Questões de Concurso
Comentadas sobre filosofia e conhecimento em filosofia
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“As revoluções políticas iniciam-se com um sentimento crescente, com frequência restrito a um segmento da comunidade política, de que instituições existentes deixaram de responder adequadamente aos problemas postos por um meio que ajudaram em parte a criar. De forma muito semelhante, as revoluções científicas iniciam-se com um sentimento crescente, também seguidamente restrito a uma pequena subdivisão da comunidade científica, de que o paradigma existente deixou de funcionar adequadamente na exploração de um aspecto da natureza, cuja exploração fora anteriormente dirigida pelo paradigma. Tanto no desenvolvimento político como no científico, o sentimento de funcionamento defeituoso, que pode levar à crise, é um pré-requisito para a revolução.” (KUHN, Thomas. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 1998, p. 126).
Thomas Kuhn (1922-1996) apresentou uma concepção inédita, com a publicação do seu livro A estrutura das revoluções científicas, para explicar o desenvolvimento da ciência. Marque a alternativa que apresenta corretamente a concepção de Thomas Kuhn sobre o processo de mudança de paradigmas.
“Assim, o entrelugares se revela, se não a principal, uma das características da produção acadêmica do ensino de filosofia no Brasil. Isso porque, historicamente, ela se formou entre as frestas institucionais acadêmicas das áreas de filosofia e de educação. Quem primeiro acolheu as demandas de pesquisa sobre o tema, e continua a ser uma grande aliada, foi a filosofia da educação. […] Por sua vez, mesmo que não houvesse muita abertura dos programas de pós-graduação acadêmicos em filosofia para o ensino de filosofia, foi possível forçar as possibilidades institucionais e se infiltrar nas frestas deixadas na área de teoria do conhecimento, ética, estética, política e até história da filosofia, desenvolvendo, em um plano periférico, a temática. Até porque, ao contrário do que muitas vezes é pressuposto, as tensões que irrompem da pesquisa com o ensino de filosofia encontram seu apoio, principalmente, na própria tradição filosófica e, por conseguinte, ressoam as problemáticas típicas da área da filosofia”. (Disponível em: https://anpof.org/forum/canone---uma-proposta-de-debate/filosofia-do--ensino-de-filosofia-por-uma-cidadania-filosofica. Acesso em: 26/02/2022).
De posse dessas reflexões e em consonância com o proposto por Cerletti (2009), pode-se afirmar que o ensino de filosofia tem sua fundamentação inscrita, primordialmente, no âmbito:
“Donde um correto conhecimento de que a morte nada é para nós faz da vida mortal algo apreciável, não por adicionar tempo infinito, e sim por suprimir o anseio de imortalidade”. (EPICURO. Cartas & Máximas principais: “Como um deus entre os homens”. São Paulo: Penguim, Companhia das Letras, 2020, p. 62).
Por que, para Epicuro, o mal residiria nas sensações?
Como Popper redefine a ciência a partir dessa constatação?
Preconceito e resistência parecem ser mais a regra do que a exceção no desenvolvimento científico avançado. [...] Embora o preconceito e resistência às inovações possam muito facilmente pôr um freio ao progresso científico, a sua onipresença é, porém, sintomática como característica requerida para que a investigação tenha continuidade e vitalidade. Características desse tipo, tomadas coletivamente, eu classifico como dogmatismo das ciências maduras. [...] A educação científica “semeia” o que a comunidade científica, com dificuldade, alcançou até aí - uma adesão profunda a uma maneira particular de ver o mundo e praticar a ciência. (KUHN, Thomas S. A função do dogma na investigação científica. Curitiba: UFPR / SCHLA, 2012, p. 20-21).
Considere as seguintes assertivas:
I – Há aqui uma contradição no pensamento do autor porque não se compreende como o autor de A estrutura das revoluções científicas defenda a importância do dogma para a ciência e que os cientistas sejam em sua prática conservadores e não, revolucionários.
II – O posicionamento de Kuhn é coerente com sua concepção de paradigma científico. Com efeito, para Kuhn, na base da prática científica está a adesão a um paradigma que, partilhado pela comunidade científica, define os limites da ciência normal de uma dada época.
III – Aqui está um dos pontos centrais da divergência entre Kuhn e Popper. Para Popper, não haveria dogma científico acima ou imune ao princípio da falseabilidade. A ideia de uma crença que devesse ser protegida e não falseada lhe pareceria também não-científica.
IV – Neste ponto, é possível aproximar o posicionamento de Kuhn e de Imre Lakatos. Porque este último compreende que todo programa de pesquisa parte de um “núcleo irredutível” de hipóteses que não serão postas em discussão (que, de princípio, não se tentará falsear).
Assinale a alternativa que contém apenas as assertivas corretas:
Sobre o conceito de incomensurabilidade de paradigmas, proposto por Thomas Kuhn, é correto afirmar que
Sobre o Falsificacionismo, de Popper, é correto afirmar que
Sobre o naturalismo epistêmico, considere as seguintes afirmações.
I - Uma das principais motivações para a naturalização da epistemologia diz respeito à necessidade de se compreender o modo como a espécie humana realiza operações cognitivas e de que não é possível alcançar essa compreensão através de uma reflexão independentemente da observação.
II - O naturalismo aponta para uma continuidade entre epistemologia e ciências empíricas, tanto no que diz respeito ao método, quanto ao objeto da investigação.
III - Trata-se de um projeto que procura estabelecer as condições normativas que devem estar presentes para que a crença verdadeira seja justificada. Ou seja, mais do que apresentar meras pretensões descritivistas, o naturalismo tem como objetivo central reformular nossos esquemas conceituais a fim de aprimorar os juízos epistêmicos.
IV - O naturalismo epistêmico relaciona-se, em parte, à desconfiança daquilo que os filósofos denominam de intuições a priori que, não raro, colocaram-se como ponto de partida para a construção de suas teorias.
Está correto apenas o que se afirma em
Edmund Gettier ficou conhecido por introduzir na Epistemologia os, assim denominados, casos de Gettier, casos problemáticos (contra exemplos) para a suficiência da definição tripartite do conhecimento proposicional como crença verdadeira e justificada.
Considere os seguintes casos e avalie se eles se classificam, ou não, como casos de Gettier.
I - Eduardo acredita em tudo aquilo que é notícia no seu canal preferido, já que ele é reconhecido como um veículo de informação confiável, e frequentemente checa as suas notícias antes de publicá-las. Certo dia, esse mesmo canal noticiou falsamente que o presidente X havia falecido. Eduardo concluiu falsamente, embora de modo justificado, que faleceu o presidente X.
II - Todos os dias, ao passar pela praça central de sua cidade, Alice consulta a hora no preciso relógio de ponteiros da catedral. Ela sempre confia na hora informada pelo relógio, pois ele é muito preciso e regular. Sem que Alice o saiba, entretanto, o relógio parou de funcionar às 8:15 da noite anterior. Hoje, ao passar pela praça central, exatamente às 8:15 da manhã, Alice olha para o relógio da catedral e se informa, acidentalmente, sobre a hora certa.
III - Eustáquio sempre jogava na loteria a mesma sequência de números. Ele acreditava que um dia tais números lhe trariam sorte, pois sonhava com eles copiosamente. Certo dia, jogando com estes mesmos números, Eustáquio acertou na loteria e ganhou um prêmio milionário.
É (são) caso (s) de Gettier apenas
I - A reflexão crítica não pode ser entendida como aquele processo de iluminação ou frustração sobre uma base firme, segura e unificada para todos os afetados, nem tampouco como aquela posição privilegiada como a de ter acesso ao conhecimento das distorções
PORQUE
II - a posição do teórico crítico é também uma posição que precisa ser desvelada e compreendida como afetada, como todas as outras, por uma determinada localização social.
Sobre as asserções é correto afirmar que
Segundo Kuhn, os cientistas recebem um paradigma da “ciência normal” e tentam articulá-lo, refinando suas teorias e leis, resolvendo vários enigmas e estabelecendo medições mais exatas de constantes. Mas, por fim, seus esforços podem gerar anomalias. Estas emergem só com dificuldade contra um fundo de expectativas criadas pelo paradigma. A acumulação de anomalias desencadeia uma crise que, às vezes, se resolve por meio de uma revolução que substitui o paradigma antigo por um novo.
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AUDI, R. Dicionário de filosofia. São Paulo: Paulus, 2006, com adaptações.
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No que tange ao pensamento científico de Kuhn, assinale a alternativa correta.
É preciso partir de dados indubitáveis para, com base neles, construir depois o edifício filosófico. Em suma, procuram-se evidências estáveis para colocar como fundamento da filosofia: “sem evidência não há ciência”, dirá Husserl nas Pesquisas lógicas. Os limites da evidência apodítica representam os limites de nosso saber. Assim, é preciso buscar coisas manifestas, fenômenos tão evidentes que não possam ser negados.
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REALE, G.; ANTISSIERI, D. História da filosofia, 6: de Nietzsche à Escola
de Frankfurt. São Paulo: Paulus, 2005, com adaptações.
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Com base nessas informações e na fenomenologia de Husserl, assinale a alternativa correta.
Em outros termos, o espírito humano, por sua natureza, emprega sucessivamente, e em cada uma das suas investigações, três métodos de filosofar, cujo caráter é essencialmente diferente e mesmo radicalmente oposto: primeiro, o método teológico; em seguida, o método metafísico; finalmente, o método positivo.
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COMTE. Curso de filosofia positiva. 1a lição, II.
São Paulo: Abril Cultural, 1978, com adaptações.
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Com relação às informações do texto, assinale a alternativa correta.
Resta-nos um único e simples método para alcançar os nossos intentos; levar os homens aos próprios fatos particulares e às suas séries e ordens, a fim de que eles, por si mesmos, se sintam obrigados a renunciar às suas noções e comecem a habituar-se ao trato direto das coisas.
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BACON, F. Novum organum, I, afor. XXXVI, com adaptações.
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Em conformidade com a mencionada citação, assinale a alternativa que apresenta o projeto filosófico de Francis Bacon.
1. Faculdade humana que se manifesta na objetividade ordenada e regular da natureza física e na subjetividade do espírito humano.
2. Doutrina segundo a qual os valores morais não apresentam validade universal e absoluta, variando ao sabor das circunstâncias.
3. Pensamento ou inteligência voltados para a apreensão cognitiva da realidade.
4. Consciência de um determinado conteúdo ou objeto mental, próprio do pensamento humano.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
1. Resultou das suas experiências como tutor doméstico de crianças e dos cursos ministrados em universidades.
2. Parte do princípio de que o ser humano precisa ser educado, pois somente se torna humano através da educação.
3. Os animais nascem com instinto, característica que os aproxima do caráter humano, pois, com a domesticação, assume atitudes que podem ser consideradas morais.
4. A educação deve impedir que a selvageria e a animalidade prejudiquem o caráter humano.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.