Questões de Concurso Sobre sociologia
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“O trabalho e a produção, a organização e o convívio sociais, a construção do "eu" e do “outro” são temas clássicos e permanentes das Ciências Humanas e da Filosofia. Constituem objetos de conhecimentos de caráter histórico, geográfico, econômico, político, jurídico, sociológico, antropológico, psicológico e, sobretudo, filosófico. Já apontam, por sua própria natureza, uma organização interdisciplinar. Agrupados e reagrupados, a critério da escola, em disciplinas específicas ou em projetos, programas e atividades que superem a fragmentação disciplinar, tais temas e objetos, ao invés de uma lista infindável de conteúdos a serem transmitidos e memorizados, constituem a razão de ser do estudo das Ciências Humanas no Ensino Médio.”
(MINISTÉRIO DA EDUCAÇAO. PCNEM. Brasília: Semted MEC, 1999, p. 9)
Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) introduziram o ensino da Sociologia na área de Ciências Humanas e suas Tecnologias e propuseram a organização de seus conteúdos e práticas pedagógicas a partir de competências e habilidades.
Com relação aos PCNEM, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa.
( ) A interdisciplinaridade ocupa uma função inovadora e de destaque, pois é o meio indicado para promover o diálogo entre as disciplinas listadas na área de Ciências Humanas e suas Tecnologias.
( ) A opção pelo princípio das “competências e habilidades” indica o objetivo de superar um modelo de ensino conteudístico, a favor de um modelo de ensino orientado para o “aprender a fazer e a conhecer”.
( ) Os temas clássicos indicados permitem introduzir os alunos nas principais questões e abordagens enfocadas pela História, pela Sociologia e pela Antropologia, entre outras disciplinas..
As afirmativas são, respectivamente,
O processo de globalização, em curso desde o final da década de 1980, incluiu a difusão dos fluxos econômicos em escala planetária, em decorrência da mundialização do capitalismo.
Nesse sentido, a economia globalizada
Os estudos de David Harvey sobre a condição pós-moderna oferecem uma análise do fenômeno da compressão espaço-temporal, ilustrada pelo autor com a imagem a seguir.

A respeito da compressão espaço-temporal, com base na imagem, analise as afirmativas a seguir.
I. Esta compressão é característica do período posterior às crises europeias de 1848 e passou por dois momentos de aceleração: em 1910, com a afirmação do taylorismo e do fordismo, e após a crise de 1973, com a passagem pósmoderna para um sistema de acumulação flexível.
II. A história do capitalismo venceu progressivamente as barreiras espaciais, de modo que o espaço foi reduzido à “aldeia global” das telecomunicações e à “astronave terra”, caracterizadas pela interdependência econômica e ecológica.
III. A relação entre espaço geográfico, tempos econômicos e capital é o objeto da reflexão do autor, para quem a compressão espaço-temporal resulta de fenômenos psicológicos e subjetivos, que determinam a representação pós-moderna do mundo.
Está correto o que se afirma em
“Na sociedade aristocrática de corte, a vida sexual era por certo muito mais escondida do que na sociedade medieval. O que o observador de uma sociedade industrializada-burguesa amiúde interpreta como ‘frivolidade’ da sociedade de corte nada mais é do que essa orientação rumo à privacidade. Não obstante, medidos pelo padrão de controle dos impulsos na própria sociedade burguesa, o ocultamento e a segregação da sexualidade na vida social, tanto quanto na consciência, foram relativamente sem importância nessa fase. Aqui, também, o julgamento de fases posteriores é com frequência induzido em erro porque os padrões, da pessoa que julga e da aristocracia de corte, são considerados como absolutos e não como opostos inseparáveis, e também porque o padrão próprio é utilizado como medida de todos os demais.”
(ELIAS, N. O Processo Civilizador: Uma história dos costumes. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1994, v. 1, p. 178.)
Em O Processo Civilizador, Norbert Elias analisa a história dos costumes, buscando compreender o curso das transformações gerais da sociedade ocidental que, na longa duração, contribuíram para um processo civilizatório.
A esse respeito, com base no fragmento acima, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa.
( ) O autor examina a dinâmica civilizadora, entendida como as reações dos indivíduos às condições materiais de vida.
( ) O autor estuda os processos de naturalização de hábitos e costumes, como os processos de controle das emoções individuais.
( ) O autor identifica representações sociais e hábitos analisando o processo cognitivo pelo qual lhe são atribuídos significados.
As afirmativas são, respectivamente,
“Um sistema de disposições duráveis e transponíveis que, integrando todas as experiências passadas, funciona a cada momento como uma matriz de percepções, de apreciações e de ações – e torna possível a realização de tarefas infinitamente diferenciadas, graças às transferências analógicas de esquemas”.
A definição acima se refere ao conceito sociológico de
“A sociologia nasceu como reflexão crítica sobre uma sociedade lacerada e contraditória, industrial e capitalista, dividida entre a ciência e o dinheiro, entre o organicismo e o individualismo. Todavia, a sociologia que se pode chamar de clássica se definiu pelo seu otimismo: ela considerou como necessária e possível a complementaridade da ordem social e da liberdade pessoal através da interiorização de normas sociais que, por sua vez, repousam sobre uma concepção ao mesmo tempo universalista e individualista do ser humano. O conceito central desta sociologia é o de instituição.”
(Adaptado de TOURAIN, A. Sociologia. Milão: Jaca Book, 1998, p. 25.)
Para Alain Tourain, a sociologia clássica conceituou instituição, em termos de organização social, como
Karl Marx definiu a sociedade moderna como “capitalista” e buscou explicar seus mecanismos de funcionamento examinando a realidade em sua mudança constante. A esse respeito afirmou: “(...) provoca a cólera e o açoite da burguesia e de seus portavozes doutrinários, porque no entendimento e na explicação positiva daquilo que existe, abriga também o entendimento de sua negação, de sua morte inelutável”.
Esse trecho se refere ao conceito marxiano de

(Wiley Miller, da série “Non Sequitur” (2013)in http://picayune.uclick.com/comics/ nq/2009/nq090111.gif)
A tira critica de forma humorada o conceito de ideologia referido
às concepções de
(...) rompe com a tradição positivista que faz da sociedade uma realidade objetiva e do ator um agente sem história nem paixão e amplamente preso a um conjunto de valores que lhe predeterminam os comportamentos.
(Adaptado de: LALLEMENT, Michel. História das ideias sociológicas. Petrópoles: Vozes, 2004, p. 308)
(...) em cada contexto, as pessoas chegam a tecer (criativamente) universos de significado (memórias) compartilhados, cuja inteligibilidade só é possível, na verdade, de acordo com a especificidade daqueles contextos (...)
(Adaptado de: DOMINGUES, José Maurício. Teorias sociológicas no século XX. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001, p. 32)
(...) os construtos empíricos são a própria realidade social, independentemente de serem cientificamente adequados ou não. (...) As atividades e a fala dos atores sociais são interpretadas como formas linguísticas que são compreendidas publicamente, em situações definidas. (...) O cientista social deve realizar estudos descritivos das expressões indexais em sua diversidade empírica.
(Adaptado de: Nunes, Jordão Horta. As metáforas nas ciências sociais. Goiânia, Editora UFG, 2000, p. 151)
Os trechos anteriores referem-se a uma corrente teórico-metodológica da sociologia chamada:
Ao sairmos do batel, disse o Capitão que seria bom irmos em direitura à cruz que estava encostada a uma árvore, junto ao rio, a fim de ser colocada amanhã, sexta-feira, e que nos puséssemos todos de joelhos e a beijássemos para eles verem o acatamento que lhe tínhamos. E assim fizemos. E a esses dez ou doze que lá estavam, acenaram-lhes que fizessem o mesmo; e logo foram todos beijá-la.
Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências.
(A carta, de Pero Vaz de Caminha, p. 11-12. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br)
Partindo do trecho da correspondência escrita à época da chegada dos portugueses ao Brasil, considere as proposições abaixo sobre o conceito de etnocentrismo.
I. Constitui uma forma de violência física que invariavelmente resulta no extermínio, na escravização e na subjugação do “outro” para o domínio de seu território e de suas riquezas, conforme motivações alheias a seus valores e regras de conduta.
II. Trata-se de um fenômeno cultural que se manifesta apenas em algumas sociedades humanas e que decorre das particularidades de cada uma delas.
III. Caracteriza-se pela avaliação de sociedades culturalmente distintas em relação à do observador, segundo os critérios, valores e interesses de sua própria formação social e que resulta no menosprezo e subestimação das condutas e costumes diversos daqueles em que foi socializado.
IV. É definido frequentemente pela aceitação ponderada dos elementos culturais estranhos ao observador, o qual busca analisar e compreender suas especificidades.
V. Em suas manifestações mais extremadas, a postura etnocêntrica acaba por produzir práticas que conduzem os membros de determinada cultura a perceberem os estrangeiros como “coisas”, negando-lhes, assim, a sua condição humana.
Está correto o que se afirma APENAS em
Visto em perspectiva histórica ampla, o Estado-nação latino-americano e caribenho expressa, às vezes muito claramente, os desenvolvimentos excepcionais e os impasses radicais, compreendendo tanto novas e surpreendentes possibilidades de transformação como a emergência de crises de amplas proporções.
(Adaptado de: IANNI, Octavio. O Estado-nação na época da globalização. Novos Rumos, São Paulo, n. 31, 1999, p. 18)
Como consequência da globalização para os Estados nacionais latino-americanos e caribenhos é correto afirmar que
(...) sistemas de disposições duráveis, estruturas estruturadas predispostas a funcionar como estruturas estruturantes, isto é, como princípio gerador e estruturador das práticas e das representações que podem ser objetivamente ‘reguladas’ e ‘regulares’ sem ser o produto da obediência a regras, objetivamente adaptadas a seu fim sem supor a intenção consciente dos fins e o domínio expresso das operações necessárias para atingi-los e coletivamente orquestradas, sem ser o produto da ação organizadora de um regente.
(Adaptado de: Esboço de uma teoria da prática. In: Ortiz, Renato (org.). Pierre Bourdieu. Coleção Grandes Cientistas Sociais. São Paulo: Ática, 1983, p. 60-61).
O conceito de Pierre Bourdieu (1930-2002) que corresponde a essa definição é:
Considere as duas colunas abaixo.
Sociólogos
I. Talcott Parsons (1902-1979)
II. Karl Mannheim (1893-1947)
III. Pierre Bourdieu (1930-2002)
IV. Erving Goffman (1922-1982)
V. Norbert Elias (1897-1990)
VI. Herbert Blumer (1900-1987)
Obras
a. Interacionismo simbólico: perspectiva e método (1969)
b. O sistema social (1951)
c. A representação do Eu na vida cotidiana (1959)
d. Ideologia e utopia (1929)
e. As regras da arte: gênese e estrutura do campo literário (1992)
f. A sociedade de corte (1969)
As associações entre sociólogos e obras estão corretas em:
A sociologia não se afirma primeiro como explicação científica e, somente depois, como forma cultural de concepção do mundo. Foi o inverso o que se deu na realidade. Ela nasce e se desenvolve como um dos florescimentos intelectuais mais complicados das situações de existência nas modernas sociedades industriais e de classe. E seu progresso, lento mas contínuo, no sentido do saber científico-positivo, também se faz sob a pressão das exigências dessas situações de existência, que impuseram tanto ao pensamento prático, quanto ao pensamento teórico, tarefas demasiado complexas para as formas pré-científicas de conhecimento.
(Adaptado de: FLORESTAN, Fernandes. A herança intelectual da sociologia. In: Ensaios de sociologia geral e aplicada. 2. ed. São Paulo: Pioneira, 1971, p. 273-274)
O excerto acima sintetiza o vasto programa envolvido no processo de constituição da sociologia como a “ciência da sociedade”. Sobre esse processo é correto afirmar que: