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    01
    Q466541
    Ano: 2014
    Banca: CONTEMAX
    Órgão: COREN-PB
    Reféns das máquinas
    Transferimos o fazer para o controlar e o assistir. Ficamos mais passivos, mas não menos ocupados

    A RESPEITO DO TEMPO, as duas queixas que mais escuto são: que ele corre demais - o ano mal começa e já está acabando - e que falta tempo livre para si. Nunca descobri qual a diferença entre tempo para si e tempo para o outro.
    Vivemos o tempo do micro-ondas, do forninho, do liquidificador, da batedeira, que nos "desensinam" a arte de conhecer os ingredientes e a química das receitas.
    Na batedeira, qualquer clara vira suspiro. O micro-ondas derrete tudo de acordo com uma teoria que desconheço. É só apertar o botão e o calor se faz sem fogo. Tudo para economizar o tempo geral e sobrar tempo para si.
    Para o almoço, tiro do freezer, ponho no microondas, bato no liquidificador, ponho na sopeira. Depois, a máquina lava a louça. Enquanto isso, o que eu faço? Fico ligado nas máquinas que trabalham para mim, não sou livre. Esse tempo não é livre.
    É verdade que eu não faço força, mas liberdade enquanto as máquinas trabalham para a gente é uma quimera, uma ilusão. Mas a gente gosta de se deixar enganar.
    O tempo que deveria sobrar outros eletroeletrônicos açambarcam. A secretária eletrônica, os e-mails, o programa de TV ocupam o tempo do mesmo jeito que esquentar sem micro-ondas. Transferimos o fazer no tempo para o controlar e assistir.
    Ficamos mais passivos, mas não menos ocupados. Possivelmente a economia quer que eu use muitos aparelhos, para que o mercado fique aquecido e em movimento. Mergulhada na ilusão de que enquanto eu observo sou mais livre do que quando eu fazia, vou me submetendo a outras forças, que roubam e comprimem o meu tempo.
    E os anos vão andando mais depressa. Não sei quanto a você, mas a minha vida está sendo editada, prensada por essas forças externas.
    Proponho inverter o jogo: roubar o tempo poupado pelas máquinas para voltar ao ritmo da vida real. Sempre que possível, quero ver o sol se pondo. Não quero ser submetida ao pôr do sol editado. Quero esperar a maré subir.
    Quero ver a emulsão do ovo com o óleo virar maionese ao ritmo da minha mão, que deve mexer sempre para o mesmo lado. Enquanto a maionese vai crescendo e a mão vai cansando, eu me harmonizo com a vida. Vamos roubar tempo para voltar a viver, um pouco que seja, a hora de 60 minutos, fazendo. O tempo criado pelo movimento de rotação e translação do planeta, o real, pede passagem.

    Anna Verônica Mauther. Reféns das máquinas. Folha de S. Paulo. São Paulo, 8 jun. 2010.
    Observe a passagem do texto abaixo e assinale a alternativa CORRETA quanto a classificação da palavra destacada:

    Possivelmente
    a economia quer que eu use muitos aparelhos, para que o mercado fique aquecido e em movimento.

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