Questões de Concurso
Comentadas sobre colocação pronominal em português
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TEXTO I
O macacão branco
Sejamos honestas, colegas de trabalho: quem de nós pode vestir um macacão branco decotado na frente e nas costas, colado ao corpo, sem antes passar por uma lipoescultura, uma sessão de bronzeamento e ficar duas semanas sem comer? Resposta no final dessa coluna.
Não teria adjetivos suficientes para comentar o show que Maria Rita fez no Anfiteatro Pôr do Sol, semana passada, cantando músicas da sua mãe, Elis Regina. O espetáculo foi perfeito do início ao fim, e São Pedro ainda deu uma canja, oferecendo um entardecer de cinema, com direito a uma lasca de lua, céu estrelado e brisa suave. Se Elis não fosse gaúcha, teria se naturalizado naquele instante, em algum cartório no céu.
Mas voltemos a Maria Rita. Toda de branco, ela entrou no palco com uma túnica diáfana que ia até os pés: praticamente um anjo de bons modos. Até que, quatro ou cinco músicas depois do início do show, ela retirou a túnica e ficou só de macacão branco decotado, com as costas de fora, colado no corpo. Pensei: é peituda essa mulher.
Peituda porque, além de peito, Maria Rita tem coxa, tem bunda, tem barriguinha, tem sustância, tem o corpo da brasileira típica, que passa longe das esquálidas das revistas, das ossudas das passarelas. A numeração de Maria Rita não é 36, mas vestiu aquele macacão branco como se fosse.
Quaquaraquáquá, quem riu? Quaquaraquáquá, foi ela. Cantando Vou Deitar e Rolar e outros tantos hits da sua talentosa genitora, Maria Rita rebolou, sambou, jogou charme, braço pra cima, braço pro lado, ajeitadinha no cabelo, caras e bocas, dona e senhora do pedaço e com o namorado bonitão (Davi Moraes, na guitarra) ali na retaguarda, babando – se não estava, deveria. Porque Maria Rita, além de cantar divinamente, mostrava 100% seu lado fêmea, segura e incomparável. Que nem as modelos de revista? Quaquaraquaquá. Muito melhor.
Fiquei matutando depois: como mulher se preocupa com besteira. Usa roupa preta para afinar, veste bermudas compressoras para chapar a barriga, manga comprida para esconder os braços roliços, e mais isso, e aquilo, quando o maior segredo de beleza consta do seguinte: sinta-se num palco, mesmo que nunca tenha chegado perto de um. Imagine-se com 60 mil pessoas te aplaudindo, te admirando pelo que você faz, pelo que você é, imagine-se com o público na mão, pois você é competente e tem uma elegância natural. Conscientize-se de que sua inteligência é superior às suas medidas, que ser magrinha não atrai amor instantâneo, que sua personalidade é um cartão de visitas, que a felicidade é a melhor maquiagem, que ser leve é que emagrece.
E dá-se a mágica.
Quem de nós pode vestir um macacão branco decotado na frente e nas costas, colado ao corpo, sem antes passar por uma lipoescultura, uma sessão de bronzeamento e ficar duas semanas sem comer? Qualquer uma de nós, ora.
MEDEIROS. Martha. A graça da coisa. 1ª ed. Porto Alegre – RS: L&PM, 2013.
Texto para a questão.

Internet: <https://tirasarmandinho.tumblr.com>
O texto abaixo servirá de base para responder a questão.
A IDEALIZAÇÃO DO AMOR
(1º§) Eu estava a pensar na forma como se poderá entender o amor, à luz da minha formação. A minha perspectiva depende daquilo que o outro representa, se o outro é um prolongamento nosso, é uma parte nossa, como acontece muitas vezes, ou é uma idealização do eu de que falaria o Freud. No sentido psicanalítico, poder-se-ia dizer que o amor corresponde ao EU IDEAL e, portanto, à procura de qualquer coisa de ideal que nós colocamos através de um mecanismo de identificação projetiva no outro.
(2º§) Portanto, à luz de uma perspectiva científica, como é apesar de tudo a psicanalítica, o problema começa a pôr-se de uma forma um bocado diferente. Nesse sentido e na medida em que o objeto amado é sempre idealizado e nunca é um objetivo real, a gente, de fato, nunca se está a relacionar com pessoas reais, estamos sempre a relacionarmo-nos com pessoas ideias e com fantasmas.
(3º§) A gente vive, de fato, num mundo de fantasmas: os amigos são fantasmas que têm para nós determinada configuração, ou os pais, ou os filhos, etc. Portanto, devemos refletir sobre este fantasmagórico mundo em que vimos. (...)
(4º§) O amor é uma coisa que tem que ver de tal forma com todo um mundo de fantasmas, com todo um mundo irreal, com todo um mundo inventado que nós carregamos conosco desde a infância, que até poderá haver, eventualmente, amor sem objeto. Reflitamos, entendamos, procuremos conviver com os fantasmas que nos cercam na vastidão do mundo.
(5º§) O amor não será, assim, necessariamente, uma luta corpo a corpo, ou uma luta corporal, mas pode ter que ver realmente com outras coisas, uma idealização, um desejo de encontrar qualquer coisa de perdido, nosso, que é normalmente isso que se passa, no amor neurótico, ou mesmo não neurótico. Quer dizer, é a procura de encontrarmos qualquer coisa que a nós nos falta e que tentamos encontrar no outro e nesse caso tem muito mais que ver conosco do que com a outra pessoa. Normalmente, isso passa-se assim e também não vejo que seja mau que, de fato, se passe assim.
(António Lobo Antunes, in Diário Popular - 2019)
Analise o texto abaixo para responder a próxima questão:
Devolva-Me
Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim será melhor, meu bem!
O retrato que eu te dei
Se ainda tens, não sei
Mas se tiver, devolva-me!
Deixe-me sozinho
Porque assim
Eu viverei em paz
Quero que sejas bem feliz
Junto do seu novo rapaz
Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim vai ser melhor, meu bem!
O retrato que eu te dei
Se ainda tens, não sei
Mas se tiver, devolva-me!
Devolva-me!
Devolva-me!
Renato Barros e Lilian Knapp
O retrato que eu te dei
Alternativas:
Após a leitura do enunciado apresentado a seguir, leia as assertivas:
De tanto andar uma região
que não figurava nos livros
acostumei-me às terras tenazes
em que ninguém me perguntava
se me agradavam as alfaces ou se preferia a menta
que devoram os elefantes.
E de tanto não responder tenho o coração amarelo.
(Pablo Neruda. “Outro”. In: O coração amarelo. 2018, p.11.)
I. Em acostumei-me tem-se um caso de ênclise.
II. A regência do verbo “acostumar”, no contexto em que se encontra, exige uma preposição, motivo pelo qual há crase em às terras tenazes.
III. Em me perguntava, tem-se um caso de mesóclise.A sequência correta é:
I “Não me lembro de vozes”, o pronome “me” fosse deslocado para logo após “lembro”: lembro-me.
II “Estávamos o tempo todo em guerra ou nos preparando para ela”, o pronome “nos” fosse deslocado para logo após “preparando”: preparando-nos.
III “a realidade me assustava”, o pronome “me” fosse deslocado para logo após “assustava”: assustava-me.
Assinale a opção correta.


I."Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado, / Da vossa piedade me despido, / Porque quanto mais tenho delinquido, / Vós tenho a perdoar mais empenhado". (Poesia Lírico-religiosa - autoria de Tomás Antônio Gonzaga). II."Triste Bahia! ó quão dessemelhante / Estás e estou do nosso antigo estado! Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado, / Rica te vi eu já, tu a mim abundante". (Poesia Satírica - autoria de Gregório de Matos). III."Convulso, o vento entoava um pseudo salmo. / Contrastando, entretanto, com o ar convulso /A noite funcionava como um pulso / Fisiologicamente muito calmo". (Estes versos são da autoria de Augusto dos Anjos; estão construídos com onomatopeia, anáfora e comparação). IV."O coração da infância - eu lhe dizia, / É manso. E ele me disse: Essas estradas, /Quando, novo Eliseu, as percorria, / As crianças lançavam-me pedradas..." / Falei-lhe então na glória e na alegria; / E ele-alvas barbas longas derramadas / No burel negro-o olhar somente erguia / Às cérulas regiões ilimitadas..." (Estes versos são da autoria de Raimundo Correia, poeta parnasiano; há verso escrito com pronome em posição de ênclise e versos com exemplos de próclise).
Após análise, marque a alternativa CORRETA.
Leia o Texto para responder à questão.
Febre amarela pode virar uma endemia em São Paulo: o que fazer
A circulação do vírus no estado deve virar uma constante, o que exige cuidados a mais com vacinação e controle dos mosquitos nos próximos dias e anos
É possível que a febre amarela vire uma endemia no estado de São Paulo (SP). Ou seja, o ciclo de transmissão deve se manter ao menos pelos próximos anos. Segundo o coordenador de controle de doenças da Secretaria de Estado da Saúde, Marcos Boulos, o fato de macacos terem sido flagrados com o vírus no inverno sugere que essa doença veio para ficar, exigindo cuidados adicionais com a vacina.
Atenção: isso não quer dizer que todo ponto do estado possui um alto risco de infecções, nem que a febre amarela se urbanizou. Por enquanto, ela segue eminentemente restrita a zonas próximas a mata, onde os mosquitos Sabethes e Haemagogus a transmitem para os macacos e os seres humanos das redondezas.
