Questões de Concurso
Comentadas sobre relação entre indivíduo e sociedade em sociologia
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I. O progresso social consiste, como se crê, em produzir uma quantidade crescente de artigos mais e mais variados, para satisfazer as necessidades dos homens; para aumentar a segurança das pessoas e das propriedades; para estender nossa liberdade de ação; mas, para quem o compreende bem, o fundo do progresso social, são as mudanças da estrutura do organismo social, as quais trouxeram essas consequências. (Herbert Spencer. Lei e causa do progresso, 1857) II. Em certo estágio do seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais entram em contradição com as relações de produção existentes ou, o que é apenas sua expressão jurídica, com as relações de propriedade, no interior das quais se tinham movido até então. De formas de desenvolvimento das forças produtivas, estas relações transformam-se em entraves das mesmas. Inaugura-se então uma época de revolução social. Com a alteração da base econômica, alterase mais lentamente ou mais rapidamente toda a imensa superestrutura. (Karl Marx. Contribuição à crítica da economia política, 1859) O pensamento sociológico do século XIX se fundamentou em conceitos das ciências naturais e da filosofia da história para produzir modelos explicativos sobre a interação entre os fenômenos sociais. Assinale a opção que identifica corretamente os conceitos absorvidos pela sociologia presentes, respectivamente, nos trechos I e II.
A filosofia política de Nicolau Maquiavel contribuiu para que a sociologia clássica construísse a imagem do ser humano como um ser político e social, privilegiando o adquirido sobre o inato e a razão sobre a tradição. Com base no trecho citado, assinale a opção que interpreta corretamente a relação entre natureza humana, história e repetibilidade proposta pelo secretário florentino.
O conceito a seguir que perfaz plenamento tal aspecto fundamental é o de:
Dentre os chamados autores clássicos da Sociologia, Karl Marx é o único que não se preocupou com questões relacionadas à consolidação da Sociologia como ciência autônoma. Suas preocupações iam muito além disso e visavam a uma mudança profunda na realidade. Todavia, e em função dessa orientação para a mudança, Marx estabeleceu uma maneira de analisar a sociedade que influenciou boa parte da produção sociológica desde então. Sobre a maneira como Marx analisa a sociedade é correto afirmar que:
I. O estudo da sociedade deve ter como pressuposto que a realidade material é a base das relações sociais;
II. O modo de produção capitalista determina a cooperação e a solidariedade entre os trabalhadores, ainda que de modo alienado;
III. O capitalismo é um estágio necessário e transitório rumo a outro modo de produção, o socialismo.
IV. O trabalho é o primeiro fato histórico e a base
para entender como se formam as relações
sociais de produção.
“Hoje em dia, tudo parece levar em seu seio sua própria contradição. Vemos que as máquinas, dotadas da propriedade maravilhosa de encurtar e fazer mais frutífero o trabalho humano, provocam a fome e o esgotamento do trabalhador. As fontes de riqueza recém-descobertas convertem-se, por arte de um estranho malefício, em fonte de privações”. MARX, K. People´s paper,p. 369.
Karl Marx se insere entre os pensadores que utilizam a dialética na maneira de analisar a realidade. Nesse sentido, a realidade social pode ser reconhecida como:
“Não só os intelectuais transformaram política em racionalidade, mas a proclamação das virtudes da racionalidade constituiu uma expressão de seu otimismo e serviu para alimentar o otimismo de todos. Seu credo era: à medida que avançamos na direção de uma compreensão mais verdadeira da realidade, avançamos consequentemente na direção de uma melhor governança da sociedade real e, assim, da realização mais plena do potencial humano. Como modo de construção do saber, a ciência não se limitou a construir-se sobre essa premissa; ela se propôs como método mais seguro de realizar a busca racional.” (WALLERSTEIN, I. “Ciência Social e Sociedade contemporânea. As garantias evanescentes de racionalidade” In: O Fim do Mundo como o concebemos. Ciência Social para o século XXI. Rio de Janeiro: Revan, 2002.)
Na passagem acima, o sociólogo contemporâneo
Immanuel Wallerstein faz referências ao otimismo
que o fortalecimento da ciências, de um modo
geral, bem como o surgimento das Ciências
Sociais, de modo mais específico, propiciaram no
contexto da consolidação da sociedade capitalista.
Nesse sentido, qual, ou quais, das correntes
sociológicas que surgiram entre os séculos XIX e
XX seria, ou seriam exemplos desse otimismo?
Chantal Mouffe (2015), cientista política belga, uma das representantes do pós-marxismo, critica a definição antagonista entre esquerda e direita. Para ela,
I- a abordagem racionalista e individualista do liberalismo contribui para o reconhecimento da natureza das identidades coletivas e é capaz de compreender a natureza pluralista e os conflitos acarretados pela pluralidade do mundo social.
II- a negação do antagonismo revela absoluta falta de compreensão da dinâmica de constituição de identidades políticas e do que está em jogo na política democrática, contribuindo para exacerbar o potencial de antagonismos na sociedade.
III- é necessária uma abordagem alternativa da política democrática, na qual a questão crucial é demonstrar como transformar o antagonismo numa forma de oposição que seja compatível com a democracia pluralista.
IV- existe distinção entre “político” e “política”, sendo que o “político” pode ser definido como a dimensão de antagonismo que constitui as sociedades humanas e “política” como o conjunto de práticas e instituições por meio das quais uma ordem é criada, organizando a coexistência humana no contexto conflituoso produzido pelo político.
V- a política democrática deve ter ascendência real sobre os desejos e fantasias das pessoas e oferecer formas de identificação que contribuam para as práticas democráticas.
Estão corretas apenas as afirmativas
De acordo com José de Souza Martins (2002), o sistema econômico atual transfere para o grupo familiar parte de suas irracionalidades, isto é, ele não se sente obrigado a pagar pelos problemas sociais que cria. A categoria exclusão (e excluído) se nutre politicamente dessa contradição mal compreendida e mal resolvida. E se nutre, também, de um aparato ideológico referido à condição operária.
Diante dessas condições, analise as afirmativas abaixo, referentes à definição do que é ser operário, e marque (V) para verdadeiro ou (F) para falso:
( ) O operário é, como trabalhador coletivo, portador de uma possibilidade histórica, isto é, possibilidade de transformação social porque ele personifica a (e é agente da) contradição entre o caráter social da produção e a apropriação privada dos resultados da produção.
( ) O operário é o agente não só da produção da mais-valia, mas é também produto e expressão da realização desigual da riqueza criada e, portanto, da realização da mais-valia, do modo como a mais-valia se realiza.
( ) O operário está incluído, isto é, ele não só produz, e se reproduz no processo de reprodução ampliada do capital, como também se apropria igualmente da riqueza criada, eliminando a contradição com o capital.
( ) O operário é uma categoria sociológica substantiva, relativa ao efetivo e objetivo sujeito social e histórico, sujeito de contradições que personifica possibilidades históricas e que é o trabalhador assalariado.
( ) Independente de sua vontade subjetiva, o operário tem uma realidade objetiva, ele é um produto histórico e, teoricamente, agente privilegiado da História no momento histórico que lhe corresponde.
A sequência correta é
Através dos meios constitutivos da psicologia de George Mead (1973) foi possível dar à teoria hegeliana da “luta pelo reconhecimento” uma inflexão materialista. Baseado nas ideias de Mead e Hegel, Axel Honneth, que foi assistente de Jürgen Habermas, elaborou, no interior da Teoria Crítica, uma distinção conceitual da estrutura das relações sociais de reconhecimento.
Diante do exposto, o item que corresponde à estrutura das relações sociais de reconhecimento é:
Com base no texto abaixo, analise as afirmativas a seguir:
“A partir do estudo do processo civilizador, evidenciou-se com bastante clareza a que ponto a modelagem geral e, portanto, a formação individual de cada pessoa, depende da evolução histórica do padrão social, da estrutura das relações humanas. Os avanços da individualização, como na Renascença, por exemplo, não foram consequências de uma súbita mutação em pessoas isoladas, ou de concepção fortuita de um número especialmente elevado de pessoas talentosas; foram eventos sociais, consequência de uma desarticulação de velhos grupos ou de uma mudança na posição social do artista-artesão, por exemplo. Em suma, foram consequências de uma reestruturação específica das relações humanas.”
(ELIAS, Norbert. A sociedade dos indivíduos, 1994)
I- Relações, por exemplo, entre pai, mãe, filho e irmãos numa família, por variáveis que sejam em seus detalhes, são determinadas, em sua estrutura básica, pela estrutura da sociedade em que a criança nasce e que existia antes dela.
II- As peculiaridades constitucionais com que um ser humano vem ao mundo têm uma importância muito diferente para as relações do indivíduo nas diferentes sociedades, bem como nas diferentes épocas históricas de uma mesma sociedade.
III- Constituições naturais similares em bebês recém-nascidos levam a um desenvolvimento muito diferenciado da consciência e dos instintos, dependendo da estrutura preexistente de relações em que eles cresçam.
IV- A individualidade que o ser humano acaba por desenvolver não depende apenas de sua constituição natural, mas de todo o processo de individualização. Sem dúvida, a constituição característica da pessoa tem uma influência inerradicável em todo o seu destino.
V- A imagem mais nitidamente delineada do adulto, a individualidade que aos poucos emerge da forma menos diferenciada da criança pequena, em sua interação com seu destino, é também específica de cada sociedade.
Estão corretas as afirmativas