Questões de Concurso
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A necessidade das autoridades eclesiásticas por provas físicas dos fenômenos sagrados faz parte de um fenômeno mais amplo já observado pelos historiadores da espiritualidade feminina da Idade Média tardia: a predominância das mulheres entre as santas visionárias e a persistente tendência dos hagiógrafos masculinos de traduzir as experiências místicas internas de suas sujeitas femininas em sinais corporais perceptíveis, como estigmas, feridas sangrentas, lactação e outros fenômenos místicos. Isto conferiu uma importância especial aos corpos das mulheres santas, que eram vistas como recipientes de seus poderes sobrenaturais, e pode ser a razão pela qual os contemporâneos parecem ter embalsamado os corpos das futuras santas mais frequentemente do que os dos santos homens — um fato que ajuda a explicar a restrição das anatomias sagradas, nesse período, a corpos femininos. Por outro lado, esse foco nos corpos mortos das mulheres santas parece também ter refletido uma necessidade especial de prova por parte dos clérigos homens quando a santidade feminina estava em questão.
Adaptado de PARK, Katharine. The secrets of Women: Gender, Generation, and the Origins of Human Dissection. New York: Zone Books, 2006, pp. 58- 59.
Com base na leitura do trecho, é correto afirmar que um dos elementos que explica a relação entre os corpos femininos e o contexto da Idade Média tardia foi
Um grande manto de florestas e charnecas cortado por clareiras cultivadas, mais ou menos férteis, tal é o aspecto da Cristandade – algo diferente do Oriente muçulmano, mundo de oásis em meio a desertos. Num local a madeira é rara e as árvores indicam a civilização, noutro a madeira é abundante e sinaliza a barbárie. A religião, que no Oriente nasceu ao abrigo das palmeiras, cresceu no Ocidente em detrimento das árvores, refúgio dos gênios pagãos que monges, santos e missionários abatem impiedosamente. Aqui, o progresso liga-se ao arroteamento, à luta e vitória sobre a mata cerrada, sobre os arbustos ou, quando necessário e o equipamento técnico e a coragem o permitem, sobre os bosques, sobre a floresta virgem. Mas a realidade palpitante é marcada por um conjunto de clareiras mais ou menos vastas, que correspondem a células econômicas, sociais e culturais. Por muito tempo o Ocidente medieval foi um aglomerado, uma justaposição de domínios, de castelos e de cidades surgidos no meio de extensões incultas e desertas. O deserto, aliás, era então a floresta. La se refugiavam os adeptos voluntários ou involuntários da fuga mundi. Eremitas, amantes, cavaleiros errantes, malfeitores, foras da lei.
Adaptado de LE GOFF, Jacques. A civilização do Ocidente Medieval. Caxias do Sul: Edusc, 2005 pp. 123-124.
Com base na leitura do trecho, é correto afirmar que o imaginário medieval ocidental entendia as florestas como espaços de
( ) Durante esse período, houve a isenção de tributos e a diminuição do controle militar romano nas províncias locais, o que favoreceu a harmonia social.
( ) Durante esse período, houve uma estagnação da expansão territorial e populacional, uma decisão deliberada com o objetivo de priorizar a prosperidade econômica das possessões já conquistadas.
( ) Durante esse período, houve consideráveis avanços na arquitetura, incluindo o desenvolvimento de estradas que facilitaram a conexão entre diversas localidades do Império.
As afirmativas são, respectivamente,
[ ] A história da escrita começou no período da pré-história, em que a pintura rupestre representa o primeiro tipo de escrita.
[ ] Os sistemas de escrita que se tem conhecimento foram instituídos de forma dependente, por civilizações como: Mesopotâmia, China, Egito e América Central.
[ ] Assim como a linguagem, o processo da escrita está em constante processo de transformação.
[ ] De acordo com os historiadores, no decorrer de três mil anos, a escrita cuneiforme foi usada por quinze línguas diferentes, destacando-se, por exemplo: o sumério, o persa e o sírio.
O sistema colonial implantado nas Américas pelos europeus moldou o espaço e a economia das colônias. Analise as afirmativas sobre o sistema colonial:
I. A colonização portuguesa no Brasil foi inicialmente marcada pela extração do pau-brasil, realizada com o auxílio de mão de obra indígena.
II. A adoção do sistema de plantation, baseado em grandes propriedades, monocultura e trabalho escravizado, foi essencial para a produção de açúcar no Brasil.
III. As colônias inglesas na América do Norte adotaram o mesmo sistema econômico das colônias espanholas, priorizando a exploração de ouro e prata.
Das afirmativas, pode-se afirmar que:
"O sistema feudal, consolidado durante a Alta Idade Média, caracterizou-se por uma economia agrária de subsistência e uma hierarquia social rigidamente estratificada. As relações de suserania e vassalagem estruturavam-se em pactos de fidelidade, mas as condições econômicas e sociais do feudo variavam consideravelmente entre diferentes regiões da Europa. Nesse contexto, a Igreja Católica desempenhou um papel central, não apenas como autoridade espiritual, mas também como grande proprietária de terras e mediadora de conflitos."
Com base no texto e nas análises de Le Goff (A Civilização do Ocidente Medieval) e Bloch (A Sociedade Feudal), assinale a alternativa correta:
I. A escrita cuneiforme da Mesopotâmia, desenvolvida pelos sumérios por volta de 3.200 a.C., representa o marco inicial da história registrada e foi amplamente utilizada na administração e no registro comercial.
II. O Código de Hamurabi é uma das primeiras compilações legais escritas da humanidade, e seus princípios refletem a concepção de justiça distributiva e proporcional predominante na Mesopotâmia antiga.
III. A centralização do poder no Egito faraônico baseava-se na legitimação religiosa, onde o faraó era considerado um deus vivo e mediador entre os homens e os deuses.
IV. As cidades-estado da Grécia antiga, como Atenas e Esparta, divergiam profundamente em suas estruturas políticas, mas compartilhavam um sistema econômico agrário semelhante, sustentado por uma aristocracia rural.
V. A queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C. foi resultado de fatores exclusivamente externos, como as invasões bárbaras, não havendo contribuição de crises internas no colapso imperial.
Assinale a alternativa correta:
"Marc Bloch, em sua obra Apologia da História (1949), questiona a tradicional fragmentação da história em períodos estanques e defende a interdisciplinaridade como ferramenta indispensável para compreender as complexidades das sociedades humanas. Essa visão encontra eco em Fernand Braudel, que, ao estruturar a história em níveis temporais — curta, média e longa duração —, reforça a necessidade de analisar estruturas econômicas e geográficas que transcendem os acontecimentos imediatos. Contudo, ambas as abordagens enfrentaram críticas, especialmente de correntes que priorizam a agência individual e o papel do acaso histórico."
Com base no texto e nos debates historiográficos, assinale a alternativa correta:
I. A historiografia positivista prioriza a neutralidade do historiador, buscando os fatos “tal como ocorreram”, conforme a máxima de Leopold von Ranke, mas ignora a subjetividade intrínseca ao processo de seleção documental.
II. O materialismo histórico marxista compreende a história como um processo dialético, fundamentado nas contradições entre as forças produtivas e as relações de produção, o que explica a transformação dos modos de produção ao longo do tempo.
III. A Escola dos Annales propõe uma ruptura com a história factual e política ao enfatizar o estudo das estruturas econômicas e sociais de longa duração, abordando também as mentalidades coletivas.
IV. A Nova História, influenciada por perspectivas antropológicas e sociológicas, desloca o foco para os sujeitos anônimos, explorando as práticas cotidianas e as experiências de grupos marginalizados.
V. A história cultural, segundo Peter Burke, reforça a centralidade dos grandes eventos políticos na construção da cultura, ignorando as práticas culturais de grupos subalternos.
Assinale a alternativa correta:
I. O comércio transaariano foi essencial para a formação dos reinos da África Ocidental, viabilizando a circulação de ouro, sal e conhecimento entre as regiões subsaariana e mediterrânea.
II. O Reino de Gana, consolidado no século X, foi o primeiro grande império da África Ocidental, mas foi eclipsado pelo Reino de Mali após a ascensão de Sundiata Keita no século XIII.
III. A expansão do Reino de Songai no século XV ocorreu sob o comando de Sonni Ali, mas foi interrompida pelas invasões árabes, que fragmentaram o império no início do século XVI.
IV. O tráfico transatlântico de escravos, iniciado pelos portugueses no século XV, provocou o declínio econômico e demográfico das populações africanas, consolidando a dependência colonial no século XIX.
V. As independências africanas no século XX foram precedidas por intensos movimentos pan-africanistas que buscaram reverter as estruturas políticas, econômicas e sociais impostas pelo colonialismo europeu.
Assinale a alternativa correta:
"Antonio Gramsci, em seus Cadernos do Cárcere, introduziu o conceito de hegemonia cultural, explicando como as classes dominantes mantêm sua posição por meio de controle ideológico e consentimento, mais do que pela força direta. Michel Foucault, por outro lado, criticou a ideia de poder centralizado, propondo que o poder seja difuso, exercido por meio de micro-relações e dispositivos disciplinares. Essas visões transformaram a compreensão das relações entre poder, cultura e sociedade no século XX."
Com base no texto, é correto afirmar que: