Questões de Concurso Comentadas sobre figuras de linguagem em português

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Q2402966 Português
Texto


O envelhecer e seus impactos na sociedade



Publicado em 19/02/2024 às 06:00.
Viviane Gago*



          Quando jovens, muito comumente pensamos e sentimos que somos imortais; e não pensamos na velhice, na morte; que é bom e ruim.
         No meu atual ciclo de vida, entrei na década dos 50 anos de idade, pego-me pensando sobre o envelhecer, que como tudo possui aspectos legais e não tão legais, positivos e negativos; por isso decidi falar um pouco sobre isso este mês.
         O etarismo, também conhecido como discriminação etária, refere-se à prática de julgar ou discriminar indivíduos com base em sua idade, afeta os jovens e os mais velhos, aqui focarei mais nestes últimos.
       As causas desse fenômeno são multifacetadas e podem incluir estereótipos culturais enraizados, preconceitos sociais, a busca pela juventude idealizada, crenças como idosos não podem trabalhar, idosos são frágeis e não conseguem resolver suas necessidades básicas, os mais velhos nada têm a contribuir etc.
       O preconceito afeta a saúde mental da pessoa porque ela tende a ficar em isolamento, não se sente confortável no ambiente onde ela é basicamente rejeitada por ter mais de 60 anos de idade, isso pode inclusive levar à depressão, uma vez que a pessoa muitas vezes pode não sentir coragem de externar o que realmente pensa e sente; especialmente aqueles que têm poucos recursos.
      Enquanto jovens adultos podem receber salários mais baixos, por serem considerados menos experientes, as pessoas mais velhas podem ter problemas para conseguir promoções ou encontrar trabalho. Isso tudo afeta diretamente a dignidade dessas pessoas; pois a levam para uma má qualidade de vida.       
         Lembremo-nos de algumas leis que protegem o idoso, a exemplo do artigo 96 da Constituição Federal, que aliás muita gente desconhece e dispõe que “Discriminar pessoa idosa, impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias, aos meios de transporte, ao direito de contratar ou por qualquer outro meio ou instrumento necessário ao exercício de cidadania, por motivo de idade: Pena – reclusão de 06 (seis) meses a 1 (um) ano e multa”. Existe também o Estatuto do Idoso que o protege e há um Projeto de Lei 3.549/2023 – Câmara dos Deputados que preceitua que o etarismo é a discriminação praticada contra indivíduos ou grupos de pessoas com base em estereótipos associados à idade.           Uma das formas de combater esse preconceito etário é conscientizar a população sobre os problemas que ele pode criar, aliás desnecessariamente, pois, com relação aos mais velhos, eles possuem enorme experiência de vida, privilégio que nem todos teremos, essas pessoas podem ter uma “bagagem” que muito pode agregar em qualquer cenário pessoal e/ou mercadológico. Lembremos do filme “Um senhor estagiário”, um dos aspectos principais é a união de gerações, a ideia de que a experiência e a juventude podem coexistir e se complementar. Ben, com sua experiência e calma, se contrapõe à agitada e moderna realidade da startup de Jules.
        O fato é que, pelo menos no meu entorno, vejo as pessoas viverem por muitos e muitos anos, com uma saúde mental e lucidez invejáveis, para terem uma ideia agora dia 03/02/24 fui convidada diretamente pela aniversariante, minha tia Reny, para o seu aniversário de 95 anos de plena elegância, lucidez e sabedoria, dia 17/02/24 fui convidada para os 90 anos da Tia Maura, mãe de um amigo querido, minha sogra com 83 anos é lúcida, minha tia Neter com 94 anos, minha tia Dirce com 91 anos, cheia de opinião, bonita, arrumada, voz firme e acompanha as mídias sociais; e tudo isso pertinho de mim para testemunhar a longevidade dessas mulheres
        O nosso país, além de ter de melhorar em muitos aspectos a exemplo da educação e do combate à corrupção, da melhora da malha logística do país, precisa também criar ferramentas, meios de melhorar também a qualidade de vida dos idosos, promovendo atividades culturais, acessibilidade, cursos, grupos, programas voltados para eles, assim como outros países já o fazem há muito tempo a exemplo da Suíça, Noruega, Suécia, Alemanha dentre outros.
        Interessante abrir um parêntese para falar sobre como o idoso é visto no Japão, a velhice é sinônimo de sabedoria, a cultura do idoso oriental têm como tradição cuidar bem e reverenciar os idosos, fruto de aspectos milenares em que dignidade e respeito são valores cultuados por eles.
          Vamos parar e pensar antes de expressar frases como “Você não tem mais idade para isso”, “Você não aparenta ter essa idade”, “Depois de certa idade”, “Você está bem/ bonita para sua idade”, dentre outras; que só tem como finalidade colocar as pessoas para baixo.
         E para finalizar compartilho que essa semana em que vi meu padrinho partir com 77 anos e também celebrei os 60 anos de uma amiga querida, pude trocar com minha amiga desde a adolescência várias coisas importantes sendo uma delas a reflexão relacionada ao fato de que quanto mais avançamos na caminhada da nossa vida devemos buscar sabedoria para nos adaptar aos diferentes ciclos e momentos de nossas vidas, simplificar nossa vida como um todo inclusive avaliando sobre o que precisamos e o que não precisamos material e espiritualmente em nossas vidas e lutar para manter ao máximo nossa autonomia e independência.
        Abraços e boas reflexões para todos. Como diz Oswaldo Montenegro: “Se puder, envelheça”: .... ficar velho é sacar nossa própria desimportância”. Algo importante de pontuar em um mundo onde as pessoas têm uma vaidade, arrogância e falta de sabedoria implacáveis e destrutivas para consigo e para com os outros. 


* Advogada e consteladora pelo Instituto de Psiquiatria da USP (IPQ/USP).
Disponível em https://www.hojeemdia.com.br/opiniao/opiniao/o-envelhecer-e-seus-impactos-na-sociedade-1.1000415. Adaptado.
No trecho do Texto “Quando jovens, muito comumente pensamos e sentimos que somos imortais; e não pensamos na velhice, na morte; que é bom e ruim.”, a Autora fez uso de uma figura de linguagem denominada
Alternativas
Q2401374 Português
Texto 1


Brusque é a quarta melhor cidade de médio porte do Brasil


Brusque é a quarta melhor cidade de médio porte do Brasil e a segunda no território catarinense. É o que aponta o Anuário da Revista ISTOÉ, que baseia a informação em pesquisa feita em todos os 5.565 municípios do país. O levantamento traz uma radiografia nacional, considerando áreas diretamente afetadas por políticas públicas: social, econômica, fiscal e digital.

Na avaliação do nível de desenvolvimento socioeconômico brasileiro, as cidades são divididas em três grupos: grande, médio e pequeno porte. Na categoria das cidades brasileiras de médio porte, Brusque ocupa a quarta colocação.

A liderança coube a outra cidade catarinense, Jaraguá do Sul. Em segundo lugar, aparece São Caetano do Sul e, em terceiro, Valinhos, ambas de São Paulo. E completa o chamado ‘top 5’ do ranking nacional, a cidade paranaense de Toledo. Todas as informações sobre a pesquisa e a íntegra do ranking vão ser conhecidos com a publicação da próxima edição da Revista ISTOÉ.

Para o prefeito Ari Vequi, a cidade de Brusque recebe com grande alegria a informação. “É motivo de muito orgulho, entre mais de cinco mil municípios do Brasil inteiro, estarmos nessa colocação”, comemora. Para ele, este reconhecimento também serve de estímulo para continuar o trabalho que é feito na cidade. “Nos anima muito a continuar fazendo o trabalho do dia a dia, porque o resultado está aí, a prova é que os índices nos elevam também a qualidade de vida da nossa população”.

Para formar o ranking, segundo a publicação, “foram considerados, ao todo, 281 indicadores relacionados às áreas social, econômica, fiscal e digital e permite hierarquizar as cidades com foco na igualdade das oportunidades entre seus habitantes”. E completa que as informações foram extraídas de fontes primárias públicas, como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Secretaria do Tesouro Nacional (STN), Datasus, Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Ministério do Trabalho e Emprego (TEM), entre outras.


Disponível em: https://www.brusque.sc.gov.br/noticias/brusquee-a-quarta-melhor-cidade-de-medio-porte-do-brasil-e-a-segundaem-santa-catarina-em-levantamento-de-publicacao/. Acesso em: 05 de fev 2024. Adaptado.
Assinale a alternativa na qual a figura de linguagem foi identificada corretamente.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: Instituto Darwin Órgão: Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE Provas: Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Analista de Controle Interno | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Médico Clínico Geral Hospitalar | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Médico Endocrinologista | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Médico Gastroenterologista Hospitalar | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Médico Neurologista | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Médico Oftalmologista | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Médico Ortopedista | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Médico Radiologista | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Médico Vascular | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Enfermeiro Hospitalar | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Enfermeiro | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Farmacêutico | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Fisioterapeuta | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Fonoaudiólogo | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Terapeuta Ocupacional | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Educador Físico | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Biomédico | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Médico Reumatologista Hospitalar | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Assistente Social | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Médico Urgência e Emergência Hospitalar | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Médico Cardiologista | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Médico Cirurgião Obstetra Hospitalar | Instituto Darwin - 2024 - Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe - PE - Médico Psiquiatra |
Q2398353 Português
Texto

Filme Oppenheimer (2023, Christopher Nolan)


          Christopher Nolan utilizou, como base para o roteiro desta cinebiografia, o livro biográfico de J.R. Oppenheimer. A obra ganhou diversos prêmios, em especial a conquista de um Prêmio Pulitzer, na categoria “Biografia ou Autobiografia”, em 2006. A biografia do físico teórico foi escrita a quatro mãos pelos autores Kai Bird e Martin J. Sherwin, durante um período de vinte e cinco anos.
           Quando lemos ou escutamos o nome bomba atômica, é inevitável pensar, lá no início da segunda metade da década de 1940, no final da Segunda Guerra Mundial, nos ataques nucleares dos Estados Unidos da América às cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Do avião bombardeiro B-29, o “Enola Gay”, foi lançada na primeira cidade a bomba de codinome “Little Boy” (bomba de fissão de urânio), no dia 6 de agosto de 1945. Em 9 de agosto do fatídico ano, apenas três dias após o primeiro ataque nuclear da história, outro avião bombardeiro B-29 (apelidado de ‘Bockscar‘, ou ‘Bock’s Car‘) lançou sobre a segunda cidade nipônica a bomba de fissão de plutônio, apelidade de “Fat Man”.
            Essas duas bombas lançadas sobre as cidades japonesas foram as únicas até então a serem utilizadas durante uma guerra. Antes de utilizá-las para valer, os Estados Unidos conduziram o primeiro teste de arma nuclear dentro do “Projeto Manhattan”, no dia 16 de julho de 1945, no Novo México, em que foi posta em prática a experiência “Trinity”, nome da bomba de plutônio de implosão, o mesmo tipo de arma utilizada posteriormente em Nagasaki (Japão).
         Logo após a passagem da onda de choque da Experiência “Trinity”, instaurou-se a “Era Atômica”, designada “Era Nuclear”. Esse período da história – também conhecida como “Idade Atômica” – foi intensificado após a utilização em larga escala da tecnologia nuclear que culminou na destruição em massa das cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, e das milhares de pessoas mortas (cálculos conservadores estimam que até o último mês de 1945 haviam cerca de 110 mil pessoas mortas, em ambas as cidades; outros estudos calculam mais de 210 mil vidas ceifadas).
        (...) Os acontecimentos resumidos acima e seus diversos personagens fazem parte do roteiro adaptado de Christopher Nolan e estão – e são – representados na esplendorosa captação de som e imagem assinadas pela grife C. Nolan em parceria com o compositor de cinema sueco Ludwig Göransson, o diretor de fotografia holandês Hoyte van Hoytema e a constelação de superelenco, que tem como estrela mais brilhante o ator irlandês Cillian Murphy.
        A semelhança física de Murphy e seu personagem-título incrementa a sua potência interpretativa, que aliás adentra ao íntimo caótico do biografado; as cenas e imagens, em que somos os intrusos dentro da cabeça do criador da bomba atômica, captam lapsos de tensão e terror imaginados na consciência do homem diante do dilema em torno da potencialidade destrutiva que a sua criação provocará às pessoas, ao mundo e ao próprio criador um fardo do qual Chris Nolan capta profundamente nas cenas do Teste Trinity, momento em que, meio do deserto do Novo México, é detonada a primeira bomba atômica; sequência onde a junção do design de som e imagem conjugam-se concomitante.
       É claro o saber quanto ao clímax do filme, espera-se ver – e principalmente escutar – o detonar e a sequência explosiva da bomba atômica (Trinity), neste momento somos surpreendidos pela inteligência da direção à maneira como nos é transmitida a explosão, no momento derradeiro o sistema de som da sala de cinema é tomada pelo peso do silêncio perturbador, momento em que somos impactados por uma onda de consciência que imagino levar a um pensamento coletivo diante das consequências de que o sucesso do Teste Trinity causaria futuramente, tratando-se de uma arma de guerra impiedosa, de poder destrutivo capaz de aniquilar do tempo e espaço qualquer coisa ou ser. A chegada estrondosa do som oriundo da detonação da bomba atômica Trinity estremece a alma.
        Apesar de achar os longínquos 180 minutos de duração, essas 3 horas de filme transcorrem imperceptíveis no tempo, o banheiro e o bocejo ficam para segundo plano, no transcorrer dos créditos finais, graças à inquestionável qualidade técnica e narrativa já tantas fezes aprovadas em produções anteriores assinadas por Nolan & Cia.
         Albert Einstein é o gênio da física que se faz presente na biografia de J. Robert Oppenheimer, sua participação é pontual e em ação transmite carisma através da interpretação de Tom Conti. Para mim, caso no futuro venha ser produzido cinebiografia do pai da Teoria da Relatividade, o ator deve repetir o seu personagem. Ainda neste bloco, faço questão de trazer à tona outros atores que merecem os elogios devido a excepcional prestação de serviço executada em cena: Florence Pugh como Jean Tatlock, Emily Blunt como Kitty Oppenheimer, Josh Hartnett como Ernest Lawrence, Kenneth Branagh como Niels Bohr, Matt Damon como Leslie Groves e uma das melhores performances dele, Robert Downey Jr. como Lewis Strauss.
       Os envolvidos no departamento de som merecem os aplausos, pois um dos quesitos técnicos de maior destaque cai sobre os ombros dos profissionais responsáveis pelo departamento design de som. As diversas explosões de bombas ouvidas ao longo do filme são sentidas com tamanha perfeição sonora que quem escuta chega até a esboçar uma reação de tapar os ouvidos tamanho é o realismo do som. (...)
       Os diálogos carregados em meio a toda tensão nos entregam interpretações de uma régua de qualidade artística no patamar das mais elevadas; o dilema moral está no centro do filme, raciocínio perturbador que ocupa um espaço significativo dentro da cabeça brilhante de J. Robert Oppenheimer, todo o seu conhecimento teórico de mecânica quântica e física é materializado na bomba atômica. Nos minutos finais do filme, várias questões que incluem jogo político, traição, conspiração, investigação e julgamento ficam claras e totalmente expostas dentro e fora de Los Alamos. (...)
        Dentro do roteiro desta produção, surgem várias frases de efeitos, muitas delas já ouvidas pelo público em geral, que causam impacto quando vistas e ouvidas, muitas são verdadeiros estopins para reflexões filosóficas sobre o futuro do mundo após a invenção bélica, causa de interesse principal de muitas pessoas em assistir a esta produção épica. Dessas frases, destaco a fala de J. Robert Oppenheimer: “Agora eu me tornei a Morte, a destruidora de mundos”.
        Na cena final, é perceptível o peso do mundo jogado com todas as forças sobre as costas do “pai da bomba atômica”, junto do seu “descarte”, por parte do governo estadunidense, uma vez comprovada o sucesso do nascimento do seu “filho”. É devastador ver através da expressão final de J. Robert Oppenheimer a visão dele quanto ao futuro do mundo. (...) 



 Disponível em https://www.leiaeassista.com.br/resenha-do-filme-oppenheimer-2023-christopher-nolan/.Adaptado
No trechoAgora eu me tornei a Morte, a destruidora de mundos.”, extraído do Texto, o comentarista fez uso de uma figura de linguagem na expressão em destaque denominada 
Alternativas
Q2395780 Português
TEXTO III


INIMIGOS

        O apelido de Maria Teresa, para o Norberto, era “Quequinha”. Depois do casamento, sempre que queria contar para os outros uma de sua mulher, o Norberto pegava sua mão, carinhosamente, e começava:
          — Pois a Quequinha...
          E a Quequinha, dengosa, protestava:
          — Ora, Beto!
        Com o passar do tempo, o Norberto deixou de chamar a Maria Teresa de Quequinha. Se ela estivesse ao seu lado e ele quisesse se referir a ela, dizia:
          — A mulher aqui...
          Ou, às vezes:
          — Esta mulherzinha...
          Mas nunca Quequinha.
         (O tempo, o tempo. O amor tem mil inimigos, mas o pior deles é o tempo. O tempo ataca em silêncio. O tempo usa armas químicas.)
          Com o tempo, Norberto passou a tratar a mulher por “Ela”.
           — Ela odeia o Charles Bronson.
           — Ah, não gosto mesmo.
          Deve-se dizer que o Norberto, a esta altura, embora a chamasse de Ela, ainda usava um vago gesto de mão para indicá-la. Pior foi quando passou a dizer “essa aí” e a apontar com o queixo. — Essa aí... E apontava com o queixo,
           — Essa aí...
          E apontava com o queixo, até curvando a boca com um certo desdém.(O tempo, o tempo. O tempo captura o amor e não mata na hora. Vai tirando uma asa, depois outra...)
         Hoje, quando quer contar alguma coisa da mulher, o Norberto nem olha na sua direção. Faz um meneio de lado com a cabeça e diz:
           — Aquilo...

VERÍSSIMO, Luís Fernando. Novas comédias da vida privada. Porto Alegre: L&PM,1996.p.70-71.
Analise o trecho: “O tempo captura o amor e não mata na hora. Vai tirando uma asa, depois outra...”. Nesse segmento do texto, há exemplos de linguagem figurada denominados:
Alternativas
Q2394665 Português
TEXTO II


MOTIVO


Eu canto porque o instante existe
E a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
Sou poeta.


Irmão das coisas fugidias,
Não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
No vento.


Se desmorono ou se edifico,
Se permaneço ou me desfaço,
___ não sei, não sei. Não sei se fico
Ou passo.


Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
___ mais nada.



MEIRELLES, Cecília. Viagem. In: Obra Poética.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1991. P. 228.

Analise os versos: “Se desmorono ou se edifico,/ Se permaneço ou me desfaço,/ Não sinto gozo nem tormento,”. Marque a alternativa que apresenta a figura de linguagem presente nesses versos:
Alternativas
Q2394441 Português

Leia atentamente o texto abaixo.



Doar é preciso



O debate sobre a doação de órgãos no país ganhou novos contornos com o transplante de coração realizado pelo apresentador Fausto Silva, em setembro de 2023. O fato de o Brasil ter o maior programa público de procedimentos desse tipo no planeta, sendo que 90% deles são realizados via Sistema Único de Saúde (SUS), não significa que inexistam desafios nessa complexa operação. Um dos fatores críticos que ainda impedem que mais cirurgias sejam feitas é o alto índice de recusa familiar – quando, após ser decretada a morte cerebral de uma pessoa, os parentes negam a retirada de seus órgãos e tecidos. A doação consta em lei. A legislação vigente remonta a 1997, mas foi alterada durante a gestão do presidente Michel Temer em 2017. O texto exige o consentimento da família para o uso de órgãos, de modo que não são válidas declarações pessoais em documentos como carteira de identidade ou motorista, nem mesmo registro em cartório.


Hoje, para se tornar doador, basta conversar com a família. São eles que, no momento do falecimento, terão a oportunidade de consentir com a documentação. Com as mudanças implementadas pelo decreto de 2017, também podem consentir os companheiros, sem  ............. necessidade de estarem oficialmente casados. Porém, com a decisão em mãos, quase metade das famílias no Brasil, ainda recusa ............. doação. Estimativas da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos ( ABTO ) mostram que 49% das famílias disseram não ao procedimento entre janeiro e junho de 2023. E os indicadores dos anos anteriores também não são animadores. Em 2022, o percentual ficou em 46%, um pouco acima de 2021, que fechou com 42% de negativas. A doação é encorajada por grande parte das religiões, domínio que, com certa frequência, é paradoxalmente relacionado ............. hesitação familiar.


Uma única doação de órgãos pode beneficiar mais de 8 pessoas. Já os tecidos podem contemplar dezenas de indivíduos com esse ato de caridade. Levando em consideração esses números, fica fácil entender o potencial perdido com a carência de doações. Não é ............. toa que tramita na Câmara de Deputados um projeto de lei que tornaria a autorização automática, caso não tenha sido documentada nenhuma manifestação em contrário em vida.


Nas listas de espera, existem milhares de cidadãos que têm a possibilidade de viver muitos anos com qualidade. O episódio de Faustão emocionou o país pelo poder de um gesto que salva vidas e pela celeridade do sistema quando ............. oferta e compatibilidade entre doador e receptor.


Assim, não é incomum que uma pessoa receba  um transplante antes de alguém que está esperando  ............. mais tempo. E isso não quer dizer, de forma alguma, que ela tenha “ furado a fila “, uma vez que o critério cronológico é apenas um dos indicadores avaliados – Faustão obteve seu novo coração tão rápido por essa sinergia de fatores, não por ter pago por um órgão, como algumas falsas notícias foram divulgadas.



vejaSaúde, Editora Abril; São Paulo, edição 496, outubro de 2023. Adaptado.

No enunciado “Helena tinha uma risada muito gostosa! “, temos um exemplo de figura de linguagem denominada:
Alternativas
Q2393487 Português

Leia o Texto 3 para responder à questão. 




Texto 3



06.png (397×113)




Disponível em: <https://biaburin.medium.com/10-tirinhas-em-que-armandinho-nos-faz-refletir-sobre-quest%C3%B5es-importantes-e-atuais-dd3f4c4e18de>.

Acesso em: 18 dez. 2023.


Sobre a construção do sentido humorístico da tirinha, o aspecto essencial para seu entendimento é
Alternativas
Q2393485 Português
Leia o Texto 2 para responder à questão. 



Texto 2



Cultura do ‘melhor aluno’ prejudica maioria dos estudantes no Brasil?



Letícia Mori




A educação no Brasil não é pensada para garantir o sucesso de todos os alunos, mas para privilegiar os que são considerados os “melhores” estudantes. Essa é a conclusão do pedagogo Ocimar Munhoz Alavarse, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Avaliação Educacional (Gepave). Ele chama essa postura de “pensamento olímpico”, porque certos alunos seriam educados para serem os “campeões” — como se a educação fosse uma Olimpíada — enquanto as necessidades da maioria dos alunos seriam deixadas de lado. Como consequência, diz Alavarse, os “melhores alunos” recebem mais atenção, incentivo e elogios para potencializar seu desenvolvimento, enquanto alunos com mais dificuldades são deixados para trás.


Alavarse diz que, embora o “pensamento olímpico” não faça parte oficialmente de uma política educacional, é algo arraigado e bastante comum no comportamento de muitos professores, diretores, gestores escolares e políticos. “É claro que nos documentos oficiais ninguém assume uma postura seletiva para a escolarização, mas todo mundo que já esteve em uma sala dos professores sabe que sempre existe o que é considerado o ‘bom aluno’”, afirma. “Sempre existem aqueles que acreditam que a escola é para escolher os melhores”. Um exemplo seria as políticas públicas que premiam professores conforme os bons resultados dos seus alunos, segundo o pesquisador. 


“É uma ideia totalmente equivocada”, diz ele, “porque não faz sentido exigir performance dos professores sem fornecer as condições mínimas de trabalho e de estrutura” [...]. Alavarse diz que um equívoco comum é considerar as avaliações em si a raiz do problema – o que não é o caso, diz ele. A lógica “olímpica” para a educação não vem de haver testes, mas da forma como se leem os resultados desses testes, afirma. “É preciso sim que haja avaliações internas e externas – não para ranquear os alunos ou escolas, mas para entender adequadamente quais as necessidades e podermos definir quais as ações pedagógicas necessárias para garantir o sucesso de todos”, diz ele. 



Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3g2enkn8l3o>.
Acesso em: 21 dez. 2023.
No trecho “certos alunos seriam educados para serem os “campeões” — como se a educação fosse uma Olimpíada”, é possível identificar o segmento em destaque como o processo de produção de sentido denominado
Alternativas
Q2385749 Português
Sobre Figuras de Linguagem, assinale a alternativa que contém uma hipérbole. 
Alternativas
Q2384338 Português
O maiúsculo e o minúsculo








Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1305200117.htm. Acesso em 11 nov.2023. Adaptado.
Quando o autor denomina seus eixos temáticos de “O maiúsculo e o minúsculo”, ele o faz por meio de um processo de substituições, valendo-se de uma relação de sentido entre tais palavras e a discussão que irá realizar. Dessa forma, há o uso de uma figura de linguagem denominada de 
Alternativas
Q2382057 Português
Assinale a alternativa que indica um exemplo de Catacrese.
Alternativas
Q2380737 Português
Assinale a frase a seguir em que os termos sublinhados não formam uma antítese. 
Alternativas
Q2377321 Português
QUANDO VOCÊ PASSA


Esse turu, turu, turu aqui dentro
Que faz turu, turu, quando você passa
Meu olhar decora cada movimento
Até seu sorriso me deixa sem graça

Se eu pudesse te prender
Dominar seus sentimentos
Controlar seus passos
Ler sua agenda e pensamento
Mas meu frágil coração
Acelera o batimento
E faz turu, turu, turu, turu, turu, turu, tu

Se esse turu tatuado no meu peito
Gruda e o turu, turu, turu, não tem jeito
Deixa sua marca no meu dia a dia
Nesse misto de prazer e agonia

Nem estou dormindo mais
Já não saio com os amigos
Sinto falta dessa paz
Que encontrei no seu sorriso
Qualquer coisa entre nós
Vem crescendo pouco a pouco
E já não nos deixa sós
Isso vai nos deixar loucos

(...)

Disponível em: https://www.letras.mus.br/sandy-e-junior-musicas/107516/
Dado o excerto:
“Deixa sua marca no meu dia a dia Nesse misto de prazer e agonia (...)”
Assinale a figura de linguagem reconhecível no fragmento:
Alternativas
Q2377320 Português
QUANDO VOCÊ PASSA


Esse turu, turu, turu aqui dentro
Que faz turu, turu, quando você passa
Meu olhar decora cada movimento
Até seu sorriso me deixa sem graça

Se eu pudesse te prender
Dominar seus sentimentos
Controlar seus passos
Ler sua agenda e pensamento
Mas meu frágil coração
Acelera o batimento
E faz turu, turu, turu, turu, turu, turu, tu

Se esse turu tatuado no meu peito
Gruda e o turu, turu, turu, não tem jeito
Deixa sua marca no meu dia a dia
Nesse misto de prazer e agonia

Nem estou dormindo mais
Já não saio com os amigos
Sinto falta dessa paz
Que encontrei no seu sorriso
Qualquer coisa entre nós
Vem crescendo pouco a pouco
E já não nos deixa sós
Isso vai nos deixar loucos

(...)

Disponível em: https://www.letras.mus.br/sandy-e-junior-musicas/107516/

Dado o excerto:


“Esse turu, turu, turu aqui dentro Que faz turu, turu, quando você passa (...)”


Assinale a figura de linguagem reconhecível no fragmento:

Alternativas
Q2375587 Português
Assinale a frase que mostra uma estrutura de antíteses. 
Alternativas
Q2373513 Português
TEXTO 2


Os certinhos e os seres do abismo

Luís Fernando Veríssimo


           Era assim no meu tempo de frequentador de aulas ("estudante" seria um exagero), mas não deve ter mudado muito. A não ser quando a professora ou o professor designasse o lugar de cada um segundo alguma ordem, como a alfabética – e nesse caso eu era condenado pelo sobrenome a sentar no fundo da sala, junto com os Us, os Zs e os outros Vs –, os alunos se distribuíam pelas carteiras de acordo com uma geografia social espontânea, nem sempre bem definida, mas reincidente.

            Na frente sentava a Turma do Apagador, assim chamada porque era a eles que a professora recorria para ajudar a limpar o quadro-negro e os próprios apagadores. Nunca entendi bem por que se sujar com pó de giz era considerado um privilégio, mas a Turma do Apagador era uma elite, vista pelo resto da aula como favoritos do poder e invejada e destratada com a mesma intensidade. Quando passavam para os graus superiores, os apagadores podiam perder sua função e deixar de ser os queridinhos da tia, mas mantinham seus lugares e sua pose, esperando o dia da reabilitação, como todas as aristocracias tornadas irrelevantes.

          Não se deve confundir a Turma do Apagador com os Certinhos e os Bundas de Aço. Os certinhos ocupavam as primeiras fileiras para não se misturarem com a Massa que sentava atrás, os bundas de aço para estarem mais perto do quadro-negro e não perderem nada. Todos os apagadores eram certinhos, mas nem todos os certinhos eram apagadores, e os bundas de aço não eram necessariamente certinhos. Muitos bundas de aço, por exemplo, eram excêntricos, introvertidos, ansiosos – enfim, esquisitos. Já os certinhos autênticos se definiam pelo que não eram. Não eram nem puxa-sacos como os apagadores, nem estranhos como os bundas de aço, nem medíocres como a Massa, nem bagunceiros como os Seres do Abismo, que sentavam no fundo, e sua principal característica eram os livros encapados com perfeição.

             Atrás dos apagadores, dos certinhos e dos bundas de aço ficava a Massa, dividida em núcleos, como o Núcleo do Nem Aí, formado por três ou quatro meninas que ignoravam as aulas, davam mais atenção aos próprios cabelos e, já que tinham esse interesse em comum, sentavam juntas; o Clube de Debates, algumas celebridades (a garota mais bonita da aula, o cara que desenhava quadrinho de sacanagem) e seus respectivos círculos de admiradores, e nós do Centrão Desconsolado, que só tínhamos em comum a vontade de estar em outro lugar.

            E no fundo sentavam os Seres do Abismo, cuja única comunicação com a frente da sala eram os ocasionais mísseis que disparavam lá de trás e incluíam desde o gordo que arrotava em vários tons até uma proto-dark, provavelmente a primeira da história, com tatuagem na coxa.

              Mas isso, claro, foi na Idade Média.


Disponível em:<http://veja.abril.com.br/especiais/jovens> . Acesso em: 10 abr. 2023. 
Considerando-se a progressão entre os parágrafos, é correto afirmar que o último parágrafo
Alternativas
Q2372783 Português

Texto II

Kafka 2023


Certa manhã, Franz acordou de sonhos intraquilos.

 

    “Quando certa manhã...”. Touuuuummm (alerta de zap). “Franz, aqui é Adilene, secretária da Dra. Myrian, gostaria de confirmar sua consulta amanhã, às 10:30”. “Olá, Adilene. Está confirmado. Tem onde parar o carro?”.

   “Quando certa manhã Gregor Samsa...”. Ploim (alerta de e-mail). “Franzêra, pra dividir os gastos da festa surpresa da Felice eu fiz um Splitwise. Baixa o app e coloca lá as suas despesas. Beijos do seu brother máximo, Max Brod”. “Caro Max, não sei usar essas ferramentas. Me manda a conta e eu pago. Obrigado. PS. Vc acha que a Felice gostou?”

    “Quando certa manhã Gregor Samsa acordou...”. Brrrrrrrrr (alerta da BBC). Cientistas da Universidade Católica de Brandeburgo realizam o primeiro transplante total de cílios em roedores. A experiência é um marco na oftalmologia, pois...”.

   “Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos...”. Touuuuummm (alerta de zap). “Já pensou em morar numa casa com piscina a apenas 27 minutos de São Paulo? Pois a Gardência Inc. acaba de lançar o condomínio Gardênica Garden Barueri.”

    “Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilo, encontrou-se...”. Prrrrrrrr. Prrrrrrrr. Prrrrrrrr (celular vibrando em cima da mesa). Uma voz distante: “Alô, Claudinha?”. Gritaria de crianças ao fundo. “Não tem ninguém aqui com esse nome.”. “Esse não é o celular da Claudinha?”. “Já disse, é engano”. “Ô, Lurdes! Tem um homem aqui falando que não é a Claudinha, mas foi a Claudinha mesmo que me deu esse...”.

    “Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama...”. Brrrrlum (alerta de DM no Twitter/X). “FALA FRANZ AQUI E O GUIGAO A GENTE ESTUDOU NO QUINTAL DAS ARTES SEU APELIDO ERA ZOREBA KKKKK!!!!!! E AI VOCE TEM VISTO O PESSOAL KKK ?????”.

  “Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num...” Touuuuummm (alerta de zap): “Não tem onde parar no consultório, mas nós temos convênio com o Estapar do Bradesco, só lembra de carimbar o ticket na saída”. Touuuuummm (alerta de zap) “Claro que a Felice gostou, Franzêra! Você é que foi muito lerdo, vacilão!”.

    Franz abandonou o word e abriu o Instagram. Queria ver pela milésima vez as mesmas fotos de Felice, mas os dois primeiros posts eram, respectivamente, veja só, da Adilene (num caiaque) e do Max Brod (uma lasanha), Franz logo se esqueceu do que tinha ido fazer e seguiu no feed. “Veja como secar com JEJUM INTERMITENTE!”. Depois o vídeo de um gato vestido de mágico saindo de uma cartola. Depois, uma moça de biquini se contorcendo para mostrar a bunda e o peito ao mesmo tempo, segurando um livro do Proust: “Pondo a leitura em dia!”. Depois, uma turma do escritório amontoada numa selfie no barco viking no Hopi Hari.

    Quando certa manhã Frans Kafka acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num poema monstruoso: “Andorinha lá fora está dizendo:”/“Passei o dia à toa, à toa! // Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!”/“Passe a vida à toa, à toa...”.


(PRATA, Antônio. Folha de S. Paulo. Em: 19/11/2023.) 


Notas:
Franz Kafka foi um escritor boêmio de língua alemã, autor de romances e contos, considerado pelos críticos como um dos escritores mais influentes do século XX. “A metamorfose” é a mais célebre novela de Franz Kafka e uma das mais importantes de toda a história da literatura. Sem a menor cerimônia, o texto coloca o leitor diante de um caixeiro-viajante – o famoso Gregor Samsa – transformado em inseto monstruoso. A partir daí, a história é narrada com um realismo inesperado que associa o inverossímil e o senso de humor ao que é trágico, grotesco e cruel na condição humana – tudo no estilo transparente e perfeito desse mestre inconfundível da ficção universal.

(Fonte: Amazon.com.br)


No texto II, a figura de linguagem predominante, recorrente e que está diretamente vinculada à compreensão dos efeitos dos meios eletrônicos na vida do narrador é:
Alternativas
Q2370997 Português
Mudanças na operação da propaganda comercial


      Em seus começos, em fins do século XIX, a propaganda comercial sublinhava e elogiava as qualidades do produto: apresentava, por exemplo, os efeitos curativos dos remédios, o conforto de uma mobília, o bom gosto de uma peça de roupa em moda. Como na era da sociedade industrial os produtos eram valorizados por sua durabilidade, a propaganda tendia __I__ inventar uma imagem duradoura que garantisse o reconhecimento imediato do produto e fosse facilmente repetida. Essa “marca” podia ser um desenho, um slogan, uma pequena melodia, uma rima. A propaganda também buscava afirmar o produto trazendo o nome do fabricante como garantia da qualidade ou da exclusividade.

          Para entendermos a mudança ocorrida na forma da propaganda, precisamos levar em conta a passagem da sociedade industrial __II__ pós-industrial. Com o aumento da competição entre produtores e distribuidores, com o crescimento do mercado da moda (que não se restringe mais ao vestuário) e, sobretudo, __III__ medida que pesquisas de mercado indicavam que as vendas dependiam da capacidade de manipular desejos do consumidor e até mesmo de criar desejos nele, a propaganda comercial foi deixando de apresentar o produto propriamente dito (com suas propriedades, qualidades, durabilidade) para afirmar os desejos que ele realizaria: sucesso, prosperidade, segurança, juventude eterna, beleza, atração sexual, felicidade. Em outras palavras, a propaganda ou publicidade comercial passou __IV__ vender imagens e signos, e não as próprias mercadorias.

         Por exemplo, em lugar do sabonete e do desodorante, surge a imagem da sensualidade da mulher ou do homem que os usam. O automóvel é apresentado como prova de sucesso, charme e inteligência do consumidor.

           A propaganda comercial também se apropria de atitudes, opiniões e posições críticas ou radicais existentes na sociedade, esvaziando seu conteúdo social ou político para investi-las num produto, transformando-as em moda consumível e passageira. Feminismo, guerrilha revolucionária, movimentos de periferia são transformados em qualidades que vendem produtos.

           Mas a publicidade não se contenta em construir imagens com as quais o consumidor é induzido a identificar-se. Ela as apresenta como realização de desejos que ele nem sabia que tinha e que passa a ter – uma roupa ou um perfume são associados a viagens a países distantes e exóticos ou a uma relação sexual fantástica; um utensílio doméstico ou um sabão em pó são apresentados como a suprema defesa do feminismo, liberando a mulher das penas caseiras; etc.


(CHAUI, Marilena. Iniciação à filosofia – 2. Ed. Ática, 2014. Adaptado.)
Em relação às ideias e estruturação do 1º período do texto “Em seus começos, em fins do século XIX, a propaganda comercial sublinhava e elogiava as qualidades do produto: apresentava, por exemplo, os efeitos curativos dos remédios, o conforto de uma mobília, o bom gosto de uma peça de roupa em moda.” (1º§), pode-se afirmar que:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: FGV Órgão: TJ-RJ Prova: FGV - 2024 - TJ-RJ - Mediador Judiciário |
Q2370275 Português
A antítese é uma figura de linguagem em que se opõem, numa mesma frase, palavras ou pensamentos de sentido contrário.

Segundo essa definição, há uma antítese na seguinte frase: 
Alternativas
Respostas
741: D
742: C
743: B
744: C
745: B
746: C
747: D
748: C
749: D
750: A
751: E
752: D
753: C
754: B
755: B
756: E
757: C
758: D
759: B
760: D