Questões de Concurso
Comentadas sobre história geral em história
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HOBSBAWM, Eric J. A era das revoluções. 3. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2012.
Com base na interpretação da “dupla revolução” (1789–1848) proposta por Eric Hobsbawm como faróis de um mundo novo, analise as proposições abaixo, considerando sua coerência lógica e consistência historiográfica:
( ) Se a transformação de 1789-1848 representa o triunfo da burguesia liberal, então ela implica ruptura com a ordem estamental do Antigo Regime.
( ) Se a Revolução Industrial consolida o capitalismo industrial, então altera estruturalmente as relações de produção e a composição das classes sociais.
( ) Se a Revolução Francesa não tivesse alterado a forma de soberania política, então a Revolução Industrial isoladamente não bastaria para caracterizar a passagem à contemporaneidade.
( ) Se a contemporaneidade decorre da combinação entre transformação econômica e transformação política, então a Revolução Francesa e a Revolução Industrial são processos historicamente interdependentes.
( ) Se a acumulação capitalista constitui resultado estrutural da Revolução Industrial, então o Estado liberal burguês pode ser compreendido como forma política compatível com essa nova ordem econômica.
Assinale a alternativa CORRETA:
Se o interesse dos historiadores pelos textos literários não é algo novo, entretanto, o que assistimos mudar desde a segunda metade do século XX – devido a uma renovação nos estudos literários que veio influenciar os estudos históricos – é essa relação entre os historiadores e os textos literários.”
SOUSA, P. Ângelo de M. O estudo da história antiga a partir de textos literários: uma proposta teórico-metodológica. Boletim de Estudos Clássicos, [S. l.], n. 60, p. 45-56, 2015. DOI: 10.14195/2183-7260_60_4. Disponível em: https:// impactum-journals.uc.pt/bec/article/view/60_4. Acesso em: 8 fev. 2026.
Com base no texto, analise as assertivas a seguir acerca das transformações epistemológicas da ciência histórica e da relação entre historiografia e literatura, assinalando V (verdadeiro) ou F (falso):
( ) A ampliação dos domínios da ciência histórica, a partir da segunda metade do século XX, implicou o reconhecimento das obras literárias como objetos legítimos na construção do conhecimento histórico.
( ) O texto sustenta que o interesse historiográfico por textos literários surgiu com a renovação teórica ocorrida na segunda metade do século XX.
( ) Na História Antiga, os textos literários assumem papel privilegiado, em parte devido à escassez de documentação quando comparada às épocas mais recentes.
( ) A mudança ocorrida na segunda metade do século XX refere-se menos à existência do interesse pelos textos literários e mais à forma como os historiadores passaram a se relacionar com eles.
( ) O texto afirma que, na História Antiga, a maioria das pesquisas concentra-se em evidências materiais, descartando estudos de representações textuais.
Assinale a alternativa que corresponde a sequência CORRETA.
Por um lado, temos de extrair dele a imagem que formamos do mundo aristocrático; por outro, inquirir como o ideal de Homero ganha forma nos poemas homéricos e como a sua estreita esfera de validade originária se alarga e se converte em força de formação de muito maior amplitude."
JAEGER, Werner Wilhelm, 1888-1961. Paideia: a formação do homem grego / Werner Wilhelm Jaeger ; [tradução Artur M. Parreira ; adaptação para a edição brasileira Mônica Stahel ; revisão de texto grego Gilson César Cardoso de Souza]. – 3. ed. – São Paulo : Martins Fontes, 1994.
Considerando A Ilíada e A Odisseia, tradicionalmente atribuídas a Homero, e os debates historiográficos acerca de seu valor para o estudo da Grécia arcaica, assinale alternativa CORRETA:
LE GOFF, Jacques. A História deve ser dividida em pedaços? (Tradução de Nícia Adan Bonatti). São Paulo: Editora UNESP, 2015. P. 12.
Com base na interpretação do texto sobre periodização e tempo histórico, analise as proposições a seguir:
I. Se a divisão do tempo histórico não é mero recorte cronológico, então a periodização constitui operação interpretativa vinculada a valores e perspectivas historiográficas.
II. Se a periodização é operação interpretativa, então os períodos não são dados naturais, mas construções que expressam determinadas concepções de mudança e continuidade.
III. Se os períodos são construções interpretativas, então toda narrativa histórica é arbitrária e desprovida de compromisso empírico.
IV. Se a sucessão temporal pode envolver rupturas e continuidades, então é possível articular diferentes ritmos temporais, inclusive aqueles associados à longa duração.
V. Se a longa duração relativiza o acontecimento singular, então a reflexão sobre rupturas perde relevância analítica.
(...)
O olhar que o cinema devolve (ao espectador) atinge status transformador em um sentido hermenêutico. Entende-se que a imagem tem um potencial de perturbação de certezas instituídas que, no entanto, está em latência, precisa ser ativado. Como em uma experiência de intercâmbio que atravessa os tempos, o olho do cinema a partir do passado surge inquirindo o historiador e torna-se capaz de transformar o presente. Inevitavelmente dinâmica, essa relação de olhares cruzados pressupõe uma ação investigativa sempre em movimento, em vias de tornar-se.
SILVA, Jaison Castro. A tessitura insuspeita: cosmopolitismo, cinema nacional e trajetórias do olhar em Walter Hugo Khouri e Luis Sérgio Person (1960-1968). 2014. 812f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Ceará, Programa de Pós-Graduação em História, Fortaleza (CE), 2014.
Para o autor, as relações da história e do cinema:
ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
Com base nessa problemática, assinale a alternativa que melhor expressa o sentido do conceito:
SCHWARCZ, Lilia M.; STARLING, Heloísa M. Brasil: uma biografi a. 2 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p.80.
A escravidão era uma prática conhecida em diferentes sociedades muito antes da expansão europeia. Considerando as transformações ocorridas a partir da intervenção europeia no século XV, assinale a alternativa que melhor caracteriza as mudanças no sistema escravista.
“Sob seus diversos nomes e com suas aparências multiformes, o Diabo – Satã e seus demônios – é seguramente uma das fi guras mais importantes do universo do ocidente medieval: encarnação do mal, oponente das forças celestes, tentador dos justos, inspirador dos ímpios e dos pecadores, verdugo dos condenados, ele é onipresente e seu terrível poder se faz sentir em todos os aspectos da vida e das representações mentais medievais.”
GOFF, Jacques Le; SCHMITT, Jean-Claude. Dicionário analítico do Ocidente Medieval. São Paulo: Unesp, 2017. 748 p. 2 v.
Sobre a sociedade medieval e o domínio do pensamento cristão, é CORRETO afirmar que:
BLOCH, Marc. Apologia da História ou oficio do historiador. São Paulo: Zahar, 1989.
A reflexão de Marc Bloch evidencia o caráter relacional do conhecimento histórico, que articula passado e presente por meio da análise crítica das fontes e das interpretações. Considerando a construção do conhecimento histórico e as habilidades desenvolvidas pela disciplina de História, assinale a alternativa CORRETA:
Adaptado de AREND, Silvia; Fábio Macedo. “Sobre a história do tempo presente: entrevista com o historiador Henry Rousso”, Tempo e Argumento, vol. 1, n. 1, p. 202.
Com base na leitura do trecho, é correto afirmar que o autor considera que a História Contemporânea
Adaptado de LEVI, Giovanni. O pequeno, o grande e o pequeno, Revista Brasileira de História, v. 37, nº 74, 2017, pp. 169-170.
Com base na leitura do trecho, assinale a opção que apresenta corretamente a abordagem historiográfica descrita.
Adaptado de NORA, Pierre. Between Memory and History: Les Lieux de Mémoire, Representations, No. 26, 1989, p. 8
Com base no trecho, assinale a opção que interpreta corretamente a distinção estabelecida pelo autor entre memória e história.
Adaptado de LATOUR, Bruno. We have never been modern. Cambridge: Harvard University Press, 1993, p. 35.
II. Para muitos estudiosos do Iluminismo, parece haver uma ruptura radical. Nessa interpretação, o foco central é o suposto culto do Iluminismo à ciência, à razão e à universalidade, bem como a uma forma de poder/conhecimento baseada no controle tanto do mundo físico quanto do social. No entanto, quando se começa a questionar o que realmente estava implícito por trás desse motor de mudança cultural e social, abrem-se caminhos para reavaliar o chamado “projeto do Iluminismo”. Questiono a noção de um projeto iluminista unificado, orientado e impulsionado por uma linguagem da natureza baseada na filosofia natural mecanicista, que reduzia a natureza a um mecanismo e os seres humanos a máquinas ou autômatos.
Adaptado de REILL, Peter. Vitalizing nature in the enlightenment. Berkeley: University of California Press, 2005, p. 3.
Com base na leitura dos trechos, assinale a opção que descreve corretamente a interpretação dos autores sobre o Iluminismo.
I. Quando espanhóis e portugueses chegaram à América, os nativos lhes preparavam chocolate, uma bebida feita com cacau, temperada com especiarias simples e misturada com papas de milho. Essa combinação conferia à bebida um aspecto rústico e um gosto selvagem. Os espanhóis, julgandose mais industriosos que os selvagens, procuraram corrigir o mau gosto dessa bebida, acrescentando à pasta de cacau aromas do Oriente e especiarias da Espanha.
Adaptado de LAVEDÁN, A. Tratado de los usos, abusos, propiedades y virtudes del tabaco, café, té y chocolate. Madrid: Almarabu, 1991, pp. 214-215.
II. Os europeus que haviam bebido chocolate no Novo Mundo, não apenas adquiriram o gosto pela bebida espessa, como também passaram a consumi-la da mesma forma como vinha sendo consumido há muito tempo na Mesoamérica. Os espanhóis assimilaram o universo do cacau e procuraram manter, mesmo na Europa, as sensações sensoriais que acompanhavam o consumo do chocolate. Na Espanha e na Hispano-América, o apreço dos europeus pelo chocolate não reforçava uma hierarquia que colocasse os colonizadores europeus acima dos indígenas. Ao contrário, esse gosto chamava atenção para as falhas do projeto civilizador.
Adaptado de NORTON, Marcy. Chocolate para el imperio: la interiorización europea de la estética mesoamericana. Revista de Estudios Sociales, n. 29, 2008, pp. 57-63.
Com base nos trechos, assinale a opção que interpreta corretamente as dinâmicas do contato entre europeus e indígenas a partir do consumo do chocolate.
Uma sociedade que tanto valor dava às fórmulas e aos gestos, precisava de ritos para repelir os medos e estabelecer ligações com as forças sobrenaturais: precisava dos sacramentos e, por consequência, dos monges. Nesse tempo, o indivíduo não contava, perdia-se no seio de um grupo onde as iniciativas de cada um se fundiam em responsabilidade comuns. Todo o povo cristão se sentia solidário perante o mal e perante Deus, maculado pelo crime deste ou daquele dos seus membros, purificado pelas abstinências de alguns. Esses agentes de redenção coletiva eram os monges. O mosteiro intervinha como um órgão de compensação espiritual. Esta função justificava sua decoração, ornamentos e arquitetura.
Adaptado de DUBY, Georges. O tempo das catedrais. A arte e a sociedade, 980-1420. Lisboa: Editorial Estampa, 1979, pp. 67-68.
Com base no trecho, assinale a opção que interpreta corretamente a relação entre a dimensão religiosa e a organização social medieval.
A respeito desse processo evolutivo, assinale a afirmativa correta.
Considerando o processo de ressignificação e evolução do evento ao longo do tempo, assinale a afirmativa correta.
Experiência e expectativa são duas categorias adequadas para nos ocuparmos com o tempo histórico, pois elas entrelaçam passado e futuro. São adequadas também para se tentar descobrir o tempo histórico, pois, enriquecidas em seu conteúdo, elas dirigem as ações concretas no movimento social e político.
Adaptado de Reinhart Koselleck. Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto: PUC-Rio, 2006, p. 308.
Com base nessa perspectiva teórica, assinale a afirmativa que interpreta corretamente a concepção de tempo histórico.
Cada notícia apresenta uma perspectiva distinta: a cobertura americana enfatiza objetivos estratégicos e segurança nacional; a iraniana destaca impactos humanitários e resistência; a mídia de países árabes ressalta soberania e implicações regionais; e jornais europeus discutem equilíbrio diplomático e econômico na região.
Os estudantes devem ler, comparar e refletir sobre os relatos, discutindo semelhanças, diferenças e possíveis interesses que podem ter influenciado a forma como cada notícia apresenta os fatos.
Considerando as competências específicas do ensino de História no Ensino Fundamental, avalie as afirmativas a seguir.
I. A atividade explora a competência de elaborar hipóteses e proposições em relação a documentos históricos, uma vez que objetiva aferir a autenticidade dos relatos jornalísticos.
II. A proposta possibilita problematizar conceitos historiográficos, ao fazer os estudantes refletirem sobre diferentes formas de análise do conflito, considerando categorias como imperialismo, geopolítica e direitos humanos, e como essas categorias influenciam a interpretação de um mesmo evento.
III. O exercício possibilita identificar visões de diferentes sujeitos, culturas e povos com relação a um mesmo contexto histórico, ao comparar múltiplas perspectivas de jornais sobre a ofensiva militar, reconhecendo como interesses, experiências e valores influenciam a interpretação dos fatos.
Está correto o que se afirma em