Questões de Concurso
Comentadas sobre flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro) em português
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Os verbos crescer e nascer estão no _________________ e pertencem à ________________.
Considere a tirinha Bichinhos de jardim.

(Disponível em: https:bichinhosdejardim.com)
O futuro do pretérito, no contexto apresentado, foi usado para referir
Sobre os verbos do excerto a seguir, analisar os itens abaixo: Dados da Nielsen evidenciam que em 2015 as receitas do vinho em lata chegaram perto de US$ 15 milhões nos Estados Unidos, um crescimento vertiginoso de 125% em relação ao ano anterior.
I. A forma verbal “evidenciam” se encontra no tempo presente do modo indicativo e, para concordar com o sujeito a que se refere, na 3ª pessoa do plural.
II. Caso “as receitas” fosse substituído por “a receita”, o verbo, que, originalmente, está na 3ª pessoa do plural, deveria ser flexionado na 3ª pessoa do singular. Mantendo-se o mesmo tempo verbal, teríamos a forma verbal “chegava”.
III. Substituindo-se “Dados da Nielsen” por “Um estudo recente”, a forma verbal “evidenciam” deveria ser substituída por “evidenciou”, caso desejássemos manter também o mesmo tempo e modo verbais.
IV. A forma verbal “chegaram” se encontra no pretérito perfeito do modo indicativo, apontando para um fato concluído no passado.
Estão CORRETOS:
Leia o trecho do discurso de posse de Michel Temer abaixo para responder às questões 01 e 02.
Olhe, meus amigos, eu quero cumprimentar todos os ministros empossados, os senhores governadores, senhoras e senhores parlamentares, familiares, amigos, senhoras e senhores,
Eu (1) pretendia que esta cerimônia fosse extremamente sóbria e discreta, como convém ao momento que vivemos. Entretanto, eu (2) vejo o entusiasmo dos colegas parlamentares, dos senhores governadores, e tenho absoluta convicção de que este entusiasmo deriva, precisamente, da longa convivência que nós todos tivemos ao longo do tempo. Até pensei, num primeiro momento, que não lançaria nenhuma mensagem neste momento. Mas percebi, pelos contatos que tive nestes dois últimos dias, que indispensável seria esta manifestação. [...]
Sabemos que o Estado não pode tudo fazer. Depende da atuação dos setores produtivos: empregadores, de um lado, e trabalhadores de outro. São esses dois polos que irão criar a nossa prosperidade. Ao Estado compete — vou dizer, aqui, o óbvio —, compete cuidar da segurança, da saúde, da educação, ou seja, dos espaços e setores fundamentais, que não podem sair da órbita pública. O restante terá que ser compartilhado com a iniciativa privada, aqui entendida como a conjugação de ação entre trabalhadores e empregadores. O emprego, sabemos todos, é um bem fundamental para os brasileiros. O cidadão, entretanto, só terá emprego se a indústria, o comércio e as atividades de serviço, estiverem todas caminhando bem.
De outro lado, um projeto que (5) garanta a empregabilidade, exige a aplicação e a consolidação de projetos sociais. Por sabermos todos, que o Brasil lamentavelmente ainda é um País pobre. Portanto, reafirmo, e o faço em letras garrafais: vamos manter os programas sociais. O Bolsa Família, o Pronatec, o Fies, o Prouni, o Minha Casa Minha Vida, entre outros, são projetos que deram certo, e, portanto, terão sua gestão aprimorada. Aliás, aqui mais do que nunca, nós precisamos acabar com um hábito que existe no Brasil, em que assumindo outrem o governo, você tem que excluir o que foi feito. Ao contrário, você tem que prestigiar aquilo que deu certo, completá-los, aprimorá-los e insertar outros programas que sejam úteis para o País. Eu expresso, portanto, nosso compromisso com essas reformas. [...]
Mas eu quero fazer uma observação. É que nenhuma dessas reformas (3) alterará os direitos adquiridos pelos cidadãos brasileiros. Como menos fosse (4) sê-lo-ia pela minha formação democrática e pela minha formação jurídica. Quando me pedirem para fazer alguma coisa, eu farei como Dutra: "o que diz o livrinho?" O livrinho é a Constituição Federal.
