Questões de Concurso
Comentadas sobre conjunções: relação de causa e consequência em português
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Ai, Gramática. Ai, vida.
O que a gente deve aos professores!
Este pouco de gramática que eu sei, por exemplo, foram Dona Maria de Lourdes e Dona Nair Freitas que me ensinaram. E vocês querem coisa mais importante do que gramática? La grammaire qui sait régenter jusqu’aux rois – dizia Molière: a gramática que sabe reger até os reis, e Montaigne: La plus part des ocasions des troubles du monde sont grammairiens – a maior parte de confusão no mundo vem da gramática.
Há quem discorde. Oscar Wilde, por exemplo, dizia de George Moore: escreveu excelente inglês, até que descobriu a gramática. (A propósito, de onde é que eu tirei tantas citações? Simples: tenho em minha biblioteca três livros contendo exclusivamente citações. Para enfeitar uma crônica, não tem coisa melhor. Pena que os livros são em inglês. Aliás, inglês eu não aprendi na escola. Foi lendo as revistas MAD e outras que vocês podem imaginar).
Discordâncias à parte, gramática é um negócio importante e gramática se ensina na escola – mas quem, professoras, nos ensina a viver? Porque, como dizia o Irmão Lourenço, no schola sed vita – é preciso aprender não para a escola, mas para a vida.
Ora, dirão os professores, vida é gramática. De acordo. Vou até mais longe: vida é pontuação. A vida de uma pessoa é balizada por sinais ortográficos. Podemos acompanhar a vida de uma criatura, do nascimento ao túmulo, marcando as diferentes etapas por sinais de pontuação.
Infância: a permanente exclamação:
Nasceu! É um menino! Que grande! E como chora! Claro, quem não chora não mama!
Me dá! É meu!
Ovo! Uva! Ivo viu o ovo! Ivo viu a uva! O ovo viu a uva!
Olha como o vovô está quietinho, mamãe!
Ele não se mexe, mamãe! Ele nem fala, mamãe!
Ama com fé e orgulho a terra em que nasceste! Criança – não verás nenhum país como este!
Dá agora! Dá agora, se tu és homem! Dá agora, quero ver!
(Moacyr Scliar. Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar, 1996. Adaptado)
Nas passagens “Porque, como dizia o Irmão Lourenço,
no schola sed vita – é preciso aprender não para a escola,
mas para a vida.” (4° parágrafo) e “Ama com fé e
orgulho a terra em que nasceste! Criança – não verás
nenhum país como este!” (penúltimo parágrafo), as conjunções
destacadas estabelecem, correta e respectivamente,
relações de sentido de
TEXTO - Ressentimento e Covardia
Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da internet, que se ressente ainda da falta de uma legislação específica que coíba não somente os usos mas os abusos deste importante e eficaz veículo de comunicação. A maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam crimes já especificados em lei, como a da imprensa, que pune injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação dos direitos autorais, os plágios e outros recursos de apropriação indébita.
No fundo, é um problema técnico que os avanços da informática mais cedo ou mais tarde colocarão à disposição dos usuários e das autoridades. Como digo repetidas vezes, me valendo do óbvio, a comunicação virtual está em sua pré-história.
Atualmente, apesar dos abusos e crimes cometidos na internet, no que diz respeito aos cronistas, articulistas e escritores em geral, os mais comuns são os textos atribuídos ou deformados que circulam por aí e que não podem ser desmentidos ou esclarecidos caso por caso. Um jornal ou revista é processado se publicar sem autorização do autor um texto qualquer, ainda que em citação longa e sem aspas. Em caso de injúria, calúnia ou difamação, também. E em caso de falsear a verdade propositadamente, é obrigado pela justiça a desmentir e dar espaço ao contraditório.
Nada disso, por ora, acontece na internet. Prevalece a lei do cão em nome da liberdade de expressão, que é mais expressão de ressentidos e covardes do que de liberdade, da verdadeira liberdade. (Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 16/05/2006 – adaptado)
Come, meu filho
– O mundo parece chato mas eu sei que não é.
[...]
– Sabe por que parece chato? Porque, sempre que a gente olha, o céu está em cima, nunca está embaixo, nunca está de lado. Eu sei que o mundo é redondo porque disseram, mas só ia parecer redondo se a gente olhasse e às vezes o céu estivesse lá embaixo. Eu sei que é redondo, mas para mim é chato, mas Ronaldo só sabe que o mundo é redondo, para ele não parece chato.
– ...
– Porque eu estive em muitos países e vi que nos Estados Unidos o céu também é em cima, por isso o mundo parecia todo reto para mim. Mas Ronaldo nunca saiu do Brasil e pode pensar que só aqui é que o céu é lá em cima, que nos outros lugares não é chato, que só é chato no Brasil, que nos outros lugares que ele não viu vai arredondando. Quando dizem para ele, é só acreditar, pra ele nada precisa parecer. Você prefere prato fundo ou prato chato?
– Chat... raso, quer dizer.
– Eu também. No fundo, parece que cabe mais, mas é só para o fundo, no chato cabe para os lados e a gente vê logo tudo o que tem. Pepino não parece inreal?
– Irreal.
– Por que você acha?
– Se diz assim.
– Não, por que é que você também achou que pepino parece inreal? Eu também. A gente olha e vê um pouco do outro lado, é cheio de desenho bem igual, é frio na boca, faz barulho de um pouco de vidro quando se mastiga. Você não acha que pepino parece inventado?
– Parece.
– Onde foi inventado feijão com arroz?
– Aqui.
– Ou no árabe, igual que Pedrinho disse de outra coisa?
– Aqui.
– Na Sorveteria Gatão o sorvete é bom porque tem gosto igual da cor. Para você carne tem gosto de carne?
– Às vezes.
– Duvido! Só quero ver: da carne pendurada no açougue?!
– Não.
– E nem da carne que a gente fala. Não tem gosto de quando você diz que carne tem vitamina.
– Não fala tanto, come.
– Mas você está olhando desse jeito para mim, mas não é para eu comer, é porque você está gostando muito de mim, adivinhei ou errei?
– Adivinhou. Come, Paulinho.
– Você só pensa nisso. Eu falei muito para você não pensar só em comida, mas você vai e não esquece.
(LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer. São Paulo, Círculo do livro, 1988. P. 122-124.)
Considerando os aspectos linguísticos e os sentidos do texto 6A3BBB, julgue o item que se segue.
A correção gramatical do texto seria preservada caso o trecho “Mesmo reconhecendo-se” (ℓ.30) fosse substituído por Embora se reconhecesse.
Julgue o item a seguir, com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto CB1A1AAA, no qual a autora Matilde Campilho aborda a descoberta, em 1953, da estrutura da molécula do DNA, correalizada pelos cientistas James Watson e Francis Crick.
A substituição da expressão “e olha que eu moro bem no meio das montanhas” (ℓ. 18 e 19) por embora eu more entre montanhas manteria a coerência do trecho no qual se insere, mas alteraria seu nível de formalidade.
Quando eu chegar à universidade e avistar o tamanho do campus, ficarei encantado, absorto por tudo aquilo que me espera.
I. Ao se substituir os verbos “chegar” e “avistar” por “vir” e “ver”, estes devem flexionar-se em “vir” e “ver”, respectivamente. II. Ao se substituir os verbos “chegar” e “avistar” por “vir” e “ver”, estes devem flexionar-se em “vier” e “vir”, respectivamente. III. Ao se substituir os verbos “chegar” e “avistar” por “vir” e “ver”, estes devem flexionar-se em “vim” e “vê”, respectivamente. IV. O termo “absorto” por ser substituído por “extasiado” sem prejuízo de significação. V. A palavra “quando” exerce a função de conjunção subordinativa adverbial temporal.
Texto 3 – A produção do conhecimento,
Flávio de Campos
Estudar é semelhante ao trabalho de um detetive que investiga um determinado assunto. O bom detetive é aquele que considera o maior número de hipóteses e escolhe aquelas que julgar mais convincentes. Para fazer isso, ao contrário do que se pode pensar, é importante ter dúvidas. Todos têm dúvidas. Do mais importante cientista ao mais humilde trabalhador.
O que faz um trabalho de investigação ser bom é a capacidade de organizar essas dúvidas e tentar solucionar o maior número delas. Em qualquer área profissional, há sempre questões em aberto, onde as reflexões e as investigações ainda não obtiveram respostas conclusivas. A pesquisa dá respostas sempre provisórias. Sempre é possível ampliar e reformular essas respostas obtidas anteriormente.
Todos os segmentos acima mostram elementos unidos pela
conjunção E; o segmento em que NÃO pode haver troca de
posição dos elementos ligados por essa conjunção é:
Texto 2 – Violência: O Valor da vida
Kalina Vanderlei Silva / Maciel Henrique Silva, Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2006, p. 412
A violência é um fenômeno social presente no cotidiano de todas as sociedades sob várias formas. Em geral, ao nos referirmos à violência, estamos falando da agressão física. Mas violência é uma categoria com amplos significados. Hoje, esse termo denota, além da agressão física, diversos tipos de imposição sobre a vida civil, como a repressão política, familiar ou de gênero, ou a censura da fala e do pensamento de determinados indivíduos e, ainda, o desgaste causado pelas condições de trabalho e condições econômicas. Dessa forma, podemos definir a violência como qualquer relação de força que um indivíduo impõe a outro.
Consideremos o surgimento das desigualdades econômicas na história: a vida em sociedade sempre foi violenta, porque, para sobreviver em ambientes hostis, o ser humano precisou produzir violência em escala inédita no reino animal.
Por outro lado, nas sociedades complexas, a violência deixou de ser uma ferramenta de sobrevivência e passou a ser um instrumento da organização da vida comunitária. Ou seja, foi usada para criar uma desigualdade social sem a qual, acreditam alguns teóricos, a sociedade não se desenvolveria nem se complexificaria. Essa desigualdade social é o fenômeno em que alguns indivíduos ou grupos desfrutam de bens e valores exclusivos e negados à maioria da população de uma sociedade. Tal desigualdade aparece em condições históricas específicas, constituindo-se em um tipo de violência fundamental para a constituição de civilizações.
Texto 1– Guerra civil
Renato Casagrande, O Globo, 23/11/2017
O 11º Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrando o crescimento das mortes violentas no Brasil em 2016, mais uma vez assustou a todos. Foram 61.619 pessoas que perderam a vida devido à violência. Outro dado relevante é o crescimento da violência em alguns estados do Sul e do Sudeste.
Na verdade, todos os anos a imprensa nacional destaca os inaceitáveis números da violência no país. Todos se assustam, o tempo passa, e pouca ação ocorre de fato. Tem sido assim com o governo federal e boa parte das demais unidades da Federação. Agora, com a crise, o argumento é a incapacidade de investimento, mas, mesmo em períodos de economia mais forte, pouco se viu da implementação de programas estruturantes com o objetivo de enfrentar o crime. Contratação de policiais, aquisição de equipamentos, viaturas e novas tecnologias são medidas essenciais, mas é preciso ir muito além. Definir metas e alcançá-las, utilizando um bom método de trabalho, deve ser parte de um programa bem articulado, que permita o acompanhamento das ações e que incentive o trabalho integrado entre as forças policiais do estado, da União e das guardas municipais.
A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB2A1AAA, julgue o seguinte item.
A palavra “Agora” (ℓ.12) exprime uma circunstância temporal.
Texto 01
DEVERES DA ESCOLA NO ENSINO DA LÍNGUA MATERNA
EDUCAÇÃO - Deveres da Escola no Ensino da Língua Materna, as formas variadas da linguagem, obras didático-científicas, produção de gêneros textuais, o papel educador, o professor da língua materna.
01 O objetivo deste trabalho é demonstrar a importância do conhecimento das variações linguísticas básicas no ensino da língua
02 materna. Alguns autores advogam ser “papel da escola ensinar a língua padrão” (POSSENTI, 2002, p. 17), ou proporcionar ao
03 aluno situações diversas em que a norma culta seja aprendida. Defendemos, todavia, algo além, considerando que o domínio da
04 comunicação escrita deve perpassar por todos os níveis de linguagem oral. E, nesse caminho, acompanhado pela norma padrão,
05 é preciso mostrar a linguagem não somente como fonte de informação e cultura, mas também como forma de lazer, de
06 espairecimento espiritual e, por que não dizer, de harmonização mental do leitor-produtor do texto.
07 Para atingir o objetivo acima é preciso considerar as formas variadas da linguagem na poesia e na prosa, no cinema, no
08 teatro, no jornalismo, nas obras didático-científicas, na internet e no cotidiano de todos nós. É necessário aprendê-la nos processos
09 sincrônico e diacrônico de sua manifestação literária, científica, social, histórica, econômica, filosófica e antropológica. Em
10 numerosos casos, de modo restrito, em outros tantos, interdisciplinarmente, intersemioticamente, interativamente.
11 Nos ensinos fundamental e médio, o aluno deve ser educado de modo amplo, no sentido de dominar os aspectos cognitivos
12 básicos do uso da linguagem, sem porém se descurar dos aspectos comportamentais em seus relacionamentos sociais. Para tal,
13 é necessário que a criança e o jovem sejam estimulados a ler e produzir textos que realcem os valores éticos. A produção de
14 gêneros textuais diversificados é elemento primordial na formação intelecto-moral do futuro cidadão e, pois, não deve ser
15 descurada no aprendizado de nenhuma disciplina, seja ela voltada ao raciocínio lógico, ou esteja relacionada às áreas humanas.
16 Visto isso, defendemos um ensino da linguagem em sua mais ampla manifestação, em especial após o ingresso do aluno,
17 cada vez mais jovem, no ensino superior, quando o treinamento gramatical básico já deveria estar consolidado. Na nova etapa de
18 aprendizagem, o aluno já se imagina independente, autossuficiente e se torna, muitas vezes, com o próprio incentivo dos
19 professores, contestador, crítico do sistema e dos métodos de ensino para os quais ainda não possui o preparo e o amadurecimento
20 requeridos.
21 É então que o papel do educador, na motivação e preparação desse aluno para os novos desafios educacionais se torna
22 importantíssimo. O professor de língua materna, muito em especial, precisa criar situações que conduzam, gradativamente, seu
23 aluno a expressar-se conforme o que se requer de cada cidadão, não somente como profissional, mas também como participante
24 ativo e tolerante, criativo e produtivo nos relacionamentos sociais, tanto no que diz respeito à linguagem falada como na escrita.
25 É preciso mostrar-lhe que o erro é uma outra forma de aprender, mas que a correção do equívoco, sem punições e ameaças,
26 é essencial para a efetivação desse aprendizado. Por outro lado, o aluno necessita dominar os diferentes processos de planejar
27 seus estudos e elaboração de textos, sem, também, deixar de aprender os diversos processos e técnicas requeridas a outro
28 domínio essencial ao aprendizado: a capacitação para a pesquisa.
29 Com isso, ao professor de língua materna cabe a grande responsabilidade de esclarecer aos seus alunos universitários a
30 diferença entre os diversos domínios linguísticos na produção textual, sem se esquecer de realçar a diferença entre a produção de
31 um trabalho científico e outro artístico ou literário. Nos dois últimos, a manifestação da língua pode se dar pelo uso da linguagem
32 coloquial ou popular, no primeiro, e mesmo nos últimos, é preciso destacar a primazia do uso da norma padrão quando se trata de
33 expressar a finalidade do trabalho ou informar seus elementos estruturais básicos.
Disponível em: http://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/educacao/deveres-escola-no-ensino-lingua-materna.htm. Acesso em 30/11/2017
No período “Defendemos, todavia, algo além, considerando que o domínio da comunicação escrita deve perpassar por todos os níveis de linguagem oral.” (L.3-4) o termo em destaque:
Assinale a frase em que a palavra que funciona como conjunção integrante:
“Talvez haja maturação, lhe dizem, mas ainda não é maturidade.” A palavra destacada pode ser substituída por todas as abaixo, SEM prejuízo de sentido, EXCETO:
Entretanto
Mart’nália
Não vá agora, deixa eu melhorar
Não fique triste, tudo vai passar
É só ciúme, doença que contraí porque te amo demais
Mas também é loucura, loucura tem cura, ciúme também
E paixão é o que me faz bem
Entretanto não vá
Não vá me abandonar
Você é o remédio
Que me tira do tédio, quando me faz amar
[...]
Disponível em: <https://www.letras.mus.br/martalia/717507/>. Acesso em: 11 fev. 2017.
Os termos destacados expressam, respectivamente, relação semântica, adequada ao contexto, de
“Sou tão competitivo que, se não houver concorrente, disputo comigo mesmo”. (Marcelo Apovian)
Nesse pensamento, a conjunção ‘que’ tem valor de:
As questões de 1 a 5 têm como base o texto abaixo. Leia-o com atenção.
Amai o próximo, etc...
Atendo o telefone na minha casa. “Victor está?” diz a voz do outro lado sem sequer um alô, um por favor, nada. Eu, amável, informo que Victor não está nem pode estar porque não mora aqui. O outro bate o telefone na minha cara. Dois minutos, e o telefone toca novamente. “Quero falar com Victor” vem a mesma voz. “O senhor é muito mal-educado”, ataco logo para não lhe dar tempo de desligar. “Acabou de ligar, nem me agradeceu, nem me pediu desculpas, e bateu com o telefone. Como já lhe disse, Victor não mora aqui.” A voz se faz mais mansa, “A senhora desculpe. Muito obrigado.” E desliga.
Exulto. Ponto a favor da educação. Pois, se com medo de infligir-lhe as regras, sempre me abstenho de reprimendas desse tipo, é justamente para mantê-las vivas – as regras, não as reprimendas – que convém fazê-las.
Digo obrigada ____ caixa do supermercado, que não me responde. Peço por favor ao funcionário do guichê que nem levanta os olhos para a minha pessoa. Dou bom-dia ao sujeito do açougue que parece não entender de que dia ou de que qualidade estou falando. Sou uma otária? Não, sou uma resistente.
Minha amiga Claudine de Castro, socialite das mais elegantes, publicou um livro de etiqueta. Uma graça o livro, bem-humorado, prático. Fui ao lançamento. Todos ali éramos veteranos praticantes daquilo que se chamava “boas maneiras”. Um bando de micos-leões-dourados, pensei. Ameaçados de extinção. Uma amiga comum comentou que daria o livro ao sobrinho, ela não precisava. “Os jovens” acrescentou, “andam muito mal-educados”.
Os jovens? Não era jovem o senhor bem vestidérrimo que quase me segurou no meio da rua, interrompendo minha marcha célere, para pedir orientação ____ respeito de um endereço. Orientação fornecida, o cavalheiro, que certamente não fazia jus ____ definição, partiu sem dizer água vai. E fiquei eu, no resto da manhã, irritada pela brutalidade.
No Japão, a primeira expressão que me ensinaram quando cheguei foi sumi-masen. Equivale ao nosso por favor. Para ajudar-me a gravar essa chave fundamental em qualquer situação, sugeriram que lembrasse da nossa tão frequente corrupção e dissesse em português: sumiu mais cem. Cravou-se, indelével, na minha memória. E dela lancei mão infinitas vezes, com aquela segurança com que se saca um ás da manga. Nunca conheci povo tão bem-educado. Todos te atendem sorridentes. Todos te ajudam. Ninguém te esbarra. Ninguém te esbarra mesmo em meio ____ multidão. E multidão é coisa frequente no Japão. Sem grandes antropologismos, podemos deduzir que ____ viver tantos em país tão pequeno ou se entredevoravam ou se educavam. Preferiram educar-se.
Entre nós, os livros de etiqueta como o de Claudine vendem feito pão. Ânsia de educar-se para sobreviver? Não, necessidade de aprender as regras para ascender. Os recém-chegados ______ mesas de muitos talheres – e há sempre levas novas que chegam e mesas novas são postas – querem saber que garfo pegar. Pena que o garfo certo não seja fundamental, ou sequer importante, para a boa educação. Boa educação sendo, por exemplo, aquela que as pessoas da roça, de tão poucos talheres e tão pouca comida no prato, praticam com doçura e naturalidade. Cumprimentar o desconhecido com quem se cruza na trilha, coar café ou oferecer água ao visitante que chega.
Dar atenção é a essência da boa educação. Só isso. Em vez do humilde “por favor”, deveríamos dizer: peço a sua atenção. Pois não é favor algum atender o semelhante que precisa de nós. E nenhum contato pode ser gentil sem atenção. No entanto, em todas as línguas, quando se quer ser educado é por favor que se pede, ou desculpas, pois está estabelecido que necessitar do outro, tirar o outro do seu rumo por instantes é algo quase inconveniente, pelo qual devemos nos penitenciar. Convenhamos, há um erro de base. Ou, se quisermos ir um pouco mais além no sentido desses mínimos encontros, há uma lamentável regra de desamor.
COLASANTI, Marina. Antologia de crônicas – Crônica brasileira contemporânea. Organização de Manuel da Costa Pinto. São Paulo: Salamandra.
Leia a frase abaixo, retirada do texto:
“No entanto, em todas as línguas, quando se quer ser educado é por favor que se pede...”
A locução conjuntiva destacada estabelece a seguinte relação de sentido:
LÍNGUA PORTUGUESA
Comida: não deixe estragar
1---- Para evitar o desperdício de alimentos ou uma possível contaminação que afetaria a sua saúde, é preciso colocar em prática atitudes que começam na hora da compra e se estendem à forma como você armazena e prepara em casa. Aprenda!
2 ---- Restos de comida no lixo prejudicam o bolso e o meio ambiente. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são jogados fora por ano. No Brasil, cada habitante produz 1 kg de lixo por dia, sendo 58% deste orgânico.
3 ---- Para acabar com o desperdício, é preciso adotar certas medidas. Entre elas, planejar as compras com listas adequadas ao número de moradores da casa, cozinhar a quantidade certa e guardar as sobras na geladeira ou no freezer - organizando tudo de maneira correta, a fim de aumentar a conservação e a durabilidade dos produtos, além de prevenir doenças devido ao consumo de comidas estragadas.
4 ---- O bom senso é excelente conselheiro para saber se os alimentos se apresentam em bom estado: olhe, cheire e prove. Mas cuidado: algumas alterações estão fora do alcance dos sentidos. A contaminação microbiana é a mais conhecida e perigosa. Muitas vezes invisível, não tem cheiro, nem sabor. É causada por bactérias, bolores e outros microrganismos que se desenvolvem nos alimentos e podem originar doenças. Os principais culpados são Salmonella, Listeria e Campylobacter. Todos afetam o funcionamento do aparelho digestivo e podem provocar vômitos e diarreias, entre outros sintomas.
5 ---- Quando os microrganismos, como o Clostridium botulinum e o estafilococos, produzem toxinas, podem surgir intoxicações alimentares com consequências mais graves: morte dos tecidos atingidos e paralisia dos músculos são exemplos. Porém vale destacar que nem sempre uma comida contaminada causa doenças: depende da quantidade de germes e da resistência da pessoa que está comendo.
6 ---- Saiba, ainda, que as alterações físicas e químicas reduzem a qualidade do alimento: afetam o aspecto, a textura, o paladar e, às vezes, o valor nutritivo. Mas, em geral, não desencadeiam problemas de saúde. Essas alterações são provocadas, por exemplo, pela temperatura, pelo ar ou por enzimas, deixando, por exemplo, o mel cristalizado, a alface murcha ou a manteiga rançosa.
7 ---- O bom é que essa degradação dos alimentos pode ser abreviada com boas práticas e temperaturas de conservação adequadas. Na cozinha, siga à risca as regras de higiene. Manipule os alimentos com as mãos e os utensílios limpos e não corte, por exemplo, o frango e os legumes sem lavar a faca, para evitar contaminação cruzada.
8 ---- Cozinhe bem todos os pratos, para eliminar os microrganismos. As toxinas produzidas por alguns deles resistem ao calor e não há como eliminá-las. Caso a comida preparada sobre, espere esfriar e guarde na geladeira. Saiba que a temperatura sempre sobe quando colocamos novos alimentos dentro dela, mesmo que estejam à temperatura ambiente. Porém com comida quente a elevação é maior. Assim, além de pôr em risco a conservação do alimento, pode danificar o aparelho.
9---- Na geladeira ou na despensa, uma boa dica é colocar os produtos com validade mais próxima na parte da frente. Dessa maneira, serão os primeiros a serem pegos na hora em que você quiser consumilos. Já o período de conservação depende do tipo de alimento. Em geral, os mais ácidos e secos resistem mais e, em muitos casos, não precisam de refrigeração. Os perecíveis - como carne, peixe, frutos do mar e bolos com recheio - devem ser guardados na geladeira e consumidos entre um e três dias. As sobras de refeições aguentam alguns dias, se forem bem cozidas e guardadas, no máximo a 4oC.
Texto adaptado de Revista Proteste Saúde, número 61, março 2017, p. 10-12.
Em “As sobras de refeições aguentam alguns dias, se forem bem cozidas e guardadas, no máximo a 4oC.” (nono parágrafo), a conjunção em destaque introduz uma
Por que os namoros terminam?
Saber o momento de colocar o famoso ‘ponto final’ costuma ser complicado. Há muita coisa envolvida na escolha, e a carência pode piorar tudo. Colocar na balança os prós e contras, que lhe fazem ter vontade de ficar com a pessoa ou partir para outra, passa a ser o principal desafio. Mas que fatores são realmente definitivos para a escolha? O que vale a pena relevar pela saúde do casal e o que incomoda o suficiente para causar o término?
Embora o amor não seja uma ciência exata, pesquisadores resolveram palpitar no assunto. Cientistas da Universidade de Utah, nos EUA, e de Toronto, no Canadá, conseguiram encontrar certo padrão nessas motivações. “Até hoje, a maioria das pesquisas sobre términos focava mais em prever quando um casal ficaria junto ou não, mas não sabíamos muito sobre esse processo de escolha – e quais os fatores que mais pesavam” explica Samantha Joel, que liderou os experimentos, em comunicado.
Seu estudo, publicado no jornal Social Psychological and Personality Science, envolveu 477 voluntários. No grupo, havia pessoas solteiras, casadas e em um relacionamento sério. Alguns deles, inclusive, estavam vivendo nessa incerteza, sem saber se deviam dar mais uma chance às suas metades.
Em um primeiro momento, eles tiveram de responder, de forma anônima, a uma série de questões abertas sobre seus relacionamentos, atuais e passados. Na lista, havia dúvidas como “Quais são os principais motivos que alguém deve considerar na decisão de ficar/deixar alguém?”. A partir das respostas das cobaias, os cientistas chegaram à lista de ouro: os 27 motivos para permanecer com alguém e 23 para deixar de lado a ideia.
As razões para terminar um relacionamento foram, em geral, mais ou menos as mesmas. Namoros e casamentos tinham mais chance de terminar quando existia alguma forma de distância emocional – uma pessoa sentir que o parceiro não estava mais tão empolgado com a união. Quebras de expectativas (mentiras, traições etc.), desgaste da relação e aspectos incômodos da personalidade da outra pessoa também apareceram na lista.
Do outro lado da via, casados e namorados apontaram motivações diferentes para manter seus relacionamentos. Para quem estava junto de papel passado, as obrigações do matrimônio acabam pesando mais. O tempo gasto na relação, as responsabilidades familiares e a logística (distância, moradia) foram alguns dos critérios. Os solteiros, porém, se guiavam mais pela emoção, como ter uma boa conexão e a sensação de segurança perto da pessoa amada.
Esses motivos, depois, foram convertidos em um questionário, entregue a novas cobaias que estavam em crise em seus relacionamentos. Todos eles residiam nos EUA, e estavam junto de seus parceiros por pelo menos 2 anos – prazo que era de 9 anos, em média, para os casados. Suas respostas mostraram o que todo mundo está careca de saber: terminar um relacionamento ou continuar cheio de dúvidas é difícil demais. Isso apareceu nas respostas dos participantes, que consideraram igualmente tanto os aspectos que apontavam para o término quanto aqueles que indicavam que tentar de novo era a solução.
“De uma perspectiva evolutiva, os primeiros humanos achavam que arrumar um parceiro era mais importante que encontrar uma alma gêmea. Por causa disso, pode ser mais fácil começar relacionamentos do que sair deles”, completa Joel. Então, da próxima vez que se sentir trouxa por conta de seu namoro, já sabe. Essa necessidade em ter um cobertor de orelha não é exatamente culpa sua – mas o problema, esse sim, só você pode resolver.
https://super.abril.com.br/comportamento/por-que-as-pessoas-terminam-namoros/
As ideias expressas pelas palavras destacadas foram corretamente identificadas entre parênteses, EXCETO em:
AS QUESTÕES 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
1__Estou voltando de um fim de semana em Friburgo. Mas poderia estar regressando de qualquer cidade
2 brasileira, que a situação seria a mesma. É que às vezes uma melhor compreensão do Brasil a gente encontra
3 não nos tratados, mas num simples incidente cotidiano.
4 __Por isto estou ali na estrada. O trânsito vai fluindo normalmente. De repente, na altura de Itaboraí
5 (como acontece frequentemente), o fluxo dos veículos vai ficando mais lento. Descobre-se a causa: lá está um
6 policial de trânsito fazendo com que os automóveis entrem em fila única. Isto é uma técnica que costumam
7 usar para evitar engarrafamentos, sobretudo quando vai chegando o verão. Tal técnica, acredito, deve dar
8 certo na Escandinávia, nunca aqui nos trópicos. A polícia rodoviária deve ter pensado que usando este
9 processo evitaria que na altura de Magé o trânsito virasse um pandemônio. Ela sabe que, se deixar, os
10 motoristas vão começar a ultrapassagem pela contramão, uma vez que não há praticamente movimento aí. É
11 uma forma de evitar desastres.
12 __Este é o problema. A polícia rodoviária é brasileira, mas não conhece os brasileiros. Porque ela
13 apenas armou o cenário para a dramatização de mais uma cena representativa do caráter nacional. Vamos
14 começar a assistir ao rito do "brasileiro esperto" que "leva vantagem em tudo".
15 __Ali estou com a família tentando ser bom brasileiro.
16 ________________________________(...)
17 __Em breve já não somos uma fila única, mas uma fila dupla está se formando sem que surja qualquer
18 guarda alemão ou sueco para controlar o que quer que seja. E a coisa não para aí. Está, ao contrário, apenas
19 começando.
20 ________________________________(...)
21 __Nisto percebo que já não somos três filas apenas, mas quatro e cinco filas indo em direção ao caos.
22 ________________________________(...)
23 __Meu rádio, por acaso, capta a voz de um policial comentando o engarrafamento: "Câmbio / confusão
24 geral / danou tudo / não tem mais jeito / câmbio". Agora, sim, estamos todos ali perfeitamente brasileiros e
25 infelizes, enquanto a raiva raia sanguínea e fresca em nossos nervos. Ali estamos, achando que íamos iludir o
26 FMI, que o capitalismo selvagem não nos prejudicaria. Ali estamos como o "deputado pianista" e o que vota
27 seu desonesto jeton. Ali estamos como o militar, o ministro e o alto funcionário iludindo o imposto de renda.
28 Ali estamos, posseiros e grileiros, governantes e governados, todos apalermados porque não sabíamos que a
29 história do país pode engarrafar.
SANTANNA, Affonso Romano de. - ADAPTADO
Com referência ao texto é correto afirmar
Eu sei, mas não devia
Marina Colassanti
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma ___ não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, ___ medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez vai pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir ____ comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma ____ poluição. ____ salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter _________ uma planta.
A gente se acostuma ____ coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e ____ no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não ____ muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar ____ pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
No período: “Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço”, os conectivos destacados estabelecem, respectivamente, relação de:


