Questões de Concurso Comentadas sobre crase em português

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Q2764678 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto abaixo para responder às questões que se seguem.


O PODER DA ALEGRIA


1 undefined As tardes de sábado eram ansiosamente esperadas pela pequena Meiry Ito. De vestidinho rosa, ela e as

irmãs, Marilda, Márcia, Miltes, Miriam, Marta e Marly, de mãos dadas com o caçula, Milton, seguiam os

passos rápidos do pai rumo ao galpão onde eram projetados filmes para os plantadores de chá e comerciantes

de Registro, cidadezinha do interior de São Paulo às margens do Rio Ribeira de Iguape. Feliz, acomodava-se na

5 palha macia destinada às crianças enquanto a mãe distribuía para os filhos os motis, bolinhos de arroz, retirados

com cuidado da furoshiki, a trouxa multicolorida de pano usada pelos descendentes de japoneses da região. Era

um instante de sublime contentamento. “Não tínhamos nada, nada, nada, mas a alegria daquele momento é

inesquecível”, lembra ela, que completou 84 anos em fevereiro. Naquele cinema improvisado, a fita de

celuloide do filme rompia-se constantemente e só era possível sentar onde as goteiras do teto não pingavam. Mas

10 Meiry experimentava ali uma plenitude: estarem todos juntos na expectativa do filme, comer as delícias

preparadas pela mãe e ser invadida pelo sabor do que era especial e único durante toda a semana

proporcionavam um prazer indizível para ela. Até hoje, ao lembrar dessa cena, seus olhos brilham e seu rosto se

abre num largo sorriso. Por alguns momentos, ela tem novamente 8 anos de idade.

undefined Quem de nós não tem na memória momentos de infinita alegria na infância? Temos uma predisposição

15 natural para sermos alegres nesse período. Nossas lembranças de momentos felizes são tão abundantes e plenas,

nos primeiros anos de vida, que é fácil identificar numerosas imagens que a traduzem: mergulhar na onda

para pegar jacaré, pular corda, balançar, brincar de pique, viajar... Com a idade, porém, os bons momentos

costumam escassear. E são cada vez mais intercalados por emoções como tristeza, desencanto, amargura. Mas o

que será que temos de tão precioso quando crianças que perdemos durante a vida?

20 undefined A primeira resposta: vitalidade. “O contrário da alegria não é a tristeza. É a falta de energia vital”, afirma

categoricamente o pensador e professor gaúcho Mário Sérgio Cortela em suas palestras. É muito importante

destacar essa diferença. Quando se está pleno de vigor e disposição, é impossível ficar triste e deprimido por

muito tempo. Pode ser até que sejamos atingidos pela melancolia, mas a recuperação é rápida. Porque

a alegria está ligada ao prazer de estar vivo. Vida e alegria podem ser interpretadas como sinônimos. Portanto,

25 o contentamento tem uma base biológica, vital, e está muito ligado ao corpo. Alguns estados de depressão

estão relacionados à má alimentação e à falta de exercícios, que ativam a energia vital. Então, para reviver a

alegria de uma criança, é preciso recobrar o potencial energético que temos na infância, pelo menos em

parte (caminhadas, exercícios físicos [...] são muito bons para começar).

undefined Ainda dentro do campo da biologia, temos de entender que os estados emocionais positivos, como a

30 alegria, a gratidão e a compaixão, criam um padrão neuronal positivo. Em outras palavras, quanto mais

alegre você for, mais fácil será sentir alegria. Isso porque o cérebro, com a repetição dos mesmos estados

emocionais, formará um padrão, uma reação que se repetirá até formar uma característica da personalidade.

“As características emocionais têm um efeito condicionante na forma como as pessoas olham as

experiências cotidianas e reagem a elas. Alguém predisposto ao medo ou à depressão, por exemplo, tem

35 mais chances de encarar situações com um senso de temor, enquanto alguém predisposto à confiança

encarará a mesma situação com mais equilíbrio e segurança”, escreveu o monge tibetano Mingyur Rinpoche

em A Alegria de Viver (Elsevier), um livro precioso que pode ser baixado gratuitamente.

undefined Ele tem razão. Conheci Mingyur de perto (ele jantou em casa...), e sua alegria é realmente contagiante: ri com

uma cascata de hahahas cristalinos, assim como subitamente fica sério e atento se o assunto exige. Enfim, uma

40 pessoa alegre não é necessariamente um bobo alegre, como alguns podem supor, mas alguém capaz de entrar em

contato com suas emoções e expressá-las com gentileza e intensidade. [...]


(ALVES, Liane. O poder da alegria. Revista Vida Simples. p. 44, maio de 2016. Adaptado.)

Assinale a alternativa em que o uso do sinal indicativo de crase NÃO pode ser justificado pela regra geral (“a” preposição + “a/as” artigo feminino).

Alternativas
Q2762513 Português

TEXTO I

(trecho)


Os que não são idiótes (no sentido grego: os que se voltam para a vida privada menosprezando completamente a vida pública) jamais podem ignorar como a grande mídia mistifica a realidade e manipula a opinião pública.

– partidárias, eleitorais, ideológicas e, sobretudo, pecuniárias. Já sabemos que nas democracias venais contemporâneas o dinheiro deslavadamente gera poder e que o poder desavergonhadamente gera dinheiro. A mídia, na medida em que filtra e manipula conteúdos, apresenta-se como uma das pontes privilegiadas de ligação dessa política institucionalmente argentária.


Fonte: http://congressoemfoco.uol.com.br/opiniao/colunistas/como-a-grande-midia-mistifica-e-manipula-a-realidade/



TEXTO II

(trecho)


A política do Pão e circo (panem et circenses, no original em Latim) como ficou conhecida, era o modo com o qual os líderes romanos lidavam com a população em geral, para mantê-la fiel à ordem estabelecida e conquistar o seu apoio. Esta frase tem origem na Sátira X do humorista e poeta romano Juvenal (vivo por volta do ano 100 d.C.) e no seu contexto original, criticava a falta de informação do povo romano, que não tinha qualquer interesse em assuntos políticos, e só se preocupava com o alimento e o divertimento.


Fonte: http://www.infoescola.com/historia/politica-do-pao-e-circo/

“Para mantê-la fiel à ordem estabelecida e conquistar o seu apoio.” É correto afirmar que o recurso da crase foi usado porque:

Alternativas
Q2759877 Português

Assinale a alternativa em que o acento grave está sendo empregado de forma errada.

Alternativas
Q2759873 Português

Em qual das alternativas abaixo, a substituição da palavra destacada pela sugerida entre parênteses não acarretará na ocorrência de crase:

Alternativas
Q2758309 Português

Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo.


Saúde e bem-estar dependem de relações íntimas de qualidade


Por Amanda Mont'Alvão Veloso


  1. asdTer dinheiro ou fama comumente é associado .... conquista de felicidade, e tais desejos já
  2. foram apontados como o objetivo de vida mais importante de norte-americanos nascidos nos
  3. anos 1980 e 1990. A dedicação e esforço no trabalho seriam o caminho para se _______ mais resultados.
  4. Mas uma pesquisa realizada durante 75 anos nos Estados Unidos mostrou que os ingredientes
  5. fundamentais para uma vida saudável e cheia de bem-estar são relações íntimas e de qualidade
  6. com a família, com os amigos e com a comunidade.
  7. asdAs conclusões do Estudo do Desenvolvimento Adulto, promovido pela Universidade de
  8. Harvard, foram abordadas por seu diretor, o psiquiatra e psicanalista americano Robert Waldinger,
  9. em uma conferência no TED 2015. “E se pudéssemos observar uma vida inteira à medida que ela
  10. decorre no tempo? E se pudéssemos estudar as pessoas desde a altura em que eram adolescentes
  11. até chegarem .... velhice para vermos o que mantém as pessoas felizes e saudáveis?”. Durante 75
  12. anos, a pesquisa acompanhou a vida de 724 homens, ano após ano, abordando o trabalho, a vida
  13. doméstica e a saúde, além de realizar exames médicos. Cerca de 60% dos pesquisados, a maioria
  14. já com 90 anos, ainda estão vivos e participam no estudo. Há cerca de 10 anos, o estudo passou a
  15. integrar também as esposas desses homens.
  16. asdO próximo passo, segundo Waldinger, é estudar os mais de 2000 filhos dos homens
  17. pesquisados. A população pesquisada foi dividida em dois grupos desde o começo, em 1938. No
  18. primeiro, homens que estudaram em Harvard e que, em sua maioria, lutaram na Segunda Guerra
  19. Mundial. Já o segundo era composto por adolescentes dos bairros mais pobres de Boston, vindos
  20. de algumas das famílias mais problemáticas e mais desfavorecidas da região. Os destinos desses
  21. homens foram variados: se tornaram operários fabris e advogados, assentadores de tijolos e
  22. médicos, e um deles foi presidente dos EUA.
  23. asdOs 75 anos de acompanhamento mostraram .... Waldinger três lições, e nenhuma delas diz
  24. respeito a riqueza, fama, ou a trabalhar cada vez mais. A primeira delas é que as relações sociais
  25. são boas para nós, e a solidão mata: “As pessoas que têm mais ligações sociais com a família, com
  26. amigos e com a comunidade são mais felizes, fisicamente mais saudáveis e vivem mais tempo do
  27. que as pessoas que têm menos relações. A experiência da solidão acaba por ser __________. As
  28. pessoas que são mais isoladas do que gostariam descobrem que são menos felizes, a sua saúde
  29. piora mais depressa na meia idade, o seu funcionamento cerebral diminui mais cedo e vivem menos
  30. tempo do que as pessoas que não se sentem sozinhas.”
  31. asdA segunda lição mostrou que o que importa é a qualidade de nossas relações íntimas: "Viver
  32. no meio de conflitos é muito prejudicial para a saúde. Os casamentos altamente conflituosos, por
  33. exemplo, sem grande _________, revelam-se muito maus para a saúde, pior talvez do que um
  34. divórcio. Viver no meio de relações boas, calorosas, é protetor.” O estudo mostrou que o grau de
  35. satisfação que os homens sentiam nas suas relações foi decisivo para um envelhecimento mais feliz
  36. e saudável. “As pessoas que se sentiam mais satisfeitas com as suas relações, aos 50 anos, foram
  37. as mais felizes aos 80 anos”. “Os nossos homens e mulheres mais felizes disseram, aos 80 anos,
  38. que nos dias em que tinham mais dores físicas a sua disposição continuava feliz. Mas .... pessoas
  39. que tinham relações infelizes, nos dias em que tinham mais dores físicas, elas eram reforçadas pelo
  40. sofrimento emocional”.
  41. asdA terceira e última lição é que as boas relações protegem não só o corpo, como também o
  42. cérebro: “Uma relação bem estabelecida com outra pessoa, aos 80 anos, é protetora. As pessoas
  43. que têm relações em que sentem que podem contar com outra pessoa em alturas de necessidade
  44. mantêm uma memória mais viva durante mais tempo. As pessoas com relações em que sentem
  45. que não podem contar com o outro são as que experimentam um declínio de memória mais precoce.
  46. As boas relações não têm que ser sempre fáceis. Alguns dos nossos octogenários podem discutir
  47. dia sim, dia não. Mas enquanto sentirem que podem contar um com o outro, quando as coisas
  48. aquecem, essas discussões não se fixam na memória.”
  49. asdPelas lições aprendidas, a tal felicidade parece fácil, não? Waldinger tem uma resposta para
  50. isso: somos seres humanos e lidar com a família e com os amigos é algo complicado, que dura a
  51. vida toda. “O que gostaríamos mesmo é de uma receita rápida, qualquer coisa que possamos
  52. arranjar que nos dê uma via boa e a mantenha dessa forma. As relações são conturbadas e
  53. complicadas.”
  54. asdPara se apoiar em boas relações, ele sugere atitudes cotidianas e acessíveis, como substituir
  55. a TV por tempo com as pessoas, fazer passeios, animar uma relação amorosa adormecida e falar
  56. com algum familiar com quem não se fala há anos. “Essas contendas familiares têm um efeito
  57. terrível na pessoa que guarda rancores”.


Texto adaptado para esta prova: http://super.abril.com.br/comportamento/saude-e-bem-estar-dependem-de-relacoes-

intimas-de-qualidade

Se no período “A população pesquisada foi dividida em dois grupos desde o começo, em 1938” (l. 17) a palavra ‘população’ fosse passada para o plural, quantas outras modificações deveriam ocorrer para manter a correção da frase?

Alternativas
Q2758301 Português

Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo.


Saúde e bem-estar dependem de relações íntimas de qualidade


Por Amanda Mont'Alvão Veloso


  1. asdTer dinheiro ou fama comumente é associado .... conquista de felicidade, e tais desejos já
  2. foram apontados como o objetivo de vida mais importante de norte-americanos nascidos nos
  3. anos 1980 e 1990. A dedicação e esforço no trabalho seriam o caminho para se _______ mais resultados.
  4. Mas uma pesquisa realizada durante 75 anos nos Estados Unidos mostrou que os ingredientes
  5. fundamentais para uma vida saudável e cheia de bem-estar são relações íntimas e de qualidade
  6. com a família, com os amigos e com a comunidade.
  7. asdAs conclusões do Estudo do Desenvolvimento Adulto, promovido pela Universidade de
  8. Harvard, foram abordadas por seu diretor, o psiquiatra e psicanalista americano Robert Waldinger,
  9. em uma conferência no TED 2015. “E se pudéssemos observar uma vida inteira à medida que ela
  10. decorre no tempo? E se pudéssemos estudar as pessoas desde a altura em que eram adolescentes
  11. até chegarem .... velhice para vermos o que mantém as pessoas felizes e saudáveis?”. Durante 75
  12. anos, a pesquisa acompanhou a vida de 724 homens, ano após ano, abordando o trabalho, a vida
  13. doméstica e a saúde, além de realizar exames médicos. Cerca de 60% dos pesquisados, a maioria
  14. já com 90 anos, ainda estão vivos e participam no estudo. Há cerca de 10 anos, o estudo passou a
  15. integrar também as esposas desses homens.
  16. asdO próximo passo, segundo Waldinger, é estudar os mais de 2000 filhos dos homens
  17. pesquisados. A população pesquisada foi dividida em dois grupos desde o começo, em 1938. No
  18. primeiro, homens que estudaram em Harvard e que, em sua maioria, lutaram na Segunda Guerra
  19. Mundial. Já o segundo era composto por adolescentes dos bairros mais pobres de Boston, vindos
  20. de algumas das famílias mais problemáticas e mais desfavorecidas da região. Os destinos desses
  21. homens foram variados: se tornaram operários fabris e advogados, assentadores de tijolos e
  22. médicos, e um deles foi presidente dos EUA.
  23. asdOs 75 anos de acompanhamento mostraram .... Waldinger três lições, e nenhuma delas diz
  24. respeito a riqueza, fama, ou a trabalhar cada vez mais. A primeira delas é que as relações sociais
  25. são boas para nós, e a solidão mata: “As pessoas que têm mais ligações sociais com a família, com
  26. amigos e com a comunidade são mais felizes, fisicamente mais saudáveis e vivem mais tempo do
  27. que as pessoas que têm menos relações. A experiência da solidão acaba por ser __________. As
  28. pessoas que são mais isoladas do que gostariam descobrem que são menos felizes, a sua saúde
  29. piora mais depressa na meia idade, o seu funcionamento cerebral diminui mais cedo e vivem menos
  30. tempo do que as pessoas que não se sentem sozinhas.”
  31. asdA segunda lição mostrou que o que importa é a qualidade de nossas relações íntimas: "Viver
  32. no meio de conflitos é muito prejudicial para a saúde. Os casamentos altamente conflituosos, por
  33. exemplo, sem grande _________, revelam-se muito maus para a saúde, pior talvez do que um
  34. divórcio. Viver no meio de relações boas, calorosas, é protetor.” O estudo mostrou que o grau de
  35. satisfação que os homens sentiam nas suas relações foi decisivo para um envelhecimento mais feliz
  36. e saudável. “As pessoas que se sentiam mais satisfeitas com as suas relações, aos 50 anos, foram
  37. as mais felizes aos 80 anos”. “Os nossos homens e mulheres mais felizes disseram, aos 80 anos,
  38. que nos dias em que tinham mais dores físicas a sua disposição continuava feliz. Mas .... pessoas
  39. que tinham relações infelizes, nos dias em que tinham mais dores físicas, elas eram reforçadas pelo
  40. sofrimento emocional”.
  41. asdA terceira e última lição é que as boas relações protegem não só o corpo, como também o
  42. cérebro: “Uma relação bem estabelecida com outra pessoa, aos 80 anos, é protetora. As pessoas
  43. que têm relações em que sentem que podem contar com outra pessoa em alturas de necessidade
  44. mantêm uma memória mais viva durante mais tempo. As pessoas com relações em que sentem
  45. que não podem contar com o outro são as que experimentam um declínio de memória mais precoce.
  46. As boas relações não têm que ser sempre fáceis. Alguns dos nossos octogenários podem discutir
  47. dia sim, dia não. Mas enquanto sentirem que podem contar um com o outro, quando as coisas
  48. aquecem, essas discussões não se fixam na memória.”
  49. asdPelas lições aprendidas, a tal felicidade parece fácil, não? Waldinger tem uma resposta para
  50. isso: somos seres humanos e lidar com a família e com os amigos é algo complicado, que dura a
  51. vida toda. “O que gostaríamos mesmo é de uma receita rápida, qualquer coisa que possamos
  52. arranjar que nos dê uma via boa e a mantenha dessa forma. As relações são conturbadas e
  53. complicadas.”
  54. asdPara se apoiar em boas relações, ele sugere atitudes cotidianas e acessíveis, como substituir
  55. a TV por tempo com as pessoas, fazer passeios, animar uma relação amorosa adormecida e falar
  56. com algum familiar com quem não se fala há anos. “Essas contendas familiares têm um efeito
  57. terrível na pessoa que guarda rancores”.


Texto adaptado para esta prova: http://super.abril.com.br/comportamento/saude-e-bem-estar-dependem-de-relacoes-

intimas-de-qualidade

Considerando o contexto de ocorrências do vocábulo ‘a’ no texto, as lacunas pontilhadas das linhas 01, 11, 23 e 38 devem ser preenchidas, correta e respectivamente, por:

Alternativas
Q2757021 Português

Leia o texto 1 para responder às questões de 01 a 05.

Texto 1

Quanto a isto, não tenho como mentir: nasci. Há documentos a respeito. Provam que nasci

a 23 de março de 1937, na cidade de Porto Alegre; mais precisamente, na Beneficência

Portuguesa, um dos prédios mais antigos desta cidade, que, como muitas outras cidades

brasileiras, tem escassa memória. Nasci, sim. “Logo depois que nasci correu pela

05 vizinhança que eu me chamava Mico...” Estas linhas, se bem as lembro – e bem as lembro,

sim! – faziam parte de meu primeiro texto, escrito em papel de embrulho: uma autobiografia,

muito precoce e necessariamente curta, pois eu não teria mais de seis anos. Alfabetizado

precocemente por minha mãe, que era professora primária, eu optara por escrever, ao invés

de jogar futebol (também jogava futebol, na calçada da minha rua; longas partidas, em que

10 eram marcadas dezenas de gols; mas o futebol era – é – realidade, uma realidade

terrivelmente importante neste país; e à realidade eu preferia a ficção. A narrativa). Mico.

Este apelido me marcou, pois os nomes marcam as pessoas. Todos os Brunos são fortes,

todos os Betos são irrequietos – tenho um filho chamado Beto, sei disto. Mico – o que é que

eu podia esperar da vida? Mico. Nunca conheci ninguém com este apelido. Na minha rua

15 havia um Mike, e depois tive um amigo chamado Micão, mas Mico, de macaco, era só eu.

Por causa deste apelido, acho, nunca pude me levar a sério. Felizmente. Nada mais chato

que um sujeito que se leva inteiramente a sério. Cada vez que me julgo importante, por ser

escritor, ou por ser médico, ou por escrever no jornal, uma vozinha debochada me chama à

realidade – que besteiras são essas que andas escrevendo, Mico? – e me faz lembrar que é

20 preciso ser humilde. Nascido em Porto Alegre, passei parte de minha infância na cidade de

Passo Fundo, onde meu pai tinha um bazar. (Tinha mesmo? Preciso perguntar a ele.

Preciso perguntar muitas coisas a ele. Não o faço por medo que não saiba responder. Ou

por medo de que saiba responder. Ou por medo, simplesmente. Diante de nossos pais,

somos sempre crianças. Somos sempre o Mico.)

25 De Passo Fundo lembro uma cena, que depois dei, generosamente, a um personagem

(Benjamim – Os Voluntários). Tinha – tenho – três, quatro anos. Caminho por minha rua;

vou apressado. Nuvens ameaçadoras se acumulam no céu, vem um temporal, preciso

chegar logo em casa. Os primeiros grossos pingos caem; mas neste momento avisto na

calçada coisinhas – baganas de cigarro, fósforos queimados. Pobrezinhas, ali expostas à

30 chuva, quem cuidará delas? Olho ao redor. Há uma porta aberta. Por acaso ou não, é a

porta da Delegacia de Polícia, símbolo, para mim, do Poder. Sem vacilar, sem me importar

com a chuvarada torrencial, entrego-me à tarefa de recolher baganas e fósforos para o

vestíbulo da Delegacia. Faço-o chorando; não sei se de alegria, ou de dor, ou de medo.

Choro, ao recolher os dispersos para o que agora poderá ser sua Casa.

(SCLIAR, Moacyr. Memórias de um aprendiz de escritor. São Paulo: Ed. Nacional, 1984, p. 9-11. Fragmento.) Disponível em: <http://www.lpm.com.br/livros/Imagens/minha_mae_nao_dorme_2011.pdf>. Acesso em: 29 out. 2016.

Sobre a utilização da crase ao longo do texto 1, analise as opções em que a crase foi utilizada por exigência da comparação realizada pelo termo regente e identifique com V as verdadeiras e com F as falsas.


( ) “[...] à realidade eu preferia a ficção [...]” (linha 11)

( ) “[...] me chama à realidade [...]” (linha 18-19)

( ) “[...] ali expostas à chuva [...]” (linhas 29-30)

( ) “[...] entrego-me à tarefa [...]” (linha 32)


A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é

Alternativas
Q2754549 Português

(Texto 01)


1 No modelo atual de sociedade digital os bens já

não representam a extrema medida da riqueza.

Com efeito, em tempos de um admirável mundo

cibernético, ainda de todo não conhecido, a

5 informação e o conhecimento são as principais

fontes de poder. O direito fundamental ao acesso

a informação decorre da ampla abertura inerente

às cartas constitucionais democráticas,

revelando-se, nesse sentido, como relevante

10 instrumento de participação popular e efetivo

controle dos poderes representativos, além de

determinar singulares desdobramentos de ordem

comercial e civil no âmbito do Direito Privado.

Umbilicalmente relacionados, o direito

15 fundamental à liberdade de expressão oxigena e

impulsiona o exercício do direito à informação. A

relação entre essas duas cláusulas pétreas do

direito constitucional brasileiro é, em absoluto,

indissociável, e deriva de dispositivos expressos

20 no texto da Lei Maior, que, inicialmente, declara

ser "livre a manifestação do pensamento" e, em

seguida, garante ser "assegurado a todos o

acesso à informação".

Conforme salientam Gilmar Ferreiras Mendes e

25 Paulo Gustavo Gonet a liberdade de expressão

constitui "um dos mais relevantes e preciosos

direitos fundamentais, correspondendo a uma das

mais antigas reivindicações dos homens de todos

os tempos". Nesse sentido, tem-se, pois, que a

30 liberdade de expressão representa uma relevante

conquista da civilização, que acompanha a

própria evolução da humanidade.


(Adaptado de Jusbrasil, 28/11/2016)

A utilização da crase “à” no trecho abaixo é justificada pela seguinte regra gramatical:


“...oxigena e impulsiona o exercício do direito à informação. (...)” (linhas 15 e 16)

Alternativas
Q2751109 Português

Assinale a opção incorreta quanto ao usoda crase.

Alternativas
Q2750150 Português

Lições da Educação Infantil


De uns 15 anos para cá, passamos a ter boas escolas de educação infantil. Antes disso, já tínhamos algumas que respeitavam a primeira infância, ouviam as crianças, reconheciam sua potência de aprendizagem no ato de brincar.

Esse número passou a se multiplicar devido a experiências em escolas pelo mundo. Por isso, hoje, já é possível encontrar uma escola para crianças com menos de seis anos em que o currículo não seja apenas um elenco de conteúdos, em que o ato de brincar seja a principal atividade para a criança, em que não haja uma profusão de brinquedos prontos e em que haja professores com formação contínua e em serviço. Escolas desse tipo ainda são minoria, mas já é uma boa notícia saber que elas existem.

Nessas escolas, as crianças aprendem a se concentrar porque a brincadeira exige isso e porque elas participam ativamente da escolha da brincadeira, seja em grupo, seja pessoalmente. Aprendem também a fazer perguntas e a pesquisar para buscar respostas, a exercitar sua criatividade, a colocar a mão na massa em tudo. Atenção: na massa e não, necessariamente, na massinha.

Os alunos aprendem, também, a conviver: os professores aproveitam todas as ocasiões para dar oportunidades de a criança aprender a ver e a considerar o seu par, a esperar a sua vez, a simbolizar em palavras o que sente e pensa, a viver em grupo e a ser solidária.

É uma pena que as escolas de ensino fundamental e médio não tenham humildade para olhar com atenção para as de educação infantil e aprender com elas. Há uma hierarquia escolar espantosa, caro leitor: as escolas de graduação pensam que praticam um ensino “superior”; as de ensino médio se consideram mais especializadas no conhecimento sistematizado do que a escola de ensino fundamental; e todas pensam que a de educação infantil não exige conhecimento científico.

As escolas de ensino fundamental e médio precisam se inspirar nas de educação infantil e não deixar o aluno ser totalmente passivo em sua aprendizagem: ele precisa, para se motivar, fazer algumas escolhas.

O aluno que participa não se distrai com tanta facilidade. E é bom lembrar que uma das maiores queixas em relação aos alunos é exatamente a falta de atenção, de foco e de concentração.

Precisam também reconhecer que aprende mais quem pratica o que deve aprender. Como eu já disse: mão na massa! Ninguém merece ficar horas em aulas expositivas ou arremedos de trabalho em grupo.

O que as famílias têm a ver com isso? Tudo! Quando a sociedade questionar verdadeiramente a organização escolar atual, certamente teremos mudanças. Mas, até agora, vemos mais conformismo e adesão do que questionamentos, não é verdade?


(Rosely Sayão, Folha de S.Paulo, 05 de maio de 2015.Adaptado)



Leia o texto para responder às questões de números 01 a 09.

Assinale a alternativa em que o trecho – ... uma das maiores queixas em relação aos alunos é exatamente a falta de atenção ... –, ao ser reescrito, tem o acento indicativo de crase empregado de acordo com a norma-padrão.

Alternativas
Q2749859 Português

Dadas as seguintes construções linguísticas:


I. O curso foi feito a distância.

II. A participante, não foi informada a nova data do curso.

III. Encontrava-se muito próximo a parede.


Assinale a alternativa que completa corretamente o raciocínio a seguir: Verifica-se que o uso do sinal indicativo de crase em “a” é obrigatório:

Alternativas
Q2747636 Português

80% da água subterrânea da China está contaminada


Em meio ___ poluição atmosférica que assola a China, o país enfrenta outra crise ambiental silenciosa e, muitas vezes, invisível: a contaminação das águas subterrâneas.

Produtos químicos, tais como manganês, flúor e triazóis (usados em herbicidas), foram detectados na maioria dos 2.103 poços subterrâneos testados em um novo estudo divulgado pelo governo chinês.

Os resultados são alarmantes: ___ qualidade da água foi classificada como de Grau 4 em 32,9% dos pontos avaliados, o que significa que é somente segura para ser utilizada em processos industriais; em outros 47,3% deles, a classificação foi de Grau 5, o que significa que ela é ainda menos segura para uso.

As origens dessa poluição são velhas conhecidas, com raízes em práticas que afetam tanto o campo quanto as cidades. Desde 1990, a China tornou-se o maior consumidor de fertilizantes nitrogenados do mundo, que, apesar de ajudarem no crescimento rápido do cultivo, aumentando ___ oferta de alimentos, também deterioram o solo e poluem lençóis freáticos. As indústrias com seus resíduos de produção, especialmente as têxteis, que geram metais pesados, tóxicos e substâncias cancerígenas, são outra fonte significativa de poluição no país.

“As pessoas nas cidades veem a poluição do ar todos os dias, o que cria uma enorme pressão pública. Mas, nas cidades, as pessoas não veem quão ruim a poluição da água é. Do meu ponto de vista, isso mostra como a água é o maior problema ambiental na China”, afirmou Dabo Guan, professor universitário.

Segundo o diretor do Instituto de Assuntos Públicos e Ambientais de Pequim, Ma Jun, a água testada foi encontrada principalmente em poços subterrâneos rasos, que não são utilizados no abastecimento de água potável nas cidades (em vez disso, elas normalmente recebem água de reservatórios profundos).

No entanto, ele observou que, em muitos lugares, os moradores ainda estavam bombeando água dos poços que foram testados, expondo-se a graves problemas de saúde.


http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/... - adaptado

Assinalar a alternativa que preenche as lacunas do texto CORRETAMENTE:

Alternativas
Q2747021 Português

Nos enunciados a seguir, alguns dos acentos indicativos de crase, foram retirados propositalmente em função da questão. Leia-os:


I. A união faz a força. (Provérbio popular)

II. “Porque Deus dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento.” (Provérbios, 2.6)

III. “Existe gente alérgica a luz solar”? (http://mundoestranho.abril.com.br)

IV. “O etanol produzido a partir da cana-de-açúcar é capaz de reduzir cerca de 70% das emissões de CO2 na atmosfera se usado em 2 substituição a gasolina.” (Superinteressante, jan, 2016, p.3)


Podemos deduzir que:

Alternativas
Q2744642 Português

Leia o próximo texto para resolver as questões 7 a 9:


LEITURA NAS DIVERSAS DISCIPLINAS


Heloisa Amaral


O ensino, na escola, não existe sem a leitura. Ou é leitura direta pelo aluno, ou explicações do professor sobre textos que ele, o professor, leu. Ou seja, a linguagem falada pelo professor é uma didatização do conhecimento acumulado pela escrita (em letras ou números e sinais) na disciplina que ele leciona. Quando a fala é uma transposição de leituras, ela não é uma fala similar a uma conversa casual, como as que usamos no cotidiano. Ao contrário, está carregada de conceitos e de relações complexas entre os conceitos provenientes de estudos sobre os diferentes conhecimentos, seja qual for a matéria que esteja sendo ensinada. E em geral é preciso acrescentar, para complementar as aulas expositivas ou dialogadas feitas pelos professores, textos (didáticos ou não) relacionados às disciplinas ministradas.

Assim, o que se tem como prática constante em todas as disciplinas escolares é a leitura de textos. Antes ou depois da aula expositiva, leituras. Leitura de textos escritos, de imagens, de gráficos, mas leitura. Isso significa que sem desenvolver capacidades de leitura o aluno não consegue aprender as disciplinas escolares na dimensão proposta pelos conteúdos programáticos. Significa, também, que os professores das diversas disciplinas precisam ensinar o aluno a ler os gêneros próprios de suas matérias, uma vez que eles são gêneros textuais produzidos de forma particular em cada área de conhecimento. Ler literatura, por exemplo, não é o mesmo que ler enunciados de problemas; ler textos de história não é o mesmo que ler gráficos em geografia. O aluno não lê textos de cada uma das disciplinas com facilidade sem ter compreendido os conceitos e as relações entre eles, do modo particular como são abordados nelas. Seja qual for a disciplina, a leitura se dá de forma particular, e exige conhecimentos específicos para ser bem-sucedida.

Então, ler é uma competência indispensável para a aprendizagem em cada uma das áreas, uma competência que precisa ser ensinada pelos professores de cada uma delas. Mas, o que é necessário para que os alunos leiam verdadeiramente em qualquer disciplina, compreendendo o que leem? A compreensão dos textos de diferentes gêneros está relacionada a dois aspectos: primeiramente, à natureza dos próprios textos e, em segundo lugar, às capacidades de leitura desenvolvidas pelo leitor.

Em primeiro lugar, não há como ler textos, gráficos ou imagens, sem ter compreendido bem a natureza dos gêneros textuais das diferentes áreas de conhecimento, ou seja, a situação particular em que textos, gráficos ou imagens foram produzidos. A situação de produção de um texto é sempre histórica, isto é, está ligada ao momento histórico atual e, ao mesmo tempo, faz referências a um conhecimento produzido em um dado momento da história da humanidade. Em matemática, por exemplo, o professor pode ensinar a situação de produção de um gênero textual matemático trabalhando com o nascimento de conceitos a eles relacionados, registrados na história da matemática.

Em segundo lugar, não há leitores que leiam bem sem ter suas capacidades de leitura, necessárias para ler qualquer gênero de texto, bem desenvolvidas. As capacidades de leitura, portanto, podem e devem ser desenvolvidas em qualquer disciplina escolar. (...)


Publicado originalmente no site da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro

(Disponível em: https://dialogosassessoria.wordpress.com/2014/09/11/leitura-nas-diversas-disciplinas/)

Quanto ao uso da crase, analise esta citação: “A compreensão dos textos de diferentes gêneros está relacionada a dois aspectos: primeiramente, à natureza dos próprios textos e, em segundo lugar, às capacidades de leitura desenvolvidas pelo leitor. ”


Agora, marque a melhor explicação sobre o tema em questão:

Alternativas
Q2742914 Português
not valid statement found

Releia o trecho a seguir.

“São essas regiões que estão ligadas a nossa habilidade de recordar o passado e projetarmos o futuro, a pensar em si e nos outros, bem como às decisões morais”[...]

Em relação ao acento indicador de crase, de acordo com a norma padrão, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas
Q2741094 Português

Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.


Sentimentos Femininos


  1. Se estou conversando com uma mulher e os olhos dela se enchem de lágrimas – isso acontece
  2. frequentemente com amigas, colegas de trabalho e namoradas – tenho a sensação, tristíssima, de ser um
  3. humano defeituoso. É como se faltasse alguma coisa em mim que me impedisse de expressar meus
  4. sentimentos e emoções da mesma forma. Enquanto elas choram, abraçam, suspiram, tremem, riem, gritam
  5. e coram, eu tenho apenas o silêncio constrangido ou a racionalidade. Diante da algaravia exuberante dos
  6. sentimentos femininos, quase nada.
  7. A sensação não é minha apenas. A perplexidade dos homens frente ao repertório de emoções das
  8. mulheres é antiga e disseminada. Meu sentimento mais comum é de inveja – como elas conseguem ir tão
  9. fundo e tão rápido dentro de si mesmas, enquanto eu me sinto preso numa espécie de insensibilidade? –
  10. mas é possível também ter medo e raiva. É fácil ser frustrado ou afogado por essa aluvião de emoções. É
  11. comum que, por causa de sentimentos ou da ausência deles, a conversa entre homens e mulheres
  12. descambe para a mútua incompreensão.
  13. Houve um tempo, que terminou recentemente, em que era possível passar a vida no universo
  14. seguro das emoções masculinas. Nós ditávamos o mundo e estabelecíamos as regras de acordo com a
  15. nossa objetividade. Fora da intimidade do casal ou da família, não havia espaço para o vasto vocabulário
  16. das sensações femininas. Agora, isso mudou. As emoções das mulheres transbordaram para fora do
  17. ambiente doméstico e exigem ser levadas a sério. Isso criou, para todos nós, um mundo mais justo, mas
  18. muito mais complicado.
  19. Antes, uma mulher chorando no trabalho era motivo de escárnio e piada. Agora, é pelo menos tão
  20. sério quanto um cara esbravejando. Chefes perplexos passam horas administrando mágoas, inseguranças e
  21. ressentimentos que não são capazes de entender. É um mundo novo de sutilezas e sensibilidades que se
  22. impôs, a despeito da resistência dos homens. Se pudessem, eles diriam ___ mulheres que parassem de mimi-
  23. mi e voltassem ao trabalho, mas não podem. Elas conquistaram o direito de ser elas mesmas durante o
  24. expediente. Portanto, há que sentar, ouvir, conversar e acomodar sentimentos que aos homens,
  25. frequentemente, parecem exagerados e injustos, mas que se tornaram parte da realidade. Os homens - ao
  26. menos esta geração de homens - não compreendem, apenas aceitam. Este é outro motivo pelo qual as
  27. mulheres tendem ___ prosperar nas organizações modernas. Elas compreendem, e compreensão tornou-se
  28. essencial a qualquer projeto.
  29. Fora do trabalho, quando as pessoas não têm obrigação de se entender, as coisas se tornaram
  30. ainda mais difíceis. As mulheres querem colocar seus sentimentos na mesa e nós, homens, reagimos. Não é
  31. apenas o fiu-fiu que incomoda as moças nas calçadas e que os homens terão de aprender a suprimir. Há
  32. coisas mais sutis que emperram o convívio.
  33. É óbvio que um mundo que responda aos sentimentos de metade da população é um mundo mais
  34. justo. É evidente, até para o mais xucro dos homens, que não se pode construir uma sociedade, uma
  35. família ou uma relação de casal harmônicas ignorando a sensibilidade feminina. As mulheres oferecem ao
  36. planeta um olhar sutil, capaz de distinguir matizes de sentimentos e sensações que a cultura masculina não
  37. percebe. Com esse olhar ganha-se inteligência, amplitude e profundidade, mas não só. Há confusão
  38. também.
  39. A cultura em preto e branco do universo masculino funciona como proteção. A objetividade é um
  40. escudo contra o caos dos sentimentos. A cultura feminina permite a expressão de um leque maior de
  41. emoções e a percepção de um mundo mais complexo em seus detalhes, mas tem um lado B. Como se
  42. desliga a sensibilidade quando ela começa a se tornar autodestrutiva? Como se faz para lidar de forma
  43. organizada com o mundo exterior quando uma multidão de vozes contraditórias grita dentro de nós,
  44. exigindo expressão?
  45. O silêncio interior dos homens é uma coisa triste – como as lágrimas das mulheres frequentemente
  46. me fazem notar - mas ele permite ouvir o mundo com mais clareza. É um mundo mais simples esse que os
  47. homens habitam e enxergam, mas ele vem funcionando há milênios. Agora, as mulheres nos propõem o
  48. desafio de fazer funcionar um mundo mais parecido com elas – com mais cores, mais dimensões, mais
  49. detalhes e muitos mais sentimentos. Não vai ser fácil, mas não há alternativa. O mundo que os homens
  50. construíram ___ sua imagem e semelhança está ruindo. É necessário começar um mundo novo.


(Ivan Martins – Revista Época, 9 de março de 2016 – disponível em http://www.epoca.globo.com - adaptação)

Considerando o acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das linhas 22, 27 e 50.

Alternativas
Q2740363 Português

Leia o texto e responda o que se pede nos comandos das questões.


A força das palavras


Palavras assustam mais do que fatos: às vezes é assim.

Descobri isso quando as pessoas discutiam e lançavam palavras como dardos sobre a mesa de jantar. Nessa época, meus olhos mal alcançavam o tampo da mesa e o mundo dos adultos me parecia fascinante. O meu era demais limitado por horários que tinham de ser obedecidos (por que criança tinha de dormir tão cedo?), regras chatas (por que não correr descalça na chuva? por que não botar os pés em cima do sofá, por quê, por quê, por quê ... ?), e a escola era um fardo (seria tão mais divertido ficar lendo debaixo das árvores no jardim de casa ...).

Mas, em compensação, na escola também se brincava com palavras: lá, como em casa, havia livros, e neles as palavras eram caramelos saborosos ou pedrinhas coloridas que a gente colecionava, olhava contra a luz, revirava no céu da boca. E, às vezes, cuspia na cara de alguém de propósito para machucar ( ).

A palavra faz parte da nossa essência: com ela, nos acercamos do outro, nos entregamos ou nos negamos, apaziguamos, ferimos e matamos. Com a palavra seduzimos num texto; com a palavra, liquidamos - negócios, amores. Uma palavra confere o nome ao filho que nasce e ao navio que transportará vidas ou armas.

"Vá"," Venha"," Fique"," Eu vou"," Eu não sei"," Eu quero, mas não posso", "Eu não sou capaz", "Sim, eu mereço" - dessa forma, marcamos as nossas escolhas, a derrota diante do nosso medo ou a vitória sobre o nosso susto. Viemos ao mundo para dar nome às coisas: dessa forma, nos tornamos senhores delas ou servos de quem as batizar antes de nós.

Fonte: Lya Luft. Ponto de Vista. Veja, 14/07/04.

"Viemos ao mundo para dar nome às coisas: ( ... )". Observe o uso do acento grave, indicativo da crase, em "às coisas", e assinale a alternativa correta:

Alternativas
Q2736699 Português

Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo.


A inclusão de profissionais com deficiência no mercado de trabalho: um panorama positivo para uma mudança necessária


Jaques Haber


01 ___ É indiscutível a importância das contratações de profissionais com deficiência para a

02 economia do Brasil. Além da geração de emprego, a inclusão dessas pessoas no mercado de

03 trabalho contribui para trazer-lhes dignidade. Ao incluí-las, não estamos apenas ofertando um

04 salário, mas também a oportunidade de se reabilitarem socialmente e psicologicamente.

05 ___ É sabido que o exercício profissional traz consigo a interação com outras pessoas, o

06 sentimento de cidadão produtivo, a possibilidade de fazer amigos, de encontrar um amor, de

07 pertencer a um grupo social. Até o status adquirido junto _____ própria família muda para

08 melhor, sem contar que a presença de pessoas com deficiência no mercado de trabalho contribui

09 para humanizar mais a empresa e enriquecer o ambiente corporativo com visões e experiências

10 diversificadas.

11 ___ Ao incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho, configura-se um novo grupo de

12 consumidores, até então excluído da economia. Com a geração de renda, esse grupo passa a

13 consumir avidamente, já que apresenta muitas carências, desde elementos essenciais, como o

14 acesso a planos e serviços de saúde, até a concretização de desejos não tão de primeira ordem,

15 como a compra de um tablet ou um smartphones, por exemplo. Com a renda, essas pessoas

16 passam a circular mais, e isso ................. maior convivência com pessoas sem deficiência, o

17 que desperta a atenção para oportunidades de se criarem mais produtos, serviços e ambientes

18 que atendam às necessidades específicas dessa parcela da população.

19 ___ Nessa perspectiva, a inclusão de profissionais com deficiência no ambiente de trabalho cria

20 oportunidades, também, para as empresas gerarem mais negócios. Uma pessoa que está

21 acostumada a enfrentar desafios diários por falta de acessibilidade ou sensibilização da

22 população, em geral, .............. se adapta ao mundo do trabalho. Nesse sentido, essa pessoa

23 está mais preparada para lidar com situações críticas e a resolver problemas, além de trazer uma

24 visão diferente para o grupo, o que contribui para o processo de criação ou tomada de decisões.

25 ___ Em relação _____ qualificação das pessoas com deficiência, podemos afirmar que segue

26 basicamente o mesmo padrão da população brasileira em geral, e é falacioso generalizar a falta

27 de qualificação desse grupo. É fato que, por questões de exclusão histórica, há uma maioria

28 pouco qualificada, mas essa baixa qualificação também incide no restante da população e não

29 significa que não existam pessoas com deficiência qualificadas. Por exemplo: no banco de

30 currículos da i.Social, mais de 80% dos 30.000 profissionais cadastrados têm ao menos ensino

31 médio completo, e há muitos com graduação, mestrado e doutorado.

32 ___ Observamos, então, que o maior empecilho para a inclusão desses profissionais ainda é

33 cultural. Ou seja, as relações interpessoais ainda estão muito calcadas em estereótipos e

34 preconceitos, além do fato de as vagas oferecidas _____ essas pessoas ainda serem muito

35 operacionais e pouco atrativas. Os líderes e gestores das empresas ainda não consideram incluir

36 esses profissionais em cargos mais estratégicos, pois tendem a achar que são menos produtivos

37 ou geram mais custos com acessibilidade, o que não é verdade. Dessa forma, não é exagero

38 afirmar que a questão cultural ainda é o maior desafio. A falta de acessibilidade é reflexo da falta

39 de cultura inclusiva. Enquanto não transformarmos a mentalidade antiga de que as pessoas com

40 deficiência são menos qualificadas, menos produtivas e exigem muitos investimentos, não

41 daremos um salto de qualidade no processo de inclusão.


(Fonte: http://blog.isocial.com.br/a-inclusao-de-profissionais-com-deficiencia-no-mercado-de-trabalho-um- panorama-positivo-para-uma-mudanca-necessaria - Texto adaptado especialmente para esta prova)


Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas das linhas 07, 25 e 34.

Alternativas
Q2736222 Português

Leia o texto a seguir para responder às questões de números 14 a 20.


Eu fico realmente impressionado ao perceber como os colunistas políticos da grande mídia sentem prazer em pintar o país em cores sombrias: tudo está sempre “terrível”, “desesperador”. Nunca estivemos “tão mal” ou numa crise “tão grande”.

Em primeiro lugar, é preciso perguntar: estes colunistas não viveram os anos 90?! Mas, mesmo que não tenham vivido e realmente acreditem que “crise” é o que o Brasil enfrenta hoje, outra indagação se faz necessária: não leem as informações que seus próprios jornais publicam, mesmo que escondidas em pequenas notas no meio dos cadernos?

Vejamos: a safra agrícola é recordista, o setor automobilístico tem imensas filas de espera por produtos, e os aeroportos estão lotados. Passe diante dos melhores bares e restaurantes de sua cidade no fim de semana e perceberá que seguem lotados.

Aliás, isso é sintomático: quando um país se encontra realmente em crise econômica, as primeiras indústrias que sofrem são as de entretenimento. Sempre. Famílias com o bolso vazio não gastam com o que é supérfluo – e o entretenimento não consegue competir com a necessidade de economizar para gastos em supermercado, escola, saúde, água, luz etc. Portanto, é revelador notar, por exemplo, como os cinemas brasileiros estão tendo seu melhor ano desde 2011. Público recorde. “Apesar da crise”. A venda de livros aumentou 7% no primeiro semestre. “Apesar da crise”.

Se banissem a expressão “apesar da crise” do jornalismo brasileiro, a mídia não teria mais o que publicar. Faça uma rápida pesquisa no Google pela expressão “apesar da crise”: quase 400 mil resultados.

“Apesar da crise, produção de batatas atrai investimentos em Minas”

“Apesar da crise, brasileiros pretendem fazer mais viagens internacionais.”

“Apesar da crise, Piauí registra crescimento na abertura de empresas.”

Apesar da crise. Apesar da crise. Apesar da crise.

Uma coisa é dizer que o país está em situação maravilhosa, pois não está; outra é inventar um caos que não corresponde à realidade. A verdade, como de hábito, reside no meio do caminho: o país enfrenta problemas sérios, mas está longe de viver “em crise”. E certamente teria mais facilidade para evitá-la caso a mídia em peso não insistisse em semear o pânico na mente da população – o que, aí, sim, tem potencial de provocar uma crise real.

(Apesar da crise. Disponível em: www.pragmatismopolítico. Adaptado)

Assinale a alternativa em que o acento indicativo de crase e a colocação pronominal foram empregados de acordo com a norma padrão da língua portuguesa.

Alternativas
Q2735765 Português

Analise as proposições abaixo, adaptadas do texto:


I. As descobertas científicas são sempre fonte de inspiração e alento ________nossas próximas gerações.

II. Os transumanistas seriam fiéis e não realizariam intervenções inadequadas________ necessidades das pessoas.

III. Muitas famílias gostariam de escolher as características dos filhos semelhantes __________que possuem algumas celebridades.

IV. É necessário estender essas inovações científicas ______todas as classes sociais.


No que diz respeito à regência verbal e à nominal, mais especificamente, ao uso do sinal indicativo da crase, assinale a única alternativa que contém a sequência CORRETA, que completa as lacunas, de cima para baixo, de acordo com a norma culta padrão da gramática da língua portuguesa.

Alternativas
Respostas
5341: D
5342: A
5343: C
5344: A
5345: C
5346: B
5347: A
5348: D
5349: A
5350: B
5351: A
5352: B
5353: B
5354: C
5355: C
5356: B
5357: D
5358: A
5359: E
5360: A