Questões de Concurso
Sobre flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo) em português
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(PACCA, R. Disponível em: http://portaldacomunicacao.uol.com.br/. Acesso em: 20/09/2016.)
I - A forma verbal costuma (linha 2) e o adjunto adverbial de modo verdadeiramente (linha 4) são recursos que enunciam credibilidade do autor em relação ao regime democrático brasileiro. II - Nas linhas de 11 a 15, o autor apresenta fatos para referendar o significado do substantivo idiossincrasias, no contexto em que é empregado. III - Em Por isso mesmo a Declaração Universal dos Direitos Humanos defende explicitamente a liberdade de opinião e de expressão., a locução conjuntiva destacada é usada para anunciar uma consequência obrigatória sobre o resultado inevitável do fato anteriormente mencionado. IV - No trecho Aproveitando a deixa, surgem grupos pretendendo regular os meios de comunicação, o autor usa a indeterminação do sujeito, a fim de assegurar uma linguagem mais objetiva. V - Em A defesa da liberdade pressupõe a defesa da independência intelectual de cada cidadão e o desafio para uma democracia é a busca pelo equilíbrio, garantindo a liberdade de expressão ao mesmo tempo em que impede o discurso que incita o ódio racial ou a violência., as formas verbais grifadas concordam em número e pessoa com o sujeito A defesa da liberdade.
Está correto o que se afirma em
Um cordeiro estava bebendo água num riacho. O terreno era inclinado e por isso havia uma correnteza forte. Quando ele levantou a cabeça, avistou um lobo, também bebendo da água.
– Como é que você tem a coragem de sujar a água que eu bebo
– disse o lobo, que estava alguns dias sem comer e procurava algum animal apetitoso para matar a fome.
– Senhor – respondeu o cordeiro – não precisa ficar com raiva porque eu não estou sujando nada. Bebo aqui, uns vinte passos mais abaixo, é impossível acontecer o que o senhor está falando.
– Você agita a água – continuou o lobo ameaçador – e sei que você andou falando mal de mim no ano passado.
– Não pode – respondeu o cordeiro – no ano passado eu ainda não tinha nascido.
O lobo pensou um pouco e disse:
– Se não foi você foi seu irmão, o que dá no mesmo.
– Eu não tenho irmão – disse o cordeiro – sou filho único.
– Alguém que você conhece, algum outro cordeiro, um pastor ou um dos cães que cuidam do rebanho, e é preciso que eu me vingue.
Então ali, dentro do riacho, no fundo da floresta, o lobo saltou sobre o cordeiro, agarrou-o com os dentes e o levou para comer num lugar mais sossegado.
(La Fontaine)
O médico esperava que o paciente ____________bem ao novo tratamento. Sônia não aguentava mais aquela situação e ___________ para tentar resolver o problema. Se __________ tarde, certamente não o ____________.
Doenças transmitidas pelo Aedes aegypti têm explosão
em novo balanço da Saúde
O número de casos de dengue em Minas Gerais, nos três primeiros meses deste ano, supera o mesmo período de 2013, quando ocorreu a pior epidemia já registrada da doença no estado. Enquanto de janeiro a março daquele ano foram 245.304 ocorrências, em igual período de 2016 já são 251.315 registros, de acordo com o Boletim Epidemiológico de Monitoramento dos Casos de Dengue, Chikungunya e Zika Vírus, divulgado ontem pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG). Foram confirmadas 30 mortes causadas pela doença no estado, uma a mais que no último balanço.
O boletim também aponta uma explosão nos casos de zika, atribuída à mudança no critério de diagnóstico. De 10 casos, conforme boletim divulgado na semana passada, o número saltou para 789. De acordo com critérios do Ministério da Saúde, quando há confirmação da circulação do vírus nos municípios, não é mais necessária a realização de exames laboratoriais, passando a ser considerados para a confirmação do diagnóstico apenas os exames clínicos. O documento também demonstrou que foram confirmados oito casos da febre chikungunya em Belo Horizonte, Santa Vitória, Limeira do Oeste, Nanuque e Água Comprida. A secretaria informa que todos os casos foram importados, uma vez que a infecção ocorreu em estados do Nordeste brasileiro.
O aumento dos casos contrasta com o número de vistoria em residências em Minas. As visitas domiciliares, que estão entre as principais ações para o combate ao Aedes aegypti, estão longe de alcançar a totalidade de imóveis. Das 7,2 milhões de residências no estado, apenas 45,98% foram vistoriadas, de acordo com dados divulgados ontem pelo Ministério da Saúde. O percentual coloca Minas em sétimo lugar no ranking nacional, liderado por Rondônia, onde 62,37% dos imóveis foram vistoriados. Entre as federações do Sudeste, Minas é o melhor colocado ficando à frente de Espírito Santo (40,69%), Rio de Janeiro (37,91%) e São Paulo (33,68%). Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, até fevereiro, dos 886 mil imóveis da capital, foram vistoriados 370 mil.
Para tentar reduzir as pendências de casas em que o acesso foi vedado, a Defesa Civil de Belo Horizonte adotou estratégia ostensiva para localizar os proprietários. Como muitos não são encontrados durante o dia, técnicos visitarão as residências, no período noturno, para tentar agendar a visita dos agentes de combate a endemias (ACE). “Estamos fazendo um piloto no Barreiro para identificarmos as dificuldades. O nosso objetivo é diminuir ao máximo o número de pendências”, afirma o coordenador da Defesa Civil de BH, coronel Alexandre Lucas. Cerca de 20% não receberam a visita de agentes ou porque os moradores não estão em casa ou não permitiram a entrada.
Desde que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) decretou estado de emergência em razão da infestação do Aedes aegypti, já foram realizadas 75 ações de entrada forçada em imóveis. De acordo com o município, a partir do Decreto 16.182, de dezembro de 2015, o poder público pôde intensificar as ações intersetoriais no combate ao mosquito.
Além das visitas dos ACEs e agentes comunitários de saúde (ACS), também são realizados mutirões nas regionais. A gerente de Vigilância em Saúde e Informação da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, Maria Tereza da Costa, pontuou que este tem sido um ano atípico. Ela lembra que o número de casos começou a aumentar em janeiro. Diante desse quadro de proliferação do vetor, a especialista destaca que uma das principais ações são os mutirões. Até o momento, foram feitos 85 e retiradas 3 mil toneladas de lixo. “Toda semana, são realizados mutirões com visita de uma média de 3 mil residências em cada uma das regionais”, informa.
Disponível em: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2016/03/30/interna_gerais,748385/doencastransmitidas-pelo-aedes-aegypti-tem-explosao-em-novo-balanco-d.shtml Acesso em: 09 abr. 2016.
Leia, atentamente, o texto.
TESTES DE TV
Walcyr Carrasco
O pedido que mais recebo, como autor de televisão, se resume no seguinte: “Quando tiver testes na Globo, me avisa!”. Tento ser gentil. Explico que esses testes não existem. Não da forma como estão pensando. Nenhuma televisão ou produtora abre testes indiscriminadamente. Imaginem se a Globo avisasse que dia tal, mês tal, haveria testes livres para quem chegasse. Juntaria uma multidão na porta, capaz de demolir o Projac! Sei por mim.
Certa vez, no início de uma novela, recebi inúmeros pedidos para testes pelo Twitter. Faz uns dez anos. Era um asno em termos de internet. Perguntei à produtora de elenco, Rosane, se podia dar o e-mail dela para quem pedisse testes. O produtor de elenco, na televisão, é quem busca os atores, de acordo com perfis de personagens, idades, tipos físicos. Quando não se trata de alguém famoso, com trabalho conhecido, eu e o diretor vemos só o material filtrado pelo produtor, de quem já tem material gravado no departamento de recursos artísticos da Globo. Ou de uma descoberta, quando é um perfil muito específico, como a Angel (Camila Queiroz) de Verdades secretas. Tinha de ter tipo de modelo, mais de 18 anos, mas rosto de ninfeta. Bem, naquela época, dei no Twitter o email da produtora Rosane. No dia seguinte, a internet do Projac caiu, tal o número de mensagens. A Rosane teve de criar outro e-mail. A direção da Globo pediu que eu nunca mais fizesse isso. Imaginem isso fisicamente. Milhares de pessoas pedindo senha para fazer teste. Teste para o quê? Não é assim que se escolhe um papel.
Eu escrevo a trama, chamada sinopse. Anexo a relação de cenários e personagens com o perfil de cada um. Testes, só de acordo com as características exigidas. Entre atores já profissionalizados. Ou seja, que têm o DRT, o direito de exercer a profissão. Para conseguir o DRT, ou se faz um curso legalizado de uns três anos ou se presta um exame no sindicato, com a comprovação de trabalhos em teatro, inclusive. Só com DRT, o ator ou atriz podem se candidatar a um papel. Pode ser a mulher mais linda do mundo. Se a personagem tiver de parecer uma mulher comum, a bonitona não fará o teste. Os atores profissionais sabem disso. Em geral, quem implora por testes tem pouca conexão real com a profissão. Quando eu trabalhava no SBT, vi uma fila de candidatas a assistentes de palco do programa Silvio Santos. Era imensa, dobrava a esquina do estacionamento.
Conhecer alguém ajuda? Claro. Se eu assistir a uma peça, gostar de um trabalho de alguém, indico. Certa vez, fui a um espetáculo, levado pelo produtor de elenco, para ver um determinado ator. Mas gostei de outro, o Fábio Lago, um grande comediante. Levou o papel em Caras & bocas e fez um enorme sucesso. Mas já era um profissional!
Pior é a situação das crianças. Em geral, são as mães, tias e avós encantadas pelo que acham ser um talento. É normal, hoje em dia, que uma criança goste de fazer vídeos, cante, dance. Isso não significa que deseje ser ator mirim. Hoje, com as leis e o Estatuto do Menor, a propaganda de produtos infantis na TV está muito restrita. Usam-se poucas crianças em publicidade, o que diminui o mercado em São Paulo. Uma rede de televisão séria, como a Globo, jamais pegaria um menino paulista para gravar no Rio de Janeiro sem residência carioca, o acompanhamento de um responsável, pai ou mãe, matrícula na escola e jornada diária pequena. Chamar alguém de São Paulo ou de outro Estado para gravar no Rio é difícil. Mas inúmeras “agências de talentos” não contam isso. Cobram a realização de um book fotográfico. Claro, o book é essencial para mostrar o tipo físico, a expressão. Uma boa parte das agências não vai arrumar publicidade alguma. Ou papel em televisão. Vive de fazer books. A família economiza, reúne centavos, faz o book e não tem mais notícias.[...]
O público é sábio, percebe quando um ator é bom. Melhor estar preparado. [...] Se você sonha com um teste na TV, precisa de formação. Talento natural existe. Mas até diamante precisa ser burilado para brilhar.
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/walcyr-carrasco/noticia/2016/02/testes-de-tv.html (Adaptado)
Assinale a alternativa que dá sequência ao enunciado, expressando, com correção, a ideia de possibilidade.
É provável que aprender habilidades novas…
A língua como ela é
Nos últimos dias tive uma experiência muito gratificante cumprindo o meu papel de professora de língua portuguesa – sim, gosto de enfatizar que dou aula de língua e não de gramática da língua. Pois é, nos últimos dias ensinei a nossa língua portuguesa a estrangeiros ávidos por aprender o idioma oficial do país que sediou o maior evento esportivo do planeta. São pessoas de todas as partes com um objetivo em comum: interagir, comunicar-se em português.
Como práxis, nas aulas iniciais, ensinamos o verbo “ser” e “estar”; para nós brasileiros, o famoso e enfadonho verbo to be das aulinhas de inglês. Então, a lição inicial é fazer com que os iniciantes entendam a diferença entre ambos os verbos, já que na língua do Tio Sam tal diferença só é percebida no contexto comunicativo. As explicações acontecem com exemplos reais, a fim de mostrar-lhes a língua como ela é.
Nas aulas para estrangeiros o “tu” e o “vós” são abolidos, completamente descartados, e isso é o sonho linguístico de toda e qualquer criança brasileira. Imaginem o tormento: conjugação do verbo “ir”, no presente do indicativo “tu vais”, “vós ides” e a criança inconformada e chorosa pergunta: “Mãe, alguém fala isso? Eu não falo”. Pois é, sábia conclusão! A criança, com seu conhecimento linguístico inato, não reconhece o idioma descrito na Gramática e intui que aquelas conjugações trarão uma imensa dor de cabeça e possíveis notas vermelhas.
A língua como ela é não se apresenta, com pretérito-mais-que-perfeito, como insiste a Gramática Normativa e seus exemplos surreais: “O vento fechou a porta que o vento abrira.” Abrira?
Com o futuro também temos problemas. Não, não sou vidente, não me refiro ao amanhã, refiro-me ao tempo gramatical. Ele, como a GN sugere, não participa dos nossos planos, visto que um casal, ao sonhar com o ninho de amor, não enrola a língua para conjugar o verbo “querer” e, em vez de dizer “Nós quereremos um apartamento de frente para o mar”, usam a corriqueira forma composta “Vamos querer...”. A partir disso, façamos uma reflexão: por que não mostrar aos nossos pupilos os tempos verbais no contexto da nossa realidade linguística? O tempo futuro pode ser dito com a forma composta (verbo auxiliar no presente + verbo principal no infinito) acompanhada pelo advérbio de tempo que situa a ideia. Sendo assim, dizemos: “Vou viajar amanhã”. E falar assim é menos futuro? É tanto quanto em “Viajarei amanhã”, com o detalhe de que está caindo em desuso na fala do dia a dia.
Ah! Como é gostoso ensinar a língua viva! Aquela que não está engessada nos compêndios gramaticais! Porém, os gramáticos que elaboram tais manuais afirmariam categoricamente: ensinar português para estrangeiros é diferente de ensinar português a uma criança nativa, afinal, ela já sabe português. Concordo! Claro que não precisamos ensinar as diferenças entre ser e estar, levar e trazer, conhecer e saber, confusões típicas de um aprendiz não nativo.
Sugerir e advogar a favor do ensino real da língua significa retirar o que não é utilizado ou é raramente visto na escrita, é ignorar regras inúteis que não influenciam na compreensão da língua. Um exemplo clássico é o pronome oblíquo no começo da oração. Os puristas da língua consideram um erro crasso, mas que mal pode haver em dizer “Me empresta o seu livro do Veríssimo”? E por que não escrever assim também? É uma tendência nossa o uso da próclise, enquanto os portugueses preferem a ênclise. O nosso olhar para com os fenômenos linguísticos se compara ao estudo de um biólogo ou de um botânico, que não diz que aquela flor é mais ou menos bela por causa do formato das pétalas ou da coloração. Falar “empresta-me” não é mais ou menos bonito, é diferente, e em ambos os casos a comunicação acontece.
Portanto, a minha singela conclusão é que precisamos de gramáticas que não tenham espaço para mesóclise, pronome possessivo “vosso”, lista de substantivos coletivos, tipos de sujeito e predicado, enfim, uma série de bobagens e gramatiquices que não ensinamos para os estrangeiros, porque não são relevantes para comunicação, também porque não fazem parte da língua como ela é.
(Disponível em http://conhecimentopratico.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/53/artigo344826-1.asp Acesso em: 08 set 2016.)
Leia o texto de Eça de Queiroz para responder à questão.
O pessimismo é uma teoria bem consoladora para os que sofrem, porque desindividualiza o sofrimento, alarga-o até o tornar a lei própria da Vida; portanto lhe tira o carácter doloroso de uma injustiça especial, cometida contra o sofredor por um Destino inimigo e faccioso! Realmente o nosso mal sobretudo nos amarga quando contemplamos ou imaginamos o bem do nosso vizinho – porque nos sentimos escolhidos e destacados para a Infelicidade, podendo, como ele, ter nascido para a Fortuna. Quem se queixaria de ser coxo – se toda a humanidade coxeasse? E quais não seriam os urros, e a furiosa revolta do homem envolto na neve e friagem e borrasca de um Inverno especial, organizado nos céus para o envolver a ele unicamente – enquanto em redor toda a humanidade se movesse na benignidade de uma Primavera? (...) O Pessimismo é excelente para os Inertes, porque lhes atenua o desgracioso delito da Inércia.
(Eça de Queiroz. A Cidade e as Serras)
Mesmo os pouco observadores devem ter notado um novo aparelho na temporada de férias. Tecnologia de ponta? Só no sentido mais estritamente literal.
Neste ano, o “pau de selfie”, monopé que permite tirar autorretratos, conquistou o mercado dos viajantes. Não deixará de surpreender que em pleno 2015 o homem tenha redescoberto a utilidade tecnológica de um bastão.
Na pré-história, o homem vagou pelos bosques apoiando-se nele; milhares de anos depois, a moda volta, de forma distorcida: o instrumento que servia para conectar o homem com o que estava sob seus pés – a terra – e o apoiava, literalmente, para abrir passo pelo mundo se converteu em uma ligação com o mundo superior. Se eu não me vejo, como sei que existo? Esse novo cajado nos permite uma perspectiva aérea da existência.
O filósofo alemão Peter Sloterdijk explica que aquilo que nós entendemos por tecnologia é uma tentativa de substituir os sistemas imunológicos implícitos por sistemas imunológicos explícitos.
Em nossa época, os sistemas de defesa que criamos procuram nos isolar de um exterior que se nega a ceder à tendência individualista da sociedade. Por isso andamos de um lugar a outro sem renunciar nunca a nosso mundo: nos transformamos em uma sociedade de caranguejos-eremitas, carreando no lombo nossas casas. Sentados entre centenas de passageiros, nos protegemos, com nossos fones de ouvidos, celulares e vídeos, do encontro com o exterior. Agora, o “pau de selfie” nos permite tirar fotos sem a incômoda necessidade de interagir com estranhos. Nos transformamos em seres autossuficientes e, em decorrência disso, necessariamente antissociais.
A máxima ironia do mundo globalizado é a crescente insularidade do indivíduo. Como o exterior é impessoal, nos embrenhamos no interior; como a comunidade nos debilita, a individualidade se torna preponderante; é assim que a casa familiar dá lugar ao apartamento individual – e a autogamia moderna surge.
O fenômeno do “selfie” responde a essa condição insular e por isso se arraigou como a manifestação estética da revolução digital. O isolamento do indivíduo é tal que, liberto do voyeurismo*, teve de conceber um autovoyeurismo: nos tornamos paparazzi* de nós mesmos. O “selfie” procura esconder nossa natureza isolada e solitária sob o verniz da felicidade e do gozo.
(Emilio Lezama, Paparazzi de nós mesmos. Folha de S.Paulo, 30-08-2015. Adaptado)
*Voyeurismo: forma de curiosidade mórbida com relação ao que é privativo, privado ou íntimo.
*Paparazzi: fotógrafos que perseguem celebridades, para bater
fotos indiscretas.
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Texto 01

RAMOS, Graciliano. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2002. p. 85. (Fragmento)
Dicas de consumo inteligente de energia elétrica
Em nosso cotidiano, existem hábitos que podem ser mudados ou criados para garantir a melhor utilização dos recursos energéticos. Todos devem colaborar em tudo que puderem para a recuperação de nosso planeta e a garantia de uma qualidade de vida melhor para nós mesmos e nossos descendentes.
A iluminação consome de 15% a 25% do consumo de energia elétrica de uma residência, mas existem hábitos simples que vão fazer você economizar.
• Use equipamentos elétricos de forma correta, conforme indicados em seu próprio manual.
• Evite acender a luz durante o dia. Mantenha as cortinas abertas, use iluminação natural.
• Mantenha apagada a luz de ambientes desocupados.
• Limpe lâmpadas e luminárias constantemente. A poeira acumulada prejudica a passagem do fluxo luminoso.
• Cada ambiente deve ter a iluminação correta para seu uso.
(Jornal Rosa Choque, outubro de 2015. Adaptado.)
Para responder à questão , leia os quadrinhos abaixo.

(www.salademergencia.com.br)
Releia o seguinte trecho:
"Receio que ele passará a maior parte dos seus primeiros anos usando termos como 'perdeu playboy' e 'lelek'"
Sobre as formas verbais “passará” e “usando” pode-se
afirmar, respectivamente, que:
Texto para responder à questão.
Uma vela para Dario
Dario vinha apressado, o guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminui o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Foi escorregando por ela, de costas, sentou-se na calçada, ainda úmida de chuva e descansou na pedra o cachimbo.
Dois ou três passantes rodearam-no, indagando se ele não está se sentindo bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, mas não se ouviu resposta. Um senhor gordo, de branco, sugeriu que ele devia sofrer de ataque.
Estendeu-se mais um pouco, deitado agora na calçada, e o cachimbo a seu lado tinha apagado. Um rapaz de bigode pediu ao grupo que se afastasse, deixando-o respirar. E abriu-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario roncou pela garganta e um fio de espuma saiu no canto da boca.
Cada pessoa que chegava se punha na ponta dos pés, embora não o pudesse ver. Os moradores da rua conversavam de uma porta à outra, as crianças foram acordadas e vieram de pijama às janelas. O senhor gordo repetia que Dario sentara-se na calçada, soprando ainda a fumaça do cachimbo e encostando o guarda-chuva na parede. Mas não se via guarda-chuva ou cachimbo ao lado dele. Uma velhinha de cabeça grisalha gritou que Dario estava morrendo. Um grupo transportou-o na direção do táxi estacionado na esquina. Já tinham introduzido no carro a metade do corpo, quando o motorista protestou: se ele morresse na viagem? A turba concordou em chamar a ambulância. Dario foi conduzido de volta e encostado à parede - não tinha os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.
Alguém afirmou que na outra rua havia uma farmácia. Carregaram Dario até a esquina; a farmácia era no fim do quarteirão e, além do mais, ele estava muito pesado. Foi largado ali na porta de uma peixaria. Imediatamente um enxame de moscas lhe cobriu o rosto, sem que fizesse o menor gesto para espantá-las.
As mesas de um café próximo foram ocupadas pelas pessoas que tinham vindo apreciar o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozavam as delícias da noite. Dario ficara torto como o deixaram, no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.
Um terceiro sugeriu que lhe examinassem os documentos. Vários objetos foram retirados de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficaram sabendo do seu nome, idade, cor dos olhos, sinais de nascença, mas o endereço na carteira era de outra cidade.
Registrou-se tumulto na multidão de mais de duzentos curiosos que, a essa hora ocupava toda a rua e as calçadas: era a polícia. O carro negro investiu contra o povo e várias pessoas tropeçaram no corpo de Dario, que foi pisoteado dezessete vezes.
O guarda aproximou-se do cadáver e não pôde identificá-lo – os bolsos vazios. Restava apenas a aliança de ouro na mão esquerda, que ele próprio – quando vivo – não podia retirar do dedo senão umedecendo-o com o sabonete. Ficou decidido que o caso era com o rabecão.
A última boca repetiu – “Ele morreu, ele morreu”, e então a gente começou a se dispersar. Dario havia levado quase duas horas para morrer e ninguém acreditara que estivesse no fim. Agora, os que podiam olhá-lo, viam que tinha todo o ar de um defunto.
Um senhor piedoso despiu o paletó de Dario para lhe sustentar a cabeça. Cruzou as suas mãos no peito. Não lhe pôde fechar os olhos ou a boca, onde as bolhas de espuma haviam desaparecido. Era apenas um homem morto e a multidão se espalhou rapidamente, as mesas do café voltaram a ficar vazias. Demoravam-se nas janelas alguns moradores, que haviam trazido almofadas para descansar os cotovelos.
Um menino de cor e descalço veio com uma vela, que acendeu ao lado do cadáver. Parecia morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.
Fecharam-se uma a uma as janelas e, três horas depois, lá estava Dario esperando o rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó, e o dedo sem a aliança. A vela tinha queimado até a metade, apagando-se às primeiras gotas da chuva, que voltava a cair.
TREVISAN, Dalton. Cemitério de elefantes . Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 1964, p.33-35.
Texto para responder à questão.
Uma vela para Dario
Dario vinha apressado, o guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminui o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Foi escorregando por ela, de costas, sentou-se na calçada, ainda úmida de chuva e descansou na pedra o cachimbo.
Dois ou três passantes rodearam-no, indagando se ele não está se sentindo bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, mas não se ouviu resposta. Um senhor gordo, de branco, sugeriu que ele devia sofrer de ataque.
Estendeu-se mais um pouco, deitado agora na calçada, e o cachimbo a seu lado tinha apagado. Um rapaz de bigode pediu ao grupo que se afastasse, deixando-o respirar. E abriu-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario roncou pela garganta e um fio de espuma saiu no canto da boca.
Cada pessoa que chegava se punha na ponta dos pés, embora não o pudesse ver. Os moradores da rua conversavam de uma porta à outra, as crianças foram acordadas e vieram de pijama às janelas. O senhor gordo repetia que Dario sentara-se na calçada, soprando ainda a fumaça do cachimbo e encostando o guarda-chuva na parede. Mas não se via guarda-chuva ou cachimbo ao lado dele. Uma velhinha de cabeça grisalha gritou que Dario estava morrendo. Um grupo transportou-o na direção do táxi estacionado na esquina. Já tinham introduzido no carro a metade do corpo, quando o motorista protestou: se ele morresse na viagem? A turba concordou em chamar a ambulância. Dario foi conduzido de volta e encostado à parede - não tinha os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.
Alguém afirmou que na outra rua havia uma farmácia. Carregaram Dario até a esquina; a farmácia era no fim do quarteirão e, além do mais, ele estava muito pesado. Foi largado ali na porta de uma peixaria. Imediatamente um enxame de moscas lhe cobriu o rosto, sem que fizesse o menor gesto para espantá-las.
As mesas de um café próximo foram ocupadas pelas pessoas que tinham vindo apreciar o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozavam as delícias da noite. Dario ficara torto como o deixaram, no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.
Um terceiro sugeriu que lhe examinassem os documentos. Vários objetos foram retirados de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficaram sabendo do seu nome, idade, cor dos olhos, sinais de nascença, mas o endereço na carteira era de outra cidade.
Registrou-se tumulto na multidão de mais de duzentos curiosos que, a essa hora ocupava toda a rua e as calçadas: era a polícia. O carro negro investiu contra o povo e várias pessoas tropeçaram no corpo de Dario, que foi pisoteado dezessete vezes.
O guarda aproximou-se do cadáver e não pôde identificá-lo – os bolsos vazios. Restava apenas a aliança de ouro na mão esquerda, que ele próprio – quando vivo – não podia retirar do dedo senão umedecendo-o com o sabonete. Ficou decidido que o caso era com o rabecão.
A última boca repetiu – “Ele morreu, ele morreu”, e então a gente começou a se dispersar. Dario havia levado quase duas horas para morrer e ninguém acreditara que estivesse no fim. Agora, os que podiam olhá-lo, viam que tinha todo o ar de um defunto.
Um senhor piedoso despiu o paletó de Dario para lhe sustentar a cabeça. Cruzou as suas mãos no peito. Não lhe pôde fechar os olhos ou a boca, onde as bolhas de espuma haviam desaparecido. Era apenas um homem morto e a multidão se espalhou rapidamente, as mesas do café voltaram a ficar vazias. Demoravam-se nas janelas alguns moradores, que haviam trazido almofadas para descansar os cotovelos.
Um menino de cor e descalço veio com uma vela, que acendeu ao lado do cadáver. Parecia morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.
Fecharam-se uma a uma as janelas e, três horas depois, lá estava Dario esperando o rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó, e o dedo sem a aliança. A vela tinha queimado até a metade, apagando-se às primeiras gotas da chuva, que voltava a cair.
TREVISAN, Dalton. Cemitério de elefantes . Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 1964, p.33-35.
“Dario havia levado quase duas horas para morrer e ninguém acreditara que estivesse no fim.” A respeito do trecho acima, quanto aos aspectos gramatical, sintático e semântico, analise as afirmativas a seguir.
I. A forma verbal HAVIA LEVADO está no pretérito mais-que-perfeito.
II. NINGUÉM é um pronome adjetivo indefinido.
III. Há um verbo no imperfeito do subjuntivo.
Está correto apenas o que se afirma em:
As escolas deveriam ensinar os alunos a falhar
Até os erros têm sua função: ensinar às crianças
como lidar com desafios e dificuldades.
Será que só tirar notas dez na escola é garantia de sucesso na vida adulta?
Você sabe como funciona a escola: tire notas boas e todos os professores vão gostar de você, te elogiar e exclamar o tempo todo que você tem um futuro brilhante. Agora, tire notas ruins ou ande um pouco fora da linha. Automaticamente, você vira o baderneiro da turma, o desatento que nunca será ninguém na vida.
Será mesmo?
Tony Little, especialista em educação e ex diretor de uma das escolas particulares mais famosas do Reino Unido (a Eton, que já formou 19 primeiros-ministros e membros da família real), pensa justamente o contrário. Segundo ele, alunos precisam passar por experiências de falha na escola, para que tenham mais chances de se reerguer em situações mais delicadas na vida adulta. “Não é só ter a experiência de falhar, mas de poder fazê-lo em um ambiente seguro, para que a experiência possa ensinar algo”, disse o ex-diretor no Fórum Global de Educação e Habilidades, em Dubai.
Ou seja, ser sempre popular, só tirar notas boas e nunca sofrer na escola não ajuda ninguém a crescer de verdade. Sem ter de lidar com derrotas, eles não desenvolvem a habilidade para enfrentar dificuldades. “Eles nunca tiveram nada significante para combater”, disse Little.
A declaração de Little, na verdade, já foi cientificamente comprovada. Em 2014, um estudo americano concluiu que determinação e força de vontade, em momentos de dificuldade, ajudam a encarar desafios.
Outro experimento, dessa vez de pesquisadores de Singapura, dividiu 75 adolescentes: o primeiro grupo teve aulas normais com a fala de um professor e terminava com exercícios; já o segundo precisou resolver, em grupos pequenos e sem muita ajuda do professor, problemas bem mais complexos. O segundo grupo, depois de muitos erros, recebia orientação de um professor e, surpresa: tiveram resultados muito melhores do que a outra turma.
O estudo concluiu que, ao falhar, os alunos ativam uma parte do cérebro que possibilita um aprendizado mais profundo. É que eles precisam organizar e analisar mentalmente três coisas: o que já sabem, as limitações daquele conhecimento e, principalmente, o que não sabem. Ou seja: errar, além de ser humano, é muito mais eficaz no processo de aprendizagem.
POR Helô D’Angelo ATUALIZADO EM 17/03/2016
Fonte: http://super.abril.com.br/cotidiano/as-escolas-deveriam-ensinar-os-alunos-a-falhar-1

“o mecânico não pôde estudar por falta de dinheiro”.