Questões de Concurso
Comentadas sobre conjunções: relação de causa e consequência em português
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Pechada
O apelido foi instantâneo. No primeiro dia de aula, o aluno novo
já estava sendo chamado de "Gaúcho". Porque era gaúcho.
Recém-chegado do Rio Grande do Sul, com um sotaque carregado.
-Aí, Gaúcho!
-Fala, Gaúcho!
Perguntaram para a professora por que o Gaúcho falava diferente. A professora explicou que cada região tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão grandes assim.
Afinal, todos falavam português. Variava a pronúncia, mas a língua era uma só. E os alunos não achavam formidável que num país do tamanho do Brasil todos falassem a mesma língua, só com pequenas variações?
-Mas o Gaúcho fala "tu"! -disse o gordo Jorge, que era quem mais implicava com o novato.
-E fala certo -disse a professora. -Pode-se dizer "tu" e pode-se dizer "você". Os dois estão certos. Os dois são português.
O gordo Jorge fez cara de quem não se entregara.
Um dia o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou para a professora o que acontecera.
-O pai atravessou a sinaleira e pechou...
-O que?
-O pai. Atravessou a sinaleira e pechou.
A professora sorriu. Depois achou que não era caso para sorrir. Afinal, o pai do menino atravessara uma sinaleira e pechara. Podia estar, naquele momento, em algum hospital. Gravemente pechado. Com pedaços de sinaleira sendo retirados do seu corpo.
-O que foi que ele disse, tia?
-quis saber o gordo Jorge.
-Que o pai dele atravessou uma sinaleira e pechou.
- E o que é isso?
-Gaúcho ... Quer dizer, Rodrigo: explique para a classe o que aconteceu.
-Nós vinha ...
- Nós vínhamos.
-Nós vínhamos de auto, o pai não viu a sinaleira fechada, passou no vermelho e deu uma pechada noutro auto.
A professora varreu a classe com seu sorriso. Estava claro o que acontecera? Ao mesmo tempo, procurava uma tradução para o relato do gaúcho. Não podia admitir que não o entendera. Não com o gordo Jorge rindo daquele jeito.
"Sinaleira", obviamente, era sinal, semáforo. "Auto" era automóvel, carro. Mas " pechar" o que era? Bater, claro. Mas de onde viera aquela estranha palavra? Só muitos dias depois a professora descobriu que "pechar" vinha do espanhol e queria dizer bater com o peito, e até lá teve que se esforçar para convencer o gordo Jorge de que era mesmo brasileiro o que falava o novato. Que já ganhara outro apelido: Pechada.
-Aí, Pechada!
-Fala, Pechada!
Luis Fernando Veríssimo, Revista Nova Escola.
Assinale a alternativa correta cujo termo destacado seja um exemplo de Conjunção explicativa.
Leia o título da matéria publicada no caderno TEC da Folha de São Paulo, para responder às questões de 06 a 08.
Recebeu, não leu…
WhatsApp passa a avisar usuários quando mensagem é lida e causa irritação e ansiedade; ‘recurso’ não pode ser desativado
(Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/tec/195002- recebeu-nao-leu.shtml acesso em 28/04/2016)
O título do texto da matéria apresenta duas orações, no entanto não há um elemento coesivo ou conjunção fazendo a ligação delas, são separadas pela vírgula. Nesse caso, a conjunção que ligaria as orações do título, substituindo a vírgula, sem alterar o valor semântico dele, seria:
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Psicologia da Internet: ................ nos tornamos outras pessoas na vida digital.
01 Há cerca de duas décadas foi criada a expressão “Psicologia da Internet” para explicar a
02 razão pela qual o comportamento das pessoas se altera tanto dentro dos ambientes virtuais.
03 Qualquer um que já navegou na web percebeu alguma modificação, ainda que mais leve, em sua
04 conduta ou ação. Por ser um espaço muito atípico e diferente de tudo que já experimentamos na
05 vida concreta, descobriu-se que a realidade paralela exerce um tipo de “dinamização” da
06 personalidade, o que coloca as pessoas em inclinação para atitudes de maior risco e de
07 descontrole calculado, se comparadas ao que se vive no nosso dia-a-dia.
08 A respeito desse fenômeno, criou-se um termo para melhor definir tais alterações
09 comportamentais: “efeito de ________ online”, explicita, portanto, a variação de padrões.
10 Pesquisas demonstraram que essas alternâncias da vida off-line para a vida online se baseiam nas
11 seguintes crenças:
12 (A) “Você não sabe quem eu sou e não pode me ver”: à medida que as pessoas navegam na
13 internet, obviamente que não podem ser “vistas”, no sentido literal da palavra – diferentemente
14 de como ocorre no mundo concreto -, conferindo então aos internautas a falsa percepção de que
15 eles estão anônimos e, por esta razão, não há limites ou regras associadas ao comportamento
16 online. Esse fato também é descrito na literatura psicológica como “desindividualização”, ou seja,
17 um estado de _________ da identidade real e que favorece o aparecimento de maior grau de
18 insubordinação, agressividade e sexualidade exacerbada, se comparado ao que ocorre na vida
19 concreta.
20 (B) “Até logo” ou “até mais”: a internet, querendo ou não, uma vez que permite aos seus
21 usuários escaparem facilmente das situações mais embaraçosas, leva-os a correrem mais riscos e
22 tolerarem melhor as situações de ameaça. Como não existe uma consequência imediata dessas
23 ações virtuais (na verdade “existe” uma consequência, todavia, ela é mais demorada para que os
24 resultados apareçam), as pessoas então se tornam mais flexíveis a respeito das transgressões.
25 (C) “É apenas um jogo”: esta ________ dá ao usuário a ilusão de que o mundo online opera,
26 na verdade, em condição de fantasia, e que ninguém, de fato, seria prejudicado pelas “aventuras”
27 realizadas no mundo digital. Assim, a linha divisória entre a ficção e a realidade torna-se
28 facilmente mais turva, uma vez que existem centenas de atividades que, na verdade, “não
29 existem” na realidade concreta.
30 (D) “Somos todos amigos”: cria a ilusão de que, na vida paralela da internet, somos todos
31 iguais ou amigos, uns com os outros e que, portanto, as regras que determinam as relações
32 adequadas entre os diferentes grupos (por exemplo, crianças, adolescentes e adultos) existentes
33 no mundo real podem ser simplesmente desconsideradas. Este princípio também tem o poder de
34 diluir as hierarquias existentes entre diferentes indivíduos na sociedade, favorecendo aos
35 comportamentos de maior desrespeito e falta de cuidado interpessoal que tanto se observa nas
36 redes sociais e nas comunicações entre funcionários de uma empresa.
37 Portanto, esse efeito descontrói os ambientes formais e mais rígidos da realidade concreta
38 para liberar o indivíduo ao trânsito nos espaços altamente permissivos, tornando as pessoas mais
39 condescendentes e altamente plásticas em relação às transgressões. Vamos lembrar que todo
40 esse processo já tem um nome e se chama “personalidade eletrônica” (e-personality).
41 Imagine então, as crianças e jovens ainda em processo de formação, o que o ambiente
42 virtual poderia fazer com a consolidação de sua personalidade (ainda) em definição? No final das
43 contas, pensam muitos pais desavisados: “é apenas videogame” ou, ainda, “eles só estão usando
44 uma rede social”, que problema haveria com isso? No passado não muito distante, o
45 desassossego familiar vinha das amizades inadequadas, hoje deriva do próprio indivíduo em sua
46 relação consigo mesmo no ambiente virtual.
47 Para se pensar, não acha?
(Fonte: http://cristianonabuco.blogosfera.uol.com.br/ — texto adaptado)
Analise as seguintes assertivas a respeito dos nexos coesivos presentes no texto:
I. A conjunção ‘portanto’ (l.09) poderia ser substituída por ‘desse modo’ sem alteração de sentido, já que ambos apresentam a conclusão de um raciocínio ou exposição de motivos anteriores.
II. A palavra ‘todavia’ (l.23) é uma conjunção adversativa e poderia ser substituída por ‘embora’ sem alterar o sentido da frase em que se encontra.
III. O advérbio ‘Assim’ (l.27) apresenta ideia de conclusão de ideias e poderia ser substituído por ‘Portanto’ sem alterar o sentido da frase em que se insere.
Quais estão corretas?
INSTRUÇÃO: As questões de (01) a (10) devem ser respondidas com base no texto 1. Leia-o atentamente, antes de responder a elas.
Texto 1
Consumismo da linguagem: sobre o rebaixamento dos discursos
Márcia Tiburi
[1º§] No processo de rebaixamento dos discursos, do debate e do diálogo que presenciamos em escala nacional, surgem maledicências e mal-entendidos que se entrelaçam, formando o processo que venho chamando de “consumismo da linguagem”. Meios de comunicação em geral, inclusas as redes sociais e grande parte da imprensa, onde ideologias e indivíduos podem se expressar livremente sem limites de responsabilidade ética e legal, estabelecem compreensões gerais sobre fatos que passam a circular como verdades apenas porque são repetidas. Quem sabe manipular o círculo vicioso e tortuoso da linguagem ganha em termos de poder.
[2º§] O processo que venho chamando de “consumismo da linguagem” é a eliminação do elemento político da linguagem pelo incremento do seu potencial demagógico. O esvaziamento político é, muitas vezes, mascarado de expressão particular, de direito à livre expressão. A histeria, a gritaria, as falácias e falsos argumentos fazem muito sucesso, são livremente imitados e soam como absurdos apenas a quem se nega a comprar a lógica da distorção em alta no mercado da linguagem.
[3º§] A lógica da distorção é própria ao consumismo da linguagem. Como em todo consumismo, o consumismo da linguagem produz vítimas, mas produz também o aproveitador da vítima e o aproveitador da suposta vantagem de ser vítima. “Vantagem” que ele inventa a partir da lógica da distorção à qual serve. Vítimas estão aí. Uma reflexão sobre o tema talvez nos permita pensar em nossas posturas e imposturas quando atacamos e somos atacados ao nível da linguagem.
[4º§] Penso em como as pessoas e as instituições se tornam ora vítimas, ora algozes de discursos criados com fins específicos de produzir violência e destruição. Não me refiro a nenhum tipo de violência essencial própria ao discurso enquanto contrário ao diálogo, nem à violência casual de falas esporádicas, mas aquela projetada e usada como estratégia em acusações gratuitas, campanhas difamatórias, xingamentos em geral e também na criação de um contexto violento que seja capaz de fomentar um imaginário destrutivo. O jogo de linguagem midiático inclui toda forma de violência, inclusive a propaganda que, mesmo sendo mais sutil que programas de sanguinolência e humilhação, tem sempre algo de enganoso. O processo das brigas entre partidários, candidatos, ou desafetos em geral, é inútil do ponto de vista de avanços políticos e sociais, mas não é inútil a quem deseja apenas o envenenamento e a destruição social. [...]
[5º§] Os discursos podem fazer muita coisa por nós, mas podem também atuar contra nós. Ora, usamos discursos, mas também somos usados por eles (penso na subjetividade dos jornalistas e apresentadores de televisão que discursam pela mentira e pela maledicência). Aqueles que usam discursos sempre podem ocupar a posição de algozes: usam seu discurso contra o outro, mas também podem ser usados por discursos que julgam ser autenticamente seus. O que chamamos de discurso, diferente do diálogo, sempre tem algo de pronto. Na verdade, quem pensa que faz um discurso sempre é feito por ele.
[6º§] Somos construídos pelo que dizemos. E pelo que pensamos que estamos dizendo. A diferença talvez esteja entre quem somos e quem pensamos que somos. Há sempre algum grau de objetividade nessas definições.
[7º§] Uma pergunta que podemos nos colocar é: o que pode significar ser vítima de discursos na era do consumismo da linguagem? Por que aderimos, por que os repetimos? [...]
[8º§] A violência verbal é distributiva e não estamos sabendo contê-la. Mas, de fato, gostaríamos de contê-la? Não há entre nós uma satisfação profunda com a violência fácil das palavras que os meios de comunicação sabem manipular tão bem? Não há quem, querendo brigar, goze com a disputa vazia assim como se satisfaz com as falas estúpidas dos agentes da televisão? Por que, afinal de contas, não contemos a violência da linguagem em nossas vidas? Grandes interesses estão sempre em jogo, mas o que os pequenos interesses de cidadãos têm a ver com eles? [...] Por que as pessoas são tão suscetíveis? [...] Se a linguagem foi o que nos tornou seres políticos, a sua destruição nos tornará o quê?
Fonte: Revista Cult, disponível em:< http://revistacult.uol.com.br/home/2015/08/c onsumismo-da-linguagem-sobre-o-rebaixamento- dos-discursos/21/08/2015 >Acesso em 18 jan.2016 (fragmento de texto adaptado)
INSTRUÇÃO: Leia o texto 2, a seguir, para responder às questões (06) a (08).
Texto 2
O discurso não é a língua, embora seja com ela que se fabrique discurso e que este, num efeito de retorno, modifique-a. A língua é voltada para sua própria organização, em diversos sistemas que registram os tipos de relação que se instauram entre as formas (morfologia), suas combinações (sintaxe) e o sentido, mais ou menos estável e prototípico de que essas formas são portadoras segundo suas redes de relações (semântica). Descrever a língua é, de um modo ou de outro, descrever regras de conformidade, a serem repertoriadas em gramáticas e em dicionários.
Já o discurso está sempre voltado para outra coisa além das regras de uso da língua. Resulta da combinação das circunstâncias em que se fala ou escreve (a identidade daquele que fala e daquele a quem este se dirige, a relação de intencionalidade que os liga e as condições físicas da troca) com a maneira pela qual se fala. É, pois, a imbricação das condições extradiscursivas e das realizações intradiscursivas que produzem sentido.
CHARAUDEAU, Patrick. “Informação como discurso”. _ Discurso das mídias. Tradução Ângela S. M. Corrêa. 2ed. São Paulo: Contexto, 2012 – p. 40 (fragmento de texto adaptado).
No trecho: “É, pois, a imbricação das condições extradiscursivas e das realizações intradiscursivas que produzem sentido.”, a conjunção grifada tem o valor semântico de
AS QUESTÕES 1 A 14 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
1 ____ A categoria povo se contrapõe às classes sociais. Em termos analíticos, povo não existe
2 como algo dado, previamente estabelecido. Povo é o resultado da articulação entre movimentos,
3 comunidades, agrupamentos humanos que romperam a situação de massa, inconsciente e sem
4 projeto próprio. Encontraram-se ao redor de uma consciência coletiva, de um projeto comum, de
5 práticas adequadas à consciência e ao projeto. Encontraram-se para construir uma história e uma
6 identidade próprias nos limites de um determinado território. Ao conceito de povo pertence a
7 superação dos interesses só classistas e a busca de um bem comum com a assunção de um projeto
8 participativo e igualitário para o conjunto da sociedade. Povo está sempre em construção contra
9 forças e grupos que querem reduzi-lo a massa.
10 ____ Povo, como se depreende, configura um valor: todos são chamados a ser povo, a deixar
11 para trás as relações dominador-dominado, massas-elites; todos são convidados a participar na
12 gestação de uma sociedade com relações de colaboração e não de concorrência. Portanto, de uma
13 democracia social, popular, solidária e includente de todos.
14 ____ Hoje vivemos uma fase nova da democracia, sua expressão planetária. Toda a
15 humanidade deverá ser povo, nas diferenças de suas tradições, mas na convergência de valores
16 humanitários e ecológicos que o fazem sujeito de uma história coletiva, história da humanidade.
17 ____ O povo organizado busca seu bem comum. Ele não é apenas humano, nacional e
18 terrenal. Inclui também todos os que compartem a aventura humana, como as plantas, os animais,
19 as águas, os solos, as paisagens. Numa palavra, o bem comum humano será somente humano,
20 social e planetário, se for também sociocósmico.
BOFF, Leonardo. O despertar da águia: o dia-bólico e o sim-bólico na construção da realidade.
A alternativa em que há equivalência entre o termo transcrito e o que ele significa, no contexto em que se insere, é:
AS QUESTÕES 1 A 14 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
1 ____ A categoria povo se contrapõe às classes sociais. Em termos analíticos, povo não existe
2 como algo dado, previamente estabelecido. Povo é o resultado da articulação entre movimentos,
3 comunidades, agrupamentos humanos que romperam a situação de massa, inconsciente e sem
4 projeto próprio. Encontraram-se ao redor de uma consciência coletiva, de um projeto comum, de
5 práticas adequadas à consciência e ao projeto. Encontraram-se para construir uma história e uma
6 identidade próprias nos limites de um determinado território. Ao conceito de povo pertence a
7 superação dos interesses só classistas e a busca de um bem comum com a assunção de um projeto
8 participativo e igualitário para o conjunto da sociedade. Povo está sempre em construção contra
9 forças e grupos que querem reduzi-lo a massa.
10 ____ Povo, como se depreende, configura um valor: todos são chamados a ser povo, a deixar
11 para trás as relações dominador-dominado, massas-elites; todos são convidados a participar na
12 gestação de uma sociedade com relações de colaboração e não de concorrência. Portanto, de uma
13 democracia social, popular, solidária e includente de todos.
14 ____ Hoje vivemos uma fase nova da democracia, sua expressão planetária. Toda a
15 humanidade deverá ser povo, nas diferenças de suas tradições, mas na convergência de valores
16 humanitários e ecológicos que o fazem sujeito de uma história coletiva, história da humanidade.
17 ____ O povo organizado busca seu bem comum. Ele não é apenas humano, nacional e
18 terrenal. Inclui também todos os que compartem a aventura humana, como as plantas, os animais,
19 as águas, os solos, as paisagens. Numa palavra, o bem comum humano será somente humano,
20 social e planetário, se for também sociocósmico.
BOFF, Leonardo. O despertar da águia: o dia-bólico e o sim-bólico na construção da realidade.
I. "Portanto, de uma democracia social, popular, solidária e includente de todos." (L.12/13).
II. "mas na convergência de valores humanitários e ecológicos.." (L.15/16)
Os conectivos em negrito, nos fragmentos em destaque, estabelecem, no contexto em que se inserem, respectivamente, as relações de
Leia o texto abaixo transcrito e, em seguida, responda às questões a ele referentes:
É ético fazer a cabeça de nossos alunos?
Alguns dos livros de história mais usados nas escolas brasileiras carregam na ideologia, que divide o mundo entre os capitalistas malvados e os heróis da resistência
As aulas voltaram, por estas semanas, e decidi tirar a limpo uma velha questão: há ou não doutrinação ideológica em nossos livros didáticos? Para responder à pergunta, analisei alguns dos livros de história e sociologia mais adotados no país. Entre os dez livros que analisei, não encontrei, infelizmente, nenhum “pluralista” ou particularmente cuidadoso ao tratar de temas de natureza política ou econômica.
O viés político surge no recorte dos fatos, na seleção das imagens, nas indicações de leituras, de filmes e de links culturais. A coisa toda opera à moda Star wars: o lado negro da força é a “globalização neoliberal”. O lado bom é a “resistência” do Fórum Social Mundial, de Porto Alegre, e dos “movimentos sociais”. No Brasil contemporâneo, Fernando Henrique Cardoso é Darth Vader, Lula é Luke Skywalker.
No livro Estudos de história, da Editora FTD, por exemplo, nossos alunos aprenderão que Fernando Henrique era neoliberal (apesar de “tentar negar”) e seguiu a cartilha de Collor de Melo; e que os “resultados dessas políticas foram desastrosos”. Em sua época, havia “denúncias de subornos, favorecimentos e corrupção” por todos os lados, mas “pouco se investigou”.
Nossos adolescentes saberão que “as privatizações produziram desemprego” e que o país assistia ao aumento da violência urbana e da concentração de renda e à “diminuição dos investimentos”. E que, de quebra, o MST pressionava pela reforma agrária, “sem sucesso”.
Na página seguinte, a luz. Ilustrado com o decalque vermelho da campanha “Lula Rede Brasil Popular”, o texto ensina que, em 2002, “pela primeira vez” no país, alguém que “não era da elite” é eleito presidente. E que, “graças à política social do governo Lula”, 20 milhões de pessoas saíram da miséria. Isso tudo fez a economia crescer e “telefones celulares, eletrodomésticos sofisticados e computadores passaram a fazer parte do cotidiano de milhões de pessoas, que antes estavam à margem desse perfil de consumo”.
Na leitura seguinte, do livro História geral e do Brasil, da Editora Scipione, o quadro era o mesmo. O PSDB é um partido “supostamente ético e ideológico” e os anos de Fernando Henrique são o cão da peste. Foram tempos de desemprego crescente, de “compromissos com as finanças internacionais”, em que “o crime organizado expandiu-se em torno do tráfico de drogas, convertendo-se em poder paralelo nas favelas”.
Com o governo Lula, tudo muda, ainda que com alguns senões. Numa curiosa aula de economia, os autores tentam explicar por que a “expansão econômica” foi “limitada”: pela adoção de uma “política amigável aos interesses estrangeiros, simbolizada pela liberdade ao capital especulativo”; pela “manutenção, até 2005, dos acordos com o FMI” e dos “pagamentos da dívida externa”.
O livro História conecte, da Editora Saraiva, segue o mesmo roteiro. O governo Fernando Henrique é “neoliberal”. Privatizou “a maioria das empresas estatais” e os US$ 30 bilhões arrecadados “não foram investidos em saúde e educação, mas em lucros aos investidores e especuladores, com altas taxas de juros”. A frase mais curiosa vem no final: em seu segundo mandato, Fernando Henrique não fez “nenhuma reforma” nem tomou “nenhuma medida importante”. Imaginei o presidente deitado em uma rede, enquanto o país aprovava a Lei de Responsabilidade Fiscal (2000), o fator previdenciário (1999) ou o Bolsa Escola (2001).
No livro História para o ensino médio, da Atual Editora, é curioso o tratamento dado ao “mensalão”. Nossos alunos saberão apenas que houve “denúncias de corrupção” contra o governo Lula, incluindo-se um caso conhecido como mensalão, “amplamente explorado pela imprensa liberal de oposição ao petismo”.
Sobre a América Latina, nossos alunos aprenderão que o Paraguai foi excluído do Mercosul em 2012, por causa do “golpe de Estado”, que tirou do poder Fernando Hugo. Saberão que, com a eleição de Hugo Chávez, a Venezuela torna-se o “centro de contestação à política de globalização da economia liderada pelos Estados Unidos”. Que “a classe média e as elites conservadoras” não aceitaram as transformações produzidas pelo chavismo, mas que o comandante “conseguiu se consolidar”. Sobre a situação econômica da Venezuela, alguma informação? Algum dado crítico para dar uma equilibrada e permitir aos alunos que formem uma opinião? Nada.
Curioso é o tratamento dado às ditaduras da América Latina. Para os casos da Argentina, Uruguai e Chile, um capítulo (merecido) mostrando os horrores do autoritarismo e seus heróis: extratos de As veias abertas da América Latina, de Eduardo Galeano; as mães da Praça de Maio, na Argentina; o músico Víctor Jara, executado pelo regime de Pinochet. Tudo perfeito.
Quando, porém, se trata de Cuba, a conversa é inteiramente diferente. A única ditadura que aparece é a de Fulgêncio Batista. Em vez de filmes como Antes do anoitecer, sobre a repressão ao escritor homossexual Reynaldo Arenas, nossos estudantes são orientados a assistir a Diários de Motocicleta, Che e Personal Che.
As restrições do castrismo à “liberdade de pensamento” surgem como “contradições” da revolução. Alguma palavra sobre os balseiros cubanos? Alguma fotografia, sugestão de filme ou link cultural? Alguma coisa sobre o paredón cubano? Alguma coisa sobre Yoane Sánchez ou as Damas de Branco? Zero. Nossos estudantes não terão essas informações para produzir seu próprio juízo. É precisamente isso que se chama ideologização.
A doutrinação torna-se ainda mais aguda quando passamos para os manuais de sociologia. Em plena era das sociedades de rede, da revolução maker, da explosão dos coworkings e da economia colaborativa, nossos jovens aprendem uma rudimentar visão binária de mundo, feita de capitalistas malvados versus heróis da “resistência”. Em vez de encarar o século XXI e suas incríveis perspectivas, são conduzidos de volta à Manchester do século XIX.
Superar esse problema não é uma tarefa trivial. Há um “mercado” de produtores de livros didáticos bem estabelecido no país, agindo sob a inércia de nossas editoras e a passividade de pais, professores e autoridades de educação. Sob o argumento malandro de que “tudo é ideologia”, essas pessoas prejudicam o desenvolvimento do espírito crítico de nossos alunos. E com isso fazem muito mal à educação brasileira.
Artigo escrito pelo filósofo Fernando L. Schüler. Revista Época. Edição de 07 de março de 2016. Número 925
Releia a passagem e responda: “Quando, porém, se trata de Cuba, a conversa é inteiramente diferente.” A conjunção sublinhada estabelece uma relação de:
TEXTO 1
A IDADE MÉDIA NACIONAL
___O Brasil desencaixou. Desencaixou e passou a rodar no fuso paraguaio. Lá, como se sabe, depois de peculiar processo, o presidente Fernando Lugo foi impedido, assumindo o vice-presidente. Também não amputaram a Lugo os direitos políticos. Dizem os golpistas de lá, como os daqui, que o processo de impedimento seguiu os trâmites legais, que não houve atentado à Constituição nem violência física. Aqui, como também se sabe, os golpistas mantiveram os ritos, não promoveram violência (as pancadarias de antes e de depois do golpe não contam, claro) e garantiram direitos políticos à presidente impedida.
___Dizia o Carlos Marx que a história só se repete como farsa; bela frase, mas um erro rotundo. A Segunda Guerra Mundial reencenou tragicamente a Primeira, as duas resultando da estúpida competição por mercados entre imperialismos expansionistas. A guerra do Vietnã é a da Coréia, só que com inovação tecnológica: a bomba de napalm, despejada sobre populações civis. O golpe brasileiro de 2016 não reprisa 1964, mas o paraguaio de 2002, em sua mais pura essência política: uma condenação sem provas, os legisladores maculando o mandato que detinham; uma concessão de direitos políticos que não possuíam autoridade constitucional para outorgar. Garantir os direitos políticos de Dilma Rousseff é tanto indício de golpe de Estado quanto cassar seu mandato: o de reescrever a Constituição pela força tirânica de maioria institucional.
___O país ingressa em sua Idade Média. Os conservadores dominam as instituições do Executivo, do Legislativo e do Judiciário com base em inegável maioria ocasional. Não é por isso, apenas, que são golpistas, mas pelo uso soberbo do poder. Assim como a Idade Média e o absolutismo só foram unânimes pela repressão, o conservadorismo hegemônico só se sustenta pela asfixia da divergência. Asfixia de que não está ausente a chantagem da vida privada de alguns, como bem a conhecem ilustres membros do Judiciário e do Legislativo, e violência nas ruas, com a brutalidade que for necessária.
___Só entregarão o poder por via democrática se, multiplicando fogueiras, não puderem evitá-lo.
Wanderley Guilherme dos Santos.
Cientista Político, Professor aposentado da UFRJ.
Segunda Opinião, 16 de setembro de 2016
http://insightnet.com.br/segundaopiniao/,
No trecho “Dizia o Carlos Marx que a história só se repete como farsa; bela frase, mas um erro rotundo.”, que inicia o segundo parágrafo, a conjunção mas pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:
Indique qual conjunção cabe na lacuna da oração “As máquinas estão consertadas, _______, os trabalhadores podem voltar ao serviço.”:
PENSAR É TRANSGREDIR
Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos – para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.
Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.
Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: “Parar pra pensar, nem pensar! ”
[...]
LUFT, Lya. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2005. p. 21.
Disponível em: <http://pensador.uol.com.br/frase/MjgzMzA0/>. Acesso em: 23 set. 2016.
No segundo parágrafo, a conjunção “mas”, que inicia o período, exerce uma função importante na estrutura textual, pois estabelece relação de sentido (oposição ou contraste) entre dois enunciados. Isso significa dizer que a autora
A sociedade ...... fazemos parte cobra-nos um estado de alma alegre, ..... sejamos mais produtivos e inclinados ..... trabalho.
Preenchem as lacunas da frase acima o que se encontra em:
Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 11.
Diminuto feito grão de poeira, mera mancha de caneta, migalha no teclado, o ponto final é o sumo magistrado de nossos sistemas de escrita, ainda à espera de ser cantado em verso. Sem ele, não haveria fim para o sofrimento do jovem Werther e as viagens do hobbit jamais se completariam. Sua presença permitiu que Henri Michaux comparasse nossa essência a “um ponto que a morte devora”.
Ele coroa o pensamento que se completa, propicia a quimera de uma conclusão e guarda certa altivez que, como a de Napoleão, provém de seu tamanho minúsculo. Ansiosos por seguir em frente, não precisamos de nada que assinale o início, mas precisamos saber onde parar: esse pequeno memento mori, “lembrança da morte”, faz recordar que para tudo há de ter um fim, inclusive para nós mesmos. Como um professor sugeriu, um ponto final é “sinal de um sentido que se perfaz e de uma frase perfeita”.
A necessidade de indicar o fim de uma frase escrita é talvez tão velha quanto a própria escrita, mas a solução, sucinta e prodigiosa, não se estabeleceu até o Renascimento italiano. Por séculos, a pontuação fora assunto irremediavelmente errático.
Já no século I d.C., Quintiliano propunha que a frase além de expressar uma ideia completa devia ainda ser pronunciada de um só fôlego. Por muito tempo os escribas pontuaram os textos com todo o tipo de sinais e símbolos, de um simples espaço em branco a toda uma variedade de pontos e barras.
No começo do século 5 d. C., São Jerônimo, tradutor da Bíblia, concebeu um sistema que assinalava cada unidade de sentido por meio de uma letra que avançava para fora da margem, como indicando um novo parágrafo.
Três séculos mais tarde, o “ponto” era usado para indicar tanto uma pausa no interior da frase como o fim da frase propriamente dito. Valendo-se de convenções tão confusas assim, os escritores não tinham como esperar que o público lesse determinado texto conforme as intenções do autor.
Então, no ano de 1556, Aldo Manuzio, o Jovem, em seu manual de pontuação, Interpungendi ratio, caracterizou pela primeira vez a função e o aspecto definitivo do ponto final. Queria escrever um manual para tipógrafos; não tinha como saber que legava a nós as dádivas de sentido e música de toda a literatura por vir.
(Adaptado de: MANGUEL, A. “Ponto final”, Serrote, jul. 2012)
...além de expressar uma ideia completa devia ainda ser pronunciada de um só fôlego. (4º parágrafo)
Fazendo-se uso de conjunção apropriada, mantém-se o sentido do segmento acima em:
Leia o texto para responder às questões de 01 a 07.
SOBRE CAFÉS E LIVROS
O que é que eu fui fazer na livraria? Eu estava procurando um livro. Como era desses códices que a gente tem vontade de rabiscar, anotar, comentar, marcar, resolvi ter o livro, bonito, impresso, original. Não encontrei em lugar nenhum, mas o que importa é o percurso desta minha busca.
Passei por duas livrarias dessas enormes, com escadarias, segundo andar, rede de lojas por toda a cidade. Também passei por duas livrarias médias, dessas que têm tradição e são cercadas de lendas urbanas. As outras quatro eram livrarias cult, dessas que servem café e bolos. Pedi um capuchino e até fiquei um tempo ouvindo a moça que cantava ao vivo num palco. Mas então me lembrei de que tinha uma meta: procurar um livro e fui em busca dele. Mexi e remexi em todas as prateleiras, mapeei a loja, fui nas estantes que ficavam sob a placa da categoria em que eu imaginava encontrar meu livrinho. Observei, me aproximei, espirrei a poeira dos livros guardados, chamei o vendedor, pedi informação à menina do caixa e saí de lá com as mãos abanando.
Em Belo Horizonte, e em vários outros lugares, você pode ir a uma livraria sem ter a menor vontade de comprar ou ver um livro. Impressionante a limpeza do balcão, a voz da cantora, a estante de periódicos, o uniforme dos garçons, a agilidade do caixa, o cheirinho do café. Mas na livraria, o vendedor não sabia me informar sobre livros, e as estantes estavam empoeiradas em completa desorganização. Era impossível inferir, sem ajuda urgentíssima, o critério de disposição daquelas obras todas. No meio dos dicionários de línguas, estava o dicionário de palavrões do Glauco Mattoso. No meio dos livros de botânica, estava o Raízes do Brasil, do Sérgio Buarque. O livro que eu procurava devia estar em algum lugar daquele universo indistinto. Talvez na prateleira da cozinha, junto com as colheres de pau.
O que eu procuro quando vou a uma livraria? Em geral, procuro por um livro. Também posso chegar à loja procurando por um tema, sem ter a ideia exata de que livro levar. Eu sinto a necessidade de encontrar ajuda numa espécie de consumidor, alguém que saiba sobre o objeto que vende. Não um vendedor treinado para me dizer “bom dia”. Daí que faço as perguntas e ele deve me responder com alguma dose de precisão, além da simpatia. Também pode ser que ele me dê uma sugestão, o que será delicioso. E se a sugestão for bem sucedida, serei fiel à livraria.
Mas parece que, nesta cidade, as livrarias já não têm mais a missão de vender livros. Têm tantas outras que essa se confunde com o pó do capuchino industrializado. Estão lá garçons que vendem livros e cantoras que interpretam poetas que não se encontram mais nas prateleiras. A menina do caixa nunca lê as capas das obras que vende. Atrás dela está pendurado um painel com uma cena de Dom Quixote. Ela pensa que é o esboço de um desenho animado Disney. E então eu sei que não encontrarei o livro que eu quero porque ele deve estar perdido na desordem da loja. Não poderei contar com o vendedor porque ele também não sabe do que eu estou falando. E não poderei fazer outra coisa ali que não seja degustar um café e ler sobre vinhos chilenos com nomes interessantes.
Eu não fui com a intenção de conhecer vinhos andinos. Nem cheguei lá pensando em paquerar. Também não queria ouvir música ao vivo, já que nem tinha dinheiro para pagar o couvert artístico. Não imaginava que seria atendida por um garçom e não queria que o vendedor ficasse constrangido em me dizer que nunca ouvira falar daquele livro antes. Eu queria uma obra que infesta as referências dos meus pares. E onde será que eles a encontram?
Depois de percorrer a cidade em busca do meu livro e não encontrar, entrei na internet e achei. Pedi, paguei frete e o terei em casa sem pedir ao garçom e sem sentir cheiro de café. Não há nada de mal em tomar capuchino na livraria. O que deve estar fora do lugar é a ênfase. Se eu entrasse numa cafeteria e perguntasse por um livro, talvez o garçom se desse conta de que eu é que estava no lugar errado.
RIBEIRO, Ana Elisa. Meus Segredos com Capitu. 2 ed. Natal: Jovens Escribas, 2015. (adaptado)
No excerto do texto “[...] não queria ouvir música ao vivo, já que nem tinha dinheiro para pagar o couvert artístico” (6º parágrafo), a conjunção subordinativa expressa:
São locuções conjuntivas:
Leia o texto de Eugênio Mussak para responder às questões de números 01 a 07.
...
Em tempos difíceis como o que estamos vivendo, uma boa dose de otimismo pode nos ajudar a enfrentar as dificuldades do dia a dia. Os otimistas costumam ser mais positivos mesmo diante das adversidades, e, com isso, têm mais chance não só de encontrar meios para sobreviver à crise como de criar alternativas para sair dela.
Reconhecemos os otimistas de algumas maneiras. Uma delas é pelo tempo verbal de seu discurso. Enquanto os pessimistas falam no pretérito, os otimistas preferem falar no futuro. Os pessimistas insistem em ponderar sobre como deveria ter sido. Os otimistas ocupam-se em discorrer sobre como poderá vir a ser.
Outra maneira de diferenciar um pessimista de um otimista é pelo uso do “mas”, palavrinha de três letras muito usada quando dois pensamentos se complementam e parecem ser opostos. Cada vez que você diz “agora faz sol, mas mais tarde vai chover”, ou “minha cabeça dói, mas já vai passar”, está usando uma conjunção, que tem a finalidade de estabelecer ligações.
Voltando ao tema do otimismo e do pessimismo, sabemos que esses dois estados, que demonstram a visão que as pessoas têm da situação em que se encontram, bem como das perspectivas futuras, se refletem no uso dos recursos linguísticos. Ou melhor, na ordem em que se colocam os termos da oração em torno deles. Explico. Uma coisa é dizer: “Eu sei que está ruim, mas vai melhorar”. Outra é afirmar: “Eu sei que vai melhorar, mas que está ruim, está”. As duas frases envolvem exatamente os mesmos elementos em sua construção, a diferença entre elas está no foco.
Há “mas” para todos os gostos. Depende de nós usá-lo para criar um bom ambiente ou para jogar um balde de água fria no ânimo de qualquer um. Quando algo não está bem, como o atual momento econômico, surgem dois pensamentos: o de que tudo vai piorar e o de que, daqui pra frente, só é possível melhorar.
E, já que é assim, proponho o otimismo consciente. Aquele que não nega a realidade, mas que acredita na solução, no recomeço, na recuperação, na melhoria, no crescimento. Nosso país está como está porque fizeram com ele o que fizeram. Mas ele será o que será porque faremos o que faremos. E, neste caso, como diz o ditado, “não tem ‘mas’ nem meio ‘mas’”. Só depende de nós.
.....
(Eugênio Mussak. Entre o otimismo e o pessimismo. Disponível em:
http://vidasimples.uol.com.br/noticias/pensar/entre-o-otimismo-e-o
pessimismo.phtml#.Vp_EK5orKig, 16.11.2015. Adaptado
Assinale a alternativa em que a conjunção “mas” tenha sido empregada em um contexto que aponta para uma perspectiva positiva e otimista.
(Texto)
1 O atentado no Paquistão no domingo de Páscoa, que deixou
pelo menos 72 mortos e mais de 340 feridos — a maioria
crianças e mulheres —, se soma à série recente de atos de
terrorismo e violência extrema. O ataque foi executado por um
5 homem-bomba num parque de Lahore, capital da província de
Punjab, e tinha como alvo não só a minoria cristã, mas
igualmente o projeto de abertura democrática do premier
Nawaz Sharif, defensor de um Paquistão mais "educado,
progressista e voltado para o futuro", incluindo mulheres e
10 minorias religiosas – hindus, cristãos e muçulmanos xiitas —
alvos frequentes do sectarismo étnico-religioso.
E, como os extremos se atraem, no domingo, a "Marcha contra
o medo" em Bruxelas, foi invadida por mais de 200 hooligans,
vestidos de preto, com cartazes anti-imigração e slogans
15 xenófobos, exigindo a atuação da polícia para dispersar os
mais violentos.
Esses manifestantes expressam um ódio cego, que tem forte
ressonância em governos conservadores e ultranacionalistas
europeus. Estes defendem o fechamento de fronteiras a
20 imigrantes e refugiados. Os radicalismos colidem, mas
também se alimentam mutuamente, estimulando uma espiral
de violência sem fim. Nos dois extremos estão exemplos das
forças que ameaçam as distintas expressões de civilização –
não apenas a Ocidental, mas todas aquelas com vocação
25 para a paz e a prosperidade.
(Adaptado de O Globo, 29/03/2016)
Assinale a alternativa em que a conjunção sublinhada possui o mesmo valor semântico que a conjunção “mas também” (linhas 20 e 21) do Texto:
O termo sublinhado em “O diretor-geral adjunto deu o debate por encerrado e enfatizou que, segundo dados recompilados neste ano, mais de 20 países conservaram sua superfície florestal ao mesmo tempo que elevaram seus níveis de segurança alimentar.” introduz a ideia de:
Texto II
Carnaval de trazer por casa
Quinze dias antes já os olhos se colavam aos pés, com medo de uma queda que acabasse com o Carnaval. Subíamos e descíamos as escadas, como quem pisa algodão. [...] Nós éramos todas meninas. Tínhamos a idade que julgávamos ser eterna. Sonhávamos com os cinco dias mais prometidos do ano. A folia começava sexta-feira e só terminava terça quando as estrelas iam muito altas. Havia o cheiro das bombinhas que tinham um odor aproximado ao dos ovos podres e que se misturava com o pó do baile que se colava aos lábios. Que se ressentiam vermelhos de dor. Havia o cantor esganiçado em palco a tentar a afinação, que quase nunca conseguia: [...] Depois os bombos saíam à rua, noite fora, dia adentro. [...] E na noite que transformava o frio do inverno no calor do Carnaval, eu tinha a certeza de que aquele som dos bombos fazia parte do meu código genético. E que o Carnaval ia estar sempre presente nas ruas estreitas da minha aldeia, assim, igual a si próprio, com os carros de bois a chiar pelas ruas, homens vestidos de mulheres com pernas cheias de pelos, mulheres vestidas de bebês, o meu pai vestido de François Mitterrand e eu com a certeza de que o mundo estava todo certo naqueles cinco dias, na minha aldeia.
O outro, o que via nas televisões, não era meu.
(FREITAS, Eduarda. Revista Carta Capital. Disponível em: http:// www.cartacapital.com.br/sociedade/carnaval-de-trazer-porcasa/?autor=40. Acesso em set. 2016.)
Considere o fragmento abaixo para responder às questões 8 e 9 seguintes.
“E na noite que transformava o frio do inverno no calor do Carnaval, eu tinha a certeza de que aquele som dos bombos fazia parte do meu código genético.” (1º§)
Há duas ocorrências do vocábulo “que” no trecho em análise. Contudo, possuem classificações morfológicas distintas. Assim, nota-se que, respectivamente, são:
Leia o texto 1 para responder às questões de 01 a 07.
Texto 1
Objetivo de princesas da Disney não é mais o casamento, revela estudo
Maria Clara Moreira
Quando Walt Disney trouxe para as telas a versão animada de "Branca de Neve" (1937), clássico alemão imortalizado pelos irmãos Grimm, lançou as bases para o que se tornaria um ícone cultural infantil.
Desde então, sucessoras como Ariel, de "A Pequena Sereia", e Tiana, de "A Princesa e o Sapo", colaboram para a formação do ideal de feminilidade de milhares de meninas mundo afora. Em suas histórias, carregam papéis e ideais que pautam, ainda na infância, os valores sociais.
Foi essa ideia que levou as pesquisadoras americanas Carmen Fought, do Pitzer College, e Karen Eisenhauer, da North Carolina State University, a aplicarem princípios da linguística para analisar como os filmes da Disney expressam as diferenças entre homens e mulheres e como essa abordagem mudou nos últimos anos.
"A feminilidade não vem do nascimento, é algo desenvolvido a partir de interações com a ideologia da nossa sociedade, e os filmes da Disney atuam como uma fonte de ideias sobre o que é ser mulher", defende Carmen.
Ela e Karen categorizaram os filmes em três eras cronológicas: Clássica, de "Branca de Neve" (1937) a "A Bela Adormecida" (1959); Renascentista, de "A Pequena Sereia" (1989) a "Mulan" (1998); e a Nova Era, de "A Princesa e o Sapo" (2009) a "Frozen" (2013) − este último não é reconhecido pela Disney como parte da franquia, mas também foi considerado pela pesquisa.
Fora "Aladdin" (1992), todos os longas da franquia das princesas são protagonizados por mulheres, embora dominados por personagens masculinos. O número de homens foi superior ao de mulheres em quase todos os exemplos, com o empate em "Cinderela" (1950), única exceção.
Carmen não acredita que povoar os longas com homens seja uma escolha consciente por parte dos produtores. Ao contrário, explica o fenômeno como uma decisão automática e inconsciente de assumir o masculino como norma.
"Nossa imagem de médicos e advogados, por exemplo, costuma ser masculina, mesmo com muitas mulheres nessas profissões. Nos filmes analisados, quase todos os papéis além da protagonista vão automaticamente para homens. Acho que é automático [para eles] colocar personagens homens como o braço direito engraçadinho e em funções menores, que passam batido", argumenta.
DIFERENÇA GERACIONAL?
Entre as eras Clássica e Renascentista, há uma diferença geracional. Os 30 anos entre "A Bela Adormecida" e "A Pequena Sereia" viram desde a luta pelos direitos civis dos negros nos EUA à morte de Walt Disney, passando pela segunda onda do feminismo.
As mudanças culturais levaram a uma princesa supostamente diferente. A sereia Ariel foi recebida pela crítica como uma rebelde, cuja independência em muito diferia da submissão das predecessoras.
O estudo de Carmen e Karen, no entanto, prova o contrário. Se desde "Branca de Neve" a quantidade de palavras ditas por personagens femininas vinha crescendo (passando de 50% para 71% em 1959), Ariel e suas sucessoras da era Renascentista reverteram a tendência de forma drástica. Todos os cinco filmes do período viram dominância masculina, cujo ápice foi "Aladdin" (90%).
"Os filmes mais recentes mostram evolução em algumas áreas. Em geral, as ideias estão sendo atualizadas. A ideia de ser salva por um homem parece ter mudado, e o casamento como meta única também. Um exemplo é Tiana, de 'A Princesa e o Sapo', cujo sonho é ter um restaurante", explica Carmen. "É possível argumentar que se esforçaram ao incluir duas princesas que salvam a si mesmas em 'Frozen'. Ao mesmo tempo, a maioria de seus personagens é masculina, e os homens ganham a maior parte do diálogo (59%)."
BELEZA NÃO É TUDO
Instigadas não apenas pela soberania do discurso, mas também por seu conteúdo, as americanas catalogaram os elogios distribuídos ao longo dos 12 filmes, buscando descobrir se as personagens mulheres são mais elogiadas por sua aparência que por suas habilidades, e se o padrão se opõe à tendência masculina.
Aqui, "A Pequena Sereia" se mostrou progressista. O filme deu início à era Disney que reduziu de 55% para 38% a quantidade de elogios à beleza das personagens. No lugar, as princesas passaram a ser celebradas por suas habilidades (um aumento de 12 pontos percentuais em relação aos filmes clássicos) e personalidades. A tendência se manteve durante a Nova Era.
Na contramão da diminuição dos elogios à aparência das personagens femininas, a pesquisa descobriu que personagens masculinos cada vez mais têm a beleza, e não as habilidades, elogiada.
Os números refletem a inclusão de profissionais mulheres em seu processo de criação. Entre os exemplos notáveis estão "A Bela e a Fera" e "Valente". Idealizados por mulheres (Linda Woolverton e Brenda Chapman, respectivamente), os dois têm heroínas criadas para serem novos modelos para meninas, desta vez baseados em força de vontade e independência.
"Torço para que façam filmes mais representativos. É algo que necessitamos em toda a mídia, não só na Disney", opina Carmen. "Se nós não tomarmos a decisão de incluir maior diversidade étnica, etária e de gênero na mídia, continuaremos a escolher automaticamente a maioria, ou seja, homens brancos."
Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/02/1734943-objetivode-princesas-da-disney-nao-e-mais-o-casamento-revela-estudo.shtml >. Acesso em: 13
abr. 2016. [Adaptado].
A correspondência entre o operador discursivo em destaque e a descrição de seu funcionamento dentro dos parênteses ocorre em:
Nesse trecho do texto, quanto à classe gramatical, as palavras destacadas são, respectivamente: