Questões de Concurso Comentadas sobre flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro) em português

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Q1100321 Português
Profissão: professor

*Olavo Nogueira Filho e Rodolfo Araújo
    
    A literatura existente já consagra há algumas décadas: ainda que não haja resposta única para assegurar uma educação de qualidade, a solução obrigatoriamente perpassa por professores bem preparados, motivados e com boas condições de trabalho.
    Tal constatação nos foi reforçada quando, no início de outubro, mês de comemoração do Dia do Professor, lançamos na página do Facebook do Todos Pela Educação – organização da sociedade civil sem fins lucrativos e suprapartidária que objetiva contribuir para a melhoria da qualidade da educação básica pública brasileira – um convite às professoras e professores: contar a melhor história de sua carreira.
    Recebemos centenas de respostas que não só demonstram a extensão do impacto da docência, mas revelam que parte importante da sua satisfação profissional está ancorada numa sólida tríade: preparo, motivação e boas condições de trabalho. A resultante? Alunos engajados e que aprendem.
    Essa observação surge com ênfase nas mensagens compartilhadas por dois professores: uma delas conta-nos que a melhor parte da sua carreira é ouvir de seus alunos a frase “a aula já acabou?”, enquanto outro docente descreve seu grande momento: “(quando um) aluno se sentou na primeira fila e disse ‘não via a hora de ter essa matéria com o senhor’”. Ambas as situações refletem o poder de um trabalho pedagógico bem conduzido, que de trivial nada tem.
    Pensar a qualidade do que ocorre em sala de aula passa pela conexão estabelecida entre professor e aluno. A força desse vínculo é elemento crucial para o desenvolvimento da criança e do jovem, em que o processo de aprendizagem não se dá de maneira transacional – focada apenas no cumprimento de uma agenda de conteúdos –, mas relacional, centrada também em diálogo, abertura e respeito. O impacto destes laços, uma vez fortalecidos, reflete-se não apenas em resultados objetivos, mas também no estímulo à permanência na escola. É isso que os relatos mostram e, não surpreendentemente, as próprias pesquisas também. [...]
     Quando olhamos para os aspectos relacionados à motivação, um dos elementos da tríade acima apresentada, a necessidade de articulação de diferentes políticas torna-se ainda mais clara: conforme descreve o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) Fernando Abrucio, em publicação sobre os desafios da formação docente no País, “(a partir de uma revisão da literatura) pode-se concluir que a motivação está vinculada a um sistema de incentivo amplo, no qual é preciso articular várias ações. Juntamente com medidas para fortalecer a carreira (atração, retenção e desenvolvimento), dar um sentido à atuação profissional, ao trabalho coletivo da escola e ao relacionamento com alunos e comunidade aparecem como as variáveis motivadoras com maior impacto. A formação dos professores, inicial e continuada, tem de levar em conta essa complexidade”. [...]

Adaptado de: <https://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,profis-sao-professor,70002135832>. Acesso em 10 jul. 2018. 
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2018 Banca: FUNDEP (Gestão de Concursos) Órgão: INB Provas: FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Assistente de Administração | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Secretária | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Almoxarife | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Inspetor de Guarda | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Soldador TIG | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Soldador | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Soldador Oxigás | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Desenhista Técnico de Construção Civil | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Eletrônica | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Eletrotécnica | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Laboratório Industrial | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Eletromecânica | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Mecânica | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Instrumentação | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Manutenção | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Química | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Radioproteção | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Topografia/Agrimensura | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Qualidade | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Meio Ambiente | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Logística | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Enfermagem do Trabalho | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Edificações | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Segurança do Trabalho | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Arquivo | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Informática | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Técnico em Automação Industrial |
Q1099672 Português

Tenho saudade da época em que devolver o troco

errado era normal

Na minha infância, nos finais de semana, íamos à casa de nossos avós para uma visita. Enquanto o papai ouvia as histórias do vovô e a mamãe ajudava a vovó a passar o café, meu irmão e eu nos deliciávamos com o bolo de fubá. Mas a nossa maior expectativa era o que vinha depois do lanche: as moedinhas que o vovô nos dava para comprar doces no mercadinho da esquina.

Uma vez, voltei radiante após uma compra em que as moedas, misteriosamente, se multiplicaram: as balas não cabiam na minha mão. Mas meu avô, muito sério, me levou de volta ao bar para saber o que tinha acontecido.

Trinta anos depois, estava eu, havia 20 minutos, procurando por uma vaga em um estacionamento lotado. Então parei meu carro num local distante e fui caminhando até a entrada do shopping. Vi uma moça manobrar seu carro em uma vaga reservada para idosos. Ela estava junto com uma criança, e fiquei pensando no futuro adulto que aquela mãe está criando (talvez alguém que não dará valor para o que é certo e o que é errado).

A moça passou por mim, em seu mundinho pequeno, enquanto um enorme desânimo me abateu. Se eu tivesse parado em uma das vagas reservadas para idosos (muitas estavam vazias), provavelmente já teria pago a minha conta e teria tido tempo de almoçar antes de voltar para o trabalho. Senti raiva. Também me senti uma tola. Por fim, senti vergonha e senti falta do meu avô. [...]

Releia o trecho a seguir.

“[...] provavelmente já teria pago a minha conta e teria tido tempo de almoçar antes de voltar para o trabalho.”

O uso do futuro do pretérito nesse trecho confere ao texto uma ideia de:

Alternativas
Q1099528 Português

                              Livros-refúgio: um convite a ser


Das poucas lembranças nítidas que tenho da minha infância, uma delas é a estante de livros daqui de casa, repleta de lombadas coloridas que tentam se manter enfileiradas, até que um ou outro título rebelde se desgarra, jogado em cima dos outros ou enfiado forçosamente entre um “tijolaço” e outro. Eu mal sabia ler e já me hipnotizava por essa visão, como se pudesse ouvir o burburinho dos títulos, me chamando para conhecer suas histórias.

Essa recordação sempre aqueceu meu coração e me é definidora: eu sou uma pessoa de livros, sempre fui e serei, pois vejo neles meu meio genuíno de me expressar para o mundo e conhecê-lo melhor: a escrita. Não vou mentir, sempre achei essa coisa de “gostar de ler” um baita elogio e fonte de orgulho próprio, mas não somente pelos motivos que vocês estão pensando – pagar de inteligente (porque né, quem nunca?!) –, mas por outros, muito mais especiais. Porque, na boa, livros são e vão muito além de um símbolo socialmente construído de intelecto.

A primeira coisa que aprendi que livros podem ser é refúgio. Na adolescência, eu me envolvi muito com os livros do Harry Potter: cresci com os personagens, frequentei as aulas de Hogwarts, vibrei com as partidas de quadribol (nível “pulando na cama enquanto lê e comemora”). Através da Hermione Granger, eu construí minha identidade infanto-juvenil, aprendi a entender melhor minha relação com meus melhores amigos e com meus nem tão amigos. Eu realmente encarava a leitura da série como usar um par de óculos mágico que me permitisse enxergar melhor a minha própria realidade adolescente e ficar mais em paz, menos confusa, mais confiante. Pegar nos livros, cheirar as páginas me fazia sentir protegida, compreendida e no meu lugar.

Do livro-refúgio, logo em seguida descobri que o livro é casa. É aquele cantinho aconchegante que a sua mente pode repousar e simplesmente ser do jeito que ela é, com todas as suas dúvidas, medos e receios, sem travas e filtros. E por permitirem tamanho conforto, senti que os livros também são catarse: ler é concordar ou discordar agressivamente, refletir, ponderar, se transformar, perceber que mudou de ideia, ficar insegura por ter mudado de ideia, mas se acostumar com essa nova linha de raciocínio conforme a história “assenta” em você.

E nessa coisa de me revoltar em leituras silenciosas (ou barulhentas, já que eu sempre gostei de ler em voz alta), me dei conta de que os livros também são o buraco na fechadura, onde bisbilhotamos, curiosas, o que passa no mundo do autor, como ele enxerga a própria realidade, seja ela distante ou próxima a nossa. Mas eles também são espelhos, inteiros ou rachados, depende de quem e quando os lê. Eles refletem e trazem à tona muito do que somos, do que queremos ser e do que negamos ser, consciente ou inconscientemente.

Eu fui me apercebendo dessas coisas todas que os livros são em uma onda de autoconhecimento, sabe? E talvez o que livros sejam, mais que tudo, é encontro. Seu consigo, teu com outros. E é por isso tudo que nós acabamos cultivando relações íntimas com eles: algumas de nós os deixamos intocáveis, não queremos nem abri-los muito para não perderem o viço de novos, porém, em um lampejo de mudança, decidimos usar e abusar daquelas páginas, rabiscando, desenhando, destacando passagens, como se fossem recados ao nosso futuro eu, que daqui a alguns anos, se reencontrará naquelas páginas.

Eu gosto mesmo é do livro que deixa claro para o mundo que é rodado, sabe? É o livro que mais encerra histórias, não apenas aquela impressa em suas páginas, mas aquelas de seus leitores, acumuladas em pontinhas de páginas dobradas, manchas de café, borrões de lágrimas. É o livro que ultrapassou seu mero propósito de entreter e convidou o leitor a ser.

WALLITER, Carolina. Capitolina. Disponível em:<http://bit.ly/2ooawDh> . Acesso em: 21 fev. 2018 (Adaptação).

Qual verbo destacado não está conjugado no mesmo tempo verbal dos demais?
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Ano: 2018 Banca: FUNDEP (Gestão de Concursos) Órgão: Prefeitura de Santa Bárbara - MG Provas: FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Assistente Social | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Bibliotecário | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Engenheiro Civil | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Engenheiro Ambiental | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Médico - Cardiologista | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Professor de Educação Básica - Ensino Religioso | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Médico - Ginecologista Obstetra | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Professor de Educação Básica - História | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Professor de Educação Básica - Matemática | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Auditor | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Dentista PSF | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Professor de Educação Básica - Artes | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Educador Físico | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Turismólogo | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Terapeuta Ocupacional | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Nutricionista | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Contador | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Psicólogo | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Enfermeiro | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Médico Veterinário | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Médico - Psiquiatra | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Fonoaudiólogo | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Fisioterapeuta | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Santa Bárbara - MG - Médico - Clínico Geral PSF |
Q1099075 Português

Ao vencedor as batatas – uma reflexão sobre a

lógica da guerra

A filosofia clássica já nos informava que “lógica” é o método empregado pelo Homem para separar as ideias válidas e morais das ideias inválidas e imorais. Por conta disso, uma das grandes perguntas da humanidade é qual a lógica da guerra. Considerando que o Homo sapiens construiu sua história através de guerras, é bem possível que ele consiga enxergar a lógica.

E a lógica acaba sendo sempre explicada, o que não quer dizer que ela seja sempre entendida. Até porque a história final é sempre contada pelos vencedores, e “ai dos vencidos…”. Esta guerra que estamos para presenciar (de casa, confortáveis, comendo pipocas) deve ter uma lógica, pois os protagonistas se esforçam em justificá-la. Que bom se pudéssemos entendê-la! Diz a superpotência, os Estados Unidos da América, que a lógica é a ameaça do poder de destruição em massa do arsenal iraquiano, mas os peritos da ONU não encontram esse arsenal, então não é lógica, é presunção.

Diz então a superpotência que o ditador é sanguinário e tortura criancinhas, mas que se ele se desarmar será deixado em paz, então o interesse não está ligado às criancinhas iraquianas, portanto isso não é lógica, é hipocrisia. Diz então a superpotência que o ditador apoia os terroristas fundamentalistas, porém nenhuma evidência de ligação com os mesmos foi jamais encontrada, então isso não é lógica, é querer desviar atenção de um inimigo invisível, para um visível, sendo, portanto, ilusionismo.

Parece então que a lógica desta guerra está sendo construída a partir de presunção, hipocrisia e ilusionismo, porém sabemos que esses não podem ser aceitos como pressupostos da lógica. Portanto, sem os pré-requisitos da lógica, não há lógica. Ou a lógica tem que ser explicada a partir de outros argumentos. Por qual motivo, então, não usar os argumentos certos? Não se deveria começar de baixo, bem de baixo, mas tão de baixo que podemos chamar esse lugar de subsolo? Afinal o subsolo pode sim oferecer um argumento lógico para uma guerra, como já fez outras vezes. Isso não significa, é claro, que essa lógica seja aceita por todos, mas pelo menos é uma lógica com fundamentos. Falando no subsolo e em suas riquezas, prefiro a ironia da lógica machadiana que, pelo menos, tem estilo:

“A guerra tem um caráter benéfico e conservador. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição.

A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido o ódio ou a compaixão, ao vencedor, as batatas.” (Trecho do romance Quincas Borba, de Machado de Assis, 1891).

MUSSAK, Eugenio. Eugenio Mussak. Disponível em: . Acesso em: 5 abr. 2018 (Adaptação).

Releia o trecho a seguir.

“Isso não significa, é claro, que essa lógica seja aceita por todos, mas pelo menos é uma lógica com fundamentos.”

De acordo com a norma-padrão, em relação a esse trecho, pode-se afirmar que

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Q1099049 Português

Ryan Gosling é uma arma poderosa para o

feminismo

Pesquisadores da Universidade de Saskatchewan, no Canadá, expuseram 69 mulheres e 30 homens a imagens do galã hollywoodiano – e também canadense – Ryan Gosling.

Metade do grupo visualizou meras fotos do bonitão – este era o grupo de controle. Os outros 50% viram as mesmas imagens em forma de meme. E o conteúdo era específico: mensagens de cunho feminista – ou, no mínimo, que apresentassem a ideia de igualdade entre os gêneros.

Depois, todos fizeram um teste com perguntas sobre como se identificam (ou não) com valores feministas.No grupo exposto aos memes, com Gosling de pano de fundo, os homens apresentaram mais aceitação a ideias de igualdade entre gêneros do que os do grupo de controle – entre as mulheres, os índices foram similares nos dois grupos.

O que essa esdrúxula pesquisa quer dizer? Em termos absolutos, nada, já que a amostragem é minúscula e o método, altamente questionável – o grupo de controle poderia ter sido exposto a frases feministas sem uma imagem associada em vez de apenas observar fotos do galã, por exemplo. Mas os resultados fornecem pistas instigantes sobre como os homens assumem suas normas de conduta sociais.

Se frases feministas associadas à imagem de Ryan Gosling influenciaram homens a se identificar mais do que outros com a igualdade de gêneros, uma hipótese que se levanta é a de que, no ambiente masculino, a aprovação dos pares seja fator determinante para que uma ideia seja aceita. Ou seja, em tese, um conceito que seja validado por um homem “modelo” conta mais para a reflexão sobre uma determinada conduta do que a simples exposição à mesma ideia. A suposta falta de empatia com outro gênero seria superada pela associação de valores igualitários a uma figura que os homens aprovam e aspiram ser.

Assim, por mais exótica e anedótica que a pesquisa seja, ela pode servir como inspiração a iniciativas que transmitam ideias não costumeiramente aceitas pelos homens. E isso vai desde a noção de que mulheres podem ter tanto protagonismo e liderança quanto homens e até de que é legítimo que homens interrompam atos de violência contra mulheres – pesquisas apontam que homens têm uma noção de que seus pares se incomodam menos com esse tipo de comportamento abusivo do que realmente se importam, diminuindo a iniciativa diante dessas situações.

JOKURA, Tiago. SuperInteressante.

Disponível em: <https://abr.ai/2GxlvGz>.

Acesso em: 4 abr. 2018 (Adaptação).

Releia o trecho a seguir.

“[...] pesquisas apontam que homens têm uma noção [...]”

O verbo “ter”, quando conjugado no presente do indicativo, na terceira pessoa do singular e do plural, pode ser escrito com ou sem acento.

utro verbo que possui essa mesma particularidade é

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Q1098883 Português
Nossa liberdade está sendo deturpada
Bianca Pinheiro

    A contemporaneidade é reconhecida pelas múltiplas liberdades que oferece. Desde os anos 1960, temos reivindicado de maneira veemente o direito de expressar livremente nossas identidades e a nossa sexualidade. A pílula foi inventada, e a liberdade sexual feminina vem sendo incrementada desde então, com um incrível avanço de diversas vertentes do feminismo; as hierarquias são questionadas, culminando naquilo que chamamos de crise de representação; a homossexualidade foi retirada do rol das doenças psiquiátricas; novos modelos familiares surgiram e foram legitimados; entre outros fatores. Esse cenário certamente nos oferece múltiplas possibilidades e caminhos. Podemos escolher o que desejamos entre uma gama de opções. No entanto, há sinais de que toda essa nossa liberdade vem sendo deturpada.
    O sociólogo francês Alain Ehrenberg reconheceu muito precisamente que a sociedade contemporânea, por trás da fachada de emancipação, autonomia e soberania do indivíduo, na verdade, substitui antigos imperativos por outros, mais difíceis de serem identificados por conta de sua natureza sutil. Assim, se em épocas passadas devíamos resguardar nossa intimidade e valorizar nossa vida interior e ter uma postura mais contemplativa e reflexiva diante do mundo, hoje, senão nos expomos, praticamente não existimos; se gostamos de estar sozinhos, somos recriminados; se passamos um feriado inteiro dentro de casa, somos considerados “estranhos”; se estamos tristes e se interagimos pouco, somos doentes.
    A liberdade de ser continua limitada pelo que a sociedade requer de nós. Se não correspondemos às expectativas do mundo, uma gama de diagnósticos e remédios psiquiátricos nos é oferecida. Assim, em vez de lutarmos para afirmar nossa identidade e nossas vontades, simplesmente nos submetemos ao status quo, ainda que isso signifique a autoanulação e o fingimento. Como não podemos estar tristes, a gente se contenta em aparentar ser feliz. Como não podemos estar sozinhos, estamos sempre atualizando nossas contas do Instagram com fotos nas quais aparecemos rodeados de gente, apesar de nos sentirmos extremamente sós. Como não podemos estar calados, sustentamos conversas que só fazem sentido em um contexto de abominação do silêncio.
    Que liberdade é essa que classifica como doentes quem não está de acordo com a norma de ser feliz e popular? Que liberdade é essa que nos oferece verdadeiros cardápios de parceiros em potencial, mas só proporciona desencontros, porque devemos ser desapegados? (...) Que liberdade é essa que nos oprime e nos esmaga para que possamos, finalmente, dizer “somos livres”, “somos felizes”, “somos incríveis”?
    Joel Birman, renomado psicanalista brasileiro, diz que vivemos em uma era em que a alteridade tende ao desaparecimento, o que gera um cenário onde os indivíduos agem como meros predadores uns dos outros, utilizando uns aos outros como meios para alcançar o gozo e a estetização de si. Eu prefiro não ter essa liberdade de usar o outro para meu próprio prazer. Eu prefiro não ter essa liberdade que me faz temer dizer “eu gosto de você”, porque o que se espera é que só gostemos de nós mesmos e sejamos objetos com fins precisos, e não seres humanos dotados de emoção. Eu prefiro não ter essa liberdade que me impede de ficar triste, de chorar, de enfrentar o luto, de me revelar. Eu prefiro não ter essa liberdade que poda a humanidade existente em mim, excluindo a falta de sentido, o desespero e a maravilha de ser alguém imperfeito.

Fonte: adaptado de http://obviousmag.org/sangria_desatada/2017/ . Acesso em: 10 jan. 2018.
Sobre a Morfologia das palavras na Língua Portuguesa, isto é, a forma e a classificação delas tendo em vista as classes gramaticais, assinale a alternativa correta.
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Q1088325 Português
Leia o texto para responder à questão.

De patas para o ar

    Rafiki é um angolano, filho de uma economista e de um funcionário de multinacional. Veio para o Brasil estudar medicina e foi surpreendido pela carga de preconceito que encontrou aqui. Já enfrentou o constrangimento de perceber que pessoas fecham os vidros dos carros nos sinais quando o veem, ou mulheres se agarram a suas bolsas ao cruzarem com ele na calçada.
    O universitário Rafiki mora em um bairro de classe média alta e uma noite, quando estava para entrar em seu prédio, viu um casal passar por ele, entrar e bater a porta. O angolano entrou em seguida e encontrou o casal esperando o elevador. Como a mulher o encarava insistentemente, ele perguntou:
    ─ Estou sujo? Tem alguma coisa errada comigo? Qual é o problema?
    O marido se desculpou dizendo:
    ─ Sabe como é hoje em dia, né? A gente tem que ficar ligado...
    Quando as pessoas, porém, ficam sabendo que Rafiki é estudante de medicina, mudam a forma de tratá-lo.
    Rafiki também não compreende um comportamento que chama sua atenção no Brasil: as pessoas pedirem informações na rua sem antes dizer “bom dia”, “por favor”, “com licença”. Mas ele não acredita que essa falta de educação seja maior aqui do que em outros países. A gentileza tem sido pouco valorizada. Rafiki costuma dizer ultimamente que o mundo todo está de patas para o ar.
(Leila Ferreira. A arte de ser leve. São Paulo: Globo, 2010. Adaptado)
No trecho – O universitário Rafiki mora em um bairro de classe média alta e uma noite, quando estava para entrar em seu prédio... – as formas verbais destacadas estão, respectivamente, nos tempos
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Q1086148 Português

Leia o texto para responder à questão.


    Sentado no coletivo, observo a roupa que cada um está usando e fico imaginando como escolheu aquele modelito pra sair de casa.

    Tem de tudo. Gente bem vestida, gente de qualquer jeito, bom gosto, mau gosto, roupa limpa, roupa suja.

   Toda vez que penso nisso, lembro-me do poeta Paulo Leminski, com quem trabalhei no final dos anos 1980. Leminski era o que chamamos de “figuraça”. Fazíamos o Jornal de Vanguarda juntos na TV Bandeirantes.

  Lema, como o chamávamos, ia trabalhar de qualquer jeito. Uma calça Lee surrada, sem cinto, caindo, camiseta branca encardida e muitas vezes aparecia na redação de chinelo franciscano.

    Um dia, foi surpreendido no corredor da Band pelo comentarista de economia Celso Ming.

     – Paulo Leminski, você percebeu que está usando uma meia de cada cor?

     Lema levantou ligeiramente sua calça Lee e constatou que Ming – que ele chamava de Dinastia Ming – estava certo. Não pensou duas vezes e respondeu na lata.

     – Dinastia Ming, eu estou me lixando! Acordo, me visto no escuro e só vejo como estou quando chego na rua.


(Alberto Villas. Vou assim mesmo!. 07.12.2017.

www.cartacapital.com.br. Adaptado)


Uma expressão verbal que designa uma ação habitual realizada no passado está em:
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Q1072891 Português

Um pé de milho

     Os americanos, através do radar, entraram em contato com a lua, o que não deixa de ser emocionante. Mas o fato mais importante da semana aconteceu com meu pé de milho.

     Aconteceu que no meu quintal, em um monte de terra trazido pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que podia ser um pé de capim – mas descobri que era um pé de milho. Transplantei-o para o exíguo canteiro na frente da casa. Secaram as pequenas folhas, pensei que fosse morrer. Mas ele reagiu. Quando estava do tamanho de um palmo veio um amigo e declarou desdenhosamente que na verdade aquilo era capim. Quando estava com dois palmos veio outro amigo e afirmou que era cana.

    Sou um ignorante, um pobre homem da cidade. Mas eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros, lança as suas folhas além do muro – e é um esplêndido pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto. Tinha visto centenas de milharais – mas é diferente. Um pé de milho sozinho, em um canteiro, espremido, junto do portão, numa esquina de rua – não é um número numa lavoura, é um ser vivo e independente. Suas raízes roxas se agarram no chão e suas folhas longas e verdes nunca estão imóveis. Detesto comparações surrealistas – mas na glória de seu crescimento, tal como o vi numa noite de luar, o pé de milho parecia um cavalo empinado, as crinas ao vento – e em outra madrugada parecia um galo cantando.

     Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos encantou como se fosse inesperado: meu pé de milho pendoou. Há muitas fores belas no mundo, e a for de milho não será a mais linda. Mas aquele pendão frme, vertical, beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma coisa de vivo que se afrma com ímpeto e certeza. Meu pé de milho é um belo gesto da terra. E eu não sou mais um medíocre homem que vive atrás de uma chata máquina de escrever: sou um rico lavrador da Rua Júlio de Castilhos.

(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. 27. Ed. Rio de Janeiro:

Record, 2007. p.77)

Em “o pé de milho parecia um cavalo” (3º§), o cronista ilustra sua imaginação e tal ilustração ganha reforço por meio do verbo em destaque que está flexionado no seguinte tempo do modo Indicativo:  
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Q1072649 Português

A música “Tocando em frente” de Almir Sater está escrita em primeira pessoa, ou seja, quem fala nessa letra é um “eu”. Sobre esse “eu”, que chamamos de “eu-lírico”, responda a questão, a seguir. 


                              Ando devagar

                              Porque já tive pressa

                              E levo esse sorriso

                              Porque já chorei demais

                              Hoje me sinto mais forte

                              Mais feliz, quem sabe

                              Só levo a certeza

                              De que muito pouco sei

                              Ou nada sei

                                                          Fonte: letras.mus.br

Sobre a análise do trecho “Ando devagar porque já tive pressa”, assinale a alternativa correta.
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Q1071732 Português

             Pessoas com baixa renda fazem pouco exercício no tempo livre

                      Pesquisa feita em Ermelino Matarazzo propõe ações

            educativas para incentivar prática de atividades físicas no tempo livre

Por Ivanir Ferreira


      A condição socioeconômica está associada ao nível de atividade física das pessoas, ou seja, o quanto elas se exercitam em seu tempo livre, em casa, no trabalho ou como forma de deslocamento. Os mais pobres se exercitam menos em seu tempo livre e executam mais tarefas ocupacionais, como trabalhos domésticos, levantamento de cargas e deslocamento. Pesquisa feita pela USP, que entrevistou moradores do distrito de Ermelino Matarazzo, região de baixo nível socioeconômico da zona leste de São Paulo, propõe ações educativas e de prática de exercícios físicos para modificar este quadro.

      Fazer atividade física por lazer resulta em mais saúde física e mental – redução de problemas cardiovasculares e sintomas de depressão e ansiedade. Já a atividade ocupacional (carregar e descarregar carga de um caminhão, por exemplo), ao longo do tempo, pode ocasionar problemas físicos, como desgaste das articulações, afirma Evelyn Helena Corgosinho Ribeiro, autora da pesquisa. Em 2006, um estudo feito pelo Ministério da Saúde revelou que 48,5% dos 54 mil entrevistados eram responsáveis pela maior parte da limpeza pesada da casa e que 42,8% carregavam peso/carga pesada ou caminhavam bastante para ir ao trabalho. Desses, somente 14,8% praticavam pelo menos 30 minutos de atividades físicas de intensidade moderada no lazer em cinco ou mais dias da semana.

      Outro inquérito de base domiciliar feito pelo Grupo de Estudos e Pesquisas Epidemiológicas em Atividade Física e Saúde (Gepaf), da Escola de Artes, Ciências e Humanidade (EACH) da USP, mostrou que 70% dos adultos do distrito de Ermelino Matarazzo não praticavam nenhuma atividade física no tempo de lazer e que 47,1% dos adultos não faziam, pelo menos, 150 minutos de atividade física no tempo de lazer ou como forma de deslocamento.

      Com base nesses dados, Evelyn se propôs a buscar formas para avaliar a eficácia de ações de promoção de atividade física voltadas para a população de baixa renda daquela região. Participaram da pesquisa 157 adultos, homens e mulheres maiores de 18 anos, que frequentavam Unidades Básicas de Saúde. O estudo durou 18 meses.

      As pessoas foram subdivididas em três grupos: o primeiro grupo obteve orientação supervisionada, com três sessões semanais de exercícios cardiorrespiratórios, de força e de flexibilidade. O segundo participou de sessões de discussões presenciais, orientação individual por telefone, e recebeu material educativo impresso, além de mensagens semanais de incentivo à prática regular de atividades físicas e de vivências, buscando o desenvolvimento de autonomia para a prática de atividade física. Neste grupo, a principal estratégia foi a orientação. Não tiveram exercícios estruturados. Faziam algumas vivências de prática de alongamento ou caminhada. O terceiro grupo (controle) não recebeu intervenção alguma. As avaliações foram feitas no início do estudo, depois de 12 meses de intervenção e seis meses depois de encerrado o período de intervenção.

      Ao final, os resultados mostraram que as pessoas de ambos os grupos de intervenção obtiveram sucesso, aumentando significativamente a sua atividade física no tempo livre. Porém, seis meses após este período, quando o trabalho de intervenção foi cessado, o ganho foi mantido apenas para o grupo que recebeu orientação de conscientização sobre a importância da prática de atividade física. Desta forma, o estudo indicou que as ações que “possibilitaram a construção do conhecimento a partir de discussões em grupo e de vivências práticas se mostraram mais eficazes como proposta de estímulos para a prática de atividade física”. 


Fonte: Disponível em:<http://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-humanas/pessoas-com-baixa-renda-fazem-pouco-exercicio-no-tempo-livre> . Acesso em: 22 dez. 2017.

Em relação ao trecho: "Os mais pobres se exercitam menos em seu tempo livre e executam mais tarefas ocupacionais, como trabalhos domésticos, levantamento de cargas e deslocamento.", analise as flexões dos verbos grifados e assinale a alternativa que corretamente os descreve.
Alternativas
Q1071648 Português

         Idosos órfãos de filhos vivos são os novos desvalidos do século XXI


      Nestas últimas décadas, surgiu uma geração de pais sem filhos presentes, por força de uma cultura de independência e autonomia levada ao extremo, que impacta negativamente no modo de vida de toda a família. Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões.

                              Separação e responsabilidade

      Nos tempos de hoje, dentro de um espectro social muito amplo e profundo, os abandonos e as distâncias não ocupam mais do que algumas quadras ou quilômetros que podem ser vencidos em poucas horas. Nasceu uma geração de “pais órfãos de filhos”. Pais órfãos que não se negam a prestar ajuda financeira. Pais mais velhos que sustentam os netos nas escolas e pagam viagens de estudo fora do país. Pais que cedem seus créditos consignados para filhos contraírem dívidas em seus honrados nomes, que lhes antecipam herança, mas que não têm assento à vida familiar dos mais jovens, seus próprios filhos e netos, em razão – talvez, não diretamente de seu desinteresse, nem de sua falta de tempo – da crença de que seus pais se bastam.

      Este estilo de vida, nos dias comuns, que não inclui conversa amena e exclui a “presença a troco de nada, só para ficar junto”, dificulta ou, mesmo, impede o compartilhamento de valores e de interesses por parte dos membros de uma família na atualidade, resulta de uma cultura baseada na afirmação das individualidades e na política familiar focada nos mais jovens, nos que tomam decisões ego-centradas e na alta velocidade: tudo muito veloz, tudo fugaz, tudo incerto e instável. O desespero calado dos pais desvalidos, órfãos de quem lhes asseguraria conforto emocional e, quiçá material, não faz parte de uma genuína renúncia da parte destes pais, que “não querem incomodar ninguém”, uma falsa racionalidade – e é para isso que se prestam as racionalizações – que abala a saúde, a segurança pessoal, o senso de pertença. É do medo de perder o pouco que seus filhos lhes concedem em termos de atenção e presença afetuosa. O primado da “falta de tempo” torna muito difícil viver um dia a dia em que a pessoa está sujeita ao pânico de não ter com quem contar.

                   A dificuldade de reconhecer a falta que o outro faz

Do prisma dos relacionamentos afetivos e dos compromissos existenciais, todas as gerações têm medo de confessar o quanto o outro faz falta em suas vidas, como se isso fraqueza fosse. Montou-se, coletivamente, uma enorme e terrível armadilha existencial, como se ninguém mais precisasse de ninguém. A família nuclear é muito ameaçadora. Para o conforto, segurança e bem-estar: um número grande de filhos não mais é bem-vindo, pais longevos não são bem tolerados e tudo isso custa muito caro, financeira, material e psicologicamente falando. Sobrevieram a solidão e o medo permanente que impregnam a cultura utilitarista, que transformou as relações humanas em transações comerciais. As pessoas se enxergam como recursos ou clientes. Pais em desespero tentam comprar o amor dos filhos e temem os ataques e abandono de clientes descontentes. Mas, carinho de filho não se compra, assim como ausência de pai e mãe não se compensa com presentes, dinheiro e silêncio sobre as dores profundas, as gerações em conflito se infringem. [...]. Diálogo? Só existe o verdadeiro diálogo entre aqueles que não comungam das mesmas crenças e valores, que são efetivamente diferentes. Conversar, trocar ideias não é dialogar. Dialogar é abrir-se para o outro. É experiência delicada e profunda de autorrevelação. Dialogar requer tempo, ambiente e clima, para que se realizem escutas autênticas e para que sejam afastadas as mútuas projeções. O que sabem, pais e filhos, sobre as noites insones de uns e de outros? 

      O que conversam eles sobre os receios, inseguranças e solidão? E sobre os novos amores? Cada geração se encerra dentro de si própria e age como se tudo estivesse certo e correto, quando isso não é verdade.

FRAIMAN, A. “Idosos órfãos de filhos vivos são os novos desvalidos do século XXI”. Disponível em <http://www.revistapazes.com/5440-2/. Acesso em 30 out. 2017. (Adaptado)

Em relação aos verbos presentes no texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q1071358 Português

Como combater fake news sem abrir espaço para a censura?

Apesar de boatos não serem, de forma alguma, um fenômeno recente, a dimensão de sua propagação proporcionada pelas redes sociais, especialmente em momentos críticos como [..... ] vésperas de eleições, é. O combate [...... ] fake news entrou na agenda política e midiática nacional, o que levou [......] algumas possibilidades distintas de atuação.


Algumas pessoas tendem [..... ] preferir soluções institucionais, como a responsabilização dos produtores e a tipificação do crime pela legislação brasileira. No entanto, essa via leva [..... ] um outro questionamento ético: como garantir que [..... ] pessoas nas instituições responsáveis por punir a propagação de fake news vão agir de forma isenta, sem incorrer em perseguição política contra adversários?


Para Daniel Nascimento, ex-hacker e consultor de Segurança Digital, a reação às notícias falsas deve ser tão “espontânea” quanto a sua propagação. Ele explica que a proliferação dos boatos é facilitada pelo imediatismo que a internet proporciona. “A pessoa só lê a manchete, três linhas, e já compartilha”, exemplifica. Por isso, ele trabalha no desenvolvimento de uma ferramenta, a “fakenewsautentica”, que mostraria, mediante o uso de um comando, a veracidade das notícias recebidas pelo Whatsapp ou pelo Facebook instantaneamente. Segundo ele, é possível usar os “bots” que propagam notícias falsas para propagar os desmentidos e as notícias bem apuradas, com base no trabalho de jornalistas contratados para esse propósito.


Edgard Matsuki, jornalista responsável pelo site Boatos. org, acredita no poder da conscientização. “Hoje, grande parte das pessoas sabe operar quase que de forma intuitiva um smartphone, mas infelizmente as pessoas não são educadas para checar a informação que chega via redes sociais. Nesse sentido, iniciativas que visem aumentar o senso crítico das pessoas em relação ao que circula na internet são importantes”.



O site Boatos.org apresenta dicas de checagem, dentre as quais se destacam: 1) Quando se deparar com um conteúdo, ler a notícia por completo e não parar apenas no título ou nas primeiras frases. 2) Perguntar-se sobre até que ponto a notícia escrita tem chances de ser falsa. 3) Quando a fonte não está descrita no texto, ver se foi publicado em outras fontes  confiáveis. 4) Quando a notícia tem um caráter muito alarmista, desconfiar. 5) Desconfiar também de um pedido de compartilhamento. Essa é uma tática para ajudar na sobrevivência do boato. Exemplo: conteúdos com a mensagem “compartilhe antes que apaguem essa informação”. 6) Verificar os erros de português, pois as notícias falsas não têm muito apreço pela correção gramatical.


CALEGARI, L. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/brasil/como-combater-fake-news-sem-abrir-espaco-para-a-censura/>

Acesso: 04/julho/2018. [Adaptado]


Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ), considerando o texto.

( ) O pronome possessivo “sua” (1a frase do texto) faz referência a “boatos”.

( ) O vocábulo “se” funciona como pronome oblíquo nas três ocorrências: “se deparar”, “Perguntar-se” e “ver se” (5ºparágrafo).

( ) A locução verbal “vão agir” (2°parágrafo) expressa tempo presente, podendo ser substituída por “agem” sem afetar o significado temporal no texto.

( ) A forma verbal “mostraria” (3ºparágrafo) reforça a ideia de que a ferramenta “fakenewsautentica” ainda não se encontra efetivamente em uso.

( ) Em “compartilhe antes que apaguem essa informação” (5º parágrafo), as formas verbais sublinhadas encontram-se no modo imperativo e subjuntivo, respectivamente.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

Alternativas
Q1068208 Português

                                       Parece, mas não é


      A paisagem desmedida da língua, que nenhum ponto de vista abarca em sua inteireza, está cheia de coisas que parecem ser, mas não são. Vale a pena dar um zoom em algumas dessas arapucas, que as patrulhas do sabichonismo adoram explorar para exercer seus mesquinhos poderes sobre falantes desavisados.

      Pode parecer que a expressão correta é “um peso e duas medidas”, embora não seja. O certo é mesmo aquilo que todo mundo sempre falou: “dois pesos e duas medidas”.

      Pode parecer também que o provérbio “Quem tem boca vai a Roma” contém um erro constrangedor, pois o certo é “Quem tem boca vaia Roma”, ou seja, exerce o saudável direito de protestar contra a tirania dos césares. Só que isso é uma falácia1 . Quem sabe perguntar chega aonde quiser, eis a moral do ditado. Assim como sempre soubemos, até surgirem os sabichões. Vaia neles!

      Pode parecer ainda que a palavra “aluno” tem origem num vocábulo latino que quer dizer “sem luz”, motivo pelo qual deve ser evitada, uma vez que trai uma concepção pedagógica anacrônica2 em que o professor sabe tudo e o estudante não sabe nada. Repetida até por educadores, essa “tese” é uma bobagem. O latim alumnus quer dizer criança de peito e, por extensão, discípulo, aquele que precisa ser nutrido para crescer. Só isso.

      Pode parecer que a contração “num”, empregada no parágrafo anterior, é um coloquialismo que, na sua informalidade de bermuda e chinelo, deve ser evitado a todo custo na linguagem escrita. É o que vêm repetindo muitos professores nos últimos anos. Não procede. Um pouco de leitura nos ensina que autores clássicos da língua recorreram à eufonia de “num” e “numa” em textos apuradíssimos.

      Pode parecer que quando dizemos “Não vejo ninguém” estamos dando curso a uma grosseria ilógica da língua portuguesa, sem perceber que uma negação anula a outra e que, se não vemos ninguém, alguém nós vemos. A verdade é que não existe nada mais tosco3 no mundo do sabichonismo do que supor que línguas naturais sejam submissas à linguagem matemática. A negação dupla, que reforça em vez de anular, é um recurso consagrado e de raízes profundas no português.

      Pode parecer, enfim, que nossa língua detém o recorde mundial de pegadinhas, idioma dificílimo que só pós-doutores conseguem falar sem escorregar a cada frase. Mesmo que haja razões históricas para essa percepção, trata-se, em termos objetivos, de mais um engano. Se nos livrássemos dos patrulheiros sabichões e sua usina de erros imaginários, a paisagem já ficaria bem mais acolhedora.

(Sergio Rodrigues. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2017/11/ 1932343-parece-mas-nao-e-defenda-se-dos-sabichoes-e-seuserros-imaginarios.shtml. Acesso em 17.06.2018. Adaptado)

Glossário:

1 falácia – falatório, falar demais

2 anacrônico – cronológico

3 tosco – grosseiro

Assinale a alternativa cuja forma verbal em destaque expressa possibilidade de que um fato ou evento venha a se realizar.


Alternativas
Q1056269 Português

“De acordo com pesquisa da OCDE, 52% das pessoas com idade entre 25 e 64 anos não concluíram o ensino médio”.

A forma verbal sublinhada nessa frase está conjugada no:

Alternativas
Q1054029 Português
Leia o texto para responder à questão.

Estacionados na arrogância

    Um dos problemas das grandes cidades, e até das pequenas, é encontrar lugar para estacionar. Uma vaga livre, hoje, é um bilhete premiado. Muitos ficam indignados com motoristas que não dão a mínima importância para as linhas que delimitam o espaço para os automóveis nos estacionamentos de shoppings e demais áreas comerciais.
    Então lá vem o piloto, com pressa. O estacionamento está quase vazio, há vagas ainda disponíveis. Ele nem titubeia: imbica o carro de qualquer jeito, sem reparar que avançou em cima daquela faixa branca ou amarela, impossibilitando que outro motorista estacione a seu lado. Ele está ocupando duas vagas e não se importa, pois não enxerga além do próprio umbigo e não é da sua conta se daí a pouco aquele estacionamento estiver lotado de pessoas procurando vaga – ele não foi programado para pensar nos outros.
    O que ele deveria fazer, sem gastar mais do que 10 segundos do seu precioso tempo, era manobrar até deixar o carro reto entre as duas faixas, com espaço suficiente para ter vizinhos que, além de estacionarem, conseguirão abrir as portas de seus veículos. Muitos motoristas manobram até deixar o carro retinho e nem por isso perderam os braços ou aumentaram o consumo de combustível. E quantos motoristas não se preocupam em repetir o que outros fizeram! Isso criará uma corrente em que todos, durante todo o dia, estacionarão em cima das faixas e o resultado será menos vagas disponíveis.
    Não deveria ser preciso esmolar a compreensão das pessoas. Se todos estacionassem seus carros direitinho no espaço destinado a eles, sem deixá-los tortos, sem avançar na vaga alheia, sem abandonar os carros com displicência, teriam sua contribuição reconhecida e haveria grande chance de nós, dali a algum tempo, não termos de pagar multa por causa disso também, já que a única didática eficaz do país é mexer no bolso das pessoas. Vamos tentar ser educados de graça!
(Martha Medeiros. Simples assim. Porto Alegre: L&PM, 2015. Adaptado)
O verbo destacado está no tempo futuro em:
Alternativas
Q1053980 Português
Para responder à questão, considere a seguinte passagem do texto.

    Quando vocês forem adultas e pensarem detidamente nas experiências desagradáveis que a mamãe atravessou e na obstinação com que ela se aferrou a suas convicções, começarão a compreender a importância da contribuição dela à batalha pela verdade e pela justiça e quanto ela sacrificou de seus interesses pessoais e de sua felicidade.
Substituindo-se o trecho “Quando vocês”, que inicia a passagem, por “Se nós”, a sequência dos verbos destacados, de acordo com a norma-padrão, deve ser:
Alternativas
Q1053921 Português
Leia o texto, para responder à questão.

    Há 28 anos um grupo de pessoas se reúne semanalmente na sede da ONG (organização não governamental) Anjos da Noite, em um sobrado no bairro de Artur Alvim, na Zona Leste de São Paulo. Os voluntários dedicam-se a aplacar as carências dos moradores de rua. Além de entregar cobertores e roupas, o grupo tem como principal incumbência a distribuição de refeições. Aos sábados, os colaboradores se organizam para preparar 200 quilos de comida. A distribuição de 800 marmitas tem início ao cair da noite. Anteriormente, os voluntários rodavam quatro horas pelas ruas da região central até entregar a última quentinha. Hoje, o trabalho é feito em menos de uma hora. Basta estacionar o carro, e um grupo de pessoas carentes faz fila para ganhar o alimento.
    A experiência dos Anjos da Noite confirma a percepção que tem qualquer cidadão dos maiores centros urbanos brasileiros: o número de pessoas que vivem nas ruas elevou-se, e muito, nos últimos anos. As estatísticas são esporádicas e, por isso, não é fácil saber com exatidão a proporção desse crescimento.
(Giovanni Magliano. A rua como único refúgio. Veja, 6.12.2017. Adaptado)
Assinale a alternativa que substitui as expressões destacadas no trecho seguinte, em conformidade com a norma-padrão.
Basta estacionar o carro, e um grupo de pessoas carentes faz fila para ganhar o alimento.
Alternativas
Q1052852 Português

Quando a esposa vai embora


      A esposa de Maurício, Karen, abandonou a casa deles há pouco tempo, levando as roupas e os pertences.

      O casal estava feliz nas últimas semanas, o que deixou Maurício muito confuso. Não houve nenhuma discussão, nenhuma cobrança, nenhum problema.

      A empregada deles, Leonice, chegava sempre às 8 horas e encontrava Maurício arrumado, já de saída. Numa sexta-feira, ele avisou Leonice que Karen ia ficar dormindo até mais tarde porque estava morta de cansaço, tinham assistido a um filme e deitaram tarde.

      Leonice foi então ao mercado comprar ingredientes para preparar o almoço. No caminho, recebeu uma ligação de Maurício.

      ─ Ela levantou?

      ─ Não, permaneceu quietinha lá.

      ─ Então, deixa dormindo.

      Quando Maurício foi almoçar em casa, no meio da tarde, Karen não tinha dado sinal. Pensou, pensou e decidiu não despertar Karen. O tempo passou. Quando Maurício voltou para casa, no final do dia, Karen continuava dormindo. Então ele pediu à Leonice:

      ─ Vai acordá-la, pois já passou do limite!

      Leonice foi acordar Karen. Retornou pálida para a sala.

      ─ Não tem ninguém no quarto.

      Maurício respirou fundo e somente disse:

      ─ Não estou pronto para saber disso. Vamos continuar fingindo que ela ainda mora conosco, tá bom, Leonice?

(Carpinejar. Espero alguém. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 2013. Adaptado) 

Assinale a alternativa em que o verbo destacado está no tempo presente.
Alternativas
Q1052814 Português

Leia o texto para responder à questão.

Quando a esposa vai embora

    A esposa de Maurício, Karen, abandonou a casa deles há pouco tempo, levando as roupas e os pertences.
    O casal estava feliz nas últimas semanas, o que deixou Maurício muito confuso. Não houve nenhuma discussão, nenhuma cobrança, nenhum problema.
    A empregada deles, Leonice, chegava sempre às 8 horas e encontrava Maurício arrumado, já de saída. Numa sexta- -feira, ele avisou Leonice que Karen ia ficar dormindo até mais tarde porque estava morta de cansaço, tinham assistido a um filme e deitaram tarde.
    Leonice foi então ao mercado comprar ingredientes para preparar o almoço. No caminho, recebeu uma ligação de Maurício.
    ─ Ela levantou?
    ─ Não, permaneceu quietinha lá.
    ─ Então, deixa dormindo.
    Quando Maurício foi almoçar em casa, no meio da tarde, Karen não tinha dado sinal. Pensou, pensou e decidiu não despertar Karen. O tempo passou. Quando Maurício voltou para casa, no final do dia, Karen continuava dormindo. Então ele pediu à Leonice:
    ─ Vai acordá-la, pois já passou do limite!
    Leonice foi acordar Karen. Retornou pálida para a sala.
    ─ Não tem ninguém no quarto. Maurício respirou fundo e somente disse:
   ─ Não estou pronto para saber disso. Vamos continuar fingindo que ela ainda mora conosco, tá bom, Leonice?
(Carpinejar. Espero alguém. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 2013. Adaptado)

Assinale a alternativa em que o verbo destacado está no tempo presente.
Alternativas
Respostas
1961: D
1962: C
1963: A
1964: A
1965: B
1966: E
1967: D
1968: A
1969: D
1970: C
1971: E
1972: B
1973: C
1974: E
1975: A
1976: E
1977: A
1978: D
1979: E
1980: E