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    01
    Q496207
    Ano: 2012
    Banca: FCC
    Órgão: SEE-MG
    Texto I

          No fim do século XIV, Portugal, vitimado por uma sucessão de administrações perdulárias, se convertera em um reino endividado. Sem alternativas para produzir riquezas em seu território, a coroa voltou os olhos para o mar. Essa epopeia em busca de riquezas é narrada pelo jornalista mineiro Lucas Figueiredo em Boa Ventura!. Calcada sobre um minucioso levantamento histórico, a obra traça um quadro desolador da penúria em que então vivia Portugal e retrata as adversidades que enfrentou para achar uma solução: a chamada Corrida do Ouro brasileira, que se deu entre os anos de 1697 e 1810.
          Foi o sonho dourado português que levou dom Manuel ardenar, em março de 1500, a viagem de Pedro Álvares Cabral ao desconhecido. Depois de atingir o arquipélago de Cabo Verde, o jovem navegador voltou a proa de sua caravela para o Ocidente, com a missão de salvar a coroa da falência. O rei apostou nas terras ermas e inexploradas do Novo Mundo. Para ele, poderia estar ali a fonte rápida e repleta de riquezas que guindariam Portugal à fartura.
          A pressão de Lisboa levou o governador-geral Tomé de Sousa a organizar a primeira expedição oficial em busca do metal, seduzido pelos rumores sobre a existência de uma montanha dourada margeada por um lago também de ouro - local fantástico que os nativos chamavam de Sabarabuçu. A comitiva partiu de Pernambuco em 5 de novembro de 1550, e os homens que se embrenharam na floresta nunca mais foram vistos. Mas o mito de Sabarabuçu levaria à organização de outras dezenas de expedições no decorrer dos 121 anos seguintes - todas fracassadas.
          Em 1671, o paulista Fernão Dias, uma das maiores fortunas da região, aceitou o pedido de Lisboa para empreender mais uma missão em busca de Sabarabuçu. Ao contrário de seus antecessores, porém, o bandeirante não partiu sem antes analisar os erros daqueles que haviam perecido na floresta, devorados por animais ferozes ou índios e mortos eles próprios pela fome e pelas adversidades naturais. Os preparativos levaram três anos. Ciente de que era impossível que centenas de homens sobrevivessem sem uma linha de abastecimento, Dias ordenou que, à medida que se embrenhassem na floresta, os pioneiros providenciassem a plantação de lavouras e a criação de animais. Ao longo de toda a rota que interligava a vila de São Paulo ao que hoje é o Estado de Minas Gerais, Dias montou a infraestrutura necessária para o que seria a primeira experiência bem sucedida dos portugueses na busca de riquezas. Em sete anos de trabalhos, ele percorreu 900 quilômetros entre São Paulo e Minas. Morreu no caminho de volta para casa, sem jamais ter alcançado a lendária Sabarabuçu. Mas fizera algo ainda mais extraordinário: havia inaugurado a primeira via de interligação entre o litoral e o interior do país em um terreno antes intransponível.
          Doze anos depois da morte de Fernão Dias, surgiram as primeiras notícias dando conta da localização de ouro onde hoje é Minas Gerais. Com a descoberta de novas lavras, o sonho de ouro continuava a mover os aventureiros. Em 1700, o bandeirante Borba Gato deu as boas novas ao governador: havia encontrado Sabarabuçu. Festas e missas foram celebradas para comemorar a "providência divina".
          Localizada onde hoje é a cidade de Sabará, a terra batizada com o nome mítico por Borba Gato incendiou a imaginação dos europeus. Dessa forma, a corrida do ouro levou um dos lugares mais hostis de que se tinha notícia a abrigar o embrião do que viria a ser o estado de governança no Brasil.
    (Leonardo Coutinho. Veja, 30 de março de 2011, pp. 134-136, com adaptações)



    Texto II

    O caçador de esmeraldas

    Foi em março, ao findar das chuvas, quase à entrada
    Do outono, quando a terra, em sede requeimada,
    Bebera longamente as águas da estação,
    - Que, em bandeira, buscando esmeraldas e prata,
    À frente dos peões filhos da rude mata,
    Fernão Dias Paes Leme entrou pelo sertão.

    Ah! quem te vira assim, no alvorecer da vida,
    Bruta Pátria, no berço, entre as selvas dormida,
    No virginal pudor das primitivas eras,
    Quando, aos beijos do sol, mal compreendendo o anseio
    Do mundo por nascer que trazias no seio,
    Reboavas ao tropel dos índios e das feras!
    ..............
    Ah! mísero demente! o teu tesouro é falso!
    Tu caminhaste em vão, por sete anos, no encalço
    De uma nuvem falaz, de um sonho malfazejo!
    Enganou-te a ambição! mais pobre que um mendigo,
    Agonizas, sem luz, sem amor, sem amigo,
    Sem ter quem te conceda a extrema-unção de um beijo!
    .............
    Morre! morrem-te às mãos as pedras desejadas,
    Desfeitas como um sonho, e em lodo desmanchadas ...
    Que importa? dorme em paz, que o teu labor é findo!
    Nos campos, no pendor das montanhas fragosas,
    Como um grande colar de esmeraldas gloriosas,
    As tuas povoações se estenderão fulgindo!
    (Olavo Bilac. O caçador de esmeraldas, in: Obra reunida. Rio de
    Janeiro: Nova Aguilar, 1996, pp. 227, 233, 234)

    Para responder à próxima questão , considere as estrofes do Texto II, em correlação com o Texto I.

    Dessa forma, a corrida do ouro levou um dos lugares mais hostis de que se tinha notícia a abrigar o embrião do que viria a ser o estado de governança no Brasil. (final do Texto I)

    A expressão grifada acima tem sentido correspondente ao dos versos do Texto II transcritos em:

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