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Questões de Concurso Comentadas sobre análise sintática em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 6.375 questões

Ano: 2016 Banca: IF-MA Órgão: IF-MA Prova: IF-MA - 2016 - IF-MA - Auditor |
Q2826530 Português

Releia o seguinte fragmento extraído do texto, para responder às questões 13, 14 e 15.


"Como os motoristas andavam estressados, o plano foi colocar psicólogos nos pontos de engarrafamento. Enquanto os carros estavam parados, esses psicólogos deveriam abordar os motoristas e fazer com eles uma rápida terapia."

No fragmento, os elementos de coesão "como" e "enquanto" atribuem às orações que iniciam, respectivamente, circunstância de

Alternativas
Ano: 2016 Banca: IF-MA Órgão: IF-MA Prova: IF-MA - 2016 - IF-MA - Auditor |
Q2826525 Português

O texto a seguir servirá de base para responder às questões propostas.


Texto 2


O carro como divã


No final do ano de 1996, o Automóvel Clube da Grã-Bretanha resolveu revolucionar o trânsito de Londres. Como os motoristas andavam estressados, o plano foi colocar psicólogos nos pontos de engarrafamento. Enquanto os carros estavam parados, esses psicólogos deveriam abordar os motoristas e fazer com eles uma rápida terapia. O próprio Automóvel Clube garantiu que tal sessão de análise, apesar de curtíssima duração, poderia trazer resultados positivos - entre eles, o de entusiasmar os motoristas a procurarem regularmente o apoio de psicólogos para resolverem os problemas do dia a dia.


(Disponível em: www.dicasbamboobox:com.br/J

Seja o seguinte período:


"Como os motoristas andavam estressados, o plano foi colocar psicólogos nos pontos de engarrafamento."


Considerando a relação de dependência estabelecida entre os verbos do período e seus complementos, pode-se afirmar.


I. "andavam" tem a função de um verbo de ligação, pois liga um predicativo ao seu sujeito.

lI. "foi" funciona como verbo transitivo direto e tem, como objeto direto "pontos de engarrafamento".

IlI. "colocar" é transitivo direto e tem como objeto o termo "psicólogos".


Está correto o que se afirma em

Alternativas
Ano: 2016 Banca: IF-MA Órgão: IF-MA Prova: IF-MA - 2016 - IF-MA - Auditor |
Q2826522 Português

Com base no texto a seguir, responda às questões de 01 a 07


Texto 1


Seu próximo trabalho


Com tantas tendências redefinindo as relações de trabalho, surgem também conceitos de carreira. Identificada ainda nos anos 1970, a "carreira proteana" derruba as tradicionais barreiras para a prestação de serviços, sem limite de lugar físico nem de exclusividade com o cliente. O profissional é remunerado pelo conhecimento transmitido e pelo resultado gerado.

Já a "carreira inteligente" valoriza a forma de atuar de cada indivíduo. Como o conhecimento técnico todo mundo tem, passam a contar mais a experiência de vida de cada um e as competências que desenvolveu em prol da sua carreira. O profissional se torna uma espécie de mentor e é remunerado por isso.

Na "carreira sem fronteiras", por sua vez, os profissionais são completamente independentes e trabalham para diferentes países: os pagamentos são feitos por cartão de crédito. Se a concorrência é globalizada, as oportunidades laborais também são.

[...] a legislação brasileira, ainda muito engessada, não está preparada para esses novos formatos. O que a atual reforma trabalhista propõe aponta nesse sentido, mas ainda deixa questões sem resposta e assusta a concepção mais tradicional de emprego. Além disso, é preciso pensar em um plano de migração para pessoas que estão sendo substituídas por robôs.

[...]


Revista Planeta, out. 2016, p.33-34

Releia o seguinte parágrafo para responder às questões 06 e 07.


"Na 'carreira sem fronteiras', por sua vez, os profissionais são complemente independentes e trabalham para diferentes países: os pagamentos são feitos por cartão de crédito. Se a concorrência é globalizada, as oportunidades laborais também são."


A alternativa em que a oração destacada possui a mesma função da oração grifada no período é:

Alternativas
Ano: 2016 Banca: Quadrix Órgão: CREMAM Prova: Quadrix - 2016 - CREMAM - Advogado |
Q2826207 Português

Para responder às questões de 1 a 5, leia o texto abaixo.


O zika vírus e a microcefalia


Deu zica. Este ano o Brasil enfrenta um surto de recém-nascidos com microcefalia que é alarmante. Ao que tudo indica, essa epidemia está relacionada a um vírus emergente, o zika vírus, que está se espalhando rapidamente pelo país e pode ser o responsável por uma das piores catástrofes na área de saúde de todos os tempos. São mais de mil casos suspeitos de microcefalia em diversos estados, principalmente no Nordeste. A microcefalia é uma malformação incurável que causa redução do volume cerebral, com consequências graves e permanentes para o desenvolvimento do indivíduo. É grave porque afeta fetos em formação e o comprometimento é para a vida toda.

O zika vírus é um patógeno conhecido e identificado inicialmente em 1947 na floresta de Zika (Uganda), mas que desde 2007 estava restrito a África e Ásia. Esse vírus pertence ao gênero dos flavivírus, que inclui os vírus da dengue, febre amarela e do Nilo, e pode ser transmitido por um artrópode. No Brasil, são mais de 84 mil pessoas infectadas. No indivíduo adulto, o Zika pode passar despercebido, em alguns casos causando somente sintomas leves, como febre e dores pelo corpo. Não existe vacina para esse vírus.

Após alguns meses de silêncio, o governo federal finalmente se manifestou sobre o problema. Com ajuda da Organização Mundial da Saúde e do CDC (Centro de Controle de Doenças) dos EUA, que se preocupa com uma eventual contaminação no continente americano, resolveram montar uma operação de emergência. De acordo com nosso atual ministro da Saúde, Marcelo Castro, o caos pode ser consequência direta de um descaso com o programa de combate ao mosquito Aedes aegypti – o mosquito da dengue, e potencial agente transmissor do zika vírus.

Resolvi escrever sobre o assunto, refletindo sobre quais seriam as atitudes científicas mais óbvias a serem tomadas. Isso não só seria uma oportunidade única para os cientistas brasileiros (pois o mecanismo de ação do vírus é ainda desconhecido), como permitiria que o governo investisse em soluções definitivas (ao invés de investir em evitar mosquitos). Os experimentos científicos descritos abaixo têm um baixo custo em comparação ao orçamento destinado ao extermínio de mosquitos e custos com futuros tratamentos para os afetados ao longo da vida.

A primeira coisa a fazer seria buscar uma relação causal do vírus com o fenótipo dos pacientes, algo inédito na literatura mundial. Até agora, temos apenas uma correlação entre o vírus e material biológico dos pacientes. E essa evidência não é robusta: apenas dois fetos infectados com o vírus e com o diagnóstico de microcefalia por ultrassom existem até o momento. O vírus também foi encontrado em tecidos de um outro bebê com microcefalia que morreu ao nascer. Existem outras evidências circunstanciais vindas de outros países e que, juntas, tornam essa alternativa plausível. É possível que a versão do zika vírus brasileiro seja uma variante ou linhagem genética mais patogênica, selecionada através de algumas características da população nordestina, como exposição ao vírus da dengue ou ao mosquito transmissor.

Mas a pergunta mais importante seria: como o zika vírus causa microcefalia? Uma hipótese atraente seria que o zika vírus atravessasse a placenta, atingindo o feto em momentos críticos do desenvolvimento neural na gestação. O vírus poderia, por exemplo, infectar células do sistema nervoso central, causando a morte ou alterando o ciclo de células progenitoras neurais. Experimentos com modelos animais poderiam ajudar a confirmar essa correlação, mas o tempo de gestação humano é diferente da maioria dos animais em laboratório e ainda não sabemos se o vírus infectaria células nervosas de outras espécies. [...]


(g1.globo.com)

Veja:


“É possível que a versão do zika vírus brasileiro seja uma

variante ou linhagem genética mais patogênica,

selecionada através de algumas características da

população nordestina, como exposição ao vírus da dengue

ou ao mosquito transmissor.”


Sobre a passagem citada, assinale a afirmação correta.

Alternativas
Q2820908 Português

Quem tem boas práticas?


Um dos temas recorrentes na educação brasileira é a busca de otimizar a gestão. Uma gestão inteligente faz mais com menos, tem criatividade, enfrenta dificuldades com altanaria, suscita emulação saudável e exercita o empreendedorismo. Neste momento da vida brasileira, é urgente multiplicar as boas práticas de gestão e verificar que há muita gente que não para com vistas a apreciar a crise ou a lamentar a situação, mas encontra alternativas superadoras.


(Adaptado. Disponível em : http://www.odiarioonline.com.br/noticia/50178/QUEM-TE M-BOAS-PRATICAS)

Com base no texto 'Quem tem boas práticas?', marque a opção CORRETA

Alternativas
Q2811398 Português

Marque a opção CORRETA quanto à regência verbal.

Alternativas
Q2811389 Português

Leia o texto para responder às questões 1 a 7.


Rápida utopia


Ação a distância, velocidade, comunicação, linha de montagem, triunfo das massas, holocausto: através das metáforas e das realidades que marcaram esses últimos anos, aparece a verdadeira doença do progresso…

Primeira regra: não se pode julgar um século, sobretudo alguns anos antes do seu fim, sem recolocá-lo na devida perspectiva histórica. Pensem no que teria respondido um geógrafo do século XV, se lhe tivesse pedido uma síntese de seu século em 1° de janeiro de 1490. Ou no que teríamos respondido se nos tivessem pedido um balanço de 1989 um mês antes da queda do Muro de Berlim e da Revolução da Romênia.

Segunda regra: quem julga? O julgamento de um cidadão do mundo ocidental é diferente do de um biafrense que morre de fome. Mas, se essa regra é válida para cada século, ela o é um pouco menos para o nosso. Para o bem ou para o mal, o modelo ocidental se impõe gradativamente sobre uma grande parte do planeta. Um camponês chinês está hoje, para o bem ou para o mal, mais próximo de um camponês francês do que estava há dois séculos.

Terceira regra: não se pode avaliar emocionalmente um século estando dentro dele e sem proceder a comparações estatísticas. O número de pessoas que hoje morrem de fome no mundo causa horror. Mas o número de pessoas que morreriam de fome no século passado também nos deve causar horror, sobretudo se o comparamos à população mundial da época. O século que chega ao fim é o que presenciou o Holocausto, Hiroshima, os massacres do Camboja e assim por diante.

Nosso século é o da aceleração tecnológica e científica, que se operou e continua a se operar em ritmos antes inconcebíveis. Foram necessários milhares de anos para passar do barco a remo à caravela ou da energia eólica ao motor de explosão; e em algumas décadas se passou do dirigível ao avião, da hélice ao turborreator e daí ao foguete interplanetário. Em algumas dezenas de anos, assistiu-se ao triunfo das teorias revolucionárias de Einstein e a seu questionamento.

O custo dessa aceleração da descoberta é a hiperespecialização. Estamos em via de viver a tragédia dos saberes separados: quanto mais os separamos, tanto mais fácil submeter a ciência aos cálculos do poder. Esse fenômeno está intimamente ligado ao fato de ter sido nesse século que os homens colocaram mais diretamente em questão a sobrevivência do planeta. Um excelente químico pode imaginar um excelente desodorante, mas não possui mais o saber que lhe permitiria darse conta de que seu produto irá provocar um buraco na camada de ozônio

Nosso século foi o da comunicação instantânea. Hernán Cortés pôde destruir uma civilização e, antes que a notícia se espalhasse, teve tempo para encontrar justificativas a seus empreendimentos. Os massacres da Praça Celestial, em Beijing, tornaram-se atualidade no momento mesmo em que se desenrolam e provocam a reação de todo o mundo civilizado. Mas informações simultâneas em excesso, provenientes de todos os pontos do globo, produzem um hábito. O século da comunicação transformou a informação em espetáculo. Arriscamo-nos a confundir a todo instante a atualidade e o divertimento.

Nosso século presenciou o triunfo da ação à distância. Hoje, aperta-se um botão e entra-se em comunicação com Pequim. Aperta-se um botão e um país inteiro explode. Aperta-se um botão e um foguete é lançado a Marte. A ação a distância salva numerosas vidas, mas irresponsabiliza o crime.

Umberto Eco

A ação a distância salva numerosas vidas, mas irresponsabiliza o crime. Sobre esse período, marque a opção CORRETA.

Alternativas
Q2811385 Português

Leia o texto para responder às questões 1 a 7.


Rápida utopia


Ação a distância, velocidade, comunicação, linha de montagem, triunfo das massas, holocausto: através das metáforas e das realidades que marcaram esses últimos anos, aparece a verdadeira doença do progresso…

Primeira regra: não se pode julgar um século, sobretudo alguns anos antes do seu fim, sem recolocá-lo na devida perspectiva histórica. Pensem no que teria respondido um geógrafo do século XV, se lhe tivesse pedido uma síntese de seu século em 1° de janeiro de 1490. Ou no que teríamos respondido se nos tivessem pedido um balanço de 1989 um mês antes da queda do Muro de Berlim e da Revolução da Romênia.

Segunda regra: quem julga? O julgamento de um cidadão do mundo ocidental é diferente do de um biafrense que morre de fome. Mas, se essa regra é válida para cada século, ela o é um pouco menos para o nosso. Para o bem ou para o mal, o modelo ocidental se impõe gradativamente sobre uma grande parte do planeta. Um camponês chinês está hoje, para o bem ou para o mal, mais próximo de um camponês francês do que estava há dois séculos.

Terceira regra: não se pode avaliar emocionalmente um século estando dentro dele e sem proceder a comparações estatísticas. O número de pessoas que hoje morrem de fome no mundo causa horror. Mas o número de pessoas que morreriam de fome no século passado também nos deve causar horror, sobretudo se o comparamos à população mundial da época. O século que chega ao fim é o que presenciou o Holocausto, Hiroshima, os massacres do Camboja e assim por diante.

Nosso século é o da aceleração tecnológica e científica, que se operou e continua a se operar em ritmos antes inconcebíveis. Foram necessários milhares de anos para passar do barco a remo à caravela ou da energia eólica ao motor de explosão; e em algumas décadas se passou do dirigível ao avião, da hélice ao turborreator e daí ao foguete interplanetário. Em algumas dezenas de anos, assistiu-se ao triunfo das teorias revolucionárias de Einstein e a seu questionamento.

O custo dessa aceleração da descoberta é a hiperespecialização. Estamos em via de viver a tragédia dos saberes separados: quanto mais os separamos, tanto mais fácil submeter a ciência aos cálculos do poder. Esse fenômeno está intimamente ligado ao fato de ter sido nesse século que os homens colocaram mais diretamente em questão a sobrevivência do planeta. Um excelente químico pode imaginar um excelente desodorante, mas não possui mais o saber que lhe permitiria darse conta de que seu produto irá provocar um buraco na camada de ozônio

Nosso século foi o da comunicação instantânea. Hernán Cortés pôde destruir uma civilização e, antes que a notícia se espalhasse, teve tempo para encontrar justificativas a seus empreendimentos. Os massacres da Praça Celestial, em Beijing, tornaram-se atualidade no momento mesmo em que se desenrolam e provocam a reação de todo o mundo civilizado. Mas informações simultâneas em excesso, provenientes de todos os pontos do globo, produzem um hábito. O século da comunicação transformou a informação em espetáculo. Arriscamo-nos a confundir a todo instante a atualidade e o divertimento.

Nosso século presenciou o triunfo da ação à distância. Hoje, aperta-se um botão e entra-se em comunicação com Pequim. Aperta-se um botão e um país inteiro explode. Aperta-se um botão e um foguete é lançado a Marte. A ação a distância salva numerosas vidas, mas irresponsabiliza o crime.

Umberto Eco

Analise sintaticamente a oração “O século da comunicação transformou a informação em espetáculo” e marque a opção CORRETA.

Alternativas
Q2808161 Português

Para responder às questões de 1 a 5, leia o texto abaixo.


Nova lei permite transporte de animais em ônibus em

Florianópolis


Gatos e cachorros de até dez quilos poderão ser

transportados.


O prefeito de Florianópolis, Cesar Souza Junior, (*) o Projeto de Lei Complementar que permite o transporte de animais domésticos de pequeno porte nas linhas de ônibus municipais. A medida já está valendo desde a (**).

De acordo com a lei, é permitido o transporte de cães e gatos com até dez quilos. Cada usuário pode levar até dois bichinhos por viagem. A fiscalização fica a cargo dos cobradores de cada ônibus.

A medida é válida em todas as linhas que circulam no território de Florianópolis, tanto as convencionais, quanto executivas, desde que os animais cumpram as exigências da lei.

Segundo o vereador Tiago Silva, autor do projeto, a medida assegura um direito que é dos animais e dos próprios donos.

"Eu fui procurado no meu gabinete para debater essa questão em uma audiência pública. Muitos donos de animais não têm carro e assim não conseguem levar seus bichinhos ao veterinário, por exemplo. Acho que a medida contribui muito para a causa de direitos dos animais", afirma.

Ainda segundo o vereador, a lei é pioneira em Santa Catarina e as ideias da proposta foram baseadas nas Câmaras das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, onde o transporte já é permitido.

Condições

Para o deslocamento, os animais deverão ser colocados em caixas de transporte apropriadas durante a sua permanência no veículo, devendo ser colocados em local definido pela empresa e que ofereça condições de proteção e conforto.

Além disso, para ter o direito, o proprietário deve apresentar atestado de veterinário indicando as boas condições de saúde do animal, emitido no período de 15 dias antes da data da viagem.

A carteira de vacinação atualizada também será exigida e nela deverá constar, no mínimo, as vacinas antirrábica e polivalente.

(g1.globo.com)

Sobre a palavra “antirrábica”, que aparece no último parágrafo do texto, pode-se afirmar corretamente que:

Alternativas
Q2807973 Português

Em "É um livro que prende o leitor", a oração em destaque exerce determinada função sintática em relação à principal. Assinale a alternativa em que o termo em destaque exerça essa mesma função sintática. Trata-se de um trecho da letra da canção "Livros", de Caetano Veloso.

Alternativas
Q2807952 Português

Para responder às questões de 1 a 5, leia o texto abaixo.


Por que os alunos abandonam as bibliotecas conforme crescem?


BIA REIS

Levantamento do Todos pela Educação mostra que porcentual de alunos que nunca ou quase nunca utiliza a biblioteca escolar salta de 18,5% para 35,1% do 5º para o 9º ano do ensino fundamental


O hábito da leitura é um prazer a ser descoberto e conquistado – e não melhor fase para adquiri-lo do que a infância e a adolescência. Parte das crianças tem o privilégio de ter pais leitores, livros em casa e muito estímulo. Mas, infelizmente, essa não é a realidade de todas. Por isso as bibliotecas escolares e comunitárias são tão importantes.

Apesar da importância, nem todas as escolas conseguem fazer um bom uso desse equipamento – que não é apenas uma sala com livros e deve dialogar com o projeto pedagógico da instituição. Levantamento feito pelo movimento Todos pela Educação para o Observatório do Plano Nacional de Educação (PNE), com dados da Prova Brasil 2011, mostram que o porcentual de alunos da rede pública que nunca ou quase nunca utilizam a biblioteca de sua escola salta de 18,5% para 35,1% do 5º para o 9º ano do ensino fundamental no País. Em contrapartida, o número de estudantes que sempre ou quase sempre usa a biblioteca despenca de 57,4% para 29,9%, entre as mesmas séries.

Outro dado também chama a atenção: o porcentual de professores que leva seus alunos para a biblioteca para “momentos de leitura literária e estudos em geral”. A taxa cai de 40,1% entre professores do 5º ano para 23% entre os do 9º.

Alejandra Meraz Velasco, gerente técnica do Todos pela Educação e responsável pela coordenação do Observatório do PNE, afirma que a biblioteca costuma ser mais utilizada como recurso pedagógico no fundamental 1 e, nesse período, as escolas não estão conseguindo desenvolver a capacidade de pesquisa e de leitura autônoma dos alunos.

Para Alejandra, a estrutura das duas etapas de ensino é diferente e também pode explicar, em parte, a questão. “No fundamental 1 há um professor regente (ou polivalente), que utiliza recursos mais lúdicos para ensinar. No fundamental 2, a estrutura já é mais parecida com o ensino médio, e o professor fica mais limitado à sua disciplina”, afirma.

Integrante do Movimento Brasil Literário (MBL), a coordenadora da rede de bibliotecas públicas da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, Fabíola Farias, também chama a atenção para o papel do professor. “Na educação infantil e no ensino fundamental, o aluno é levado pelo professor à biblioteca para desenvolver uma série de projetos. Mas, quando não há uma ação propositiva em torno do livro e da leitura literária, o estudante não assimila e depois abandona a biblioteca.”

O desafio tanto das bibliotecas escolares como das comunitárias, afirma Fabíola, é mostrar às crianças e aos adolescentes que nesses espaços estão parte da produção escrita da humanidade.

Castigo. O levantamento do Todos pela Educação retrata ainda que 3% dos professores do 9º ano do fundamental costumam mandar para a biblioteca os alunos que atrapalham as aulas, contra 1% do 5º ano. O porcentual não é alto, mas deveria ser menor ainda. Para Alejandra, a mensagem é contraditória. “Faz o aluno associar a biblioteca à uma experiência desagradável”. “O próprio professor muitas vezes não compreende o espaço da biblioteca, não tem o valor da leitura constituído”, diz Fabíola.


(Disponível em estadao.com.br)

Releia esta passagem do texto:


“Levantamento feito pelo movimento Todos pela Educação para o Observatório do Plano Nacional de Educação (PNE), com dados da Prova Brasil 2011, mostram que o porcentual de alunos da rede pública que nunca ou quase nunca utilizam a biblioteca de sua escola salta de 18,5% para 35,1% do 5º para o 9º ano do ensino fundamental no País.”


Agora, assinale a alternativa que contenha análises corretas.

Alternativas
Ano: 2016 Banca: FCC Órgão: METRÔ-SP Prova: FCC - 2016 - METRÔ-SP - Médico do Trabalho |
Q2803250 Português

Atenção: As questões de números 10 a 14 referem-se ao texto abaixo.


Cães são seres sociáveis. Gostam de viver em bando. Adoram a companhia humana. Disso, pouca gente discorda. Mas o que ninguém sabe ao certo é por que eles são assim.

Vem da Suécia a mais recente pista dessa história. Pesquisadores da Universidade de Linköping submeteram a um teste 400 beagles nascidos e criados em um canil, todos com o mesmo nível de contato com seres humanos. Eles tinham que destampar três tigelas para chegar a um petisco. As duas primeiras tampas saíam facilmente. A terceira era fixa.

As reações dos cães foram registradas. Alguns procuravam ajuda entre as pessoas da sala. Outros, não. Em seguida, cada animal teve o genoma sequenciado, em busca de variações genéticas que pudessem estar relacionadas ao comportamento que demonstraram.

Resultado: um grupo de cinco genes apresentava diferenças relevantes entre os cães que buscaram ou não ajuda. São os mesmos relacionados com alterações de sociabilidade em humanos, como o transtorno de atenção.

O próximo passo dos pesquisadores é ver como são esses genes nos lobos. A hipótese é que se trata de uma mutação genética recente, que acabou prevalecendo na seleção natural. Em resumo: os cães estão geneticamente programados para ficarem perto da gente.


(Adaptado de: CORRÊA, Sílvia. “Amizade genética”, revista São Paulo, Folha de S.Paulo, 9 a 15 de outubro de 2016, p.14)

Vem da Suécia a mais recente pista dessa história.


O segmento grifado exerce na frase acima a mesma função sintática que o segmento também grifado em:

Alternativas
Q2802820 Português

Leia o texto abaixo e responda às próximas dez questões.


O cinema engana os olhos da gente


Faz cem anos que inventaram o cinema. E nele tudo é mentirinha. As imagens se mexendo na tela não passam de uma ilusão. O homem demorou milhares de anos para realizar o desejo de dar movimento aos desenhos. Nos tempos das cavernas, as pessoas tentavam representar as coisas em movimento. Elas desenhavam, por exemplo, os animais com oito patas. Era o jeito de mostrar o animal correndo.

A história do cinema começou com a invenção da fotografia, os homens conseguiram reproduzir imagens usando luz e produtos químicos.

Foram os irmãos Louis e Auguste Lumière que tornaram o cinema possível. Eles inventaram uma máquina que podia projetar imagens impressas (gravadas) em um filme.

A primeira sessão de cinema aconteceu em Paris, em 1895. O filme era curtinho e mostrava um trem chegando à estação.

Contam que as pessoas ficaram muito surpresas com o trem se aproximando. Teve gente que caiu da cadeira e muitas mulheres gritaram de susto.


(Medeiros, Paula. Folhinha. In: Folha de S. Paulo, 19 maio 1995, adaptado.)

Observe o texto e escolha a alternativa correta.

Alternativas
Q2802811 Português

Leia o texto abaixo e responda às próximas dez questões.


O cinema engana os olhos da gente


Faz cem anos que inventaram o cinema. E nele tudo é mentirinha. As imagens se mexendo na tela não passam de uma ilusão. O homem demorou milhares de anos para realizar o desejo de dar movimento aos desenhos. Nos tempos das cavernas, as pessoas tentavam representar as coisas em movimento. Elas desenhavam, por exemplo, os animais com oito patas. Era o jeito de mostrar o animal correndo.

A história do cinema começou com a invenção da fotografia, os homens conseguiram reproduzir imagens usando luz e produtos químicos.

Foram os irmãos Louis e Auguste Lumière que tornaram o cinema possível. Eles inventaram uma máquina que podia projetar imagens impressas (gravadas) em um filme.

A primeira sessão de cinema aconteceu em Paris, em 1895. O filme era curtinho e mostrava um trem chegando à estação.

Contam que as pessoas ficaram muito surpresas com o trem se aproximando. Teve gente que caiu da cadeira e muitas mulheres gritaram de susto.


(Medeiros, Paula. Folhinha. In: Folha de S. Paulo, 19 maio 1995, adaptado.)

Releia o último período do texto e, depois, escolha a alternativa correta.

Alternativas
Q2802793 Português

Leia o texto abaixo e responda às próximas cinco questões.


Os poderes da mandioca


Conta uma lenda indígena que, no princípio dos tempos, a filha de um cacique engravidou sem contato com homem. O cacique não acreditou na história da filha e ficou muito bravo. Até que, em sonho, ele recebeu a visita de um homem branco atestando a inocência da moça. Branca era também a linda indiazinha que nasceu meses depois e recebeu o nome de Mani. Ela foi a alegria da tribo por apenas um ano, quando morreu repentinamente, sem doença nem dor. Para surpresa de todos, do túmulo de Mani brotou um arbusto novo, que fez a terra fender. Os índios cavaram e retiraram grossas raízes, brancas como o corpo da indiazinha. E a planta ficou conhecida como manioca, que significa “casa de Mani”.

Desde essa época, a abençoada planta nascida do corpo de Mani tem salvado seu povo da fome. Já era um dos principais alimentos dos indígenas na época do Descobrimento e ainda hoje marca presença no cardápio dos brasileiros de todo o país: como o nome da mandioca, macaxeira ou aipim; cozida, frita ou torrada na forma de farinha, não há quem resista a essa versátil e saborosíssima raiz. E, além de seus múltiplos usos culinários, ela é também matéria prima para a fabricação dos produtos mais inusitados: cerveja, tecidos, móveis e até plástico biodegradável.


(Adeodato, Sérgio. In: Globo Ciência. Jan/1988.p. 35.)

Observe o texto e escolha a alternativa correta.

Alternativas
Q2800826 Português

Milton e o concorrente

Milton ainda não abriu sua loja, mas o concorrente já abriu a dele; e já está anunciando, já está vendendo, já está liquidando a preços abaixo do custo. Milton ainda está na cama, ao lado da amante, desta mulher ilegítima , que nem bonita é, nem simpática; o concorrente já está de pé, alerta, atrás do balcão. A esposa – fiel companheira de tantos anos – está ao seu lado, alerta também. Mílton ainda não fez o desjejum (desjejum? Um cigarro, um copo de vinho, isto é desjejum?) – o concorrente já tomou suco de laranja, já comeu ovo, torrada, queijo, já sorveu uma grande xícara de café com leite. Já está nutrido.

Milton ainda está nu, o concorrente já se apresenta elegantemente vestido. Milton mal abriu os olhos, o concorrente já abriu os jornais da manhã, já está a par das cotações da bolsa e das tendências do mercado. Milton ainda não disse uma palavra, o concorrente já falou com clientes, com figurões da política, com o fiscal amigo, com os fornecedores. Milton ainda está no subúrbio; o concorrente, vencendo todos os problemas de trânsito, já chegou ao centro da cidade, já está solidamente instalado no seu prédio próprio. Milton ainda não sabe se o dia é chuvoso, ou de sol, o concorrente já está seguramente informado de que vão subir os preços dos artigos de couro. Milton ainda não viu os filhos (sem falar da esposa, de quem está separado); o concorrente já criou as filhas, já as formou em Direito e Química, já as casou, já tem netos.

Milton ainda não começou a viver.

O concorrente já está sentido uma dor no peito, já está caindo sobre o balcão, já está estertorando, os olhos arregalados – já está morrendo, enfim.


Moacyr Scliar

Analise a classificação sintática dos termos sublinhados nas frases que seguem e verifique sua veracidade.


1. Milton ainda está nu. (predicativo do sujeito)

2. Milton ainda não abriu sua loja. (objeto indireto)

3. O concorrente já criou as filhas. (verbo intransitivo)

4. Milton ainda não disse uma palavra. (adjunto adverbial)

5. O concorrente já criou as filhas, já as formou em Direito e Química, já as casou, já tem netos. (objeto direto)


Assinale a alternativa que indica todas as corretas.

Alternativas
Q2797921 Português

A casa


Cris Guerra


Noite de terça-feira. A casa iluminada, os jardins floridos de gente. Autoridades, fotógrafos, o prefeito. Fazia tempo que nós cinco não voltávamos juntos àquele lugar. A casa repleta de desconhecidos e vazia dos que lá habitaram. À nossa volta, o público nem sequer desconfiava. Irmãos invisíveis voltando a um lugar-chave de sua linha do tempo. Como administrar a saudade em noite de celebração?

Quando finalmente pudemos entrar, sabíamos de cor onde era a cozinha, a sala de jogos, o mezanino, o quarto dela. De modo que demos um jeito de subir logo até lá, não sem antes notar um detalhe ou outro a nos falar sobre a elegância de nossos avós. Quem sonharia ter seu passado romanceado por arquitetos contadores de histórias?

Os quatro chegaram ao quarto dela minutos antes de mim. Encontrei-os sob o impacto do que ali viram. Do teto, fios transparentes sustentavam retratos antigos: JK, Vovô Joubert, Vovó Juju, Papai, Mamãe, alguns de nós ainda pequenos. A caixinha de música numa redoma de vidro. Cada móvel em seu devido lugar, relatando os movimentos e trajetos dela. Deles. Nossos.

Teremos de voltar muitas vezes para acreditar: nossa infância eternizada num museu da arquitetura modernista dos anos 40 a 60. A nova Casa Kubitschek enriquece a memória do visionário JK. Mas seus móveis restaurados contam muito mais que um modo de morar.

Concluído em 1943 para ser a casa de fim de semana do então prefeito Juscelino, o espaço foi projetado por Niemeyer com jardins de Burle Marx. Serviu a JK por apenas dois anos - logo que pôde, vovô comprou o imóvel. Passaram a ser nossos os domingos ali. Vovó alimentava os peixes e pássaros, dava suco de groselha aos beija-flores, oferecia pão com patê aos gatos. Cobria as mesas com pedaços de feltro, construindo sob os tampos de vidro seus próprios quadros modernistas.

Depois que ele se foi, ela viveu ali por muitos anos, buscando alento nos jardins para as perdas que ainda viria a sofrer. Minha mãe em 1994, meu pai em 2001. “Que absurdo as coisas durarem mais que as pessoas”, ela me disse dias depois da morte dele. E duraram. Mais até do que ela, que nos deixou em 2004. Mas as pessoas, que não são feitas de coisas, cuidaram de fazer do afeto memória.

A Casa abre suas portas de terça a sábado. Aos domingos, a entrada é restrita às nossas lembranças. Vovô lê os jornais na mesa da varanda, Maria prepara um peixe à milanesa, Vicenza me nega o suco de mexerica antes do almoço. Eles jogam bilhar, elas passeiam pelas boas-novas do jardim - a flor que se abriu, a árvore que se encheu de lichias.

Quando for a sua vez de visitar a Casa Kubitschek, respire fundo e aproveite o dia: é um domingo na minha infância.

Disponível em: http://vejabh.abril.com.br/edicoes/casa-cris-guerra-755432.shtml Acesso: maio 2013

Em “A casa repleta de desconhecidos e vazia dos que lá habitaram. ”, dos é:

Alternativas
Q2794522 Português

A uberização da vida

1 A tecnologia e o trabalho vivem, nos últimos séculos, uma relação pontuada por uma série

2 de episódios surpreendentes, quase sempre marcados pelo conflito.

3 Desde o início da era industrial, no século XVIII, os operários de fábricas são assombrados

4 pelo espectro de sua substituição por máquinas. Naquela época, havia boatos, na Inglaterra, sobre

5 o lendário general Ned Ludd, que incitava a invasão das tecelagens e a destruição das máquinas

6 para conter o desemprego em massa.

7 Nunca saberemos ao certo se Ned Ludd realmente existiu. Contudo, o termo ludismo

8 passou a ser incorporado pela literatura sociológica e filosófica como designando a revolta contra

9 a tecnologia. Nas últimas décadas já se fala até em neoludismo, um movimento radical que

10 defende a reversão da humanidade para um estado pré-tecnológico.

11 É provável que ocorra algo semelhante a uma revolta ludita hoje em dia, se algumas

12 promessas da tecnologia se concretizarem. Uma delas é a substituição dos motoristas

13 profissionais pelo piloto automático do Google. Se isso ocorrer, presenciaremos a maior onda de

14 desemprego dos últimos séculos, o fantasma, dessa vez, seria a inteligência artificial.

15 No entanto, já existe uma outra revolução em curso, que chega liderada pelo aumento

16 crescente dos aplicativos. Além de nos disponibilizar serviços no esquema 24/7 (24 horas por

17 dia, sete dias da semana), a internet começa, agora, a preencher nichos de tempo livre com

18 trabalho. Chamo a esse fenômeno de uberização.

19 Frequentemente, o Uber é um aplicativo associado com a substituição dos táxis nas

20 grandes cidades, mas é muito mais do que isso. Inicialmente, o projeto do Uber era organizar

21 caronas solidárias nas grandes cidades. No entanto, alguns empresários perceberam que

22 poderiam aproveitar o fato de que, hoje em dia, praticamente todas as pessoas dirigem carros e

23 que, se essa força de trabalho fosse aproveitada e organizada por um aplicativo, os motoristas

24 amadores poderiam, praticamente, assumir o mercado preenchido pelos táxis, bastando, para

25 isso, fazer "bicos" em horas vagas.

26 Em pouco tempo, o Uber se tornou uma daquelas empresas arquibilionárias do vale do

27 silício, cujo endereço é apenas alguma caixa-postal de algum paraíso fiscal caribenho. Com ele,

28 vieram outros aplicativos para preencher com trabalho as horas vagas de muitas outras atividades

29 profissionais. A advogada que está com poucos clientes pode compensar essa situação se souber

30 fazer maquiagem. Há um aplicativo para chamá-la nas vésperas de eventos. Ela não precisa ser

31 uma maquiadora profissional e, por isso, sabe-se que ela cobrará a metade do preço. Se você tem

32 uma moto, pode maximizar seu uso fazendo entregas aos sábados em vez de deixá-la ociosa na

33 garagem do seu prédio. Todo mundo está disposto a fazer "bicos", e todo mundo, também fica

34 feliz quando pode pagar menos por um serviço.

35 A uberização é o trabalho em migalhas. Ela começa com a profissionalização do

36 amadorismo, pois todos podemos ser motoristas, jardineiros ou entregadores nas horas vagas.

37 Contudo, o inverso, ou seja, o rebaixamento de profissionais a amadores, já está acontecendo.

38 Muitos profissionais qualificados estão se inscrevendo em aplicativos que os selecionam para

39 prestar serviços a preços reduzidos em determinados horários ou dias da semana. É possível que,

40 em pouco tempo, o trabalho qualificado se torne parte do precariado.

41 Ainda é difícil prever os resultados da uberização do trabalho. A relação contínua entre

42 empregados e patrões tenderá a desaparecer, sobretudo no setor de serviços. A babá de seu

43 filho, quando você for ao cinema com sua esposa, será escalada por um aplicativo e,

44 dificilmente, será a mesma pessoa em todas as ocasiões. Não haverá mais o taxista de confiança

45 ou o garçom que te reconhece sempre que você entra em um determinado restaurante.

46 Com a uberização, a liberdade e a coação se tornam coincidentes, pois todos se tornarão

47 patrões de si mesmos. A dialética senhor-escravo, tão cara aos hegelianos e a seus herdeiros

48 marxistas, desaparecerá. Pois todos seremos sempre ao mesmo tempo senhores e escravos.

49 Exploraremos a nós mesmos de forma implacável.

50 A demarcação entre tempo livre por oposição ao horário de trabalho será ainda mais

51 diluída. Todos se sentirão culpados por tirar uma soneca após o almoço de domingo em vez de

52 aproveitar o tempo fazendo uma corrida de táxi para alguém que precisa ir ao aeroporto para

53 viajar, provavelmente, a trabalho.

54 Na Antiguidade, os gregos desprezavam o trabalho. No mundo cristão, sobretudo com a

55 reforma protestante, ele passou a ser associado com dignidade. Não ter emprego, não ter trabalho

56 passou a corroer a autoestima de muitas pessoas. O homem contemporâneo ainda associa

57 trabalho com dignidade, embora, paradoxalmente, esteja aceitando trabalhos cada vez mais

58 indignos para sobreviver.

59 O sociólogo sul-coreano Byung-Chul Han aponta, no seu livro A sociedade do cansaço

60 (Vozes, 2015), que não é por acaso que enfrentamos uma pandemia de depressão. De um lado, há

61 metas inatingíveis, e de outro, apenas oferta de trabalho precário.

62 A precariedade da vida tende a se tornar um padrão. As novas gerações já sabem que o

63 sonho da estabilidade ficou para trás. Como trabalhadores efêmeros e também consumidores

64 efêmeros, a ideia de uma vida melhor no futuro, como resultado de uma carreira, tende a

65 desaparecer.

A uberização da vida, João Teixeira. FILOSOFIA, Ciência & Vida, Ano IX, nº 120, p.60/61.

A oração “...embora, paradoxalmente, esteja aceitando trabalhos cada vez mais indignos” (L.57/58), semanticamente, equivale a:

Alternativas
Q2794510 Português

A uberização da vida

1 A tecnologia e o trabalho vivem, nos últimos séculos, uma relação pontuada por uma série

2 de episódios surpreendentes, quase sempre marcados pelo conflito.

3 Desde o início da era industrial, no século XVIII, os operários de fábricas são assombrados

4 pelo espectro de sua substituição por máquinas. Naquela época, havia boatos, na Inglaterra, sobre

5 o lendário general Ned Ludd, que incitava a invasão das tecelagens e a destruição das máquinas

6 para conter o desemprego em massa.

7 Nunca saberemos ao certo se Ned Ludd realmente existiu. Contudo, o termo ludismo

8 passou a ser incorporado pela literatura sociológica e filosófica como designando a revolta contra

9 a tecnologia. Nas últimas décadas já se fala até em neoludismo, um movimento radical que

10 defende a reversão da humanidade para um estado pré-tecnológico.

11 É provável que ocorra algo semelhante a uma revolta ludita hoje em dia, se algumas

12 promessas da tecnologia se concretizarem. Uma delas é a substituição dos motoristas

13 profissionais pelo piloto automático do Google. Se isso ocorrer, presenciaremos a maior onda de

14 desemprego dos últimos séculos, o fantasma, dessa vez, seria a inteligência artificial.

15 No entanto, já existe uma outra revolução em curso, que chega liderada pelo aumento

16 crescente dos aplicativos. Além de nos disponibilizar serviços no esquema 24/7 (24 horas por

17 dia, sete dias da semana), a internet começa, agora, a preencher nichos de tempo livre com

18 trabalho. Chamo a esse fenômeno de uberização.

19 Frequentemente, o Uber é um aplicativo associado com a substituição dos táxis nas

20 grandes cidades, mas é muito mais do que isso. Inicialmente, o projeto do Uber era organizar

21 caronas solidárias nas grandes cidades. No entanto, alguns empresários perceberam que

22 poderiam aproveitar o fato de que, hoje em dia, praticamente todas as pessoas dirigem carros e

23 que, se essa força de trabalho fosse aproveitada e organizada por um aplicativo, os motoristas

24 amadores poderiam, praticamente, assumir o mercado preenchido pelos táxis, bastando, para

25 isso, fazer "bicos" em horas vagas.

26 Em pouco tempo, o Uber se tornou uma daquelas empresas arquibilionárias do vale do

27 silício, cujo endereço é apenas alguma caixa-postal de algum paraíso fiscal caribenho. Com ele,

28 vieram outros aplicativos para preencher com trabalho as horas vagas de muitas outras atividades

29 profissionais. A advogada que está com poucos clientes pode compensar essa situação se souber

30 fazer maquiagem. Há um aplicativo para chamá-la nas vésperas de eventos. Ela não precisa ser

31 uma maquiadora profissional e, por isso, sabe-se que ela cobrará a metade do preço. Se você tem

32 uma moto, pode maximizar seu uso fazendo entregas aos sábados em vez de deixá-la ociosa na

33 garagem do seu prédio. Todo mundo está disposto a fazer "bicos", e todo mundo, também fica

34 feliz quando pode pagar menos por um serviço.

35 A uberização é o trabalho em migalhas. Ela começa com a profissionalização do

36 amadorismo, pois todos podemos ser motoristas, jardineiros ou entregadores nas horas vagas.

37 Contudo, o inverso, ou seja, o rebaixamento de profissionais a amadores, já está acontecendo.

38 Muitos profissionais qualificados estão se inscrevendo em aplicativos que os selecionam para

39 prestar serviços a preços reduzidos em determinados horários ou dias da semana. É possível que,

40 em pouco tempo, o trabalho qualificado se torne parte do precariado.

41 Ainda é difícil prever os resultados da uberização do trabalho. A relação contínua entre

42 empregados e patrões tenderá a desaparecer, sobretudo no setor de serviços. A babá de seu

43 filho, quando você for ao cinema com sua esposa, será escalada por um aplicativo e,

44 dificilmente, será a mesma pessoa em todas as ocasiões. Não haverá mais o taxista de confiança

45 ou o garçom que te reconhece sempre que você entra em um determinado restaurante.

46 Com a uberização, a liberdade e a coação se tornam coincidentes, pois todos se tornarão

47 patrões de si mesmos. A dialética senhor-escravo, tão cara aos hegelianos e a seus herdeiros

48 marxistas, desaparecerá. Pois todos seremos sempre ao mesmo tempo senhores e escravos.

49 Exploraremos a nós mesmos de forma implacável.

50 A demarcação entre tempo livre por oposição ao horário de trabalho será ainda mais

51 diluída. Todos se sentirão culpados por tirar uma soneca após o almoço de domingo em vez de

52 aproveitar o tempo fazendo uma corrida de táxi para alguém que precisa ir ao aeroporto para

53 viajar, provavelmente, a trabalho.

54 Na Antiguidade, os gregos desprezavam o trabalho. No mundo cristão, sobretudo com a

55 reforma protestante, ele passou a ser associado com dignidade. Não ter emprego, não ter trabalho

56 passou a corroer a autoestima de muitas pessoas. O homem contemporâneo ainda associa

57 trabalho com dignidade, embora, paradoxalmente, esteja aceitando trabalhos cada vez mais

58 indignos para sobreviver.

59 O sociólogo sul-coreano Byung-Chul Han aponta, no seu livro A sociedade do cansaço

60 (Vozes, 2015), que não é por acaso que enfrentamos uma pandemia de depressão. De um lado, há

61 metas inatingíveis, e de outro, apenas oferta de trabalho precário.

62 A precariedade da vida tende a se tornar um padrão. As novas gerações já sabem que o

63 sonho da estabilidade ficou para trás. Como trabalhadores efêmeros e também consumidores

64 efêmeros, a ideia de uma vida melhor no futuro, como resultado de uma carreira, tende a

65 desaparecer.

A uberização da vida, João Teixeira. FILOSOFIA, Ciência & Vida, Ano IX, nº 120, p.60/61.

A alternativa em que a oração transcrita tem função restritiva é:

Alternativas
Q2785259 Português

As questões de 01 a 10 referem-se ao texto reproduzido abaixo.


SOBRE SER FELIZ E SUAS RECEITAS

-

Marcia Tiburi


Você costuma usar receitas para cozinhar? Talvez você já tenha usado e descoberto que não basta seguir o que está escrito. Há algum mistério na execução do que vemos nas revistas e nos jornais, pois nem todas as pessoas interpretam, do mesmo modo, as indicações. A compreensão é o que prejudica a execução da tarefa. Os chefs incorporam as receitas ou as criam como um cientista cria seu método de pesquisa ou um artista cria seu estilo.

O que ocorre entre a receita e sua realização é um conflito entre teoria e prática. Decepcionar-se é fácil e perder tempo também quando não conhecemos o método e o significado dos ingredientes. Mas toda frustração, mesmo com um guia para fazer bolo, tem seu ensinamento.

Sobretudo quando se trata de uma receita para ser feliz. Ser feliz seria como realizar a receita sem falhas. Todas as sociedades em todos os tempos apostaram na possibilidade de uma imagem da felicidade com legenda, na qual o que é ser feliz estivesse bem explicadinho. Pingos nos ii da felicidade como confeitos em um bolo é tudo o que queríamos da vida. Que a felicidade viesse num pacote e, lá de dentro, não precisássemos nem acionar um botão, nem ligar o fogão.

Ser feliz poderia parecer ou ser fácil. No senso comum, o território das nossas crenças mais imediatas, que é partilhado por todos em ações e falas, ser feliz é uma promessa sempre revalidada. Guimarães Rosa, o lúcido escritor de Grande Sertão: Veredas, dizia, ao contrário, que “viver é muito perigoso”. Aristóteles, que também defendia a felicidade, foi autor da bela frase: “o ser se diz de diversos modos”, que podemos interpretar como “a vida pode ser vivida de diversas maneiras”. A felicidade não tem um único rosto.

Immanuel Kant, no século das Luzes, dizia que só podemos almejar a felicidade, tornarmonos dignos dela, mas não podemos possuí-la. Com isso, ele colocava a felicidade no lugar dos ideais que só podemos imaginar e supor, esperar que nos orientem, mas jamais realizar. Uma receita para ser feliz seria, nessa perspectiva, um absurdo.

Se a pergunta pela felicidade, com a complexa resposta que ela exige, já não serve por seus tons abstratos, podemos ficar com a questão bem mais prática do bem viver. Da vida, nada parece mais fácil do que simplesmente vivê-la: contemplar o que há, amar quem vive perto de nós, alegrar-se com as conquistas, aceitar as frustrações inevitáveis, lutar pelo próprio desejo, transformar o que nos desagrada buscando o melhor modo possível de pensar e agir. O modo mais ético e mais justo de se viver é o que todos, em princípio, queremos. Um desejo básico que nos une e que, ao ser construído, carrega a promessa paradisíaca da felicidade comum, do bem-estar geral. Se procurarmos conselhos e fórmulas para o bem viver, não será difícil fazer uma lista de tons e cores que podemos imprimir aos nossos gestos e nossos atos. E, ainda que o receituário seja impreciso, é válido.

O meio tom entre inteligência e emoção, entre razão e sensibilidade é a mais inexata das promessas e a mais complexa das conquistas que um ser humano pode almejar para si mesmo. Vale também como uma receita, a receita de um manjar desconhecido. Ela só existe porque podemos fazer do melhor modo possível, usando-a como inspiração. Cada um só precisa saber que cada manjar é diferente do outro. Cada um tem que aprender a realizar, com método próprio, sua própria alquimia. Somos seres gregários: sua receita servirá de inspiração a outros.

-

Disponível em: <http://www.marciatiburi.com.br>. Acesso em: 07 jun. 2016. [Adaptado].

Considere os períodos:


No senso comum, o território das nossas crenças mais imediatas (1°), que é partilhado por todos em ações e falas, ser feliz é uma promessa sempre revalidada. Guimarães Rosa, o lúcido escritor de Grande Sertão: Veredas (2º), dizia, ao contrário, que “viver é muito perigoso”.


Em relação aos trechos em destaque,

Alternativas
Respostas
4601: B
4602: C
4603: A
4604: E
4605: A
4606: E
4607: B
4608: D
4609: C
4610: C
4611: A
4612: A
4613: C
4614: D
4615: E
4616: C
4617: C
4618: A
4619: D
4620: B