Nós temos de organizar as bases do futuro. Muitas matérias estão em tramitação no Congresso Nacional, eu até não iria falar viu, mas como todo mundo está prestando atenção, eu vou dar toda uma programação aqui. As reformas fundamentais serão fruto de um desdobramento ao longo do tempo. Uma delas, eu tenho empenho e terei empenho nisso, porque eu tenho nela, é a revisão do pacto federativo. Estados e municípios precisam ganhar autonomia verdadeira sobre a égide de uma federação real, não sendo uma federação artificial, como vemos atualmente.
Disponível em: https://oglobo.globo.com/politica/veja-integra-do-discurso-de-michel-temer-19296029 acesso em março, 2024.
Em quais tempos e modos verbais estão conjugados os verbos sinalizados no trecho, respectivamente?
Ao se considerar o excerto citado, analise as palavras (ou termos) nas alternativas, sob o viés morfológico e semântico, identificando a que esteja com a classificação correta, na íntegra.
I. O homem jogou bola com os amigos.
II. As crianças irão para a escolha amanhã.
III. Eu bebo bastante água.
Assinale a alternativa que informa os tempos dos verbos destacados nas frases acima, na ordem em que aparecem:
TEXTO 1
Temperaturas decadais extremas e média em São Bento do Una
São Bento do Una localiza-se na mesorregião Agreste e na microrregião do Vale do Ipojuca no Estado de Pernambuco, limitando-se a norte com Belo Jardim, a sul com Jucati, Jupi e Lajedo, a leste com Cachoeirinha, e a oeste com Capoeiras, Sanharó e Pesqueira. A área municipal representa 0.72% do Estado de Pernambuco. Com população ‘estimada de 58.251 habitantes e com densidade demográfica de 74,03 hab/km², São Bento do Una está inserido na unidade geoambiental do Planalto da Borborema, formada por maciços e outeiros altos, com altitude variando entre 650 e 1.000 metros. Ocupa uma área de arco que se estende do sul de Alagoas até o Rio Grande do Norte. O relevo é geralmente movimentado, com vales profundos e estreitos dissecados. Com respeito à fertilidade dos solos é bastante variada, com certa predominância de média para alta. A área da unidade é recortada por rios perenes, porém de pequena vazão e o potencial de água subterrânea é baixo. A vegetação desta unidade é formada por Florestas Subcaducifólica e Caducifólica, próprias das áreas agrestes. São Bento do Una tem o clima Tropical Chuvoso, com verão seco, a quadra chuvosa se inicia em fevereiro com chuvas de pré-estação (chuvosa de pré-estação são as que ocorrem antes da quadra chuvosa) com seu término ocorrendo no final do mês de agosto e podendo se prolongar até a primeira quinzena de setembro. O trimestre chuvoso centra-se nos meses de maio, junho e julho e os seus meses secos ocorrem entre outubro, novembro e dezembro. Os fatores provocadores de chuvas no município são a contribuição da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), formação dos vórtices ciclônicos de altos níveis (VCAS), contribuição dos ventos alísios de nordeste no transporte de vapor e umidade, os quais condensam e formam nuvens, provocando chuvas de moderadas a fortes intensidades (MEDEIROS, 2016).
Disponível em: https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/751/621. Acesso em: 11 out. 2023. (adaptado)
Com base no texto “Temperaturas decadais extremas e média em São Bento do Una”, analise as afirmativas a seguir:
I. Em: “São Bento do Una tem o clima Tropical Chuvoso, com verão seco, a quadra chuvosa se inicia em fevereiro com chuvas de pré-estação (chuvosa de pré-estação são as que ocorrem antes da quadra chuvosa)”, os verbos “tem”e “ocorrem” estão empregados no presente do modo indicativo, indicando que as ações aconteceram no passado e continuarão acontecendo no futuro.
II. Em: “São Bento do Una está inserido na unidade geoambiental do Planalto da Borborema”, os termos “está inserido” é uma locução verbal, cujos verbos principal e auxiliar são, respectivamente, “inserido” e “está”.
Marque a alternativa correta:
Mulher negra e os desafios no mercado de trabalho
A representatividade das mulheres no mercado de trabalho é uma questão cada vez mais presente na agenda de diversidade das empresas. Muitas vezes, no entanto, acaba ficando atrelada apenas aos discursos e evidencia a falta de ações práticas, o que se acentua principalmente com relação à ausência de mulheres negras em cargos superiores. É o que aponta o estudo Mulheres Negras na Liderança 2023, realizado pela plataforma 99Jobs em parceria com o Pacto Global da ONU no Brasil. Segundo o levantamento, 60% das entrevistadas afirmam que nas companhias onde trabalham não existem outras mulheres negras em cargos de liderança.
É necessário ressaltar que a representatividade no local de trabalho não é apenas sobre cumprir cotas, mas também proporcionar um ambiente que valorize e respeite a diversidade de experiências, perspectivas e talentos. E empresas que oferecem oportunidades para as mulheres negras de ocupar cargos de destaque faz que enriqueçam a tomada de decisões e impulsionem sua inovação, além do que a representatividade inspira outras negras a acreditar na possibilidade de alcançar seus objetivos profissionais. Inclusive, a pesquisa Trama do Pertencimento, realizada pela consultoria Bain & Company, apontou que mais de 70% das mulheres negras que trabalham em empresas no Brasil, acredita que o senso de inclusão na companhia em que trabalham aumentou devido às discussões sobre diversidade e inclusão nos últimos anos.
E, como todos já sabemos, infelizmente, a jornada da mulher negra no mercado de trabalho é frequentemente marcada por desafios adicionais, já que a discriminação racial e de gênero persiste, tornando mais difícil para elas avançarem na carreira. Sem falar que estereótipos e preconceitos ainda influenciam as percepções dos empregadores, muitas vezes levando a oportunidades limitadas e promoções negligenciadas. Além disso, a falta de modelos a seguir e redes de apoio específicas podem criar um sentimento de isolamento para essas mulheres. A minha trajetória na liderança, por exemplo, foi durante muitos anos solitária, pois não havia outras colegas negras que eu pudesse compartilhar todas as situações vividas diariamente, já que os espaços de comando no Brasil país sempre foram majoritariamente brancos.
Acredito que a área de recursos humanos pode ter a missão de sensibilizar os líderes das companhias e garantir o seu desenvolvimento em políticas e práticas que abordem desafios específicos enfrentados pelas negras, tais como: diversidade na contratação, desenvolvimento profissional, cultura de inclusão, combate à discriminação, conscientização com comunicação, entre outros.
De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC) 2022, realizada pelo IBGE, a população brasileira é formada por 29% de mulheres negras, mas apenas 3% delas _______ cargos de liderança, que __________ a nível gerente ou superior, o que evidencia a falta de oportunidades na maioria das empresas.
Outro recorte que ressalta um dos motivos para as mulheres negras muitas vezes não obterem oportunidades é aquele feito pelo Dieese, em que dos 38 milhões de lares chefiados por mulheres, 21,5 milhões eram liderados por negras com a responsabilidade do trabalho doméstico, o que dificulta esse acesso ao mercado de trabalho.
Por outro lado, gostaria de afirmar que, mesmo com tantas dificuldades, algumas mulheres negras têm alcançado notáveis conquistas na carreira, pois temos exemplos de líderes, empreendedoras e profissionais de sucesso em muitos setores. Para isso, é importante que as negras inspirem outras pessoas com suas trajetórias. É importante que essas conquistas sejam celebradas e compartilhadas para que sirvam de exemplo e inspiração.
A maior representatividade da mulher negra no mercado de trabalho é uma questão urgente. Para isso, ela tem de deixar de ser vista como útil apenas para tarefas operacionais. Para alcançarmos uma verdadeira equidade no local de trabalho, é essencial que as empresas se comprometam com políticas e práticas que promovam a diversidade e a inclusão. Assim, algum dia, podemos construir uma realidade em que todas as mulheres, independentemente de sua raça ou origem, tenham a oportunidade de prosperar e brilhar no mundo profissional.
(Claudia Perazio. Disponível em: <https://www.hojeemdia.com.br/. Publicado em: 28/12/2023.)
A expressão de sentido determinada pelo emprego dos tempos e modos verbais é de grande importância para que a intenção textual do enunciador seja corretamente identificada. Assim, assinale a alternativa correta a seguir.
Texto para as questões de 06 a 10
Os vereadores também têm o poder e o dever de fiscalizar a administração, cuidando da aplicação dos recursos e observando o orçamento. É dever deles acompanhar o Poder Executivo, principalmente em relação ao cumprimento das leis e da boa aplicação e gestão do dinheiro público.
Também são os vereadores que julgam as contas públicas da cidade, o que acontece todo ano, com a ajuda do tribunal de contas municipal ou do tribunal de contas dos municípios (no caso dos estados da Bahia, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo), que são órgãos que assessoram na fiscalização do próprio Poder Legislativo. Na câmara municipal (também chamada de câmara de vereadores), os projetos, emendas e resoluções têm de passar por comissões, para serem votados no plenário. Mesmo depois de aprovados, projetos e emendas precisam ser submetidos à apreciação do prefeito, que pode vetá-los total ou parcialmente ou aprová-los. Quando há aprovação, o projeto é publicado no diário oficial da cidade e vira lei.
Para se candidatar a vereador, o cidadão precisa ter o domicílio eleitoral na cidade em que pretende concorrer até um ano antes da eleição, além de estar filiado a um partido político. Além disso, precisa ter nacionalidade brasileira, ser alfabetizado, estar em dia com a Justiça Eleitoral, ser maior de 18 anos e, caso seja homem, ter certificado de reservista.
https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2016/Setembro/vereador-conheca-o-papel-e-as-funcoes-desse-representante-politico
Se reescrevêssemos a passagem “Quando há aprovação, o projeto é publicado no diário oficial da cidade e vira lei” substituindo o conectivo em destaque pelo conectivo que estabelece ideia de condição e se transpuséssemos o verbo HAVER para o futuro do subjuntivo, teríamos, fazendo as adaptações necessárias:
Impotência
Foi na última chuvarada do ano, e a noite era preta. O homem estava em casa; chegara tarde, exausto e molhado, depois de uma viagem de ônibus mortificante, e comera, sem prazer, uma comida fria. Vestiu o pijama e ligou o rádio, mas o rádio estava ruim, roncando e estalando. “Há dois meses estou querendo mandar consertar este rádio”, pensou com tédio. E pensou ainda que há muitos meses, há muitos anos, estava com muita coisa para consertar desde os dentes até a torneira da cozinha, desde seu horário no serviço até aquele caso sentimental em Botafogo. E quando começou a dormir e ouvia que batiam na porta, acordou assustado achando que era o dentista, o homem do rádio, o caixa da firma, o irmão de Honorina, ou um vago fiscal geral dos problemas da vida que lhe vinha pedir contas.
A princípio não reconheceu a negra velha Joaquina Maria, miúda, molhada, os braços magros luzindo, a cara aflita. Ela dizia coisas que ele não entendia; mandou que entrasse. Há alguns meses a velha lavava-lhe a roupa, e tudo o que sabia a seu respeito é que morava em um barraco, num morro perto da lagoa, e era doente. Sua história foi saindo aos poucos. O temporal derrubara o barraco, e o netinho, de oito anos, estava sob os escombros. Precisava de ajuda imediata, se lembrara dele.
– O menino está... morto?
Ouviu a resposta afirmativa com um suspiro de alívio. O que ela queria é que ele telefonasse para a polícia, chamasse a ambulância ou rabecão, desse um jeito para o menino não passar a noite entre os escombros, na enxurrada; ou arranjasse um automóvel e alguém para retirar o corpinho. Quis telefonar, mas o telefone não dava sinal; enguiçara. E quando meteu uma capa de gabardina e um chapéu e desceu a escada, viu que tudo enguiçara: os bondes, os ônibus, a cidade, todo esse conjunto de ferro, asfalto, fios e pedras que faz uma cidade, tudo estava paralisado, como um grande monstro débil.
(BRAGA, Rubem. Correio da Manhã. Fundação Casa de Rui Barbosa. Rio de Janeiro. Em: 17/04/1952. Fragmento.)
Considere o fragmento: “O homem estava em casa; [...]” (1º§). Encontra-se no mesmo tempo e modo verbal a seguinte ação verbal destacada:
Texto para as questões de 1 a 15.
1 Poseidon estava sentado à sua mesa de trabalho e fazia contas. A administração de todas contas. A administração de
todas as águas dava-lhe um trabalho infinito. Poderia dispor de quantas forças auxiliares quisera, e com efeito, tinhas muitas,
mas como tomava seu emprego muito a sério, verificava novamente todas as contas, e assim as forças auxiliares lhe serviam
5 de pouco. Não se pode dizer que o trabalho lhe era agradável e na verdade o realizava unicamente porque lhe tinha sido
imposto; tinha-se ocupado, sim, com frequência, em trabalhos mais alegres, como ele dizia, mas cada vez que se lhe faziam
diferentes propostas, revelava-se sempre que, contudo, nada lhes agradava tanto como seu atual emprego. Além do mais era
muito difícil encontrar uma outra tarefa para ele. Era impossível designar-lhe um determinado mar; prescindindo de que aqui
10 o trabalho de cálculo não era menor em quantidade, porém em qualidade, o Grande Poseidon não podia ser designado para
outro cargo que não comportasse poder. E se lhe oferecia um emprego fora da água, esta única ideia lhe provocava mal-estar,
alterava-se seu divino alento e seu férreo torso oscilava. Além do mais, suas queixas não eram tomadas a sério; quando um
15 poderoso tortura, é preciso ajustar-se a ele aparentemente, mesmo na situação mais desprovida de perspectivas. Ninguém
pensava verdadeiramente em separar a Poseidon de seu cargo, já que desde as origens tinha sido destinado a ser deus dos
mares e aquilo não podia ser modificado.
O que mais o irritava — e isto era o que mais o indispunha com o cargo - era inteirar-se de que como representavam
20 com o tridente, guiando como um cocheiro, através dos mares. Entretanto, estava sentado aqui, nas profundidades do mar
do mundo e fazia contas ininterruptamente; de vez em quando uma viagem da qual além do mais, quase sempre regressava
furioso. Dai que mal havia visto os mares, isso acontecia apenas em suas fugitivas ascensões ao Olimpo, e não os teria
percorrido jamais verdadeiramente. Gostava de dizer que com isso esperava o fim do mundo, que então teria certamente
25 ainda um momento de calma, durante o qual, justo antes do fim, depois de rever a última conta, poderia fazer ainda um rápido
giro.
Franz Kafka
Entende-se por verbo a unidade que significa ação ou processo, organizada para expressar o modo, o tempo, a pessoa e o número. Sabendo que os tempos compostos são formados por um verbo auxiliar e por um verbo principal, a expressão verbal e o verbo destacados na sentença “o Grande Poseidon não tinha designado outro para o cargo que não soubesse fazer” estão conjugados, respectivamente, no:
Texto para as questões de 1 a 10.
Texto de Clarice Lispector.
1 Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser
humano, no berço mesmo, já começou.
Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de
algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
5 Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um
destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho
medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso
de mais do que isso.
10 Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova
de “solidão de não pertencer” começou a me invadir como heras num muro.
Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não
é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro
15 de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária
pode se tornar patética.
É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer:
tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de
tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
20 Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade
intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique
uma pessoa ou uma coisa.
Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de
precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
25 A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo.
E então eu soube: pertencer é viver.
Fonte: https://www.culturagenial.com/clarice-lispector-textos-poeticos-comentados/.
Considerando as regras das classes de palavras, analise a sentença “[...] o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar [...]” e assinale a alternativa correta.
Sobre a forma exata das palavras, onde talvez more sua beleza
1 Vivo em descompasso com meu tempo. Uma declaração como essa poderia se completar com todo tipo de
contravenções e antinomias, mas hoje me refiro a uma coisa mesquinha, irrelevante, a uma dessas
implicâncias bestas que tão bem nos definem. Tenho uma atenção obstinada à grafia das palavras, e sofro com
o descaso que vai se alastrando por aí, em quase toda escrita. Sinto que cada palavra forma um desenho na
página, um desenho incompleto se lhe usurpam uma letra, um desenho disforme se lhe agregam um desatino.
Como se um mero deslize do dedo pudesse turvar toda a mensagem, deslocando o foco em direção à falha,
àquilo que jamais o mereceria.
2 Acabo de assistir a uma série um tanto tola sobre uma mulher que acossa um homem com insistência doentia,
com grande violência, inclusive mandando-lhe centenas de mensagens obscenas e hostis num só dia. Minha
sensação era de que nunca poderia me relacionar com alguém assim, não por sua insanidade, sua psicopatia.
O que eu não conseguiria relevar numa mulher como ela seria a sintaxe absurda e a infinidade de erros
ortográficos a me atingir a cada instante. Quando me dei conta disso, da aflição menor que até superava as
aflições maiores, temi que a loucura pudesse estar em mim.
3 Vivo em descompasso com meu tempo, é o que digo, na contramão da pressa e da displicência, do desleixo
escancarado, ou de um jovial descompromisso. Por um tempo pensei que me sentisse assim por ser escritor,
por ver nas palavras meu instrumento de trabalho, por confiar a elas o sentido da minha existência, ou, se não
tanto, ao menos o meu sustento. Mas fui me deparando com uns quantos exemplos de escritores distraídos,
escritores admiráveis e no entanto desleixados, conformados com a imprecisão das frases que propagam por
aí.
4 Li com aflição uma crônica de Lima Barreto em que ele conta de sua letra sofrível, indecifrável, e dos
embaraços que lhe cria quando envia aos jornais seus manuscritos. A letra é sua inimiga, é a traição em suas
próprias mãos, "esse abutre que me devora diariamente a fraca reputação e a apoucada inteligência", ele se
martiriza. Sofre, sim, diz que lê seus textos no dia seguinte com vontade de chorar, de matar, de suicidar-se.
Pensa até em se casar para resolver o problema, e se apaixona por uma jovem apenas por sua cursiva
irrepreensível. Mas nada faz de fato, aceita sua sina. Nem sequer passa a escrever na máquina, por julgar
cansativo, por querer fugir ao trabalho de escrever à mão e passar a limpo. Aí já não me compadeço, passo a
sofrer sozinho.
5 Lendo isso, lembro dos primeiros romancistas, os primeiros profissionais das letras que de fato vendiam seus
livros, que não viviam de mecenato. Diz-se que eram longos os primeiros romances, como os de Defoe e seus
conterrâneos, porque seus autores recebiam por quantidade e acabavam sendo rentáveis os detalhes a esmo,
as páginas prescindíveis. Conta-se que entregavam os manuscritos ainda talhados de incorreções, e que
cobravam mais caro caso os editores quisessem originais reescritos e revisados. Eu ouço essas histórias e sinto
que não pertenço à mesma linhagem, procuro outra tradição a que possa me vincular, uma corrente de
romancistas preocupados com as minúcias da linguagem. E, no entanto, sei bem que jamais escreverei uma
frase que perdure como a desses sujeitos, e aceito o meu limite.
Extraído de: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2024/05/18/sobre-a-forma-exata-das-palavras-onde-talvez-more-suabeleza.htm?cmpid=copiaecola (adaptado)
Em “Li com aflição uma crônica de Lima Barreto...” (4º parágrafo), a forma verbal destacada está no tempo e modo:
No território indígena,
O silêncio é sabedoria milenar,
Aprendemos com os mais velhos
A ouvir, mais que falar.
No silêncio da minha flecha,
Resisti, não fui vencido,
Fiz do silêncio a minha arma
Pra lutar contra o inimigo.
KAMBEBA, Márcia Wayna. Silêncio guerreiro.
Disponível em: <https://portalamazonia.com/cultura/>. Acesso em: 2 maio 2024 (fragmento).
No texto, a forma verbal “Resisti” está flexionada na