Questões de Concurso
Comentadas sobre crase em português
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(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2025/06/a-pontualidade- sagrada-do-teatro-cmbr07d5x000r019s55xujglc - texto adaptado especialmente para esta prova).
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
O homem rouco
Deus sabe o que andei falando por aí; coisa boa não há de ter sido, pois Ele me tirou a voz.
Ela sempre foi embrulhada e confusa; a mim próprio muitas vezes parecia monótona e enjoada, que dirá aos outros. Mas era, afinal de contas, a voz de uma pessoa, e bem ou mal eu podia dizer ao mendigo "não tenho trocado", ao homem parado na esquina, "o senhor pode ter a gentileza de me dar fogo", e ao garçom, "por favor, mais um pedaço de gelo". Dizia certamente outras coisas e numa delas me perdi. Fiquei vários dias afônico e, hoje, me comunico e lamento com uma voz de túnel, roufenha, intermitente e infame.
Ora, naturalmente que me trato. Deram-me várias pastilhas horríveis e um especialista me receitou uma injeção e uma inalação que cheguei a fazer uma vez e me aborreceu pelo seu desagradável jeito de vício secreto ou de rito religioso oriental. Uma leitora me receitou pelo telefone chá de pitangueira, laranja da terra e eucalipto, tudo isso agravado por um dente de alho bem moído.
Não farei essas coisas. Vejo-me à noite, no recolhimento do lar, tomando esse chá dos tempos coloniais e me sinto velho e triste de cortar o coração.
Alguém me disse que se trata de rouquidão nervosa, o que me deixa desconfiado de mim mesmo. Terei muitos complexos? Precisamente quantos? Feios, graves? Por que me atacaram a garganta e não, por exemplo, o joelho? Ou quem sabe que havia alguma coisa que eu queria dizer e não podia, não devia, não ousava, estrangulado de timidez, e então engoli a voz?
Quando era criança, agora me lembro, passei um ano gago porque fui com outros moleques gritar alto "Capitão Banana" diante da tenda de um velho que vendia frutas, e ele estava escondido no escuro e me varejou um balde d'água em cima. Naturalmente devo contar essa história a um psicanalista. Mas então ele começará a me escarafunchar a pobre alma e isso não vale a pena. Respeitemos a morna paz desse brejo noturno onde fermentam coisas estranhas e se movem monstros informes e insensatos.
Afinal posso aguentar isso, sou um rapaz direito, bem comportado, talvez até bom partido para uma senhorita da classe média que não faça questão da beleza física, mas sim da moral, modéstia à parte.
O remédio é falar menos e escrever mais, antes que os complexos me paralisem os dedos, pobres dedos, triste mão que... Mas, francamente, página de jornal não é lugar para a gente falar essas coisas.
Eu vos direi, senhora, apenas, que a voz é feia e roufenha, mas o sentimento é límpido, é cristalino, puro − e vosso.
− Crônica de Rubem Braga
https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13137/o-homem-rouco
"Vejo-me à noite, no recolhimento do lar, tomando esse chá dos tempos coloniais e me sinto velho e triste de cortar o coração."
A crase pode ser empregada em diversas situações. No trecho, o seu uso ocorre porque a expressão 'à noite' faz parte de uma locução adverbial feminina de tempo. A seguir, observe outros enunciados que apresentam situações de uso da crase. Assinale a alternativa em que o emprego da crase está INCORRETO.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
O que significa a equação na sepultura de Stephen Hawking
Quando Stephen Hawking morreu em 14 de março de 2018, ele era o cientista vivo mais famoso do mundo.
Durante seus setenta e seis anos de vida, o físico britânico escreveu dezenas de artigos científicos e livros de ciência popular, participou de documentários, séries e teve até mesmo sua trajetória retratada em um filme.
O diagnóstico de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença neuromotora, aos vinte e um anos, obrigou-o a viver em uma cadeira de rodas e a usar um sofisticado sistema de comunicação. Isso não foi obstáculo para sua carreira científica, tampouco para seu estrelato.
De todas as suas conquistas, ele queria ser lembrado por uma teoria em particular, cuja fórmula está gravada em sua lápide na Abadia de Westminster, em Londres, a poucos passos dos túmulos de Isaac Newton e Charles Darwin.
Trata-se da chamada radiação Hawking.
Sete anos após sua morte, esta teoria é tão importante para compreender o Universo em geral, e os buracos negros em particular, que instituições de prestígio como a Nasa, a agência espacial americana e a Organização Europeia para Pesquisa Nuclear trabalham para detectá-la.
"Aqui jaz o que era mortal de Stephen Hawking (1942-2018)", está escrito na lápide de pedra com tom de ardósia, um cinza escuro que não chega a ser preto, combinando com sua teoria. No centro, está gravada uma espécie de espiral que circunda uma elipse e os dez caracteres da equação.
"A equação expressa sua ideia de que os buracos negros no Universo não são completamente negros, mas emitem um brilho conhecido como radiação Hawking", explica a Abadia de Westminster, que tem um cartão-postal da lápide à venda em sua loja oficial.
Muito antes de ganhar status de souvenir, a ideia de que buracos negros não são realmente tão negros provocou repúdio, inclusive, no próprio Hawking.
Em 2016, o físico palestrou para a BBC como parte do programa anual. Lá, o físico contou que, no início de 1974, ele estava "investigando como seria o comportamento da matéria nas proximidades de um buraco negro".
"Para minha grande surpresa", ele acrescentou, "descobri que o buraco negro parecia emitir partículas a uma taxa constante. Como todo mundo na época, eu aceitava a máxima de que um buraco negro não poderia emitir nada. Por isso, eu me esforcei ao máximo para tentar me livrar deste efeito constrangedor."
"Quanto mais eu pensava nele, mais ele se recusava a ir embora, então, no final, eu tive que aceitá-lo."
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5y0j5d0z5eo.adaptado.
[...] explica a Abadia de Westminster, que tem um cartão-postal da lápide "à venda" em sua loja oficial.
Assinale a alternativa correta em relação ao sinal indicativo de crase na expressão destacada.
O manicômio vive dentro de nós
No dia 18 de maio, comemora-se o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, data que lembra a mobilização do movimento da reforma psiquiátrica, iniciado na década de 1970, que reúne, desde então, pessoas com transtornos mentais, familiares, profissionais de saúde e setores da academia em prol de uma atenção à saúde humanizada e com respeito aos direitos fundamentais.
No cuidado à pessoa com transtornos mentais, dois modelos estão em tensão. De um lado, a proposta de tratamento como segregação do louco do convívio familiar e social. De outro, parte-se da premissa de que é necessário priorizar a atenção ambulatorial e a convivência familiar e comunitária, sendo cabível a internação apenas mediante solicitação médica, quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes, tendo como objetivo a reinserção do paciente no meio social.
As incoerências e as graves violações de direitos humanos pelas quais passaram os pacientes com transtornos mentais foram vastamente relatadas pelos pacientes e estão documentadas na literatura e no cinema. Apenas como referência, convidamos o leitor a se familiarizar e se conscientizar sobre o tema a partir da leitura de obras como “O Alienista”, de Machado de Assis, “Nos porões da loucura”, de Hiram Firmino, e, mais recente, o chocante livro “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex, que baseou o documentário produzido pela rede de TV HBO. Ainda, filmes como “O bicho de sete cabeças” e “Em nome da razão” são obras obrigatórias sobre o universo de violações de direitos vivido por pacientes psiquiátricos.
A história revela que o isolamento e a institucionalização dos doentes rapidamente conduziram à superlotação de hospitais, que se tornaram depósitos de pessoas sem atenção clínica e psiquiátrica adequada, ao uso de práticas sem devido fundamento científico, à privação de liberdade, ao isolamento, à perda da privacidade e à violência, entre outras gravíssimas violações de direitos humanos.
Muitas vezes, sequer, essas pessoas tiveram um diagnóstico adequado e justificativa para sua internação. Muitas dessas pessoas não encontraram a luz da porta de saída e morreram ainda no ambiente hospitalar. Teriam sido 60 mil apenas no Hospital Colônia de Barbacena, segundo nos conta Daniela Arbex.
Mesmo diante desses fatos, ainda hoje, muitas vozes, por vezes camuflando suas reais intenções, insistem em práticas segregacionistas, que “coisificam” o doente, que perde sua condição de pessoa e de sujeito de direitos. Não há dúvidas de que o cuidado com o paciente com transtornos mentais é complexo e impacta gravemente a vida de sua família. No entanto, a institucionalização e a segregação trazem tranquilidade apenas para a consciência daqueles que acreditam que “o que os olhos não veem o coração não sente”.
Em visita ao Hospital Colônia de Barbacena, o jornalista Hiram Firmino testemunhou: “Não encontramos os loucos terríveis que supúnhamos encontrar. Mas seres humanos como nós. Pessoas que, fora das crises, vivem lúcidas o tempo todo”.
Portanto, neste dia 18 de maio, proponho que lutemos contra o manicômio que está dentro de cada um de nós e que o poder público, em vez de admitir práticas que configuram retrocesso no cuidado das pessoas com transtornos mentais, esteja empenhado em fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial do SUS (RAPS), promover a inclusão social, resgatar a cidadania e dispensar apoio intersetorial ao paciente e sua família.
(Luciano Moreira de Oliveira, Promotor de Justiça, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde do MPMG, Estado de Minas. Em: maio de 2023.)
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
O amor é o silêncio que diz delicadezas
O amor, às vezes, se expressa mais no silêncio do que nas palavras. Ela estava cansada da rotina dura, ele, cansado de tentar animá-la com esperanças. A visita foi breve: um chá com hortelã, xícaras antigas, e uma conversa sobre os quase setenta anos de vida compartilhada. Falou-se do tempo e, sobretudo, do amor — esse que suspende o tempo e silencia o ego.
Enquanto ela relatava sobre sua saúde, ele apenas a olhava, com olhos inteiros. O amor deles resistia à doença, como se vencesse algo ainda mais profundo: o egoísmo. Havia ternura em cada gesto. Quando perguntei sobre o casamento, ele riu, disse que eu gostava de ouvir aquela história de sempre — a de uma ex-freira e um irmão de padre que escolheram viver o amor.
Ela sorriu ao recordar o passado, ele beijou o sorriso dela. Pediu a caixa de bilhetes de amor que ele ainda escreve. Leu alguns, e ele chorou ao ouvir aquele que falava do impossível que seria viver sem ela. Ela, não chorou — apenas sorriu, grata por ter amado tanto e por tanto tempo.
Ali estavam dois devotos do amor, que morreram para o individualismo e renasceram no outro. Ela sabia que seguiria vivendo nele, mesmo se partisse. Ele tocou piano no entardecer. Pensei nas décadas de amor, nas xícaras, nos invernos partilhados. Não sei quanto tempo ainda têm, mas sei: nada apagará um amor que aprendeu a dizer delicadezas em silêncio.
Gabriel Chalita - Texto Adaptado
https://odia.ig.com.br/opiniao/2025/06/7075346-o-amor-e-o-silencio-que -diz-delicadezas.html
Leia a tira a seguir para responder à questão.

(Alexandre Beck. “Armandinho”.
Disponível em https://www.tumblr.com/tirasarmandinho/
118237245724/tirinha-original)
O verbo 'fugir' rege preposição, como observado no trecho, podendo ocorrer crase dependendo do termo que estiver posposto a ele. Com base nisso, analise as frases com esse verbo.
I. Essa atitude foge à compreensão de muitos.
II. Sua resposta foge à lógicas do que foi discutido.
III. O comportamento dele foge às normas estabelecidas pela empresa.
Quanto ao uso da crase, estão corretas:
Foram encaminhados convites ________ pessoas interessadas em conhecer mais sobre demência, para comparecerem ________ palestra sobre o tema, em que serão expostas algumas descobertas da ciência, ________ os meios de comunicação vêm se referindo.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto, segundo a norma-padrão de regência e crase.
• Não seja ingrato e dê flores aos que ama. • O medo e o impulso elétrico que gera a vida...
Os trechos destacados podem ser reescritos, respectivamente e em conformidade com a norma-padrão de regência e emprego do acento indicativo de crase, como:
“O uso do prefixo "meta" remete à ideia de transcendência (...)”
Quanto ao uso da crase, aponte a alternativa que a utiliza por regra diferente da proposta pelo fragmento:
O texto a seguir é referência para a questão.

Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/colunistas/tnc-brasil/coluna/2025/04/.ghtml. Adaptado.
Texto para responder à questão.

“Para atingir esse objetivo, a governança global da IA deve mitigar riscos potenciais e atender às necessidades de todos os países, especialmente os do Sul Global. Ela deve operar conforme estruturas regulatórias nacionais e a Carta das Nações Unidas, respeitar a soberania, bem como ser representativa,”
Considerando os sentidos e os aspectos linguísticos do trecho apresentado, assinale a alternativa correta.
Amar era tão infinitamente melhor
Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido.
Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta.
Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz.
Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambiguidade e mutação, este silencio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos.
Lya Luft
https://poetriz.wordpress.com/category/verso-prosa/lya-luft/
Com base nos trechos apresentados, analise a ocorrência da crase nas frases e justifique seu emprego.
Período I: "A Resolução nº 465 do Contran estabelece critérios para equiparação às bicicletas comuns, como limite de 350 watts e velocidade de até 25 km/h."
Período II: "A popularização das ebikes também se deve ao custo-benefício e à isenção de impostos."
Considerando os períodos I e II, a justificativa correta para o emprego do acento grave indicativo de crase é: