Questões de Concurso Sobre história
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Os envolvidos também desempenhavam diferentes formas de trabalho simbólico ao cocriar a crença coletiva de que todos os vassalos tinham acesso ao ouvido do governante. A ficção do diálogo entre governados e governante era um pilar da confiança dos vassalos na monarquia. Foi desse diálogo epistolar e da construção de confiança que surgiu a comunicação em todo o mundo. De fato, esse intercâmbio não apenas deu origem a muitas de suas leis, mas também moldou profundamente a sociedade nas Índias e constituiu, em si, um elemento fundamental de um projeto coletivo. Sob essa perspectiva, os Estados e sua formação não são simplesmente produtos de aparatos coercitivos que se impõem sobre comunidades passivas, mas o resultado de processos comunicativos que tornaram ambas as partes mais poderosas.
Adaptado de: MASTERS, Adrian. We, the King: Creating Royal Legislation in the Sixteenth-Century Spanish New World. Cambrigde: Cambridge University Press, 2023, pp. 7-8.
Com base na leitura do trecho, assinale a opção que apresenta corretamente a interpretação do autor sobre o projeto da monarquia hispânica sobre seus domínios na época moderna.
Testemunhas da execução de Carlos I afirmaram que, após a cabeça do rei ser cortada, a multidão que assistia emitiu um longo e profundo gemido coletivo. Nesse momento sem palavras, podemos começar a imaginar as consequências culturais do regicídio. Quase todos os escritores sobre casamento e família do século anterior haviam traçado a equação habitual entre o domínio do pai sobre sua família e o domínio do rei sobre seus súditos. Cada um refletia o outro, e cada um funcionava para sustentar a autoridade do outro. Para nós, a metáfora é apenas uma comparação, mas no período moderno inicial, as semelhanças ainda falavam de alguma identidade comum ou compartilhada. Dizer que a família era como o Estado e vice-versa implicava um tipo de conexão entre os dois que não conseguimos mais imaginar plenamente. Executar o rei implicava um desafio à autoridade dos pais em todo o país.
Adaptado de: FISSELL, Mary. Vernacular Bodies: The politics of reproduction in early modern England. Oxford: Oxford University Press, 2004, p. 164.
Com base na leitura do trecho, assinale a opção que apresenta corretamente a interpretação da autora sobre o regicídio ocorrido na Guerra Civil da Inglaterra e seus impactos culturais.
Antes da era da expansão europeia além-mar e da circunavegação portuguesa pela África, a Itália renascentista tornou-se um destino comum para numerosos monges e dignitários etíopes. Esses viajantes se apresentaram no cenário europeu como agentes ativos da descoberta transcontinental: interessados em aprender mais sobre uma região que viam como o centro definitivo do cristianismo organizado, tornaram-se os protagonistas de uma era etíope de exploração. Longe de serem vistos como 'outros' inferiores, os etíopes eram, de fato, considerados fornecedores de conhecimento em um mundo europeu cuja autoidentificação estava fundamentada na identidade cristã e onde um paradigma religioso de semelhança e alteridade prevalecia sobre a raça e a cor no discurso sobre a diferença. Eles devem ser vistos como contribuintes chave para a criação do que foi apropriadamente chamado de 'consciência planetária', o processo pelo qual os europeus adquiriram autoconsciência sobre os territórios alémmar.
Adaptado de: SALVADORE, Matteo. The Ethiopian Age of Exploration: Prester John’s Discovery of Europe, 1306-1458. Journal of World History, Vol. 21, No. 4, 2011, pp. 593-594.
Com base na leitura do trecho, assinale a opção que apresenta corretamente a interpretação do autor sobre a presença de indivíduos etíopes na Itália durante o Renascimento.
A necessidade das autoridades eclesiásticas por provas físicas dos fenômenos sagrados faz parte de um fenômeno mais amplo já observado pelos historiadores da espiritualidade feminina da Idade Média tardia: a predominância das mulheres entre as santas visionárias e a persistente tendência dos hagiógrafos masculinos de traduzir as experiências místicas internas de suas sujeitas femininas em sinais corporais perceptíveis, como estigmas, feridas sangrentas, lactação e outros fenômenos místicos. Isto conferiu uma importância especial aos corpos das mulheres santas, que eram vistas como recipientes de seus poderes sobrenaturais, e pode ser a razão pela qual os contemporâneos parecem ter embalsamado os corpos das futuras santas mais frequentemente do que os dos santos homens — um fato que ajuda a explicar a restrição das anatomias sagradas, nesse período, a corpos femininos. Por outro lado, esse foco nos corpos mortos das mulheres santas parece também ter refletido uma necessidade especial de prova por parte dos clérigos homens quando a santidade feminina estava em questão.
Adaptado de PARK, Katharine. The secrets of Women: Gender, Generation, and the Origins of Human Dissection. New York: Zone Books, 2006, pp. 58- 59.
Com base na leitura do trecho, é correto afirmar que um dos elementos que explica a relação entre os corpos femininos e o contexto da Idade Média tardia foi
Um grande manto de florestas e charnecas cortado por clareiras cultivadas, mais ou menos férteis, tal é o aspecto da Cristandade – algo diferente do Oriente muçulmano, mundo de oásis em meio a desertos. Num local a madeira é rara e as árvores indicam a civilização, noutro a madeira é abundante e sinaliza a barbárie. A religião, que no Oriente nasceu ao abrigo das palmeiras, cresceu no Ocidente em detrimento das árvores, refúgio dos gênios pagãos que monges, santos e missionários abatem impiedosamente. Aqui, o progresso liga-se ao arroteamento, à luta e vitória sobre a mata cerrada, sobre os arbustos ou, quando necessário e o equipamento técnico e a coragem o permitem, sobre os bosques, sobre a floresta virgem. Mas a realidade palpitante é marcada por um conjunto de clareiras mais ou menos vastas, que correspondem a células econômicas, sociais e culturais. Por muito tempo o Ocidente medieval foi um aglomerado, uma justaposição de domínios, de castelos e de cidades surgidos no meio de extensões incultas e desertas. O deserto, aliás, era então a floresta. La se refugiavam os adeptos voluntários ou involuntários da fuga mundi. Eremitas, amantes, cavaleiros errantes, malfeitores, foras da lei.
Adaptado de LE GOFF, Jacques. A civilização do Ocidente Medieval. Caxias do Sul: Edusc, 2005 pp. 123-124.
Com base na leitura do trecho, é correto afirmar que o imaginário medieval ocidental entendia as florestas como espaços de
( ) Durante esse período, houve a isenção de tributos e a diminuição do controle militar romano nas províncias locais, o que favoreceu a harmonia social.
( ) Durante esse período, houve uma estagnação da expansão territorial e populacional, uma decisão deliberada com o objetivo de priorizar a prosperidade econômica das possessões já conquistadas.
( ) Durante esse período, houve consideráveis avanços na arquitetura, incluindo o desenvolvimento de estradas que facilitaram a conexão entre diversas localidades do Império.
As afirmativas são, respectivamente,
[ ] A história da escrita começou no período da pré-história, em que a pintura rupestre representa o primeiro tipo de escrita.
[ ] Os sistemas de escrita que se tem conhecimento foram instituídos de forma dependente, por civilizações como: Mesopotâmia, China, Egito e América Central.
[ ] Assim como a linguagem, o processo da escrita está em constante processo de transformação.
[ ] De acordo com os historiadores, no decorrer de três mil anos, a escrita cuneiforme foi usada por quinze línguas diferentes, destacando-se, por exemplo: o sumério, o persa e o sírio.
O governo de Getúlio Vargas (1930-1945) foi um dos mais marcantes da história brasileira. Sobre esse período, analise as afirmativas:
I. Durante o Estado Novo, Vargas centralizou o poder, fechou o Congresso e implementou uma Constituição autoritária.
II. A criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943, foi uma das principais medidas voltadas para a classe trabalhadora.
III. A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Aliados ocorreu no início do Estado Novo, em 1937.
Das afirmativas, pode-se afirmar que:
O período da redemocratização no Brasil trouxe profundas mudanças políticas, econômicas e sociais. Sobre as políticas neoliberais implementadas a partir da década de 1990, analise:
A globalização teve um impacto significativo na economia brasileira durante os governos pós-redemocratização. As políticas neoliberais adotadas pelo Brasil incluíram privatizações de empresas estatais, como a Vale do Rio Doce e a Telebrás, além de maior abertura econômica ao capital estrangeiro. Entretanto, essas medidas também geraram críticas, especialmente devido ao aumento da desigualdade social e à precarização do trabalho.
Com base nesse contexto, qual alternativa reflete corretamente os efeitos das políticas neoliberais no Brasil?
O sistema colonial implantado nas Américas pelos europeus moldou o espaço e a economia das colônias. Analise as afirmativas sobre o sistema colonial:
I. A colonização portuguesa no Brasil foi inicialmente marcada pela extração do pau-brasil, realizada com o auxílio de mão de obra indígena.
II. A adoção do sistema de plantation, baseado em grandes propriedades, monocultura e trabalho escravizado, foi essencial para a produção de açúcar no Brasil.
III. As colônias inglesas na América do Norte adotaram o mesmo sistema econômico das colônias espanholas, priorizando a exploração de ouro e prata.
Das afirmativas, pode-se afirmar que: