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Questões de Concurso Comentadas sobre crase em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 6.699 questões

Q3017624 Português
Há pouco tempo, o trecho Goiânia – Inhumas da GO-070 recebeu novas placas de retorno. Em todas elas, há a indicação da distância. Diferentemente do usual, há nelas os enunciados: “retorno à 70m”; “retorno à 100m”. O uso do acento grave indicativo de crase nessas placas foi usado de forma
Alternativas
Q3017385 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Pássaros, queijos e vinho podem causar doenças pulmonares

Não é apenas o seu trabalho que pode colocar você em risco de desenvolver certas doenças pulmonares. Às vezes, o que você faz no seu tempo livre também é responsável.

Um exemplo são os adeptos da criação de aves, que criam pombos para competições ou mantêm aves em casa como animais de estimação.

Se você for uma dessas pessoas, mantenha-se atento aos sintomas do peito, como tosse persistente ou respiração curta. E, se eles aparecerem, trate com seriedade.

A patologia que mencionamos aqui tem um nome sofisticado: alveolite alérgica extrínseca (AAE).

Resumidamente, trata-se de uma inflamação dos minúsculos sacos de ar do pulmão (os alvéolos), gerada por uma reação alérgica a uma partícula externa que entra no corpo. Ela tem várias características comuns com a asbestose: tosse, rigidez no peito e respiração curta.

A AAE é diagnosticada com imagens radiográficas. Em um raio X do peito, os campos do pulmão apresentam nebulosidade, com aparência similar a vidro moído.

A doença também é investigada com exames de sangue e um teste respiratório específico. Nele, o paciente sopra o ar em um tubo para medir seu volume pulmonar e o fluxo de ar durante a expiração. Chamamos este exame de espirometria.

A poeira das penas e as fezes das aves contêm proteínas aviárias que inflamam nossos pulmões quando inaladas. Elas vêm de diversas espécies de aves diferentes.

A inflamação é observada não só em criadores de pombos, mas também atinge produtores e vendedores de aves.

Mesmo os pássaros pequenos, como canários e periquitos, trazem risco, da mesma forma que as aves maiores, como calopsitas e papagaios.

A AAE também tem outras causas, além da inalação constante de partículas das aves. A lista é extensa e curiosa. Ela inclui uma série de alérgenos provenientes de diversos campos de atividade.

No setor de alimentos, por exemplo, imagine a inalação dos fungos da crosta de queijos azuis, que causa a doença conhecida como pulmão do queijeiro. Ou os fungos das uvas mofadas e o desenvolvimento de pulmão do vinicultor.

Partículas similares são liberadas por grãos de café, melaço, cogumelos e cevada. Cada uma delas cria sua própria forma de doença respiratória.

As pessoas que trabalham com capim seco ou feno − como os fazendeiros ou construtores de telhados de palha, por exemplo − também inalam fungos inflamatórios. Outras fontes incluem a serragem, fertilizantes e musgos.

Aparentemente, nem a música e a banheira quente estão totalmente livres de riscos.

Bactérias relacionadas àquelas que causam a tuberculose são inaladas de instrumentos de sopro feitos de latão ou da água quente borbulhante. Estas doenças são coloquialmente chamadas de pulmão do músico e pulmão da sauna.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cjeerg0n284o.adaptado. 
Bactérias relacionadas 'àquelas' que causam a tuberculose são inaladas de instrumentos de sopro.
Em relação ao sinal indicativo de crase na expressão destacada, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3016958 Português
Assinale a alternativa em que o uso da crase está correto, segundo a gramática normativa:
Alternativas
Q3016562 Português
Assinale a alternativa que contém o uso correto acento grave: 
Alternativas
Q3016552 Português
Assinale a alternativa que contém o uso incorreto do acento grave: 
Alternativas
Q3016516 Português
Assinale a opção em que a letra A sublinhada deve receber o acento grave indicativo de crase: 
Alternativas
Q3016512 Português
Identifique a alternativa incorreta quanto ao uso do acento grave indicativo de crase: 
Alternativas
Q3016492 Português
Assinale a alternativa correta quanto ao uso do acento grave:
Alternativas
Q3016461 Português
Assinale a alternativa correta quanto ao uso do acento grave, indicativo da ocorrência da crase:
Alternativas
Q3016452 Português
Assinale a alternativa que contém um erro quanto ao uso do acento grave que indica a ocorrência da crase:
Alternativas
Q3014819 Português
Texto 1A9


        Em uma sociedade em que a imagem pública e a privada constituem fatores preponderantes de prestígio, credibilidade e liderança, esses elementos estão, cada vez mais, permeando nossas vidas, nossas formas de agir e de decidir, que estão sob a vigilância de olhares sociais atentos e fiscalizadores. Os ritos e as cerimônias são elementos estratégicos a serviço da construção e da consolidação das imagens das organizações, que se apoiam na credibilidade e na aceitação social das ações e realizações desenvolvidas.
        O rito consiste em um conjunto de atos formalizados, expressivos e portadores de uma dimensão simbólica. É caracterizado por uma configuração espaço-temporal específica, por sistemas de linguagem e comportamentos específicos e por signos emblemáticos cujo sentido codificado constitui um dos bens comuns do grupo. O uso do rito é paralelo ao aparecimento da humanidade. 
        Em todas as sociedades, os grupos sociais participam de acontecimentos ou eventos especiais e únicos. Porém, para cada um desses grupos, os eventos têm um significado diferente. No Brasil, por exemplo, a Copa do Mundo e uma formatura são eventos com rituais reconhecidos por diferentes classes sociais e culturais. Um rito bem executado é mais que uma mera apresentação teatral. Usa elementos e símbolos e evoca a cultura e as crenças dos povos envolvidos.
        Os ritos podem ser vistos como algo que não se resume a repetições das coisas reais e concretas do mundo rotineiro. Como coisa real e concreta, consistem no que pode ser materializado e simbolizado. Exemplo disso é a troca de presentes entre personalidades de diferentes culturas ou o aperto de mão entre duas pessoas que se saúdam. Este protocolo é uma forma de comunicação na qual os participantes do processo denotam uma mensagem diplomática. Remete, ainda, ao protocolo elementar significativo de boas relações entre povos, governos ou grupos.
Internet: <uel.br>(com adaptações). 
No que se refere ao emprego do sinal indicativo de crase, a correção gramatical e a coerência do texto 1A9 seriam mantidas caso se substituísse
Alternativas
Q3010014 Português
Assinale a alternativa correta: 
Alternativas
Q3009823 Português
Segundo as regras de ocorrência ou não de crase, assinale a alternativa correta:
I. Escreveu à Machado de Assis. II. Faz tudo às pressas, em seu dia à dia. III. Prefiro pagar à vista, mas quando viajo pago à prazo. IV. Quero a redação à caneta, a prova à lápis. V. Vou à Lisboa dos meus pais queridos. VI. Recorreu as autoridades. 
Alternativas
Q3007014 Português
   As técnicas de memorização desempenham um papel crucial no processo de aprendizado, permitindo que os estudantes assimilem e retenham informações de forma mais eficaz.

    A memorização serve como um treino para o cérebro ser rápido, ágil e focado. Além de ser um treino mental para o cérebro, que é como um músculo que requer exercício para funcionar perfeitamente, a memorização ensina a mente a manter o foco ao lidar com todos os tipos de tarefas.

   Memorização é o processo de guardar informações na memória para que possam ser recuperadas em outro momento. Muitas vezes, isso é feito através da repetição e da prática, e pode ser uma ferramenta útil para aprender e reter conhecimento sobre assuntos variados, tais como fatos, vocabulário, fórmulas e procedimentos.

    Para algumas pessoas, pode ser mais fácil memorizar informações criando associações mentais ou usando técnicas mnemônicas, enquanto outras podem preferir usar recursos físicos, como cartões ou diagramas.

    O ato de memorizar faz com que sua mente se exercite, dando-lhe mais força para reter informações. Por exemplo, memorizar, durante um determinado período, os principais acontecimentos históricos no país em certa época, torna o cérebro receptivo à lembrança.

    Desenvolver a memória é um hábito saudável que melhora significativamente a qualidade de vida de um adulto, como mostra uma pesquisa realizada por pesquisadores do National Institute on Health and Aging. A pesquisa constatou que os adultos que treinaram a memória apresentaram melhores competências no dia a dia e melhor funcionamento cognitivo do que aqueles que não exercitam a memória, mesmo cinco anos após o treino.

   Os idosos conseguiram retardar o declínio cognitivo cerca de 7 a 14 anos praticando a memorização. Com isso, um adulto pode se manter consciente do seu ambiente, mesmo na velhice.

    A memorização é uma excelente forma de fortalecer o cérebro e melhorar sua capacidade de lembrar coisas e, quando combinada com a leitura dinâmica, poderá ajudá-lo a conseguir absorver mais informações em menos tempo.

    Assim como treinar na academia, exercícios consistentes e desafiadores são vitais para o cérebro permanecer em forma. Assim, um desafio como a memorização é uma ótima maneira de exercitar o cérebro para uma melhor preparação mental.

    Através de exercícios de memorização, os estudantes podem reter mais informações e, com a ativação repetida das estruturas de memória, você promove a plasticidade neural, também conhecida como neuroplasticidade, plasticidade cerebral e plasticidade neuronal.

   A neuroplasticidade pode ser influenciada por estímulos internos e externos, por meio da aprendizagem constante, e interfere na recuperação de pacientes após acidentes e traumas, como o AVC.


https://conexao.pucminas.br/blog/dicas/tecnicas-de-memorizacao/
[Questão Inédita] Assinale a alternativa em que o emprego da crase obedece à norma-padrão da língua portuguesa:
Alternativas
Q3006956 Português
Assinale a frase correta quanto à indicação de crase.
Alternativas
Q3006802 Português
O alarmante apagão docente

Há crescente escassez de professores qualificados, comprometendo o ensino.

    Em texto para o jornal português Diário de Notícias, o professor António Nóvoa afirmou que, das muitas profissões que desaparecerão no futuro, os professores não estarão nesse grupo. A partir disso, o pesquisador destaca o papel insubstituível do docente, mesmo diante de uma escola cada vez mais influenciada pelas tecnologias, que, de início, parecem ameaçar seu trabalho.
    De fato, em um cenário de transformações estruturais na educação, o professor é a base das mudanças – realidade exposta em estudos recentes de pesquisadores escoceses, os quais reforçam que reformas “de cima para baixo” são ineficazes, sendo necessária a liderança docente nesse caminho de inovação.
    Porém, há um contexto de desvalorização dessa classe no Brasil, especialmente no que diz respeito à formação inicial e à continuada, tornando a profissão cada vez menos atraente, satisfatória e, por fim, impactante.
    O apagão docente já é uma realidade preocupante no nosso cenário educacional. Estudos divulgados pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) indicam uma crescente escassez de professores qualificados, comprometendo a qualidade do ensino. Para ilustrar a gravidade da situação, há escolas pelo território brasileiro que enfrentam dificuldades para preencher vagas em disciplinas essenciais, como matemática e língua portuguesa, gerando turmas superlotadas, sobrecarga de trabalho e impactando negativamente o aprendizado e a equidade.
    Faltam, ainda, incentivo, definição clara da carreira, salários coerentes e condições de trabalho, contribuindo para o desinteresse, a desmotivação e a evasão de profissionais, além da dificuldade na atração de novos talentos para a carreira.
    A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) destaca a importância da valorização do educador e da promoção de uma formação de qualidade, além de ressaltar que o desenvolvimento profissional deve ser pautado por princípios éticos, políticos e estéticos, buscando a formação integral do estudante e a garantia de uma educação de qualidade.
    Destaca, ainda, a necessidade da reflexão sobre a prática pedagógica, que inclui novas metodologias ativas, abordagens como a cultura maker e a robótica, atualização constante e busca por aprimoramento profissional. Assim, deve-se fazer valer esse documento para reverter o jogo. Para isso, são necessárias políticas públicas efetivas e a compreensão do docente como agente crucial na construção de uma sociedade mais justa e desenvolvida, com medidas que busquem a valorização profissional e a preocupação com sua saúde física e mental.
    Para a valorização profissional, deve-se promover planos de carreira atrativos que ofereçam perspectivas de crescimento e valorizem sua experiência e qualificação, a exemplo da Secretaria Municipal da Educação de São Paulo, que se destaca nessa área. Convém, também, implementar programas de formação continuada de qualidade para a atualização e o aprimoramento de práticas e habilidades alinhadas à atualidade.
    Além disso, a saúde mental precisa ser considerada para promover o bem-estar dos educadores, visto que a sobrecarga, o estresse, a pressão por resultados e a falta de apoio emocional são fatores que podem impactá-los negativamente. Por isso, é fundamental adotar programas de apoio psicológico e acompanhamento emocional através de espaços de acolhimento e orientação profissional; promover a capacitação para o autocuidado, a gestão do estresse e da saúde mental para que possam lidar com as demandas diárias; e incentivar a prática de atividades físicas e de lazer. Criar espaços de interação entre os educadores também fortalece as relações de apoio e o sentimento de pertencimento.
    A educação é pilar essencial para o progresso da nação, e os docentes são cruciais nesse processo. Na verdade, ousamos dizer que educação se faz com professores no centro do debate. É urgente reconhecer e valorizar seu trabalho, garantindo condições necessárias para que possam exercê-lo com excelência e equidade e, então, impactar a aprendizagem. Só assim será possível superar esse alarmante apagão e construir um futuro promissor para a educação e o nosso país.


(Débora Garofalo e Bernardo Soares. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em: julho de 2024.)
Quanto ao uso do acento grave indicador de crase no trecho “Porém, há um contexto de desvalorização dessa classe no Brasil, especialmente no que diz respeito à formação inicial e à continuada, [...]” (3º§), assinale a justificativa correta. 
Alternativas
Q2847601 Português
Assinale a alternativa que apresenta ERRO na utilização do acento grave, indicativo da CRASE:
Alternativas
Q2762314 Português
Considere as frases a seguir.
I. Apresse-se! Sua reunião vai começar às 8 horas.
II. Uso lapiseira, mas sempre preferi escrever à lápis.
III. Não diga nada à ninguém sobre nossos planos futuros.
IV. Aos domingos, minha família se reúne para saborear um bom filé à parmegiana. 
V. Voltei à casa da minha infância depois de muitos anos.

O sinal indicativo de crase foi usado corretamente APENAS em
Alternativas
Q2705860 Português
A mulher sozinha 

    Era magra, feia, encardida, sempre com o mesmo vestido preto e rasgado. Usava um paletó de lã xadrez, meias grossas e chinelos de feltro, velhíssimos. Ela própria parecia velhíssima, vista assim ao passar, embora de perto mostrasse, sob a sujeira e as rugas, um rosto que era apenas maduro, gasto pela miséria e talvez pelo delírio.
    Acostumei-me a vê-la sentada, de manhã e de tarde, naquele canto, sobre o cimento cheio de poeira do átrio. Os que entravam apressados na igreja praticamente a ignoravam, e só reparavam nela depois da missa, quando saíam devagar. Tiravam então da bolsa ou do bolso uma nota, algumas moedas e, com um gesto rápido, de vaga repugnância, deixavam cair a esmola na cestinha de vime que a mulher colocara à sua frente. Ela resmungava uma espécie de bênção, em voz surda e monótona, e eles se afastavam sem olhá-la, com a alma levemente intranquila.
    Passando diante da igreja duas vezes por dia, uma certa cumplicidade criou-se entre nós duas: a princípio nos cumprimentávamos com a cabeça, sorríamos uma para a outra; depois, quando eu tinha tempo e ela não estava agradecendo as esmolas, conversávamos. Contou-me de maneira sucinta que vivia no outro extremo da cidade, sob as colunas de um átrio em San Isidro: fazia uma longa caminhada, cedinho, até a estação, para tomar o trem, e outra até o lugar onde nos encontrávamos. Não me explicou por que escolhera um bairro tão distante para mendigar, em vez de fazê-lo no próprio pátio onde dormia, e nada lhe perguntei a respeito, receando ferirlhe a intimidade ou introduzir-me em seu segredo. Nunca me confessou como se chamava.
    Há uns dois meses encontrei-a radiante, com um pequeno vulto escuro entre os braços. Pensei de início que carregava um bebê, envolto num cobertor manchado, mas percebi, ao aproximar-me, que se tratava de um cachorrinho. Ou melhor, de uma cachorrinha recém-nascida, Maria Isabel, que a mulher ninava e acarinhava com deslumbramento. Disse-me que a recolhera na véspera de uma lata de lixo e a batizara logo. Da sacola de palha que sempre trazia consigo retirou uma garrafa d'água e uma colherinha e, com infinita delicadeza, foi entornando algumas gotas na goela da bichinha, que gania baixo, ainda de olhos fechados.
    Levei-lhe uma mamadeira de boneca e outra sacola acolchoada, que serviria de berço para o animal. O jornaleiro da banca em frente trouxe leite e pedacinhos de pão; as senhoras da vizinhança deram-lhe uma colcha de criança e retalhos de flanela.
    Maria Isabel começou a crescer, a criar pelos e forma, a pular, cheia de graça. A mulher não desgrudava os olhos dela e, remoçada pela alegria e atenção que a cachorrinha ofertava e exigia, deu até para cantar uma toada confusa e antiga. Era bom vê-las juntas, íntimas, companheiras, mãe e filha. Chegavam sobras de comida, brinquedos velhos de borracha; até um osso de couro apareceu por ali. O canto do átrio ficou menos cinzento, mais bonito. As pessoas se detinham, antes de entrar na igreja, para brincar com o animalzinho preto ou para jogar-lhe um punhadinho de carne moída, um resto do bife do almoço. O sentimento de repulsa que a sua dona provocara foi substituído por outro, feito de emoção, prazer e aconchego. A cestinha de vime estava sempre com dinheiro, e a mulher, suja e despenteada como sempre, adquirira um jeito novo, diferente, mais humano. Ao seu lado, Maria Isabel pulava e perseguia o próprio rabo.
    As duas não apareceram na última semana. Estranhei e fui atrás do jornaleiro, que também se mostrou surpreendido: desde que se instalara ali, há mais de três anos, a mulher nunca deixara de vir, nunca se atrasara, nem sequer quando chovia. E parece que fora assim desde o primeiro dia, embora ninguém soubesse dizer com exatidão quando é que ela começara a se sentar naquele canto do pátio. Senti apreensão e uma estranha nostalgia: o átrio estava maior, mais escuro e impessoal.
    Até que ontem o jornaleiro, compungido, contou-me uma das histórias mais tristes que já ouvi. Maria Isabel se transformara numa vira-lata peluda, encantadora, de focinho redondo e olhos de açúcar. Tão linda, que um malvado achou de roubá-la. Foi na estação, quando a mulher soltou-a no chão, para ir comprar o sanduíche de pão francês que costumavam dividir. Um segundo, e o bichinho sumiu, sem latir. Alguém viu um rapaz de tênis sair correndo com o animal nos braços. A mulher passou a noite atrás da cadela, de um lado para o outro da estação, chorando, gemendo, chamando-a por nomes doces e implorantes. Depois sentou-se num banco e ali ficou imóvel, em silêncio, até o dia clarear. Quando o primeiro trem vinha entrando, ela, de um bote, atirou-se debaixo da locomotiva. A velocidade era pequena e o maquinista conseguiu frear. A mulher arranhou-se um pouco, feriu ligeiramente a testa, e ficou mais desgrenhada, com o rosto imundo de lágrimas e fuligem. Não tinha nenhum documento e negou-se terminantemente a comentar o sucedido ou a defender-se diante dos que a acusavam de irresponsável e perigosa. A polícia levou-a no camburão para a delegacia.
    Segundo a última notícia, ainda não confirmada, a mulher está num hospício do subúrbio.

(Coleção Melhores Crônicas: Maria Julieta Drummond de Andrade. Seleção e prefácio de Marcos Pasche, Global, 2012, pp. 82-84. Publicada no livro O valor da vida, 1982.)
Considere o trecho: “Tiravam então da bolsa ou do bolso uma nota, algumas moedas e, com um gesto rápido, de vaga repugnância, deixavam cair a esmola na cestinha de vime que a mulher colocara à sua frente.” (2º§). Em relação à disposição do sinal gráfico de crase, demarcado pelo acento grave, em “à sua frente”, é correto afirmar que, neste caso, a crase é: 
Alternativas
Respostas
1881: A
1882: D
1883: A
1884: A
1885: B
1886: A
1887: D
1888: B
1889: E
1890: D
1891: B
1892: D
1893: B
1894: D
1895: D
1896: A
1897: C
1898: B
1899: D
1900: C