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    1 questão encontrada
    Ano: 2014
    Banca: FCC
    Órgão: TRF - 3ª REGIÃO
    Menino do mato

    Eu queria usar palavras de ave para escrever.
    Onde a gente morava era um lugar imensamente e sem
    [ nomeação.
    Ali a gente brincava de brincar com palavras
    tipo assim: Hoje eu vi uma formiga ajoelhada na pedra!
    A Mãe que ouvira a brincadeira falou:
    Já vem você com suas visões!
    Porque formigas nem têm joelhos ajoelháveis
    e nem há pedras de sacristias por aqui.
    Isso é traquinagem da sua imaginação.
    O menino tinha no olhar um silêncio de chão
    e na sua voz uma candura de Fontes.
    O Pai achava que a gente queria desver o mundo
    para encontrar nas palavras novas coisas de ver
    assim: eu via a manhã pousada sobre as margens do
    rio do mesmo modo que uma garça aberta na solidão
    de uma pedra.
    Eram novidades que os meninos criavam com as suas
    palavras.

    Assim Bernardo emendou nova criação: Eu hoje vi um
    sapo com olhar de árvore.
    Então era preciso desver o mundo para sair daquele
    lugar imensamente e sem lado.
    A gente queria encontrar imagens de aves abençoadas
    pela inocência.
    O que a gente aprendia naquele lugar era só ignorâncias
    para a gente bem entender a voz das águas e
    dos caracóis.
    A gente gostava das palavras quando elas perturbavam
    o sentido normal das ideias.
    Porque a gente também sabia que só os absurdos
    enriquecem a poesia.


    (BARROS, Manoel de, Menino do Mato, em Poesia Completa, São Paulo, Leya, 2013, p. 417-8.)
    De acordo com o poema,

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