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    Ano: 2018
    Banca: CONSULPLAN
    Órgão: SEDUC-PA

                                      Como se chama


          Se recebo um presente dado com carinho por pessoa de quem não gosto – como se chama o que sinto? Uma pessoa de quem não se gosta mais e que não gosta mais da gente – como se chama essa mágoa e esse rancor? Estar ocupada, e de repente parar por ter sido tomada por uma desocupação beata, milagrosa, sorridente e idiota – como se chama o que se sentiu? O único modo de chamar é perguntar: como se chama? Até hoje só consegui nomear com a própria pergunta. Qual é o nome? e é este o nome.

    (LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer. São Paulo, Círculo do livro, 1988.)

    O texto de Clarice Lispector apresenta um(a)

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    Ano: 2018
    Banca: CONSULPLAN
    Órgão: SEDUC-PA

                                      Como se chama


          Se recebo um presente dado com carinho por pessoa de quem não gosto – como se chama o que sinto? Uma pessoa de quem não se gosta mais e que não gosta mais da gente – como se chama essa mágoa e esse rancor? Estar ocupada, e de repente parar por ter sido tomada por uma desocupação beata, milagrosa, sorridente e idiota – como se chama o que se sentiu? O único modo de chamar é perguntar: como se chama? Até hoje só consegui nomear com a própria pergunta. Qual é o nome? e é este o nome.

    (LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer. São Paulo, Círculo do livro, 1988.)

    O texto inicia-se com uma conjunção cujo emprego pode resultar em diferentes matizes de sentido de acordo com o contexto em que está inserida. Em referência específica ao contexto apresentado, pode-se afirmar que o efeito de sentido produzido está corretamente expresso em: 

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    Ano: 2018
    Banca: CONSULPLAN
    Órgão: SEDUC-PA

                                      Como se chama


          Se recebo um presente dado com carinho por pessoa de quem não gosto – como se chama o que sinto? Uma pessoa de quem não se gosta mais e que não gosta mais da gente – como se chama essa mágoa e esse rancor? Estar ocupada, e de repente parar por ter sido tomada por uma desocupação beata, milagrosa, sorridente e idiota – como se chama o que se sentiu? O único modo de chamar é perguntar: como se chama? Até hoje só consegui nomear com a própria pergunta. Qual é o nome? e é este o nome.

    (LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer. São Paulo, Círculo do livro, 1988.)

    A forma escolhida pela autora para expressar suas ideias demonstra

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    Ano: 2018
    Banca: CONSULPLAN
    Órgão: SEDUC-PA

                                         O verbo for


          Vestibular de verdade era no meu tempo. Já estou chegando, ou já cheguei, à altura da vida em que tudo de bom era no meu tempo; meu e dos outros coroas (…)

          O vestibular de Direito a que me submeti, na velha Faculdade de Direito da Bahia, tinha só quatro matérias: português, latim, francês ou inglês, e sociologia, sendo que esta não constava dos currículos do curso secundário e a gente tinha que se virar por fora. Nada de cruzinhas, múltipla escolha ou matérias que não interessassem diretamente à carreira. Tudo escrito ruibarbosianamente quando possível, com citações decoradas, preferivelmente (…)

          Quis o irônico destino, uns anos mais tarde, que eu fosse professor da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia e me designassem para a banca de português, com prova oral e tudo. Eu tinha fama de professor carrasco, que até hoje considero injustíssima, e ficava muito incomodado com aqueles rapazes e moças pálidos e trêmulos diante de mim. Uma certa vez, chegou um sem o menor sinal de nervosismo, muito elegante, paletó, gravata e abotoaduras vistosas. A prova oral era bestíssima. Mandava o candidato ler umas dez linhas em voz alta (sim, porque alguns não sabiam ler) e depois se perguntava o que queria dizer uma palavra trivial ou outra, qual era o plural de outra e assim por diante.

          Esse mal sabia ler, mas não perdia a pose. Não acertou a responder nada. Então, eu, carrasco fictício, peguei no texto uma frase em que a palavra “for” tanto podia ser do verbo “ser” quanto do verbo “ir”. Pronto, pensei. Se ele distinguir qual é o verbo, considero-o um gênio, dou quatro, ele passa e seja o que Deus quiser.

          – Esse “for” aí, que verbo é esse?

          Ele considerou a frase longamente, como se eu estivesse pedindo que resolvesse a quadratura do círculo, depois ajeitou as abotoaduras e me encarou sorridente.

          – Verbo for.

          – Verbo o quê?

