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Questões de Concurso Comentadas sobre figuras de linguagem em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 3.182 questões

Q2357663 Português
Leia o texto atentamente.

O que é um livro? Um livro é um mar de mistérios, são aventuras que se resolvem por si mesmas. É a emoção e a sua imaginação. Um livro compartilha ideias com ideias, ele combina fantasia com avida real pra você voltar a ler o livro e compartilhar o que você imagina. Um livro responde a sua pergunta e de dá outra. É o que você volta a imaginar e fingir. Mesmo sabendo que é falso, você ainda volta e pula de volta nesse mar e compartilha emoções e aventuras onde você volta a acreditar e pula nesse mar de volta e de volta. Para voltar e voltar. (P.C.- aluno do 5º ano da rede privada de São Paulo).
O texto apresenta figuras de linguagem que recorrem à conotação para suavizar, embelezar e transmitir o conceito do que é um livro. Dessa forma o autor utilizou
Alternativas
Q2357474 Português
CRÔNICA DE UMA GUERRA ANUNCIADA


       Estive na Europa do Leste em 1989, relatando as revoluções que derrubaram as ditaduras comunistas ossificadas que levaram ao colapso da União Soviética. Foi um tempo de esperança. A OTAN, com o desmembramento do império soviético, tornou-se obsoleta. O presidente Mikhail Gorbachev estendeu a mão a Washington e à Europa para construir um novo pacto de segurança que incluiria a Rússia. James Baker, secretário de estado na administração Reagan, juntamente com o ministro das relações exteriores da Alemanha Ocidental HansDietrich Genscher, garantiu ao líder soviético que, se a Alemanha fosse unificada, a OTAN não seria estendida para além das novas fronteiras.

       O compromisso de não expandir a OTAN, também assumido pela Grã-Bretanha e França, parecia anunciar uma nova ordem mundial. Vimos os dividendos da paz pendurados diante de nós, a promessa de que as enormes despesas com armas que caracterizaram a Guerra Fria seriam convertidas em despesas com programas sociais e infraestruturas que há muito tinham sido negligenciadas para alimentar o apetite insaciável dos militares.

         Naquela época, havia um entendimento quase universal entre diplomatas e líderes políticos de que qualquer tentativa de expansão da OTAN era uma insensatez, uma provocação injustificada contra a Rússia que obliteraria os laços e vínculos que felizmente surgiram no final da Guerra Fria.

         Como éramos ingênuos. A indústria bélica não pretendia reduzir seu poder ou seus lucros. Começou quase imediatamente a recrutar os antigos países do Bloco Comunista para a União Europeia e a OTAN. Os países que aderiram à OTAN, que agora inclui a Polônia, Hungria, República Checa, Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Albânia, Croácia, Montenegro e Macedônia do Norte, foram forçados a reconfigurar suas forças armadas, muitas vezes através de grandes empréstimos, para se tornarem compatíveis com o equipamento militar da OTAN.

          Não haveria dividendos da paz. A expansão da OTAN tornou-se rapidamente uma bonança multibilionária para as empresas que tinham lucrado com a Guerra Fria. (A Polônia, por exemplo, acabou de concordar em gastar 6 bilhões de dólares em tanques M1 Abrams e outros equipamentos militares dos EUA). Se a Rússia não aceitasse ser novamente o inimigo, então a Rússia seria pressionada a tornar-se o inimigo. E aqui estamos nós. À beira de outra Guerra Fria, da qual só a indústria bélica se beneficiará, enquanto, como escreveu W. H. Auden, as crianças pequenas morrem nas ruas.

         As consequências de empurrar a OTAN para as fronteiras com a Rússia – agora há uma base de mísseis da OTAN na Polônia a 100 milhas da fronteira russa – eram bem conhecidas dos responsáveis políticos. Ainda assim, fizeram-no de qualquer forma. Não fazia qualquer sentido geopolítico. Mas fazia sentido comercial. Afinal, a guerra é um negócio, e muito lucrativo. É por isso que passamos duas décadas no Afeganistão, embora houvesse um consenso quase universal, após alguns anos de lutas infrutíferas, que tínhamos mergulhado num pântano que nunca poderíamos vencer.

           Num telegrama diplomático classificado, obtido e divulgado pelo WikiLeaks, datado de 1 de fevereiro de 2008, escrito de Moscou e dirigido aos Chefes do Estado-Maior Conjunto, à Cooperação OTAN-União Europeia, ao Conselho de Segurança Nacional, ao Coletivo Político Rússia-Moscou, ao secretário da defesa e ao secretário de estado, houve um entendimento inequívoco de que a expansão da OTAN arriscava um eventual conflito com a Rússia, especialmente em relação à Ucrânia.

          “A Rússia não só percebeu o cerco [pela OTAN], e os esforços para minar a influência da Rússia na região, mas também teme as consequências imprevisíveis e descontroladas que afetariam seriamente os interesses de segurança russos”, lê-se no telegrama. “Os especialistas dizem-nos que a Rússia está particularmente preocupada com o fato de que as fortes divisões na Ucrânia em relação à adesão à OTAN, com grande parte da comunidade étnico-russa contra, possam levar a uma grande cisão, envolvendo violência ou, na pior das hipóteses, uma guerra civil. Nessa eventualidade, a Rússia teria que decidir se interviria; uma decisão que a Rússia não quer ter que enfrentar…

            Dmitri Trenin, Diretor Adjunto do Centro Carnegie de Moscou, manifestou receio de que a Ucrânia seja, a longo prazo, o fator mais potencialmente desestabilizador nas relações EUA-Rússia, dado o nível de emoção e nevralgia desencadeado por sua busca pela adesão à OTAN…uma vez que a adesão permaneceu um assunto de divisão na política interna ucraniana, criou-se uma abertura para a intervenção russa. Trenin manifestou temor de que elementos do establishment russo fossem encorajados a intrometer-se, estimulando os EUA a encorajarem abertamente as forças políticas opositoras, e deixando os EUA e a Rússia numa postura clássica de confrontação”.

          A administração Barack Obama, não querendo inflamar ainda mais as tensões com a Rússia, bloqueou a venda de armas para Kiev. Mas este ato de prudência foi abandonado pelas administrações de Donald Trump e Joe Biden. Armas dos EUA e da Grã-Bretanha estão sendo despejadas na Ucrânia, parte do 1,5 bilhão de dólares prometido em ajuda militar. No equipamento, estão incluídas centenas de sofisticadas armas anti-tanque Javelins e NLAW, apesar dos repetidos protestos de Moscou.

           Os Estados Unidos e seus aliados da OTAN não têm qualquer intenção de enviar tropas para a Ucrânia. Pelo contrário, inundarão o país com armas, o que foi feito no conflito de 2008 entre Rússia e Geórgia.

             O conflito na Ucrânia ecoa o romance Crônica de uma morte anunciada, de Gabriel Garcia Márquez. No romance, o narrador reconhece que “nunca houve uma morte tão anunciada”, e, no entanto, ninguém foi capaz ou disposto a impedi-la. Todos nós que informávamos a partir da Europa do Leste em 1989 conhecíamos as consequências de provocar a Rússia, e, não obstante, poucos levantaram a voz para impedir a loucura. Os passos metódicos em direção à guerra ganharam vida própria, movendo-nos como sonâmbulos em direção ao desastre.

            Quando a OTAN se expandiu para a Europa do Leste, a administração Clinton prometeu a Moscou que as tropas de combate da OTAN não seriam estacionadas na Europa do Leste, a questão decisiva do “Ato Fundador OTAN-Rússia sobre Relações Mútuas” de 1997. Esta promessa revelou-se, outra vez, uma mentira. Depois, em 2014, os EUA apoiaram um golpe contra o presidente ucraniano Viktor Yanukovych, que procurou construir uma aliança econômica com a Rússia em vez da União Europeia. Claro que, uma vez integrada à União Europeia, como se viu no resto da Europa do Leste, o passo seguinte é a integração à OTAN. A Rússia, assustada com o golpe, alarmada com as propostas da UE e da OTAN, anexou então a Crimeia, em grande parte povoada por falantes de russo. E a espiral de morte que nos levou ao conflito atualmente em curso na Ucrânia não pode mais ser contida.

            O estado de guerra precisa de inimigos para se sustentar. Quando um inimigo não pode ser encontrado, um inimigo é fabricado. Putin tornou-se, nas palavras do senador Angus King, o novo Hitler, pronto para agarrar a Ucrânia e o resto da Europa do Leste. Os gritos de guerra, ecoados sem constrangimento pela imprensa, justificam-se drenando o conflito do contexto histórico, elevando-nos como os salvadores, e a quem quer que nos oponhamos, de Saddam Hussein a Putin, como o novo líder nazista.

           Não sei onde isto vai parar. Devemos lembrar, como Putin nos lembrou, que a Rússia é uma potência nuclear. Devemos lembrar que, uma vez aberta a caixa de Pandora da guerra, ela desencadeia forças obscuras e assassinas que ninguém pode controlar. Eu sei disto por experiência própria. O fósforo foi aceso. A tragédia é que nunca houve qualquer disputa sobre como a conflagração começaria.


(Disponível em: <https://aterraeredonda.com.br/cronica-de-uma-guerra-anunciada/. Acesso em: 12/out./2023)
Leia as orações a seguir:

I. Meu avô jamais se acostumou em usar gilete. II. Meu advogado segue a lei; eu, a contravenção. III. As labaredas de fogo tinham cerca de 5 metros de altura.

As figuras de linguagem utilizadas acima, respectivamente, são:
Alternativas
Q2355623 Português
Um pé de milho 

    Os americanos, através do radar, entraram em contato com a Lua, o que não deixa de ser emocionante. Mas o fato mais importante da semana aconteceu com o meu pé de milho.
       Aconteceu que no meu quintal, em um monte de terra trazido pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que podia ser um pé de capim – mas descobri que era um pé de milho. Transplantei-o para o exíguo canteiro na frente da casa. Secaram as pequenas folhas, pensei que fosse morrer. Mas ele reagiu. Quando estava do tamanho de um palmo veio um amigo e declarou desdenhosamente que na verdade aquilo era capim. Quando estava com dois palmos veio outro amigo e afirmou que era cana.
      Sou um ignorante, um pobre homem de cidade. Mas eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros, lança as suas folhas além do muro – e é um esplêndido pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto. Tinha visto centenas de milharais – mas é diferente. 
        Um pé de milho sozinho, em um canteiro, espremido, junto do portão, numa esquina de rua – não é um número numa lavoura, é um ser vivo e independente. Suas raízes roxas se agarram no chão e suas folhas longas e verdes nunca estão imóveis. Detesto comparações surrealistas – mas na glória de seu crescimento, tal como o vi em uma noite de luar, o pé de milho parecia um cavalo empinado, as crinas ao vento – e em outra madrugada parecia um galo cantando. 
        Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos encantou como se fosse inesperado: meu pé de milho pendoou. Há muitas flores belas no mundo, e a flor de milho não será a mais linda. Mas aquele pendão firme, vertical, beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma coisa de vivo que se afirma com ímpeto e certeza. Meu pé de milho é um belo gesto da terra. E eu não sou mais um medíocre homem que vive atrás de uma chata máquina de escrever: sou um rico lavrador da Rua Júlio de Castilhos.


(Crônica extraída da obra 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2014.) 
Prosopopeia significa atribuir a seres inanimados (sem vida) características de seres animados ou atribuir características humanas a seres irracionais. Trata-se de uma figura de linguagem usada para tornar mais dramática a comunicação. Podemos afirmar que tal fato ocorre em: 
Alternativas
Q2354327 Português
Assinale a frase que se estrutura em uma figura de linguagem diferente da metáfora. 
Alternativas
Q2353223 Português
Identifique a figura de linguagem presente na seguinte frase: "O silêncio da noite sussurrava segredos ao vento." 
Alternativas
Q2353170 Português
Leia o trecho a seguir:

"Na entrevista, o candidato afirmou que 'a cidade estava doente', referindo-se à falta de investimentos em saúde. Nesse contexto, assinale a alternativa que apresenta a figura de linguagem presente na expressão 'a cidade estava doente'.
Alternativas
Q2352430 Português
Analise as alternativas a seguir:

I. É correto afirmar que o fenômeno da prosopopeia é uma concentração semântica, atribuindo vida a seres não humanos, irracionais ou inanimados. 
II. É correto afirmar que a sinestesia é constatada quando há uma mistura de  percepções sensoriais, como  audição,  tato,  visão,  olfato  e  paladar.

Marque a alternativa correta: 
Alternativas
Q2352139 Português
HISTÓRICO DE AMÉRICO DE CAMPOS


Em 1920, Manoel Francisco Tomaz e Henrique de Souza Lima planejaram fundar um patrimônio nos sertões entre o rio Preto e o São José dos Dourados, recebendo do procurador de Escolástica Augusta de Vasconcelos, proprietária da Fazenda Águas Paradas, a doação de dez alqueires de terra para o Bispado de São Carlos, divididos em quarteirões, criando o povoado de Vila Botelho.


Outros colonizadores apoiaram o empreendimento, como João Batista de Souza Filho, Joaquim Manoel Serapião, Olegário Nogueira da Silva, Francisco Vilar Horta, João Batista da Silveira, Fungêncio de Andrade, Israel Francisco Tomaz, Francisco Goulart, Carlos Lauer e Guilherme Palhate, que se destacaram no desenvolvimento e administração do núcleo.


Em 1920 já estava construída a capela e o cruzeiro, iniciando-se também, as primeiras casas residenciais e comerciais, adotando o nome de São João das Águas Paradas. Em 1926 criou-se o Distrito de Paz e em 1948, o Município, agora denominado Américo de Campos, em homenagem ao político e homem público paulista (…).


FONTE: Adaptado de
https://www.americodecampos.sp.gov.br/portal/servicos/1004/historia/

Há, no primeiro parágrafo, um termo utilizado em um sentido claramente conotativo, figurado, também chamado de sentido metafórico ou simbólico: 
Alternativas
Q2352100 Português
TEXTO 2


“Aqui estou eu, o Fracasso,
o grande derrotado:
Vencido, vencido, como sempre,
Mas me orgulho de ser o único vencido
Que não desiste da luta.”


(Chico Buarque de Holanda. In: MARTINS, J. (org.). Poesia Reunida.
São Paulo: Companhia das Letras, 2003 fragmento)
No texto 2, o autor utiliza-se da seguinte figura literária da:
Alternativas
Q2351896 Português
A antítese é uma figura de linguagem em que se opõem, numa mesma frase, palavras ou pensamentos de sentido contrário. Segundo essa definição, há uma antítese na seguinte frase:
Alternativas
Q2351792 Português
Assinale a alternativa que apresenta um exemplo de pleonasmo.
Alternativas
Q2351576 Português
Na frase "O rato roeu a roupa do rei de Roma" encontramos a seguinte figura de linguagem:
Alternativas
Q2351530 Português
Considere a frase abaixo:

“Ontem, eu cheguei em casa morrendo de fome!”

Considerando as figuras de linguagem, podemos afirmar que a frase acima apresenta um exemplo de:
Alternativas
Q2350574 Português
Uma esperança


     Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica que tantas vezes verifica‐se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto.

     Houve um grito abafado de um dos meus filhos:

     – Uma esperança! E na parede bem em cima de sua cadeira! Emoção dele também que unia em uma só as duas esperanças, já tem idade pra isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não podia ser.

     – Ela quase não tem corpo, queixei‐me.

     – Ela só tem alma, explicou meu filho e, como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças.

     Ela caminhava devagar sobre os fiapos das longas pernas, por entre os quadros da parede. Três vezes tentou renitente uma saída entre dois quadros, três vezes teve que retroceder caminho. Custava a aprender.

     – Ela é burrinha, comentou o menino.

     – Sei disso, respondi um pouco trágica.

     – Está agora procurando outro caminho, olhe, coitada, como ela hesita.

     – Sei, é assim mesmo.

     – Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é guiada pelas antenas.

     – Sei, continuei mais infeliz ainda.

     Ali ficamos, não sei quanto tempo olhando. Vigiando‐a como se vigiava na Grécia ou em Roma o começo de fogo do lar para que não apagasse.

     – Ela se esqueceu de que pode voar, mamãe, e pensa que só pode andar devagar assim. Andava mesmo devagar – estaria por acaso ferida? Ah não, senão de um modo ou de outro escorreria sangue, tem sido sempre assim comigo.

     Foi então que farejando o mundo que é comível, saiu de trás de um quadro uma aranha. Não uma aranha, mas me parecia “a” aranha. Andando pela sua teia invisível, parecia transladar‐se maciamente no ar. Ela queria a esperança. Mas nós também queríamos e, oh! Deus, queríamos menos que comê‐la. Meu filho foi buscar a vassoura. Eu disse fracamente, confusa, sem saber se chegara infelizmente a hora certa de perder a esperança:

     – É que não se mata aranha, me disseram que traz sorte...

     – Mas ela vai esmigalhar a esperança! Respondeu o menino com ferocidade. 

     – Preciso falar com a empregada para limpar atrás dos quadros – falei sentindo a frase deslocada e ouvindo o certo cansaço que havia na minha voz. Depois devaneei um pouco de como eu seria sucinta e misteriosa com a empregada: eu lhe diria apenas: você faz o favor de facilitar o caminho da esperança.

     O menino, morta a aranha, fez um trocadilho, com o inseto e a nossa esperança. Meu outro filho, que estava vendo televisão, ouviu e riu de prazer. Não havia dúvida: a esperança pousara em casa, alma e corpo.

     Mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive, é um esqueletinho verde, e tem uma forma tão delicada que isso explica por que eu, que gosto de pegar nas coisas, nunca tentei pegá‐la.

     Uma vez, aliás, agora é que me lembro, uma esperança bem menor que esta, pousara no meu braço. Não senti nada, de tão leve que era, foi só visualmente que tomei consciência de sua presença. Encabulei com a delicadeza. Eu não mexia o braço e pensei: “E essa agora? Que devo fazer?” Em verdade nada fiz. Fiquei extremamente quieta como se uma flor tivesse nascido em mim. Depois não me lembro mais o que aconteceu. E, acho que não aconteceu nada.


(LISPECTOR, Clarice. 1925‐1977. Felicidade Clandestina: Contos – Rio de Janeiro: Rocco, 1998.)
Figuras de linguagem, segundo o gramático Domingos Cegalla, “são recursos especiais de que se vale quem fala e escreve para comunicar à expressão mais força e colorido, intensidade e beleza”. No texto de Clarice Lispector, é possível inferir que uma das figuras de linguagem empregadas se trata da prosopopeia. É possível identificá-la em:
Alternativas
Q2350347 Português
Texto:


Crescimento Zero


Alex Grijelmo


     Parece difícil que nos resignemos a não crescer. O crescimento de qualquer de nossas posses forma parte das ideias positivas. Hão de crescer as crianças, os músculos, os seios, nossos negócios e, obviamente, também a economia. Este caso é, porém, o mais transcendental, porque mesmo quando a economia não cresce, dizemos que cresceu: porque “cresceu zero”.

     O eufemismo que está presente em “crescimento zero” consegue unir um conceito positivo (crescimento) com outro negativo (o não-crescimento), para neutralizar o efeito deste (e, além disso, se apela a um número que não é exatamente negativo: o zero).

     Os economistas e os políticos empregam muito bem esses vocábulos para contentar-nos, mesmo quando a economia decresce, porque então falam de “crescimento negativo”.

     Vejamos o lado bom da coisa, porque devemos agradecer o fato de que as pessoas das ciências tenham sabido escolher muito bem as palavras, ainda que seja para esconder os números.
O texto fala de um tipo de figura: o eufemismo.

Assinale a frase abaixo que exemplifica um caso de eufemismo.
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Q2349384 Português
No lugar do outro

   Estamos vivendo uma crise intensa: a das relações humanas. Todos os dias testemunhamos ou protagonizamos, tanto na vida presencial quanto na virtual, comportamentos e atitudes que vão do ódio declarado ou sutil ao desdém em relação ao outro. As relações humanas, sempre tão complexas, exigem, no entanto, delicadeza, atenção e compromisso social. Tem sido difícil manter a saúde mental e a qualidade de vida no contexto atual.

   Crianças e adolescentes já dão sinais claros de que têm aprendido muito com nossa dificuldade em conviver com as diferenças e de respeitá-las, de tentar colocar-se no lugar do outro para compreender suas posições e atitudes; de ter compaixão; de conflitar em vez de confrontar, de agir com doçura, por exemplo. Conseguir fazer isso é ter empatia com o outro.

  Pais e professores têm reclamado de comportamentos provocativos desrespeitosos, desafiadores e desobedientes dos mais novos. Entretanto, se pudéssemos nos dedicar por alguns momentos à auto-observação, constataríamos essas características também em nós, adultos. 

  Mas são os mais novos que levam a pior nessa história: Crianças e adolescentes que desobedecem, desafiam e têm comportamentos considerados agressivos, como os nossos, podem receber diagnósticos e orientação para tratamento. Conheço famílias com filhos diagnosticados com “Transtorno Desafiador Opositivo”, porque têm comportamentos típicos da idade. Há uma grande preocupação global com a nossa atual falta de empatia. Um sinal disso foi a inauguração, em Londres, do primeiro Museu da Empatia.

  Nele, os visitantes são convocados a experimentar/enxergar o mundo pelo olhar de um outro – não próximo ou conhecido, mas um outro com quem eles não têm qualquer relação. A expressão que deu sentido ao museu é a expressão inglesa “in your shoes” (em seus sapatos), que em língua portuguesa significa “em seu lugar”. Os visitantes se deparam, na entrada, com uma caixa com diferentes pares de sapatos usados. Escolhem um de seu número para calçar e recebem um áudio que conta uma parte da história da pessoa que foi dona daquele par.

   Desenvolver a empatia é uma condição absolutamente necessária para ensiná-la aos mais novos.

   Aliás, eles podem tê-la mais facilmente do que nós. Um pai me contou, comovido, que conversava com um amigo a respeito da situação de muitos refugiados de países em guerra e que comentou que não adiantava a busca por outro local, já que a crise de empregos era mundial. Seu filho, de sete anos, que estava por perto, perguntou de imediato: “Pai, se tivesse guerra aqui, você preferiria que eu morresse?”. Ele mudou de ideia.

   Estacionar o carro em vaga de idosos, grávidas e portadores de deficiência é mais do que contravenção: é falta de empatia. Reclamar da lentidão dos velhos é mais do que desrespeito: é falta de empatia. Agredir ostensivamente o outro por suas posições é mais do que dificuldade em lidar com as diferenças: é falta de empatia. Do mesmo modo, reclamar do comportamento dos mais novos é falta de empatia.

   A empatia pode provocar uma grande mudança social, diz Roman Krznari, estudioso do tema. Vamos desenvolvê-la para ensiná-la? 

(SAYÃO, Rosely. Folha de S. Paulo. Em: 22 de setembro de 2015.) 

Em “Estamos vivendo uma crise intensa: a das relações humanas.” (1º§), acerca da expressão destacada, pode-se afirmar que:
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Q2349026 Português
Na varanda 


   Já faz parte do anedotário lírico brasileiro aquele episódio (autêntico) de Murilo Mendes caminhando por uma rua, nem sei mais se de Minas ou do Rio. De repente vê uma moça debruçada na janela. Há tanto que não presenciava cena semelhante, comum no interior e em tempos idos, mas praticamente extinta na vida urbana, que, invocado e cheio de entusiasmo, ajoelhou-se e começou a exclamar aos berros, gesticulando com excitação:

   – Mulher na janela, que beleza! Mulher na janela, meus parabéns!

  A moça deve ter fugido assustada, provavelmente sem entender o que aquele homem alto e ossudo saudava com tamanha efusão. Como explicar-lhe que, com certeiro instinto, Murilo identificara e estava fixando para sempre, da maneira espontânea e exuberante que lhe era própria, um flagrante poético perfeito, o milagre que ela própria, sem perceber, corporizava? Moça que, em plena cidade e infensa à agitação a seu redor, dispunha ainda de lazer e prazer para pôr-se à janela e contemplar a rua, os transeuntes, a tarde, as nuvens. Mulher na janela...

  Pois a mim também, há pouco, me foi concedido o privilégio de captar um momento desses, tão impregnados de passado que dir-se-iam irreais nos dias de hoje – coisa de outra civilização. Eram quase duas horas de uma quarta-feira e buscávamos, meu amigo e eu, um lugar tranquilo para almoçar. Apesar do mau tempo, ou por causa dele, todos os restaurantes do Leblon, com mesinhas na calçada, estavam repletos. Numa esquina de Ipanema encontramos um, semivazio, onde se costuma comer uma boa massa, e para lá nos dirigimos às carreiras, impulsionados pela fome e pela chuva. De repente, estacamos diante de um sobradinho, desses que vão se tornando raridade no Rio. Não fizemos o menor comentário, mas ali permanecemos alguns minutos, imóveis, perplexos, enquanto a água ia caindo. A casa estava rodeada por um mínimo jardim e tinha à frente um alpendre também pequenino, protegido da chuva. Nele, um casal de velhinhos conversava. 

  – Velhinhos na varanda! – gritei dentro de mim mesma, deslumbrada. – Que coisa mais linda, velhinhos na varanda! Os dois nem repararam em nossa presença curiosa, ou, se o fizeram, acharam-na corriqueira. Talvez estivessem acostumados a despertar a atenção dos que passavam, pois, ao vê-los, tive imediatamente a certeza de que sentar-se na varanda à hora da sesta era um ritual que ambos executavam regularmente. As cadeiras eram de vime, colocadas uma ao lado da outra; não havia mesa entre elas, só vasos com plantas e flores pelos cantos. Junto à porta aberta, um capacho. Os dois se olhavam, falavam sem pressa, quase sem gestos, e sorriam de leve. Tudo muito devagar, como se nada urgisse, e aquele colóquio, diante da chuva, tivesse a importância natural das coisas mais simples.

  Velhinhos na varanda.... Nem eram assim tão velhos – meu amigo e eu comentamos depois. O diminutivo surgia instintivamente, como demonstração de ternura, e me lembrei do que outro poeta, o Bandeira, explicava a respeito do Aleijadinho, cujo apelido refletia apenas a solidariedade e o carinho que a doença daquele mulato robusto e de boa altura despertava no povo da Vila Rica. Velhos na varanda – não, isso não expressa o que vimos. Eram um velhinho e uma velhinha, numa varanda de Ipanema (ou seria em Mariana?), conversando tranquilamente depois do almoço. Como não confiar na vida, depois desse flash apenas entrevisto, mas tão bonito, tão comovedor, que imediatamente se cristalizou em nós? Em janeiro de 1980, quando a cidade se desequilibra entre a inflação e a violência, quando o mundo assiste, aflito e impotente, aos desvarios que ameaçam dilacerá-lo, quando...

  Um casal de velhinhos se senta na varanda, num começo de tarde chuvosa, e conversa. Sobre quê? Sobre tudo, sobre nada – não interessa. Estão sentados e conversam. Ela nem sequer faz algum trabalho manual, uma blusinha de crochê para a neta, um paninho para colocar debaixo da fruteira da sala; ele não tem nenhum jornal ou livro no colo. Estão ali exclusivamente para conversar um com o outro. Olham a rua distraidamente. O fundamental são eles mesmos, conversando (pouco), sentados nas cadeiras de vime, num dia de semana como qualquer outro.

   É, nem tudo está perdido, pelo contrário, se ainda resta gente que pode e quer cultivar essas delicadas flores do espírito, comentando isso e aquilo, o namoro da empregada, a nova receita de bolo, o último capítulo da novela, o preço da alcatra – esquecida de tudo que é triste e feio e ruim, de tudo que não cabe naquele alpendre úmido. Velhinhos na varanda...

   Enquanto almoçamos, fico imaginando que não há de faltar muito para cumprirem as bodas de ouro; que os filhos se casaram; que devem reunir-se todos no sobrado, para o ajantarado de domingo, gente madura, jovens, meninos, bebês e babás, em torno dos dois velhinhos. Talvez tenham perdido uma filha ainda adolescente, vítima de alguma doença estranha que os médicos não souberam diagnosticar. Talvez tenham feito uma longa viagem à Europa depois que ele se aposentou, ou passado uma temporada nos Estados Unidos quando o caçula esteve completando o PhD. Talvez nada disso. Fico imaginando, mas nenhuma dessas histórias me seduz. Gostei mesmo é do que vi: o casal de velhinhos conversando na varanda.

  Comemos quase em silêncio, meu amigo e eu, sem reparar se a massa estava gostosa. À saída passamos diante do sobradinho, em cujo alpendre não havia mais ninguém.


(Coleção Melhores Crônicas: Maria Julieta Drummond de Andrade. Seleção e prefácio de Marcos Pasche. Global, 2012, pp.187-190. Publicada no livroUm buquê de alcachofras, 1980.)
Ter conhecimento quanto a aspectos textuais técnicos, como a identificação de figuras de linguagem, é uma habilidade importante para a compreensão da mensagem de um texto, bem como de seu valor estético. Considere o trecho: “Em janeiro de 1980, quando a cidade se desequilibra entre a inflação e a violência, quando o mundo assiste, aflito e impotente, aos desvarios que ameaçam dilacerá-lo, quando...” (7º§). É correto dizer que nele se dispõem exemplos de determinadas figuras de linguagem, EXCETO:
Alternativas
Q2349025 Português
Na varanda 


   Já faz parte do anedotário lírico brasileiro aquele episódio (autêntico) de Murilo Mendes caminhando por uma rua, nem sei mais se de Minas ou do Rio. De repente vê uma moça debruçada na janela. Há tanto que não presenciava cena semelhante, comum no interior e em tempos idos, mas praticamente extinta na vida urbana, que, invocado e cheio de entusiasmo, ajoelhou-se e começou a exclamar aos berros, gesticulando com excitação:

   – Mulher na janela, que beleza! Mulher na janela, meus parabéns!

  A moça deve ter fugido assustada, provavelmente sem entender o que aquele homem alto e ossudo saudava com tamanha efusão. Como explicar-lhe que, com certeiro instinto, Murilo identificara e estava fixando para sempre, da maneira espontânea e exuberante que lhe era própria, um flagrante poético perfeito, o milagre que ela própria, sem perceber, corporizava? Moça que, em plena cidade e infensa à agitação a seu redor, dispunha ainda de lazer e prazer para pôr-se à janela e contemplar a rua, os transeuntes, a tarde, as nuvens. Mulher na janela...

  Pois a mim também, há pouco, me foi concedido o privilégio de captar um momento desses, tão impregnados de passado que dir-se-iam irreais nos dias de hoje – coisa de outra civilização. Eram quase duas horas de uma quarta-feira e buscávamos, meu amigo e eu, um lugar tranquilo para almoçar. Apesar do mau tempo, ou por causa dele, todos os restaurantes do Leblon, com mesinhas na calçada, estavam repletos. Numa esquina de Ipanema encontramos um, semivazio, onde se costuma comer uma boa massa, e para lá nos dirigimos às carreiras, impulsionados pela fome e pela chuva. De repente, estacamos diante de um sobradinho, desses que vão se tornando raridade no Rio. Não fizemos o menor comentário, mas ali permanecemos alguns minutos, imóveis, perplexos, enquanto a água ia caindo. A casa estava rodeada por um mínimo jardim e tinha à frente um alpendre também pequenino, protegido da chuva. Nele, um casal de velhinhos conversava. 

  – Velhinhos na varanda! – gritei dentro de mim mesma, deslumbrada. – Que coisa mais linda, velhinhos na varanda! Os dois nem repararam em nossa presença curiosa, ou, se o fizeram, acharam-na corriqueira. Talvez estivessem acostumados a despertar a atenção dos que passavam, pois, ao vê-los, tive imediatamente a certeza de que sentar-se na varanda à hora da sesta era um ritual que ambos executavam regularmente. As cadeiras eram de vime, colocadas uma ao lado da outra; não havia mesa entre elas, só vasos com plantas e flores pelos cantos. Junto à porta aberta, um capacho. Os dois se olhavam, falavam sem pressa, quase sem gestos, e sorriam de leve. Tudo muito devagar, como se nada urgisse, e aquele colóquio, diante da chuva, tivesse a importância natural das coisas mais simples.

  Velhinhos na varanda.... Nem eram assim tão velhos – meu amigo e eu comentamos depois. O diminutivo surgia instintivamente, como demonstração de ternura, e me lembrei do que outro poeta, o Bandeira, explicava a respeito do Aleijadinho, cujo apelido refletia apenas a solidariedade e o carinho que a doença daquele mulato robusto e de boa altura despertava no povo da Vila Rica. Velhos na varanda – não, isso não expressa o que vimos. Eram um velhinho e uma velhinha, numa varanda de Ipanema (ou seria em Mariana?), conversando tranquilamente depois do almoço. Como não confiar na vida, depois desse flash apenas entrevisto, mas tão bonito, tão comovedor, que imediatamente se cristalizou em nós? Em janeiro de 1980, quando a cidade se desequilibra entre a inflação e a violência, quando o mundo assiste, aflito e impotente, aos desvarios que ameaçam dilacerá-lo, quando...

  Um casal de velhinhos se senta na varanda, num começo de tarde chuvosa, e conversa. Sobre quê? Sobre tudo, sobre nada – não interessa. Estão sentados e conversam. Ela nem sequer faz algum trabalho manual, uma blusinha de crochê para a neta, um paninho para colocar debaixo da fruteira da sala; ele não tem nenhum jornal ou livro no colo. Estão ali exclusivamente para conversar um com o outro. Olham a rua distraidamente. O fundamental são eles mesmos, conversando (pouco), sentados nas cadeiras de vime, num dia de semana como qualquer outro.

   É, nem tudo está perdido, pelo contrário, se ainda resta gente que pode e quer cultivar essas delicadas flores do espírito, comentando isso e aquilo, o namoro da empregada, a nova receita de bolo, o último capítulo da novela, o preço da alcatra – esquecida de tudo que é triste e feio e ruim, de tudo que não cabe naquele alpendre úmido. Velhinhos na varanda...

   Enquanto almoçamos, fico imaginando que não há de faltar muito para cumprirem as bodas de ouro; que os filhos se casaram; que devem reunir-se todos no sobrado, para o ajantarado de domingo, gente madura, jovens, meninos, bebês e babás, em torno dos dois velhinhos. Talvez tenham perdido uma filha ainda adolescente, vítima de alguma doença estranha que os médicos não souberam diagnosticar. Talvez tenham feito uma longa viagem à Europa depois que ele se aposentou, ou passado uma temporada nos Estados Unidos quando o caçula esteve completando o PhD. Talvez nada disso. Fico imaginando, mas nenhuma dessas histórias me seduz. Gostei mesmo é do que vi: o casal de velhinhos conversando na varanda.

  Comemos quase em silêncio, meu amigo e eu, sem reparar se a massa estava gostosa. À saída passamos diante do sobradinho, em cujo alpendre não havia mais ninguém.


(Coleção Melhores Crônicas: Maria Julieta Drummond de Andrade. Seleção e prefácio de Marcos Pasche. Global, 2012, pp.187-190. Publicada no livroUm buquê de alcachofras, 1980.)
Diz-se de pleonasmo a redundância, ocasionada por razões estilísticas ou viciosas, quanto ao emprego de expressões em um texto. Segundo definição do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, trata-se da “repetição de um termo anteriormente expresso ou de uma ideia já sugerida, com o objetivo de conferir mais vigor ou ênfase à linguagem”. Um exemplo de trecho no qual essa figura de linguagem pode ser identificada se dá em:
Alternativas
Q2345883 Português
As frases abaixo mostram palavras sublinhadas de valor semântico negativo; assinale a frase em que a substituição da palavra por outra de valor mais suave foi feita de forma adequada. 
Alternativas
Respostas
901: A
902: A
903: D
904: D
905: E
906: C
907: D
908: A
909: B
910: B
911: A
912: B
913: B
914: B
915: A
916: D
917: C
918: B
919: C
920: C