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    640 questões encontradas
    Ano: 2012
    Banca: ESAF
    Órgão: UFF
    Esta prática é sem dúvida, a técnica que melhor satisfaz aos fins de prospecção, pois não só permite uma observação in loco das diferentes camadas, como também a extração de boas amostras. O seu emprego, no entanto, encontra-se, na prática, limitado pelo seu elevado custo, o qual o torna, às vezes, economicamente proibitivo, exigindo onerosos trabalhos de proteção a desmoronamentos e esgotamentos de água, quando a prospecção desce abaixo do nível freático. Essa prática de prospecção é chamada:

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    Ano: 2009
    Banca: UFF
    Órgão: UFF
    Prova: Administrador
    Leia o texto abaixo e responda às questões
    propostas.


    1 Entender a saúde como grau zero de malestar
    permitiu uma grande invenção do século XX,
    que foi a previdência social. Se a saúde é a nãodoença,
    então sabemos exatamente do que cada
    qual necessita para curar-se. A sociedade, assim,
    se responsabiliza por tais tratamentos de saúde.
    Isso é moral e justificável. Aliás, é quase consenso
    que uma das maiores falhas dos Estados Unidos é
    não terem um sistema de saúde como o europeu e
    o canadense.
    2 Contudo, com os avanços da medicina e a
    nova idéia de saúde surgem problemas. Antes de
    mais nada, até onde vai minha responsabilidade
    pela saúde dos outros? Se alguém adoece ou se
    fere por decisão própria, deve a sociedade arcar
    com suas despesas? Não penso no caso da
    tentativa de suicídio, porque esta pode decorrer de
    um sofrimento psíquico tão intenso que justifica a
    sociedade tratar não só os danos físicos, mas a
    causa íntima deles. No entanto, no caso de quem
    fuma ou bebe, deve a sociedade custear as
    doenças que ele terá a mais do que o não-fumante
    ou o não-alcoólico? Ou deveriam essas pessoas,
    alertadas há anos dos custos que despejam sobre
    seus concidadãos, arcar com eles ou com um
    pagamento suplementar de seguro-saúde? É
    possível, hoje, estabelecer melhor que no passado
    o grau de responsabilidade de cada pessoa nas
    mazelas sociais. Vemos isso nos seguros de carro:
    os rapazes de 18 a 24 anos são os maiores
    causadores de acidentes, portanto quem está nessa
    faixa paga um prêmio maior. Todavia, se ao fim de
    um ano ou dois ele mostrar que não gerou custos
    para a seguradora, provavelmente começará a
    ganhar bônus. Esse modelo possivelmente se
    ampliará para a saúde.
    3 O segundo problema está ligado à expansão
    da saúde para um a mais. Uma coisa é curar ou
    sarar, outra é dar vantagens - como o que se
    chama wellness - que as pessoas antes não
    tinham ou que não estão na previsão usual de
    nossa vida e de sua qualidade. Aqui, para além do
    valor altamente moral da saúde como não-doença,
    entram elementos que podem ser da ordem da
    vaidade, ou do gosto pelo próprio corpo, ou de certa
    felicidade. É difícil separar o que é vaidade, o que é
    felicidade, e talvez se esmerar em distingui-los
    indique apenas uma atitude moralista no pior
    sentido do termo. Mas cada vez mais pessoas hão
    de querer não apenas realizar cirurgias plásticas,
    como também ampliar seu tempo de vida
    sexualmente ativa, sua capacidade física e outras
    qualidades que, longe de nos reconduzirem à média
    zero do histórico humano, vão nos levar - permitam
    a citação de Toy Story - "para o infinito e além".
    Ora, se a "medicina da cura" tem custos diferentes
    conforme o perfil de saúde e doença dos pacientes,
    a "medicina do mais" tem custos diferentes
    conforme o que o indivíduo almeja. Naquele caso, o
    custo depende de onde se parte; neste, de aonde
    se quer chegar. Podemos modelar nosso corpo e
    nossa vida, mais que no passado. E quem paga por
    isso?
    4 Aqui, a ideia de um custeio social - que na
    verdade é um rateio, porque como contribuintes
    pagamos aquilo que vamos desfrutar como
    cidadãos - fica mais difícil. Uma coisa é ratearmos
    o custo de operações de câncer, de tratamento de
    doenças caras. Outra é ratearmos o sonho de corpo
    de cada um. O rateio funciona quando o desejo se
    reduz ao de zerar a dor. Esse desejo baixo, mínimo
    ("só quero parar de sentir dor") admite que,
    moralmente, todos paguemos por ele. Entretanto,
    alguém de nós aceitaria ratear uma operação para
    alguém que quer ampliar o busto, aumentar o pênis
    ou simplesmente ter uma condição física superior à
    média? Não creio.
    5 O melhor exemplo é o do Viagra. É
    perfeitamente legítimo um Estado de bem-estar
    social, como os europeus, fornecê-lo a idosos que
    sentem dificuldade em ter ou manter a ereção. Mas
    quantos comprimidos azuis por semana? Por que
    um e não dois, três, sete? Não há mais medida,
    porque nosso metro moral e previdenciário era o
    zero, a não-dor. O orgasmo não se encaixa nesse
    modelo. Por melhor que uma relação sexual seja
    para a saúde das pessoas, não sabemos qual
    número seria o adequado.
    6 O caso do sexo tem um elemento irônico,
    ademais. Quase todos sabem como é forte, no
    desejo sexual, a transgressão. Daí a atração do
    fruto proibido. E como fica se o Estado me fornece
    os meios de ter relações sexuais? Não se
    burocratiza o imaginário em torno do sexo? "O sr. já
    recebeu seus comprimidos do mês. O próximo, por
    favor!" Talvez o Viagra só funcione de verdade se
    for comprado ou, como dizem os baianos sobre as
    fitas do Bonfim, se você o ganhar de alguém - ou
    roubar
    Imagem 002.jpg

    A argumentação desenvolvida ao longo do texto está orientada no sentido de fazer com que o leitor conclua que:

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    Ano: 2009
    Banca: UFF
    Órgão: UFF
    Prova: Administrador
    Leia o texto abaixo e responda às questões
    propostas.


    1 Entender a saúde como grau zero de malestar
    permitiu uma grande invenção do século XX,
    que foi a previdência social. Se a saúde é a nãodoença,
    então sabemos exatamente do que cada
    qual necessita para curar-se. A sociedade, assim,
    se responsabiliza por tais tratamentos de saúde.
    Isso é moral e justificável. Aliás, é quase consenso
    que uma das maiores falhas dos Estados Unidos é
    não terem um sistema de saúde como o europeu e
    o canadense.
    2 Contudo, com os avanços da medicina e a
    nova idéia de saúde surgem problemas. Antes de
    mais nada, até onde vai minha responsabilidade
    pela saúde dos outros? Se alguém adoece ou se
    fere por decisão própria, deve a sociedade arcar
    com suas despesas? Não penso no caso da
    tentativa de suicídio, porque esta pode decorrer de
    um sofrimento psíquico tão intenso que justifica a
    sociedade tratar não só os danos físicos, mas a
    causa íntima deles. No entanto, no caso de quem
    fuma ou bebe, deve a sociedade custear as
    doenças que ele terá a mais do que o não-fumante
    ou o não-alcoólico? Ou deveriam essas pessoas,
    alertadas há anos dos custos que despejam sobre
    seus concidadãos, arcar com eles ou com um
    pagamento suplementar de seguro-saúde? É
    possível, hoje, estabelecer melhor que no passado
    o grau de responsabilidade de cada pessoa nas
    mazelas sociais. Vemos isso nos seguros de carro:
    os rapazes de 18 a 24 anos são os maiores
    causadores de acidentes, portanto quem está nessa
    faixa paga um prêmio maior. Todavia, se ao fim de
    um ano ou dois ele mostrar que não gerou custos
    para a seguradora, provavelmente começará a
    ganhar bônus. Esse modelo possivelmente se
    ampliará para a saúde.
    3 O segundo problema está ligado à expansão
    da saúde para um a mais. Uma coisa é curar ou
    sarar, outra é dar vantagens - como o que se
    chama wellness - que as pessoas antes não
    tinham ou que não estão na previsão usual de
    nossa vida e de sua qualidade. Aqui, para além do
    valor altamente moral da saúde como não-doença,
    entram elementos que podem ser da ordem da
    vaidade, ou do gosto pelo próprio corpo, ou de certa
    felicidade. É difícil separar o que é vaidade, o que é
    felicidade, e talvez se esmerar em distingui-los
    indique apenas uma atitude moralista no pior
    sentido do termo. Mas cada vez mais pessoas hão
    de querer não apenas realizar cirurgias plásticas,
    como também ampliar seu tempo de vida
    sexualmente ativa, sua capacidade física e outras
    qualidades que, longe de nos reconduzirem à média
    zero do histórico humano, vão nos levar - permitam
    a citação de Toy Story - "para o infinito e além".
    Ora, se a "medicina da cura" tem custos diferentes
    conforme o perfil de saúde e doença dos pacientes,
    a "medicina do mais" tem custos diferentes
    conforme o que o indivíduo almeja. Naquele caso, o
    custo depende de onde se parte; neste, de aonde
    se quer chegar. Podemos modelar nosso corpo e
    nossa vida, mais que no passado. E quem paga por
    isso?
    4 Aqui, a ideia de um custeio social - que na
    verdade é um rateio, porque como contribuintes
    pagamos aquilo que vamos desfrutar como
    cidadãos - fica mais difícil. Uma coisa é ratearmos
    o custo de operações de câncer, de tratamento de
    doenças caras. Outra é ratearmos o sonho de corpo
    de cada um. O rateio funciona quando o desejo se
    reduz ao de zerar a dor. Esse desejo baixo, mínimo
    ("só quero parar de sentir dor") admite que,
    moralmente, todos paguemos por ele. Entretanto,
    alguém de nós aceitaria ratear uma operação para
    alguém que quer ampliar o busto, aumentar o pênis
    ou simplesmente ter uma condição física superior à
    média? Não creio.
    5 O melhor exemplo é o do Viagra. É
    perfeitamente legítimo um Estado de bem-estar
    social, como os europeus, fornecê-lo a idosos que
    sentem dificuldade em ter ou manter a ereção. Mas
    quantos comprimidos azuis por semana? Por que
    um e não dois, três, sete? Não há mais medida,
    porque nosso metro moral e previdenciário era o
    zero, a não-dor. O orgasmo não se encaixa nesse
    modelo. Por melhor que uma relação sexual seja
    para a saúde das pessoas, não sabemos qual
    número seria o adequado.
    6 O caso do sexo tem um elemento irônico,
    ademais. Quase todos sabem como é forte, no
    desejo sexual, a transgressão. Daí a atração do
    fruto proibido. E como fica se o Estado me fornece
    os meios de ter relações sexuais? Não se
    burocratiza o imaginário em torno do sexo? "O sr. já
    recebeu seus comprimidos do mês. O próximo, por
    favor!" Talvez o Viagra só funcione de verdade se
    for comprado ou, como dizem os baianos sobre as
    fitas do Bonfim, se você o ganhar de alguém - ou
    roubar
    Imagem 002.jpg

    Todos os argumentos relacionados a seguir encontram-se orientados para a conclusão do texto, COM EXCEÇÃO do que se lê em:

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    Ano: 2009
    Banca: UFF
    Órgão: UFF
    Prova: Administrador
    Leia o texto abaixo e responda às questões
    propostas.


    1 Entender a saúde como grau zero de malestar
    permitiu uma grande invenção do século XX,
    que foi a previdência social. Se a saúde é a nãodoença,
    então sabemos exatamente do que cada
    qual necessita para curar-se. A sociedade, assim,
    se responsabiliza por tais tratamentos de saúde.
    Isso é moral e justificável. Aliás, é quase consenso
    que uma das maiores falhas dos Estados Unidos é
    não terem um sistema de saúde como o europeu e
    o canadense.
    2 Contudo, com os avanços da medicina e a
    nova idéia de saúde surgem problemas. Antes de
    mais nada, até onde vai minha responsabilidade
    pela saúde dos outros? Se alguém adoece ou se
    fere por decisão própria, deve a sociedade arcar
    com suas despesas? Não penso no caso da
    tentativa de suicídio, porque esta pode decorrer de
    um sofrimento psíquico tão intenso que justifica a
    sociedade tratar não só os danos físicos, mas a
    causa íntima deles. No entanto, no caso de quem
    fuma ou bebe, deve a sociedade custear as
    doenças que ele terá a mais do que o não-fumante
    ou o não-alcoólico? Ou deveriam essas pessoas,
    alertadas há anos dos custos que despejam sobre
    seus concidadãos, arcar com eles ou com um
    pagamento suplementar de seguro-saúde? É
    possível, hoje, estabelecer melhor que no passado
    o grau de responsabilidade de cada pessoa nas
    mazelas sociais. Vemos isso nos seguros de carro:
    os rapazes de 18 a 24 anos são os maiores
    causadores de acidentes, portanto quem está nessa
    faixa paga um prêmio maior. Todavia, se ao fim de
    um ano ou dois ele mostrar que não gerou custos
    para a seguradora, provavelmente começará a
    ganhar bônus. Esse modelo possivelmente se
    ampliará para a saúde.
    3 O segundo problema está ligado à expansão
    da saúde para um a mais. Uma coisa é curar ou
    sarar, outra é dar vantagens - como o que se
    chama wellness - que as pessoas antes não
    tinham ou que não estão na previsão usual de
    nossa vida e de sua qualidade. Aqui, para além do
    valor altamente moral da saúde como não-doença,
    entram elementos que podem ser da ordem da
    vaidade, ou do gosto pelo próprio corpo, ou de certa
    felicidade. É difícil separar o que é vaidade, o que é
    felicidade, e talvez se esmerar em distingui-los
    indique apenas uma atitude moralista no pior
    sentido do termo. Mas cada vez mais pessoas hão
    de querer não apenas realizar cirurgias plásticas,
    como também ampliar seu tempo de vida
    sexualmente ativa, sua capacidade física e outras
    qualidades que, longe de nos reconduzirem à média
    zero do histórico humano, vão nos levar - permitam
    a citação de Toy Story - "para o infinito e além".
    Ora, se a "medicina da cura" tem custos diferentes
    conforme o perfil de saúde e doença dos pacientes,
    a "medicina do mais" tem custos diferentes
    conforme o que o indivíduo almeja. Naquele caso, o
    custo depende de onde se parte; neste, de aonde
    se quer chegar. Podemos modelar nosso corpo e
    nossa vida, mais que no passado. E quem paga por
    isso?
    4 Aqui, a ideia de um custeio social - que na
    verdade é um rateio, porque como contribuintes
    pagamos aquilo que vamos desfrutar como
    cidadãos - fica mais difícil. Uma coisa é ratearmos
    o custo de operações de câncer, de tratamento de
    doenças caras. Outra é ratearmos o sonho de corpo
    de cada um. O rateio funciona quando o desejo se
    reduz ao de zerar a dor. Esse desejo baixo, mínimo
    ("só quero parar de sentir dor") admite que,
    moralmente, todos paguemos por ele. Entretanto,
    alguém de nós aceitaria ratear uma operação para
    alguém que quer ampliar o busto, aumentar o pênis
    ou simplesmente ter uma condição física superior à
    média? Não creio.
    5 O melhor exemplo é o do Viagra. É
    perfeitamente legítimo um Estado de bem-estar
    social, como os europeus, fornecê-lo a idosos que
    sentem dificuldade em ter ou manter a ereção. Mas
    quantos comprimidos azuis por semana? Por que
    um e não dois, três, sete? Não há mais medida,
    porque nosso metro moral e previdenciário era o
    zero, a não-dor. O orgasmo não se encaixa nesse
    modelo. Por melhor que uma relação sexual seja
    para a saúde das pessoas, não sabemos qual
    número seria o adequado.
    6 O caso do sexo tem um elemento irônico,
    ademais. Quase todos sabem como é forte, no
    desejo sexual, a transgressão. Daí a atração do
    fruto proibido. E como fica se o Estado me fornece
    os meios de ter relações sexuais? Não se
    burocratiza o imaginário em torno do sexo? "O sr. já
    recebeu seus comprimidos do mês. O próximo, por
    favor!" Talvez o Viagra só funcione de verdade se
    for comprado ou, como dizem os baianos sobre as
    fitas do Bonfim, se você o ganhar de alguém - ou
    roubar
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    No curso da argumentação, o autor vai deixando marcas - palavras, expressões - para mostrar que o conteúdo de muitos de seus enunciados deve ser entendido como uma POSSIBILIDADE - coisa que ocorre em todas as alternativas abaixo, EXCETO:

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    Ano: 2009
    Banca: UFF
    Órgão: UFF
    Prova: Administrador
    Leia o texto abaixo e responda às questões
    propostas.


    1 Entender a saúde como grau zero de malestar
    permitiu uma grande invenção do século XX,
    que foi a previdência social. Se a saúde é a nãodoença,
    então sabemos exatamente do que cada
    qual necessita para curar-se. A sociedade, assim,
    se responsabiliza por tais tratamentos de saúde.
    Isso é moral e justificável. Aliás, é quase consenso
    que uma das maiores falhas dos Estados Unidos é
    não terem um sistema de saúde como o europeu e
    o canadense.
    2 Contudo, com os avanços da medicina e a
    nova idéia de saúde surgem problemas. Antes de
    mais nada, até onde vai minha responsabilidade
    pela saúde dos outros? Se alguém adoece ou se
    fere por decisão própria, deve a sociedade arcar
    com suas despesas? Não penso no caso da
    tentativa de suicídio, porque esta pode decorrer de
    um sofrimento psíquico tão intenso que justifica a
    sociedade tratar não só os danos físicos, mas a
    causa íntima deles. No entanto, no caso de quem
    fuma ou bebe, deve a sociedade custear as
    doenças que ele terá a mais do que o não-fumante
    ou o não-alcoólico? Ou deveriam essas pessoas,
    alertadas há anos dos custos que despejam sobre
    seus concidadãos, arcar com eles ou com um
    pagamento suplementar de seguro-saúde? É
    possível, hoje, estabelecer melhor que no passado
    o grau de responsabilidade de cada pessoa nas
    mazelas sociais. Vemos isso nos seguros de carro:
    os rapazes de 18 a 24 anos são os maiores
    causadores de acidentes, portanto quem está nessa
    faixa paga um prêmio maior. Todavia, se ao fim de
    um ano ou dois ele mostrar que não gerou custos
    para a seguradora, provavelmente começará a
    ganhar bônus. Esse modelo possivelmente se
    ampliará para a saúde.
    3 O segundo problema está ligado à expansão
    da saúde para um a mais. Uma coisa é curar ou
    sarar, outra é dar vantagens - como o que se
    chama wellness - que as pessoas antes não
    tinham ou que não estão na previsão usual de
    nossa vida e de sua qualidade. Aqui, para além do
    valor altamente moral da saúde como não-doença,
    entram elementos que podem ser da ordem da
    vaidade, ou do gosto pelo próprio corpo, ou de certa
    felicidade. É difícil separar o que é vaidade, o que é
    felicidade, e talvez se esmerar em distingui-los
    indique apenas uma atitude moralista no pior
    sentido do termo. Mas cada vez mais pessoas hão
    de querer não apenas realizar cirurgias plásticas,
    como também ampliar seu tempo de vida
    sexualmente ativa, sua capacidade física e outras
    qualidades que, longe de nos reconduzirem à média
    zero do histórico humano, vão nos levar - permitam
    a citação de Toy Story - "para o infinito e além".
    Ora, se a "medicina da cura" tem custos diferentes
    conforme o perfil de saúde e doença dos pacientes,
    a "medicina do mais" tem custos diferentes
    conforme o que o indivíduo almeja. Naquele caso, o
    custo depende de onde se parte; neste, de aonde
    se quer chegar. Podemos modelar nosso corpo e
    nossa vida, mais que no passado. E quem paga por
    isso?
    4 Aqui, a ideia de um custeio social - que na
    verdade é um rateio, porque como contribuintes
    pagamos aquilo que vamos desfrutar como
    cidadãos - fica mais difícil. Uma coisa é ratearmos
    o custo de operações de câncer, de tratamento de
    doenças caras. Outra é ratearmos o sonho de corpo
    de cada um. O rateio funciona quando o desejo se
    reduz ao de zerar a dor. Esse desejo baixo, mínimo
    ("só quero parar de sentir dor") admite que,
    moralmente, todos paguemos por ele. Entretanto,
    alguém de nós aceitaria ratear uma operação para
    alguém que quer ampliar o busto, aumentar o pênis
    ou simplesmente ter uma condição física superior à
    média? Não creio.
    5 O melhor exemplo é o do Viagra. É
    perfeitamente legítimo um Estado de bem-estar
    social, como os europeus, fornecê-lo a idosos que
    sentem dificuldade em ter ou manter a ereção. Mas
    quantos comprimidos azuis por semana? Por que
    um e não dois, três, sete? Não há mais medida,
    porque nosso metro moral e previdenciário era o
    zero, a não-dor. O orgasmo não se encaixa nesse
    modelo. Por melhor que uma relação sexual seja
    para a saúde das pessoas, não sabemos qual
    número seria o adequado.
    6 O caso do sexo tem um elemento irônico,
    ademais. Quase todos sabem como é forte, no
    desejo sexual, a transgressão. Daí a atração do
    fruto proibido. E como fica se o Estado me fornece
    os meios de ter relações sexuais? Não se
    burocratiza o imaginário em torno do sexo? "O sr. já
    recebeu seus comprimidos do mês. O próximo, por
    favor!" Talvez o Viagra só funcione de verdade se
    for comprado ou, como dizem os baianos sobre as
    fitas do Bonfim, se você o ganhar de alguém - ou
    roubar
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    Em mais de um momento da exposição, o autor busca envolver emocionalmente o leitor a fim de torná-lo cúmplice das idéias que expõe - o que fica bastante evidente na passagem que se lê em:

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