          – Verbo for.

          – Conjugue aí o presente do indicativo desse verbo.

          – Eu fonho, tu fões, ele fõe – recitou ele impávido. – Nós fomos, vós fondes, eles fõem.

          Não, dessa vez ele não passou. Mas, se perseverou, deve ter acabado passando e hoje há de estar num posto qualquer do Ministério da Administração ou na equipe econômica, ou ainda aposentado como marajá, ou as três coisas. Vestibular, no meu tempo, era muito mais divertido do que hoje e, nos dias que correm, devidamente diplomado, ele deve estar fondo para quebrar. Fões tu? Com quase toda a certeza, não. Eu tampouco fonho. Mas ele fõe.

    (João Ubaldo Ribeiro. Publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 23/09/1998.)

    Dentre os termos grifados nos trechos a seguir, é possível reconhecer que a função anafórica foi ativada para manutenção do referente textual com EXCEÇÃO de:

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    Ano: 2018
    Banca: CONSULPLAN
    Órgão: SEDUC-PA

                                         O verbo for


          Vestibular de verdade era no meu tempo. Já estou chegando, ou já cheguei, à altura da vida em que tudo de bom era no meu tempo; meu e dos outros coroas (…)

          O vestibular de Direito a que me submeti, na velha Faculdade de Direito da Bahia, tinha só quatro matérias: português, latim, francês ou inglês, e sociologia, sendo que esta não constava dos currículos do curso secundário e a gente tinha que se virar por fora. Nada de cruzinhas, múltipla escolha ou matérias que não interessassem diretamente à carreira. Tudo escrito ruibarbosianamente quando possível, com citações decoradas, preferivelmente (…)

          Quis o irônico destino, uns anos mais tarde, que eu fosse professor da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia e me designassem para a banca de português, com prova oral e tudo. Eu tinha fama de professor carrasco, que até hoje considero injustíssima, e ficava muito incomodado com aqueles rapazes e moças pálidos e trêmulos diante de mim. Uma certa vez, chegou um sem o menor sinal de nervosismo, muito elegante, paletó, gravata e abotoaduras vistosas. A prova oral era bestíssima. Mandava o candidato ler umas dez linhas em voz alta (sim, porque alguns não sabiam ler) e depois se perguntava o que queria dizer uma palavra trivial ou outra, qual era o plural de outra e assim por diante.

          Esse mal sabia ler, mas não perdia a pose. Não acertou a responder nada. Então, eu, carrasco fictício, peguei no texto uma frase em que a palavra “for” tanto podia ser do verbo “ser” quanto do verbo “ir”. Pronto, pensei. Se ele distinguir qual é o verbo, considero-o um gênio, dou quatro, ele passa e seja o que Deus quiser.

          – Esse “for” aí, que verbo é esse?

          Ele considerou a frase longamente, como se eu estivesse pedindo que resolvesse a quadratura do círculo, depois ajeitou as abotoaduras e me encarou sorridente.

          – Verbo for.

          – Verbo o quê?

          – Verbo for.

          – Conjugue aí o presente do indicativo desse verbo.

          – Eu fonho, tu fões, ele fõe – recitou ele impávido. – Nós fomos, vós fondes, eles fõem.

          Não, dessa vez ele não passou. Mas, se perseverou, deve ter acabado passando e hoje há de estar num posto qualquer do Ministério da Administração ou na equipe econômica, ou ainda aposentado como marajá, ou as três coisas. Vestibular, no meu tempo, era muito mais divertido do que hoje e, nos dias que correm, devidamente diplomado, ele deve estar fondo para quebrar. Fões tu? Com quase toda a certeza, não. Eu tampouco fonho. Mas ele fõe.

    (João Ubaldo Ribeiro. Publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 23/09/1998.)

    Tudo escrito ruibarbosianamente quando possível, com citações decoradas, preferivelmente (…)” (2º§). Analise as assertivas a seguir.


    I. Para que haja plena compreensão do trecho destacado, apenas o conhecimento do código linguístico não é suficiente para que o sentido do texto seja devidamente construído pelo sujeito leitor.

    II. Aspectos materiais e linguísticos como a constituição dos parágrafos muito longos e o uso de estruturas sintáticas complexas podem comprometer a compreensão do texto.

    III. O neologismo ruibarbosianamente demonstra a formação de um adjetivo a partir de um nome próprio que representa a variedade de prestígio a que se refere o trecho destacado.


    Está(ão) corretamente relacionada(s) ao trecho destacado apenas: 

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