Questões de Concurso
Comentadas sobre história do brasil em história
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Julgue as afirmativas abaixo quanto aos governos do PT, de acordo com a análise do historiador Rodrigo Motta (2003-2015):
I. O programa moderado do PT para as eleições de 2002 foi sacramentado na “Carta aos brasileiros”, que significava um compromisso com a estabilidade econômica e respeito aos contratos, inclusive com o capital estrangeiro. Tratava-se de uma declaração de garantia de que as dívidas do estado seriam honradas e que a propriedade seria respeitada, para tranquilidade dos capitalistas.
II. Superada a fase inicial de ajuste ortodoxo da economia, o novo desenvolvimentismo da era Lula foi instalando-se paulatinamente, aproveitando a experiência e as tradições ainda presentes na máquina estatal. Foi abandonada a visão privatista dos governos anteriores e recuperado o papel do Estado como agente planejador econômico.
III. A maneira heterodoxa como o governo Lula respondeu à crise econômica global de 2008 destacou-se em seu 2º mandato, especialmente porque os resultados foram positivos. Em lugar de adotar a receita liberal aplicada por muitos países no mesmo contexto, o governo brasileiro ampliou os gastos públicos e tomou medidas para estimular a atividade econômica.
IV. No período Lula-Dilma, o Estado aprofundou as ações de reparações financeiras e de busca da verdade sobre a violência da ditadura, além de também ter sido mais ousado na abertura de acervos documentais produzidos pelas agências de repressão. No entanto, continuou-se a evitar a busca por justiça penal e a respeitar o conceito de anistia recíproca para não confrontar alguns setores que preferiam esquecer os crimes contra os direitos humanos praticados na ditadura.
Estão CORRETAS:
Texto de apoio: ACHIAMÉ, Fernando A.M. O Espírito Santo na Era Vargas (1930-1937): Elites políticas e reformismo autoritário. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2010.
I. No interregno de 1934 a 1937, as práticas democráticas do liberalismo político foram retomadas de forma significativa pela reconstitucionalização do país e pela abertura partidária. A volta dos partidos políticos regionais, fortalecida pela sua composição social, é um marco do reflorescimento do poder das elites regionais, que se tornaram novamente protagonistas do jogo político.
II. Dos anos em que governou o Espírito Santo, o período de 1934 a 1937 foi o período no qual Bley esteve em maiores dificuldades, pois já não mais nutria-se do apoio do governo central para ocupar o principal cargo político do estado. Além disso, ficou vulnerável ao jogo político das elites regionais e, consequentemente, das ações da Assembleia Constituinte Estadual, cuja autonomia o impedia de intervir nos trabalhos legislativos.
III – Quando houve o endurecimento político do regime, em preparação para o golpe do Estado Novo desfechado em 10 de novembro de 1937, Bley temia pela sua autoridade, no que diz respeito ao controle por ele exercido sobre o aparelho regional do Estado, apesar de ter sido nomeado o executor, no Espírito Santo, do Estado de Guerra decretado na semana anterior.
IV. Bley permaneceu no comando da política estadual por muitos anos porque soube adaptarse aos novos tempos e fazer com que seu grupo o acompanhasse nessa postura política. Logo, não foram incomuns trocas de aliados, materializadas em rupturas de alianças e cooptação de adversários políticos. Não foram incomuns mudanças políticoadministrativas por ele realizadas no tabuleiro da administração estadual.
Estão CORRETAS:
Texto extraído de: ACHIAMÉ, Fernando A.M. O Espírito Santo na Era Vargas (1930-1937): Elites políticas e reformismo autoritário. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2010, p.161.
Sobre as características e desdobramentos do reformismo autoritário, implementado por Bley no Espírito Santo, segundo Achiamé, é CORRETO afirmarmos que:
Texto de apoio: ACHIAMÉ, Fernando A.M. O Espírito Santo na Era Vargas (1930-1937): Elites políticas e reformismo autoritário. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2010.
Texto extraído de: ACHIAMÉ, Fernando A.M. O Espírito Santo na Era Vargas (1930-1937): Elites políticas e reformismo autoritário. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2010, p.71-72.
Marque a opção CORRETA quanto à formação territorial e socioeconômica do Espírito Santo até 1930, segundo Fernando Achiamé.
Texto extraído de: JALES, Luanna. Visibilidade histórica para mulheres, negros e indígenas. In: PINSKY, Jaime;
PINSKY, Carla Bassanezi. Novos combates pela história: desafios-ensino. São Paulo: Contexto, 2021, p. 201.
O parágrafo acima do capítulo escrito pela historiadora Luanna Jales traduz seu diagnóstico quanto à forma como os grupos minoritários foram vistos por longo período por historiadores. Sobre essa questão, conforme o olhar da autora, julgue as afirmativas abaixo:
I. Os grupos minoritários (ou sub-representados) têm em comum o fato de, por longos períodos, não terem sido vistos como cidadãos ou terem sido considerados apenas cidadãos de segunda classe. Trata-se, hoje, de pessoas que raramente ocupam um número significativo de posições políticas, profissões consideradas de elite e protagonismo em peças publicitárias e produções midiáticas.
II. A visão de que apenas pessoas vitoriosas, de grandeza, de importância e de genialidade incomparável merecem ser estudadas na escola dificulta a percepção de que todos, independentemente de posição social e capacidade de liderança, podem ser agentes históricos e influenciar de alguma forma o meio em que vivem.
III. Estudar as minorias nas escolas deve ocorrer não apenas por uma questão de representatividade, mas porque elas são historicamente importantes. Por isso, é primordial identificar a força de atuação dos grupos minoritários dentro da história do país e mostrar que as minorias são mais do que ícones eleitos por essa ou aquela militância.
IV. É importante estudar as minorias de modo a reforçar o conhecimento das habilidades extraordinárias de personagens que emergiram de camadas sociais consideradas inferiores, possibilitando ao aluno compreender que personagens protagonistas emergem não apenas das camadas sociais mais abastadas.
Estão CORRETAS:
Se o movimento operário pode ser considerado um movimento social de classe, isso significa que, historicamente, a ação reivindicativa da classe trabalhadora é inseparável dos objetivos políticos de longo prazo que animaram as suas lutas. Acresce que o sindicalismo foi, desde sempre, pautado pela diversidade das suas lógicas de atuação. O objetivo de conciliar a luta por melhorias salariais e de condições de trabalho com a missão de solidariedade internacionalista só em certas circunstâncias históricas teve algum sucesso. A penetração da doutrina marxista nos meios operários, designadamente na sequência das Internacionais Operárias, contribuiu para desenvolver uma identidade coletiva – “de classe” –, que se propunha a guiar os trabalhadores e a humanidade para uma sociedade liberta de injustiças: o socialismo.
(PANNEKOEK, A., 1936. O sindicalismo. Disponível em: Arquivo Marxista na Internet. Acesso em: 02/06/2024.)
Além do socialismo, uma outra concepção se inseriu nos meios operários, mudando muitas perspectivas de ação entre eles
e no âmbito político: o anarquismo. Ambos, socialismo e anarquismo, tinham pontos semelhantes, mas algumas peculiaridades, tais como:
Com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, começou lentamente a tomar corpo no Brasil um movimento, conhecido como nacional-desenvolvimentismo, que tinha como objetivo tornar a economia nacional em algo mais sofisticado do que uma simples fornecedora de produtos primários para o mercado internacional. Libertar o país da dependência da agricultura e torná-lo uma nação industrializada não seria uma tarefa fácil, nem rápida, mas até certo ponto, tal pretensão foi alcançada. [...]
(Disponível em: https://www.abphe.org.br/arquivos/2015. Acesso em julho de 2024.)
O período desenvolvimentista costuma ser dividido em dois. O primeiro, “industrialização restringida”, em que o capital estrangeiro foi pouco relevante, atuando em ramos menos dinâmicos, e compreendeu todo o período Vargas – incluindo o interregno Dutra. Já o segundo período, “industrialização pesada”, que tem início no governo Juscelino Kubitschek – JK, é caracterizado, dentre outros fatores, pela:
É extensa a literatura sobre o populismo. Nos quinze anos seguintes, a política brasileira foi dominada por Getúlio Vargas, que, apesar de ser um político do sistema velho, estava apto, disposto e capaz de formar e dirigir uma nova aliança populista. Consequentemente, organizou-se o Ministério do Trabalho, e os sindicatos trabalhistas, virtualmente ilegais antes da Revolução, foram estabelecidos e inspirados pelo novo “pai do povo”. Além disso, enquanto sua atuação na área da reforma democrática estava longe de ser impressiva, Vargas conseguiu apoio significativo entre as camadas médias da sociedade brasileira, através da defesa de uma linha nacionalista e da promoção de uma política de industrialização e diversificação econômica, pela criação de empresas estatais e financiamentos do Banco do Brasil.
(WEFFORT, Francisco, 1989.)
No contexto do colapso da chamada “República Velha” e a emergência de Vargas ao poder, com um tipo de governo peculiar, alguns fatores se destacam, tais como:
Conforme Abreu (2008), acerca do papel das cidades no período da colonização portuguesa no Brasil, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.
I. As cidades no período colonial brasileiro, em contraste com o período colonial da América Espanhola, tinham um papel central como núcleo de controle do território conquistado pelos portugueses.
II. O processo de colonização portuguesa no Brasil encontrou civilizações que já tinham uma base urbana preexistente centrada na mineração e na circulação de metais preciosos.
III. O processo de colonização portuguesa, a partir de 1573, foi centrado na prática de fundação de cidades através da promulgação das “Ordenações de descobrimento e de povoamento de Felipe II”, também chamadas de “Lei das Índias”.
Diante desse contexto, qual das alternativas a seguir melhor expressa os objetivos centrais da CLT e as estratégias de Getúlio Vargas para manter o controle sobre as massas trabalhadoras?
I.Os principais líderes da Revolta dos Búzios eram membros destacados da antiga elite baiana. Esses indivíduos estavam descontentes com os governantes coloniais e incentivaram alguns profissionais liberais a iniciarem um movimento separatista com o objetivo de iniciar um governo autônomo que atendesse às necessidades econômicas dessa elite local.
lI.Dois grupos desempenharam um papel fundamental na disseminação das ideias revolucionárias que alimentaram a Revolta dos Búzios: a Academia Brasílica dos Renascidos e a Loja Maçônica Cavaleiros da Luz. Essas ideias tinham suas raízes no pensamento iluminista, que estimulava a mentalidade da época.
IlI.A independência americana e os ideais iluministas foram inspirações para a Revolta dos Búzios, assim como ocorreu em outros movimentos emancipatórios. No entanto, o que difere a Revolta dos Búzios está na configuração social deste movimento, já que contou com ampla participação de variados grupos populares, mesmo não havendo um projeto coletivo entre todos os participantes do movimento.
IV.Embora muitos cidadãos comuns tenham participado do levante, a Revolta dos Búzios não representou a defesa de um projeto distinto de sociedade, pois não propunha o fim do sistema escravista e tampouco argumentou a favor da liberdade e da democracia.
V.O julgamento e a punição dos envolvidos tiveram uma ligação direta com os grupos sociais, econômicos e raciais a que pertenciam. Isso resultou em penalidades muito mais severas para as pessoas mais pobres e negras.
É correto o que se afirma em:
(MELLO, Arnon de. São Paulo venceu! Rio de Janeiro: Flores e Mano, 1933. p. 267.)
A Revolução Constitucionalista de 1932 não apenas representou um conflito armado, mas também desencadeou uma intensa produção literária que buscou consolidar a memória dos eventos por meio de testemunhos e narrativas históricas. Esse movimento literário foi marcado pela publicação de uma vasta quantidade de livros que documentavam e interpretavam o ocorrido, muitas vezes sob a ótica dos próprios participantes. Tal produção teve um papel crucial na formação de uma narrativa canônica sobre a revolução, alinhando-se ao ideário de liberalismo político e autonomia estadual que motivou os constitucionalistas paulistas.
Considerando o contexto literário e histórico da Revolução Constitucionalista de 1932, analise as assertivas a seguir e marque V, para verdadeiras, e F, para falsas:
( )A produção literária sobre a Revolução Constitucionalista de 1932 foi especialmente intensa nos anos, imediatamente após o conflito, e a maioria dos seus leitores estava relacionada com o movimento revolucionário.
( )Os estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo - MMDC, que morreram em um confronto em 1932, representam a narrativa sobre o caráter heroico que marca os ideais centralizadores.
( )A narrativa padrão, criada pelos autores daquela época, mostrou a Revolução Constitucionalista como um movimento separatista com o objetivo de desmembrar São Paulo do restante do Brasil.
( )A Revolução Constitucionalista de 1932 lutou contra as políticas intervencionistas de Getúlio Vargas após a Revolução de 1930. Seu objetivo era defender a autonomia estadual e manter o modelo de organização liberal do Estado.
( )As histórias escritas sobre a Revolução Constitucionalista de 1932 frequentemente ligavam o movimento ao bandeirismo. Esses relatos apresentaram os revolucionários como bandeirantes modernos que defendiam um modelo de Estado liberal e se opunham à ditadura.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
I.A restituição do Manto Tupinambá ao Brasil representa um reconhecimento das histórias e culturas dos povos originários e se insere em um novo paradigma ético relacional pautado no princípio do respeito, cooperação e responsabilidade compartilhada.
lI.A Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, de 2007, estabelece que são os povos indígenas os responsáveis pela preservação, controle e proteção do seu patrimônio cultural, além do direito à autodeterminação.
IlI.A permanência de artefatos relacionados à história e à cultura dos povos indígenas em museus de países estrangeiros, apesar das manifestações atuais de repatriamento, revelam a preocupação dessas nações com a preservação desse passado e a conservação cultural desses povos. que
IV.As ações de repatriação de bens culturais têm sido conduzidas apenas por instituições governamentais, uma vez museus e outras instituições não governamentais não possuem legitimidade para tais processos.
V.A presença de bens culturais dos povos indígenas em instituições não governamentais estrangeiras, como museus, contribuiu para a criação e o fortalecimento de versões históricas equivocadas que reforçam muitas visões que os colonizadores tiveram dos povos colonizados.
É correto o que se afirma em:
Com base nas complexidades das interações entre os indígenas e os europeus e nas estratégias de resistência empregadas, analise as assertivas a seguir e assinale aquela que reflete adequadamente a dinâmica histórica dos movimentos de resistência indígena durante o período colonial: