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    1 questão encontrada
    01
    Q494294
    Texto

                                  Ousadia

                                                                (Fernando Sabino)

                A moça ia no ônibus muito contente desta vida, mas, ao saltar, a contrariedade se anunciou:
                - A sua passagem já está paga - disse o motorista.
                - Paga por quem?
                - Esse cavalheiro aí.
                E apontou um mulato bem vestido que acabara de deixar o ônibus, e aguardava com um sorriso junto à calçada.
                - É algum engano, não conheço esse homem. Faça o favor de receber.
                - Mas já está paga...
                - Faça o favor de receber! - insistiu ela, estendendo o dinheiro e falando bem alto para que o homem ouvisse: - Já disse que não conheço! Sujeito atrevido, ainda fca ali me esperando, o senhor não está vendo? Vamos, faço questão que o senhor receba a minha passagem.
                O motorista ergueu os ombros e acabou recebendo: melhor para ele, ganhava duas vezes.
                A moça saltou do ônibus e passou fuzilando de indignação pelo homem.
                Foi seguindo pela rua, sem olhar para ele.
                Se olhasse, veria que ele a seguia, meio ressabiado, a alguns passos.
                Somente quando dobrou à direita para entrar no edifício onde morava, arriscou uma espiada: lá vinha ele! Correu para o apartamento, que era no térreo, pôs-se a bater, aflita:
                - Abre! Abre aí!
                A empregada veio abrir e ela irrompeu pela sala, contando aos pais atônitos, em termos confusos, a sua aventura:
                -       Descarado, como é que tem coragem? Me seguiu até aqui!
                De súbito, ao voltar-se, viu pela porta aberta que o homem ainda estava lá fora, no saguão. Protegida pela presença dos pais, ousou enfrentá-lo:
                - Olha ele ali! É ele, venham ver! Ainda está ali, o sem- vergonha. Mas que ousadia!
                Todos se precipitaram para a porta. A empregada levou as mãos à cabeça:
                - Mas a senhora, como é que pode! É o Marcelo.
                - Marcelo? Que Marcelo? - a moça se voltou, surpreendida.
                - Marcelo, o meu noivo. A senhora conhece ele, foi quem pintou o apartamento.
                A moça só faltou morrer de vergonha:
                - É mesmo, é o Marcelo! Como é que eu não o reconheci! Você me desculpe, Marcelo, por favor.
                No saguão, Marcelo torcia as mãos, encabulado:
                - A senhora é que me desculpe, foi muita ousadia...

    A “contrariedade” indicada no primeiro parágrafo deve ser entendida como:

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