Questões de Concurso Sobre filosofia
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Encontramos em Sócrates um precursor das escolas estóica (sic) e cínica do período posterior da filosofia grega. Com os cínicos, compartilha a sua própria despreocupação para com os bens terrenos e com os estóicos (sic), o seu interesse pela virtude como o maior dos bens.
(RUSSELL, História do Pensamento Ocidental, 2001, p.69)
Com respeito a Sócrates, analise as afirmações a seguir. Marque V, para verdadeiras, e F, para falsas:
( ) Embora Sócrates sempre declare que nada sabe, ele não acha que o conhecimento esteja além do alcance humano.
( ) Sócrates foi um mestre da dialética, na medida em que tentou esclarecer as questões que se colocavam mediante perguntas e respostas.
( ) Nos primeiros diálogos de Platão, não há um destaque de Sócrates como aquele que busca definições de termos voltados à ética.
( ) O principal objetivo de Sócrates era a especulação científica.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
“Quando começamos a estudar Filosofia, somos logo levados a buscar o que ela é. Nossa primeira surpresa surge ao descobrirmos que não há apenas uma definição da Filosofia, mas várias. A segunda surpresa vem ao percebermos que, além de várias, as definições não parecem poder ser reunidas numa só e mais ampla. Eis por que muitos, cheios de perplexidade, indagam: ‘Afinal, o que é a Filosofia que nem sequer consegue dizer o que ela é?’” (Chaui, 2005, p.22).
Apesar da dificuldade em obtermos uma definição geral de Filosofia, é possível identificar aspectos fundamentais acerca do “fazer filosófico” e de seus campos de atuação. Acerca da Filosofia, é correto afirmar que:
A partir dessa afirmação, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:
I. Para Kant, pensamentos sem conteúdo são vazios, intuições sem conceitos são cegas.
PORQUE
II. Para que ocorra conhecimento, é necessária a síntese das intuições com os conceitos.
A respeito das asserções, assinale a opção correta:
“Para os gregos, mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes que recebem a narrativa como verdadeira porque confiam naquele que narra; é uma narrativa feita em público, baseada, portanto, na autoridade e confiabilidade da pessoa do narrador. E essa autoridade vem do fato de que o narrador ou testemunhou diretamente o que está narrando ou recebeu a narrativa de quem testemunhou os acontecimentos narrados” (Chaui, 2005).
Assinale a alternativa correta acerca dos mitos gregos:
Com base no pensamento de Hegel, assinale a alternativa correta:
I. A teoria da justiça de Amartya Sen, centrada nas “capacidades” individuais, propõe uma abordagem que vai além da mera distribuição de recursos, enfatizando a importância de garantir que as pessoas tenham condições reais de exercer suas liberdades e alcançar um bem-estar pleno.
II. O conceito de “sociedade em rede”, de Manuel Castells, destaca a centralidade das redes de comunicação e informação na organização social contemporânea, impactando as relações de poder, a participação política e a construção de identidades.
III. A noção de “liberdade positiva”, defendida por Isaiah Berlin, que se refere à capacidade de autodeterminação e de agir de acordo com seus próprios objetivos, torna-se ainda mais complexa na era digital, na qual a autonomia individual pode ser influenciada por algoritmos e sistemas de vigilância.
IV. O conceito de “reconhecimento” de Axel Honneth, que destaca a importância da autoestima, do respeito e da solidariedade para a realização da justiça social adquire novas nuances no contexto digital, no qual as lutas por reconhecimento se expressam em novas arenas e formas de interação social.
É correto o que se afirma em:
“Do mesmo modo que [Deus] é criador de todas as naturezas, é dispensador de todo poder, não do querer, porque o mal querer não procede dele, visto ser contrário à natureza dele procedente.”
(AGOSTINHO, A Cidade de Deus (contra os pagãos), 2003, p. 203.)
Para Agostinho, não se deve atribuir a Deus a origem do mal, porque:
[...] Há uma dificuldade em instaurar instrumentos avaliativos que verifiquem a aprendizagem dos conhecimentos específicos de filosofia, uma vez que essa averiguação costuma ser feita numa abordagem que privilegia a história da filosofia. Sendo assim, vários professores têm por objetivo “ensinar a filosofar” e não “ensinar filosofia”. O primeiro conceito se baseia em saber “pensar bem”, com criatividade, criticidade e autonomia, enquanto o segundo condiz ao acúmulo dos conteúdos formais dessa disciplina.
(DIAS, 2010.)
Sobre essas questões ligadas à avaliação em filosofia, é necessário:
Observe a imagem:

(Disponível em: https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/)
A imagem refere-se a uma quadrinha de cordel, utilizada em uma determinada escola nas aulas de filosofia. Tal experiência
tinha o objetivo de aproximar os estudantes à filosofia. Sobre tais propostas e intervenções no ensino e discussões filosóficas,
assinale a afirmativa correta.
O mundo presente se reconhece através de expressões como “sociedade do conhecimento” ou “sociedade da informação e da tecnologia”. A ciência alcançou um desenvolvimento exponencial no século XX em todas as suas áreas. A revolução da microeletrônica, o desenvolvimento de novas fontes de energia e a revolução das biotecnologias alçaram a ciência à condição de um mito moderno. Assistimos a uma mistificação da ciência por muitos cientistas, que carecem da lucidez de reconhecer-lhe os limites. A preeminência do conhecimento científico é compreensível na medida em que seu poder e prestígio ressoam através dos artefatos tecnológicos produzidos por ele mesmo. Neste sentido, talvez os maiores difusores dos seus feitos sejam os meios de comunicação de massa.
(OLIVA A, Epistemologia: a cientificidade em questão Campinas: Papirus; 1990.)
O embate entre ciência e filosofia existe basicamente desde que elas se encontraram e é muito mais comum do que imaginamos. A modernidade caracteriza-se, muitas vezes, pela racionalização que denominamos ciência moderna ou, simplesmente, ciência. Nesse contexto, podemos afirmar que vivemos:
O que justifica a presença da filosofia como disciplina no currículo do ensino médio é a oportunidade que ela oferece aos jovens estudantes de desenvolverem um pensamento crítico e autônomo. Em outras palavras, a filosofia permite que eles experimentem um “pensar por si mesmos” [...] A filosofia “desnaturaliza” nosso pensamento cotidiano, fazendo com que nós coloquemos sob suspeita, sob interrogação, nos fazendo “pensar o próprio pensamento”. E, com isso, nos permite produzir um pensamento melhor elaborá-lo, com melhores fundamentos, mais crítico.
(GALLO, 2003, p. 43.)
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), o estudante, especificamente de ensino médio, em relação à filosofia:
Com a preocupação de tornar a linguagem mediadora da realidade, Wittgenstein procura, em alguns de seus escritos, descrever possibilidades de usos efetivos da linguagem, sendo que as atividades de uso dos símbolos têm seu significado ancorado nas “formas de vida”. Já que estas criam as legítimas possibilidades para os “jogos de linguagem”, e estes, por sua vez, delimitam aquilo que pode ser dito, dentro de um contexto ilimitado. Para ele: “Os jogos são livres criações do espírito e da vontade, autônomos e governados por regras. Saber jogar um jogo é uma capacidade que supõe domínio de uma técnica, consecutiva a uma aprendizagem. O fosso que separa a regra de sua aplicação preenchido pelo treinamento ou o adestramento (Abrichtung), a familiaridade, a prática do jogo.”
(WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações Filosóficas. São Paulo: Abril Cultural, 1984, 3 a ed., Col. Pensadores.)
Ludwig Joseph Johann Wittgenstein (1889-1951) foi um filósofo austríaco que atuou no campo da filosofia e da linguística durante a primeira metade do século XX. Seu trabalho filosófico:
O interdisciplinar é epistemológico, está presente e é mais compatível com o extracurricular, aí na resolução de problemas práticos como o planejamento, que exige soluções de ordens diversas. Os currículos escolares devem se adaptar naturalmente a esta visão epistemológica da interdisciplinaridade, mas é nos Institutos de Pesquisas ou nos problemas do dia a dia de um povo que as soluções interdisciplinares podem ser buscadas e viabilizadas. Hoje, o interdisciplinar carrega ainda alta dose ideológica como modismo educacional de uma época. Precisamos desmistificar e é preciso, portanto, respeitar, em muitos casos, o unidisciplinar para não descaracterizar o conteúdo que é próprio de uma ciência.
(CHAUÍ, Marilena Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1994.)
Acerca da interdisciplinaridade, especificamente no ensino da filosofia, assinale a afirmativa correta.

(Disponível em: https://www.letras.mus.br/. Em: fevereiro de 2024.)
Ao realizar uma análise da moral antiga, Foucault se ocupou de temas como ética, verdade, estética da existência, sujeito da ação e sujeito ético. Alguns desses temas já estavam presentes de forma pouco desenvolvida nas fases anteriores e ganham maior destaque, como a liberdade e a agência do sujeito ético-político. As palavras de Ewald capturam com maestria a movimentação teórica realizada por Foucault na passagem da fase genealógica para a fase ética:
“As portas do asilo, os muros da prisão desaparecem, dando lugar a falas livres em que gregos e romanos discutiam as melhores maneiras de conduzir suas vidas. A paisagem do confinamento cede lugar à liberdade luminosa do sujeito.”
(EWALD, 1984, p. 71-73.)
O filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) caracterizou a filosofia grega de Sócrates e outros filósofos pelo problema do “cuidado de si” (em grego, epiméleia heautoú). Nesta análise, Foucault:
[...] nunca se realizou uma obra filosófica que fosse duradoura em todas as suas partes. Por isso não se pode aprender filosofia em absoluto, porque ela ainda não existe.
(Kant, 1983, p. 407.)
É clássico citar Kant quando se pretende defender que não é possível ensinar a filosofia, mas sim a filosofar. Para Kant, a filosofia é um saber que está sempre incompleto, pois está sempre em movimento, sempre aberto, sempre sendo feito e se revendo e, por isso, não pode ser capturado e ensinado. Ainda, segundo Kant: