudo no escuro. Quanto mais perto da lâmpada estão as coisas, mais elas ficam iluminadas. Se eu coloco minha mão, que é pequena, perto da lâmpada, minha mão não deixa a luz passar. Mas, se coloco minha mão cada vez mais longe da lâmpada, ela quase não faz sombra... A luz vai de um lugar a outro, mas não passa através de certos objetos. Ela ilumina mais ou menos, dependendo de onde está.


E assim Maria acabou imaginando umas experiências que viraram brincadeiras. E eram brincadeiras com sombra e luz, que a menina usou para brincar com sua irma, Elisa, e uma amiga.



https://chc.org brfartigo/luz-e-sombra/

"Quanto mais perto da lâmpada estão as coisas, mais elas ficam iluminadas."



Os verbos do trecho foram empregados no tempo presente indicando que:

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Q4189931 Português

Leia a charge para responder à questão. 



(Bob Thaves, “Frank & Ernest”. Em: https://www.estadao.com.br/cultura/quadrinhos. 02.04.2024. Adaptado)

Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas da charge devem ser preenchidas, respectivamente, com:
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Q4188577 Português
Segurança no trânsito é dever de todos.
    Balanços recentes mostram que o que tem acontecido nas estradas brasileiras é sinal de desrespeito e falta de compromisso com a vida. É comum o aumento de acidentes em feriados, pois mais veículos nas ruas significam riscos maiores. No entanto, o aumento no número de mortes, muitas vezes causado por batidas de frente, revela que a imprudência dos motoristas é o principal problema.
    As três multas mais aplicadas pelos agentes são: excesso de velocidade, falta do cinto de segurança e ultrapassagem proibida. Especialistas afirmam que apenas aplicar multas não é suficiente. É preciso investir em educação para sensibilizar as pessoas e criar um ambiente onde todos respeitem as regras por entenderem que isso protege a vida.
    Embora o governo esteja melhorando as estradas e criando facilidades para os condutores, a segurança real depende de quem dirige. O trânsito seguro é um compromisso coletivo.
Na frase "A segurança depende de quem dirige", o verbo destacado (depende) indica uma ação que acontece no: 
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Q4188308 Português
Frases feitas Certas frases, de tão repetidas, viraram uma fórmula pronta para expressar uma ideia. Estão tão assimiladas ao idioma que às vezes, sem querer, pronto: soltamos uma frase feita. Às vezes, elas querem dizer uma coisa bem diferente do que pensamos ao ouvi-las pela primeira vez. Mas até isso mostra a riqueza e a poesia dessas expressões. Alguns exemplos são: 1. “Dar uma colher de chá”, 2. “Conversa mole para boi dormir”, 3. “Dor de cotovelo”, 4. “Minhoca na cabeça”.


Fonte: AZEVEDO, Ricardo. Bazar do folclore: tradição popular. São Paulo: Ática, 2001. (com alterações)
Assinale a alternativa que apresenta o tempo e o modo verbal predominantes no texto.
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Q4187652 Português
Texto para responder à questão


    De acordo com dados do Censo 2022, o Brasil abriga cerca de 1,7 milhão de pessoas indígenas, pertencentes a 391 povos e falantes de 295 línguas distintas. Esses números indicam a enorme diversidade social e cultural existente entre os povos indígenas. Reconhecer essa pluralidade é um passo essencial para que a escola compreenda que a abordagem dessa temática exige sensibilidade, conhecimento e não pode ser tratada de forma simplificada.


    Segundo Delmira de Almeida Peres, coordenadora adjunta do Programa Saberes Indígenas na Escola, Núcleo UNILA, e doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Estadual de Maringá (UEM/PR), quando reproduz estereótipos, a escola ensina exclusão ao invés de cidadania intercultural.


    “Os estereótipos produzem impactos profundos: reforçam o racismo estrutural e epistemológico, naturalizam a invisibilização dos povos indígenas, impedem estudantes de compreenderem a diversidade brasileira, produzem preconceito e discriminação nas escolas e formam cidadãos com visão histórica incompleta do país”, diz.


    Em março de 2008, foi homologada a Lei nº 11.645, que torna obrigatório o estudo da história e cultura indígena e afro- -brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio. Entretanto, não há essa obrigatoriedade nos estabelecimentos de ensino superior para os cursos de formação de professores (licenciaturas), o que reflete no que é ensinado na escola.


(Por: Nairim Bernardo. Disponível em: https://novaescola.org.br/. Acesso em: junho de 2026. Fragmento. Adaptado.)
As formas verbais apresentadas no texto indicam, predominantemente, tempo e modo verbais no: 
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Q4187306 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Tomar colágeno mantém elasticidade da pele, mas não previne rugas


O consumo diário de suplementos de colágeno melhora a elasticidade e a hidratação da pele, contribuindo para uma aparência mais jovem. Entretanto, evidências científicas indicam que essa suplementação não impede o surgimento de rugas. Uma revisão recente de estudos avaliou os dados disponíveis e concluiu que cápsulas ou pó de colágeno trazem benefícios moderados à pele quando utilizados de forma contínua, embora não representem uma solução imediata para o envelhecimento cutâneo. 


Os resultados também sugerem que esses suplementos ajudam a reduzir desgaste, dor e rigidez nas articulações associados à artrite. A análise reuniu dados de mais de uma centena de estudos envolvendo milhares de participantes, investigando os possíveis efeitos do colágeno sobre diferentes aspectos da saúde. 


O colágeno é uma proteína produzida naturalmente pelo organismo e exerce papel estrutural importante ao fornecer suporte e resistência à pele, às unhas, aos ossos e a tecidos conjuntivos como tendões e cartilagens. Com o passar do tempo, porém, a produção dessa proteína diminui, enquanto o colágeno já existente sofre degradação mais acelerada. Esse processo é intensificado por fatores como tabagismo e exposição frequente ao sol. Durante a menopausa, por exemplo, a pele feminina perde cerca de um terço do colágeno existente, o que contribui para alterações visíveis na estrutura cutânea.


No mercado, existem diferentes tipos de suplementos, incluindo versões de origem marinha, bovina e alternativas voltadas ao público vegano. A revisão científica, no entanto, não encontrou evidências suficientes para afirmar que algum desses tipos seja mais eficaz do que os demais. 


Os pesquisadores destacam que muitas investigações sobre suplementos de colágeno receberam financiamento da indústria do setor, o que exige cautela na interpretação dos resultados. Ainda assim, a revisão que reuniu esses dados avaliou de forma ampla as evidências disponíveis. 


De acordo com os autores, o colágeno não deve ser considerado uma solução universal contra o envelhecimento. Quando utilizado de forma contínua ao longo do tempo, traz benefícios consistentes para aspectos como hidratação e tônus da pele, além de auxiliar em condições articulares. Esses efeitos contribuem para uma aparência mais jovem, mas não eliminam completamente os sinais do envelhecimento.


Nesse contexto, o colágeno deve ser visto como parte de uma estratégia mais ampla de cuidado com a pele  envelhecida ou afetada pela exposição solar, e não como um tratamento capaz de impedir o aparecimento de rugas.


Especialistas em nutrição também destacam a importância da alimentação para a saúde da pele. Nutrientes como a vitamina C participam da formação de colágeno e são obtidos por meio de alimentos como frutas cítricas, frutas vermelhas, vegetais verdes, pimentões e tomates. O zinco, presente em carnes, aves, frutos do mar, nozes, sementes e grãos integrais, também contribui para a produção dessa proteína pelo organismo.


Especialistas em dermatologia ressaltam que são necessários mais estudos específicos e metodologicamente robustos para confirmar os efeitos atribuídos à suplementação de colágeno.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4g0p2dmj4eo.adaptado. 


 

Nutrientes como a vitamina C participam da formação de colágeno e "são" obtidos por meio de alimentos como frutas cítricas.


Conjugando o verbo destacado no pretérito imperfeito do indicativo, tem-se: 

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Q4184676 Português
Para responder à questão, leia o texto.

Censo Escolar: Brasil reduz índices de reprovação, abandono e atraso

        Os números referentes ao desempenho de estudantes que concluíram o ensino médio na rede pública do país apresentaram melhora entre 2022 e 2025. O índice de reprovação caiu 62%, o de abandono diminuiu 61% e o atraso escolar teve redução de 28%. No mesmo período, a taxa de aprovação subiu 11%. Os novos dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) fazem parte da segunda etapa do Censo Escolar 2025, feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (lnep). O levantamento anual permite calcular as taxas de rendimento escolar no país. 

        De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a evolução dos indicadores educacionais no Brasil se deve à implementação, desde 2023, de diversos programas estruturantes como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o Escola em Tempo Integral, a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, além da a criação do programa Pé-de-Meia, em 2024, e de avanços no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 

        Os dados também indicam que mais estudantes têm conseguido permanecer no ensino médio. Enlre 2022 e 2025, a taxa de não retorno ao ensino médio caiu 28%, o que significa que mais jovens permaneceram em sala de aula de um ano letivo para outro. 

        O presidente do Inep, Manuel Palacios, estima que se esse indicador tivesse permanecido no nível observado em2022, o Brasil teria, em 2025, quase 250 mil estudantes a menos no ensino médio. "Um número muito grande de jovens, que poderia estar fora da escola, seguiu estudando."

        Entre as iniciativas que contribuíram para a melhoria do ensino médio na rede pública está o programa Pé-de-Meia, diz o MEC. A chamada Poupança do ensino medio já beneficiou 7,2 milhôes de estudantes, desde sua criação em 2024. A iniciativa federal oferece incentivo financeiro para os estudantes que frequentam as aulas, passam de ano, concluem a educação básica e fazem as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).


Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.brleduc acao /noticia/2026- 06/censo-escolar-brasil-reduz-reprovacao abandono-e-atrasoestudantil (adaptado)

No segmento ...se esse indicador tivesse permanecido no nível observado em 2022, o Brasil teria..., as formas verbais sublinhadas estabelecem uma correlação temporal específica. Sobre essa estrutura, assinale a alternativa CORRETA.
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Q4179996 Português

Para responder à questão, considere o Texto IV abaixo. 

Considerando a fala da professora no Texto IV, imagine-se a situação na qual a docente, no dia seguinte ao da aula apresentada na imagem, relate a seus colegas o conteúdo da aula, dando-a como fato passado e concluído. Sua fala, tendo em vista o correto emprego dos tempos verbais em Língua Portuguesa e a adequação à situação exposta anteriormente, é dada por qual alternativa? 
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Q4178696 Português
Atriz de ‘Game of Thrones’ sofre ataque gordofóbico

Emilia Clarck, que interpretou Daereys Targaryen na série Game of Thrones, foi alvo de comentários preconceituosos do CEO da TV australiana Foxtel, Patrick Delany. Durante discurso no lançamento de A Casa do Dragão, em Sidney, Delany assim se referiu à atriz: “Que série é essa, com essa personagem baixinha e cheinha que anda sobre o fogo, pensei a primeira vez que assisti à Game of Thrones?”. Repercutiu muito mal, o que o fez se desculpar publicamente. Delany disse que “foi mal compreendido e não queria ofender ninguém”.

(Texto adaptado. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/veja-gente/)
O texto é uma notícia com características próprias do gênero, inclusive mudanças de tempo verbal. A relação correta entre o tempo verbal e a explicação ocorre em:
I- O verbo no presente do indicativo indica uma ação habitual no momento em que ela ocorre, na fala da personagem.
II- O pretérito perfeito exprime um fato concluído e caracteriza a matéria noticiada.
III- A alternância de tempos verbais se faz para dar dinamicidade ao texto, relatando os acontecimentos e a voz da personagem.
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Q4178604 Português
O Homem Trocado

O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.

- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.

- Eu estava com medo desta operação...

- Por quê? Não havia risco nenhum.

- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...

E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.

- E o meu nome? Outro engano.

- Seu nome não é Lírio?

- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...

Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.

- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.

- O senhor não faz chamadas interurbanas?

- Eu não tenho telefone! Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.

- Por quê?

- Ela me enganava.

Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:

- O senhor está desenganado. Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.

- Se você diz que a operação foi bem... A enfermeira parou de sorrir.

- Apendicite? - perguntou, hesitante.

- É. A operação era para tirar o apêndice.

- Não era para trocar de sexo?

Luís Fernando Veríssimo (Comédias para se ler na escola, OBJETIVA, 2004)
A relação correta entre o tempo verbal e a explicação ocorre em
I – “O homem acorda da anestesia e olha em volta” – presente do indicativo, porque situa o tempo presente indicando uma ação habitual no momento em que ocorre.
II – “Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais” – pretérito perfeito, porque exprime um fato concluído.
III – “Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade” – pretérito imperfeito, porque é uma ação anterior ao momento da fala ao tempo da narração.
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Q4177484 Português
Leia o texto para responder a questão.


Uso de suplementos proteicos de whey protein e creatina em crianças e adolescentes: implicações clínicas e nutricionais

Nota emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria


    Contexto atual e relevância para a pediatria

  Os produtos comercialmente conhecidos como whey protein e creatina são enquadrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) na categoria de suplementos alimentares, sendo compostos, respectivamente, por proteína do soro do leite e creatina. O whey protein apresenta-se em diferentes formas (concentrada, isolada ou hidrolisada) e é divulgado com alegações relacionadas ao ganho de massa muscular e à melhora do desempenho físico. A creatina, por sua vez, é um composto nitrogenado derivado de aminoácidos (arginina, glicina e metionina), produzido pelo organismo e também obtido pela alimentação, especialmente por meio de carnes e peixes, e desempenha papel no metabolismo energético celular, especialmente em tecidos de alta demanda, como o músculo esquelético. Esses suplementos estão amplamente difundidos no contexto da prática de atividade física e esportiva entre adultos e caracterizam-se, em sua maioria, como produtos ultraprocessados, por incorporarem ingredientes como aromatizantes, edulcorantes e emulsificantes. Diferentemente dos alimentos, que fornecem proteínas associadas a vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos, esses produtos promovem uma oferta concentrada e descontextualizada de nutrientes, em desacordo com as recomendações de uma alimentação adequada e saudável. O whey protein e a creatina têm sido introduzidos, de forma inadvertida, na alimentação de crianças e adolescentes, impulsionados por estratégias de marketing e pela influência das mídias digitais, frequentemente sem indicação clínica e sem orientação profissional. Esse cenário é agravado pela crescente oferta desses suplementos com apelo direcionado ao público infantil, por meio de rotulagem atrativa, sabores adocicados e formatos lúdicos, como balas, gomas e bebidas saborizadas. Tais características favorecem a percepção equivocada de que se trata de produtos habituais para a faixa etária pediátrica. 

   Necessidades proteicas na infância e adolescência: o papel dos alimentos 

  A proteína é essencial para o crescimento e o desenvolvimento, mas sua necessidade é frequentemente superestimada. Crianças e adolescentes saudáveis apresentam requerimentos proteicos que, em média, variam entre 0,85 e 0,95 g/kg/dia, facilmente atingidos por meio de uma alimentação variada e equilibrada. Na prática, observa-se que muitas crianças já apresentam ingestão proteica superior às necessidades fisiológicas, de modo que a adição de suplementos — mesmo em pequenas quantidades — não traz benefício comprovado e não é isenta de riscos. Uma alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente processados — como carnes, ovos, leite e derivados, leguminosas, cereais, tubérculos, frutas e hortaliças — assegura não apenas a adequada oferta proteica (quantidade e qualidade), mas também a ingestão de todos os nutrientes essenciais para o crescimento e desenvolvimento saudáveis. O uso de suplementos proteicos na pediatria é restrito a condições clínicas específicas, como desnutrição, doenças crônicas, síndromes de má absorção ou aumento da demanda metabólica, entre outras, sempre sob prescrição e acompanhamento profissional. Esse contexto não é extrapolável ao uso de suplementos de whey protein ou de creatina em crianças e adolescentes com ou sem doenças associadas. Estudos descrevem potenciais efeitos adversos renais, hepáticos e metabólicos associados ao consumo excessivo e crônico de proteína, atribuídos à sobrecarga das vias de metabolização e de excreção de compostos nitrogenados. No rim, pode-se observar aumento da produção de ureia e hiperfiltração glomerular, com potencial de lesão intraglomerular em indivíduos suscetíveis. No fígado, intensificam-se a desaminação e o ciclo da ureia, elevando a produção de amônia, especialmente em contextos de imaturidade. Do ponto de vista metabólico, o excesso proteico pode estimular a secreção de insulina e de Fator de Crescimento Semelhante à Insulina tipo 1 (IGF-1), interferir no balanço energético e favorecer a lipogênese. Diante das evidências científicas atuais, não há indicação para o uso rotineiro de suplementos proteicos à base de whey protein e de creatina em crianças e adolescentes saudáveis. Nessa fase, deve-se priorizar a construção do comportamento alimentar e a oferta de uma alimentação diversificada, capaz de atender às necessidades nutricionais de cada etapa do desenvolvimento. O uso indiscriminado desses suplementos, além de favorecer a ingestão excessiva de nutrientes com potencial de sobrecarga de órgãos e sistemas, também expõe as crianças e adolescentes a aditivos alimentares (corantes, conservantes, emulsificantes) e pode determinar a substituição de refeições, contribuindo para práticas alimentares inadequadas e para o desenvolvimento de uma relação disfuncional com a alimentação, cenário frequentemente agravado pela influência das redes sociais e por padrões corporais idealizados. O ato de se alimentar não se limita ao consumo de nutrientes, mas integra um processo relacional, cultural e identitário, construído no convívio familiar e social e marcado por escolhas, preparo e modos de consumo que expressam valores, tradições e vínculos afetivos. 

   Considerações finais

   O uso de suplementos proteicos à base de whey protein e de creatina não é indicado para crianças saudáveis e não deve ser adotado de forma rotineira na adolescência. Uma alimentação saudável, variada e baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, em preparações culinárias, é suficiente para atender às necessidades nutricionais e promover a formação de hábitos alimentares adequados. A suplementação deve ser reservada a situações clínicas específicas, com avaliação individualizada e acompanhamento profissional. O pediatra desempenha papel central na orientação de famílias, crianças e adolescentes, sendo fundamental esclarecer que esses suplementos não são necessários para o crescimento e desenvolvimento adequados. A abordagem deve contemplar a educação nutricional, a valorização de práticas alimentares saudáveis e a discussão crítica sobre influências externas, como o marketing e as mídias sociais. Além disso, é essencial reconhecer precocemente o uso inadequado desses produtos e intervir de forma oportuna. O cuidado com a alimentação na infância e na adolescência constitui uma estratégia fundamental para a promoção da saúde ao longo da vida.


Disponível em https://www.sbp.com.br/pediatras-alertam-sobre-perigos-douso-de-suplementos-proteicos-de-whey-protein-e-creatina-por-criancas-eadolescentes/  


No trecho “Estudos descrevem potenciais efeitos adversos renais...”, o verbo está flexionado no 
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Q4177384 Português
Leia o texto para responder a questão.


Animal mais letal do mundo é menor do que se pensa

Um milhão e meio de mortes por ano são causadas por

animais, mais de metade é devido a apenas um tipo deles


Por Paloma Lazzaro


    Tubarão, jacaré e onças são alguns dos animais que vêm à mente das pessoas quando o assunto é espécies mortíferas. No entanto, eles estão longe do topo da lista de bichos que causam mais mortes no planeta. Juntos, tubarões e crocodilos são responsáveis por apenas 156 óbitos anuais, de acordo com dados de organizações de saúde compilados pelo Our World in Data. O ser humano, que em si é a causa de morte de 600 mil membros da própria espécie por ano, também não é o primeiro colocado, mas o segundo. E o animal mais mortífero do mundo é bem menor que qualquer uma das espécies listadas previamente. Mosquitos são os responsáveis por mais mortes no mundo  

    No planeta, aproximadamente 760 mil pessoas por ano têm suas mortes causadas por mosquitos. Claro, uma picada em si não é o motivo desses óbitos, mas as doenças transmitidas pelos insetos. A malária é, por uma grande margem, a mais fatal de todas, sendo responsável por de 80% dessas mortes. Ela é transmitida e disseminada pelo mosquito Anopheles, e ainda mata cerca de meio milhão de crianças todos os anos. Outras 100 mil fatalidades anuais se devem a outras doenças, como a dengue e febre amarela, ambas transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, e encefalite japonesa, transmitida pelo mosquito Culex.  

    Cobras matam 100 mil pessoas por ano

    As cobras já são causa de medo em diversas pessoas, e os dados corroboram esse temor. Os répteis são responsáveis por, aproximadamente, 100 mil mortes por ano. Essa alta fatalidade se deve a como os ataques de cobras peçonhentas ocorrem. Boa parte deles se dá em áreas rurais, onde antídotos e tratamento rápido, necessários à sobrevivência no caso de uma picada, estão pouco disponíveis.

    Cachorros são 800 vezes mais fatais que que aranhas 

    O quarto colocado da lista de animais mortíferos é o melhor amigo do homem. Mortes causadas por cachorros somam 40 mil casos anuais. Assim como os mosquitos e as cobras, os cachorros não matam humanos por meio de feridas diretas ou os devorando, mas indiretamente. A raiva, doença viral com taxa de mortalidade próxima a 100%, é o grande pivô por trás de tantos óbitos. Atualmente, existe tratamento para a raiva feito com o soro antirrábico. Porém, assim como o tratamento para mordidas de cobra, ele deve ser administrado rapidamente, o que é difícil em regiões com pouca cobertura dos sistemas de saúde.


Disponível em https://exame.com/ciencia/animal-mais-letal-do-mundo-emenor-do-que-sepensa/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento  
No trecho: “O soro antirrábico deve ser administrado rapidamente”, a forma verbal “deve” indica 
Alternativas
Q4177281 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.



Sentir-se ocupado atende a uma demanda de culpa comum


    O fato ocorreu. Uma aluna de um curso livre reclamou que tivera uma massagem pela manhã, minha palestra sobre arte depois do almoço e, ainda, enfrentaria um jantar com amigas à noite. Fazia ar de cansada. Um dia com três compromissos! Eu soltei uma ironia: “Não sei como a senhora aguenta”. Ela sorriu e leu como solidariedade minha frase. Mais tarde, pensei que minha resposta era filha de uma inveja ressentida. Eu ministrava 64 aulas por semana, inclusive aos sábados à tarde. Tinha de prepará-las e deslocar-me pela cidade. Se me oferecessem uma jornada com massagem matinal, lindas imagens numa sala climatizada à tarde e comida de forma abundante à noite, eu teria um dia livre e feliz. A senhora, em questão, sentia genuíno esgotamento. 


    Cansaço é relativo. Diz respeito às potências do sujeito e dos seus hábitos. Quem dá 64 aulas por semana olha para alguém que leciona 30 como um quase vagabundo. Existem especificidades também: há pessoas que vão ao supermercado e entram em coma, logo em seguida. O curioso não parece estar na variedade infinita do gênero humano, todavia no fato de que quase todo mundo se considera muito ocupado. 


    Meu pai trabalhou bastante. Houve um momento em que ele cursava Direito em Porto Alegre, lecionava latim, português em escolas maristas e era vereador em São Leopoldo (RS). Estudava nos ônibus. Emagrecia devido ao esforço. Depois, já com o título jurídico, atendia até a noite. Dizia a todos: “Minha agenda é por minuto”. Era verdade pelas audiências, viagens, consultas e compromissos. Passaram-se os anos, ele se concentrou apenas no escritório, abandonou o magistério e a política. Casal tradicional, ele nada fazia no nosso lar. Minha mãe providenciava tudo. Nos últimos dez anos da sua existência, deixou de advogar e entrou no merecido descanso. Curiosidade: a expressão “minha agenda é por minuto” permaneceu. Aos 75 anos, seus compromissos eram ler jornais, alimentar-se, ir à missa e jogar xadrez. O dia se esgarçava, lânguido. Sua consciência de homem atarefado sobreviveu. Morreu tranquilo, sem grandes atividades. Entrou na eternidade, com os minutos contados e agenda imaginária repleta. A família adotou com ironia o lema paterno: repetimos “minha agenda é por minuto” para lembrar nosso amado pai e a relatividade da fala. 


    Sentir-se ocupado atende a uma demanda de culpa comum. Temos a dificuldade que a aristocracia superou há séculos: existir sem compromissos. Melhor – a nobreza entende como agenda o que a classe trabalhadora imagina ser lazer. 


    Volto à minha simpática aluna, paulista quatrocentona. Cada atividade implica preparar-se, vestir-se, ocupar a mente e enfrentar um novo ambiente. Eu entendo como compromisso de fato o que gera dinheiro. Não nasci duque. Um jantar está em escaninho diferente no cérebro. Para ela e para a Condessa Viúva da série Downton Abbey (feita pela genial Maggie Smith), emerge a dúvida: o que é um fim de semana? Todos os dias são tomados de jantares, eventos, aulas. Interessante: se alguém desejar marcar algo para a próxima semana, ela responderá como o mais ocupado dos pediatras de um posto do SUS: “Não posso!” Agenda é uma concepção psíquica e cultural.


    Exagero? Você já se encontrou com alguém que assume o ócio, afirma que nada faz e diz que possui o tempo todo livre? Deve ser alguém raro... Tente marcar um teatro para hoje à noite. Todos dirão que é muito em cima da hora, mesmo não tendo quaisquer compromissos no horizonte. Quase todos nos consideramos extremamente ocupados. E ainda ficamos ao celular nos elevadores para deixar claro ao mundo que a vida nos absorve por completo.


    Sim, eu sei, querida leitora e estimado leitor, vocês têm muitos afazeres. Quem trabalha fora enfrenta o caos do mundo. Quem fica em casa descobre uma rotina de Penélope, a rainha da Ítaca que tinha de tecer todo dia e desfazer à noite o realizado. Uma casa é um buraco negro de tempo. Apesar disso, já pararam para pensar que sempre alegamos mais ocupações do que, de fato, temos? Identifico um discurso que nem sempre se casa com o real. É considerado chique no mundo da glamourização do cansaço (denunciada por Byung-Chul Han) andar rápido e consultar o celular como se nele houvesse os códigos das armas nucleares. Sim, somos atarefados. A pergunta: por que aumentamos ainda mais nossa ocupação? Do que nos defendemos quando encarnamos a figura do ser sem tempo para coisa alguma?


    Convidei no fim da tarde um casal querido para um happy hour. Meu amigo respondeu: “Com prazer, desde que você não nos considere fáceis”. Aparentemente, ter tempo para a felicidade pode ser visto com desconfiança, pois a pessoa poderá ser classificada como “fácil”. Acredite: existe gente que, podendo, aceita um convite no dia e permite-se a alegria sem medo do julgamento. Tenho esperança em gente fácil. Os difíceis podem ter problemas cardíacos bem mais cedo... Boa semana para ocupados e para felizes. 


Autor: Leandro Karnal - Estadão (adaptado). 

No trecho “lecionava latim, português em escolas maristas”, a forma verbal lecionava está flexionada no: 
Alternativas
Q4177239 Português

TEXTO PARA QUESTÃO.



Aqui está uma loucura!


    Com insistência preocupante, ouço esta queixa ao tentar conversar com colegas ou contatar virtualmente pessoas que ocupam cargos de destaque em empresas. Whats não respondidos, e-mails esquecidos. Estes comportamentos estão além da falta de gentileza, bem o sei. As demandas são múltiplas, os dias encurtaram, escorrendo entre os dedos. Tanto por fazer e as horas se apresentam líquidas, como os sentimentos. Precisamos dar um jeito, pensei, ao ver um caramujo atravessando a estrada para seguir sua trajetória. Lento, lento... uma lição de respeito ao tempo de cada um. Ao observá-lo, dei-me conta da nossa infidelidade ao que é natural. Em consequência, estamos falando com renovada ênfase em saúde mental. A própria expressão parece nos exaurir, pois tende a despertar, mesmo provisoriamente, uma espécie de traição à serenidade e ao bem-estar.  


    Há, sim, um tímido movimento visando resgatar a quietude interior. No limite do estresse, clamamos por uma possibilidade de sobrevivência. A alma dilacerada pede socorro. Mas a cura virá de dentro para fora. É difícil, pois implica em mudanças de grande dimensão e o cérebro resiste. Porém, no momento em que os benefícios se mostram, é uma decisão sem volta. Temos inúmeros recursos à disposição, bastando apenas frear um pouco nossos projetos de ascensão profissional. Sim, eu sei, muitas vezes deixa de ser uma escolha: é uma imposição externa e manter-se fiel a princípios individuais pode significar nos tornarmos dispensáveis. No entanto, é necessário perguntar-se: tudo isso está me trazendo alegria? A vida, curta para os apressados, envia seus sinais quando escolhemos mal. Fazemos de conta que nem é conosco. A consequência será uma desordem emocional com efeitos desastrosos. 


    Há vários anos faço terapia com o intuito de ter alguém próximo para me auxiliar _____ tomar as melhores resoluções. E recorro aos amigos, meu maior patrimônio. Eles me ajudam a permanecer no norte da existência. Reavaliar constantemente os propósitos passou a ser uma disciplina diária, sob risco de seguir conceitos ou repetir atitudes que me alienam. Leio poesia e dedico os finais de tarde para bons encontros. Sou um discípulo fiel do filósofo Espinosa, um entusiasta em avaliar a qualidade do ser pelas suas escolhas. Amo o que faço e mais ainda se deixo de realizar algo sob pressão, respondendo assim ao chamado da serenidade. Gosto do progresso e da evolução, mas dedico-me ____ expansão da consciência. Tento ser um homem parcialmente liberto de preconceitos, extraindo do passado lições _____ serem postas em prática no futuro. Com humildade, caminho sem pressa para chegar ao lugar que desejo. 


Autor: Gilmar Marcílio - GZH (adaptado). 

No trecho “Sou um discípulo fiel do filósofo Espinosa, um entusiasta em avaliar a qualidade do ser pelas suas escolhas”, é INCORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q4176983 Português
Por que o Panamá era tão importante para o comércio espanhol?

A história do Panamá é diretamente ligada ao comércio colonial. Desde o século XVI, o istmo funcionava como uma ponte terrestre entre dois mares. Assim, navios vindos do Pacífico descarregavam ouro, prata e outras mercadorias em portos como Panamá e Portobelo. Em seguida, carregadores transportavam as cargas por rotas terrestres até o Caribe. Esse sistema evitava a longa viagem pelo extremo sul do continente, no perigoso Cabo Horn. Portanto, ele reduzia tempo e riscos para a Coroa espanhola.

As chamadas rotas de ouro e prata organizavam o eixo desse sistema. Mineradores retiravam metais preciosos das minas do Peru, da Bolívia e de parte do que hoje é o Equador. Depois, comerciantes levavam essa riqueza pelos Andes e pela costa do Pacífico até chegar ao istmo. De lá, caravanas de mulas e guardas armados seguiam até os portos caribenhos. Essa dinâmica transformou o Panamá em centro logístico, financeiro e militar. Por isso, a Espanha mantinha controle rígido sobre a região e criava divisões administrativas para garantir eficiência na gestão do fluxo de riqueza. Além disso, fortaleceu fortificações e guarnições para proteger as rotas contra-ataques.

Fonte: Terra. Adaptado.
Considerando-se a flexão do verbo pentear, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.
( ) Pentiou o cachorro depois da tosa. ( ) Eu penteio o cabelo ao acordar. ( ) Ela pêntia a boneca com cuidado. 
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Q4176980 Português
Por que o Panamá era tão importante para o comércio espanhol?

A história do Panamá é diretamente ligada ao comércio colonial. Desde o século XVI, o istmo funcionava como uma ponte terrestre entre dois mares. Assim, navios vindos do Pacífico descarregavam ouro, prata e outras mercadorias em portos como Panamá e Portobelo. Em seguida, carregadores transportavam as cargas por rotas terrestres até o Caribe. Esse sistema evitava a longa viagem pelo extremo sul do continente, no perigoso Cabo Horn. Portanto, ele reduzia tempo e riscos para a Coroa espanhola.

As chamadas rotas de ouro e prata organizavam o eixo desse sistema. Mineradores retiravam metais preciosos das minas do Peru, da Bolívia e de parte do que hoje é o Equador. Depois, comerciantes levavam essa riqueza pelos Andes e pela costa do Pacífico até chegar ao istmo. De lá, caravanas de mulas e guardas armados seguiam até os portos caribenhos. Essa dinâmica transformou o Panamá em centro logístico, financeiro e militar. Por isso, a Espanha mantinha controle rígido sobre a região e criava divisões administrativas para garantir eficiência na gestão do fluxo de riqueza. Além disso, fortaleceu fortificações e guarnições para proteger as rotas contra-ataques.

Fonte: Terra. Adaptado.
Na frase “Depois, comerciantes levavam essa riqueza pelos Andes e pela costa do Pacífico até chegar ao istmo.” (2º parágrafo), o verbo destacado está conjugado em qual tempo verbal?
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Q4175096 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Brasil deverá ter centro para enfrentamento de emergências em saúde

Até o final de 2026, o Brasil deverá criar um centro para o enfrentamento de emergências em saúde pública. A proposta é que o Centro Brasileiro de Emergências em Saúde Pública (Cbesp), como vem sendo chamado, seja uma instituição para tornar o país mais resiliente e preparado para enfrentar futuras epidemias, surtos e outras emergências sanitárias e até climáticas.

A proposta foi idealizada pelo Instituto Todos pela Saúde (lTpS) e vem sendo estudada há alguns anos por especialistas de diversas instituições do país, que pensaram em criar uma estrutura que respeite as normas do Regulamento Sanitário Internacional (RSI) e também seja integrada ao Sistema Único de Saúde e vinculada ao Ministério da Saúde. A governança deve ficar sob a responsabilidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Segundo a proposta, as verbas para o funcionamento do centro seriam provenientes do Orçamento Geral da União. Também está prevista a captação de recursos complementar por meio de convênios internacionais e geração de receitas próprias.

“A proposta prevê que o centro funcione em lógica de rede, trabalhando de forma estreita e colaborativa com o Ministério da Saúde, as secretarias estaduais e municipais, universidades e instituições de pesquisa”, explicou Gerson Penna, diretor-presidente do Instituto Todos pela Saúde (lrpS).

“Uma de suas grandes inovações será a intersetorialidade: ele promoverá a colaboração permanente entre diferentes setores do governo - como saúde, meio ambiente, agricultura, ciência, tecnologia e inovação -, além de garantir articulação com a sociedade civil”, completou.

Penna ressaltou que o centro vem sendo planejado como uma política de Estado e não de governo, para não ser suscetível a intercorrências políticas, como ocorreu durante a pandemia de covid-'19.

“Entendemos que uma estrutura permanente com foco em prevenção, preparação e resposta a emergências em saúde pública ajudará o Brasil a reagir mais prontamente às crises”, disse Penna.

Segundo ele, a pandemia de covid-19, que vitimou mais de 7 milhões de pessoas no mundo, sendo 10% dessas mortes no Brasil, expôs as vulnerabilidades do sistema de saúde do país.

“Apesar da imensa capacidade do SUS, sofremos com a falta de coordenação do governo federal, com uma comunicação inconsistente e com os ataques do negacionismo científico. O centro trará uma perspectiva nacional unificada, pactuada e baseada exclusivamente nas melhores evidências científicas, fornecendo uma liderança forte e confiável para que os mesmos erros não se repitam”, reforçou.

Uma das funções do centro será o monitoramento de riscos e estratégias de prevenção, controle e combate a futuras epidemias e pandemias, de modo que o país não reaja tardiamente às crises sanitárias. Ele também deve ficar responsável pela implementação da Política Nacional de Emergências de Saúde Pública (Pnesp).

“O centro trabalhará em um cenário global cada vez mais complexo, fortemente impactado pelas emergências climáticas, pelo desmatamento e pelos deslocamentos populacionais em larga escala. Apenas em 2024, por exemplo, o Brasil enfrentou simultaneamente a maior epidemia de dengue da história, surtos de mpox, oropouche e a ameaça iminente da gripe aviária, sem falar nas emergências climáticas e desastres. O centro existirá exatamente para atuar nesse espectro amplo de ameaças”, destacou Penna.

 

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-06/brasil-devera-ter-centro-para-enfrentamento-de-emergencias-em-saude (adaptado)

No fragmento ...para que os mesmos erros não se repitam, a forma verbal sublinhada encontra-se flexionada no: 
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Q4173675 Português

O paradoxo do amor correspondido 


Amar e ser amado é o credo-que-delícia que nos move. Estamos sempre à procura da prova de que nossa existência significa algo para alguém, necessitando de um reconhecimento particular por força da nossa condição humana. Ser amado como pessoa pública, por exemplo, no atacado, pode gerar uma sensação deliciosa de aceitação social, mas não resolve a questão do amor, que exige intimidade.

Sentir-se amado deriva de ter sido amado nos primórdios, mas também de o quanto fomos capazes de nos alimentar desse investimento inicial. Não existe amor livre de ambivalência, o que inclui o amor-próprio, que não se abstém do ódio a nós mesmos. Pais e cuidadores podem dar o seu melhor, mas esbarrarão nesse ódio estrutural que sentimos uns pelos outros e por nós mesmos. 

O mundo ideal é aquele no qual lançamos um olhar benevolente sobre nossos inúmeros defeitos e evitamos atuar nosso ódio, que tem como função nos descolar dos demais. 

Essa história ganha novos contornos quando conhecemos o amor para além das fronteiras do lar e o tatibitate familiar é colocado à prova. Ali podemos descobrir que fomos amados pelo que, a partir de então, será considerado nosso pior defeito ou, pelo contrário, seremos amados pelos motivos que eram detestados em nossa comunidade de origem. Da casa ao mundo há pontes e abismos.

Não raro se vê um sistema de compensações, no qual quem foi muito preterido na família busca reconhecimento social a todo custo. Pode acontecer de alguém que foi muito prestigiado em casa exigir que o tratem de igual maneira fora dela ou já se sentir tão investido afetivamente que prefira o ostracismo. 

As combinações são inúmeras, uma vez que o que escolhemos fazer com nossa herança afetiva é de nossa responsabilidade, mesmo que se trate, em grande parte, de escolhas inconscientes.

Na ciranda dos desencontros drummondianos que estruturam as relações amorosas, não alcançamos o outro, cuja singularidade sempre nos escapa. Ainda assim, alguns vivem o que chamamos de amor correspondido. Mas, afinal, qual é a correspondência amorosa possível? O que nos une, para além do cinismo, da ambivalência ou da coerção, é a sensação compartilhada de que não se sabe bem por que, no fim das contas, aquele a quem amamos também nos ama. 

O amor correspondido parte do paradoxo de que ambos sentem que recebem mais do que dão e se perguntam, então, por que alguém tão bacana os escolheria. Esse jogo funciona porque é jogado pelo par ao mesmo tempo. 

Quando um sente que o outro lhe deve, estamos diante de relações assimétricas que vão da infelicidade à mais franca violência. O amor correspondido funciona porque os dois acham que o parceiro “é bom demais para ser verdade”, porque ambos compartilham da mesma ilusão.


(Por: Vera Iaconelli. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vera-iaconelli/. Acesso em: março de 2026. Adaptado.)

O verbo destacado em “Pais e cuidadores podem dar o seu melhor, mas esbarrarão nesse ódio estrutural que sentimos uns pelos outros e por nós mesmos.” (2º§) está conjugado no:
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Q4173669 Português
A fuga

Mal o pai colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo um barulho infernal.
– Para com esse barulho, meu filho – falou, sem se voltar.
Com três anos já sabia reagir como homem ao impacto das grandes injustiças paternas: não estava fazendo barulho, estava só empurrando uma cadeira.
– Pois então para de empurrar a cadeira.
– Eu vou embora – foi a resposta.
Distraído, o pai não reparou que ele juntava ação às palavras, no ato de juntar do chão suas coisinhas, enrolando-as num pedaço de pano. Era a sua bagagem: um caminhão de plástico com apenas três rodas, um resto de biscoito, uma chave (onde diabo meteram a chave da despensa – a mãe mais tarde irá dizer), metade de uma tesourinha enferrujada, sua única arma para a grande aventura, um botão amarrado num barbante.
A calma que baixou então na sala era vagamente inquietante. De repente, o pai olhou ao redor e não viu o menino. Deu com a porta da rua aberta, correu até o portão:
– Viu um menino saindo desta casa? – Gritou para o operário que descansava diante da obra do outro lado da rua, sentado no meio-fio.
– Saiu agora mesmo com uma trouxinha – informou ele.
Correu até a esquina e teve tempo de vê-lo ao longe, caminhando cabisbaixo ao longo do muro. A trouxa, arrastada no chão, ia deixando pelo caminho alguns de seus pertences: o botão, o pedaço de biscoito e – saíra de casa prevenido – uma moeda de um cruzeiro. Chamou-o, mas ele apertou o passinho, abriu a correr em direção à Avenida, como disposto a atirar-se diante do ônibus que surgia à distância.
– Meu filho, cuidado!
O ônibus deu uma freada brusca, uma guinada para a esquerda, os pneus cantaram no asfalto. O menino, assustado, arrepiou carreira. O pai precipitou-se e o arrebanhou com o braço como a um animalzinho:
– Que susto você me passou, meu filho – e apertava-o contra o peito, comovido. –
Deixa eu descer, papai. Você está me machucando.
Irresoluto, o pai pensava agora se não seria o caso de lhe dar umas palmadas.
– Machucando, é? Fazer uma coisa dessas com seu pai.
– Me larga. Eu quero ir embora.
Trouxe-o para casa e o largou novamente na sala – tendo antes o cuidado de fechar a porta da rua e retirar a chave, como ele fizera com a da despensa.
– Fique aí quietinho, está ouvindo? Papai está trabalhando.
– Fico, mas vou empurrar esta cadeira.
E o barulho recomeçou.

(SABINO, Fernando. A mulher do vizinho. Sabiá. Fundação Casa de Rui Barbosa: Rio de Janeiro, 1962.)
Considerando que os tempos verbais assumem valores semânticos, em “Mal o pai colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo um barulho infernal.” (1º§), as formas verbais “colocou” e “começou” exprimem ações:
Alternativas
Respostas
161: D
162: D
163: B
164: B
165: A
166: A
167: A
168: A
169: A
170: D
171: C
172: D
173: B
174: A
175: D
176: D
177: A
178: C
179: D
180: C