Questões de Concurso
Comentadas sobre figuras de linguagem em português
Foram encontradas 3.118 questões
Leia o texto e responda o que se pede no comando das questões.
O texto de Marta Medeiros, Miss Brasil 2000, de 1998, presta homenagem a Regina Casé, hoje, sucesso como protagonista de Amor de Mãe, telenovela brasileira de Manuela Dias.
Miss Brasil 2000
A primeira vez que a vi foi em Trate-me Leão, uma peça que sacudia a juventude brasileira dos anos 70 e inaugurou um novo estilo de humor, gerando o TV Pirata e o que veio depois. Esquálida, dentuça, desengonçada. Mas eletrizante. Hilária. Encantadora. Não nascia uma estrela, nascia uma camaleoa.
Regina Casé, junto com a maioria do elenco do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, acabou trocando o teatro pela televisão, fazendo novelas, seriados e programas humorísticos antológicos. Depois resolveu seguir carreira solo e conduziu um dos programas mais inteligentes e criativos da tevê, o Brasil Legal. Agora chegou a vez de Regina testar-se no papel de entrevistadora: sábado passado estreou Muvuca, um talk-show que é a cara da dona. O programa vai pegar? Vai ter audiência? Vai durar mais do que dois meses? Deixo essas questões para análise dos especialistas. Estou aqui para fazer aquilo que alguns críticos acham imperdoável: elogiar.
Por que gosto tanto da Regina Casé? Provavelmente pelo mesmo motivo que você: Regina é a porta-voz do Brasil que nos orgulha, e não daquele que nos envergonha. Ela é inteligente sem ser pedante, é engraçada sem ser. inconveniente, é moderna sem ser datada. Ela unifica o Brasil do norte a sul, circula com naturalidade na arquibancada do Maracanã e no Palácio do Planalto, extingue conceitos como brega e chique, extrai o melhor das pessoas, trata Carlinhos Brown e Fernando Henrique com a mesma sem cerimônia. Tem o dom de transformar celebridades em simples mortais e de alçar desconhecidos ao estrelato. Põe Cid Moreira para jogar peteca e Angélica de touca de banho, ao mesmo tempo que enaltece o talento e a importância de uma empregada doméstica ou de um menino que trabalha como guia turístico no sertão. Regina Casé é o Midas da humanização: tudo o que ele toca vira gente de carne e osso.
Rótulos não a impressionam. Seu entrevistado não é um intelectual, uma socialite ou o rei do pagode, mas alguém que gosta de aspargos, que canta no chuveiro, que cria três filhos. Isso interessa? Taí o show de Truman. E jornalismo? Também. . Estamos vivendo a era do estereótipo, da robotização, da exaltação da imagem em detrimento do conteúdo. O que Regina Casé faz com as pessoas que dividem a cena com ela é rasgar a embalagem e buscar o que há dentro. Ela mesma é um exemplo disso. Extrai de si própria coração, cérebro, humor, sensibilidade, todas essas coisas que substituem o par de olhos verdes e o corpaço que não tem. É a feia mais bonita que eu conheço.
Vida longa a Regina Casé e ao Brasil legal que ela representa, que não é o Brasil dos grampos telefônicos, das fraudes dos desmentidos, das dissimulações. Eu compraria um carro usado mesmo que tivesse placa de Brasília.
Fonte: MEDEIROS, Martha. Trem Bala, p. 153,154. Ed. Nov/98.
Identifica, corretamente, duas figuras no exemplo: “(...) uma peça que sacudia a juventude brasileira dos anos 70 (...)”:
TEXTO 02
O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 05 a 10.
TEXTO 2
Os males do consumo desenfreado
Rodrigo BERTÉ (Adaptado)
A cena é clássica: quase sempre que um determinado produto é lançado, uma enxurrada de pessoas simplesmente resolve abandonar aquele que possuem para ter o modelo atualizado, uma vez que o antigo já não satisfaz mais como antes. Assim, produtos que ainda poderiam ser usados naturalmente acabam virando descarte fácil entre os consumidores.
Com base no cenário acima, o fato é que atualmente a sociedade ocidental possui uma relação intensa de consumo, o que vem gerando consequências irreversíveis ao meio ambiente. Segundo um relatório do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), a humanidade está consumindo mais do que a Terra é capaz de repor. De acordo com o documento, a Terra tem 11,4 bilhões de hectares terrestres e marinhos considerados produtivos e sustentáveis - isto é, com capacidade de renovação.
[...]
Algumas escolhas do dia a dia podem ajudar a diminuir a degradação do meio ambiente, como usar mais meios de transporte alternativos, diminuir o desperdício de água e de energia, reciclar mais, além de evitar o consumo sem necessidade. Mas essa é uma lição que não vem sendo ensinada, muito menos aprendida.
[...]
Nossa relação de consumo atual está nos levando a uma séria crise ambiental. Por isso a urgência em trabalhar políticas mais eficientes e concretas sobre esse tema. Já estamos atrasados, mas ainda há tempo.
TEXTO 3
Consumismo Infantil - Um problema de todos
Adaptado
Ninguém nasce consumista. O consumismo é uma ideologia, um hábito mental forjado que se tornou uma das características culturais mais marcantes da sociedade atual. Não importa o gênero, a faixa etária, a nacionalidade, a crença ou o poder aquisitivo. Hoje, todos que são impactados pelas mídias de massa são estimulados a consumir de modo inconsequente.
As crianças, que vivenciam uma fase de peculiar desenvolvimento e, portanto, mais vulneráveis que os adultos, não ficam fora dessa lógica e infelizmente sofrem cada vez mais cedo com as graves consequências relacionadas aos excessos do consumismo: obesidade infantil, erotização precoce, consumo precoce de tabaco e álcool, estresse familiar, banalização da agressividade e violência, entre outras. [...]
O consumismo está relacionado à ideia de devorar, destruir e extinguir. Se agora, tragédias naturais, como queimadas, furacões, inundações gigantescas, enchentes e períodos prolongados de seca, são muito mais comuns e frequentes, é porque a exploração irresponsável do meio ambiente prevaleceu ao longo de décadas.
[...]
Os males do consumo desenfreado. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/os-males-do-consumo-desenfreado-4l782thsoedaqjeov7zh3ttu6 / Consumismo infantil. Um problema de todos. Disponível em: http://criancaeconsumo.org.br/consumismo?infantil/
Na coesão textual, anáfora e catáfora são antecipações ou retomadas de termo presente ou não no texto. A diferença entre esses mecanismos depende da posição ocupada em relação ao item referido.
Dos trechos abaixo, extraídos do TEXTO 2 "Os males do consumo desenfreado", assinale o ÚNICO em que o termo destacado possui a CATÁFORA como recurso coesivo:
Texto I
Escrever
Joaquim Ferreira dos Santos
A estudante perguntou como era essa coisa de escrever. Eu fiz o gênero fofo. Moleza, disse.
Primeiro, evite estes coloquialismos de “fofo” e “moleza”, passe longe das gírias ainda não
dicionarizadas e de tudo que soe mais falado do que escrito. Isto aqui não é rádio FM. De vez em
quando, para não acharem que você mora trancado com o Domingos Paschoal Cegalla ou outro
5 gramático de chicote, aplique uma gíria como se fosse um piparote de leve no cangote do texto, mas,
em geral, evite. Fuja dessas rimas bobinhas, desses motes sonoros. O leitor pode se achar diante de
um rapper frustrado e dar cambalhotas. Mas, atenção, se soar muito escrito, reescreva.
Quando quiser aplicar um “mas”, tome fôlego, ligue para o 0800 do Instituto Fernando Pessoa,
peça autorização ao bispo de plantão e, por favor, volte atrás. É um cacoete facilitador.
10 Dele deve ter vindo a expressão “cheio de mas-mas”, ou seja, uma pessoa cheia de “não é bem
assim”, uma chata que usa o truque de afirmar e depois, como se fosse estilo, obtemperar.
Não tergiverse, não diga palavras complicadas, não escreva nas entrelinhas. Seja acima de tudo
afirmativo, reto no assunto. [...]
[...]
Sempre cabe uma linha a menos no texto, é o efeito Rexona aplicado na axila gramatical. Evite
15 metáforas complicadas, passe por cima de expressões como “em geral”, como está no primeiro
parágrafo, pois elas têm a mesma função do paralelepípedo dos parênteses, dos travessões. Chute
para fora da página tudo mais que faça as pessoas tropeçarem na leitura ou darem aquela ré em
busca do verdadeiro sentido da frase que passou.
Deixe tudo em pratos limpos, sem tamanho lugar-comum. Ouça a voz do flanelinha semântico
20 gritando a chave para o bom texto. “Deixa solto”.
É mais ou menos por aí, eu disse para a menina que me perguntou como é essa coisa de
escrever.
Para sinalizar o trânsito das ideias, use apenas o ponto e vírgula, nunca juntos. Faça com que o
primeiro chegue logo, e a outra apareça o mínimo possível. Vista Hemingway, só frases curtas. Ouça
25 João Cabral, nada de perfumar a rosa com adjetivos.
Mergulhe Rubem Braga, palavras, de preferência de até três sílabas. “Pormenorizada”, vista de
cima, é um palavrão absurdo. Dispense, sem pormenores.
O texto deve correr sem obstáculos, interjeições, dois pontos, reticências e sinais que só
confundem os passageiros que quer chegar ao ponto final. Cuidado com o “que quer” da frase
30 anterior, pois da plateia um gaiato pode ecoar um “quequerequé” e estará coberto de razão. A
propósito, eu disse para a menina, perca a razão quando lhe aparecer um clichê desses pela frente.
Você já se livrou do “mas”, agora vai cuidar do “que” e em breve ficará livre da tentação de
sofisticar o texto com uma expressão estrangeira. É out. Escreva em português. Aproveite e diga ao
diagramador para colocar o título da matéria na horizontal e não de cabeça para baixo, como está na
35 moda, como se estivesse em um jornal japonês.
Pode-se escrever baixinho, como faz o Verissimo, que ouviu muito Mario Reis para chegar àquela
perfeição de texto de câmara. Outra opção é desabafar pelos cinco mil alto-falantes o que vai na pena
da alma, como faz o Xico Sá, que aprendeu a escrever com o Waldick Soriano. Escreva com a
sonoridade que lhe aprouver, nunca com cacófatos assim ou verbos que façam o leitor perguntar para
40 o vizinho do lado que maluquice é essa de “aprouver”. Fuja da voz passiva, da forma negativa, do
gerundismo e principalmente da voz dos outros. Se falo fino, se falo grosso, ninguém tem nada com
isso. [...]
De vez em quando, abra um parágrafo para o leitor respirar. Alguns deles têm a mania de pegar o
bonde no meio do caminho e, com mais parágrafos abertos, mais possibilidades de ele embarcar na
45 viagem que o texto oferece. Escrever é dar carona. Eu disse isso e outro tanto do mesmo para a
menina. Jamais afirmei, jamais expliquei, jamais contei ou usei qualquer outro verbo de carregação da
frase que não fosse o dizer. Evitei também qualquer advérbio em seguida, como “enfaticamente”,
“seriamente”, “bem-humoradamente”. Antes do ponto final, eu disse para a menina que tantas regras,
e outras a serem ditas num próximo encontro, serviam apenas de lençol. Elas forram o texto, deixam
50 limpo e dão conforto. Escrever é desarrumar a cama.
Fonte: adaptado por Augusto Nunes Revista Veja, 31 de julho de 2020. Disponível em: https://veja.abril.com.br/blog/augustonunes/8220-escrever-8221-um-texto-de-joaquim-ferreira-dos-santos/
Com base no Texto I, responda às questões de números 1 a 6. |
O texto traz, em sua estrutura, várias metáforas. O fragmento em que se percebe um exemplo de metáfora está em:
O trecho a seguir da música "Cidade Maravilhosa" de André Filho, faz uso de uma figura de linguagem presente na língua portuguesa. Assinale a alternativa CORRETA:
Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa
Coração do meu Brasil
<https://musicabrasilis.org.br/compositores/andre-filho >Acesso em 24.10.2021.
TEXTO 01
O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 01 a 14.
VERDADES
Certa vez, um sultão de coração frio, sonhou que havia perdido todos os dentes.
Ele acordou assustado e mandou chamar um sábio para que interpretasse o sonho.
"Que desgraça senhor!", exclamou o sábio. "Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade!"
"Mas que insolente!", gritou o sultão. "Como se atreve a dizer tal coisa!"
Então, ele chamou os guardas e mandou que lhe dessem cem chicotadas.
Mandou também que chamassem outro sábio para interpretar o mesmo sonho.
O outro sábio chegou e disse:
"Senhor, uma grande felicidade vos está reservada: o sonho indica que ireis viver mais que todos os vossos parentes"!
A fisionomia do sultão se iluminou, e ele mandou dar cem moedas de ouro ao sábio.
Quando este saía do palácio, um cortesão perguntou ao sábio:
Como é possível? A interpretação que você fez foi a mesma do seu colega! No entanto, ele levou as chicotadas, e você, moedas de ouro!"
Respondeu, então, o sábio:
"Lembre-se sempre, amigo, de que tudo depende da maneira de dizer as coisas".
Esse é um dos desafios em nossos relacionamentos.
Desafio para as lideranças, para os educadores, para todos nós: a maneira de dizer as coisas, pois as palavras têm força, têm poder.
Elas podem gerar felicidade ou desgraça, moedas de ouro ou chicotadas, paz ou guerra.
A verdade deve ser dita, mas a forma como é feita pode fazer toda a diferença.
Que aprendamos a pronunciar palavras que elevam, que tocam no coração, que transformam e que possibilitam uma convivência melhor nas famílias, nos grupos de amigos e nas equipes de trabalho!
http://www.linguagemdireta.com.br/verdades/ - Adaptado
O termo destacado que está empregado em seu sentido figurado, conotativo, ocorre em:
Analise a tirinha a seguir:
Na tirinha, o menino Calvin utiliza no último quadrinho uma figura de linguagem. Qual é ela?
Assim como neste fragmento, é CORRETO afirmar que outros trechos da narrativa permitem situar os falantes da obra de Graciliano Ramos sob o aspecto:

Disponível em: 550089/tirinha-oignaa ho.tumblr.com/post/163411755089/tirinha-original
No segundo e terceiro quadrinhos, nas falas dos personagens, percebe-se, predominantemente, a presença de uma:
I. Nenhum cientista que se preze aprende o seu ofício destrinchando os clássicos de sua disciplina. (1º parágrafo)
II. Embora também se prestem à lupa antiquária do historiador de ideias, elas conseguem de algum modo driblar o tempo e falar diretamente aos espíritos vivos das novas gerações. (2º parágrafo)
III. A filosofia, como a arte, não enterra o seu passado. (2º parágrafo)
IV. A consciência da nossa ignorância cresce de mãos dadas com o avanço do saber científico. (3º parágrafo)
Estão empregadas em sentido figurado as expressões sublinhadas em
Leia o pequeno poema, abaixo:

Edna Frigato, na construção de seu pequeno
poema, utiliza-se de um recurso estilístico,
denominado:
TEXTO 01
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Realidades da vida
(...)
A vida é um grande banquete. Se fecharmos os olhos e ouvidos não conseguiremos ver nem escutar os sons e imagens que acontecem ao nosso redor. Se fecharmos as portas do coração, somos incapazes de sentir afeto, amor e gratidão.
A vida é agora! Todas as flores do futuro estão nas sementes do seu sorriso e do seu amor. Por mais dura que seja a sua angústia, tenha sempre uma flor reservada para alguém que está precisando sentir o seu perfume.
(...)
José Geraldo da Rocha Barros Palmeira.Acesso https://www.diariodecuiaba.
com.br/artigo/realidades-da-vida/141399
As figuras de linguagem são usadas como recursos estilísticos para dar maior valor expressivo à linguagem.
Qual a figura de linguagem está presente no período "A vida é um grande banquete"?
Leia os versos do escritor sul-mato-grossense Luciano Serafim, publicados no livro Raiz transeunte:
SER
mais pássaro
menos pedra
mais ponte
menos muro
mais rio
menos lago
mais canto
menos grito
mais gente
menos mito
Leia o texto de Raquel de Queiroz com atenção e responda a questão.
A grande causa de esquecimento, a responsável pela pouca contrição da gente e a pouca constância no arrependimento, é o tempo, é o tempo não ser, como o espaço, uma coisa onde se possa ir e vir, sair e voltar... O que se passa no tempo, some-se, anda para longe e não volta nunca, pior do que se estivesse do outro lado de terra e mar.
Afinal, quem pode manter, num espelho, uma imagem que fugiu?
(Raquel de Queiroz)
Em “anda para longe e não volta nunca, pior do que se
estivesse do outro lado de terra e mar.”
A virgula nesse trecho foi usada como recurso de
Leia o texto de Raquel de Queiroz com atenção e responda a questão.
A grande causa de esquecimento, a responsável pela pouca contrição da gente e a pouca constância no arrependimento, é o tempo, é o tempo não ser, como o espaço, uma coisa onde se possa ir e vir, sair e voltar... O que se passa no tempo, some-se, anda para longe e não volta nunca, pior do que se estivesse do outro lado de terra e mar.
Afinal, quem pode manter, num espelho, uma imagem que fugiu?
(Raquel de Queiroz)
Sobre a linguagem do texto de Raquel de Queiroz,
analise as afirmativas e assinale (V) para as Verdadeiras e (F)
para as Falsas.
( ) A palavra “espelho” tem sentido conotativo. É uma metonímia que subentende a palavra memória e recupera a ideia central do texto.
( ) “Afinal” é um advérbio que denota ordenamento e conclusão, fazendo o encadeamento dos segmentos textuais.
( ) A repetição da oração “é o tempo” é um recurso que busca dar ênfase e intensificar o enunciado.
( ) Na oração, “onde se possa ir e vir”, o pronome “onde” introduz uma oração adjetiva e retoma o termo “espaço”, intensificando a coesão textual.
Marque a opção que apresenta a sequência CORRETA.