A diferença é que, ao contrário de anos atrás, o vírus não é mais um visitante. Ele chegou às regiões de mata e, possivelmente, vai virar uma ameaça crônica a quem visita essas regiões ou cidades relativamente próximas a elas. Não há, por ora, risco iminente de a febre amarela ser transmitida pelo Aedes aegypti.
De qualquer forma, essa possibilidade de endemia em São Paulo reforça a necessidade de pensar na vacinação. No momento, os governos federal, estadual e municipal já estão conduzindo campanhas para bloquear o surto.
A ideia é, com o auxílio de doses fracionadas, impedir que a febre amarela se alastre para regiões urbanas. Mas a Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo já disse que almeja imunizar praticamente toda a população sem contraindicação contra essa doença.
Da sua parte, é vital checar se a região em que você mora ou trabalha oferece um risco de contágio para febre amarela. Vai viajar? Então pesquise se o destino teve surtos ou se é uma zona com indicação para a vacina.
Disponível em: https://saude.abril.com.br/medicina/febre-amarela-endemia-em-sao-paulo-o-que-fazer/. Acesso em: 08 de abril de
2021. Adaptado
Considerando as regras da norma-padrão, o pronome da estrutura em destaque PODE ocupar a posição de:
I.No trecho: "Compreender a mensagem, compreender-se na mensagem, compreender-se pela mensagem" - temos duplo exemplo de próclise.
II.As contrações prepositivas usadas em: "compreender-se na¹ mensagem" e "compreender-se pela² mensagem" - sugerem ideias diferentes: (1) "Fazer parte da mensagem"; (2) "A compreensão ocorre ou então é propiciada através da mensagem".
III.A série numérica da frase nominal: "eis¹ aí² os três propósitos fundamentais da leitura³" - permite identificar: - em (1 e 3) ditongos decrescentes idênticos; em (2) um advérbio de lugar dissílabo oxítono.
IV.Na expressão: "propósitos fundamentais" - temos concordância nominal de polissílabos, sendo o substantivo proparoxítono e adjetivo oxítono.
V.Os monossílabos da série: "na"; "ler"; "mas"; "só"; "de" são todos invariáveis.
Estão corretas, APENAS:
TEXTO
O texto abaixo servirá de base para responder a questão.
A LEITURA E SUAS INCRÍVEIS POSSIBILIDADES
(1º§) O hábito da leitura cria infinitas possibilidades, não apenas para o mundo perceptível, como também para o deleite. Já se sabe das múltiplas múltiplas que têm os bons leitores, quando selecionar seus bons títulos bibliográficos. Desta forma, é possível conhecer tudo o que se deseja por meio da leitura com seus implícitos, pressupostos e subentendidos, além das analogias que ela propicia.
(2º§) Não se deve esquecer de que muitos seres humanos iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro. Isto tem enorme valor sempre, servindo de exemplo para muitas pessoas. Todos sabemos disto!
(3º§) Mas, ressalta-se que, no momento da leitura, a palavra se configura e se dispersa, rompe a linearidade, imperceptíveis, muitas vezes. Na leitura, a atividade
mental de um "EU", como trabalho simbólico é
fundamental de pura dialoga, além de polifonia.
Ideias extraídas de: (Bahktin, 1981.p. 28); (Henry Thoreau) e (Valéria Thomazini) - (Texto adaptado)
I.O teor discursivo está previsto em paragrafos formados por períodos.
II.No trecho: "Já se sabe das múltiplas vantagens que têm os bons leitores" - temos um exemplo de próclise, um objeto indireto e um sujeito posposto ao verbo "têm".
III.Na expressão: "Mas, ressalta-se que" - temos um elemento coesivo conjuntivo coordenativo adversativo e uma subordinativo integrante.
IV.O título do texto exemplifica oração absoluta, escrita com sujeito simples.
V.O trecho: "Não se deve esquecer ..." tem equivalência semântico-contextual de "Não se deveria esquecer ..."
Estão CORRETAS, Apenas:
I.O teor discursivo está disposto em parágrafos formados por períodos.
II.No trecho: "Já se sabe das múltiplas vantagens que têm os bons leitores" - temos um exemplo de próclise, um objeto indireto e um sujeito posposto ao verbo "têm".
III.Na expressão: "Mas, ressalta-se que" - temos um elemento coesivo conjuntivo coordenativo adversativo e uma subordinativo integrante.
IV.O título do texto exemplifica oração absoluta, escrita com sujeito simples.
V.O trecho: "Não se deve esquecer ..." tem equivalência semântico-contextual de "Não se deveria esquecer ..."
Estão CORRETAS, Apenas:
Quanto a colocação pronominal nas frases a seguir:
1. Ninguém te falou nada.
2. Chamaram-no para a reunião.
3. Entregar-me-ás todas as provas para
averiguação.
O texto abaixo servirá de base para responder a questão.