Questões de Concurso Comentadas sobre concordância verbal, concordância nominal em português

Foram encontradas 8.298 questões

Q1103057 Português

[...]

Entrevistador – Como você vê o papel do escritor em um país como o Brasil?

*João Antônio – Para mim, o escritor, enquanto escreve, é exclusivamente um escritor – operário da palavra queimando olhos e criando corcunda sobre o papel e a máquina. Pronto o livro, o autor brasileiro não deve fugir à realidade de que é um vendedor, como um vendedor de cebolas ou batatas. Mas com uma diferença, é claro: no Brasil o livro não é considerado como produto de primeira necessidade, como os cereais. Também por isso, há de se sair a campo e de se divulgar o que se sabe fazer. Efetivamente, é mais do que um camelô de sua área: conversa sobre a obra, mas o ideal é que ouça muito o seu parceiro, o leitor. Que jamais se estabeleça um clima formal, doutoral, beletrístico, mas de debate, discussão, questionamento, amizade. Se o escritor se enclausura numa torre, se atende apenas à onda geral da feira de vaidades que é a chamada vida literária, jamais poderá sentir a realidade de seu público.

(ANTÔNIO, João. Malagueta, Perus e Bacanaço. São Paulo: Ática, 1998. Fragmento.)

*João Antônio Ferreira Filho (1937-1996), escritor paulista, é considerado um dos melhores contistas brasileiros do século XX.

Caso o escritor tivesse iniciado sua resposta com “Para mim, a maioria dos escritores, enquanto escreve, [...]” seria correto afirmar que
Alternativas
Q1103055 Português

[...]

Entrevistador – Como você vê o papel do escritor em um país como o Brasil?

*João Antônio – Para mim, o escritor, enquanto escreve, é exclusivamente um escritor – operário da palavra queimando olhos e criando corcunda sobre o papel e a máquina. Pronto o livro, o autor brasileiro não deve fugir à realidade de que é um vendedor, como um vendedor de cebolas ou batatas. Mas com uma diferença, é claro: no Brasil o livro não é considerado como produto de primeira necessidade, como os cereais. Também por isso, há de se sair a campo e de se divulgar o que se sabe fazer. Efetivamente, é mais do que um camelô de sua área: conversa sobre a obra, mas o ideal é que ouça muito o seu parceiro, o leitor. Que jamais se estabeleça um clima formal, doutoral, beletrístico, mas de debate, discussão, questionamento, amizade. Se o escritor se enclausura numa torre, se atende apenas à onda geral da feira de vaidades que é a chamada vida literária, jamais poderá sentir a realidade de seu público.

(ANTÔNIO, João. Malagueta, Perus e Bacanaço. São Paulo: Ática, 1998. Fragmento.)

*João Antônio Ferreira Filho (1937-1996), escritor paulista, é considerado um dos melhores contistas brasileiros do século XX.

Em “Mas com uma diferença, é claro: no Brasil o livro não é considerado como produto de primeira necessidade, como os cereais.”, a adequação gramatical normativa seria mantida se
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Q1103001 Português
Texto I para responder às questões de 21 a 35.

Ódio ao Semelhante – Sobre a Militância de Tribunal

    Ninguém pode negar o conflito como parte fundamental do fenômeno político. Só existe política porque existem diferenças, discordâncias, visões de mundo que se distanciam, ideologias, lutas por direitos, por hegemonia. Isso quer dizer que no cerne do fenômeno político está a democracia como um desejo de participação que implica as tenções próprias à diferença que busca um lugar no contexto social. [...]
    Esse texto não tem por finalidade tratar da importância do conflito ou da crítica, mas analisar um fenômeno que surgiu, e se potencializou, na era das redes sociais: a “militância de tribunal”. Essa prática é apresentada como manifestação de ativismo político, mas se reduz ao ato de proferir julgamentos, todos de natureza condenatória, contra seus adiversários e, muitas vezes, em desfavor dos próprios parceiros de projeto político. São típicos julgamentos de excessão, nos quais a figura do acusador e do julgador se confundem, não existe uma acusação bem delimitada, nem a oportunidade do acusado se defender. Nesses julgamentos, que muito revela do “militante de tribunal”, os eventuais erros do “acusado”, por um lado, são potencializados, sem qualquer compromisso com a facticidade; por outro, perdem importância para a hipótese previamente formulada pelo acusador-julgador, a partir de preconceitos, perversões, ressentimentos, inveja e, sobretudo, ódio.
    Ódio direcionado ao inimigo, aquele com o qual o “acusador-julgador” não se identifica e, por essa razão, nega a possibilidade de dialogar e, o que tem se tornado cada vez mais frequente, o ódio relacionado ao próximo, aquele que é, ou deveria ser, um aliado nas trincheiras políticas. Ódio que nasce daquilo que Freud chamou de “narcisismo das pequenas diferenças”. Ódio ao semelhante, aquele que admiramos, do qual somos “parceiros”, ao qual, contudo, dedicamos nosso ódio sempre que ele não faz exatamente aquilo que deveria – ou o que nós acreditamos que deveria – fazer.
    Exemplos não faltam. Pense-se na militante feminista que gasta mais tempo a “condenar” outras mulheres, a julgar outros “feminismos”, do que no enfrentamento concreto à dominação masculina. A Internet está cheia de exemplos de especialistas em julgamento e condenação. A caça por sucesso naquilo que imaginam ser o “clubinho das feministas” (por muitas que se dizem feministas enquanto realizam o feminismo como uma mera moral) tem algo da antiga caça às bruxas que regozija até hoje o machismo estrutural. Nunca se verá a “militante de tribunal feminista” em atitude isenta elogiando a postura correta, mas sempre espetacularizando a postura “errada” daquela que deseja condenar. Muitas constroem seus nomes virtuais, seu capital político, aquilo que imaginam ser um verdadeiro protagonismo feminista, no meio dessas pequenas guerras e linchamentos virtuais nas quais se consideram vencedoras pela gritaria. Há, infelizmente, feministas que se perdem, esvaziam o feminismo e servem de espetáculo àqueles que adoram odiar o feminismo. [...] Apoio mesmo, concreto, às grandes lutas do feminismo, isso não, pois não é tão fácil nem deve dar tanto prazer quanto a condenação no tribunal virtual montado em sua própria casa. [...]
(Marcia Tiburi e Rubens Casara. Disponível em: http://revistacult.uol.com.br/home/2016/01/odio-ao-semelhante-sobre-a-militancia-detribunal/. Publicado dia: 10/01/2016. Adaptado.)
Em “Só existe política porque existem diferenças, discordâncias, visões de mundo que se distanciam, ideologias, lutas por direitos, por hegemonia.” (1º§), pode-se afirmar que, em relação à concordância verbal estabelecida,
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Q1102720 Português
Texto II para responder às questões de 36 a 40.
[...]
Entrevistador – Como você vê o papel do escritor em um país como o Brasil?
*João Antônio – Para mim, o escritor, enquanto escreve, é exclusivamente um escritor – operário da palavra queimando olhos e criando corcunda sobre o papel e a máquina. Pronto o livro, o autor brasileiro não deve fugir à realidade de que é um vendedor, como um vendedor de cebolas ou batatas. Mas com uma diferença, é claro: no Brasil o livro não é considerado como produto de primeira necessidade, como os cereais. Também por isso, há de se sair a campo e de se divulgar o que se sabe fazer. Efetivamente, é mais do que um camelô de sua área: conversa sobre a obra, mas o ideal é que ouça muito o seu parceiro, o leitor. Que jamais se estabeleça um clima formal, doutoral, beletrístico, mas de debate, discussão, questionamento, amizade. Se o escritor se enclausura numa torre, se atende apenas à onda geral da feira de vaidades que é a chamada vida literária, jamais poderá sentir a realidade de seu público.
(ANTÔNIO, João. Malagueta, Perus e Bacanaço. São Paulo: Ática, 1998. Fragmento.)
*João Antônio Ferreira Filho (1937-1996), escritor paulista, é considerado um dos melhores contistas brasileiros do século XX.
Em “Mas com uma diferença, é claro: no Brasil o livro não é considerado como produto de primeira necessidade, como os cereais.”, a adequação gramatical normativa seria mantida se
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Q1089099 Português
Analise o período a seguir.
“Se tudo _____ de acordo com o que ele _____, o livro já ______.”
Marque a opção que indica os vocábulos que preenchem CORRETA e respectivamente as lacunas.
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Q1083633 Português
Leia o texto para responder à questão.

    O mundo vive hoje um turbilhão de sentimentos e reações no que diz respeito aos refugiados. Trata-se de uma enorme tragédia humana, à qual temos assistido pela TV no conforto de nossas casas.
    Imagens dramáticas mostram famílias inteiras, jovens, crianças e idosos chegando à Europa em busca de um lugar supostamente mais seguro para viver. Embora os refugiados da Síria tenham ganhado maior destaque, existem ainda os refugiados africanos e os latino-americanos.
    Dentro da América Latina, vemos grandes migrações, uma marcha de pessoas que buscam o refúgio, mas que terminam em uma espécie de exílio.
    O Brasil, que sempre se destacou por sua capacidade de acolher diferentes culturas, apresenta uma das sociedades com maior diversidade. Podemos afirmar nossa capacidade de lidar com o multiculturalismo com bastante naturalidade, embora, muitas vezes, a questão seja tratada de maneira superficial. Por outro lado, o preconceito existente, antes disfarçado, deixou de ser tímido e passou a se manifestar de forma aberta e hostil.
    Comparado a outros países, o Brasil não recebe um número elevado de refugiados, e a maioria da sociedade brasileira aceita-os, acreditando que é possível fazer algo para ajudá-los, mesmo diante do momento crítico da economia e da política.
    Diante desse cenário, destacam-se as iniciativas de solidariedade, de forma objetiva e praticada por jovens estudantes de nossas universidades. Com a cabeça aberta e o respeito ao diferente, muitos deles manifestam uma visão de mundo que permite acreditar em transformações sociais de base.
(Soraia Smaili, Refugiados no Brasil: entre o exílio e a solidariedade. Em: cartacapital.com.br. 02.02.2016. Adaptado)
Observando as grandes migrações na América Latina, fica evidente que_______________ , apesar de todos_______________ .
Assinale a alternativa cujas informações preenchem, correta e respectivamente, as lacunas da frase, de acordo com a norma-padrão.
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Q1083525 Português

O consumo de cultura em Cuba sempre foi um fenômeno polêmico e complexo. As eternas dificuldades econômicas da estrutura socialista da ilha raramente possibilitaram que____________ os recursos necessários para levar aos_____________ as criações artísticas mais recentes e reconhecidas,_______________ no resto do mundo (pelo menos no resto do mundo com possibilidades de fazê-lo). Mesmo assim, graças a programas culturais e educativos, o espectador cubano teve oportunidade de consumir cultura de alta qualidade oferecida pelas instituições oficiais.

(Leonardo Padura, Um esforço tão grande para nada.

Folha de S.Paulo, 30.01.2016. Adaptado)

De acordo com a norma-padrão, as lacunas do texto d evem ser preenchidas, respectivamente, com:

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Ano: 2016 Banca: VUNESP Órgão: FUNDUNESP Prova: VUNESP - 2016 - FUNDUNESP - Historiógrafo |
Q1073405 Português
Considere a charge do artista Iotti Radicci.
Imagem associada para resolução da questão
(https://bicicletanarua.files.wordpress.com/2010/07/ charge-iotti-dc-2010-07-20.jpg?w=630 Publicada no Diário Catarinense em 20.07.2010.)
Parte do humor presente na charge advém __________ duplo sentido atribuído __________ termo selvagem, que remete o leitor __________ uma comparação entre o “selvagem” homem das cavernas e o “selvagem” homem do século XXI que, no trânsito, se comporta agressivamente.
Para que o texto a respeito da charge esteja de acordo com a regência verbal e nominal padrão, suas lacunas devem ser preenchidas, correta e respectivamente, por:
Alternativas
Ano: 2016 Banca: VUNESP Órgão: FUNDUNESP Prova: VUNESP - 2016 - FUNDUNESP - Historiógrafo |
Q1073404 Português
Leia o texto e responda à questão.

As folhas que faltavam

    Grigory Kessel, catedrático de idioma siríaco na Universidade Philipps, em Marburg, na Alemanha, pesquisava textos antigos na biblioteca de um rico colecionador de Baltimore, nos EUA, quando – ao ver um velho manuscrito incompleto, composto por páginas de couro milenares – notou certa semelhança com uma única página solta que vira havia três semanas em uma biblioteca da Universidade de Harvard.
    A obra que ele estudava, sem algumas de suas páginas, era nada menos que a mais antiga tradução já encontrada do importante manuscrito do médico e filósofo greco-romano, Cláudio Galeno – conhecido como Galeno de Pérgamo –, que morreu no ano 200 d.C., intitulado “Das misturas e poderes das drogas simples”.
    O achado da primeira página perdida, feito por Kessel, ocorreu em fevereiro de 2013. A partir de então, foi iniciada uma caçada global às demais seis folhas que faltavam. E elas foram encontradas em diversas instituições mundo afora. Em seguida, iniciou-se a digitalização de toda a obra, finalizada em maio deste ano.
    Agora, especialistas estão começando a explorar os textos, praticamente invisíveis a olho nu. A perspectiva é de que o conteúdo seja totalmente traduzido em um prazo de cinco anos.
    O manuscrito é um palimpsesto, ou seja, um texto antigo recoberto por outro escrito. A prática era comum na Idade Média, como forma de reciclagem. Nesse caso, escribas sírios do século XI rasparam o texto médico de Galeno, que estava no pergaminho, e escreveram hinos religiosos por cima dele.
    Na fase atual, cada página foi fotografada digitalmente em alta resolução, com diferentes cores e configurações de luz, destacando diversas formas de tintas, sulcos da escrita e o próprio pergaminho, e os algoritmos do computador têm explorado essas variações de modo a ampliar a visibilidade do texto que ficou por baixo. As imagens resultantes foram disponibilizadas na internet e podem ser estudadas por acadêmicos para qualquer finalidade não comercial.
    Durante séculos, as diversas traduções de “Das misturas e poderes das drogas simples” foram leituras obrigatórias para aspirantes a médicos, por conter conhecimentos antigos sobre Medicina, cuidados ao paciente e uso de plantas medicinais.
    “Esse provavelmente será um texto fundamental assim que for completamente decifrado. Descobriremos coisas com as quais nem poderíamos sonhar até agora”, entusiasma-se Peter Pormann, especialista em greco-árabe da Universidade de Manchester, que lidera atualmente os estudos do livro de Galeno.
    A descoberta, concordam os pesquisadores, poderá lançar uma nova luz sobre as raízes da Medicina e como ela se espalhou pelo mundo antigo.
(Colaboração de Clébio Silva. http://www.cremesp.org.
br/?siteAcao=Revista&id=823. Adaptado)
Leia as alternativas, elaboradas a partir de consulta ao site Infoescola, e assinale a que está correta quanto à concordância verbal e nominal prevista pela norma-padrão da língua portuguesa.
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Q1073307 Português

Leia o texto para responder à questão.

    

    Outro dia ouvi uma história divertida sobre o pessimismo, narrada por um padre chamado Osman, da Igreja de Santa Terezinha, em Higienópolis. Frei Osman é escritor e leitor voraz. Por isso, em seus sermões, costuma incluir referências a poemas, contos e romances de toda sorte de autores. Suas homilias são pequenas aulas de literatura.

    Recentemente, ao sentir a apreensão crescente em seu rebanho, saiu-se com a seguinte história: um dia estava o poeta Olavo Bilac andando pelo Rio quando encontrou um velho amigo, que pediu:

    – Bilac, preciso vender minha chácara, que só dá dor de cabeça. – E reclamou um monte: “Os pássaros fazem barulho ensurdecedor, não podemos descansar. A calha está entupida pelas folhas que caem das muitas árvores. No verão, o sol exige cortinas novas e no inverno os cobertores não dão conta do frio”. “Por isso”, concluiu, “quero vendê-la. Você me prepara um texto convincente para um anúncio de jornal?”

    Bilac pediu papel e caneta e escreveu: “Vendo uma chácara abençoada. Ao fundo da casa, no bosque, os pássaros fazem diariamente sua sinfonia; à frente, o sol aquece o terraço para iluminar a mente de seus moradores enquanto ouvem o som do regato piscoso”. Entregou o papel ao amigo e se foi.

    Meses depois, encontrou-o novamente e perguntou: “Vendeu a chácara?” “Não, Bilac, quando me dei conta da beleza única e dos benefícios que posso ter em tão lindo lugar, nunca mais considerei me desfazer daquele pequeno paraíso”.

    A lição pregada pelo frei Osman é sábia e vale para um monte de gente. Neste momento em que se aproxima o início de um novo ano, é muito importante observar as oportunidades, para não ser sugado pelos problemas.

    Por isso pergunto: e você, também tem pensado em vender um pedaço de sua felicidade?

(Leão Serva. Em 2016, não dê felicidade ao pessimismo. Em: Folha de

S.Paulo, 28.12.2015. Adaptado)

Assinale a alternativa correta quanto à concordância.
Alternativas
Q1073260 Português
Leia o texto para responder à questão.

    Outro dia, mostrei uma máquina de escrever a um grupo de adolescentes. Observaram, depois tocaram o pequeno objeto azul e prateado que jazia ao lado do estojo preto.
    “Isso aí imprime?” Você escreve e imprime ao mesmo tempo, respondi.
    A fita era velha, do século passado; mesmo assim, datilografei cinco letras: as marcas cinzentas na folha branca formaram a palavra “tempo”. Eles riram, examinando o objeto como se fosse um totem. Mas não era nem foi um totem, e sim uma musa sempre presente, inseparável. Com ela saí do Brasil numa noite da década de 1970; moramos juntos num quartinho em Madri.
    “E se você quiser cortar umas frases…? Tem que escrever tudo de novo?” Sim, tudo de novo. “Perda de tempo”, resmungou um menino, impaciente.
    Mas naquela época ainda se perdia tempo, pensei. E o tempo perdido parecia fora do tempo, que é o tempo do sonho e do prazer.
    Recordei as primeiras aulas de datilografia no porão de uma casa manauara, perto do Luso Sporting Clube. Eu era o único curumim* numa sala de cunhantãs*, mas isso não me envergonhava. E ali, entre o Luso e a Escola Normal, moravam duas irmãs, amigas de minha irmã. A mais nova, rechonchuda e baixinha, sorria com uma alegria solar; parecia desconhecer a angústia e a aspereza da vida. É provável que uma pessoa muito deprimida, ao lado dela, encontrasse algum sentido à vida. Mas eu não era esse deprimido, e sim um tímido fascinado pela irmã dessa Eufrosina do Amazonas.
    Alta e esguia, essa irmã mais velha era séria, fechada feito um cofre. Não sabia, até hoje não sei o que guardava aquele cofre. Eu emergia do porão e passava em frente à casa das duas irmãs, com a esperança de ver o rosto misterioso na varanda. Quando dava sorte, o rosto olhava para mim e sorria, mas era um sorriso também guardado, talvez condescendente: os lábios se separavam e se alongavam um pouco, e eu via nessa morosa dança labial uma remota promessa de amor. O tempo me revelou que era apenas um aceno para o irmão de uma amiga.
    Mal sabe ela quantos poemas escrevi para o seu sorriso, o rosto e o corpo inteiro. Poemas e cartas datilografados no porão mais úmido de Manaus, onde eu cruzava a fronteira da infância com a juventude: fronteira imaginária, mas a travessia era real, com seus perigos e prazeres.
    A barulheira dos jovens ao redor me tirou desse devaneio. Dedos fortes batiam no teclado e escreviam letras invisíveis. Mais um pouco, arrebentariam a musa de metal. Não sabem datilografar, esses moleques. E ainda não sabem nada do amor… Mas será que alguém sabe, de verdade?
(Milton Hatoum. O Estado de S.Paulo.17.06.2016. Adaptado)

* curumim e cunhantã, palavras de origem tupi que designam, respectivamente, menino, criança e menina, mulher.
A alternativa que completa, correta e respectivamente, quanto à concordância, as lacunas da frase a seguir é:
No porão mais úmido de Manaus, __________ as fronteiras da infância com a juventude e elas __________.
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Q1073196 Português
Ai, que preguiça!
     O corpo humano é uma máquina desenhada para o movimento. É dotado de dobradiças, músculos que formam alavancas capazes de deslocar o esqueleto em qualquer direção, ossos resistentes, ligamentos elásticos que amortecem choques, e sistemas de alta complexidade para mobilizar energia, consumir oxigênio e manter a temperatura interna constante.
     Se o corpo humano fosse projetado para os usos de hoje, para que pernas tão compridas e braços tão longos? Se é só para ir de um assento a outro, elas poderiam ter metade do comprimento. Se os braços servem apenas para alcançar o teclado do computador, para que antebraços? Seríamos anões de membros atrofiados, mas com um traseiro enorme, acolchoado, para nos dar conforto nas cadeiras.
     A possibilidade de ganharmos a vida sem andar é aquisição dos últimos cinquenta anos, com a disponibilidade de alimentos de qualidade acessíveis a grandes massas populacionais, saneamento básico, antibióticos e tecnologia para satisfazer as nossas necessidades.
     No entanto, os efeitos adversos desse estilo de vida não demoraram para surgir: sedentarismo, complicações cardiovasculares, degenerações neurológicas, etc. Se todos reconhecem que a atividade física faz bem para o organismo, por que ninguém se exercita com regularidade?
     Por uma razão simples: descontadas as brincadeiras da infância, fase de aprendizado, nenhum animal desperdiça energia. Só o faz atrás de alimento, sexo ou para escapar de predadores. É tão difícil abandonar a vida sedentária, porque malbaratar energia vai contra a natureza humana. Os planos para andar, correr ou ir à academia naufragam, no dia seguinte, sob o peso dos seis milhões de anos de evolução que desaba sobre nossos ombros.
    Quando você ouvir alguém dizendo que pula da cama louco de disposição para o exercício, pode ter certeza: é mentira. Essa vontade pode nos visitar num sítio ou na praia com os amigos, na rotina diária jamais. Digo por experiência própria. Há 20 anos corro maratonas, que me obrigam a levantar às cinco e meia para treinar. Tenho tanta confiança na integridade de meu caráter, que fiz um trato comigo mesmo: ao acordar, só posso desistir de correr depois de vestir calção, camiseta e calçar o tênis.
     Se me permitir tomar essa decisão deitado na cama, cada manhã terei uma desculpa. Não há limite para as justificativas que a preguiça é capaz de inventar nessa hora. Por isso, se você está à espera da chegada da disposição física para sair da vagabundagem, tire o cavalo da chuva: ela não virá. Praticar exercícios com regularidade exige disciplina militar, a mesma que você tem na hora de ir para o trabalho. Ai, que preguiça!
(www.drauziovarela.com.br. Publicado em 13.01.2014. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a frase reescrita apresenta concordância correta, de acordo com a norma-padrão.
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Q1067420 Português

Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.


Assembleia Geral da ONU reconhece saneamento como

direito humano distinto do direito à água potável


      Uma resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, adotada recentemente, reconheceu o saneamento básico como um direito humano separado do direito à água potável. A decisão pretende chamar a atenção para a situação de mais de 2,5 bilhões de pessoas que vivem sem acesso a banheiros e sistemas de esgoto adequados no mundo todo.

      De acordo com o relator especial da ONU sobre os direitos humanos à água potável e ao saneamento básico, o brasileiro Léo Heller, a deliberação “dá para as pessoas uma percepção mais clara do direito ao saneamento, fortalecendo sua capacidade de reivindicá-lo quando o Estado falha em prover os serviços ou quando eles não são seguros, são inacessíveis ou sem a privacidade adequada”. A resolução da Assembleia reconheceu a natureza distinta do saneamento em relação à água potável, embora tenha mantido os direitos juntos.

      Para Heller, a ausência de estruturas sanitárias adequadas tem um “efeito dominó”, prejudicando a busca e o usufruto de outros direitos humanos, como o direito à saúde, à vida e à educação. A falta de saneamento favorece a transmissão de doenças infecciosas, como cólera, hepatite e febre tifoide. Segundo estudo recente realizado pela ONU, somadas as abstenções escolares de todos os alunos no mundo, problemas ligados à falta de saneamento e água fazem com que 443 milhões de dias letivos sejam perdidos todos os anos.

(Adaptado de: https://nacoesunidas.org/assembleia-geral-da-onu-reconhece-saneamento-como-direito-humano-distinto-do-direito-a-agua-potavel)

Segundo estudo recente realizado pela ONU, somadas as abstenções escolares de todos os alunos no mundo, problemas ligados à falta de saneamento e água fazem com que 443 milhões de dias letivos sejam perdidos todos os anos. (3° parágrafo)


O trecho sublinhado (incluindo-se a vírgula após mundo) pode ser substituído, atendendo às normas de concordância e preservando-se a correlação entre as formas verbais, por:

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Q1056509 Português
Os benefícios da natação
       Uma piscina não é o primeiro lugar que muitas pessoas procuram quando querem emagrecer, mas, poderia ser. Nenhum outro treino queima calorias e aumenta o metabolismo, empregando todos os músculos do seu corpo (sem colocar estresse sobre as articulações) melhor que um treino de natação.
      A água pode ajudar a construir um corpo mais saudável. E ninguém precisa ser um medalhista de ouro olímpico para obter o corpo perfeito e saúde. De acordo com pesquisas, nadadores de todas as idades _______ mais níveis de massa magra muscular e cinturas e quadris mais finos que outros exercícios.
      Não é preciso nada complicado para praticar a natação: roupa de banho (maiô, sunga, biquíni), touca e óculos de natação. Pronto! Já se pode cair na água.
    Os benefícios da natação são muitos. Modelagem do corpo, queima de calorias e recrutamento muscular são apontados como os mais significativos. Um esforço simples queima cerca de 500 calorias por hora, enquanto um esforço vigoroso pode queimar quase 700 calorias. É claro que cada corpo é único e, por isso, esses valores podem variar.
       A água é cerca de 800 vezes mais densa que o ar e cada pontapé, empurrão e puxão é como um treino de resistência para todo o corpo, especialmente para as regiões dos quadris, braços, ombros e glúteos. Por isso, além de queimar calorias, você ______ massa muscular magra, que influencia no metabolismo e dá para queimar calorias até após a natação, enquanto você toma banho e se seca.
       A água neutraliza a gravidade, assim você se torna virtualmente sem peso, quando imerso, dando às suas articulações uma folga. Você pode nadar quase todos os dias sem o risco de acidentes, mas não se pode dizer o mesmo para corridas ou treinamentos de força.

http://www.mulherdigital.com/beneficios-natacao/ - adaptado.
Em relação à conjugação verbal, assinalar a alternativa que preenche as lacunas do texto CORRETAMENTE:
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Q1056204 Português

        Até a minha adolescência, toda véspera de prova de matemática era um pesadelo. Perdia o sono, tinha dores no peito, recusava qualquer atividade que não fosse estudar equações e transformava a vida da minha família em um inferno. Só de pensar que teria que interagir com números sem ajuda de ninguém acelerava meu coração, minhas mãos tremiam e suava frio.

      Tinha colocado na cabeça que não era uma pessoa matemática e ponto. Minha praia eram as letras, interpretação, literatura, idiomas, história – números só se fossem romanos, ________, apesar de serem números, continuavam sendo letras. Acreditava que meu cérebro não era capaz de ler algarismos.

        Mas minhas notas mostravam o contrário, meu cérebro conseguia decodificá-los. Na época, meus pais achavam que esse “auê” era apenas exagero, nem imaginavam que matemática pudesse doer. E dói.

    Pesquisadores da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, comprovaram que conexões neurais relacionadas à dor são ativadas quando pensamos em números. Se eu fizesse parte dos voluntários da pesquisa, provavelmente seria diagnosticada com o que eles chamam de HMA (High Math Anxiety), ansiedade matemática elevada.

    Nas horas que antecediam a prova, minha mãe dizia que, se eu estudasse e me concentrasse naquelas equações e teoremas, o pavor passaria. O conselho estava certo: os pesquisadores descobriram que os sentimentos de apreensão, pânico e tensão acontecem quando cogitamos resolver os problemas matemáticos, não quando, de fato, calculamos. No momento em que sentamos a bunda na cadeira para determinar ângulos, catetos ou os valores de x, y ou z, nosso cérebro se ocupa e não sentimos mais os efeitos da ansiedade.

   Os cientistas também explicam o porquê de pessoas avessas aos números continuarem sempre com o estigma de pessoas “não matemáticas”. Além do bloqueio emocional, isso ocorre _________ fugimos de todas as situações em que precisamos calcular – colamos na escola, passamos a conta do bar para um amigo, contratamos um contador para fazer nosso imposto de renda – esses escapes impedem que nossas habilidades numéricas melhorem e que encaremos o medo de números.

http://super.abril.com.br/ciencia/... - adaptado.

Em relação à escrita dos períodos, assinalar a alternativa em que há erro, segundo a gramática normativa de língua portuguesa:
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Q1039822 Português
A frase redigida em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa é:
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Q1039819 Português
Assinale a alternativa em que a concordância está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
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Ano: 2016 Banca: FCC Órgão: CREMESP Prova: FCC - 2016 - CREMESP - Copeiro |
Q1034004 Português
Em reunião realizada na capital de Ruanda, no leste da África, as nações do mundo ...I... em cortar cerca de 80% das emissões dos gases HFCs, o que ...II... o aquecimento global em 0,5 grau Celsius ainda neste século. Os países ...III... estabilizando suas emissões de HFCs e farão cortes de 80% ou mais até a metade deste século. (Adaptado de: Folha de S.Paulo, 16/10/16. Mundo, A19)
Preenchem corretamente as lacunas I, II e III da notícia acima, nesta ordem:
Alternativas
Ano: 2016 Banca: FCC Órgão: CREMESP Prova: FCC - 2016 - CREMESP - Copeiro |
Q1033998 Português

Por que o cão que insiste em enterrar ossos? Na verdade, ele age assim porque ancestrais que ...I... comida lhe ...II... esse instinto. Enquanto outros exemplares menos precavidos eram mais atingidos pela fome, os mais bem nutridos ...III... se defender e se reproduzir melhor.

(Adaptado de: ROSSI, Alexandre. Disponível em: http://www.scielo.br)


Completam corretamente as lacunas I, II e III, nessa ordem:

Alternativas
Ano: 2016 Banca: FCC Órgão: CREMESP Prova: FCC - 2016 - CREMESP - Copeiro |
Q1033994 Português
Atenção: Considere o texto abaixo para responder a questão.

        Uma pesquisa feita em uma universidade mostrou que cães têm a capacidade de distinguir palavras de um vocabulário e captar a entonação da fala dos donos usando regiões cerebrais semelhantes àquelas usadas por seres humanos.
         Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores mediram a atividade do cérebro dos cães em aparelhos de ressonância magnética. Eles ouviam então gravações de vozes de seus donos ou treinadores usando várias combinações de vocabulário e entonação, ou elogiando ou de modo neutro.
       "A imagem por ressonância magnética fornece um método inofensivo de medição de que os cães gostam", diz a coautora do estudo.
       Independentemente da entonação, cães reconheceram cada palavra como algo distinto e o fizeram de uma forma similar aos seres humanos, usando o lado esquerdo do cérebro.
       Os pesquisadores descobriram ainda que os cães processam a entonação separadamente do vocabulário, nas regiões auditivas no lado direito do cérebro, o que também acontece com humanos.
       Os pesquisadores observaram que o elogio ativa o "centro de recompensa" do cérebro dos cães – a região que responde a estímulos de prazer. Mas o centro de recompensa só era ativado quando o cão ouvia palavras de louvor com entonação adequada.
       Isso mostra que, para os cães, um elogio pode funcionar como recompensa, mas funciona melhor ainda se as palavras e a entonação baterem. Ou seja, os animais não só separam o que dizemos e como dizemos, mas também podem combinar os dois para uma melhor interpretação do que aquelas palavras realmente querem dizer.
        Os resultados indicam que os mecanismos neurais para processar palavras evoluíram bem antes do que se imaginava. "O que torna as palavras singularmente humanas não é a capacidade neural para processá-las", dizem os autores. Seres humanos são únicos na sua capacidade de inventar palavras.
(Adaptado de: NETO, Ricardo Bonalume. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia)  
Ao se reescrever uma passagem do texto, foi observado o respeito às normas de concordância em:
Alternativas
Respostas
5321: D
5322: A
5323: C
5324: A
5325: B
5326: B
5327: A
5328: D
5329: E
5330: E
5331: E
5332: D
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5335: C
5336: A
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5338: B
5339: B
5340: B