Questões de Concurso
Comentadas sobre crase em português
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Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.
No período “O fisioterapeuta comprometido com sua função visa à excelência em todos os aspectos do tratamento.”, o emprego do acento indicativo de crase é obrigatório devido à presença de uma locução adverbial formada por palavra feminina.

“Mas não posso ser ingrato com a crase. Afinal é _______ custa dela que tenho vivido. Ou também à sua custa. Se todo mundo soubesse crasear, ou se _______ crase fosse abolida, é possível que eu tivesse passado a vida desempregado.
O mesmo poderia dizer meu pai, que foi professor de crase, isto é, de português e latim. Foi em boa parte graças _______ crase que ele criou a numerosa família. Quero crer que o sucesso do Novo manual da redação desta Folha seja também devido à crase. Ou _______ seus mistérios. Pois o Novo manual ensina até _______ crase diferencial, o que é um requinte.”
(RESENDE, Otto Lara. Ninguém sabe crasear, mas ler todo mundo lê. Folha de S.Paulo. São Paulo, 8 nov. 1992. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/6549/ninguemsabe-crasear-mas-ler-todo-mundo-le)
Em relação ao sinal indicativo de crase na expressão destacada, é correto afirmar que:
Disponível em: https://cartum.folha.uol.com.br/. Acesso em: 21 ago. 2025. Na concepção de funcionamento da língua apresentada no comentário que serve de base para esta questão, o professor Acraseandro, ao discutir o uso do “a” artigo e do “a” preposição, partindo da situação apresentada na tirinha, deve
"Estudar é essencial, mas, à vezes, é preciso descansar para recuperar as energias."
A respeito do uso do acento indicativo de crase na expressão "à vezes", assinale a alternativa que justifica corretamente essa ocorrência, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa:
O ChatGPT está nos deixando burros?
Em 2008, a revista americana The Atlantic provocou debate ao publicar uma matéria de capa que perguntava se o Google estava nos deixando burros. No artigo de quatro mil palavras, que depois se transformou em livro, o autor Nicholas Carr defendia que sim, sustentando que os mecanismos de busca prejudicavam a capacidade dos americanos de pensar de forma profunda e reter conhecimento.
A principal preocupação de Carr era a constatação de que as pessoas já não precisavam memorizar ou aprender fatos quando podiam simplesmente pesquisá-los online. Havia um fundo de verdade nesse receio, embora os buscadores ainda exigissem pensamento crítico para interpretar e contextualizar os resultados.
Hoje, a mudança tecnológica é ainda mais radical. Com o avanço das ferramentas de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, não apenas terceirizamos a memória, mas também o próprio processo de pensar. Essas ferramentas não se limitam a resgatar informações: elas criam, analisam e resumem conteúdos. Trata-se de uma inovação crucial, pois é a primeira vez que uma tecnologia apresenta potencial para substituir o pensamento e a criatividade humanos. Surge, então, a questão inevitável: o ChatGPT está nos deixando burros?
À medida que mais pessoas delegam tarefas cognitivas às máquinas, é necessário refletir sobre o que se ganha e o que se perde.
A inteligência artificial generativa altera o modo como acessamos e processamos informação. Muitos a utilizam em substituição à análise de fontes, à comparação de pontos de vista e à resolução de ambiguidades, já que ela oferece respostas rápidas e elaboradas. A eficiência é indiscutível, ainda que nem sempre os resultados sejam precisos. Essa facilidade, contudo, cobra um preço: ao permitir que a IA pense por nós, corremos o risco de enfraquecer a capacidade de raciocinar criticamente, resolver problemas complexos e aprofundar nosso envolvimento com o conhecimento.
A diferença está, portanto, no modo de uso. Quem se apoia na IA sem questionamento acaba se acomodando intelectualmente, aceitando respostas prontas sem avaliar premissas, buscar alternativas ou aprofundar análises. Mas quem utiliza o ChatGPT como apoio complementar encontra nele um recurso poderoso para despertar curiosidade, gerar ideias, esclarecer temas complexos e fomentar debates.
A questão não é se a IA nos torna mais inteligentes ou mais limitados, mas como a utilizamos. A inteligência artificial generativa serve como parceira que potencializa a inteligência humana, e não como substituta. Isso implica usá-la como ferramenta de apoio a uma pesquisa, não como atalho. As respostas devem ser vistas como ponto de partida para o pensamento, nunca como conclusão definitiva.
O crescimento explosivo do ChatGPT, que atingiu cem milhões de usuários apenas dois meses após o lançamento, colocou a sociedade diante de uma encruzilhada. Um caminho conduz à decadência intelectual, em que deixamos de pensar por conta própria. O outro oferece a possibilidade de expandir nossas capacidades cognitivas por meio de uma colaboração produtiva com a IA, aproveitando sua força para ampliar a nossa.
É comum ouvir que a inteligência artificial não vai roubar empregos, mas alguém que sabe utilizá-la, sim. Este texto começou com a indagação: o ChatGPT está nos deixando burros? Mas convém terminá-lo com outra: como usaremos o ChatGPT para nos tornarmos mais inteligentes? Em última instância, a resposta não depende da ferramenta, mas de quem a utiliza.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwygyg3x62vo.adaptado.
De acordo com as regras de uso do acento indicativo de crase, é correto afirmar que ocorre:
Considerando o uso da crase, identifique a alternativa que justifica corretamente o uso ou a ausência do sinal indicativo de crase após o vocábulo 'graças'.
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.
Texto 01
A arte de viver
Em 2024, o filme Dias Perfeitos, coprodução entre Japão e Alemanha, dirigido por Win Wenders, foi indicado ao Oscar. Com grande simplicidade e beleza, fala sobre a possibilidade de usarmos nosso tempo de forma tão adequada, tão humana, que pudéssemos chegar ao ponto de nos sentirmos no direito de dizer: essa hora, esse dia, essa semana foram perfeitos!
Claro, a primeira forma mental que surge é: “A perfeição não existe!”, ou ainda: “Isso é relativo! O que é perfeito para você, pode não ser para mim!” e tantas outras frases de efeito desse tipo, que não dizem nada, mas que, à força de serem muito repetidas, parecem ganhar um status de realidade.
Se faço um curso de desenho há uma semana e meu professor me pede para fazer um esboço, é lógico que ele possa dizer do meu trabalho: “Seu desenho é perfeito para um aluno de uma semana!”, assim como uma pequena luva é perfeita para a mão de uma criança de quatro anos.
E, assim como uma planta que faz fotossíntese realiza seu ideal de planta e viabiliza a vida orgânica – uma vez que é base da cadeia alimentar –, um ser humano que se realiza ao atingir seu ideal de exercer valores humanos como bondade, justiça e fraternidade, ao alcançar um grau de sabedoria, viabiliza a vida de muita coisa à sua volta, inclusive da própria humanidade e da natureza como um todo. Dessa forma, são, ambos, seres que atingiram o grau de perfeição que a vida prevê para eles, e isso não é nada relativo!
Podemos, então, imaginar que o tempo está repleto de convites à perfeição, desde a perfeita audição da melodia que o sabiá entoou nesta manhã até o perfeito sentimento de harmonia que ela produziu em mim, e assim sucessivamente. Mas isso apenas acontecerá com tal clareza se estivermos plenos, corpo, mente e alma juntos no momento presente, depositando o nosso melhor em tudo que passa pelas nossas mãos, pensamento e coração.
Ao adotarmos essa prática, podemos atingir um estado de plenitude luminosa dentro de nós, vazia de ânsias e desejos, repleta de paz e perfeita serenidade. Esse estado interno nos permite ver a Deus até na fileira de formigas sobre o azulejo da nossa cozinha. Nesse fugaz momento, já não faz nenhum sentido para nós a voz daqueles que dizem que a vida não é sagrada. Como disse o psiquiatra Carl Jung em sua última entrevista dada à BBC de Londres: “Eu não trabalho com um sistema de crenças; eu não acredito em Deus, eu sei!”
Fonte: GALVÃO, Lúcia Helena. A arte de viver. Disponível em: https://vidasimples.co/colunista/a-arte-de-viver/. Acesso em: 17 set. 2025.