Questões de Concurso
Comentadas sobre flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro) em português
Foram encontradas 3.531 questões
As concepções do islamismo e do cristianismo haviam se modificado. Seus modos de pensar eram semelhantes em 1900. Nessa época, as nações cristãs zelavam pela instituição da família, eram mais atentas ao uso excessivo do álcool e consideravam o domingo um dia sagrado. Sua atitude em relação às mulheres era mais parecida com a atitude dos islâmicos do que é hoje. Os crimes mais graves eram vistos com mais severidade e frequentemente punidos com a morte. O domingo em Iowa tinha muito em comum com a sexta-feira no Cairo. Nos cem anos que se seguiram, as nações cristãs se tornaram mais seculares. O modo de vida norte-americano fazia propaganda do álcool e das drogas, além de tolerar aventuras sexuais e rebeldia dos jovens. Os muçulmanos mais devotos rejeitavam o espírito mercantilista, o consumismo e a moral frouxa que o Ocidente ostentava através da televisão, dos filmes de Hollywood e do estilo de vida das estrelas pop internacionais. O Islã deplorava as rápidas mudanças do Ocidente, e o Ocidente deplorava a lentidão das mudanças no Islã. O Ocidente lamentava a falta de liberdades pessoais do Islã, e o Islã lamentava o que o Ocidente havia feito com a própria liberdade. Nas décadas seguintes, o Islã vicejou. Hábil em conservar seus fiéis, empenhava-se em atrair mais partidários. As crianças muçulmanas abraçavam a religião dos pais – e as famílias costumavam ser numerosas. Em 1893, os muçulmanos representavam cerca de 12% da população global; exatamente um século mais tarde, esse índice havia chegado aos 18%. Era a segunda religião em número de fiéis, maior que o número de hinduístas e budistas somados. Os cristãos ainda eram mais numerosos, com um terço da população do planeta, mas sua liderança estava – e está - sob ameaça. Atualmente, estima-se que 1,6 bilhão de pessoas professem a religião islâmica.
(BLAINEY, Geoffrey. Uma breve história do século XX. São Paulo: Fundamento, 2011, p. 165).
É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.
E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.
Todo filho é pai da morte de seu pai.
Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.
E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.
Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.
Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro. A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas. Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes. A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões. Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus.
Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?
Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete. E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia. Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos. No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira: — Deixa que eu ajudo. Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.
Colocou o rosto de seu pai contra seu peito. Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo. Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável. Embalou o pai de um lado para o outro. Aninhou o pai. Acalmou o pai. E apenas dizia, sussurrado: — Estou aqui, estou aqui, pai! O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.
(Autor desconhecido. Disponível em: http://www.contioutra.com/todo-filho-e-pai-da-morte-de-seu-pai/. Dezembro de 2016.)
Em “É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.” (4º§), é correto afirmar que a ação verbal evidencia uma:
(Adaptado de: COSTA, Emília Viotti da. A Abolição. São Paulo: Editora Unesp, 2010, p. 49-52)
A forma verbal que confere caráter hipotético ao enunciado está em:
(Os cem melhores contos brasileiros do século. Org. Italo Moriconi – Objetiva, 2001. Adaptado) 1. blimp: dirigível 2. librando-se: flutuando, equilibrando-se 3. vogando: flutuando
Considere a frase elaborada a partir de ideias do segundo parágrafo.
Lá de cima, depois que o tripulante ________________ aquele pano branco tremulante, seu coração solitário comoveu-se, pois _____________ naquela base militar recluso como um religioso em um convento.
Para que a frase mantenha o sentido do texto, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, pelas formas verbais:
“Já esqueci a língua em que comia”.
Analise as afirmativas feitas sobre ele.
1. Os dois verbos da frase pertencem à segunda conjugação e estão no pretérito perfeito e imperfeito, respectivamente. 2. Se o verbo “esquecer” fosse pronominal (esquecer-se), ao seu complemento “a língua” deveria ser acrescentada uma preposição (de = da língua). 3. Há na frase dois artigos definidos. 4. As palavras “Góis” e “língua” são acentuadas pela mesma regra. 5. As palavras conectoras “em que” podem ser substituídas por “na qual” e o sentido não se altera, pois “que” é pronome relativo e permite essa substituição.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.


Yuval Noah Harari. 21 lições para o século 21. Trad. Paulo Geiger. 1.ª ed.
São Paulo: Companhia das Letras, 2018, p. 138-41 (com adaptações).
Com relação às propriedades gramaticais e à coerência do texto 9A2-I, julgue o item a seguir.
A forma verbal “experimentaram” (l.2) encontra-se no
pretérito perfeito do modo indicativo, logo se depreende que
os “tempos pré-modernos” (l.1) acabaram.
Instrução: Leia o poema a seguir e responda à questão.
INFÂNCIA
é quando as portas são fechadas
e abertas ao mesmo tempo,
é quando estamos metade na luz
e a outra metade na escuridão,
é quando o mundo real chama
e preferimos outro...
(QUINTANA, M. Esconderijos do tempo. Rio de Janeiro: L&PM, 1980.)
Instrução: Leia atentamente o texto e responda à questão.
Jovem, eu sonhava ter uma grande biblioteca. E fui assim pela vida, comprando os livros que podia. Tive de desenvolver métodos para controlar minha voracidade, porque o dinheiro e o tempo eram poucos. Entrava na livraria, separava todos os livros que desejava comprar e, ao me aproximar do caixa, colocava-os sobre o balcão e me perguntava diante de cada um: “Tenho necessidade imediata desse livro? Tenho outros, em casa, ainda não lidos? Posso esperar?” E assim ia pegando cada um deles e os devolvendo às prateleiras. A despeito desse método de controle, cheguei a ter uma biblioteca significativa, mais do que suficiente para as minhas necessidades.
Notei, à medida que envelhecia, uma mudança nas minhas preferências: passei a ter mais prazer na seção dos livros de arte nas livrarias. Os livros de ciência a gente lê uma vez, fica sabendo e não tem necessidade de ler de novo. Com os livros de arte acontece diferente. Cada vez que os abrimos é um encantamento novo! Creio que meu amor pelos livros de arte tem a ver com experiências infantis.
(ALVES, Rubem. Disponível em: https://rubemalves.wordpress.com. Acesso em: 26/07/2019.)
“(1)Encontrei um (2)amigo de longa data. Não (3)lembrava seu nome, e (4)ainda hoje não lembro – talvez fosse Marcelo.”
Analise os termos destacados do trecho do texto e assinale a alternativa CORRETA:
Pedrinho tinha um sorriso com dentinhos brancos e alinhados e o cabelinho repartido na lateral, inclinado da esquerda para a direita. Vestia uma camisa xadrezinha de vermelho e preto, uma calça jeans com elástico na cintura e não aparentava mais de 4 ou 5 anos. Não fosse pelo comportamento, poderia dizer que era uma graça de criança. Numa tarde de domingo, num shopping center, Pedrinho se jogou no chão, fez birra e gritou na porta de uma loja. Queria que a mãe lhe comprasse uma dessas sandalinhas crocs com estampas de uma famosa porquinha dos desenhos animados de tevê. A mãe ficou completamente quieta diante da situação. Depois, constrangida, ficou entre ignorar o filho ou pedir a ele, sem nenhuma firmeza, que ficasse quieto. Cara de tacho definiria bem a expressão dela. Aquela era uma criança que cresceria sem limites, alienada de tudo aquilo que signifique cordialidade, adequação, limite e respeito. O “não” tem uma força impressionante. Não pela negativa em si, mas pelos limites que impõe. Dizer “sim” é muito mais fácil, o “sim” não machuca, não contraria, não requer explicações. É o “não” que ensina respeito, delimita espaço, dimensiona o mundo. Afinal, não vivemos sozinhos, e viver em sociedade é algo que vai sendo moldado pelo “não”. Deixar de dizer “não” é perder o compromisso com o legado para o futuro, com o respeito e a civilidade.
(Jamil Alves. O anjo Miguel – crônicas da vida que insiste em dar certo. São Paulo: Scortecci, 2018. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o verbo destacado está no tempo presente.
Em “(...) Cassin seria uma ótima pessoa para invocar diante de compreensões equivocadas sobre a expressão “direitos humanos”(...)”, a forma verbal em destaque, no tempo e no modo como foi usada, indica:
Era uma esplêndida residência, na Lagoa Rodrigo de Freitas, cercada de jardins e tendo ao lado uma bela piscina. Pena que a favela, com seus barracos grotescos se alastrando pela encosta do morro, comprometesse tanto a paisagem. Diariamente desfilavam diante do portão aquelas mulheres silenciosas e magras, lata d’água na cabeça. De vez em quando surgia sobre a grade a carinha de uma criança, olhos grandes e atentos, espiando o jardim. Outras vezes eram as próprias mulheres que se detinham e ficavam olhando. Naquela manhã de sábado ele tomava seu gim-tônica no terraço, e a mulher um banho de sol, estirada de maiô à beir a da piscina, quando perceberam que alguém os observava pelo portão entreaberto. Era um ser encardido, cujos molambos em forma de saia não bastavam para defini-la como mulher. Segurava uma lata na mão, e estava parada, à espreita, silenciosa como um b icho. Por um instante as duas mulheres se olharam, separadas pela piscina. De súbito pareceu à dona da casa que a estranha criatura se esgueirava, portão adentro, sem tirar dela os olhos. Ergueu-se um pouco, apoiando-se no cotovelo, e viu com terror que ela se aproximava lentamente: já transpusera o gramado, atingia a piscina, agachava-se junto à borda de azulejos, sempre a olhá-la, em desafio, e agora colhia água com a lata. Depois, sem uma palavra, iniciou uma cautelosa retirada, meio de lado, equilibrando a lata na cabeça – e em pouco sumia-se pelo portão. Lá no terraço o marido, fascinado, viu toda a cena. Não durou mais de um ou dois minutos, mas lhe pareceu sinistra como os instantes tensos de silêncio e de paz que antecedem um combate. Não teve dúvida: na semana seguinte vendeu a casa.
(Fernando Sabino, A mulher do vizinho. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o verbo deter, presente na passagem – Outras vezes eram as próprias mulheres que se detinham … –, está conjugado de acordo com a norma-padrão.
A corrida das patinetes
Se 2018 foi o ano em que as patinetes elétricas brotaram nas ruas de São Paulo, em 2019 a moda deve se espalhar pelo Brasil. Até aqui, a startup de bicicletas e patinetes compartilhadas Yellow corre pela denominação do mercado de e-scooters contra a Grin, mexicana que chegou ao país comprando a concorrente brasileira Ride e fazendo uma parceria com o aplicativo de entregas Rappi.
Ambas captaram investimentos da ordem de 70 milhões de dólares. O jogo deve ficar mais pesado no ano que vem. As patinetes elétricas da americana Lime, que tem 455 milhões de dólares em investimentos, chegarão ao Brasil em 2019. Na mesma época, o gigante de mobilidade Uber lançará o serviço de bicicletas e patinetes elétricas Jump por aqui, enquanto prepara uma abertura de capital que o avalie em 120 bilhões de dólares. Os números mostram a agitação do mercado de transportes. Há um intervalo de 18 meses entre rodadas de investimentos recebidas pelas startups do setor, ante uma média de 24 meses nos demais segmentos, segundo a empresa de análises CB insights. Já a linha de chegada lucro – ainda não está no horizonte.
Disponível em Revista Exame – Edição 1176 – 26/12/2018.
A bandeira holandesa estivera hasteada sobre as Índias Orientais por três séculos. Como o arquipélago indonésio era rico em petróleo e borracha, tinha importância vital para a economia holandesa. Terminada a guerra, o governo da Holanda pretendia seriamente resgatar aquele território assim que os japoneses se retirassem. A dúvida era se disporia de força militar suficiente para derrotar os indonésios e sua crescente resistência.
O líder dos indonésios, o enérgico presidente Sukarno, estava decidido. Para os milhares de indivíduos que ouviam seus discursos, ele parecia um mágico. Tal como Gandhi, era um tanto teatral, mas nada tinha de contemplativo ou melancólico. Sem abrir mão dos prazeres, era capaz de trabalhar duro e de cuidar dos detalhes, desde que os considerasse importantes. Dominava vários idiomas, inclusive três nativos da Indonésia: javanês, sundanês e balinês – sua mãe era de Bali. Graduado em Engenharia Civil, criou a reputação de agitador político contra os holandeses, e sua bravura o levou à prisão e ao exílio em um porto isolado. Quando os japoneses tomaram as Índias Orientais Neerlandesas, em 1942, ele se tornou o braço direito dos invasores, mas não um servo obediente. Após o súbito fim da ocupação, em agosto de 1945, Sukarno declarou o surgimento da nova nação da Indonésia. Sua base estava na sagrada cidade javanesa de Jogiakarta, perto do antigo templo de Borobodur. Nos três anos seguintes, o território sob seu controle se estenderia por metade da ilha de Java e a maior parte de Sumatra. Outros arquipélagos holandeses ficaram fora de seu controle direto. Em dezembro de 1949, a Indonésia se tornou uma nação.
(BLAINEY, Geoffrey. Uma breve história do século XX. São Paulo: Fundamento, 2011, p. 87).
Texto para o item.
Recado ao Senhor 903

Rubem Braga. O verão e as mulheres. 10.ª ed. Rio de Janeiro:
Record, 2008, p. 21‐23 (com adaptações).
No que concerne aos aspectos linguístico‐gramaticais do texto, julgue o item.
No último parágrafo do texto, o emprego das formas verbais “seja” (linha 35), “batesse” (linha 36) e “dissesse” (linha 37) indica acontecimento certo e presente.
Texto para o item.

Internet:<www.itaucultural.org.br>
Considerando a correção gramatical e a coerência das substituições propostas para vocábulos e trechos destacados do texto, julgue o item.
“tem sido” (linha 37) por vem sendo.
“Era para ser uma noite diferente. O rapaz chegou em casa, pegou um pedaço de pizza e correu para a frente da TV para assistir a uma comédia no seu serviço de streaming favorito. Mas, poucos minutos depois, lá estava ele assistindo a outro filme de ação, como em todas as noites anteriores. Seria só uma coincidência? Na verdade, é mais um triunfo de uma sequência de linhas de código, repleta de complexos cálculos matemáticos, que é chamada de algoritmo.”
A respeito dos verbos destacados no trecho anterior, analise as afirmativas a seguir.
I. Os verbos destacados estão, respectivamente, no pretérito imperfeito (era); pretérito perfeito (chegou, pegou, correu) e presente (é), todos na terceira pessoa do singular.
II. A mudança dos verbos do pretérito para verbos no presente indica a transição entre a parte narrativa e a parte descritiva do texto.
III. Em “o rapaz chegou em casa”, observa-se o uso do modo subjuntivo do verbo ‘chegar’, que indica certeza em relação à ação descrita.
Está correto o que se afirma em