Questões de Concurso
Comentadas sobre urbanização brasileira em geografia
Foram encontradas 504 questões
A segregação socioespacial e sua forma mais avançada e complexa de expressão, a fragmentação socioespacial, são, contraditoriamente, os processos que negam e redefinem a centralidade. Transformam-na em centralidade segmentada social e funcionalmente, dispersa no território e difusa na representação que elaboramos sobre a própria cidade e sobre a rede urbana, visto que a centralidade pode ser compreendida e apreendida em múltiplas escalas.
SPOSITO, M. A produção do espaço urbano, escalas, diferenças e desigualdades socioespaciais. In: Carlos, A. et al. (Org.). A produção do espaço urbano. São Paulo: Contexto, 2011, p.138.
TEXTO II
Do ponto de vista da reprodução do capital, a metrópole transforma-se na “cidade dos negócios", o centro da rede de lugares que se estrutura no nível mundial com mudanças constantes nas formas. A silhueta dos galpões industriais dá lugar a novos usos, substituídos por altos edifícios de vidro, centros de negócios, shopping centers, ou mesmo igrejas evangélicas, como produto da migração do capital para outras atividades – turismo, lazer, cultura, informática etc., reforçando a centralização econômica, financeira e política de uma metrópole como São Paulo.
CARLOS, A. O espaço urbano. Novos escritos sobre a cidade.São Paulo: Contexto, 2004, p.70. Adaptado.
A análise comparativa dos Textos I e II conduz à seguinte conclusão:
Caracteriza-se por metrópole a cidade cujo crescimento urbano é acentuado, o que conduz à absorção de aglomerados rurais e de outras cidades vizinhas e forma área de conurbação.
Manuel Castells. A questão urbana. Rio de Janeiro Paz e Terra, 1983, 506, p. 24 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência, julgue o item a seguir, em relação à urbanização, à metropolização e aos problemas ambientais urbanos no Brasil.
Os bairros populares das grandes cidades, a exemplo de São Paulo e Rio de Janeiro, desenvolveram-se, inicialmente, nos arredores das áreas industriais. Nessas duas cidades, o crescimento dos bairros populares acompanhou as vias férreas.
Manuel Castells. A questão urbana. Rio de Janeiro Paz e Terra, 1983, 506, p. 24 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência, julgue o item a seguir, em relação à urbanização, à metropolização e aos problemas ambientais urbanos no Brasil.
A metropolização significa uma intervenção humana extensa e profunda sobre a superfície da Terra. Essa expansão da mancha urbana implica processo de degradação ambiental, fato bem ilustrado pela grande São Paulo.
Manuel Castells. A questão urbana. Rio de Janeiro Paz e Terra, 1983, 506, p. 24 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência, julgue o item a seguir, em relação à urbanização, à metropolização e aos problemas ambientais urbanos no Brasil.
O crescimento demográfico das grandes cidades, dos núcleos urbanos e seus arredores gerou processos de conurbação, uma integração física das manchas urbanas que não se conectam por fluxos oscilantes diários de trabalhadores.
Manuel Castells. A questão urbana. Rio de Janeiro Paz e Terra, 1983, 506, p. 24 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência, julgue o item a seguir, em relação à urbanização, à metropolização e aos problemas ambientais urbanos no Brasil.
A pobreza urbana tem características bem peculiares e se distingue da pobreza rural fundamentalmente no que se refere à utilização da mão de obra.
A sociedade se distribui sem uniformidade no espaço devido ao resultado de uma seletividade histórica e geográfica. Nesse sentido, para o entendimento adequado dessa distribuição espacial, é necessária a dissociação entre tempo e espaço.
Fragmentação urbana do tecido sociopolítico espacial brasileiro, na matéria da geografia, refere-se à territorialização de favelas pelo crime organizado como um fator de desordem na escala da cidade como um todo.
I. Entre os pioneiros da articulação do tempo/espaço, em relação à urbanização, temos Henri Lefebvre, para quem o espaço se resumiria a um reflexo das relações sociais de produção, e a urbanização enquanto processo de disseminação do urbano, que se ampliava e generalizava-se em escala mundial, e deveria ser entendida enquanto expressão das relações sociais ao mesmo tempo em que incidiria sobre elas (LEFEBVRE, 1972). O significado dos termos urbano e urbanização para Lefebvre, contudo, restringia-se aos limites das cidades. Em seu entender a urbanização seria uma condensação dos processos sociais e espaciais, que decorriam das relações essenciais de produção do capitalismo, e estaria baseada na criação de um espaço social crescentemente abrangente, instrumental e mistificado (LEFEBVRE, 1991).
II. A produção teórica a partir da década de 70, sobre o espaço e a urbanização, tanto a estruturalista quanto a de reação ao positivismo estruturalista, corporificou- se em uma economia política da urbanização e do desenvolvimento. A interdisciplinaridade epistemológica levou a diferentes conceituações e definições do espaço e do urbano e à percepção das mudanças da urbanização conforme o capitalismo se ampliava e avançava, num constante processo de reestruturação e globalização.
III. Após analisar a produção teórica relativa à urbanização Castells define-a enquanto uma noção ideológica (CASTELLS, 1978); por partir da proposição que esta se refere tanto a formas espaciais quanto a um sistema cultural específico, de onde consequentemente não haveria uma problemática especificamente urbana. Descarta-a, assim, enquanto objeto de estudo e propõe que mais que falar de urbanização, trataremos do tema da produção social de formas espaciais (CASTELLS, 1978), e reduz o urbano ao espaço funcional onde se concentra uma população.
Estão corretas as afirmativas:
De acordo com essa classificação, são exemplos de metrópole regional e centro regional, respectivamente, as seguintes cidades:
Milton Santos. O País distorcido. São Paulo: Publifolha, 2002 (com adaptações).
Tendo como referência o fragmento de texto acima, julgue o item a seguir.
As desordens atuais são pontuais e ocasionais. Elas fazem parte de um processo conjuntural em andamento, em que o território brasileiro é apenas ator.
Com mais de 80% de sua população vivendo em cidades, o Brasil contemporâneo demanda políticas públicas para enfrentar problemas que cada vez mais se identificam com a realidade urbana, a exemplo da deficiência em habitação, saneamento, saúde e educação.
Passa de três dezenas o número de regiões metropolitanas brasileiras, nas quais se concentram mais de um terço dos domicílios urbanos e cerca de 30% da população. Estudos mostram que nas grandes cidades o número de habitantes tende a reduzir-se ou estagnar, ao tempo em que o inchaço populacional se transfere para as cidades conurbadas ao redor.
A urbanização do Brasil liga-se, em larga medida, ao forte movimento migratório que, especialmente a partir dos anos 50 do século passado, transferiu para as cidades milhões de pessoas que se viram impelidas a abandonar o campo.
O Brasil, que sempre se caracterizou pela existência, em uma região ou em outra, de fronteira de povoamento, viu, com o processo de industrialização do campo, o aparecimento de fronteiras de modernização nas quais se verificaram profundas transformações socioespaciais. Ambos os tipos de fronteira suscitam novos centros de comercialização e beneficiamento de produção agrícola, de distribuição varejista e prestação de serviços ou, em muitos casos, de centros que já nascem como reservatórios de uma força de trabalho temporária.
Mesmo após cinco séculos de ocupação e povoamento, a configuração atual do território brasileiro permanece conforme a implantação das capitanias hereditárias.
Durante todo o século passado, a cidade de Recife exerceu papel preponderante na rede urbana nordestina, permanecendo, ainda neste século, como a única cidade global da região.