Questões de Concurso
Comentadas sobre crase em português
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Leia atentamente o texto abaixo.
As Escolhas que Fazemos
Tudo o que acontece em nossas vidas decorre das decisões que tomamos e das escolhas que fazemos. Até mesmo quando não definimos uma opção, estamos fazendo uma escolha e o que vem a seguir, guarda relação de causa e efeito com aquela decisão escolhida. Não são raras ...... vezes que discutimos e debatemos sobre o efeito, quando deveríamos nos ater ....... causa, .......... raiz dos problemas e situações que estamos analisando.
No Brasil fizemos uma escolha equivocada ao priorizarmos o ensino superior, em detrimento ............ educação básica. Não que o nível superior não seja importante, pelo contrário, é muito relevante na trajetória de quem busca boa colocação e melhores oportunidades no mundo do trabalho, cada vez mais competitivo. Porém, não se constrói uma obra começando pelo teto, inicia-se por uma boa base, um alicerce bem estruturado, sobre o qual construiremos toda a estrutura.
Não é raro ouvirmos que os primeiros semestres dos cursos universitários precisam ser usados para fazer um nivelamento do conhecimento dos calouros, uma vez que chegam com conteúdos e conhecimentos insuficientes para o bom desempenho nos cursos escolhidos. Podemos então concluir que .............. educação básica precisa melhorar.
Educação é um processo sequencial. Para que os alunos cheguem bem-preparados aos cursos universitários, precisamos de uma boa educação no ensino médio. Para que cheguem bem-preparados ao ensino médio, precisamos de uma boa educação nos anos iniciais. Assim alcançaremos melhores resultados no processo educacional.
Revista nsc DC: Santa Catarina, ano 37.n12.156, maio/2022. Adaptado.
Assinale a alternativa que preenche correta e sequencialmente, conforme a norma-padrão, as lacunas do texto.
PARÁBOLA DO HOMEM RICO
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Todos são poetas à sua maneira, mas é bem possível que, se todos o fossem realmente, não houvesse mais lugar para a poesia. Porque a poesia é a amante espiritual dos homens, aquela com quem eles traem a rotina do cotidiano. A poesia restituilhes o que a vida prática lhes subtrai: a capacidade de sonhar. O desgaste físico e moral imposto pelo exercício das profissões, em que o ser humano deve despersonalizar-se ao máximo para atingir um índice ideal de eficiência - eis a grande arma da poesia. Depois que o banqueiro passa o dia manipulando o jogo de interesses do seu banco, vem a poesia e, na forma de um beijo de mulher, diz-lhe que o amor é menos convencional que o dinheiro. Ou o bancário, que passa o dia depositando e calculando o dinheiro alheio, ao ver chegar a depositária grã-fina, linda e sofisticada, sonha em tornar-se um dia banqueiro. E fazendo-o, invade o campo da poesia. Pois tudo é fantasia. Cada ação provoca um sonho que lhe é imediatamente contrário. Tal é a dinâmica da vida, e sem ela a poesia não teria vez.
Isso me faz lembrar certa noite em Paris, num jantar com meus amigos Marie-Paule e Jean-Georges Rueff, em companhia de um grande comerciante francês, um homem super-rico, dono de um dos maiores supermercados da França, superviajado, superlindo e casado com uma mulher superlinda. Nós nos havíamos conhecido alguns anos antes, em Estrasburgo, onde ele e os Rueff então moravam, e um pilequinho em comum nos havia aproximado, depois de um papo de coração aberto que nos levou até a madrugada. O assunto agora era o mesmo, a poesia, e o nosso prezado homem rico, depois de discutirmos um pouco a extraordinária vida desse jovem gênio que foi o poeta Jean-Arthur Rimbaud, fez-nos ver que não há casamento possível entre o Grande Lírico e o Grande Empresário: ou se é uma coisa, ou se é outra. O verdadeiro homem de empresa ao mesmo tempo inveja e despreza o poeta, uma vez que não se pode preocupar além dos limites com as palavras da poesia. Elas são, para ele, o reverso da medalha: o ouro impalpável. E como as mulheres - dizia-me ele ao lado da sua - são seres devorados de lirismo, sobretudo no amor, o capitalista tinha que pagar seu preço ao artista: e esse preço, via de regra, era a própria mulher.
- Elas ficam conosco porque nós representamos poder aquisitivo, podemos dar-lhes as coisas de que necessitam para ficarem mais sedutoras, terem mais disponibilidade para cuidar da própria beleza. Mas essa beleza, elas a entregam a vocês, os artistas. No fundo, as mulheres nos odeiam. O que não impede que vocês sejam todos gigolôs do capitalismo. [...]
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(Adaptado: Vinicius de Moraes. Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, 31/12/1969).
Considerando a oração “Todos são poetas à sua maneira” (1º parágrafo), a ocorrência da crase está adequada da mesma forma que na opção:
Em Terra de Cego
Nenhum ditado popular explica tão bem os problemas do Brasil e do mundo como “Em terra de cego quem tem um olho é rei”. Ele mostra por que existe tanta gente incompetente dirigindo nossas empresas e nossas instituições.
Mostra também por que é tão fácil chegar ao topo da pirâmide social sem muita visão ou competência. Basta ter um mínimo de conhecimento para sair pontificando soluções. Todo mundo palpita em economia e futebol como se fosse Ph.D. no assunto.
Se nossos técnicos de futebol tivessem ouvido os palpiteiros, jamais seríamos pentacampeões mundiais de futebol.
Por isso temos tantos acadêmicos para lá de arrogantes, que se acham predestinados a dirigir nossa vida com muita teoria e pouca informação. Existe um corolário desse ditado que me preocupa por suas consequências.
“Em terra de cego, quem tem um olho é rei, e quem tem dois olhos é muito malvisto.” Indivíduos inteligentes e capazes são encarados como uma enorme ameaça e precisam ser rapidamente eliminados pelos que estão no poder. Por essa razão, pessoas com mérito e competência dificilmente são promovidas no Brasil. Promovidos são os bajuladores e puxa-sacos.
Quando aparece alguém com dois olhos, os reizinhos tratam de eliminá-lo, quanto antes melhor. Já cansei de ver gente competente que, de um momento para o outro, deixou de ser ouvida pela diretoria.
Já vi muito jornalista que, de repente, caiu em desgraça. Já vi muito jovem comentar algo brilhante na aula e ser duramente criticado pelo professor, sem saber o motivo. Todos cometeram o erro fatal de mostrar que tinham dois olhos. Por favor, não deixe que isso aconteça com você.
Se você é dos milhares de brasileiros que possuem dois olhos, tome cuidado. Em terra de cego, você corre perigo. Nunca mostre a seu chefe, professor ou colega de trabalho os olhos que tem. Lamento não poder dar nenhum bom conselho, eu sou dos que tem um olho só. A maioria dos dois-olhos que conheço já desistiu de lutar e optou pelo anonimato.
Quando eles têm uma ideia brilhante, colocam a solução na mesa de seus chefes e deixam que a ideia seja descaradamente roubada.
Eles se fingem de mortos, pois sabem que, se agirem de modo diferente, poderão tornar-se vítimas. Mas há saídas melhores.
Se seu chefe tem um olho só, mude de emprego e procure companhias que valorizem o talento, que tenham critérios de avaliação claros e baseados em meritocracia. São poucas, mas elas existem e precisam ser prestigiadas. Ou, então, procure um chefe que tenha dois olhos e grude nele. Ele é o único que irá entendê-lo. Ajude-o a formar uma grande equipe. Se ele mudar de empresa, mude com ele.
Seja diferente, procure os melhores chefes para trabalhar, não as melhores companhias. Normalmente, as grandes empresas já são dominadas por reizinhos de um olho só. Por isso, considere criar um negócio com outros como você. Vocês terão sucesso garantido, pois vão concorrer com milhares de executivos e empresários de um olho só.
Nosso erro como nação é justamente não identificar aqueles que enxergam com dois olhos, para poder segui-los pelos caminhos que trilham.
Eles deveriam ser valorizados, e não perseguidos, como o são. O Brasil precisa desesperadamente de gente que pense de forma clara e coerente, gente que observe com os próprios olhos aquilo que está a sua volta, em vez de ler em livros que nem foram escritos neste país.
Se você for um desses, tenha mais coragem e lute. Junte-se a eles para combater essa mediocridade mundial que está por aí. Vocês não se encontram sozinhos. Nosso povo tem dois olhos, sim, e é muito mais esperto do que se imagina.
Ele está é sendo enganado há tempos, enganado por gente com um olho só. Foi-se o tempo de uma elite pensante comandar a massa ignara.
Hoje, a maioria do povo tem acesso à internet e a home pages com mais informação do que essa intelligentsia tinha quando fez seu doutorado. Se informação é poder, ela não é mais restrita a um pequeno grupo de bem formados. Nosso povo só precisa acreditar mais em si mesmo e perceber que cegos são os outros, aqueles com um olho só.
Disponível em: https://blog.kanitz.com.br/terra-cego/
Em relação ao uso da crase, a frase inteiramente correta é:
Sobre o uso do sinal de crase, assinale (V) verdadeiro ou (F) falso e marque a alternativa correta.
( ) Estava à frente de todos os negócios.
( ) À medida que chovia, a estrada se tornava mais perigosa.
( ) Frequentava a escola à noite.
( ) Fez toda a lição às pressas.
( ) Escreveu o relatório à mão.
Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 7.
A inciativa privada tem muito a ganhar ao fazer investimentos e estabelecer metas para melhorar seu desempenho ambiental. Para tanto, é preciso que haja certas mudanças nas práticas atuais. A primeira mudança necessária rumo às boas práticas ambientais deve começar com as lideranças das corporações e na forma como elas pensam, segundo a professora Priscila Borin Claro. Em sua opinião, hoje existem companhias que estão mais avançadas nesse debate, com transparência e metas traçadas para os próximos anos. Ao mesmo tempo, há aquelas que “falam mais do que fazem” e as que estão perdidas nesse assunto – caso das pequenas e médias.
“Se trabalharmos sustentabilidade como estratégia, conseguiremos reduzir custos, diversificar negócios, melhorar a reputação e ter acesso a um capital mais barato”, afirma a professora. Mesmo com inciativas que ainda não se adequaram muito bem ao novo cenário, o mundo corporativo está mais avançado que o governo, afirma a professora. Ela diz que, sem o apoio do Estado, o acesso a tecnologias que possam ajudar a tornar a indústria mais verde será reduzido.
A especialista ainda ressalta que segmentos da indústria como o agronegócio, alvo frequente de reclamações e denúncias sobre desmatamento e poluição, são imprescindíveis para a garantia de um futuro mais sustentável para o país. Exemplos como a agricultura regenerativa, técnica para conservação e reabilitação de sistemas agrícolas, e o pagamento de serviços ambientais têm sido adotados fortemente pelo setor.
O investimento em sustentabilidade também traz impacto social. “Os mais pobres são os que mais sofrem com os efeitos das mudanças climáticas”, afirma Priscila Borin Claro. Por isso, segundo ela, essas populações serão beneficiadas com a mudança de postura dos empresários.
(Folha de São Paulo. 28.11.2021. Adaptado).
Com relação ao emprego da crase e de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta.
Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 5.
O mercado movimentado por pessoas com 50 anos ou mais já abrange 54 milhões de consumidores e pode chegar a 90 milhões até 2045 no Brasil. A perspectiva sinaliza oportunidades de negócios na chamada economia da longevidade, que movimenta R$ 1,6 trilhão por ano no país. O crescimento do número de consumidores maduros abre espaço para empreendedores que querem investir em serviços de saúde, lazer e turismo, além de áreas relacionadas ao bem-estar econômico e social.
Embora conhecido, o consumidor dessa faixa etária ainda não é plenamente atendido e há espaços para novos negócios. Os empreendedores que trabalham com negócios da longevidade devem ouvir com atenção os consumidores para conhecer suas demandas, e reforçar cuidados com um atendimento mais individualizado. Espaços mais iluminados, produtos com rótulos maiores e atendentes treinados para responder dúvidas são algumas das medidas necessárias para fidelizar esse público.
Estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado no ano passado mostrou que a proporção de idosos (mais de 65 anos) no Brasil pode saltar dos 7,3%, em 2010, para 40,3% em 2100. O percentual de jovens (menos de 15 anos) pode cair de 24,7% para 9%. Hoje, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) 10,5% da população brasileira tem mais de 65 anos.
Segundo Layla Vallias, consultora de marketing especializada em consumidor sênior, as pessoas com mais de 50 anos são protagonistas de um novo modo de consumir. “Hoje é comum que as pessoas mais novas dependam das gerações anteriores que fizeram dinheiro”, afirma Layla. Com isso, não são mais os filhos adultos que tomam a decisão de compra, mas sim os pais e avós.
A consultora explica que o comportamento do consumidor muda a partir dos 50, quando há, segundo ela, uma reflexão sobre a maturidade. Por isso, a economia da longevidade considera uma faixa etária que ainda não alcançou os benefícios dos direitos previdenciários ou gratuidade nos transportes, a partir dos 60 anos.
“As mulheres são protagonistas dessa revolução da maturidade. Elas acumulam mais papéis dentro da família e são as que mais sofrem preconceito etário”, afirma Layla. Ela diz ainda que há espaço para o mercado de confecção de roupas e produtos estéticos ou para manter a vida sexual saudável. “São mulheres ativas e que querem entrar em uma drogaria e encontrar produtos específicos para elas”, conclui a consultora.
(Folha de São Paulo, 20.05.2022. Adaptado)
Assinale a alternativa cuja reescrita do texto emprega a crase de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa.
De modo leve e intenso, ela escrevia ______ Cecília Meireles. Escrever ______ pessoas era revelar um sentimento semelhante ______ amor.
Assinale a alternativa que apresenta os termos que completam o excerto acima com o uso correto da crase.
Texto 1
Brasil cria roupa contra a covid
Pesquisadores brasileiros produziram um tecido capaz de inativar o novo coronavírus. Os testes preliminares, feitos no último mês, apontaram que o produto têxtil desenvolvido consegue neutralizar mais de 99,9% das partículas virais em até um minuto. Além disso, foi comprovada a eficácia no combate a outras doenças virais, como sarampo e caxumba. A descoberta poderá ser usada não só para vestuário, mas também em outras funções, como cortinas e forro de estofados de locais públicos.
Pesquisador do laboratório, Raphael Bergamini afirmou que o tecido tem grande potencial de funcionamento em situações de exposição à doença: "Por ter essa inativação tão rápida do vírus, as chances de contaminação da doença caem muito. Se um médico que tem contato com pacientes contaminados manuseia a máscara e coça os olhos, por exemplo, o vírus já teria sido neutralizado, porque essa estrutura funciona não só como uma barreira física, mas química também".
Além da produção de máscaras, aventais e outros equipamentos para profissionais da Saúde, o tecido representa uma mudança de cenário. "Uma vez que o protocolo de produção é homologado e está testado, ele condiciona a indústria têxtil, não só da parte fashion, mas também a logística. Provadores de loja, cortinas de teatro, assentos de avião ... Se nós aplicarmos esse químico, dá uma proteção e tranquilidade maior para as pessoas que estão frequentando o ambiente. Tirando a parte hospitalar, a gente vislumbra outros mercados e toda uma mudança de cenário", explicou o coordenador Adriano Passos.
Por ser um material com bom custo-benefício, o acesso pode ser mais fácil. Raphael Bergamini ressaltou a importância dessa facilitação: "Nós auxiliamos o laboratório nesse projeto de aplicação química e na estruturação, e eles já estão produzindo. O preço é acessível, muito mais do que a prata utilizada em outros tecidos. E nós vamos doar uma produção-piloto que fizemos para hospitais. É tudo muito novo, então ainda estamos decidindo para onde doar"
Maria Clara Matturo
(Adaptado de: Jornal O Dia, Rio de Janeiro, 15/07/2020)
Considere a frase a seguir e responda às questões 9, 10 e 11:
"Além disso, foi comprovada a eficácia no combate a outras doenças virais, como sarampo e caxumba" |
Reescrevendo a expressão "combate a outras doenças virais", o acento indicativo de crase está corretamente empregado em:
Texto 1
Clonar para biodiversidade
Em dezembro de 2020, o Centro de Conservação de Vida Selvagem do Colorado, nos EUA, foi palco de um nascimento histórico. Elizabeth Ann é o primeiro clone de uma espécie de furão ameaçada de extinção: o furão-de-patas-pretas. Ela é cópia de um ancestral que morreu na década de 1980 e teve suas células congeladas, uma fêmea chamada Willa. À primeira vista, o fato não impressiona. Afinal, quem não se lembra da ovelha Dolly, em 1996? Nas últimas décadas, a clonagem de mamíferos tornou-se lugar comum, utilizada constantemente para clonar animais de criação, esporte e domésticos. O que tem de tão especial neste novo clone?
A novidade não está na técnica, mas no uso. Elizabeth Ann foi criada com uma técnica muito similar à da ovelha Dolly. Óvulos de uma fêmea doméstica doadora foram coletados e tiveram seus núcleos removidos. O material genético de Willa foi então inserido neles, e um estímulo elétrico fez com que começassem a se dividir. O embrião foi implantado em uma fêmea doméstica, dentro de um esquema "barriga de aluguel”. Mas Elizabeth Ann não é um animal de criação ou de corrida, nem um pet. Ela é o primeiro mamífero clonado para um programa de conservação ambiental.
A espécie — furão-de-patas-pretas (Mustela nigripes) — já foi considerada extinta nos EUA na década de 1970, provavelmente devido à caça desenfreada do cão-da-pradaria, que era seu prato preferido. Na década de 1980, no entanto, foi descoberta uma pequena colônia destes animais, e teve início um programa de conservação. Não foi fácil, porque apenas sete animais conseguiram se reproduzir, o que diminui muito a diversidade genética dos descendentes, aumentando inclusive a suscetibilidade a doenças.
Uma estratégia para aumentar a diversidade é introduzir genes de populações diferentes, mas como fazer isso em uma espécie em extinção, onde todos os indivíduos são geneticamente muito próximos? Elizabeth Ann vem para resolver este problema. Ela traz genes de um animal que morreu há 35 anos, com uma diversidade genética três vezes maior do que a encontrada na população existente. É como se todos os furões-de-patas-pretas fossem primos de primeiro grau, e ela, uma estrangeira de um país distante.
Elizabeth Ann, agora sexualmente madura, após seu primeiro aniversário, aguarda a escolha do parceiro, que está sendo cuidadosamente selecionado entre os machos da espécie. E preciso, segundo os tratadores, escolher o macho mais “cavalheiro”, porque não se pode correr o risco de um namorado mais brutamontes machucar a única fonte de genes diferentes. Se ela conseguir se reproduzir e ter descendentes saudáveis, seu caso pode marcar o início de novos programas de conservação e reintrodução de genes para outras espécies em extinção.
O sucesso do programa em furões pode beneficiar muito mais do que os furões em si. Pode ser uma prova de conceito e atrair interesse e financiamento para repetir o processo com outras espécies. Clonar animais selvagens sempre foi um desafio muito maior do que animais domésticos, até porque as técnicas de criação e reprodução em cativeiro não são tão bem estabelecidas para espécies com as quais a Humanidade não convive tanto. O Zoológica de San Diego, por exemplo, está nos primeiros estágios para tentar o mesmo processo com o rinoceronte-branco-do-Norte, espécie da qual existem hoje só dois indivíduos. O sucesso de Elizabeth Ann pode servir para impulsionar programas como esse.
Clones normalmente nos levam a pensar em cópias e redução de diversidade. Elizabeth Ann vem para nos lembrar que clonagem e modificação genética são apenas ferramentas. O que fazemos com elas depende de nossa criatividade, ética e recursos. Clones podem ser usados para promover biodiversidade, e quem sabe, resgatar mais espécies em extinção.
Natália Pastenak
(O Globo, 31 de janeiro de 2022)
“A espécie — furão-de-patas-pretas (Mustela nigripes) - já foi considerada extinta nos EUA na década de 1970, provavelmente devido à caça desenfreada do cão-da-pradaria, que era seu prato preferido.” (3º parágrafo).
Reescrevendo parte do trecho anterior, o emprego da crase permanece em:
Texto para as questões de 01 a 12.
s
TEXTO 1
s
Atalhos
s
Quanto tempo a gente perde na vida? Se somarmos todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros. Depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, aí mais tarde demora pra entender certas coisas, demora pra dar o braço a torcer. Viramos adolescentes teimosos e dramáticos. Levamos um século para aceitar o fim de uma relação, e outro século para abrir a guarda para um novo amor, e já adultos demoramos para dizer a alguém o que sentimos, demoramos para perdoar um amigo, demoramos para tomar uma decisão. Até que um dia a gente faz aniversário. 37 anos. Ou 41. Talvez 48. Uma idade qualquer que esteja no meio do trajeto. E a gente descobre que o tempo não pode continuar sendo desperdiçado. Fazendo uma analogia com o futebol, é como se a gente estivesse com o jogo empatado no segundo tempo e ainda se desse ao luxo de atrasar a bola pro goleiro ou fazer tabelas desnecessárias. Que esbanjamento. Não falta muito pro jogo acabar. É preciso encontrar logo o caminho do gol.
Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito discurso. Tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, é ir direto ao assunto. Excetuando-se nos momentos de afeto, pra todo o resto é melhor atalhar. E isso a gente só alcança com alguma vivência e maturidade.
Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando, não esperam sentados, não ficam dando voltas e voltas, não necessitam percorrer todos os estágios. Queimam etapas. Não desperdiçam mais nada.
Uma pessoa é sempre bruta com você? Não é obrigatório conviver com ela.
O cara está enrolando muito? Beije-o primeiro.
A resposta do emprego ainda não veio? Procure outro enquanto espera.
Paciência só para o que importa de verdade. Paciência para ver a tarde cair. Paciência para sorver um cálice de vinho. Paciência para a música e para os livros. Paciência para escutar um amigo. Paciência para aquilo que vale nossa dedicação. Pra enrolação, atalho.
s
MEDEIROS, Martha. Atalhos, 2004.{adaptado)
Assinale a opção abaixo na qual o emprego do acento indicador de crase está de acordo com a norma culta da língua.
O texto abaixo é base para responder às questões de 1 a 4:
Texto 01
Modelo de alfabetização do Ceará melhorou aprendizagem de alunos em situação vulnerável, aponta pesquisa
1----------Um estudo desenvolvido por um conjunto de pesquisadores brasileiros, chilenos e franceses mostrou que
2----a implementação do Programa de Aprendizagem na Idade Certa (Paic), desenvolvido no Ceará, reduziu
3----desigualdades, aumentou o nível de aprendizagem e ampliou a equidade educacional de alunos em situação
4----de vulnerabilidade social no Estado em relação ao Brasil e ao Nordeste, entre 2011 e 2017. O mesmo
5----aconteceu com Fortaleza, em comparação com a situação de outras capitais da região.
6----------“Essa pesquisa previu verificar se, no Estado do Ceará, o fenômeno da redução da desigualdade social e
7----da ampliação da equidade educacional se estendia também para os territórios de vulnerabilidade social, e a
8----pesquisa mostrou que sim. [...] Isso é muito relevante para a sociologia da educação porque é muito difícil
9----você gerar a ampliação de equidade educacional em ambientes de vulnerabilidade social”, avalia Vanda
10---Mendes, coordenadora do projeto.
11
12---------Formação de professores
13---------Um dos aspectos do Paic que mais chamaram a atenção de três pesquisadores franceses, responsáveis
14---por estudar a dimensão 5 da pesquisa que trata da formação dos professores, foi a continuidade das ações
15---voltadas para que estes profissionais sejam capacitados de forma constante e vigilante por parte do poder
16---público local.
17---------"Enquanto na França houve uma diminuição no tempo de formação do professor, o Paic dedica bastante
18---tempo nessa formação que ajuda o professor a fazer uma vigilância, ter um olhar sobre o que o aluno está
19---compreendendo, como ele está aprendendo e o que se deve fazer para ele aprender. A política educacional
20---francesa não possui os aspectos que garantem ao Paic seus resultados: continuidade, visão sistêmica,
21---atenção aos processos e apoio aos agentes implementadores nos diversos contextos", avaliou Sylvain
22---Broccolichi.
23---------O pesquisador francês afirma que o modelo implementado no Ceará tem um olhar aprofundado no papel
24---do educador que permite identificar as particularidades, tanto de professores como de estudantes, fazendo
25---com que haja redução da desigualdade.
26---------"No Paic há essa preocupação no sentido de fazer com que pessoas compreendam o que precisa ser feito.
27---O Paic tem esse olhar para ver o que está dando certo o que não está para pensar em mudanças e que tenta
28---entender as particularidades de cada professor e aluno. Outra coisa que nos chamou bastante atenção foi a
29---elevação da performance dos alunos e a redução das desigualdades", enfatiza.
30
31---------Desafios para adoção do modelo na França
32---------A adoção de uma política pública similar ao modelo observado no Paic parece estar longe de ser uma
33---realidade na França, de acordo com o professor Broccolichi.
34---------"Eu adoraria que uma política como essa fosse implementada na França. Porém, no momento não vejo
35---possibilidade de adoção desse modelo de política na França, onde cada vez que muda o governo há
36---mudanças que geram distúrbios na escola e nos professores. Aqui [na França] você tem uma tradição política
37---muito diferente da que encontramos no Ceará. Esse cuidado da compreensão dos problemas, da avaliação
38---da situação para poder gerar mudanças, refletir para orientar as políticas, tudo isso é uma cultura bastante
39---diferente do que vemos na França hoje," afirmou.
40---------Pare ele, seria necessário romper com as tradições francesas no que diz respeito à política e à transição
41---de governos.
Disponível em: <https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2021/10/06/modelo-de-alfabetizacao>. Acesso em: 06 out. 2021. (Reduzido e com adaptações).
De acordo com a norma culta, a crase ocorre devido à regência verbal e/ou nominal. No texto, a ocorrência dela está devidamente assinalada no trecho: “no que diz respeito à política e à transição de governos” (linhas 40 e 41). Analise as frases que seguem abaixo e marque aquela em que NÃO há inadequação quanto à sinalização da crase.
Texto 2 para responder às questões de 4 a 7.
.
O perigo dos chás emagrecedores
.
1__A promessa de emagrecimento rápido por meio do
consumo de “produtos naturais” faz com que muitas pessoas
comecem a utilizar fórmulas e chás para perder peso. Sem
4 nenhuma prescrição médica ou acompanhamento, acabam
colocando a própria vida em risco.
__Hepatite, dependência química, efeito sanfona,
7 alterações gastrointestinais, cardíacas e renais são alguns
dos problemas relacionados ao uso desses artifícios em
excesso, sem orientação médica ou supervisão profissional.
10__As misturas preparadas para cápsulas e chás são
muito perigosas. Uma fórmula típica de chá ou cápsulas
para emagrecimento contém de 5 a 15 componentes, o que
13 pode causar interação medicamentosa. Além disso, não se
sabe exatamente o conteúdo dos produtos vendidos, seu
princípio ativo ou se a planta é tóxica para o organismo.
16__Sob a capa de serem produtos “naturais”, como se
isso os isentasse de oferecer riscos à saúde, esses produtos
18 misturam diversas substâncias que podem ser nocivas.
MANZINI, Isabelle. Disponível em: <https://drauziovarella.uol.com.br
/alimentacao/o-perigo-dos-chas-emagrecedores/>.
Acesso em: 24 set. 2022, com adaptações.
Na oração “como se isso os isentasse de oferecer riscos à saúde” (linhas 16 e 17), o uso do sinal indicativo de crase
As questões de 01 a 10 dizem respeito ao Texto. Leia-o atentamente antes de respondê-las.
(Texto)
Cientistas descobrem bactéria gigante visível a olho nu
1 Um grupo de cientistas acaba de anunciar os detalhes
da maior bactéria já encontrada na natureza. Ela é tão
grande que pode ser vista a olho nu, sem a
necessidade de um microscópio. Com o sugestivo
5 nome de Thiomargarita magnífica, ela se assemelha a
fiapos brancos e habita os mangues de Guadalupe,
arquipélago localizado no sul do Caribe. Para ter idéia
do tamanho, essa bactéria tem mais de 9 mil
micrômetros de comprimento (um micrômetro é a
10 unidade de medida que equivale à milésima parte de
um milímetro), ou supera 0,9 centímetro. "A princípio,
isso nos faz questionar até o uso de 'micro' para
descrever essas bactérias, já que a microbiologia lida
com coisas que a gente não vê a olho nu”, comenta a
15 bióloga Sylvia Maria Affonso Silva, da Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp). As maiores bactérias
conhecidas chegam, no máximo, a 750 micrômetros.
Na média, esses seres têm cerca de 2 micrômetros.
Isso significa, portanto, que a T. magnífica tem um
20 tamanho doze vezes superior em comparação com as
maiores bactérias — e chega a ser 4,5 mil vezes mais
comprida do que um micróbio "típico”. Seria possível,
portanto, enfileirar 625 mil unidades de Escherichia coli,
um dos micro-organismos causadores de infecções
25 intestinais, na superfície de uma única T. magnífica.
Esses achados "desafiam o conhecimento tradicional
sobre as células bacterianas”, escrevem os autores. À
descoberta, que contou com a participação de
pesquisadores de diversas instituições, como o
30 Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, nos Estados
Unidos, e a Universidade das Antilhas, em Guadalupe,
foi publicada na mais recente edição do periódico
especializado Science. Vale lembrar aqui as bactérias
fazem parte da natureza e nem todas fazem mal à
35 nossa saúde — a T. magnífica mesmo não parece
representar nenhuma ameaça e parece estar em
equilíbrio no ambiente em que ela é encontrada.
-
(Fonte adaptada: httos://agenciabrasil ebc.com.br>Acesso em 27 de Junho de 2022)
Analise o trecho retirado do Texto:
-
“[...] unidade de medida que equivale à milésima parte...” (linha 10).
-
Assinale a alternativa em que o acento grave indicador de crase foi empregado pela mesma regra daquele no período acima.
De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa e quanto ao uso da crase, assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas.
I “em relação à segurança pessoal e coletiva” (primeiro período do primeiro parágrafo).
II “quanto à melhor nomenclatura” (penúltimo período do primeiro parágrafo).
III “quanto à sua efetividade” (último período do primeiro parágrafo).
IV “com relação à segurança pública” (último período do segundo parágrafo).
Assinale a opção correta.