Questões de Concurso
Comentadas sobre colocação pronominal em português
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Seja eu Seja eu Deixa que eu seja eu E aceita O que seja seu Então deita e aceita eu
Molha eu Seca eu Deixa que eu seja o céu E receba O que seja seu Anoiteça e amanheça eu
Beija eu Beija eu Beija eu, me beija Deixa O que seja ser Então beba e receba
Meu corpo no seu corpo Eu no meu corpo Deixa Eu me deixo Anoiteça e amanheça.
Na canção “Beija eu”, composta por Arnaldo Antunes e gravada por Marisa Monte em 1991, ocorre uma transgressão ao que prescreve a gramática normativa sobre colocação pronominal. Isso ocorre para, entre outros motivos, garantir a musicalidade dos versos e, devido à licença poética, não pode ser caracterizado como erro. Aponte, entre as alternativas abaixo, a única que NÃO justifica e adéqua essa construção à norma culta da língua.
Zana teve de deixar tudo: o bairro portuário de Manaus, a rua em declive sombreada por mangueiras centenárias, o lugar que para ela era quase tão vital quanto a Biblos de sua infância: a pequena cidade no Líbano que ela recordava em voz alta, vagando pelos aposentos empoeirados até se perder no quintal, onde a copa da velha seringueira sombreava as palmeiras e o pomar cultivados por mais de meio século. Perto do alpendre, o cheiro das açucenas-brancas se misturava com o do filho caçula. Então ela sentava no chão, rezava sozinha e chorava, desejando a volta de Omar. Antes de abandonar a casa, Zana via o vulto do pai e do esposo nos pesadelos das últimas noites, depois sentia a presença de ambos no quarto em que haviam dormido. Durante o dia eu a ouvia repetir as palavras do pesadelo, "Eles andam por aqui, meu pai e Halim vieram me visitar... eles estão nesta casa", e ai de quem duvidasse disso com uma palavra, um gesto, um olhar. Ela imaginava o sofá cinzento na sala onde Halim largava o narguilé para abraçá-la, lembrava a voz do pai conversando com barqueiros e pescadores no Manaus Harbour, e ali no alpendre lembrava a rede vermelha do Caçula, o cheiro dele, o corpo que ela mesma despia na rede onde ele terminava suas noitadas. "Sei que um dia ele vai voltar", Zana me dizia sem olhar para mim, talvez sem sentir a minha presença, o rosto que fora tão belo agora sombrio, abatido. A mesma frase eu ouvi, como uma oração murmurada, no dia em que ela desapareceu na casa deserta. Eu a procurei por todos os cantos e só fui encontrá-la ao anoitecer, deitada sobre folhas e palmas secas, o braço engessado sujo, cheio de titica de pássaros, o rosto inchado, a saia e a anágua molhadas de urina. Eu não a vi morrer, eu não quis vê-la morrer. Mas alguns dias antes de sua morte, ela deitada na cama de uma clínica, soube que ergueu a cabeça e perguntou em árabe para que só a filha e a amiga quase centenária entendessem (e para que ela mesma não se traísse): "Meus filhos já fizeram as pazes?”. Repetiu a pergunta com a força que lhe restava, com a coragem que mãe aflita encontra na hora da morte. Ninguém respondeu. Então o rosto quase sem rugas de Zana desvaneceu; ela ainda virou a cabeça para o lado, à procura da única janelinha na parede cinzenta, onde se apagava um pedaço do céu crepuscular.
(Trecho retirado de: HATOUM, Milton. Dois irmãos. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 9-10.)
Observe a colocação pronominal: “Eu não quis vê-la morrer”. Neste caso, a gramática permite que o pronome clítico seja posicionado de outra maneira sem prejudicar a norma. Marque a alternativa que reescreve a oração corretamente, utilizando as regras de colocação pronominal.
Mario agradeceu pelo lanche que Mônica ___ ofereceu. Pedro ___ da melhor forma possível. Ele informou que André não ____ ajudou, nem ___ pediu nada.
I. Quando o verbo iniciar o período; II. Com o verbo no gerúndio, desde que não forme locução verbal ou que não esteja precedido da preposição “em” ou de qualquer elemento de atração. Se houver fator de próclise, esta será de rigor; III. Com verbos no imperativo afirmativo.
Dos itens acima:
Abaixo você encontrará três afirmações acerca de regras da norma padrão da Língua Portuguesa. Analise cada uma delas e assinale a opção que aponta as afirmativas corretas.
I. A frase “Me mandaram uma mensagem errada” possui um erro de colocação pronominal, por isso deveria ser “Mandaram-me uma mensagem errada”.
II. No sentido de “ver”, é correta a regência do verbo “assistir” em “Eu assisti ao jogo pela televisão”.
III. Na frase “Não entendi o porque de tanto mistério” o uso do “porquê” está correto.
O velho
O que eu mais temo – escrevi em um dos meus agás – não é o Sono Eterno, mas a possibilidade de uma insônia eterna – o que seria uma verdadeira estopada, um suplício sem fim. Porém, em uma de minhas costumeiras noites de sonho acordado, o meu amigo morto me pediu um cigarro, e disse-me:
– Não é como tu pensas, todos nós trabalhamos numa série infinita de escritórios (cada geração de mortos num deles) onde a gente se entrega a um sério trabalho de estatística: tem-se de anotar a chegada de cada um e comunicar-lhe o respectivo número, pois isso de nomes é mera convenção terrena. O pior são os que atrapalham a escrita, morrendo antes do tempo – ou porque se mataram ou por culpa dos médicos, e estes ainda são culpados quando fazem os doentes morrer depois da hora, numa espécie de sobrevida artificial, já que os médicos (diga-se em sua honra) julgam criminosa a prática da eutanásia... Uma pena!
– E fora do expediente, o que fazem vocês?
– Bem, a hora do almoço não deixa de ser divertida por causa dos Santos: põem-se a discutir acaloradamente qual deles fez na Terra o maior número de milagres e outras futilidades.
– E Deus? Me conta como é Ele...
– Ah, o Velho? Desconfio que certa vez O vi...
– Mas conta-me lá como foi que desconfiaste de ter visto o Velho?
– Foi há tempos, eu era recém-chegado, quando uma tarde apareceu de surpresa no escritório um velhinho muito simpático. Com as mãos às costas, curvava-se sobre cada mesa, inspecionando o nosso trabalho, por sinal que me atrapalhei, errei uma palavra. Ele bateu-me confortadoramente no ombro, como quem diz: “Não foi nada... não foi nada...” Ao retirar-se, já com a mão no trinco da porta, virou-se para nós e abanou: “Até outra vez se Eu quiser!”
(Mário Quintana. Da preguiça como método de trabalho. Adaptado)
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do enunciado a seguir.
A indústria do fumo desenvolveu uma estratégia demoníaca __________ é __________ lucros imorais.
Quando ________________ os medicamentos, não __________ imediatamente.
